Carta Capital

Quinta-feira, 23 de Abril de 2020
POLÍTICA
Ciro Gomes protocola pedido de impeachment contra Bolsonaro
Esse é o 24º pedido que foi protocolado na Câmara dos Deputados e aguarda análise de Rodrigo Maia → Continue lendo no site
POLÍTICA
Com mais 6 meses de STF, Celso de Mello tem Bolsonaro nas mãos
Decano decidirá sobre mandado de segurança pró-impeachment. Moro também depende do juiz → Continue lendo no site
Câmara aprova linha de crédito para socorrer micro e pequenas empresas
A proposta é mais uma medida de apoio à economia em meio a crise da pandemia do novo coronavírus → Continue lendo no site
Senado aprova PL que amplia beneficiários do auxílio emergencial
Artesãos e cabeleireiros estão entre novas classes de beneficiados → Continue lendo no site
SAÚDE
Governador de NY cita Brasil como um mau exemplo no combate ao coronavírus
O democrata defendeu o isolamento social e disse que no Brasil não houve um planejamento contra a pandemia → Continue lendo no site
Alexandre de Moraes dá cinco dias para Bolsonaro informar medidas contra covid-19
Ministro do STF acatou ação do PT, que acusou o presidente de postura ‘avessa’ → Continue lendo no site

Texto de Pedro Cardoso


 “Não existe Brasil. Existe um amontoado de gente jogado no mesmo pedaço de chão, convivendo forçosamente, obrigados a se dizer pertencer a mesma nação. 

O Brasil é falso como a letra do seu hino, que, aliás, é feia e mal escrita. O Brasil nunca foi gigante porque ele nem sequer existe. Nenhuma nação surge de 350 anos de escravidão. Eu me recuso a compartilhar nacionalidade, e o consequente patriotismo, com pessoas que fazem baderna em tempos de necessário isolamento social. 

Quando um infectado entra num hospital ele expõe a risco médicas, enfermeiras e todos que forem cuidar dele. Fazer o impossível para não se infectar é uma obrigação para com os outros. Na minha opinião, quem se oferece ao vírus em aglomerações voluntariosas não deveria receber tratamento caso adoeça. Se o vírus é uma invenção, como dizem, que se curem sozinhos; e não venham arriscar a vida de quem, com sacrifício, está dedicado a salvar vidas. Eu não pertenço a mesma nação que essas pessoas. Sou juridicamente brasileiro. 220 milhões de pessoas o são. Mas é mera formalidade. Não posso pertencer a um país que não existe. O que existe são grupos identificados por igualdade pretendida. Grupos de militares, de comerciantes, de artistas sertanejos, de latifundiários, de fundamentalistas de falsas religiões e por ai vai. Cada grupo chama a si mesmo de Brasil como se todos os nascidos nesses limites geográficos fossem iguais a eles. Não somos. 

Eu não faço buzinaço em porta de hospitais nem clamo por ditadura militar. Não pertenço a nação de quem o faz. É com pesar que sou obrigado a compartilhar com gente assim o mesmo espaço geográfico.
O País que eu nasci é o do sonho de Criolo, Mano Braun, Ruth de Souza, Pixinguinha, Chico Mendes, Leonardo Boff, Chico Buarque, Caetano Veloso, Fernanda Montengro, Amir Haddad, D. Ivone Lara, Catulo da Paixão Cearense, Dolores Duran e tantos a quem posso chamar de irmãos. Os outros, esse grupo abjeto de pessoas incivilizadas, sádicos agressores de indefesos, ocuparam a terra do país imaginado pela arte produzida pela minha gente. Roubaram até as cores da bandeira. Verde e Amarelo se tornou uma combinação repulsiva.