A
quem interessa o atentado?
A tarde de quinta-feira (06) levou para todos os
noticiários um possível atentado contra a vida do candidato da extrema direita
à Presidência do Brasil, em Juiz de Fora (MG)! O “Sete de Setembro”, sempre tão
noticiado em nossa mídia, ficou relegado a segundo plano pois todos cuidavam de
explorar ao máximo o acontecimento que pode dar mais alguns pontos percentuais
para o candidato nas próximas pesquisas.
Mas está tudo muito confuso. Oficialmente ele passou
por uma cirurgia que durou cerca de 2 horas e teria sofrido 3 lesões no
intestino, ainda que nos primeiros momentos o filho do candidato tenha dito que
eram “ferimentos superficiais” e os jornais tenham anunciado que o fígado tinha
sido atingido. A nota médica oficial diz que ele teria passado por uma
colostomia temporária para conectar seu intestino a uma bolsa fora do corpo.
A questão que deixa dúvidas são as fotos que foram
publicadas em todas as redes sociais, em jornais televisivos e nos jornais
impressos. Em nenhuma foto aparece sangue ou qualquer outra mancha nas mãos e
na camisa do candidato.
Pior ainda é que as fotos mostradas de uma sala de
cirurgia deixam ainda mais dúvidas: um médico que opera sem luvas, uma
colostomia sem que o paciente seja entubado, não há sangue e nem as proteções
costumeiras em volta da cirurgia, uma das enfermeiras está com a máscara
abaixada e muitas outras dúvidas já debatidas exaustivamente nas redes sociais.
Em nota à imprensa, imediatamente após o “atentado”, a
polícia anunciou que o agressor já estava identificado e preso, tratando-se de
Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos. Seu advogado, Pedro Augusto Lima Possa,
assegura que seu cliente assumiu a autoria do atentado, e que ele agiu por
“motivações religiosas, de cunho político”. “Ele não tinha intenção de matar,
em momento algum. Era só de lesionar”. Em suas mensagens nas redes sociais e em
sua página na Internet ele demonstra ser desequilibrado mentalmente, muito
confuso e influenciado por discursos religiosos de vários matizes.
Mas isto não deve desviar nossa atenção. Se houve ou
não a facada, se o agressor sofre de problemas mentais ou se é grande o número
de contradições no caso não deve desviar nossa análise do principal: a direita
está e vai continuar se aproveitando do fato para causar comoção e colocar a
opinião pública contra a esquerda. E precisamos dizer, de forma clara, que não
temos qualquer interesse na morte desse candidato.
Bastaria o TSE ou o STF aplicarem a lei e agirem
corretamente deixando Lula disputar as eleições e toda a publicidade em torno
do candidato fascista seria imediatamente pulverizada. E nossa preocupação
deveria estar voltada para a declaração de um dos filhos do candidato dizendo
que “enquanto meu pai se restabelece, eu e meus irmãos, junto com o candidato a
vice, assumiremos a campanha”! O general Mourão vai para a campanha? Ah! Isso
sim deve nos preocupar.
No momento, devemos defender a continuidade do processo
democrático, continuar na luta para que Lula possa disputar as eleições e
apoiar o PSOL que está errônea ou provocativamente sendo usado pela direita sem
ter qualquer verdade nas acusações.
• Nota do Partido dos Trabalhadores de Juiz de Fora. O PT de Juiz de Fora vem a público repudiar qualquer
tipo de violência. Ressaltamos nosso repúdio ao ocorrido com o candidato Jair
Bolsonaro do PSL em nossa cidade. Vimos também afirmar que Adélio Bispo de
Oliveira NÃO É e nem NUNCA foi filiado ao Partido dos trabalhadores e também
não faz parte da campanha de Dilma ao Senado e de nenhuma campanha ligada ao Partido.
Renê Matos - Presidente do PT de Juiz de Fora
• Documento das pastorais da Igreja católica sobre as Eleições
2018. “Neste momento dramático, em que
estão em risco o presente e o futuro de nossa Nação, não podemos ‘lavar as
mãos’, nos omitir, nem buscar refúgio na neutralidade. O momento exige
solidariedade com os empobrecidos, oprimidos e marginalizados. Para tanto,
propomos construir um programa que seja uma referência e orientação para nossa
gente nas eleições e que possa movimentar a espiral de cidadania e do bem
comum.
Entre esses pontos, as entidades signatárias propõem: -
Revogação das mudanças aprovadas na CLT que retiram direitos trabalhistas; -
Reversão das privatizações executadas e fortalecimentos das empresas públicas;
- Revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos sociais
por 20 anos; - Realização de uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública, que
consome aproximadamente metade de todo o orçamento público brasileiro; -
Realização de Reforma Tributária que combata a desigualdade, taxando as grandes
fortunas, as grandes heranças, os dividendos de grandes empresas e do sistema
financeiro. Reversão das isenções fiscais e do perdão de dívidas e cobrança dos
impostos devidos por grandes empresas; - Retomada dos programas sociais nos
moldes anteriores a 2016, reforçando-os e universalizando-os; - Denúncia da
partidarização e seletividade do judiciário; - Respeito à presunção da
inocência e a Constituição que garante que a prisão somente deve ocorrer quando
todos os recursos e instâncias tenham se esgotado; - Mobilizar a sociedade para
uma ampla Reforma do Estado, que estimule mecanismos de participação direta,
promova a democratização e a pluralidade dos meios de comunicação e garanta o
pleno respeito aos direitos humanos; - Implementação do direito a demarcação
das terras indígenas e quilombolas e realização de uma reforma agrária ampla e
popular, com incentivos à produção agroecológica e agroflorestal e à
comercialização de alimentos saudáveis para toda a população brasileira”. Assinam:
Cáritas Brasileira; Comissão Brasileira Justiça e Paz; Comissão Pastoral da Terra;
Conferência dos Religiosos do Brasil; Conselho Indigenista Missionário;
Conselho Nacional do Laicato do Brasil; Conselho Pastoral dos Pescadores; Fórum
de Mudanças Climáticas e Justiça Social; Observatório Nacional de Justiça
Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA); Pastoral Carcerária; Pastoral
Operária; Serviço Pastoral do Migrante.
• Quando “eles” brigam por dinheiro. Seria uma das situações mais engraçadas dos últimos
anos, se não fosse um desacato aos brasileiros e uma vergonha institucional de
um país comandado por golpistas e autoridades ilegítimas.
A matéria foi divulgada pela revista Carta Capital com
o título “Mais caro do mundo, Ministério Público está em guerra por grana”, mas
vamos fazer apenas alguns comentários sobre a matéria.
Em primeiro lugar é preciso assinalar que temos o
Ministério Público mais caro do mundo! Para quem não sabe, as repartições
federais e estaduais vinculadas ao MP custam aos cofres públicos, por ano, 0,3%
do PIB, dinheiro gasto com os altíssimos salários e ajudas de custo de
procuradores, promotores e seus ajudantes. Na Itália, o gasto é de 0,09%. Em
Portugal é de 0,06% e na Alemanha é de 0,02%! Mas aqui gastamos 0,3%, uma desproporção
impressionante.
Mas esta não é a questão principal. Acontece que o MP
recebe toda essa “grana” e briga pela divisão que foi feita pela atual
procuradora-geral da República, a tristemente famosa Raquel Dodge que, por
ocupar o posto que ocupa, comanda todo o MP da União. Sob sua ordem estão: o MP
Federal (MPF), área de origem dela, o do Trabalho (MPT), o Militar (MPM) e o do
Distrito Federal e Territórios (MPDFT). E cabe a ela fazer a divisão do
“sagrado dinheirinho” de todos e apresentar ao governo para constar no
orçamento federal.
Acontece que as chefias das subdivisões do Trabalho,
Militar e do Distrito Federal ficaram inconformadas com o rateio feito pela
“poderosa” que ganhou muita força nas perseguições ao PT e a Lula. Para aquelas
divisões, Raquel adotou “critérios casuísticos” que privilegiam o MPF, o dela,
e causam “danos sem precedentes” no caixa das demais subdivisões, cujo
funcionamento estaria ameaçado.
Ela responde: como Procuradora Geral da República cabe
a ela, e só a ela, propor o orçamento do MPU!
• De olho no Congresso!
Para conversar com alguns companheiros e amigos, na hora de decidir sobre os
votos a serem dados nas próximas eleições, é muito importante dar uma olhada em
como agiram os atuais parlamentares. E o Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (Diap) preparou um excelente material para isso. Um
mapeamento revelando que deputados e senadores votaram, sobretudo depois do
golpe de 2016, contra a classe trabalhadora e os interesses nacionais.
O levantamento deixa claro quem está por traz do golpe.
Acesse o estudo completo:
https://www.scribd.com/document/387802728/Mapa-de-Votacoes-Camara-dos-Deputados-e-Senado-Federal-2015-a-2019-55%C2%AA-legislatura#from_embed
• Saúde e educação... adeus. Um imenso desafio para o próximo Presidente da República e uma bomba de
efeito retardado deixada pelo pulha que se apossou do poder. Um estudo
realizado pela consultoria de orçamento da Câmara dos Deputados aponta queda
drástica nos investimentos públicos para saúde e educação no Projeto de Lei de
Diretrizes Orçamentárias 2019, encaminhada pelo ilegítimo ao Congresso
Nacional.
De acordo com os cálculos da consultoria, o corte na
área da saúde será de R$ 1,2 bilhão. Na área de educação, os recursos para
investimentos em 2019 serão de cerca de R$ 4 bilhões, metade do total liberado
este ano. A maior parte dos cortes será nas universidades, aponta o documento.
Uma das maiores críticas à PEC da Morte, a secretária
nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CUT, Madalena Margarida
da Silva, diz que a cada medida que esses golpistas anunciam, maior é o tamanho
do enfrentamento que o movimento sindical terá de fazer para proteger os
direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. “Os cortes no Orçamento da
União serão mais uma batalha”, diz a dirigente. Segundo ela, “daqui pra frente
os desafios serão grandes, do tamanho do estrago que estão realizando”.
Junto com a saúde, outra área atacada pelo golpe de
2016 e que mais perdeu investimentos com a PEC da morte, a Educação também será
afetada se o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias 2019 for aprovado sem
alterações pelo Congresso Nacional.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), Heleno Araújo, lembrou que este mesmo golpe colocou em
curso uma política de privatização de bens públicos, inclusive a educação, como
nunca antes nenhum governo eleito tentou pôr em prática porque jamais passaria
pelas urnas.
• Vergonha de ser brasileiro? Pode se creditar isso ao macróbio que ocupa o poder no país. Além de piorar
a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, o golpe de 2016 atingiu
profundamente a autoestima dos brasileiros. E o problema é muito mais profundo
do que a crise econômica e o desemprego causado.
Análises sobre pesquisas do Instituto Datafolha, que
vêm sendo feitas pela socióloga Thaís Moya e pelo jornalista Mauro Lopes,
Brasil 247, revelam que quase 90% da população tinham orgulho de ser brasileira
durante os dois mandatos do ex-presidente Lula. A ex-presidenta Dilma Rousseff
encerrou o primeiro mandato com 84% da população orgulhosa de seu país. Na
última pesquisa, em junho de 2017, metade do país tinha perdido o orgulho de
sua nacionalidade.
• Manta: 10 anos depois.
Em janeiro de 2007 subia ao poder no Equador o líder popular Rafael Correa.
Afinado com a política independente de Lula, Chávez, Evo, Kirchner e Pepe
Mujica, Correa lançou no país a chamada “revolução cidadã” e iniciou o processo
de afastar o país dos EUA e de sua política neoliberal. Em maio de 2017
entregou o poder a Lenin Moreno que havia sido seu colaborador e fazia os
mesmos discursos progressistas, mas que, no fundo, era um traíra como agora
estamos vendo.
Moreno não só está destruindo toda a base nacionalista
criada por Correa como abriu as portas para os estadunidenses e reatou
“profundos laços de amizade” com a Colômbia. Ou seja, o Equador anda de volta
para os braços do neoliberalismo.
Agora tivemos notícias de que está sendo reativada a
base de Manta que era mantida no país pelas forças militares dos EUA e foi
totalmente desativada por Correa, em 2009. Pior ainda, a nova “base” é do tipo
mais moderno das Forças Armadas estadunidenses que recebe o nome de OCS
(Oficina de Cooperação e Segurança).
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, o papel das
OCS é “promover os interesses de segurança específicos dos EUA, incluindo
atividades internacionais de armamentos”. Promovem programas formais de venda e
financiamento de armas, realiza “educação e capacitação militar internacional”
e realiza os exercícios conjuntos com outros países. Em outras palavras, o
perigo está de volta.
• Argentina (6).
Continuando a série sobre a crise argentina iniciada no Informativo passado,
vamos trazer novas informações sobre o resultado do retorno do neoliberalismo.
Quais as próximas medidas de Mauricio Macri e como isso vai refletir na
política do país.
Em primeiro lugar, para cumprir uma das metas
estabelecidas pelo FMI, Macri acaba de criar o Imposto sobre as Exportações. O
novo imposto recebeu temporariamente o nome de “retenções” e significa que
serão pagos mais 4 pesos por dólar em atividades primárias e 3 pesos por dólar
no restante, mas Macri já avisou que é pouco e que “quem exporta tem mais
capacidade de contribuir”. Ou seja, isso vai retornar nas costas dos
trabalhadores.
A segunda medida anunciada em seu “plano” é a redução
dos ministérios a menos da metade dos atuais. Deixando claro quais as suas
áreas de interesse, Macri anunciou que Energia, Trabalho, Agroindústria, Saúde,
Cultura e Ciência & Tecnologia passam a ser meras “secretarias”. Turismo e
Ambiente passam a ser responsabilidade da presidência. Ou seja, haverá
desemprego em massa de funcionários públicos para adequar a nova formatação dos
ministérios.
E a terceira medida, prevista para ocorrer na próxima
terça-feira, será uma viagem do ministro de Economia, Nicolás Dujovne, a
Washington onde se encontrará com os patrões do Fundo Monetário Internacional
para saber se já “abaixaram as calças” o suficiente para o Fundo adiantar os
novos desembolsos do empréstimo feito.
Aliás, nesse sentido, o porta-voz oficial da
instituição, Gerry Rice, declarou nesta sexta-feira (07) que “Estamos
conseguindo avanços nas conversas que agora chegam ao nível técnico (...) e a
Argentina tem o apoio total do FMI”. Ou seja, tudo está acertado, ao que
parece.
• Argentina (7). Mas,
é claro, tudo isso terá um custo para o povo argentino. O êxito do novo pacote
de austeridade imposto pelo Ministério da Economia prevê que 2018 terminará com
uma recessão de 2,4% e uma aceleração inflacionária de até 42%!
As projeções oficiais já estão prevendo uma queda no
setor produtivo, nos empregos e uma diminuição nos atendimentos sociais ainda
maiores do que os anteriormente previstos.
Analistas econômicos locais já dizem que o “laboratório
neoliberal” de Macri foi um completo fracasso e que a Argentina se aproxima de
uma crise semelhante à de março de 2001. Mas o governo continua falando em
“reduzir o déficit fiscal” em 2019 e, para isso, fazer novos cortes nos gastos
públicos eliminando subsídios a empresas privadas de serviços.
Como seria de esperar, o governo já anunciou
oficialmente que “pode ocorrer” novas demissões entre os trabalhadores da
Administração Pública (nenhuma novidade, pois já estão ocorrendo).
• Argentina (8). E o
presidente Mauricio Macri vai ser processado judicialmente. A denúncia formal
foi feita pela entidade Unidade Popular, através de um dos seus dirigentes,
Claudio Lozano, pelo Movimento Popular ‘A Dignidade’ e pelo Observatório de
Direitos da Cidade.
Macri está sendo acusado pelas três entidades por abuso
de autoridade e violação do dever de funcionário público, depois de seu
encontro com o FMI.
• Argentina (9). Ao
contrário do que a imprensa mundial vem divulgando, a Venezuela não é o país
com a maior taxa de juros do mundo. Essa posição é da Argentina!
O país portenho já ostentava o título de campeão
mundial quando sua taxa de juros era de 40% (contra 23% da Venezuela) e passou
a ser insuperável depois que o Banco Central Argentino (BCRA) aumentou a taxa
para 60%!
A medida foi tomada no final de agosto por Macri e
tinha como objetivo tornar mais atrativa a moeda local, atraindo capital
externo e fazendo frente à subida do dólar. Mas nem os economistas do governo
acreditam muito na solução, pelo que vemos em alguns jornais locais.
• A prostituição e o capitalismo (1). Nosso Informativo tem trazido algumas questões sobre a
situação da mulher em nossa sociedade, da discriminação no local do trabalho,
da exploração dos salários, etc. Falamos sobre os feminicídios e sobre o custo
de ser mulher e disputar um mercado de trabalho. Mas há outros aspectos que
continuam sendo escondidos, por medo, para evitar polêmicas ou por preconceito.
No dia 28 de agosto, entre os muitos jornais que
costumo olhar na Internet, deparei com a seguinte manchete: “‘Most beautiful
silicone ladies’”, ou (‘Senhoras de silicone mais bonitas’). Pensei que seria
matéria apenas sobre as coisas às quais as mulheres recorrem para cuidar da
aparência, etc. Eu estava justamente escrevendo sobre o custo de ser mulher
(matéria no Informativo passado) e não dei muita atenção até voltar para ler.
Fiquei surpreso com o que vi ao ler título inteiro da
matéria: “‘Most beautiful silicone ladies’: N. America's 1st sex doll brothel
to open in Toronto”. Em tradução rápida: “'Senhoras de silicone mais bonitas':
primeiro bordel de boneca sexual da América do Norte vai abrir em Toronto”! Ou
seja, usando a expressão mais chula: vão abrir um puteiro de bonecas de
silicone!
De acordo com a matéria, há seis “prostitutas” em
oferta, com etnias que se ajustam ao gosto de qualquer um. Segundo a “diretora
de marketing do bordel”, a pessoa encomenda por telefone e “a boneca, como uma
menina, estará pronta e esperando por você na sala”. Meia hora custará ao
patrono US $ 80, enquanto uma hora irá custar US $ 92! “Pequeno” detalhe. Se o
cliente “se apaixonar” por uma das bonecas poderá se inscrever para uma
assinatura mensal!
A que ponto chegou o sistema capitalista em sua
ganância por mais lucros! Não vamos discutir aqui o lado moral ou social do
fato. Mas vamos, sim, procurar debater a lógica econômica desse novo modelo de
produção.
Quantos operários e operárias são empregados nessas
fábricas de bonecas de silicone? No cálculo do salário desses operários e
operárias está embutido o valor da “mercadoria” boneca sexual? Pelo que
aprendemos com o marxismo, para se tornar “mercadoria” o objeto tem que ter
“valor de uso” para alguém. Como se calcula o “valor de uso” dessa mercadoria?
Como se calcula a utilidade dessa mercadoria? Como vão criar a “necessidade” de
consumo dessa mercadoria? Como em outras situações, quando os trabalhadores
reclamam que estão sendo substituídos por máquinas, poderão as prostitutas
reclamar que estão sendo substituídas por bonecas?
(https://www.rt.com/news/436986-sex-doll-brothel-toronto/)
• A prostituição e o capitalismo (2). Já que tocamos no assunto, seria bom um iniciarmos um
debate sobre o tema, já que há muito tempo nos preocupamos com essa visão de
“prostituição” no mundo atual. Afinal de contas, em duas ou três palestras de
que participamos, dissemos não concordar com essa definição que é sempre usada
dizendo que trata-se da “mais antiga das profissões”! Afinal de contas, podemos
dizer que a prostituição é uma “profissão”?
Recentemente, escrevemos um artigo falando sobre o
tráfico de pessoas no mundo e que os organismos internacionais calculam que são
mais de 40 milhões de pessoas nessa condição e o número vem aumentando muito
rapidamente a ponto de transformar o tráfico de pessoas como o “segundo negócio
ilícito mais rentável do mundo”, perdendo apenas para o tráfico de drogas. Não
são conhecidos os números exatos, mas os estudiosos acreditam que o negócio
movimenta mais de 150 bilhões de dólares por ano, sem contar a escravidão sexual
decorrente do tráfico!
Qual a ralação disso com o nosso tema? É que, segundo informações da
ONU, 71% das pessoas traficadas são mulheres e meninas que acabam virando
escravas sexuais em prostíbulos ou são submetidas a trabalhos forçados.
E voltamos à questão
inicial deste texto: a mulher (ou menina) prostituída contra a sua vontade é
uma “profissional” da “mais antiga das profissões”? E como essa mulher (ou
menina) pode ser entendida em relação ao homem que paga para usá-la como
desejar? Ela é “trabalhadora” ou “mercadoria”?
Aqui nós colocamos uma
questão de fundo: se consideramos a mulher (ou menina) prostituída como uma
trabalhadora, podemos considerar o proxeneta que a explora um empresário ou
empreendedor?
Pretendemos voltar ao
tema nos próximos Informativos.
• Mais problemas
para o dólar?
Nosso Informativo tem trazido algumas notícias sobre a crise que a moeda
estadunidense atravessa, mas que costuma ser escondida pela nossa imprensa.
Afinal de contas, a relação do dólar nos países não dependentes do FMI e dos
EUA é diferente da nossa. Por exemplo, na atual crise argentina a referência
passou a ser a subida desenfreada do dólar. No recente caso da suposta agressão
ao candidato fascista o jornal Folha de São Paulo estampou imediatamente que o
“atentado” fez o dólar cair!
Mas a verdade é que a
supremacia do dólar como divisa internacional já está sendo muito questionada
por vários países que começam a diversificar suas contas usando as próprias
moedas ou buscando na moeda chinesa (o yuan) mais segurança. E a situação vai
piorando rapidamente na exata medida em que o governo Trump passou a usar a
tática de “sanções econômicas” contra os países que elege como “contrários aos
interesses dos EUA”!
Um exemplo claro foi o
anúncio, durante a semana, feito pelo presidente da Câmara de Comércio
Irã-Iraque, Yahya Ale Eshaq. Ele buscou a
imprensa para dizer que as transações comerciais entre os dois países não mais
utilizaram o dólar, para contornar as sanções impostas por Trump que ameaça
castigar quem negocia com Teerã. Os dois países passarão a utilizar o ‘dinar’,
iraquiano, ou o ‘rial’, iraniano. Podem também, em alguns casos, usar o euro
para proteger um mercado que movimenta oito milhões de dólares ao ano!
Entre muitos outros
países, agora é o Paquistão que dá “luz verde” para o uso do yuan em seus
negócios de importações, exportações e transações financeiras. Bangladesh já
havia adotado, em agosto, a moeda chinesa como reserva de suas trocas
comerciais. A Índia alterou suas regras de endividamento e permitiu que as
empresas aumentassem suas dívidas em yuanes.
Nuvens negras contra o
dólar no ar?
• Só para
lembrar!
Já que tocamos no assunto, vale lembrar que no próximo sábado, dia 15,
estaremos completando dez anos da quebra da empresa de serviços financeiros
estadunidense, a Lehman Brothers, que
desencadeou uma grande crise mundial da qual ainda não conseguimos sair e que
se agrava.
Antes do capitalismo
só havia crises econômicas quando ocorriam calamidades naturais, como
enchentes, secas, terremotos, epidemias, ou então guerras. Faltavam alimentos e
outros produtos para atender às necessidades do conjunto da população. Eram
crises de subprodução.
Entendemos as crises
econômicas como um “período de recessão” em que existe uma diminuição da atividade
econômica, seja regional ou global. Mas a crise iniciada em 2008, ainda que
tenha atingido um nível global até hoje não superado, foi uma crise que –
seguramente – foi marcante e está sendo inesquecível para os países de mais
alta industrialização que dependem fortemente de redes financeiras que, na
verdade, movem uma imensa trama onde funcionam os principais centros de valores
do mundo!
Sabemos que não há
mais um só modelo de crise e que várias podem ser suas razões. Uma das
leituras, que acreditamos encaixar-se melhor na atual, é a de que uma das
razões seria a criação de dinheiro sem prévio processo produtivo ou, como já
dissemos outras vezes aqui no Informativo, dinheiro que cria dinheiro sem criar
um produto intermediário, uma mercadoria! Dinheiro que se reproduz a si mesmo.
E a presença de uma
imensa massa desse dinheiro invisível, dinheiro especulativo, causou o
desequilíbrio dos seus próprios locais de realização – as bolsas! Uma
impressionante entrada de capitais no setor financeiro, especulativo, que levou
a uma repentina queda na taxa de lucros porque os mercados estavam esgotados.
O
mundo ainda não superou a crise de 2008, mas o dólar parece estar armando uma
nova tempestade no horizonte próximo.
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