Com o falacioso discurso de rombo da
previdência e de que o objetivo da reforma é garantir o sistema para as novas
gerações, tentam amedrontar a população, inclusive com uma campanha
publicitária com dados, no mínimo, controversos.
Esther
Dweck*
A proposta em nada tem a ver com a
sustentabilidade no futuro. O impacto é de curtíssimo prazo, atingindo grande
parte dos que poderiam se aposentar nos próximos 10 anos, e priva diversos
cidadãos do direito ao sistema público de previdência. A esses restará o
sistema assistencial, que também é destruído enquanto garantia uma renda real
mínima.
A proposta traz mudanças drásticas e
descoladas da realidade da população brasileira, que não pode ser representada
por uma média, dada a desigualdade.
A idade mínima de 65 anos,
independentemente do tempo de contribuição, igualdade completa entre homens e
mulheres, retirada de todas as condições especiais de professores e dos
segurados especiais, desvinculação do salário mínimo das pensões e dos
benefícios assistenciais e a exigência de 25 anos de contribuição mínima e de
49 anos de contribuição para o benefício integral estão entre as principais
perversidades da PEC da Previdência.
Assim como no caso da EC 95 (ex-PEC 241
ou 55), há argumentos falaciosos, simplificadores e de geração de pânico, que
não sobrevivem a uma análise mais criteriosa e escondem consequências
desastrosas para o tecido social brasileiro.
O regime geral de previdência social
(RGPS) e os benefícios assistenciais têm reconhecido efeito distributivo e de
garantia de uma renda estável, ao longo de toda a vida, para grande parte da
população brasileira. A previdência rural tem efeitos fantásticos incluindo a
geração de condições fundamentais à agricultura familiar, principal forma de
produção de alimentos no Brasil.
O RGPS se encontrava relativamente
equilibrado. Enquanto a economia crescia, as receitas da seguridade cresciam
mais do que as despesas, principalmente entre 2006 e 2013. Além disso, do ponto
de vista demográfico, até 2030 o Brasil estará vivendo o chamado “boom
demográfico” com a menor razão de dependência, a população em idade ativa será
muito superior à população de crianças e idosos, o que não demandaria qualquer
alteração durante esse período por questões demográficas.
Aparentemente, há dois motivos a uma
proposta tão draconiana. Em primeiro lugar, a EC 95 exige uma grande redução da
despesa pública nos próximos 10 anos e para que o teto da seja alcançado é
necessário desmontar os gastos sociais que têm um crescimento acima da inflação
decorrente do próprio crescimento vegetativo.
Somado a isso há uma clara intenção de
retirar do sistema uma grande parte da população. A proposta praticamente
impossibilita o acesso aos que tem menor expectativa de vida e aos que estão em
ocupações mais precárias, com maior informalidade e maior rotatividade. Aos
mais abastados, está garantida a previdência complementar.
As medidas adotadas são aquelas
preconizadas por aqueles que dizem que “a constituição não cabe no PIB”,
jogando todo o ajuste para a população. O regime contributivo e solidário irá
ruir, ao invés de se tornar sustentável, e com isso os mecanismos
redistributivos presentes nas políticas públicas brasileiras pouco a pouco
serão eliminados.
*Esther Dweck é professora do Instituto
de Economia da UFRJ.
Anita
Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Prestes, se prepara para lançar livro
sobre a mãe baseado em 2 mil documentos inéditos da Gestapo.
Leia
entrevista de Anita Prestes à CULT
Paulo
Henrique Pompermaier
Personagem histórica retratada no livro-reportagem
Olga (1985), do escritor Fernando Morais, Olga Benário Prestes, esposa do
revolucionário comunista Luiz Carlos Prestes, vai ganhar, neste ano, novo
estudo que pretende esmiuçar seus últimos anos de vida passados em prisões e
campos de concentração nazista, até seu assassinato em 1942.
O projeto é uma iniciativa de sua filha, a
historiadora Anita Leocádia Prestes. Baseando-se em quase dois mil documentos
inéditos da Gestapo, a polícia nazista, a historiadora acaba de finalizar a
obra, que será publicada ainda neste ano pela editora Boitempo.
Os documentos, traduzidos do alemão durante cerca de
um ano, estavam na Rússia desde que foram confiscados na tomada da Alemanha
nazista pelos soviéticos no final da Segunda Guerra Mundial. A documentação foi
digitalizada e disponibilizada na internet pouco tempo antes, iniciativa que
encorajou Anita Prestes a escrever uma nova obra sobre a vida da mãe.
“Há muita coisa sobre o comportamento dela. São
impressionantes os relatos de como ela enfrenta os nazistas. Fica claro como a
Gestapo e as altas autoridades nazistas foram explícitas em afirmar que ela não
poderia ser liberta de maneira alguma”, afirma a historiadora, que nasceu em
1936 na uma prisão nazista em que Olga estava detida.
Em 2015, a historiadora já havia publicado uma obra
sobre o pai, Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro, que só conheceu aos
nove anos, quando ele foi foi libertado, em 1945, pela anistia política. “Minha
mãe já tinha sido assassinada na Alemanha. Eu vim para o Brasil com a minha tia
e conheci meu pai. Ele também sempre me falava muito de minha mãe, então fui
criada nesse ambiente sabendo muito bem quem eles eram, conhecendo a história
desde cedo”, relata.
Outro trabalho de Anita Leocádia, uma reunião das
correspondências trocadas entre seus pais, também ganhou novas luzes com a
liberação dos documentos. “Só vimos agora que houve correspondência que a
Gestapo vetou. No livro, publicando em anexo alguns documentos, entre eles essa
correspondência inédita entre meu pai e minha mãe”.
Em entrevista à CULT, Anita Prestes revela alguns
detalhes sobre o livro e comenta os rumos políticos do Brasil que, segundo ela,
ainda precisa “passar pelo caminho da revolução socialista”.
·CULT – O que
esses documentos da Gestapo dizem de novo sobre o fim da vida de Olga?
Anita Prestes – Até eu ser separada dela, estávamos em
uma prisão para mulheres em Berlim. Depois de minha retirada ela é mandada para
dois campos de concentração e é assassinada. Isso já se sabia, mas agora há
novas informações, muita coisa que nem nós da família, como minha avó e minha
tia que acompanharam os acontecimentos de perto, não sabíamos. Não posso entrar
em muitos detalhes, mas há muita informação sobre o comportamento dela. A gente
sabia que ela era uma mulher de muita coragem, mas são impressionantes os
relatos de como ela enfrentava as autoridades nazistas. Há uma frase em que ela
diz: “Se houve gente que virou traidora, eu jamais o serei”. Compreende? Nisso
ela era totalmente intransigente, jamais entregou qualquer pessoa, recusava-se
peremptoriamente a passar qualquer informação – o que, sem dúvida, foi um dos
motivos do seu assassinato. O que fica claro é que a Gestapo e as altas
autoridades do governo alemão sabiam o que estava sendo feito com ela e foram
explícitos em afirmar que ela não poderia ser libertada de maneira alguma, e
que deveria ser violentamente castigada. Estavam muito mais preocupados com a
atividade dela como comunista do que com o fato dela ser judia. Ela não foi
assassinada por ser judia, embora isso pudesse pesar. O fundamental é que ela
era comunista, tinha participado das atividades do Comintern e era mulher de
Luiz Carlos Prestes.
E são quase dois mil documentos, é um volume grande de
informação.
E só sobre ela. Os arquivos da Gestapo são
gigantescos, tem tudo o que você quiser lá. Mas é interessante que ela é a
pessoa que tem o maior volume de documentação. Há documentos sobre todos os
partidos comunistas do mundo, sobre a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra
Mundial, mas só sobre a Olga há cerca de duas mil páginas. A Gestapo dá muita
importância à figura dela. Há uma parte bem interessante que são mensagens que
vêm de toda a Europa e dos Estados Unidos, inclusive diretamente à Heinrich Himmler
[um dos principais líderes do Partido Nazi] e outras autoridades, protestando
contra a prisão dela, exigindo sua libertação, exigindo a minha libertação.
Houve uma pressão muito grande da chamada “Campanha Prestes”. Se não fosse a
pressão política, eu naturalmente iria para um orfanato nazista, onde a criança
perdia o nome e virava um número.
·Você já pensava
em escrever um livro sobre a sua mãe antes de ter contato com esses documentos?
O que de melhor podia ser feito, foi feito pelo
Fernando Morais, então eu não ia repetir. Até então não tinha documentação nova
que justificasse um novo livro. Agora apareceu e, por isso, eu resolvi fazer
esse trabalho importante, um resgate da época, para não só conhecerem Olga e o
comportamento dela, mas também saberem o que era a Gestapo, o horror que foi o
nazismo. O requinte de maldade e de perversidade que existe é uma coisa
impressionante. É importante divulgar até para que não se repita essa história
trágica.
·Como você,
estudiosa e herdeira de um dos maiores comunistas do Brasil, enxerga as
movimentações de esquerda do país atualmente?
A esquerda no Brasil está muito ruim. Você vê, há
trinta anos, na década de 1980, o meu pai já dizia isso, que não tem esquerda
no Brasil, que acabaram os partidos de esquerda e ficaram apenas as pessoas de
esquerda. Mas os partidos se desgastaram, se desmoralizaram. Estamos em uma
época de retrocesso muito grande. E eu também sigo a opinião dele quando dizia
que a mudança vai ser na luta, pois o capitalismo está aí, a exploração está
aí, as pessoas estão sentindo na própria carne o que está acontecendo. E aí
elas vão começar a lutar, se organizar, procurar caminhos. E o caminho para
levar à vitória vai ser o caminho da revolução socialista, não tenho a menor
dúvida disso. Mas no Brasil vai demorar um pouco, porque aqui a tradição sempre
foi de muita repressão, as classes dominantes impediram o movimento popular de
se organizar. Sempre que se tentou qualquer tipo de rebeldia, ela foi esmagada
com uma violência muito grande. A gente tem quatro séculos de escravidão, um
Império que durou até o final do século passado. O povo foi muito penalizado pelo poderio das suas classes dominantes, senhores de
terras e de escravos. A realidade brasileira é muito pesada, muito difícil,
então demora um tempo até isso mudar. Mas não sou pessimista. Quem leu O
capital de Marx sabe que o capitalismo não tem futuro. Mas sozinho ele não vai
cair, tem que haver as forças capazes de derrubá-lo. Provavelmente não vou ver
isso nos meus dias, mas não tem importância. Como meu pai dizia, eu só quero
colocar um tijolinho nesse processo.
Mudança no regime de partilha e privatização são crimes de lesa-pátria, diz Gabrielli
Ex-presidente da Petrobras explica o que está em jogo com o projeto de lei que prevê mudanças no regime do pré-sal
Redação
Rede Brasil Atual,
Contra fatiamento, Gabrielli diz que força da estatal está na integração entre exploração, refino e distribuição / Reprodução/TVT
O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli classifica a retirada da exclusividade da estatal na operação de exploração do pré-sal, com a ampliação da participação das empresas estrangeiras, previsto no Projeto de Lei 4.567, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, como "crime de lesa-pátria".
A mudança no regime de partilha que vigora atualmente foi proposta pelo senador licenciado e atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP). Em entrevista ao Seu Jornal, da TVT, Gabrielli detalha os impactos sociais da mudança. Segundo ele, trata-se de mais uma tentativa de enfraquecer a empresa para depois entregá-la ao capital privado, em um processo de privatização por fatias.
Essa mudança também coloca em risco o fundo social do pré-sal e a destinação dos royalties da exploração do petróleo para a saúde e educação, associados ao regime de partilha agora revisto.
"Isso tudo está sendo desmontado agora e, ao desmontar isso, tirando a Petrobras da operação, reduzindo o tamanho da empresa e mudando o regime de partilha, vai voltar ao sistema antigo e, com isso, você vai dispersar as atividades e aumentar a parcela da renda petroleira que vai ficar nas mãos das empresas. Portanto, vejo isso, do ponto de vista nacional, como um crime de lesa-pátria", analisa Gabrielli.
"A ideia da privatização da Petrobras é vender pedaços da Petrobras. Fatiar e vender. O que eu acho um erro, porque a Petrobras é muito mais forte integrada do que só focada na produção do pré-sal", diz ele, a respeito de propostas aventadas sobre a venda de ativos da BR Distribuidora, da Transpetro, ou ainda a participação da estatal no setor petroquímico.
Segundo Gabrielli, o pré-sal brasileiro vai ser a segunda área de exploração mais importante para os próximos dez anos, atrás apenas da produção norte-americana, que tem avançado com a produção de óleo não-convencional, conhecido como xisto betuminoso.
"A Petrobras não é uma empresa que esteja quebrada, nem é um antro de corrupção. A Petrobras, ao contrário, é uma empresa eficiente. É uma empresa que está crescendo a produção", diz o ex-presidente, destacando o crescimento de cerca de 10% no primeiro semestre, alcançando a produção de 2,2 milhões de barris de petróleo por dia, somando o pré-sal e as áreas tradicionais.
Sergio Gabrielli: “Engenharia brasileira está desmontada”
Em entrevista, ex-presidente da Petrobras analisa novo contexto da estatal
Rafael Tatemoto
Brasil de Fato | São Paulo (SP),
"É necessário que a sociedade abrace um novo conjunto de lutas para que haja a transformação do Brasil" / Agência Brasil
Uma das medidas anunciadas pela Petrobras em 2017 foi uma licitação para a retomada da construção da unidade de processamento de gás natural do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A novidade é que a estatal convidou apenas empresas estrangeiras para participar do processo de seleção.
O Brasil de Fato entrevistou Sergio Gabrielli, ex-presidente da companhia em um dos períodos de maior expansão da estatal (2005 – 2012), para debater o atual contexto da empresa. Para ele, como “centro de uma política industrial”, a nova orientação tomada pela Petrobras levou a uma situação na qual “a engenharia brasileira está esgotada”. Essa nova política resultaria na geração de “emprego e renda em outros países e não aqui, no Brasil”.
Gabrielli comentou também o atual momento da política nacional e os desafios postos para a superação desse contexto, a partir da perspectiva das forças de esquerda.
Confira a entrevista abaixo.
Brasil de Fato: Como o tratamento dado aos casos de corrupção contribuiu para que a gente chegasse ao momento político que vivemos hoje?
Sergio Gabrielli: A ideia principal que a direita tentou passar para o país é que nós vivemos em um mar de lama, ou seja, vivemos em um país de corrupção generalizada e que a Petrobras é uma empresa completamente corrupta. Mas, na verdade, quando a gente tira a espuma dos fatos já apurados, o volume de pessoas envolvidas é relativamente muito pequeno dentro da Petrobras. Poucos diretores estão envolvidos, na realidade são três, e envolve pouquíssimos gerentes. A Petrobras chegou a ter nessa época 80 mil empregados, então, não é possível generalizar que a empresa é corrupta.
A própria Petrobras reconhece que considerando todos os contratos que o Paulo Roberto Costa, o Pedro Barusco, o Renato Duque e o Nestor Cerveró fizeram, considerando a corrupção por cima, dá 3% do que eles fizeram de contrato. Isso significa um volume absoluto gigantesco, que é de R$ 6 bilhões. No entanto, a Petrobras fatura por ano R$ 380 bilhões. Foram 6 bilhões para 15 anos de atividade corrupta desses indivíduos, valor relativamente pequeno em relação ao volume da Petrobras.
No entanto, no imaginário feito pela mídia, dos grandes veículos de comunicação é como se tudo fosse corrupção na Petrobras. Isso tentou transformar, portanto, a corrupção em um programa político, um problema político nacional. Quando, na verdade, o problema da corrupção tem que ser tratado de forma adequada, com a polícia, do ponto de vista judicial, com a sobriedade que a Justiça exige para tratar dessas questões, e é geralmente um comportamento individual e esses indivíduos devem ser punidos exemplarmente.
Transformar a corrupção o principal tema político do país, em geral, leva ao desrespeito dos direitos fundamentais, democráticos e das garantias constitucionais e, portanto, ameaça a democracia brasileira.
Recentemente, houve uma licitação na qual só vão participar empresas estrangeiras. É possível falar em desmonte da empresa como pólo de dinamização da economia brasileira?
A Petrobras era o centro de uma política industrial que envolvia a utilização de uma grande riqueza descoberta, que é o pré-sal brasileiro. Na verdade, o problema de investimento da Petrobras tentava viabilizar a exploração de petróleo, mas impedindo aquilo que é comum em vários países que é a chamada doença holandesa, que acontece quando o petróleo cresce muito e nada cresce em torno.
Como que era feito isso? A ideia de conteúdo nacional apontava que tudo aquilo que era possível produzir no Brasil seria produzido no Brasil, isso significava, portanto, aumentar a capacidade de produção dos estaleiros, da indústria naval, da indústria mecânica, da indústria de tubulações, de compressores, de sistemas submersos, e isso faria com que tivesse um impacto sobre a economia brasileira, geração de emprego e renda associada à expansão de produção de petróleo. Com a lava-jato, com a crise da Petrobras de curto prazo e com a queda do preço do petróleo, esse problema acabou.
Então, consequentemente, como resultado dessas coisas, a Petrobras agora faz uma licitação para a grande obra que vai ser feita no Comperj, no Rio de Janeiro, e chama 30 empresas, nenhuma delas brasileira. Então, a engenharia brasileira está esgotada. A engenharia brasileira voltada para a produção de sondas, para embarcações, plataformas, sistema submerso de produção de petróleo, de submarino nuclear para defesa brasileira, está desmontada. Isso faz com que uma empresa internacional venha ocupar o seu lugar e, em um curto prazo, algo mais grave ainda, as importações aumentam. Então vai gerar emprego e renda em outros países e não aqui no Brasil.
Como você avalia as alterações na política internacional? Como isso repercute aqui no Brasil econômica e socialmente?
O que nós estamos vivendo hoje com o Trump na mudança do governo americano é, ao mesmo tempo, aumento da política nacionalista de defesa da atividade econômica dentro dos EUA, o que significa que provavelmente alguns investimentos que viriam para fora serão desestimulados para ficar dentro dos EUA. É uma perspectiva de redefinição da política de juros americana de tal maneira que deixará de ser atraente para o capital americano sair dos EUA e, portanto, teremos um refluxo de investimentos para dentro dos EUA.
Por outro lado, eles não vão deixar de ter expansão militar, o complexo militar vai aumentar e a presença militar vai crescer em alguns lugares e acredito que eles vão consolidar a expansão da capacidade nuclear que eles estão construindo nesse momento. Então, vamos ter dois movimentos, um movimento de influxo dos investimentos para dentro dos EUA, ao mesmo tempo que consolida sua ação militar. Por que isso? Os conflitos internacionais tendem a aumentar e os EUA vão tentar estabelecer a garantia da sua hegemonia como sempre fizeram: usando as forças armadas e a violência.
Vamos ter, provavelmente, uma situação de instabilidade nas relações internacionais.
Como podemos combinar elementos de uma discussão programática para que um nome a ser pensado para 2018 seja uma resposta a essa ofensiva conservadora que a gente vem vivendo?
O MST é um movimento especial, tem uma unidade programática e uma organicidade bem maior do que a maioria dos movimentos hoje no Brasil. Ele não é o exemplo do que está acontecendo na organização popular brasileira. O que estamos vendo é um movimento sindical enfrentando dificuldades na relação entre direção e base, uma situação de mobilização muito difícil, uma dificuldade de sair da luta econômica imediata dos coletivos para fazer uma luta geral em defesa dos direitos e contra a ameaça dos direitos. Estamos vendo os partidos de esquerda com dificuldades, particularmente o PT - massacrado pela mídia -, de mobilizar a sociedade. Estamos vivendo também certo esgotamento do programa, em termos que acabou o ciclo em que era possível um crescimento com diversos segmentos da sociedade ganhando. Esse ciclo se acabou. Agora, para que haja crescimento de alguns, alguém tem que perder.
Essa redistribuição desses recursos, dessa renda, envolve reformas estruturais importantes e para definir essas reformas têm que envolver uma recomposição de alianças com a sociedade. Não é necessariamente com os órgãos que estão nos governos ou no parlamento. "
De um lado, Dilma ensaiou uma agenda mais voltada à indústria, mas o setor não aderiu a essa política. De outro lado, muitos avaliam que não há força para um programa de reformas estruturais. Há empecilhos para a conciliação e também para a radicalização. Como sair dessa situação?
É uma pergunta difícil de ser respondida. Na eleição de 2010, a chamada burguesia brasileira deu sinais do que estava pensando, já deixou de apoiar o governo Lula parcialmente e de forma crescente passou a apoiar um projeto que era basicamente capitaneado pelo PSDB e também pela campanha da Marina, que era um projeto de terceira via. Já em 2010 se vê, do ponto de vista político, a burguesia brasileira desembarcar da política do Lula, que era uma política de que todos podem ganhar com o crescimento.
O Lula tinha uma visão e, evidentemente, isso aconteceu durante alguns anos, de que todos os segmentos da sociedade brasileira melhoraram, os de baixo e os de cima. É evidente que isso chega a um ponto que se esgota com a crise internacional. E com o prolongamento da crise, essas políticas que foram adotadas a partir desse momento de desoneração fiscal e de estímulo para a demanda, é uma política de curto prazo. Nós chegamos a uma fase em que, para que os debaixo melhorem os de cima vão ter que perder.
É necessário fazer avanços nas reformas, só que isso acontece em um quadro político em que, institucionalmente, a oposição ao governo [de Temer] é um quarto do Congresso. Portanto, é difícil que com o Congresso, a gente consiga fazer essas mudanças.
Como é possível construir isso? A escolha de algumas reformas que devem vir primeiro e a partir daí tentar construir força na sociedade para tentar a redefinição do Congresso. Então, não vamos fazer um programa máximo, temos que tentar um programa mínimo de reforma básicas e que possam viabilizar a pressão da sociedade para isso.
Reflexões sobre a vitória de Donald Trump e sua repercussão aqui e no mundo.
Paulo Cannabrava Filho*
Foto: Glória Fluguel
Um dia desses, conversando com nossa equipe de jornalismo, riamos ao constatar que as notícias dominantes na mídia sobre Estados Unidos mais pareciam vir de uma república bananeira: as “Banana’s Republic”, Estados sem condições de estabilidade econômica e política devido à ingerência externa.
Primeiro sintoma: a unanimidade da mídia em torno de um candidato. Depois disso, questionaram a legitimidade da eleição e, inclusive, acusaram uma potência externa de ter se metido indevidamente no pleito. “Vai dar dor de cabeça por um ano, dois anos, coisa assim, enquanto esse governo estiver lá”, disse o ministro de relações exteriores de Obama, John Kerry, em Davos, sobre as fanfarronadas de Donald Trump. Paralelamente à demonização total do candidato que queriam que perdesse e que acabou vencedor, o povo nas ruas marchando pedindo sua cabeça. Se não bastasse, repressão, pancadaria, depredação.
E tudo isso estava previsto. Aqueles que disputaram e perderam as eleições, já durante a campanha tinham advertido que, se perdessem, fariam da vida do ganhador um inferno.
Oi, gente! quantas vezes vocês já assistiram esse filme?
A mídia tornou-se aética
Ajuda a entender o que está realmente ocorrendo ir atrás do dinheiro, desvendar o que e quem está por trás dos fatos…
Ao longo do tempo, deu para perceber que uma coisa são os Estados Unidos real, da população ingênua e mal formada, alienada por séculos; e, outra coisa, os EUA da propaganda, a imagem fabricada na guerra cultural, que utilizou e utiliza as mais sofisticadas técnicas de manipulação psicossocial: os EUA dos filmes e da mídia servil.
A atuação da mídia tem sido essencial nessa guerra cultural. Antes, conservadora, servia aos interesses das oligarquias e foi porta-voz do modelo de desenvolvimento predatório e excludente. Hoje, é submissa. Tornou-se porta-voz do pensamento único imposto pela ditadura do capital financeiro. Pensamento único que para desgraça nossa vem sendo imposto também nas universidades.
Dominada, a mídia se tornou aética, portanto, apátrida. O capital volátil não tem pátria, como não tem sentimento algum além do desejo desenfreado por lucro. Como que por osmose, a população vai se coisificando, meros consumidores em busca de vantagem para si, olhando o outro como coisa descartável. Em outras palavras, como dizia Guy Debord,“o habitante da sociedade de espetáculo é o espectador, ser que não vive, apenas contempla”.
O grande feito de Donald Trump foi derrotar a mídia
Em novembro, comentando a surpreendente vitória de Donald Trump, eu dizia que a primeira verdade que se destaca é que Donald Trump derrotou a grande mídia consensual. Ele disse reiteradas vezes durante a campanha:“não estou competindo contra Hillary, estou competindo contra os corruptos meios de comunicação[i]”. A partir disso, o confronto com a mídia tende a acirrar-se.
Nessa mesma matéria eu informava que entre os maiores financiadores da campanha de Hillary estava o Move On, cujo controlador é a Soros Open Society, ou seja, George Soros, o maior especulador do planeta. O Move On é um think tank parecido com o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) — criado pelo Golbery nos anos 1950 para articular a captura do poder e que teve papel fundamental na derrubada do governo de João Goulart. O Move On já sinalizara, mesmo antes da posse, que trataria de tornar a vida insuportável para Donald Trump, tal como fizeram aqui com a nossa presidenta Dilma Rousseff. A elite não aceita nem perdoa um adventício no poder.
Está claro o que estava por traz dos democratas: o liberalismo totalitário, como diria Noam Chomsky, ou a ditadura do capital financeiro, dizemos nós. Não se sabe ainda o que poderia estar por traz de Donald Trump. O certo é que ele provocou o verdadeiro “big-one”, o terremoto que deu a maior chacoalhada no cenário político e social dos EUA, com réplicas em todo o mundo. A partir daí, muita coisa pode acontecer, tanto para o bem, como pro mal, advertimos em novembro, logo após divulgarem o resultado.
Em resumo, quem realmente perdeu a eleição foi George Soros, ou seja, a turma do capital financeiro que a partir dos anos 1990 dominou o sistema, conduziu o Estado.
Nacionalismo
Agora se vê muita gente assustada com o nacionalismo explícito manifestado por Donald Trump. Medo porque o nacionalismo também se sente fortalecido na Europa.
Por acaso, em algum momento de sua história, os Estados Unidos deixaram de ser nacionalista?
Gente… olhem um pouco para a história! E também para a história da Europa porque os que plasmaram a doutrina estadunidense se inspiraram na Europa.
A busca e a construção da hegemonia se fez e só podia fazer-se fundada num forte nacionalismo e na crença da superioridade da raça. Nacionalismo explícito nas doutrinas que fundamentam o Estado desde os fundadores da pátria até hoje, bem sintetizada por James Monroe: “a América para os americanos”, ou “Vamos fazer a América forte outra vez”, de Donald Trump.
Simón Bolívar, o libertador, diante disso, convocou as jovens nações das Américas para o Congresso Anfictiônico do Panamá pois sabia que isso significava estender seu território (ou hegemonia) até a Patagônia, urgia a união dos latino-americanos para barrar o monstro. Essa união ainda está por ser construída. Incrível!
É o forte nacionalismo e a crença na superioridade da raça que sustentam as guerras de conquistas ao longo da história dos Estados Unidos, assim como de outros imperialismos. Ou não foram guerras de conquistas que usurparam mais da metade do território mexicano, incorporaram Porto Rico, expandiram-se pelo Pacífico e recentemente invadiram o Iraque? Sejam democratas ou republicanos, seguem fielmente a doutrina…
Quantas bombas jogou o democrata Kennedy no Vietnã? E em Cuba? Quantas bombas jogou o democrata Obama no Afeganistão, na Síria? Quem foi que espionou a Presidência da República e a Petrobras para dar início a essa desestabilização que estamos sofrendo no Brasil?
Gente, o que menos importa para o sistema de poder nos EUA são os seres humanos e o discurso. O que vale é o sistema. E o sistema está programado para se expandir, não sobrevive se não se expandindo.
Por exemplo: o muro da vergonha na fronteira com o México já existe, vem sendo construído por democratas e republicanos há muitas décadas. Não é uma invenção de Donald Trump. Eles argumentam que é preciso ter um controle sobre o tráfico de drogas, armas e gentes. Ficam aflitos quando perdem o controle sobre os tráficos.
Diante disso, é de se perguntar: prescindirá as classes media e rica da mão-de-obra subalterna dos imigrantes latinos?
Modelo esgotado
A verdade é que ninguém aguenta mais viver sob a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. A chamada globalização levou a civilização a um mundo insuportável, fadado à autodestruição se nada for feito.
Transformaram a educação em commodities aumentando ainda mais a massa de analfabetos funcionais e a servidão intelectual. Que futuro terão os povos em que as escolas devem dar lucros e não ensinar a pensar?
Até as epidemias de sífilis voltaram em países como Estados Unidos e Brasil, sendo que aqui até a febre amarela, erradicada há mais de 50 anos, voltou a ser epidêmica e compete com as epidemias de dengue, chikungunya, zika e fome.
Por toda parte já se começa a perceber que não dá mais para conviver com esse modelo. Até o G-20, esse seleto clube dos muito ricos (o que o Moro foi fazer lá?), reunido em Davos no Fórum Econômico Mundial reconhece, e está explicito no The Inclusive Growth Development Report.
Esse informe, feito para basilar o Fórum, chega à conclusão de que a globalização, pensada para “democratizar” o comércio, resultou em uma maior concentração: “ela não rendeu benefícios eficientes como esperado e tem sido associada com o crescimento da desigualdade… há pouca dúvida sobre a existência de riscos genuínos da abertura pra fluxos financeiros internacionais… tem ampliado a volatilidade econômica e a frequência de crises em muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento”…
Christine Lagarde, a diretora do FMI, também reconhece que o excesso de desigualdade é contraproducente para o crescimento sustentável ao qual os membros do G-20 aspiram (sic). O que é mesmo que aspiram os super-ricos membros do clube?
Por toda parte, vozes se levantam contra o modelo, mas nada acontece. O modelo não muda, parece intocável e indestrutível. O mundo parece ter adquirido consciência de que não se pode mais suportar esse modelo, mas, nada acontece.
A perplexidade geral é produto da falta de alternativas. Os discursos de Donald Trump e da direita europeia (e também brasileira, claro) reverberam nesse vazio. Esse é o busílis da questão.
O desafio para humanidade é mudar completamente os paradigmas. Parece que só uma revolução cultural impossível faria a transição para o novo. Os momentos de crise podem ser também o início de uma transição necessária.
Os desafios de Donald Trump
Donald Trump diz que vai “tirar o poder de Washington e dar o poder ao povo”. A verdadeira democracia… Faz-me rir! Para isso montou um time em que a única coisa que os une é o fato de serem empresários bem sucedidos. Alguns muito bem sucedidos, na lista dos bilionários, inclusive. Para observadores a equipe não tem experiência administrativa e é de uma direita fundamentalista.
Ele assume um país em crise. Escondida pela mídia, mas, crise em evolução que poderá realmente ser perigosa se não for revertida. Na verdade, a crise de 2008 que levou à quebradeira dos bancos ainda não foi solucionada. E há quem perceba as vibrações de um novo terremoto de proporções globais, como registrou em 15/01/16 a BBC, citando o financista George Soros.
E o mais grave: o parque industrial sucateado; uma gigante como a General Motors teve que ser socorrida para não quebrar. Dívida pública incontrolável superior a 60% do PIB. No Banco Central, US$ 4.5 trilhões de papel podre. O dólar sem lastro cada vez mais questionado como moeda de referência.
Desemprego em massa. 610 mil pessoas desabrigadas, mais de 60 mil só em Nova York. Proletarização da classe média e lumpenização do trabalhador. O salário médio anual, que em 1978 era de US$ 48 mil, hoje não chega a US$ 34 mil em termos de poder de compra. Cidades fantasmas com fábricas abandonadas. Milhões de trabalhadores mergulhados na miséria, vivendo com menos de dois dólares por dia. Três milhões de crianças em situação de desespero.
Donald Trump vai se dedicar a levantar a economia, dinamizar a indústria, tornar a “América forte outra vez”. Para isso, recorre a Franklin Delano Roosevelt, que governou os EUA de 1933 até sua morte em 1945, executor do New Deal, um pacto de unidade nacional que tirou o país de uma situação de crise e o elevou a grande potência. Mas aqui e lá os observadores só vêm o discurso e tipificam de populista.
O país sumido em crise moral precisava recuperar a auto estima. Há que lembrar que EUA só entrou (tardiamente em dezembro de 1941) na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) depois de ter consolidado sua economia, ter o consenso nacional e ter posto a funcionar a todo vapor a indústria de guerra.
O que moveu essa sociedade não foi só uma exacerbação do nacionalismo. Foi também o macarthismo, a domesticação do movimento sindical, o controle da mídia e fortalecimento da comunicação estatal, a repressão brutal às dissidências.
Donald Trump, tal qual Roosevelt, sinaliza que priorizará o mercado interno e a indústria da construção e infraestrutura. Sabe que esta é a que mais movimenta a economia como um todo, pois além de ser a que ocupa maior número de mão-de-obra, afinal, para construir e ocupar uma casa movimenta-se desde a mineração até todo tipo de manufaturados. “Vamos produzir na América e consumir produtos americanos”... Com seu discurso, já conseguiu fazer com que a Ford cancelasse investimento de US$ 1,6 bilhões que faria no México,
O fato de Donald Trump se valer das ideias de Roosevelté sinal de que sua turma está empenhada em busca de alternativas. Isso é positivo. É um grande desafio tentar fazer o sistema pensar em construir alternativas.
Guerra e diversionismo
Cuidado: há muito diversionismo na guerra que se está travando. Guerra cultural, guerra midiática, guerra psicossocial, guerra cibernética, guerra.
Quem comanda essa guerra? Resposta: a ditadura do capital financeiro.
É muito bom que as mulheres ocupem as ruas para protestar contra o machismo homofóbico de Donald Trump e seus aliados. Mas, enquanto isso ocorria, no domingo, 22/1, no oriente do Mediterrâneo, Benjamin Netanyahu ordenava a prefeitura de Jerusalém a concluir 556 casas em três bairros, verdadeiros enclaves coloniais em território palestino. Essa construção havia sido interrompida por pressão de Obama diante de reação da comunidade internacional. Segundo a France Presse, Netanyahu e Donald Trump conversaram por telefone, e segundo ambos, a conversa foi muito boa e versou sobre “o acordo sobre o tema nuclear com o Irã, o processo de paz com os palestinos e outros assuntos”.
É aí onde está o perigo.
A China e a nova ordem
Em fins do século XIX a China era o segundo maior PIB no mundo a desafiar a hegemonia do império britânico. O que fez a Inglaterra para manter o equilíbrio em favor do Ocidente? Desestabilizou completamente a China impondo-lhe uma guerra de extermínio, a Guerra do Ópio (1839 a 1880). Já no século XX, o Ocidente se mobilizaria de novo, utilizando o Japão para invadir e desestabilizá-la. Livre dos invasores, a China protagoniza a maior revolução que a humanidade poderia conceber, se reconstrói e entra no século XX de novo como o segundo maior PIB do mundo.
Muita gente considera que a China já é a maior potência. Não tem porta-aviões, submarinos e frota aérea como dos Estados Unidos, porém, tem gente a não acabar e é a “fábrica do mundo”, domina as mais altas tecnologias, inclusive a nuclear e espacial e, com inteligência, sabedoria milenar, sedutora, se expande.
Enquanto a China se expande, o Ocidente declina perdido em suas próprias crises. Paradoxalmente, aí é que está o perigo.
A Rússia, recuperada dos traumas do desmantelamento da União Soviética e da completa desestabilização do poder, conseguida pelos países da OTAN, gradativamente se reencontra como russa, reconstrói seu poder e impõe sua voz no cenário internacional.
China e Rússia redescobrem que são economias complementares. A vastidão russa tem a energia e matérias primas que a China necessita e a China tem o mercado e o mar que a Rússia necessita. China e Índia são os países que mais crescem, em torno de 6 a 7%.
China, Rússia e Índia mudaram a geopolítica do mundo. Já não há mais um mundo unipolar com uma potência hegemônica. China, Rússia e Índia também são potências atômicas. Não é mais possível prosseguir com a estratégia do Império de cercar e sufocar a Rússia, isolar a China. Não tem cabida tratados como os transpacíficos e transatlânticos.
Entendendo a importância disso, o Brasil e logo a África do Sul integraram o BRICS. E o BRICS começou a construir uma Nova Ordem, com banco de desenvolvimento próprio, vendo como livrar-se da dependência do dólar, volátil, sem lastro. O BRICS é de fato e irreversivelmente a Nova Ordem.
Estados Unidos têm que rever toda sua doutrina, têm que se recompor para estarem em equilíbrio com essa Nova Ordem. Não será pela força. Não agora. É preciso, portanto, envidar todos os esforços para manter esse novo equilíbrio e fazer que seja promotor da paz. Paz derivada da incapacidade ou impossibilidade de que se perpetue a hegemonia.
*Paulo Cannabrava Filho é jornalista latino-americano radicado no Brasil, editor de Diálogos do Sul