terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A visão de Luiz Gama!

Foto de Ademir Alves de Melo.

Investigação sobre Furnas está parada há 4 anos!

INVESTIGAÇÃO SOBRE FURNAS ESTÁ PARADA HÁ 4 ANOS

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Em 2012, a procuradora federal Andrea Bayão denunciou Dimas Toledo, indicado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para uma diretoria em Furnas, como responsável por um esquema de desvio de recursos e pagamento de mensalões a parlamentares; no entanto, uma decisão judicial transferiu o caso para a Justiça estadual do Rio de Janeiro e, desde então, nada foi feito; em quatro anos, a Polícia Civil não conseguiu nem concluir um inquérito sobre o caso, que voltou às manchetes recentemente, depois que dois delatores da Lava Jato, Alberto Youssef e Fernando Moura, apontaram as conexões entre o senador Aécio e Dimas Toledo; em 2005, Roberto Jefferson, também denunciado por Andréa Bayão, já havia apontado o mensalão e a autenticidade da Lista de Furnas
14 DE FEVEREIRO DE 2016 ÀS 09:09
Rio 247 – Uma reportagem especial do jornalista Alfredo Mergulhão revela que a investigação sobre o chamado mensalão de Furnas, operado por Dimas Toledo, diretor indicado para a estatal pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), voltou praticamente à estaca zero.
A denúncia surgiu em 2005, quando o então deputado Roberto Jefferson, do PTB, delator do chamado 'mensalão', afirmou que havia um esquema semelhante em Furnas, que vinha desde o governo FHC.
O caso começou a ser investigado pelo Ministério Público Federal, quando a procuradora Andréa Bayão denunciou 11 pessoas à 2.ª Vara Federal Criminal do Rio, em 25 de janeiro de 2012, entre elas o ex-diretor Dimas Toledo.
Recentemente, Furnas voltou a frequentar o noticiário porque o diversos delatores citaram o senador Aécio como um dos responsáveis pelo esquema – primeiro, o doleiro Alberto Yousseff; depois, o lobista Fernando Moura.
No entanto, após a denúncia da procuradora, o juiz Roberto Dantes de Paula, da Justiça Federal no Rio, entendeu que a análise da denúncia competia à Justiça estadual, pelo fato de Furnas ser uma empresa de capital misto.
Isso fez com que o caso passasse para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que, quatro anos depois, não concluiu seu inquérito sobre o caso. 
"O caso ficou conhecido como "lista de Furnas" e envolvia políticos supostamente beneficiados com dinheiro desviado da estatal com sede no Rio. O esquema reproduzia o praticado no mensalão, segundo a procuradoria. A corrupção em Furnas foi citada nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, na Operação Lava Jato. Ambos apontam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como beneficiário de desvios. Ele nega", diz a reportagem de Alfredo Mergulhão.
Neste domingo, o repórter investigativo Joaquim de Carvalho também publicou um perfil completo sobre Dimas Toledo (confira aqui).

Nise da Silveira revolucionou a psiquiatria

NISE CHOCOU: RECUSOU-SE A DAR CHOQUE
Hoje é dia lembrar o nascimento da psiquiatra alagoana. Em vez de quilos de remédios e eletrochoques, ela preferiu dar tinta, pincel e barro aos pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente
Enciclopédia Nordeste: Biografia de Nise da Silveira - http://migre.me/dg0gA

Carta Maior

Fidel: LUTAR PELA PAZ É O DEVER MAIS SAGRADO DE TODOS OS SERES HUMANOS

LUTAR PELA PAZ É O DEVER MAIS SAGRADO DE TODOS OS SERES HUMANOS
Fidel Castro
Tristemente, quase todas as religiões tem tido que lamentar o feito destruidor das guerras e suas terríveis consequências. A essas tarefas tiveram que dedicar as maiores energias. A singular importância do encontro entre o Papa Francisco e patriarca Kirill em Havana suscitou a esperança dos povos do mundo.
A paz tem sido um sonho dourado da humanidade e anseio dos povos em cada momento da história. Milhares de armas nucleares pendem sobre as cabeças da humanidade. Impedir a mais brutal das guerras que pode desatar tem sido, sem dúvida, o objetivo fundamental do esforço dos líderes religiosos das igrejas dirigidas por homens como o Papa Francisco, sumo pontífice da Igreja Católica e o Patriarca Kirill, líder religioso de Moscou e toda a Rússia.
Lutar pela paz é o dever mais sagrado de todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas religiões ou país de nascimento, a cor da pele, a idade ou a juventude.

Vargas, Juscelino, Lula Artigo de Roberto Amaral

Vargas, Juscelino, Lula
Roberto Amaral
A característica certamente mais exemplar de nossa história é a conciliação. De cúpula sempre (ou seja, conciliação em nome da preservação dos interesses da classe dominante), impedindo a revolução (como tal entenda-se também a simples ameaça de emergência das massas) e retardando as reformas das mais simples às mais essenciais – todas, como meras reformas, pleiteadas conforme as regras do regime que não visavam a alterar.
Em todos os momentos graves, a ruptura – ainda quando uma exigência histórica – cedeu espaço à concordata pois o essencial foi sempre a conservação dos donos do poder no poder. Da Colônia ao Império, do Império à República, e até aqui.
Mas a opção pela conciliação não impediu que nossa história fosse, desde o Primeiro Reinado, juncada de irrupções militares, às vezes quase só motins, como aqueles que precederam (preparando-a) a Independência e a sucederam (consolidando-a), até a resignação do Imperador, de malas prontas para o cerco do Porto e a revolução liberal que, depondo D. Miguel, faria D. Maria, a rainha brasileira dos portugueses, subir ao trono.
No Segundo Império a preeminência militar senta praça após a infeliz guerra ao Paraguai, quando nossas forças de terra e mar alcançam algum grau de organização e profissionalismo/ profissionalização e, animadas pelas penosas vitórias nos campos de batalha, decidem exercer presença na política imperial.
Era propício o momento, com as seguidas crises dos seguidos gabinetes, as campanhas abolicionista e republicana e, no plano ideológico, o positivismo grassando na caserna e conquistando a jovem oficialidade. Assim, na formação histórica brasileira, temos duas linhas convergentes sob o fundo autoritário: a conciliação e a insurgência militar.
Mas na altura do II Reinado nada que sugerisse, nem de leve, o que seria a presença desestabilizadora dos militares na República. Se o marco inaugural foi a ‘parada militar’ do 15 de novembro, que derrubou o Império e viu a República consolidar-se com o golpe de Floriano, o ciclo se fecha com a conjuração do golpe de 1º de abril de 1964, que se afirmaria como uma ditadura de 20 anos.
Entre um polo e outro, de intentonas e sublevações seria rico o primeiro terço do século: o levante do Forte de Copacabana (1922), a insurgência paulista de Miguel Costa (1924) e a coluna Prestes (1924-1927) caracterizaram a República Velha, que morreria em 1930 com a irrupção civil-militar que passaria à história como Revolução de 30, hegemonizada pelos tenentes de 22 e 24, que comandariam as forças militares e permaneceriam no proscênio da política até a ditadura de 1964: Eduardo Gomes, Juarez Távora, Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel…
A Revolução de 1930 – que empossa Getúlio Vargas –, transforma-se na ditadura do Estado Novo em 1937, após sufocar um putsch integralista (1932) e um levante de militares comunistas comandados por Luís Carlos Prestes (1935). Os mesmos generais responsáveis pelo golpe de 1937 (à frente de todos os generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra) agora se levantam contra Vargas, e abrem caminho (1945) para a restauração democrática.
Inicia-se com um general, o ex-ministro da Guerra da ditadura, o general Dutra, o ciclo de presidentes eleitos pelo voto popular e de regimes democráticos que os mesmos militares sufocariam 18 anos passados.
Após uma sequência de golpes militares e tentativas de golpe – deposição e renúncia de Vargas (1954); tentativa de impedimento da posse de JK-Jango e contragolpe militar de Lott-Denis (1955), tentativa de impedir a posse de Jango (crise da renúncia de Jânio Quadros) e golpe parlamentarista (1961) – a estratégia da preeminência militar abandona as intentonas e as irrupções, para exercer um efetivo superpoder, pairando acima dos três poderes constitucionais, regendo a República sem depender da soberania popular ou submeter-se a qualquer regramento.
Foi o largo período dos pronunciamentos militares manifestando-se sobre a vida civil e interferindo na política. Naquele então o Clube Militar era uma instância suprema, na qual os destinos do País eram decididos. Naquele então, os militares se pronunciavam sobre tudo, até sobre os índices do salário-mínimo, e podiam exigir e obter a demissão do ministro do Trabalho que ousava favorecer os interesses dos trabalhadores.
Momento dos mais significativos dessa preeminência – ou do exercício desse poder paraconstitucional –, seria observado, no regime democrático, em 1954, com a ‘República do Galeão’, anunciando o que seriam os tempos da ditadura de 1964-1984.
Os fatos estão no registro da história. Em agosto de 1954, uma desastrada tentativa de assassinato de um jornalista (Carlos Lacerda) termina com a morte de seu guarda-costas, um major da aeronáutica (Rubens Vaz), da ativa, o que enseja a brigadeiros e coronéis da FAB instalarem um IPM – à revelia da Polícia Civil – e, sob o pretexto das investigações desse crime, instaurarem o que ficou batizado como a ‘República do Galeão’, em homenagem ao aeroporto carioca em cujas instalações militares os coronéis operavam, à margem da ordem legal.
E assim sem leis a observar, desconhecendo limites a obedecer, o comandante do inquérito, ou presidente dessa República autoconstituída dentro da República constitucional, tornou-se um reizinho absoluto, porque tudo podia, todas as diligências, todas as prisões, senhor que era de todas as jurisdições. Porque tinha o respaldo de seus superiores – fortalecidos em face da fragilidade crescente do governo e de seu chefe – e o aplauso da grande imprensa, que o incentivava.
Tudo queria, tudo podia e tudo alcançava porque seu objetivo, o objetivo do IPM e da ‘República’, não era apurar a morte do major guarda-costas, mas atingir, como afinal atingiria mortalmente, a honra do presidente Getúlio Vargas, alvo da mais injuriosa, da mais violenta campanha de imprensa jamais movida no Brasil contra um chefe de Estado.
A infâmia, a injúria e a difamação não conheciam limites, invadindo mesmo sua privacidade e a intimidade de sua família. Vargas, o homem, o presidente, o líder de massas era o objetivo da imprensa unanimemente hostil, a serviço da direita derrotada com sua eleição em 1950.
Destruí-lo era o desejo de uma oposição desvairada, era o projeto de militares sublevados e de setores ponderáveis da classe-média, conquistados para a razzia antivarguista pelas denúncias, jamais comprovadas, de um ‘mar de lama’ que correria pelos inexistentes porões do discreto e quase ascético Palácio do Catete.
Enterrado Vargas, empossados Café Filho (presidente), Eduardo Gomes (ministro da Aeronáutica) e Juarez Távora (ministro chefe da Casa Militar), encerraram-se os inquéritos e nem os militares, nem a imprensa, nem a antiga oposição voltam a falar em corrupção.
Em 1964, retornam os IPMs, os inquéritos comandados por coronéis, e a caça às bruxas, primeiro indiscriminadamente, em seguida de forma metódica, com alvo preciso, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Mas aí era um regime de exceção, uma ditadura.
Os inimigos do novo regime foram transformados, uns (pessoas e entidades, como os sindicatos) em subversivos, outros em corruptos, e porque eram inimigos do regime eram, necessariamente, aos olhos deste, subversivos ou corruptos. Antes de acusados eram condenados, pois a acusação era a justificativa da condenação prévia, e os acusados eram presos para que seus crimes fossem apurados, apurados para justificarem a condenação e a pena, já imputadas.
Juscelino era, nos primeiros anos do golpe militar, o único líder civil do regime anterior politicamente sobrevivente. Jango, Brizola e Arraes amargavam o exílio. Torna-se, assim, JK, o inimigo a ser abatido. Como não poderia ser acusado de subversivo, foi condenado como corrupto, pela imprensa e pelos militares, a imprensa repetindo o ditado dos militares, embora nada tivesse sido ou fosse apurado contra ele.
Condenado, foi chamado a depor duas ou mais vezes em inquéritos militares (pois a pena decretada era sua desmoralização pública) até que, ameaçado, temendo maiores humilhações e mesmo temendo por sua integridade física, optou pelo exílio. Os militares não falaram mais nos inquéritos abertos e a imprensa o ignorou até ser obrigada a registrar o pranto nacional em sua trágica morte.
A história não se repete, mas saltam aos olhos as semelhanças entre o ódio vítreo que se construiu contra Vargas e JK e este que a imprensa brasileira, quase em uníssono, destila, alimenta e propaga contra o ex-presidente Lula, açulando, não mais as Forças Armadas como antes, mas agora agentes policiais sem comando, procuradores sem limites e juiz na presidência de inédita jurisdição nacional.
A história não se repete. Mas o ex-presidente Lula já foi chamado a depor, na Polícia Federal, umas duas ou três vezes, e agora é intimado, com a mulher, a depor em inquérito aberto pelo Ministério Público paulista. Precisa explicar porque desistiu da compra de um tríplex em Guarujá e porque visitava um sítio em Atibaia, e porque incentivou a indústria automobilística quando o País precisava criar empregos.
Condenado sem sursis como corrupto pela imprensa – como Vargas e JK –, exposto à execração pública, decaído em seu prestígio, como agora, Lula – e eis o que se pretende – estará afastado das eleições de 2018, seja como candidato, seja como grande eleitor.
Condenação decretada, pena anunciada, procura-se uma narrativa: eis o propósito, a finalidade dos inquéritos abertos e a serem abertos. Trata-se de destruir o último grande líder popular brasileiro. E isso vale, aos olhos de seus algozes, todo e qualquer preço.
A burguesia regurgita o sapo barbudo que as massas a fizeram engolir nas últimas eleições.

Blog do Roberto Amaral, 15/02/2016

FRANCISCO E KIRIL DIALOGAM EM CUBA 15/02

FRANCISCO E KIRIL DIALOGAM EM CUBA
Frei Betto
Amanhã, em Havana, o papa Francisco se encontra com Kiril, patriarca de Moscou e de Todas as Rússias, considerado o papa da Igreja Ortodoxa Russa.
É a primeira vez, em 962 anos, que os chefes de ambas Igrejas cristãs dialogam desde 1054, quando houve o Grande Cisma da cristandade, que adveio do fato de as comunidades cristãs do Oriente não aceitarem a supremacia absoluta do bispo de Roma sobre as demais
Igrejas.
Por que Cuba como local do encontro? Kiril exigiu “território neutro”. Descartou sua própria nação e os países de tradição cristã, católica ou protestante. Em Cuba, apenas 5% da população de quase 12 milhões de habitantes se considera católica. Como na Bahia, o que predomina é o sincretismo que mescla a tradição cristã com religiões de origem africana.
Pesa também o fato de Kiril, em 2008, quando ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia da Igreja Ortodoxa Russa, ter sido recebido em Cuba por Fidel e Raúl Castro para a inauguração da catedral ortodoxa, financiada pelo governo cubano, e erguida em área nobre de Havana Velha, bairro histórico da capital cubana. Em 2004, o patriarca Bartolomeu I também foi recebido em Cuba.
Devido aos anos de estreita relação entre Cuba e União Soviética há, na Ilha, uma significativa comunidade ortodoxa de amplo espírito ecumênico. Por ocasião das comemorações dos 30 anos de lançamento de “Fidel e a religião”, ano passado, o líder da comunidade ortodoxa em Cuba se fez presente.
Estive três vezes na União Soviética, a convite da Igreja Ortodoxa Russa. Dialoguei com bispos, teólogos e sacerdotes. Percebi quão difícil seria a reaproximação entre Roma e Moscou. Os ortodoxos russos foram duramente perseguidos pelos revolucionários de 1917, que impuseram oficialmente ao país o “ateísmo científico”. Apesar disso, persistiu, e o sentimento nacionalista falou mais alto durante a Segunda Grande Guerra. Os ortodoxos apoiaram Stálin. Findo o conflito, o Kremlin passou a colaborar para que a Igreja Ortodoxa se tornasse a única instituição religiosa admitida em todas as repúblicas soviéticas, de modo a conter a expansão muçulmana e das demais Igrejas cristãs.
Derrubado o comunismo, e favorecida a liberdade religiosa, os ortodoxos se viram obrigados a dividir seu espaço com cristãos (católicos e protestantes) e outras denominações religiosas. Templos e mosteiros, expropriados pela Revolução, foram devolvidos. Em suma, o desaparecimento da União Soviética não mereceu louvores dos ortodoxos russos...
Além de questões doutrinárias, Roma e Moscou divergem quanto à política russa na Ucrânia. Putin e Kiril parecem sintonizados.
Outro motivo para Cuba sediar o encontro histórico entre Francisco e Kiril é a coincidência de agendas dos dois líderes religiosos em visita à América Latina. Francisco segue de Cuba para o México, onde fará visita de seis dias. Kiril virá ao Chile, Brasil e Paraguai.
Frei Betto é escritor, autor de “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco), entre outros livros.