segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares


 

 

 


Terra arrasada!

No número anterior do nosso Informativo fizemos uma série de notícias com o título “Política de Terra Arrasada”. Agora sabemos que a situação é ainda pior ao ler a matéria publicada no site do IG Último Segundo, com algumas declarações do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin ao fim dos grupos de transição:

"Desde que entrei na vida pública, nunca vi nada parecido".

“A impressão que se tinha é de que não havia gestão e que tudo era decidido aleatoriamente".

“Há documentos desaparecidos, há apagões de dados que sempre existiram em governos anteriores e há rombos financeiros inexplicáveis".

“Nem isso dá para saber, simplesmente não existe registro de nada". - Questionado se a questão deve ser tratada como corrupção.

“Os dados dão a entender que o governo Bolsonaro aconteceu na Idade da Pedra em que não havia palavras ou números".

“Há sistemas governamentais que não são abastecidos desde 2020 e ninguém tem explicação".

"A verdade é que o governo Lula não tem como saber o que precisa ser feito com base nos indicadores porque eles não existem. A política pública terá que ser criada do zero”.

“Tudo terá que ser feito no feeling e, possivelmente, haverá muitos erros por culpa da falta de dados".

“O desempenho do governo Bolsonaro foi tão ruim que qualquer trabalho mais ou menos será melhor. Não é difícil superá-lo".

Se algum brasileiro não fica indignado com isso, bem... deveria estar na prisão!

Vandalismo dos seguidores do pulha! Um grupo de terroristas, apoiadores do demente, queimou oito carros e cinco ônibus e aterrorizou Brasília na noite de segunda-feira (12), segundo balanço feito por agentes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Desse total, quatro ônibus e sete carros foram totalmente queimados e o restante, parcialmente.

Os atos de vandalismo tiveram início após o ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, mandar prender um dos líderes do grupo terrorista José Acácio Serere Xavante por suposta prática de condutas ilícitas em atos antidemocráticos. A prisão, que tem prazo inicial de dez dias, atende pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e se fundamentou na necessidade de garantia da ordem pública. Segundo nota do STF, há indícios nos autos da prática dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do Estado Democrático de Direito – previstos no Código Penal.

No pedido de prisão temporária, a PGR argumenta que a liderança vem se utilizando da sua posição de cacique do Povo Xavante para arregimentar indígenas e não indígenas para cometer crimes, mediante a ameaça de agressão e perseguição do presidente eleito e dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

O Cacique Serere, liderança indígena bolsonarista, pastor evangélico, é muito conhecido entre os golpistas que estão acampados em frente ao Quartel General do Exército, alguns deles participaram dos atos de vandalismo. Ele faz os discursos mais inflamados, especialmente contra Moraes.

Terrorismo a mando do sacripanta. Apesar da derrota, os fascistas não abandonarão a guerra para destruir a democracia e o Estado de Direito com o objetivo de implantar um regime militar-fascista por meios terroristas. O Brasil é um dos principais epicentros internacionais da escalada da extrema direita que está assustando o mundo inteiro.

A entrega dos diplomas ao presidente e ao vice-presidente eleito -Lula da Silva e Geraldo Alckmin-, antecipada para 12 de dezembro, teve um significado maior do que a "mera" formalidade republicana de encerrar o processo eleitoral. Carregada de símbolos, a cerimônia representou a concretização de um amplo pacto nacional em defesa da democracia.

A fala do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (STE) na solenidade é representativa dessa realidade crítica. Nove vezes, o ministro Alexandre de Moraes citou ataques à democracia e ao estado de direito perpetrados por criminosos [quatro vezes] extremistas [sete vezes] movidos pelo ódio [seis vezes], violência [seis vezes] e pensamento antidemocrático [seis menções].

A violência terrorista foi a resposta imediata dos fascistas à cerimônia de consagração da democracia, realizada horas antes no Tribunal da Democracia – como Moraes chamou o TSE.

Brasília assistiu a mais um julgamento do Capitólio Brasileiro. Porém, com um padrão de ódio, violência e destruição mais radical do que o realizado em Washington.

Busca pelos responsáveis. As buscas são realizadas no Distrito Federal e em sete estados e têm como alvo suspeitos de organizar ou financiar bloqueios de rodovias e manifestações em frente a prédios militares.

A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã de quinta-feira (15) mais de 100 mandados de busca e apreensão contra manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) suspeitos de promover ou financiar atos radicais contra o resultado das eleições.

A operação foi autorizada por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Moraes determinou o bloqueio de conta e a quebra do sigilo bancário dos investigados, que não tiveram os nomes divulgados.

Na mira da operação estão suspeitos de organizar bloqueios em rodovias após o final do segundo turno das eleições presidenciais e manifestações em frente a prédios militares em prol de Bolsonaro e de uma intervenção federal.

Apoio externo? Na semana passada uma megaoperação da polícia alemã revelou uma rede da extrema direita que conspirava para tomar o poder no país. Seus planos, que muitos analistas consideram delirantes, mas que outros levam a sério, incluíam uma invasão do Bundestag, o Parlamento alemão, o corte de energia no país, provocando o caos, a derrubada do governo e a tomada do poder, além da renegociação com as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial das fronteiras alemãs.

De início, foram detidas 25 pessoas, e outras 27 foram postas sob investigação, incluindo um autoproclamado príncipe de família aristocrática, militares reformados de alta patente das Forças Armadas e uma juíza e ex-deputada do Parlamento, filiada ao partido Alternative für Deutschland.

A rede deste grupo, intitulado de União Patriótica, se estendia por diversos estados alemães e tinha conexões internacionais, chegando, por via direta ou indireta, até o Brasil.

Um dos militares reformados detidos na operação policial na semana passada, pertencente ao União Patriótica, costumava passar férias em Santa Catarina, no Brasil, onde tem duas empresas em operação. Outros membros do grupo têm ligação com o movimento norte-americano e internacional conhecido como QAnon, presente hoje em mais de 70 países, incluindo o Brasil.

No Brasil, um dos grupos identificados com as campanhas do QAnon é o Pugnaculum, que divulga na internet posts favoráveis ao atual presidente brasileiro, bem como obras em e-book e artigos destinados aos por ele chamados de “patriotas brasileiros”.

Economia será desmembrada! O superministério da Economia comandado pelo canalha do Paulo Guedes provou que concentrar poderes não é eficaz. E o governo Lula irá recriar, ao menos, três pastas para consertar o estrago.

O atual ministério da Economia será desmembrado em três pastas pelo governo Lula (PT): da Fazenda, de Planejamento Orçamento e Gestão e de Indústria, Comércio e Serviços.

A indicação foi feita pelo coordenador dos grupos técnicos da transição, o ex-ministro Aloizio Mercadante, em coletiva de imprensa na quarta-feira (7). Ainda existe a possibilidade de que outras pastas sejam recriadas a partir da Economia.

Esta separação visa consertar o estrago feito pelo insano que uniu diversos ministérios com o pretexto de maior integração das ações, mas que no fim deixou desassistida diversas áreas.

O entendido como “superministério” da Economia, devido a quantidade de atribuições, foi comandado por Paulo Guedes, e o resultado é o que todos estão vendo: apagão de recursos no INSS, corte de bolsas na educação, falta de medicamentos, além da falta de recursos para o orçamento para 2023, entre diversas outras situações.

Mostrar a verdade ao povo! Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que resguarda divulgação de informações pessoais, impede o chamado “revogaço” de sigilos, pois comprometeria dados privados dos envolvidos.

Desde 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece que informações pessoais que identifiquem um cidadão, de forma direta ou indireta, não devem ser divulgadas. Assim, para realizar a revogação dos sigilos impostos pelo demente, prometidos por Lula (PT) em campanha, a equipe de transição estuda a situação, uma vez que um “revogaço” poderia esbarrar na LGPD.

A derrubada de vetos, nesse sentido, deverá acontecer com análise de cada caso para que os dados pessoais das pessoas envolvidas continuem protegidos.

Para tal, será necessário definição de critérios que justifiquem as divulgações estabelecidos em decreto presidencial ou Controladoria-Geral da União (CGU), como divulgou O Globo.

Novas relações diplomáticas. China e União Europeia devem ser os novos destinos a serem acrescentados na agenda de viagens que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deve realizar em 2023, primeiro ano do seu terceiro mandato.

A informação é do diplomata Mauro Vieira, que foi indicado na sexta-feira (09/12) como futuro chanceler, e um dos cinco primeiros nomes revelados por Lula para compor seu ministério.

Em entrevista coletiva realizada no Centro Cultural Branco do Brasil, nesta quarta-feira (14/12), Vieira disse que “o presidente Lula me orientou a desenvolver, reaproximar e reconstruir as pontes com os nossos parceiros tradicionais, como Estados Unidos, China e União Europeia. Nós queremos ter com esses países uma relação intensa, produtiva, equilibrada e soberana”.

Viera também assegurou que Lula quer que o Brasil restabeleça relações com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e com o argentino Alberto Fernández. O caso venezuelano é o mais complicado, já que o governo de Jair Bolsonaro é um dos que reconheceu oficialmente o opositor Juan Guaidó como presidente interino do país vizinho.

Na coletiva, o futuro chanceler também mencionou que Lula pretende retomar os projetos de cooperação com países do continente africano.

Militante do MST é assassinado. O Militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no estado do Tocantins, Raimundo Nonato Oliveira, popularmente conhecido como Cacheado, foi assassinado por dois homens que na madrugada de terça-feira (13), chegaram encapuzados, invadiram sua casa e o executaram com tiros de arma de fogo, no município de Araguatins/TO.

No estado, Cacheado começou a se envolver na luta social ainda muito jovem. Iniciou sua militância nas comunidades Eclesiais de Bases, participando da Pastoral da Juventude Rural-PJR/CPT. Nos anos 2000, ingressou no MST, contribuiu com movimentos sindicais e partidos políticos, como PT, PCdoB e PSOL.

Tanto o Movimento como o próprio Cacheado sempre foram criminalizados e perseguidos pelos latifundiários, grandes grileiros de terra públicas na região do Bico do Papagaio. Estes, por diversas vezes, entre os anos de 2000 a 2015, tentaram assassinar Cacheado. Porém, ele conseguiu sobreviver às tentativas.

No decorrer do período do governo do demente, as ações de criminalização e risco de assassinatos de militantes sociais, sobretudo os que lutam pela terra, ficaram muito evidente, se acirrando, ainda mais, no período eleitoral e pós eleições neste ano de 2022.

Atualmente o MST na região do Bico do Papagaio vivencia uma investida por parte dos latifundiários, por parte dos órgãos de segurança pública e até mesmo por parte do Poder Judiciário, o que a nosso ver, contribui para motivar ocorrência de crimes dessa natureza.

Raimundo Nonato Oliveira – Chacheado, sempre falava que, ainda criança, vivenciou o assassinato de seu pai por pistoleiros a mando de latifundiários, fato que o motivava a se envolver na luta pela terra.

Uma aula de história! Andrés Manuel López Obrador e Joe Biden trocaram cartas sobre os laços entre as duas nações por ocasião do 200º aniversário das relações diplomáticas bilaterais. Em sua carta, o líder mexicano lembrou algumas páginas tristes da história comum com os EUA.

Por ocasião do bicentenário das relações diplomáticas entre o México e os EUA, os presidentes dos dois países trocaram cartas em que refletiram sobre os laços que os unem e o estado da cooperação bilateral.

Em sua mensagem, Andrés Manuel López Obrador recordou que, ao longo dos 200 anos das relações, os governos das duas nações têm enfrentado "etapas muito difíceis", incluindo a intervenção militar dos EUA no México entre 1846 e 1848, em resultado da qual o México perdeu mais da metade de seu território, que constitui atualmente os estados norte-americanos da Califórnia, Nevada, Utah, Novo México, Texas, Colorado, Arizona e algumas zonas de Wyoming, Kansas e Oklahoma.

“Não é fácil esquecer as intervenções militares dos Estados Unidos no México e a perda de metade de nosso território”, sublinhou López Obrador na carta dirigida a Biden. (Matéria em Sputnik Brasil)

Colômbia cria Ministério da Igualdade e Equidade. Um passo a ser comemorado e seguido por muitos outros países.

O Congresso da Colômbia aprovou a criação do Ministério de Igualdade e Equidade, na noite de (12). Em ambas as casas, o projeto passou por ampla maioria: no Senado com 61 votos favoráveis e seis contrários; na Câmara com 139 votos a favor e apenas oito contra.

“Este ministério é um mecanismo para avançar na redução efetiva das brechas de desigualdade na Colômbia. Todas as pessoas merecem viver em paz, com igualdade de oportunidades e garantia de direitos, sem importar cor da pele, identidade de gênero, condição socioeconômica, opinião política, religião ou origem”, disse a vice-presidenta Francia Márquez, que ficará a cargo da nova pasta.

A criação do ministério era uma proposta de campanha de Petro e Francia. O projeto foi defendido pelos congressistas do Pacto Histórico, que conseguiu formar uma aliança majoritária no Legislativo.

Aproximadamente de 21% da população latino-americana se autodeclara afrodescendente, segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). A Colômbia é o segundo país sul-americano com maior população negra, com 3,5 milhões de pessoas autodeclaradas no censo de 2020, ficando atrás somente do Brasil.

Cerca de 97,6% dos municípios colombianos são povoados por pessoas com ascendência africana e em 64 regiões o povo negro é maioria, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE).

Os dados oficiais ainda apontam que 38% das pessoas registradas como vítimas na Rede Nacional de Informação sobre o conflito são negras. Cerca de 98% das pessoas que vivem em comunidades de palafitas e quilombos foram deslocados dos seus territórios por situações de violência, de acordo com a Comissão Nacional da Verdade da Colômbia.

Além disso, entre os 217 líderes sociais assassinados de 2015 a 2019, 77 eram negros.

Cristina Fernández denuncia atos contra sua filha. A vice-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, denunciou no sábado as ameaças publicadas por um jornal nacional contra sua filha, Florencia Kirchner, classificando-as como práticas mafiosas.

Por meio de um texto em resposta ao artigo “Certezas e dúvidas da contraofensiva cristã”, a ex-presidente disse que o jornal La Nación está mais uma vez tentando colocar sua filha na prisão para denegrir a família Fernández de Kirchner.

“Se a máfia e o narcotráfico têm um ponto em comum, é o assassinato que se exerce sobre os filhos e parentes das pessoas que eles declaram como inimigos”, escreveu o também líder do Senado.

Cristina denuncia que o La Nación reabriu de forma maliciosa os casos Hotesur e Los Sauces, movidos por dois juízes partidários do lowfare, que uma audiência oral unificou e ordenou a anulação do processo por inexistência de crime.

Conversas vazadas mostram que foi golpe! “A sentença foi escrita em 2 de dezembro de 2019, a primeira vez que dei testemunho perante este tribunal”, afirmava a vice-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, dias antes de sua sentença ser anunciada pelo caso de obras públicas em Santa Cruz. A afirmação logo encontrou eco em chats de Telegram vazados que revelam a articulação entre a Justiça e o poder econômico no país.

O que se conheceu foi o vínculo íntimo entre diretores do Grupo Clarín, maior conglomerado midiático do país, um ministro macrista, um ex-agente de inteligência e quatro juízes, um deles responsável pelo processo que terminou com a condenação à vice-presidenta. A parcialidade da Justiça exposta à luz do dia.

Já são quatro as instâncias impulsionadas para penalizar os envolvidos. Em primeiro lugar, a investigação solicitada pelo governo nacional sobre seus funcionários públicos envolvidos no caso, por não cumprimento de deveres e recebimento de favores.

Em segundo, o pedido de julgamento político aos quatro juízes no Conselho da Magistratura, entidade que nomeia e regulamenta as faculdades e os funcionários do Poder Judiciário. Por outro lado, o bloco da coalizão do presidente Alberto Fernández, a Frente de Todos, apresentou um pedido de julgamento na legislatura da cidade de Buenos Aires aos funcionários municipais envolvidos no episódio: o ministro de Justiça e Segurança de Buenos Aires, Marcelo D'Alessandro, e o Procurador-geral da capital argentina, Juan Bautista Mahiques.

O chat, nomeado como “Operação Página 12”, reúne figuras de alto escalão do poder judiciário, da mídia hegemônica e funcionários públicos ligados à coalizão de direita Juntos por el Cambio (JxC), a qual levou Mauricio Macri à presidência entre 2015 e 2019. O grupo tinha um objetivo inicial: alinhar narrativas sobre a viagem que fizeram ao Lago Escondido, na Patagônia, que foi descoberta e divulgada pelo jornal Página/12, em outubro.

O que não foi revelado nessa primeira matéria é que além de funcionários públicos, responsáveis pela ordem e gestão pública em diversos âmbitos, esta viagem incluía dois diretores do Grupo Clarín. Trata-se do CEO da empresa, Jorge Rendo, e o sobrinho do dono do império Clarín, Pablo Cassey, diretor de Assuntos Legais. Não só estiveram presentes: foram os que convidaram e pagaram a viagem de luxo ao grupo, como se soube depois nas conversas.

Peru: uma crise muito antiga. Muitos estão acompanhando a atual crise no Peru e a prisão do Presidente eleito, Pedro Castillo, mas poucos lembram que o Peru é um país realmente envolvido com os golpes da direita latino-americana. Basta lembrar que, nos últimos 4 anos, aquele país teve nada menos do que seis presidentes. E tudo começou em 1990 quando Alberto Fujimori foi eleito presidente e, com um golpe congressual, em 1992, conseguiu prorrogar o próprio mandato.

Em 2003, depois de várias acusações de corrupção e crimes contra os direitos humanos, Fujimore foi cassado. Julgado por um tribunal, em 2009, ele agora cumpre pena de 25 anos de prisão.

Sua filha, Keiko Fujimori, disputou as eleições contra Pedro Castillo e tinha, nas suas propostas a libertação do pai que está cumprindo pena. Perdeu as eleições e também ela está na prisão, acusada de crimes de corrupção. Mas o partido de Fujimori é forte e, segundo consta, está por trás de todo o golpe contra Pedro Castillo.

Congresso do Peru recusa antecipação de eleições. O Congresso peruano rejeitou na sexta-feira (16) um projeto de reforma constitucional para que as eleições presidenciais, programadas para abril de 2026, sejam antecipadas para abril de 2023.

A proposta havia sido formulada na Comissão de Constituição, e foi liderada pelo presidente dessa instância, o deputado Hernando Guerra García, do partido Força Popular – legenda fundada pelo ex-ditador Alberto Fujimori e cuja máxima figura atualmente é a sua filha, Keiko Fujimori.

O projeto fujimorista, que consistia em realizar apenas eleições presidenciais no próximo ano, contou com 49 votos a favor, 33 votos contrários e 25 abstenções. Eram necessários 66 votos favoráveis para obter a aprovação.

O governo de Dina Boluarte enviou na segunda-feira (12) uma proposta que prevê eleições gerais – ou seja, dos poderes Executivo e Legislativo – em abril de 2024. Esta segunda iniciativa ainda não tem uma data para ser votada pelo parlamento.

Um país muito dividido. Pelo que estamos acompanhando e as notícias que recebemos, o Peru é um país dividido entre os que buscam um golpe de direita, para libertar Fujimori e sua filha e retomar o poder, e os movimentos populares e indígenas que querem o restabelecimento da ordem, com volta de Pedro Castillo ao poder e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, promessa de campanha do presidente deposto pelo golpe.

Enquanto a direita tenta novo golpe... A Corporação Peruana de Aeroportos e Aviação Comercial (Corpac) informou sobre o fechamento do Aeroporto de Andahuaylas, no departamento de Apurímac, no sul do país andino, devido a movimentos de protestos contra a prisão do Presidente Pedro Castillo.

Como sempre, a mídia local corrupta informa que os distúrbios foram provocados por manifestantes que protestavam contra a demissão e posterior detenção de Pedro Castillo, que até 7 de dezembro era presidente do Peru.

Os protestos aconteceram horas depois de Dina Boluarte tomar posse como nova presidente do país.

Já são 21 mortos nos protestos! A Coordenadora Nacional de Direitos Humanos do Peru apresentou um informe na sexta-feira (16) afirmando que já são 21 as pessoas mortas em virtude da repressão policial contra os protestos que se realizam no país desde o último sábado, exigindo novas eleições.

O aumento nas cifras se produziu justamente nesta quinta-feira, quando aconteceu a Jornada Nacional de Luta, organizada por dezenas de entidades sindicais, estudantis e coletivos indígenas. Segundo a Coordenadora, ao menos 10 pessoas faleceram durante os incidentes entre os manifestantes e a polícia ocorridos durante esse evento.

Vale acrescentar que, nesta mesma quinta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH) denunciou o aumento da repressão policial contra as manifestações por novas eleições no país.

Mobilização permanente! As mobilizações em várias regiões do Peru continuaram durante toda a semana para exigir o fechamento do Congresso, novas eleições, a renúncia da presidenta empossada, Dina Boluarte, e a liberdade do ex-presidente Pedro Castillo.

Além disso, os participantes das mobilizações denunciaram a repressão da Polícia Nacional que, até o momento, deixou quatro mortos, dos quais três em Andahuaylas, departamento de Apurímac, e um em Arequipa.

O colaborador da teleSUR no Peru, Jaime Herrera, noticiou que os protestos se radicalizaram e que o número de vítimas deve aumentar, já que não há um balanço completo da situação.

Agora, tudo explicado... A embaixadora dos EUA no Peru, Lisa Kenna, era alta funcionária e agente da CIA e do Pentágono.

Pelas recentes informações que recebemos, dois dias antes do golpe contra o presidente eleito de esquerda Pedro Castillo, Kenna se reuniu com o ministro da Defesa do Peru, que então ordenou que os militares se voltassem contra Castillo.

Precisa falar mais?

Não aceitam o golpe! Os governos do México, Colômbia, Argentina e Bolívia emitiram um comunicado conjunto no qual expressaram sua “profunda preocupação” com a destituição e detenção de Pedro Castillo Terrones, a quem se dirigiram como Presidente da República do Peru.

Os quatro países apontaram que o líder peruano foi alvo de "assédio antidemocrático" que levou à sua demissão do cargo de chefe de Estado em 7 de dezembro.

“Pedimos às autoridades [peruanas] que respeitem plenamente os direitos humanos do presidente Pedro Castillo e lhe garantam proteção judicial”, diz a posição conjunta.

“Nossos governos conclamam todos os atores envolvidos no processo anterior a priorizar a vontade cidadã que se manifestou nas urnas. É a forma de interpretar o alcance e o significado da noção de democracia incluída no Sistema Interamericano de Direitos Humanos” acrescenta o pronunciamento das quatro nações, governadas por políticos ligados à esquerda.

Por isso, México, Argentina, Bolívia e Colômbia exortaram as instituições do Peru a “abster-se de inverter a vontade popular expressa com o sufrágio livre”, depois que o novo governo de Dina Boluarte convocou a antecipação das eleições gerais para o ano de 2024.

Dívida global. A dívida pública e privada em 2021 permaneceu acima dos níveis anteriores à pandemia, mesmo depois de registrar o declínio mais acentuado em 70 anos. A queda levou o débito para o equivalente a 247% do Produto Interno Bruto (PIB) global, caindo 10 pontos percentuais em relação ao seu nível máximo em 2020, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Expressa em dólares, no entanto, a dívida global continuou a crescer, embora a um ritmo muito mais lento, atingindo um recorde de US$ 235 trilhões no ano passado.

A dívida privada, que inclui obrigações não financeiras corporativas e domésticas, impulsionou a redução geral, diminuindo 6 pontos percentuais, para 153% do PIB. A queda de 4 pontos percentuais na dívida pública, para 96% do PIB, foi a maior em décadas.

Ao final de 2021, a dívida global permaneceu quase 19% do PIB acima dos níveis anteriores à pandemia, apresentando desafios para os formuladores de políticas em todo o mundo, analisam Vitor Gaspar, Paulo Medas e Roberto Perrelli, do FMI.

Mais uma corrupta? A Procuradoria Federal da Bélgica confirmou este domingo através de comunicado que acusou a vice-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kailli, e três outras pessoas do crime de participação em organização criminosa, branqueamento de capitais e corrupção.

Kailli juntamente com outras cinco pessoas foram detidas ao longo dos últimos dias envolvidas num caso de suborno do Qatar para influenciar a tomada de decisões do Parlamento Europeu.

A Procuradoria Federal belga indicou que, dos seis detidos, a vice-presidente, o seu companheiro, o conselheiro do Parlamento Europeu, Francesco Giorgi, o ex-social-democrata italiano Pier Antonio Panzeri e um lobista não identificado de Bruxelas foram enviados para prisão preventiva.

Crise na Europa e lucro para a China. Os estaleiros da China faturaram aproximadamente US$ 10 bilhões (R$ 52,9 bilhões) em pedidos para transportar gás natural liquefeito em 2022, segundo escreve a agência Reuters, citando dados fornecidos pela Clarksons Research.

De acordo com o relatório, os contratos de petroleiros chineses triplicaram em 2022, chegando a 66 embarcações em novembro.

Sendo assim, a China acumula uma quantia de 30% dos contratos globais de transporte de gás natural, diferentemente dos 9% obtidos em 2021.

O relatório ainda observa que 2022 foi marcado pela demanda recorde por novos petroleiros de gás natural liquefeito, com o total global de 163 pedidos no valor de quase US$ 60 bilhões (R$ 317,6 bilhões).

A alta demanda decorre da necessidade dos países europeus substituírem as importações de gás russo, que estão em declínio devido às sanções e restrições contra os recursos energéticos russos.

Problemas no Reino Unido. Os responsáveis ​​pelo fornecimento de energia no Reino Unido correm o risco de contrair uma dívida de cerca de 1.900 milhões de libras esterlinas, cerca de 2.300 milhões de dólares, grande parte irrecuperável.

Um estudo da consultoria Cornwall Insight, especializada em analisar o mercado de energia, identificou o risco desse aumento do endividamento dos responsáveis ​​pelo abastecimento no país europeu como consequência da crescente crise do custo de vida, consequência entre outros fatores das sanções econômicas impostas pelo Ocidente contra os combustíveis russos.

Esse risco de endividamento, alertou a consultoria, vem se acumulando à medida que os consumidores domésticos de abastecimento de energia encontram cada vez mais dificuldades para pagar suas contas, de modo que os responsáveis ​​pelo fornecimento de energia se verão cada vez mais desafiados a se recuperar desse prejuízo econômico.

Os riscos energéticos do Reino Unido são tais que o mercado pode se mostrar incapaz de competir se um número significativo de fornecedores deixar o solo, enfatizou o relatório.

Greve dos/das enfermeiros/enfermeiras no Reino Unido. Os/as enfermeiros/as britânicos deram início na quinta-feira (15) a uma greve sem precedentes para reivindicar melhores salários. O movimento ocorre diante da crise do custo de vida, que provoca um crescente descontentamento social no Reino Unido.

Até 100 mil integrantes do sindicato Royal College of Nursing (RCN) da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte não trabalharão das 8h às 20h. Essa é a primeira greve nacional nos 106 anos de história da organização e será acompanhada por outro dia de paralisação, em 20 de dezembro.

Manifestantes se reuniram nesta manhã diante do St Thomas' Hospital, no centro de Londres. A categoria pede um acréscimo salarial de pouco mais de 19% para compensar anos sem correção salarial. A reivindicação é considerada "inadmissível" pelo governo.

Alemanha tem problemas. O portal EUobserver relatou que a Alemanha está tentando negociar o fim da proibição das importações dos fertilizantes russos.

De acordo com a mídia, a Alemanha segue tentando acabar com as restrições contra a Rússia em nome da proteção da segurança alimentar global.

Além disso, observa-se que outros países do bloco também estão tentando acabar com as restrições impostas às indústrias de mineração da Rússia.

Em 7 de dezembro, a Comissão Europeia propôs um novo pacote de sanções contra a Rússia, sugerindo medidas adicionais contra o setor energético russo, incluindo a proibição de investimentos no setor de mineração, proibição da exportação de drones à Rússia, bem como a expansão das restrições às exportações.

Também a União Europeia. A União Europeia (UE) vai aliviar as sanções contra empresários russos cujas empresas estão associadas a fertilizantes e produtos químicos, informou o portal EUobserver citando fontes em círculos diplomáticos.

“Segundo o acordo alcançado na quinta-feira (15), alguns países da UE poderão descongelar o dinheiro [dos empresários] se isso for estritamente necessário para financiar o fornecimento de alimentos e fertilizantes, especialmente para a África”, aponta o artigo.

Desta forma, trata-se de Andrei e Aleksandra Melnichenko, Andrei Guryev, Vyacheslav Kantor, Dmitry Mazepin e Vadim Moshkovich. Eles agora estão sujeitos ao congelamento de ativos e proibição de emissão de vistos.

Em 7 de dezembro, a Comissão Europeia apresentou propostas para um novo pacote de sanções contra Moscou, que inclui novas restrições para o setor de energia russo, proibição da exportação de drones, bem como uma expansão das medidas restritivas à exportação, especialmente em bens de dupla utilização, ou seja, tanto civil como militar.

Recentemente o presidente russo Vladimir Putin disse, durante uma reunião, que a UE tem impulsionado as compras da Rússia enquanto proíbe suas próprias exportações para o país.

Jogou “m” no ventilador! Os comentários de Merkel revelam que a mentalidade de guerra no Ocidente contra a Rússia existe há mais de uma década, se não mais.

A ex-chanceler alemã Angela Merkel (2005-2021) foi a última fonte ocidental a confessar ou baixar a guarda. Em uma entrevista recente ao Der Spiegel, ela revelou as verdadeiras raízes da guerra.

A revelação de Merkel não foi intencional. Merkel falou em acalmar o regime ucraniano para acabar fortalecendo sua força de combate contra a Rússia. Ele cita esse raciocínio para justificar por que se opôs à adesão da Ucrânia à OTAN em 2008: segundo Merkel, não era que a adesão fosse errada, mas que não era o momento certo.

Como aponta o respeitado analista militar independente Scott Ritter, Merkel também sabia que o regime de Kiev (instalado pelo golpe apoiado pela CIA em 2014) não estava interessado em uma resolução pacífica da guerra civil naquele país.

Quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a intervenção militar na Ucrânia em 24 de fevereiro deste ano, a ordem era de força maior porque a ameaça ofensiva do regime de Kiev apoiado pela OTAN havia cruzado as linhas vermelhas estabelecidas pela Rússia, linhas vermelhas que Moscou havia repetidamente comunicado para o oeste sem sucesso. Assim, as alegações da mídia ocidental sobre a "agressão russa" são propaganda que esconde as verdadeiras causas e responsabilidades da guerra.

População de rua nos EUA: Los Angeles decreta estado de emergência. A Prefeitura de Los Angeles decretou estado de emergência na terça-feira (13), com o objetivo de permitir a adoção de políticas para assistir a população em situação de rua na cidade.

A medida foi baseada em estatísticas que mostram um aumento importante de pessoas que vivem nas ruas do centro da cidade.

O decreto permitirá à prefeita Karen Bass (Partido Democrata) a implementação de políticas mais agressivas e o uso de mais recursos financeiros para lidar com a crise.

Após a aprovação do estado de emergência, Bass declarou à imprensa local que “é preciso agradecer o Conselho por esta aprovação rápida e unânime, o que significa que os conselheiros de todos os setores políticos reconhecer a gravidade da situação é estão dispostos a apoiar uma outra forma de enfrentar esse problema, que não é um problema novo em nossa cidade”.

“A abordagem da cidade aos sem-teto tornou-se mais fragmentada e politizada e esse estado de emergência pode trazer melhorias sustentáveis em nosso sistema de serviços, além de aumentar a produção de moradias”, disse Jennifer Hark Dietz, diretora da ONG People Assisting The Homeless, que auxilia a prefeitura californiana em seus projetos voltados à população em situação de rua.

Mais dinheiro para a guerra! O Senado dos EUA aprovou um projeto de lei de gastos com defesa para 2023 avaliado em quase US$ 850 bilhões (R$ 4,51 trilhões).

Senadores dos EUA abriram caminho para que o orçamento de Defesa atinja um recorde de US$ 850 bilhões (R$ 4,51 trilhões) no ano que vem, US$ 45 bilhões (cerca de R$ 239 bilhões) a mais do que o proposto pelo presidente Joe Biden.

Os gastos incluem US$ 10 bilhões (R$ 53,1 bilhões) em ajuda de segurança para Taiwan e mais US$ 800 milhões (R$ 4,2 bilhões) para a Ucrânia.

O pacote inclui o aumento do repasse financeiro para a Europa, com previsão de US$ 800 milhões para financiar a guerra na Ucrânia, e mais US$ 6 bilhões à Iniciativa de Dissuasão Europeia, um programa de junho de 2014 que busca aumentar a presença de bases militares estadunidenses no continente europeu.


As principais notícias desta noite no Brasil 247, em 18/12/2022