quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Estão abertas as inscrições para o 22º Curso Anual do NPC

‪#‎CursoAnualNPC‬
22º CURSO ANUAL DO NPC: INSCRIÇÕES ABERTAS!
22CursoAnual
O 22º Curso Anual do NPC acontecerá nos dias 16, 17, 18 e 19 de novembro de 2016. O valor permanecerá o mesmo do ano passado: R$ 1490,00 com hospedagem e R$ 890,00 sem hospedagem.
As inscrições já estão abertas. Solicite sua ficha pelo e-mail npiratininga@piratininga.org.br. Até 25 de agosto as inscrições têm 10% de desconto. Sua hospedagem está garantida do dia 16 às 12h até o dia 20 às 12h.
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Mais informações entre em contato pelo telefone (21) 2220-5618 / 2220-4895
Sobre o Curso Anual do NPC. Ele começa em 1994, em São Paulo, com um público de aproximadamente 30 pessoas. Hoje, ele acontece no centro do Rio de Janeiro e já está em sua 21ª edição, com cerca de 300 participantes e reúne diversos dirigentes sindicais, jornalistas, pesquisadores e estudantes de todo o Brasil. Clique aqui e veja as edições anteriores do Curso Anual do NPC.

Uma Olimpíada na minha vida

09/08/2016 11:32 - Copyleft

Uma Olimpíada na minha vida

É essencial torcer também pela luta do dia-a-dia que impulsiona a maioria da população brasileira em uma corrida por casa, saúde e educação de qualidade.


Jorge Luiz Souto Maior
Roberto Castro/ Brasil2016
Até onde minha memória alcança sempre fui um esportista. Jogo bola “desde sempre” e até os 21 anos me arrisquei em diversas modalidades. Mesmo sem a mínima condição técnica e física, claro que sonhava em participar de uma Olimpíada e assistia a cada evento dos jogos como se fosse o último. Fiquei verdadeiramente fascinado com inúmeras performances e situações. Para citar apenas alguns poucos exemplos que me marcaram: João do Pulo (1976-1980), Nadia Comaneci (1976), Carl Lewis (1984), Joaquim Cruz (1984-1988), Gabrielle Anderson (última colocada na maratona – 1984), Ben Johnson (1988, que tempos depois foi pego no antidoping), Dream Team (1992), seleção brasileira masculina de Vôlei (1992-2004), Javier Sotomayor (1992), Gustavo Borges (1992-1996), Jacqueline Silva e Sandra Pires (1996), Fernando Meligeni (1996), 4x100 no atletismo masculino (2000), Adriana Behar e Shelda (2000 e 2004), Vanderlei Cordeiro de Lima (2004), Michael Phelps (2004), César Cielo (2008), seleção brasileira feminina de Vôlei (2008-2012); Usain Bolt (2008) etc.
 
Mais recentemente acompanhei a trajetória de alguns atletas e treinadores brasileiros, que hoje estão compondo a equipe de natação, e bem sei da seriedade e da intensa dedicação dessas pessoas, como dos demais atletas e profissionais envolvidos, o que me obriga a torcer pelo seu bom desempenho.
 
Queria, então, falar apenas desse sentimento romântico que as Olimpíadas proporcionam. 
 
Mas quando o evento se colocou mais próximo, o imaginário cedeu lugar à realidade concreta, pois um dos maiores efeitos dos megaeventos é o de nos mostrar, de forma mais evidenciada, a realidade que nos cerca lentamente. E, no real, o evento está carregado de situações que exigem a contenção dos nossos delírios. 





 
Lembrem-se, por exemplo, das remoções ilegais e absurdas ocorridas na Vila Autódromo; dos 11 trabalhadores mortos nas obras; das péssimas condições de trabalho, muitas análogas às de escravo, a que foram submetidos milhares de trabalhadores; das relações promíscuas que geram desvio indevido de verbas públicas; do superfaturamento e das obras inacabadas.
 
Queria, também, só falar bem da festa de abertura das Olimpíadas no Rio, porque, afinal, foi mesmo lindíssima de se ver, abalando, inclusive, o nosso dito “complexo de vira-lata”, conforme expressão atribuída a Nelson Rodrigues.
 
A festa se amoldou ao denominado “espírito olímpico” e efetivamente comoveu. É que, bem ao contrário do que se dá em uma Copa do Mundo de futebol, que serve unicamente aos interesses particulares da Fifa e seus aliados, as Olimpíadas possuem a força estranha de arrancar a fórceps o que há de melhor nas pessoas e instituições.
 
O aspecto verdadeiramente fulminante do esporte olímpico é que ele nos faz perceber como seres humanos, cuja existência só tem sentido na correlação saudável e honesta com outros seres humanos. É por isso que o “mundo olímpico” precisa estimular a igualdade de condições, até para que as vitórias tenham sabor. Vitórias que, ademais, não representam um aniquilamento do outro, mas uma superação dos próprios limites estimulada exatamente pelas “ameaças” do “adversário”.
 
As Olimpíadas, ademais, não são só magia, pois apesar de se juntarem países com diversos problemas em um mesmo local, onde problemas não faltam, ainda se consegue realizar um grandioso evento em que as coisas dão certo e chegam a emocionar.
 
Uma Olimpíada, além disso, nos faz pensar para além das fronteiras que foram criadas para a satisfação de interesses econômicos e nos força a estabelecer senso crítico de uma realidade hostil à condição humana, marcada por guerras, ganância, concorrência, individualismo, intolerância e xenofobia.
 
Isso explica, aliás, o desconforto daquele cujo nome não pode ser dito (e não foi) na festa de abertura, na medida em que sua presença representava exatamente tudo aquilo que quebra o espírito olímpico, afinal sua “vitória” (momentânea) foi fruto do desrespeito às regras do jogo.
 
Na linha do bom astral, sobre a festa de abertura queria apenas destacar que o evento, tendo sido obrigado a retratar uma pequena parte (devido a limitação de tempo) do que a cultura brasileira produziu de melhor, especialmente na música, não foi apenas um espetáculo muito bonito, como também se prestou a ser revelador da inconsistência de, na política, se ter dado voz e vez a um sentimento que reverbera o que de pior o sentimento humano pode produzir, conforme se verifica nas falas dos reacionários de direita que, diante do cenário político favorável, hoje se põem de plantão e encontram lugar na grande mídia.
 
Para verificar o despropósito dessa ameaça de retrocesso, aproveitemos do espírito olímpico e imaginemos como seria uma festa de apresentação realizada por essas pessoas. Fariam um “espetáculo” passando a versão histórica machista, branca, homofóbica e xenófoba dos senhores de escravos, dos oligarcas, dos reacionários de cada período e dos opressores e ditadores, repercutindo, inclusive, o interesse das grandes corporações. Pregariam o fim da diversidade, a expulsão dos estrangeiros, a supressão da liberdade de expressão e buscariam as razões para justificar a escravidão, a desigualdade, as diversas formas de opressão, a eliminação de direitos trabalhistas e a violência policial contra os movimentos sociais, fazendo loas, inclusive, às teorias raciais. Seria grotesco, mas, enfim, é isso que muita gente, muitos sem perceber, tem defendido, e um megaevento exaltando tais “valores” seria uma “bela” oportunidade para se perceber o absurdo da pregação reacionária.
 
Um tal evento evidenciaria, ainda, a contradição entre o reacionarismo e os desafios que se impõem à elevação da condição humana, afinal, o esporte Olímpico, buscando extrair o que há de melhor nos seres humanos, exige uma postura que, embora não seja assumidamente de esquerda, é, ao menos, de tolerância, de estímulo à diversidade, de unidade, de solidariedade e da soma de esforços em atuação coletiva para a construção de um mundo melhor. Vide, a propósito, o comovente acolhimento dado aos refugiados pelos organizadores e pelo público na abertura do evento.
 
O espetáculo da abertura talvez por esse aspecto tenha incomodado tanta gente que se tornou meio insensível nos últimos meses e que tem se dedicado a torcer para que o Brasil não dê certo.
De todo modo, a tentação audiovisual da festa não pode conduzir a um otimismo exagerado e, portanto, não é possível parar nos elogios. Na linha de uma crítica exigente, seria necessário dizer que faltaram na festa Noel e Pixinguinha. Além disso, não foram convidados Machado de Assis, Drummond e Graciliano Ramos, assim como não se abriu espaço para Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes e com isso não se retratou a dizimação dos índios e o sofrimento dos escravos e dos excluídos em geral, fazendo crer que a nossa história não é marcada por diversas formas de opressão, violência, submissão e exploração.
 
Reconheço que, em se tratando de uma festa, talvez não fosse mesmo o momento de expor abertamente essa autocrítica. No entanto, como tanta referência se fez aos voluntários, cabia ao menos um agradecimento aos trabalhadores que realizaram as obras para os jogos, assim como seria de bom tom um pedido de desculpas às vítimas das remoções ilegais e aos milhões que, por razões econômicas, foram impedidos de se integrarem aos jogos.
 
Além disso, foi completamente despropositado tentar convencer a população mundial de que o plantio de árvores representa um autêntico legado da Olimpíada, como se os problemas culturais, sociais, políticos e econômicos do país e do capitalismo não se tivessem reproduzido na preparação para o evento e como se todos esses problemas pudessem ser resolvidos por meio de uma postura voluntarista de plantar árvores. 
 
Mas as Olimpíadas lançam, como dito, uma força estranha no ar. Estimulam sentimentos generosos e esperançosos, sobretudo pela oportunidade de convívio maior com a diversidade cultural. Na última sexta-feira tive a chance de dar a mão para alguns atletas chineses e desejar-lhes boa sorte e isso me fez muito bem.
 
Desse modo, vou assistir tudo o que conseguir e vou torcer, e muito, para as atletas e os atletas brasileiros, até porque estes, na sua maioria, replicam a história cotidiana da nossa população. Os abnegados atletas brasileiros, que também chacoalham em trens da Central, lutam contra o abandono, a descrença, a desigualdade, a discriminação, o preconceito e a exploração, e ainda assim não se entregam não, embora, por conta de uma deficiência educacional institucionalizada, muitas vezes não demonstram ter o conhecimento de outras boas razões pelas quais poderiam lutar e que por isso, muitas vezes, depois de tantas batalhas a lama nos sapatos é a medalha que têm para mostrar.
 
Também torcerei, sinceramente, para que tudo dê certo em termos de organização, até para que se afaste de vez a urucubaca dos pessimistas, que tentam provar a todo instante que nada de bom ocorre do lado de baixo do equador, mas sem deixar de consignar a crítica de que a preparação para as Olimpíadas, desde que anunciado o seu destino em 2009, foi uma grande oportunidade perdida para se uma implementar uma política pública eficiente de integração da educação com o esporte e com isso perdemos grandes talentos no esporte e na vida.
 
Bom, você que está me escutando, é mesmo com você que estou falando agora. O negócio é o seguinte, queira-se, ou não, somos uma sociedade de anjos tortos, onde, apesar de todas as mutilações na consciência e onde pais se colocam contra mães por questões de sobrevivência, o ser humano vinga e, assim, mesmo com tantos problemas, ainda temos belíssimas histórias de luta para contar: Quilombos; Conjuração Baiana, ou Conspiração dos Alfaiates (1798); Revolução Pernambucana (1817); Cabanagem, de 1833-1836, no Pará; Guerra dos Farrapos ou Farroupilha, no Rio Grande do Sul, de 1835-1845; Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835; Sabinada, de 1837-1838, também na Bahia; Balaiada, no Maranhão, em 1837-1840; Revolução Praieira (1848); Guerra de Canudos (1896); Revolta da Vacina (1904); Guerra do Contestado (1912), sem falar nas inúmeras greves gerais desde a primeira em 1907.
 
Uma sociedade na qual não há terroristas, a não ser que se possa denominar como tais aqueles que desviam para fins privados o dinheiro público que serviria à satisfação dos Direitos Sociais e que utilizam a força bruta do Estado para impedir que as vítimas do abandono das políticas públicas exijam, pela ação coletiva, o respeito aos seus direitos.
 
Por isso é essencial também torcer pelas mobilizações sociais na Olimpíada da vida real que corre em paralelo. A luta do dia-a-dia que impulsiona a maioria da população brasileira em uma corrida por casa, transporte, saúde e educação públicas de qualidade, trabalho digno, respeito e efetividade de direitos trabalhistas, estabilidade no emprego, organização sindical e igualdade material com eliminação da exclusão e das diversas formas de opressão, tudo para que se possa dizer que se está efetivamente construindo um mundo melhor: se não socialista, o que exigiria a distribuição igualitária dos meios de produção, ao menos solidário!
 
E quem sabe nesse meio tempo o Senado Federal resolva fazer um espetáculo à altura das Olimpíadas e na festa final a legítima Presidenta eleita esteja presente para encerrar os jogos.
 
É mundo, não queremos abafar ninguém: só queremos mostrar que entendemos das coisas também.
Créditos da foto: Roberto Castro/ Brasil2016

O Brasil espera um gesto de recusa

08/08/2016 00:00 - Copyleft

O Brasil espera um gesto de recusa

O que a ganância quer do Senado é a licença para uma longa noite de execuções contra o povo brasileiro

por: Saul Leblon

Jonas Pereira
 
Sobraram duas alternativas: a heroica devolução do poder ao povo para renovar a República – e assim repactuar democraticamente as bases do desenvolvimento; ou o caos espiralado em direção a um novo ponto de coagulação repressivo da história nacional.
 
Os senadores brasileiros terão que se superar nessa escolha.
 
Sim, não há precedente de grandeza dessa ordem. 
 




Mas até mesmo alguém como Cristovam Buarque poderá ser impelido pela atração gravitacional de circunstâncias de risco extremo.
 
A rigor, só a cumplicidade da mídia sustenta o golpe. 
 
A ganância da plutocracia em devorar direitos trabalhistas e sociais dificilmente será saciada em sua gula por um mordomo desprovido de qualquer decência e legitimidade.
 
A carta da Presidenta Dilma à nação, lastreada em negociação propositiva com os movimentos sociais e senadores, pode ter peso nesse magnetismo de convergência para as urnas.
 
Outras variáveis dançam desordenadamente na boca do vulcão.
 
Só quando houver mídia plural e ecumênica saberemos, por exemplo, o que se passou nos bastidores da Lava Jato até se chegar  à  ‘pandelação’ da Odebrecht.
 
Por que se definiu que a denúncia dos R$ 23 milhões doados a Serra abriria a fila dos vazamentos desta vez? Por que o assunto desapareceu da pauta da Folha –e de vários outros veículos--  24 horas depois de ter merecido garrafais  no domingo (07/08/2016)?
 
É possível que não tenha sido mais que um álibi desesperado.
 
Ou seja, o lubrificante para o golpe de morte contra Lula, às vésperas da votação do impeachment, capaz de despejar um balde de adesismo nos senadores hesitantes.
 
A eficácia da manobra de qualquer forma é no mínimo discutível.
 
O fato de não escarafunchar o PSDB e o PMDB com as lâminas do rigor cravadas no PT, já arrastou o califado de Curitiba à vala comum da corrupção moral na qual  buscou calcificar a agenda progressista brasileira. 
 
Das togas, basta dizer que a mais atuante veste as medidas éticas de um dos principais militantes da direita brasileira, como diz o PT.
A fragilização do sistema econômico, político e jurídico assim intoxicado, atingiu tal anomia que de alguma forma tornou-se permeável à construção de uma alternativa de sobrevivência democrática da sociedade.
 
E é isso que deve ser heroicamente tentado nas semanas que antecedem, nos dias que sobram, nas horas poucas que dividem o Brasil pré e pós votação do impeachment.
 
No limite, os verdadeiros democratas, os nacionalistas, os liberais dignos e os progressistas com assento no Senado devem se recusar a participar da farsa, capaz de inviabilizar por décadas o sonho de construção de uma democracia social no país.
 
Para que não se naturalize a mentira diuturnamente martelada pelo jogral midiático, de que esse capítulo da tragédia brasileira será curetado com uma grande carbonização do PT e da CLT,  é preciso sacudir a previsibilidade do caminho ao cadafalso.
 
A mobilização popular turbinada pelas circunstancias extremas que ameaçam o país tem o poder de catalisar esse gesto de recusa.
 
Ao contrário de levar ao impasse ele consagra a repactuação do desenvolvimento como a única nesga de futuro capaz de furar a espessa noite de opressão que baixa sobre o Brasil.
 
Qualquer outra solução levará o país ao cemitério das nações.
 
Quando a névoa da crise embaralha os pontos cardeais de uma sociedade, e o conservadorismo  assume o leme das ‘soluções finais’  – sangrar ainda mais pobres para salvar os mercados, como apregoam os seguidores de um neoliberalismo esgotado--   povos e nações são esfacelados. 
 
Não raro, permanecem no limbo anos a fio.
 
A sociedade brasileira já viveu esse inverno da esperança nas suas forças.
 
A chamada década perdida dos anos 80 foi um desses socavões do desenvolvimento.
 
O PIB per capita brasileiro registrou uma variação medíocre de 0,8%, em média, no período, mas o dos pobres ficou muito aquém disso.
 
A crise da dívida externa e o descontrole da inflação varreram o mundo do trabalho para o abismo do desemprego. O empobrecimento de amplas camadas da população disseminou a fome e a insegurança.
 
Entre 1979 e 1987, a economia brasileira foi sangrada com o pagamento de US$ 82,5 bilhões de juros aos credores externos.
 
Equivalia a subtrair do metabolismo econômico algo como 28,5 milhões de salários mínimos. 
 
E eles foram subtraídos: a fatia dos salários no PIB caiu de 40%, em 1970, para 37% no final dos anos 80.
 
Era uma bola de neve.
 
Nenhum segmento da sociedade conseguiu materializar um projeto de futuro enquanto o impasse crônico da economia não foi destravado pela ascensão dos movimentos sociais.
 
Foi a luta pela democratização e o fim do arrocho da ditadura militar que destravou a história brasileira.
A virada condensou-se nas grandes conquistas sociais e políticas da Constituinte de 1988, fruto de uma ascensão popular que o conservadorismo nunca engoliu e agora, de novo, quer revogar.
 
A crise econômica atual foi magnificada pelo cerco –e os erros e recuos-- que fragilizou as forças progressistas.
 
Na economia dispõe-se de algumas salvaguardas cuja ausência fomentou o quadro caótico dos anos 80: as reservas internacionais são robustas; inflação é alta mas não descontrolada;  há políticas sociais massivas para atenuar o desemprego, igualmente devastador; o salário mínimo tem poder de compra superior; há políticas desenhadas de fomento , infraestrutura e energia etc.
 
O ataque golpista, todavia, e a captura de recursos fiscais crescentes pela república rentista, estreitam a margem de manobra do Estado.
 
Em 2015, lembra o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, 82%  do déficit nominal das contas públicas decorreu do pagamento de R$ 502 bilhões de juros aos credores da dívida pública.
 
Na outra ponta,  o orçamento destinou R$ 103 bilhões ao Ministério da Educação, R$ 121 bilhões ao da Saúde, R$ 75 bilhões ao Desenvolvimento Social, R$ 20 bilhões aos Transportes e R$ 86 bilhões ao déficit da previdência  -- um total de R$ 405 bilhões, quase R$ 100 bi menos que a ‘bolsa rentista’.
 
Turbinar essa irracionalidade com a restauração da mundialmente esgotada agenda de reformas neoliberais –basicamente, supressão de direitos, desregulação de mercados e queima de patrimônio público—é o que está posto no day after de uma vitória do impeachment.
Não será fácil convencer o imaginário social das virtudes intrínsecas  à troca do ‘populismo lulopetismo’ pelo estado de exceção de direitos e conquistas sociais, nas mãos de querubins da ética, como Temer, Padilha Serra ou Aécio.
 
Independente do resultado da votação, o gesto digno dos senadores  que se recusarem a assinar a licença para essa longa noite de execuções terá um peso referencial na repactuação do futuro brasileiro.
Pode ser a diferença entre a restauração do poder discricionário da democracia para ordenar os mercados e os frutos do desenvolvimento, ou a mexicanização do país.

Globo e golpistas mergulham o Brasil no abismo

09/08/2016 15:01 - Copyleft

Globo e golpistas mergulham o Brasil no abismo

A Globo esconde dos brasileiros as delações com o potencial explosivo de derrubar o governo usurpador e levar seus integrantes para a cadeia


Jeferson Miola
Marcos Oliveira / Agência Senado
Dois fatos políticos de relevância olímpica foram olimpicamente ocultados pela Rede Globo no Jornal Nacional desta segunda-feira olímpica, 8 de agosto de 2016.
 
O primeiro fato: a decisão de Gilmar Mendes, juiz tucano no STF, de abrir processo para extinguir o PT. Embalado pelo espírito fascista da ditadura golpista de 1964, Gilmar quer eliminar do sistema partidário brasileiro o Partido que tem quase 2 milhões de filiados e que recebeu 54.501.318 votos na última eleição presidencial. Um fato de tal gravidade jamais poderia ser escondido.
 
O segundo fato ocultado foi o vazamento da delação que revelou a propina de R$ 10 milhões que Michel Temer mandou a Odebrecht entregar aos sócios golpistas Eliseu Padilha, Chefe da Casa Civil, que embolsou R$ 4 milhões em dinheiro vivo, e Paulo Skaff, presidente da FIESP, que levou R$ 6 milhões, também em dinheiro vivo. A delação também mostrou a propina de R$ 34,5 milhões recebida pelo Chanceler usurpador José Serra.
 
Quem revelou o escândalo da propina multi-milionária paga aos golpistas não foi nenhum veículo da imprensa não-hegemônica. A divulgação saiu das páginas da insuspeitamente golpista revista Veja, muitas vezes beneficiária em primeira mão dos vazamentos seletivos feitos por agentes da PF, do MP e do Judiciário.





 
É evidente que este escândalo, com o potencial explosivo de derrubar o governo usurpador e levar seus integrantes para a cadeia – fosse esse, evidentemente, um tempo de normalidade democrática e institucional – somente foi vazado porque seus autores confiam que exercem controle total da situação e das instituições políticas, policiais e judiciais.
 
É ilusório pensar que esta denúncia tenha algo a ver com princípios éticos ou morais ou com o ideal de “limpeza” da política apregoado por procuradores da Lava Jato, que agem como verdadeiros pregadores da nova ordem, pura e livre de pecados.
 
O vazamento é uma operação calculada; é parte do jogo de disputas, chantagens e de acomodação de interesses no interior do bloco golpista.
 
Aqueles que se beneficiam do vazamento têm consciência de que a divulgação deste escândalo monumental não reverterá o curso do golpe e não derrubará o governo usurpador de Michel Temer. Em outras palavras: o golpe está consolidado, e o novo regime golpista, que se assenta na criminalidade e na solidariedade criminosa, já administra as tensões internas.
 
Este estágio “orweliano” da realidade brasileira não seria alcançado sem a participação da Rede Globo, com o corpo e a alma, no golpe.
 
A Globo joga um papel decisivo na consolidação do golpe, como jogou no de 1964. O papel nocivo da Globo à democracia é exercido quando deturpa a realidade que publica, mas sobretudo quando esconde criminosamente a realidade.
 
Esses acontecimentos são a demonstração olímpica de que o Brasil está sendo outra vez mergulhado no abismo do arbítrio e do obscurantismo.


Créditos da foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Conheça o cachorro que não sai da frente da hospital há 8 meses esperando pelo dono que morreu


Yahoo Notícias7 de agosto de 2016

Conheça o cachorro que não sai da frente da hospital há 8 meses esperando pelo dono que morreu



Negão sempre foi um cão leal. Quando seu melhor amigo humano, um morador de rua do Balneário Camboriú, em Santa Catarina, foi internado com uma infecção, Negão perseguiu a ambulância até a frente do hospital, e lá permaneceu.
Dias se passaram, se transformaram em semanas, até que, oito meses depois, Negão permanece na frente do hospital, esperando seu amigo. Infelizmente, a infecção se revelou fatal, e o dono de Negão veio a falecer. O tempo, porém, não abala a dedicação do cachorro, que, faça chuva ou sol, permanece diante do hospital, aguardando seu melhor amigo.
Fotos: Divulgação
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