quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A eleição ilegítima

Política

Operação Lava Jato

A eleição ilegítima

por Mino Carta — publicado 18/12/2017 00h09, última modificação 15/12/2017 16h18
Sem Lula na liça, será este o destino da eleição de 2018. Mas haverá pleito?
Macaé Evaristo
Mulheres Lula
Lula resiste e promete um governo capaz de enfrentar a Casa-grande
juiz Victor Laus, acostumado a aprontar seus votos em câmera lenta, sentado à sua mesa de trabalho passará as férias do Judiciário, com a inclusão das natalinas e ano-novo, para condenar Lula, provavelmente em sessão única, a 24 de janeiro próximo.

A não ser que já tenha pronta a sua decisão, como se deu com o juiz Leandro Paulsen, que em seis dias úteis deu seu voto e agendou o julgamento. Será o começo do golpe dentro do golpe, a partir da realização do primeiro objetivo do golpe de 2016, tornar o ex-presidente inelegível.

Não é crível que a segunda instância deixe de confirmar a pena imposta ao ex-presidente pelo Tribunal do Santo Ofício de Curitiba, ou mesmo não a dilate. Como esclarece o advogado de Lula, Cristiano Zanin, defensor no processo criminal, cabe recurso ao STJ, mas terá de passar pelo presidente do TRF-4, Thompson Flores, a quem compete dar parecer a respeito, e que já definiu a sentença de Curitiba “tecnicamente e historicamente irrepreensível”, a provocar o espanto de Luigi Ferrajoli, um dos mais respeitados juristas do mundo, conforme será contado mais adiante.
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O PT anuncia que, em caso de con­denação, recorrerá a instâncias superiores para manter a validade da candidatura de Lula às eleições de 2018. Oportuno lembrar que o ministro Luiz Fux em fevereiro assumirá a presidência do STE e julgará a legalidade das candidaturas.

Conforme hábito da (in)justiça nativa, Fux antecipou em novembro a sua decisão final: quem foi denunciado e responde a processo não haveria de ser candidato e tampouco empossado em caso de vitória. E, com a devida pompa, apela à Constituição que o golpe rasgou.
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Leandro Paulsen, junto com Victor Laus e Gebran Neto, os juízes velocistas (Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4)
Qual é o país do mundo dito civilizado onde os próprios Poderes da República se unem na ação golpista, com o apoio incondicional da mídia dita grande e de largos setores da Polícia Federal?

Na Argentina apenas ensaia-se algo parecido, com a demonização do peronismo e da ex-presidente Cristina Kirchner, mas o povo argentino, ao contrário do brasileiro, tem uma história de resistência, rebeldia e sangue na calçada.
Na sua medievalidade, a terra da casa-grande e da senzala é absolutamente única.

A sintonia finíssima entre os quadrilheiros assume uma evidência assombrosa, haja vista a rapidez de pés alados, obedientes, dos juízes da segunda instância gaúcha, a desmentir de súbito toda uma tradição de insuportável lentidão, para não dizer torpor.

Prestam-se, também eles, a perpetrar a enésima exceção, ao legalizar a ilegalidade, conforme a rota iniciada pelo impeachment de Dilma Rousseff, inexoravelmente ilegal, assim como o processo contra Lula, conduzido ao sabor das chamadas delações premiadas, de verdade extorquidas por obra de uma forma inédita de tortura.

Os acusados pela Lava Jato são divididos em duas detenções no Paraná. Os delatores ficam na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Recebem regalias, são bem tratados, têm direito a visitas. Quem ainda não aceitou colaborar é enviado ao Complexo Médico Penal, em Pinhais, nos arredores de Curitiba, a cerca de 15 quilômetros do Centro da capital, destinado a detentos com problemas mentais.
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Victor Laus (Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4)
Lá os presos da Lava Jato são submetidos a constantes ameaças, de prender mulher e filhos em nome de suspeitas inventadas com a fantasia dos contos de horror, ou prometer penas dantescas. E não basta qualquer delação.

É necessário seguir um roteiro, escolher uma opção de alvos a serem delatados conforme um cardápio preestabelecido pela força-tarefa da operação.

O ex-ministro Antonio Palocci queria delatar a Globo, por conta de uma operação que livrou a empresa de 1 bilhão de reais em impostos.
Esse ponto da delação nunca prosperou, pois só interessa incriminar Lula.
Em compensação, o doleiro Alberto Youssefganhou notáveis vantagens por ter atendido prontamente aos propósitos dos procuradores.

Diz Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo: “Apesar de não ser possível afirmar com total certeza o resultado do julgamento, a celeridade dos desembargadores do Tribunal Regional Federal, sem paralelos na história, revela a intenção não de cumprir com o dever de prover justiça, mas de influir no processo eleitoral. É mais uma prova dos atos de exceção que se tornaram praxe no Brasil e que precisariam de uma intervenção das instâncias superiores, o STJ e o STF, para garantir o direito de Lula de disputar as eleições de 2018”.

É certo que Lula pode recorrer ao STF. Contudo, que esperar dos supremos togados se, como sabemos, são mais do que coniventes com o Estado de Exceção, são mesmo parceiros no golpe?

O já citado Luigi Ferrajoli, muito admirado, aliás, por Serrano, que nele enxerga um mestre, declara a ilegalidade do processo contra Lula, define Sergio Moro como “despótico inquisidor”, exibe a conivência dos juízes e procuradores e clama contra “o desrespeito pelos princípios elementares do justo processo”.
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Gebran Neto (Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4)
Repetita juvant, diziam os antigos romanos, as repetições ajudam.
Ao se referir ao presidente do TRF-4, que disse em entrevista ao Estadão ser “tecnicamente e historicamente irrepreensível” a sentença da primeira instância, a condenar Lula sem prova a nove anos e meio de reclusão, escreve Ferrajoli com exclusividade para CartaCapital: “Semelhantes antecipações de juízo, segundo os códigos de processo de todos os países civilizados (...) são motivos óbvios e indiscutíveis de abstenção e afastamento do juiz”.

E quanto à pretensão de apresentar a Lava Jato como a Mani Pulite, Ferrajoli fulmina: “Nenhuma das deformações perpetradas no Brasil pode ser encontrada no processo italiano: uma investigação que nenhum juiz ou membro do Ministério Público italiano que nela atuaram gostaria que fosse identificada com a brasileira”.

Sentença definitiva do jurista italiano: no Brasil não existem garantias do devido processo legal. De todo modo, não se cala o tonitruante Darth Vader do STF, Gilmar Mendes. Na sua qualidade de atual presidente do STE avisa: quer Lula, quer Bolsonaro já estão em campanha antes do tempo, de sorte que esta antecipação deverá ser levada em conta. Para ser punida como convém, a julgar pela expressão e pelo tom do infatigável ministro.

A empáfia, a hipocrisia e a prepotência dos quadrilheiros se esbaldam diante da ausência de reação popular. O Brasil vive aparentemente dias normais, e a chamada classe média, até franjas da população espezinhada, acredita na Globo, nos jornalões e no resto da mídia nativa quando desinformam.

O País, propalam, está a se recuperar, quando de fato está em plena demolição. Deste ponto de vista, as responsabilidades do PT, e de quantos insistem em se declarar de esquerda, são transparentes.
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Darth Vader sempre ameaça (Foto: Carlos Humberto/STF)
É do conhecimento até do mundo mineral que o povo brasileiro não saiu do limbo precipitado por três séculos e meio de escravidão, cuja cultura a Abolição não extinguiu, como escrevia Joaquim Nabuco mais de cem anos atrás.
Certo é que, neste período, nunca enfrentamos momentos tão sombrios, de retorno ao passado remoto.

Em qual país do mundo dito civilizado o povo humilhado e ofendido, inclusive por reformas trabalhistas medievais, não reage?
Em Honduras, vitimado há oito anos por um golpe similar ao de 2016, o povo está hoje nas ruas a desafiar a violência da repressão, armada para matar.

É doloroso ter de reconhecer que o PT, os sindicatos e a pretensa esquerda não chegaram ao povo, não souberam levá-lo pela mão à consciência da cidadania e do monstruoso desequilíbrio social, que agora se acentua em um dos países mais desiguais do mundo. Antes da reeleição de Dilma Rousseff, quando a manobra golpista se desenhou com total nitidez à sombra da Lava Jato, o PT portou-se como um bicho acuado, e assim continuou depois do impeachment, tíbio e inseguro diante do golpe.

O próprio Lula, com quem mantenho há 40 anos uma amizade inoxidável, cometeu enganos graves que CartaCapital não deixou de verberar. Tenho a granítica certeza de que tivesse assumido a chefia da Casa Civil na hora da formação do novo governo, não haveria impeachment.

Também não se daria se, no primeiro semestre de 2015, Lula partisse com o mesmo discurso para as caravanas que realiza hoje, na clara visão dos propósitos do golpe em marcha. Ainda haveria tempo, sem contar com a covardia crônica dos quadrilheiros a serviço da casa-grande. Massa nas ruas, mesmo pacífica, põe medo.
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Palocci pretendia delatar uma tramoia global. Não foi ouvido (Foto: Heuler Andrey/AFP)
Naquela situação, teria precedido as manifestações dos beócios de camiseta canarinho e dos panelaços do alto dos espigões.
Lula disse que perdoa os protagonistas daqueles dias porque sabe que muitos deles hoje lhe dariam seu voto.

Convém acentuar agora a validade do esforço do ex-presidente, por mais tardio, e a qualidade do seu discurso, ao perceber a impossibilidade da conciliação e de qualquer entendimento entre Capital e Trabalho e ao anunciar aquele que seria seu programa de governo, com ênfase na taxação dos ricos.
Desassombrado desafio do grande líder popular brasileiro, impavidamente alheio à perspectiva da condenação iminente.

Lula foi o melhor presidente da chamada redemocratização, de longe, muito de longe. Neste instante, promete, porém, ir muito além para ser o reformador que enfrenta a casa-grande de peito aberto, e desde já parte para a luta.

A condenação do ex-presidente ao torná-lo inelegível deságua na ilegalidade do pleito. Resta, porém, a dúvida: haverá eleições? Os quadrilheiros engolfam-se na busca vã de um candidato potável, enquanto Lula engorda seu favoritismo para enfrentar Bolsonaro, medalha de prata nas pesquisas, muito afastado, entretanto, do inevitável vencedor.
Moro surge em uma cena para uma palestra. Mais uma surtida ilegal
Há tempo, a dúvida paira a inquietar quem raciocina com os dados da realidade. Os golpistas conseguiram alcançar todos os seus intentos na demolição do Brasil e com a condenação de Lula dão o primeiro passo na direção do golpe dentro do golpe.

Que serão capazes de excogitar quando o candidato sustentado pelo ex-presidente está bem à frente na corrida presidencial? Sabe-se que um “Lulinha” conta de saída com 30% dos votos, perspectiva aterrorizante para as quadrilhas enraizadas no poder. Das duas, uma: ou produzem mais uma exceção ao legalizar qualquer tramoia destinada a liquidar sem o mais tênue risco, ou deixam as eleições inexoravelmente para lá.

Boletim de Conjuntura de dezembro faz balanço de 2017

Boletim de Conjuntura de dezembro faz balanço de 2017

A edição de dezembro do Boletim de Análise da Conjuntura da Fundação Perseu Abramo faz uma retrospectiva de 2017. A seção Golpe contra o Estado mostra por que este ano será provavelmente lembrado no futuro como o das privatizações e das desnacionalizações, tendo o país experimentado o mais acelerado processo de vendas e negociações do patrimônio brasileiro para os capitais privado e estrangeiro em setores fundamentais e estratégicos, o que compromete em grande medida a soberania nacional e a capacidade de impulsionar políticas de desenvolvimento.
A parte Internacional resgata os principais fatos políticos ocorridos ao longo dos meses e evidencia que o mundo atravessa um período de grandes instabilidades.
No tema de Política e Opinião Pública, destacam-se a Reforma Trabalhista, que trouxe o desmonte da CLT e já passa por alterações por meio de emendas ou MPs. A Reforma Política aprovada sem a devida discussão, em outubro, e MPs que perdoam dívidas de grupos empresariais e demonstram para quem os golpistas governam. Somado à isso, o governo agonizou mergulhado em escândalos de corrupção.
No capítulo Social, registram-se enormes perdas tanto no campo da política social quanto no mercado de trabalho, seja pelo desmonte de políticas (por meio do fim de diversas políticas ou da redução aguda do financiamento delas), seja pela adoção de novas regulamentações que prejudicam os trabalhadores e os setores mais vulneráveis da sociedade brasileira.
Em Economia o ano termina da mesma forma que começou: com os analistas de mercado alinhados às autoridades econômicas do governo Temer anunciando que nos próximos meses tudo vai melhorar. Previsões e equívocos à parte, o fato é que a economia brasileira andou de lado e deve registrar uma oscilação positiva do PIB muito próxima da taxa de crescimento da população, o que significa que a renda per capita tende a ficar estacionada em um patamar quase 10% abaixo do que era em 2014.
Na análise Territorial, o boletim destaca que o período pós-golpe foi caracterizado por um conjunto de medidas que representaram retrocesso para a política agrária e rural brasileira. Essas mudanças se manifestaram pela movimentação da bancada ruralista do Congresso Nacional por meio de um conjunto de instrumentos (medidas provisórias, decretos e projetos de lei) que visam favorecer o agronegócio e os grandes  proprietários de terra.
Na seção de Comunicação, analisa-se o comportamento dos grandes grupos de comunicação em 2017, que se dedicaram a proteger o governo golpista atingido por denúncias de corrupção, fizeram propaganda enganosa sobre o pífio resultado da economia e, em troca, foram contemplados com aumento da verba publicitária federal. Também trata dos principais fatos que mobilizaram as redes sociais e da cobertura feita por veículos internacionais sobre temas da política brasileira, que vem perdendo espaço.
Por último, na parte de Movimentos Sociais, a opinião pública e a capacidade estratégica de lidar com uma democracia falida indicam a impressão geral sobre 2017. Aqueles que conseguiram resistir e vislumbrar um horizonte da construção de um projeto para o Brasil deram o tom das mobilizações neste ano. Dessa forma, cresce na sociedade a defesa pela construção de um modelo de Estado capaz de mudar o Brasil de novo.

Brasileiro é o segundo pior na noção da própria realidade

Brasileiro é o segundo pior na noção da própria realidade

A pesquisa "Os Perigos da Percepção", realizada pelo Instituto Ipsos Mori e divulgada recentemente, aponta que o Brasil é o país onde o povo possui a segunda pior noção da realidade, entre outras 37 nações pesquisadas. O país pior avaliado é a África do Sul, e na sequência do Brasil, aparecem Filipinas, Peru e Índia.
No outro extremo da avaliação, onde quanto maior a posição, melhor informada é a população sobre os dados de seu próprio país e do mundo, estão Espanha (35ª posição), Dinamarca (36ª), Noruega (37ª) e Suécia (38ª). A população de países como Estados Unidos (23ª posição), Rússia (24ª), Alemanha (25ª) e China (27ª) também obtiveram bons resultados.
A situação brasileira pode ser enxergada como mais grave se for levado em conta o constante uso da pós-verdade como força motriz de desinformação, de direcionamento de opinião e de mobilizações diversas nos últimos anos. O perigo das convicções se sobreporem aos fatos é amplificado quando tais convicções estão muito descoladas da realidade. Ainda que os temas abordados na pesquisa possam não ser os mais relevantes para o atual momento político e econômico nacional, esse descolamento é claramente demonstrado.
Na opinião dos brasileiros pesquisados, a gravidez na adolescência/juventude atinge quase metade (48%) das mulheres de 15 a 19 anos, quando na realidade esta proporção é sete vezes menor (6,7%), o que demonstra a tendência de enxergar uma situação muito mais negativa do que ela é, numa temática que também envolve valores morais.
Os brasileiros também crêem que 18% dos presidiários do país são imigrantes. Esta proporção é, na realidade, 45 vezes menor, 0,4%. Também acreditam que 85% dos brasileiros possuem smartphone. Neste caso, parece faltar uma melhor visão das desigualdades do país, pois apenas 38% possuem tal tecnologia.
Outros resultados apontam que a população do país acredita que 80% deles crêem em Deus. A proporção correta é 98%, segundo dados do Instituto. No que toca à saúde, acreditam que 42% acham a própria saúde boa, quando, de fato, 70% acreditam ter boa saúde.
O mesmo instituto realizou pesquisas similares em outros anos. Em 2015, por exemplo, a população do Brasil, junto com outras cinco nacionalidades apenas, acreditava que a riqueza no país era melhor distribuída, ou seja, que os 1% mais ricos do país ganhavam menos do que realmente ganhavam. Os demais trinta países pesquisados acreditavam no contrário.
Fonte: FPA

Uma lição de vida sobre educação, união e resistência

Uma lição de vida sobre educação, união e resistência

O filme Uma lição de Vida, baseado em fatos reais, conta a história de Kimani Maruge, um homem que nasceu no Quênia e decide ir à escola aos 84 anos, mas acaba enfrentando muito preconceito e ódio da população local. A professora Jane Obinchu, que dá aula para turmas de crianças de seis anos, decide ajudar Maruge e acaba sofrendo juntamente com o preconceito.
O ambiente do filme é uma cidade pequena e distante da capital, onde os moradores ficam animados com a novidade do ensino gratuito, inclusive Maruge, mas ele acaba se decepcionando ao saber que essa oportunidade foi dada somente às crianças. Porém, sua insistência em aprender acaba convencendo a professora, Jane, a dar-lhe um lugar na sua turma.
A população, dividida em tribos durante a colonização britânica, ainda sofre com as consequências. Naquele período Maruge foi torturado, preso, teve sua família assassinada e foi privado de estudar por fazer parte de uma tribo que era contra o poder dos ingleses. Esse grupo mais radical não é bem visto pelos moradores, então eles usam a idade avançada de Maruge e o seu passado como justificativa para afastá-lo da escola.
Lançado em 2010, o filme protagonizado por Oliver Litondo, que interpreta Maruge, e Naomie Harris, que vive a professora Jane, mostra que direitos como educação gratuita ainda são renegados ou adquiridos com muita dificuldade e luta. As crianças da escola, ao se unirem para proteger sua professora e incluir Maruge nas atividades, mostram que resistência e união podem sobrepor-se ao preconceito e a violência.
Ficha técnica:
Filme: The first grader
Ano: 2010
Elenco: Oliver Litondo, Naomie Harris e Tony Kgoroge

STF impõe derrota ao governo e mantém reajuste de funcionários públicos


STF impõe derrota ao governo e mantém reajuste de funcionários públicos

O final do ano traz mais uma derrota para o governo. Na segunda-feira, 18 de dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, suspendeu a Medida Provisória 805/2017, que adiava por um ano o reajuste do funcionalismo público e elevava a contribuição previdenciária, de 11% para 14%, dos funcionários públicos que ganham acima de 5,5 mil reais.
Lewandowski alegou inconstitucionalidade e deu liminar mantendo o reajuste concedido pelo governo há cerca de um ano, quando o próprio Temer e seus ministros defendiam o aumento como necessário e adequado, que já contava com previsão orçamentária e não afetaria o equilíbrio fiscal. A liminar, responde a ação apresentada pelo PSOL, que alega que o aumento salarial dos servidores é um direito adquirido, previsto por lei e não pode ser adiado por uma medida provisória.
O governo contra-argumentou que a MP não fere direitos adquiridos, porque o reajuste estava apenas previsto, mas ainda não havia sido efetivado. Em resposta, o ministro do Supremo disse que o governo tem concedido desoneração fiscal e parcelamento de tributos para diversos setores econômicos, reduzindo com isso a arrecadação de 23 para 8,8 bilhões de reais e que a MP que suspende o reajuste faz com que "os servidores públicos arquem indevidamente com as consequências de uma série de verdadeiras prebendas fiscais, que beneficiaram setores privilegiados da economia".
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifestou a favor da concessão de liminar para suspender os efeitos da Medida Provisória que adiava o reajuste salarial dos servidores públicos e em seu parecer sustenta que a medida fere a Constituição Federal e que a existência de leis concedendo reajustes configura direito adquirido e não mera expectativa de direito, de forma que o governo não pode suspender os pagamentos previstos. A decisão foi remetida ao plenário do STF, que só retoma a pauta no próximo ano, visto que hoje realiza sua última sessão do plenário de 2017.