terça-feira, 17 de maio de 2016

16/05/2016 - Clipping Internacional

16/05/2016 - Clipping Internacional

As panelas trocam de mãos. Entrevista na TV do presidente interino causa 'panelaços' em bairros de São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre.


Carta Maior
reprodução
Brasil
 
Pagina 12, Argentina
Ministros com suas mãos sujas: dos 23 membros do ministério de Temer, 7 estão processados ou investigados e 12 receberam doações de companhias envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobrás. Para o novo Ministro da Justiça os manifestantes atuam como “células guerrilheiras”. Esse o governo Temer.
http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-299438-2016-05-16.html
 
Temer convocou líderes de algumas centrais sindicais para lhes explicar as reformas trabalhista e previdenciária. Duas ainda não haviam respondido, inclusive a maior delas, a CUT tendendo a não comparecer.

http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-29943.9-2016-05-16.html
 
La Jornada, Mexico
Manifestantes ao grito de “golpistas, fascistas”, manifestações pedem a volta de Dilma nas ruas.
http://www.jornada.unam.mx/ultimas/2016/05/15/golpistas-fascistas-manifestacion-pide-regreso-de-rousseff
 
El Pais, Espanha
O programa Bolsa Família e seus resultados. O subsídio que beneficia 13 milhões de famílias pobres entra no jogo político com o atual governo Temer querendo reduzi-lo por ser uma bandeira do PT desalojado, por ora, do poder.
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/05/14/america/1463256367_499083.html
 
A crise brasileira: O PT está resignado a passar para uma oposição traumática. Membros do partido acreditam que é preciso reconectar-se “às ruas”.
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/05/14/actualidad/1463246172_451164.html
 
The Wall Street Journal, EUA
Entrevista com Michel Temer
http://www.wsj.com/articles/brazils-temer-says-he-aims-to-create-jobs-unify-country-1463395686
 
La Nación, Argentina
Temer quer que sua esposa assuma um posto na área social do governo.
http://www.lanacion.com.ar/1899242-crisis-brasil-michel-marcela-temer-gobierno
 
El Espectador, Colômbia
Advogado de Dilma Rousseff afirma que houve um golpe “sem armas” contra ela. Entrevista com José Eduardo Cardoza
http://www.elespectador.com/noticias/elmundo/abogado-de-dilma-rousseff-un-golpe-sin-armas-articulo-632467
 
Deutsche Welle, Brasil
Mulheres lideram protesto contra Temer na Av. Paulista
http://www.dw.com/pt/mulheres-lideram-protesto-contra-temer-em-s%C3%A3o-paulo/a-19259764
 
A redução de ministérios traz apenas um impacto simbólico e de pouca monta na redução de gastos. Mas gera temor de empresários e crítica de ativistas de direitos humanos e outros.
http://www.dw.com/pt/os-impactos-do-corte-de-minist%C3%A9rios-de-temer/a-19256947
 
Diz jornalista alemão do Die Zeit que os velhos tempos estão de volta. Um ministério sem mulheres e negros é uma opção apenas estúpida ou desesperada?
http://www.dw.com/pt/os-velhos-tempos-est%C3%A3o-de-volta-no-brasil-diz-jornalista-alem%C3%A3o/a-19258628
 
HuffPost Brasil
Eduardo Cunha, mesmo afastado da Câmara, continua mandando
http://www.brasilpost.com.br/2016/05/13/cunha-manda-camara_n_9959430.html?utm_hp_ref=brazil
 
Entrevista de Temer na televisão provoca panelaço em muitas das grandes cidades brasileiras
http://www.brasilpost.com.br/2016/05/15/temer-fantastico_n_9987098.html?utm_hp_ref=brazil
 
Manifestantes em grande número, com mulheres à frente, protestam contra Temer na Av. Paulista
http://www.brasilpost.com.br/2016/05/15/mulheres-contra-temer-manifestacao_n_9986034.html?utm_hp_ref=brazil
 
El País, Brasil
Na opinião de Claudio Frischtak, um crítico de Dilma, “o governo Temer vai precisar de um programa emergencial de emprego” e aproveitar de uma recuperação já iniciada.
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/05/economia/1462471981_030228.html



As panelas trocam de mãos. Entrevista na TV do presidente interino, Michel Temer, causa 'panelaços' em bairros de São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/16/politica/1463365808_949522.html
 
Era uma vez um país chamado Brasil. A investigação na Petrobras fez algo impensável: levar para o banco dos réus e para a cadeia as elites políticas e econômicas do país. O escândalo manchou o Partido dos Trabalhadores e criou a oportunidade perfeita para justificar o impeachment
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/15/opinion/1463331141_358555.html
 
Mercado financeiro cobra ações por parte de Temer.
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/12/economia/1463045473_120850.html



BBC, Brasil
As polêmicas que marcaram os primeiros quatro dias de Temer.
http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/05/160512_polemica_temer_lgb


Créditos da foto: reprodução

New York Times: Congresso brasileiro é circo que tem até seu próprio palhaço

New York Times: Congresso brasileiro é circo que tem até seu próprio palhaço

Matéria do New York Times expõe os meandros do golpe para o público internacional e diz que o PMDB 'se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil'


New York Times (via UOL)
reprodução
Um dos espetáculos há mais tempo em exibição no Brasil conta com um número desconcertante de personagens cuja teatralidade aparece em milhões de televisores quase toda noite.
O elenco em constante mudança de 594 integrantes e inclui suspeitos de homicídio e tráfico de drogas, ex-jogadores de futebol, um campeão de judô, um astro sertanejo e uma coleção de homens barbados que adotaram papéis como líderes do movimento das mulheres.

O elenco até mesmo inclui um palhaço cujo nome significa "Zangado".

Mas eles não são atores. Eles são os homens e mulheres que servem no Congresso nacional.


A democracia pode causar perplexidade e confusão, mas no mundo há pouco que se iguala ao Congresso brasileiro.

Enquanto a nação enfrenta sua pior crise política em uma geração, os legisladores que orquestraram a remoção da presidente Dilma Rousseff (que foi suspensa na quinta-feira e enfrenta um processo de impeachment sob acusação de manipulação do orçamento) estão sob novo escrutínio.

Mais da metade dos membros do Congresso enfrenta processos na Justiça, de casos envolvendo auditoria de contratos públicos até crimes sérios como sequestro ou homicídio, segundo o Transparência Brasil, um grupo que monitora a corrupção.

As figuras sob investigação incluem o presidente do Senado e o novo presidente da Câmara. Neste mês, o presidente anterior da Câmara, um comentarista de rádio evangélica que gosta de postar versos bíblicos no Twitter, foi afastado para ser julgado pela acusação de esconder até US$ 40 milhões em propinas em contas bancárias na Suíça.

Muitos dos problemas do Legislativo derivam das generosas recompensas proporcionadas pelo sistema partidário brasileiro de múltiplas cabeças como de uma hidra, uma coleção desajeitada de dezenas de partidos políticos cujos nomes e agendas com frequência deixam os brasileiros coçando suas cabeças.

Há o Partido da Mulher Brasileira, por exemplo, um grupo cujos membros eleitos no Congresso são todos homens.

"O processo eleitoral permite muitas distorções", disse Suêd Haidar, a fundadora e presidente do partido. Ela suspirou, reconhecendo que muitos dos homens que ingressam têm pouco interesse em promover os direitos da mulher.

Um dos que se juntaram ao partido, o senador Hélio José da Silva Lima, foi acusado de abusar sexualmente de uma sobrinha menor de idade no ano passado, apesar das acusações terem sido posteriormente retiradas. "O que seria de nós, homens, se não fosse uma mulher ao nosso lado para nos trazer alegria e prazer?" ele foi citado como tendo dito à imprensa brasileira, quando perguntado sobre sua decisão de ingressar no partido das mulheres.

A mesma fúria pública com a corrupção endêmica e má gestão governamental que ajudou a retirar Dilma Rousseff do poder há muito é direcionado à cabala de políticos, a maioria homens brancos, cuja inclinação por acordos escusos e enriquecimento próprio já faz parte do folclore brasileiro.

"A reputação da classe política no Brasil realmente não tem como piorar", disse Timothy J. Power, um professor de estudos brasileiros da Universidade de Oxford.

"As pessoas comparam o Legislativo à 'House of Cards'", ele disse, referindo-se à série política da Netflix, "mas eu discordo. 'House of Cards' é, na verdade, muito mais crível".

Com 28 partidos ocupando cadeiras, o Congresso brasileiro é o mais dividido do mundo, segundo Power. O que fica em segundo lugar, o da Indonésia, tem um terço a menos de partidos.

"O Brasil não é atípico, é uma aberração", disse Gregory Michener, diretor do programa de transparência pública da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade no Rio de Janeiro.

Pesquisas mostram que mais de 70% dos brasileiros não conseguem se recordar a qual partido os candidatos que elegeram pertencem, e que dois terços do eleitorado não têm preferência por qualquer partido.

Mais importante, dizem os especialistas, é que a maioria dos partidos não abraça nenhuma ideologia ou agenda, e são simplesmente veículos para clientelismo e propina. Em um mandato típico de quatro anos, um entre três legisladores federais trocará de partido, alguns mais de uma vez, segundo um levantamento por Marcus André Melo, um cientista político da Universidade Federal de Pernambuco.

Os legisladores brasileiros estão entre aqueles com remuneração mais alta do mundo, dizem estudiosos, com quantias que vão além do salário mensal. Eles também recebem moradia e atendimento de saúde gratuitos, verbas para um grande número de funcionários de gabinete e foro privilegiado em caso de processos. Apenas o sobrecarregado Supremo Tribunal Federal pode julgá-los em processos criminais, algo que pode levar anos.

"A única coisa melhor do que ser um partido político no Brasil é ser uma igreja", disse Heni Ozi Cukier, um cientista política da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. "São oportunistas à procura de algo que lhes dê poder, influência e proteção."

Formar um partido requer a coleta de 500 mil assinaturas. Cukier disse que 62 partidos estão à procura de reconhecimento oficial, inclusive um que leva o nome de um time de futebol.

Apesar do presidente do Brasil liderar um dos maiores países do mundo, ele ou ela deve formar coalizões com até uma dúzia de partidos para conseguir que legislações sejam aprovadas no Congresso. O preço da lealdade com frequência é uma cadeira de ministro, ou três, dependendo de quantos votos o partido puder oferecer.

Em alguns casos, a cooperação envolve a troca ilícita de dinheiro. Em 2005, um escândalo conhecido como mensalão revelou o quanto esses arranjos eram comuns. Para obter votos no Congresso, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mentor de Dilma Rousseff e porta-bandeira do Partido dos Trabalhadores, pagava aos legisladores obedientes um valor mensal equivalente a US$ 12 mil.

O mais recente escândalo de corrupção, conhecido como Operação Lava Jato, provou ser ainda maior, com bilhões de dólares em propinas destinados a partidos políticos pela companhia estatal de petróleo, a Petrobras. Mais de 200 pessoas, de magnatas empresariais a líderes partidários, foram implicados no escândalo, e a expectativa é de que o número deles crescerá.

O furor público com o esquema teve papel chave na remoção de Dilma Rousseff, que foi diretora da Petrobras quando o arranjo de propina foi armado, apesar de ela não ter sido acusada diretamente de qualquer crime. Em seu julgamento de impeachment, ela é acusada de uma manipulação orçamentária, em um esforço para esconder os problemas econômicos do Brasil e vencer a reeleição em 2014, não de roubar para enriquecer a si mesma.

A necessidade de formação de alianças de conveniência no Congresso pode levar ao caos legislativo, especialmente quando partidos descontentes abandonam a coalizão do presidente. Dilma Rousseff, que antes contava com ampla maioria na Câmara, acabou abatida pelo agora deposto presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um ex-aliado que enfrenta julgamento por corrupção.

O partido de Cunha, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil. Os críticos dizem que o partido, fundado há cinco décadas como partido de oposição, mas tolerado pela ditadura militar do Brasil, se tornou um vasto canal de clientelismo para seus membros, que abraçam um amplo espectro de ideologias.

O trunfo do partido é seu tamanho, o que significa que os presidentes precisam entrar em acordo com ele, o que envolve a concessão de cargos ministeriais cobiçados. Dilma Rousseff escolheu Michel Temer do PMDB para ser seu vice-presidente. Neste ano, ele se voltou contra ela e retirou seu partido da coalizão, abrindo caminho para o processo de impeachment de Dilma. Temer, que já foi condenado por violar os limites de financiamento de campanha, agora é o presidente do país.

A reforma política pode ser difícil, já que os legisladores teriam que aprovar o fim do sistema que os protege. Ocorreram algumas mudanças, incluindo uma lei recente que impede que candidatos cassados ou com condenação concorram a qualquer cargo eletivo por até oito anos, e uma lei de financiamento de campanha, que deverá entrar em vigor neste ano, que limita a influência de dinheiro de empresas.

O grande número de partidos no Brasil tende a favorecer celebridades, cujo reconhecimento do nome ajuda a fazer com que se destaquem nas campanhas eleitorais. O exemplo mais curioso é o do palhaço Tiririca.

Em 2010, ele concorreu à Câmara dos Deputados com o slogan "Pior que tá não fica", e sua literatura de campanha incluía "Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto".

Ele acabou obtendo mais de 1,3 milhão de votos, quase o dobro do segundo candidato mais votado.

Em uma entrevista, Tiririca, cujo nome real é Francisco Everardo Oliveira Silva, apesar de deputado Tiririca ser o nome no site da Câmara, disse ficar com frequência decepcionado com a desordem no Congresso.

"No início era uma piada", ele disse sobre sua candidatura. "Então decidi que, se tantas pessoas acreditam em mim, eu teria que dar meu melhor, e é o que estou fazendo."


Créditos da foto: reprodução
 
 
 
 
VERGONHA!

Patota do Chefe do Golpe avança com muita sede ao pote

Patota do Chefe do Golpe avança com muita sede ao pote

Como golpista que é Temer não está nem aí em matéria de respeitar a legalidade e acima de tudo quer contentar quem o apóia.


Mário Augusto Jakobskind
Lula Marques





O governo de Michel Temer tem agido visivelmente com muita sede ao pote. Tanto o presidente golpista como seus ministros estão querendo fazer tudo o mais rápido possível. Contam para isso com o apoio da mídia conservadora, o que nunca ninguém duvidou, até porque o golpe, designação que tanto está a enfurecer o Ministro José Serra, teve participação ativa do setor de comunicação defensor do deus mercado.

 

A propósito da área de comunicação, o jornal O Globo e outros veículos já anunciam a próxima nomeação para a presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) do jornalista Laerte Rimoli. Se tal fato se confirmar, o governo Temer estará passando por cima da legislação, já que o atual presidente, o jornalista Ricardo Melo tinha sido nomeado para o cargo pela Presidenta Dilma Rousseff no último dia 3 de maio para um mandato de quatro anos, conforme estabelece a lei 11.652/2008, que autorizou a criação da EBC.


 

Como golpista que é Temer não está nem aí em matéria de respeitar a legalidade e acima de tudo quer contentar quem o apóia. Possivelmente não perdoa a TV Brasil, uma das mídias da EBC, por ter a emissora nos últimos tempos dado voz e vez a setores que a mídia comercial conservadora ignora ou criminaliza.

 

Como se não bastasse a flagrante ilegalidade que acontecerá com a anunciada nomeação de Rimoli, a figura do jornalista também gera controvérsias. O poderoso chefão do golpe, Michel Temer, agora acompanhado do seu Ministro da Justiça Alexandre de Moraes, o tal que reprime adolescentes sem o menor constrangimento, apregoa aos quatro cantos que o governo tem compromisso com o combate a corrupção e não vai abrir mão disso.

 

Então vale uma pergunta que não quer calar: por que nomear exatamente Laerte Rimoli, condenado por unanimidade pelo plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) por envolvimento em atos de corrupção?

 

Vale lembrar um fato escondido no baú do tempo. Em 2005, baseado em auditorias, Rimoli foi um dos quatro servidores condenados a ressarcir aos cofres públicos o valor de 179 mil reais devido a pagamentos irregulares realizados quando o jornalista era um dos assessores de imprensa do então Ministério do Turismo e Esporte, no segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso, no período entre julho e dezembro de 2002. O titular do Ministério era um tal de Caio Cibella de Carvalho. Rimoli se defende dizendo que “é jornalista e não burocrata”, o que não justifica o que cometeu e foi condenado pelo TCU.

 

Mas aí o TCU concedeu-lhe o benefício de pagar a multa em 36 parcelas, ou seja, em prestações mensais de pouco menos cinco mil reais.

 

O tempo passou, Rimoli continuou exercendo suas atividades jornalísticas, tanto na TV Globo, como na revista Veja, na direção da rádio CBN, na assessoria parlamentar do PSDB e mais recentemente na função de diretor de comunicação da Câmara dos Deputados, na gestão do meliante Eduardo Cunha. Além disso, Rimoli assessorou as campanhas presidenciais de Aécio Neves e anteriormente de Geraldo Alckmin em 2006.

 

É uma carreira “brilhante”, para nenhum tucano ou peemedebista botar defeito. Em Brasília, a voz dos corredores comenta que a anunciada indicação de Rimoli para a presidência da EBC seria uma indicação de Claudia Cunha, a esposa do meliante Eduardo. Claudia trabalhou com Rimoli na TV Globo.

 

Laerte Rimoli tem nos últimos tempos feito um feroz combate ao “lulopetismo”, por considerá-lo como um bloco corrupto etc e tal.

 

Para se ter uma ideia do que espalha por aí, em resposta a críticas que remetem muito naturalmente ao seu passado, Laerte Rimoli respondeu o seguinte: “eles têm nojo dos roubos da era FHC, mas aplaudem, com entusiasmo, a corrupção patrocinada por Lula, Dilma e o PT. E brigam pela manutenção da gangue no poder”.

 

Trocando em miúdos, o jornalista Laerte Rimoli, a ser nomeado de forma ilegal para a presidência da EBC, não surpreende em seus comentários. Apenas repete os argumentos que de um modo geral os colunistas de sempre da mídia conservadora, defensores incondicionais do golpe ocorrido, comentam e que setores da classe média também repetem a granel.

 

E assim caminha o governo interino, do chefe do golpe, Michel Temer, nas palavras de Ciro Gomes.



Outra pergunta que não quer calar: diante de todos os fatos relacionados com Laerte Rimoli, será que Temer manterá a nomeação já anunciada por O Globo do atual protegido do meliante Eduardo Cunha?

 

Em tempo: é sintomático o posicionamento do Ministro do Exterior José Serra contra governos da América Latina que criticam o golpe institucional no Brasil. Serra se insurge contra uma verdade e está colocando as mangas de fora muito rapidamente. Sua nomeação para o cargo não foi à toa. O site WikiLeaks que o diga.

 

E a mídia conservadora mais uma vez ignorou solenemente a denúncia do site WikiLeaks segundo a qual Michel Temer era de janeiro a julho de 2006, informante da embaixada norte-americana.


Créditos da foto: Lula Marques

O golpe, os golpistas e as metáforas perigosas

O golpe, os golpistas e as metáforas perigosas

Com o golpe, o Brasil perdeu todo o prestígio internacional que acumulara nos últimos tempos. E a Globo, como co-patrocinadora do golpe, foi junto.


Flavio Aguiar, de Berlim
Mídia Ninja
Chamou a atenção a cara de desolação com que as comentaristas presentes na Globo News receberam a fala de Jorge Pontual, desde Nova Iorque, sobre a péssima recepção inicial do governo Temer na mídia internacional.
 
Em outra oportunidade, chamou a atenção também a reação ressentida de comentaristas da Globo a editorial do New York Times criticando o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Uma das comentaristas chamou de doideira ou palavra semelhante. Sinal de o golpe foi duro. O New York Times é considerado um jornal modelar por grande parte do mundo leitor e jornalistas do mundo inteiro. Ou seja, a Globo acusou o golpe - não o que ajudou a patrocinar contra Dilma, mas o que recebeu no fígado.
 
Acontece que a Globo cometeu um harakiri moral. Como a paciente continua viva, o harakiri deixa de ser um suicídio e se torna muito mais uma auto-mutilação. Com o golpe, o Brasil perdeu todo o prestígio internacional que acumulara nos últimos tempos. E a Globo, como co-patrocinadora e ainda com a insistência em dizer que o golpe não é golpe, foi junto. Até o momento a narrativa de que o golpe não é golpe, bem como o status dos golpistas, são vistos com reações que variam do ceticismo à denúncia. A automutilação provoca uma sensível fuga da realidade e um lastro de irritação constante a cada vez que a realidade volta à tona. Esta negação programada e compulsiva precisa do reconhecimento dos outros para se afirmar dentro do próprio paciente. A não concordância dos demais deixa o paciente desarmado, e a única reação possível, já que a volta atrás é percebida histericamente como uma desmoralização - e é - é a repetição da negativa em decibéis mais altos. É preciso muita grandeza em matéria de jornalismo para fazer o que o Le Monde fez: depois de uma cobertura inicial reproduzindo a narrativa golpista de que o golpe não era golpe, voltou atrás e pediu desculpas aos leitores por não dar as informações completas, isto é, de que o assunto era, no mínimo, controverso. Mas quem nasceu para Rede Gobo jamais chegará a Le Monde ou New York Times. Seu limite é a antiga Tribuna da Imprensa lacerdista.
 
Mas há ainda mais curiosidades a explorar nesta seara das coberturas do golpe. Folha de S. Paulo e Estadão deram exemplo curioso, porque desavisado, de como os feitiços, sem bem olhados, podem se voltar contra os feiticeiros. Quiseram ambos desmoralizar a presidenta Dilma Rousseff com a construção de metáforas fotográficas de seu “fim”. A primeira publicou, na primeira página, uma série de fotos da presidenta sendo incomodada por uma mosca. O segundo publicou, também na primeira página, uma foto do rosto da presidenta envolto em chamas, que provinham da pira olímpica recém acesa.

 
A construção de uma metáfora sobre um alvo revela tanto o que o construtor pensa sobre aquele, quanto o que este deixa, no mais das vezes inadvertidamente, escapar sobre si mesmo ou sobre seu ponto de vista. Imagino o halo de satisfação eivada de sarcasmo, desdém e arrogância que devem ter feito parte da reação de todos os envolvidos: do fotógrafo pusilânime, ao leitor sádico que se compraz com tal “ofensa”, passando, naturalmente, pelo editor da primeira página, o redator-chefe, os editorialistas, os donos do jornal, etc. “Agora assim acabamos com esta…” - deixo a palavra seguinte para ser imaginada pelas leitoras e leitores.
 
Porém as metáforas podem ter um insuspeito efeito bumerangue.
 
No primeiro caso, o da mosca, a série de fotos se tornou uma poderosa extensão da imagem - também já desenhada - que mostra a presidenta sendo atacada por um bando desordenado de ratazanas. Aliás, esta é uma imagem que foi explorada também em relação à “invasão” do Palácio do Planalto pelos usurpadores: um bando de ratos. A mosca reforça uma atribuição moral para o ataque que se faz à presidência: os atacantes têm a dimensão de insetos. Além de roedores, podem ser nocivos à saúde… Acho que esta dimensão subliminar da metáfora passou desapercebida aos seus construtores, pois fica no ponto cego de sua identidade.
 
O segundo caso, o da fogueira, é mais complexo, pois denota uma ignorância mais profunda sobre o universo metafórico e suas possíveis consequências. Aquela da mosca tem a dimensão de uma maldade travessa e infantil. A da fogueira carrega consigo uma intenção simbolicamente assassina. Mas sem querer os perpetradores deste “assassinato” promoveram a imagem da presidenta atingida à condição de Joana d’Arc, e vestiram a toga - ou o hábito dos inquisidores. Desvelaram-se e desvelaram algo sobre o julgamento efetuado: uma falcatrua do ponto de vista jurídico para abrir as portas para um crime político, condenando a inocente à fogueira e consagrando a fúria roedora dos diminutos (moralmente) algozes como vencedora. Uma das fotos seguintes deste ágape da malignidade, divulgada e comentada internacionalmente, simplesmente coroou esta sequência de burrices metafóricas: aquela da posse de Miguel Temer cercado pelos varões assinalados por seus ternos pretos (luto e símbolo da opacidade, no caso, machista, imperceptível aos que assim procediam). Ou seja, a foto da fogueira consagrou a presidenta com o manto histórico e simbólico do martírio, enquanto consagrava seus construtores como arautos da ignominia político-jurídica e da burrice jornalística, simultaneamente.
 
Com todas estas manifestações que têm tanto de planejamento quanto de insanidade, esta mídia conseguiu registrar a devolução da presidenta a seu povo. É verdade que a presidenta se afastara, no mínimo em termos de imagem, do povo que a elegera, com a adoção, no segundo mandato, de medidas dignas da austeridade que atualmente devasta a Europa sob a alegação de “cura-la”. E o que se viu desde o começo do iníquo processo de impeachment foi o seu retorno aos braços de onde não deveria ter saído.
 
As metáforas são facas de muito gumes, para tomar de empréstimo outra, de autoria de um amigo meu. Usa-las, como viver, é muito perigoso, pois assim como as usamos, elas podem nos deixar nus em plena rua, ou na banca de jornais, neste caso. Decididamente, não é brinquedo para principiantes. Muito menos para ignorantes.
Créditos da foto: Mídia Ninja