sexta-feira, 12 de maio de 2017

Congresso monta operação de guerra para a reforma da Previdência

Reforma da Previdência

Congresso monta operação de guerra para a reforma da Previdência

por Renan Truffi — publicado 09/05/2017 19h27, última modificação 09/05/2017 20h29
Com instalação de grades e convocação de policiais legislativos equipados para confronto, políticos tentam barrar categorias insatisfeitas
Câmara dos Deputados deve terminar, nesta terça-feira 9, de analisar todos os destaques da reforma da Previdência, que teve seu texto-base aprovado na semana passada. Mas, para isso, foi organizado uma operação de guerra com o objetivo de evitar que categorias insatisfeitas com as mudanças impedissem a conclusão do processo ou tentassem invadir a chamada “Casa do Povo” para protestar contra as medidas.
O Congresso foi cercado com grades desde o início do dia. Em todas as entradas da Câmara, foram colocados policiais legislativos equipados com material para confronto – como capacetes, escudos e máscaras de gás. A Polícia Militar do Distrito Federal também participou da operação com quatro ônibus de PMs para ajudar na segurança.
“Por medo do povo, que é totalmente contrário ao desmonte que o governo ilegítimo quer impor ao país, o Congresso Nacional agora trabalha totalmente cercado pela polícia, única forma de votar a reforma da Previdência, que nada mais é que o fim do direito à aposentadoria, na comissão especial”, repudiou em nota a liderança da minoria na Câmara. “Isso é inaceitável, uma verdadeira agressão ao direito de ir e vir e de manifestação do povo brasileiro.”
A ideia era impedir que agentes penitenciários conseguissem repetir o feito da semana passada, quando eles invadiram o plenário onde estava sendo votada a reforma. Na ocasião, foram jogadas bombas de gás dentro do local, o que provocou correria entre servidores e deputados.
Durante os debates sobre a reforma da Previdência na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, propôs de última hora uma idade mínima de 55 anos para policiais legislativos e agentes penitenciários. A inclusão ocorreu um dia após a categoria invadir o Ministério da Justiça.
Na terça-feira 2, um grupo de 500 agentes ocuparam o local para protestar contra as reformas e para pedir sua inclusão nas chamadas "categorias de risco", junto com os demais policiais. Essa categoria, por sinal, foi criada após protesto violento de policiais civis em frente ao Congresso nacional. Presidente da comissão especial, Carlos Marun (PMDB-MS), chegou a cutucar as alterações na manhã desta quarta-feira 3. "Não é possível que quem quebra a janela tenha mais direitos do que quem não quebra", afirmou.
Agentes da Polícia Legislativa também montaram barreiras nos corredores que dão acesso ao Plenário. Só puderem transitar nesses locais servidores, parlamentares e colaboradores identificados. Além disso, as visitas institucionais foram suspensas até esta quarta 10.
Todo o aparato conseguiu impedir que um grupo de cerca de 30 agentes penitenciários entrassem no Congresso durante a tarde. Parlamentares do PSOL fizeram um protesto do lado de fora da Câmara, contra as medidas adotadas. Para evitar a entrada dos manifestantes, os policiais legislativos fizeram um cordão de isolamento nas escadas que dão acesso ao anexo. “Nós estamos chegando a essa casa hoje estarrecidos. Há um aparato como nunca foi visto nessa Casa”, criticou a líder do PCdoB na Câmara, Alice Portugal (BA).
Por meio de nota, a bancada do PT na Câmara também criticou o aparato utilizado para impedir a aproximação da população. “Todo a praça de guerra foi montada para evitar a presença da população na chamada ‘Casa do Povo’, num dia crucial em que a Comissão Especial que analisa a desastrosa reforma da Previdência prepara-se para votar medidas que virtualmente põem fim à aposentadoria do trabalhador.”
Os deputados petistas Marco Maia (RS), Érika Kokay (DF) e Caetano (BA) anunciaram que vão ingressar com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em favor da "livre circulação de cidadãs e cidadãos nas adjacências e dependências da Câmara".
Parlamentares do PSOL protestam contra fechamento da Câmara
Parlamentares do PSOL protestam contra fechamento da Câmara em frente à barreira policial montada para conter manifestantes

Fonte: Carta Capital

A reforma da Previdência que será levada a votação no plenário da Câmara



Aposentadoria

A reforma da Previdência que será levada a votação no plenário da Câmara

por Deutsche Welle — publicado 11/05/2017 00h10, última modificação 10/05/2017 12h38
Comissão Especial conclui análise da proposta. Confira os principais pontos do projeto que será votado.
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Arthur Maia
Arthur Maia, o relator da reforma: militares e Judiciário ficaram fora da reforma


Depois de ter sido interrompida pela invasão de agentes penitenciários na semana passada, a Comissão Especial da Reforma da Previdência concluiu na terça-feira 9 a análise da proposta de reforma e votou os destaques apresentados ao texto elaborado pelo relator da proposta, o deputado Arthur Maia (PPS).
Na sessão, os deputados da comissão analisaram dez sugestões de mudanças para o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16. A maioria delas foi apresentada pelos partidos da oposição. Destas, apenas uma foi aprovada, a que muda o fórum de decisão judicial em processos relativos a acidentes de trabalho e aposentadoria. Além deste destaque, a proposta encaminhada pelo governo já havia sofrido alterações no texto-base elaborado por Maia.
Com a aprovação da comissão, a proposta de reforma da Previdência segue agora para votação no plenário da Câmara dos Deputados. Para ser aprovada, ela precisa de no mínimo 308 votos a favor, o equivalente a três quintos dos 513 deputados. O relator da proposta disse calcular que o governo já tem 330 votos. A expectativa é que o texto seja encaminhado ao plenário da Câmara a partir do dia 15. Estes são os principais pontos da reforma da Previdência que será levada a plenário na Câmara:
Idade mínima e tempo de contribuição
A reforma estabelece, para o direito à aposentadoria, a idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com no mínimo 25 anos de contribuição para ambos.
Atualmente não há uma idade mínima para o trabalhador se aposentar por tempo de contribuição. O que é exigido para esse tipo de aposentadoria é o tempo mínimo de contribuição: de 30 anos para as mulheres e de 35 anos para os homens.
Já para quem se aposenta por idade, a idade mínima de contribuição é de 15 anos. É preciso ter pelo menos 60 anos de idade, no caso das mulheres, e 65 anos, no caso dos homens. 
Benefício integral
Para ter direito a receber o benefício integral, o trabalhador precisará ter contribuído por no mínimo 40 anos. Caso contrário, o valor da aposentadoria corresponderá a 70% da média dos salários de contribuição, acrescido de 1,5 ponto percentual para cada ano que superar os 25 anos de contribuição, aumentando para 2 pontos percentuais quando ultrapassar 30 anos e 2,5 a partir dos 35 anos.
Atualmente, para receberem a aposentadoria integral, é preciso atingir a fórmula 85 (mulheres) e 95 (homens), que é a soma da idade e do tempo de contribuição.
O cálculo do valor do benefício passa a ser feito por uma média sobre 100% dos salários do trabalhador desde 1994. Ele não pode ultrapassar o máximo estabelecido pelo Regime Geral de Previdência Social, que atualmente é de 5.189,82 reais, valor que é reajustado anualmente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
Aposentadoria rural
A proposta determina ainda que trabalhadores rurais passem a ter que contribuir para a Previdência para ter acesso à aposentadoria, a partir dos 60 anos para homens e 57 anos para mulheres. O tempo mínimo de contribuição, para ambos, é de 15 anos.
Atualmente, trabalhadoras rurais podem se aposentar com 55 anos e trabalhadores, com 60 anos, apenas comprovando 15 anos de trabalho no campo, mesmo não tendo contribuído para a Previdência.
Aposentadorias especiais
A reforma prevê também que professores mantenham o direito de se aposentar antes. Desta maneira, professores do ensino fundamental e médio de ambos os sexos têm direito à aposentadoria aos 60 anos, com no mínimo 25 anos de contribuição.
Agentes de segurança, com exceção de guardas municipais e agentes penitenciários, também poderão se aposentar a partir dos 55 anos. Para isso, eles precisam comprovar 30 anos de contribuição, dos quais pelo menos 20 no exercício da atividade policial, no caso de homens. Para mulheres, o mínimo é de 25 anos de contribuição, sendo destes 15 na atividade policial.
Além disso, a proposta prevê a redução da idade mínima para profissionais que comprovem o exercício de atividades que prejudiquem a saúde. Nestes casos, a aposentadoria poderá ser concedida a partir dos 55 anos.
Aposentadoria compulsória
A proposta prevê ainda aposentaria compulsória para empregos de empresas públicas e de sociedades de economia mista que completarem 75 anos de idade, independente do cumprimento do mínimo de 25 anos de contribuição.
Pensões
A reforma prevê que viúvos e viúvas possam acumular aposentadoria e pensão de até dois salários mínimos. O valor da pensão passa a equivaler a 50% do valor da aposentadoria recebida pela pessoa que morreu, com um adicional de 10% por filho. O valor não passará dos 100%, inclusive para pensionistas que tiverem mais de cinco filhos.
Além disso, esta cota adicional não será mais revertida para a viúva (ou viúvo) quando o dependente completar 18 anos de idade.
Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Atualmente, deficientes e idosos com mais de 65 anos que não contribuíram com a Previdência (ou que tinham renda inferior a um quarto do salário mínimo) recebem o chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC), equivalente a um salário mínimo. De acordo com as novas regras, a idade mínima para receber este benefício começa em 65 anos, mas subirá gradativamente até atingir 68 em 2020.
Regra de transição
A proposta aprovada pela comissão estabeleceu que a idade mínima do regime de transição começará com 53 anos para as mulheres e 55 para os homens, aumentando progressivamente em um ano a cada dois anos até alcançar os 62 anos para mulheres e 65 para homens.
DW

Fonte: Carta Capital

Refugiados de Honduras, Guatemala e El Salvador são alvo de violência no México, indica relatório da MSF


Refugiados de Honduras, Guatemala e El Salvador são alvo de violência no México, indica relatório da MSF


Organização Médicos Sem Fronteiras publicou nesta quinta-feira dados sobre sua atuação no México com refugiados centro-americanos, que indicam que 40% fogem de seus países devido a violência ou ameaças contra si ou seus familiares
Pesquisa realizada pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras com 467 migrantes e refugiados em albergues de cinco localidades no México apontou que quase 70% dos entrevistados (68,3%) relataram ter sido vítimas de violência já em território mexicano. O relatório divulgado nesta quinta-feira (11/05) indica que aproximadamente 500 mil pessoas cruzam a fronteira rumo ao México anualmente. A maioria dessas pessoas são originárias de El Salvador, Honduras e Guatemala, países conhecidos como o Triângulo Norte da América Central (TNAC).
“Para os milhões de pessoas da região do TNAC, trauma, medo e terrível violência são as facetas dominantes da vida diária. Contudo, essa é uma realidade que não termina com a fuga forçada para o México. Ao longo da rota migratória a partir do TNAC, migrantes e refugiados se tornam alvos de organizações criminosas, por vezes com a aprovação tácita ou cumplicidade das autoridades nacionais, e são submetidos a violência e outros abusos – sequestros, roubo, extorsão e estupro – que podem deixá-los feridos e traumatizados”, diz o documento.
As entrevistas com migrantes e refugiados foram feitas em outubro de 2015. Destes, 40% mencionaram, como principal causa da fuga do país de origem, o fato de sua família ou eles próprios terem sofrido ataques diretos, ameaças, extorsão ou tentativa de recrutamento forçado por parte de gangues criminosas. Entre os entrevistados, 43,5% perderam algum parente em um incidente violento nos anos anteriores à fuga. No caso dos salvadorenhos, esse percentual chegou a 56,2%.
Médicos Sem Fronteiras

Em Honduras, Mario perdeu a perna devido ao tiro de um policial que colaborava com uma gangue local; ele aguarda a aceitação de sua solicitação de refúgio no México
Atendimentos
Dados de mais de 4,7 mil consultas médicas prestadas a migrantes e refugiados no México entre 2015 e 2016 também compõem a pesquisa. Uma em cada quatro consultas teve como causa lesões físicas e traumatismos intencionais sofridos na rota entre o México e os Estados Unidos. Já 20% das consultas ocorreram devido a síndromes osteomusculares agudas, resultantes das condições duras em que migrantes e refugiados viajam. Nesse período, o MSF atendeu 166 vítimas de violência sexual, das quais 60% foram estupradas e as demais sofreram outros tipos de agressão, como a nudez forçada.
No mesmo período, foram prestadas 1.817 consultas de saúde mental. Segundo o relatório, 92,2% dos atendidos sofreram um evento violento em seu país de origem ou durante a rota migratória que afeta sua saúde mental ou seu bem-estar; 47,3% procuraram o atendimento psicológico por motivos relacionados à violência física: socos, pontapés, golpes de facão, ferimentos de bala, fraturas ósseas infligidas por golpes de bastões de beisebol, ferimentos sofridos ao terem sido jogados de trens em movimento.
Migrantes e refugiados
Desde 2012, a organização Médicos Sem Fronteiras oferece cuidados médicos e de saúde mental a milhares de migrantes e refugiados que fogem da violência extrema no Triângulo Norte da América Central para o México, no que a organização considera o maior corredor migratório do mundo.
De acordo com a organização, a pesquisa tem como pano de fundo a intensificação da aplicação de normas migratórias por parte dos governos do México e dos Estados Unidos, incluindo o uso de detenções e deportações. “Tais práticas ameaçam conduzir mais refugiados e migrantes às mãos brutais de contrabandistas e organizações criminosas”, afirma o MSF.

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Médicos Sem Fronteiras

Para a MSF, o corredor migratório do Triângulo Norte da América Central para o México é o maior do mundo
De janeiro de 2013 a dezembro de 2016, as equipes de MSF conduziram 33.593 consultas a migrantes e refugiados do TNAC por meio de diversas clínicas móveis, centros para migrantes e albergues – como são conhecidas as instalações localmente – pelo México. “Por meio dessas atividades, MSF documentou os níveis extensivos de violência contra pacientes tratados nessas clínicas, assim como os impactos em termos de saúde mental dos traumas vivenciados antes da fuga dos países de origem e durante a jornada”.
A organização ressalta que as pesquisas e os dados médicos se limitam aos pacientes atendidos pelos Médicos Sem Fronteiras e pessoas que receberam tratamento das clínicas apoiadas pela entidade.
Crise humanitária
O documento critica ainda o baixo status de refúgio concedido nos Estados Unidos e no México. Segundo o MSF, as pessoas forçadas a fugir do Triângulo Norte da América Central são, em sua maioria, tratadas como migrantes econômicos por países como o México e os EUA. Menos de 4.000 pessoas que fugiram de El Salvador, Honduras e Guatemala receberam o status de refugiado durante 2016.
“Além disso, o governo do México deportou 141.990 pessoas do TNAC. Considerando a situação nos EUA, até o final de 2015, 98.923 indivíduos do TNAC haviam submetido uma solicitação de refúgio ou asilo, de acordo com o Acnur [Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados]. Ainda assim, o número de status de asilo concedidos a indivíduos do TNAC foi comparativamente inferior: 9.401 desde 2015”.
O relatório ressalta que as evidências apontam para a necessidade de entender que a história de migração do Triângulo Norte da América Central não é apenas econômica, mas consiste em uma crise humanitária muito mais abrangente.
“É uma crise humanitária que requer que os governos do México e dos Estados Unidos, com o apoio dos países da região e de organizações internacionais, ampliem rapidamente a aplicação de medidas de proteção legais – asilo, vistos humanitários e status temporário de proteção – para pessoas que fogem da violência na região do TNAC; cessem imediatamente a deportação sistemática de cidadãos do TNAC; e expandam o acesso a serviços médicos, de saúde mental, e voltados para violência sexual para migrantes e refugiados”, destaca o levantamento.

Paramilitarismo é maior obstáculo à paz na Colômbia, dizem FARC e ELN em Havana


Paramilitarismo é maior obstáculo à paz na Colômbia, dizem FARC e ELN em Havana


Nicolás Rodríguez, do ELN, ressaltou responsabilidade do Estado colombiano pela violência armada da extrema-direita; guerrilhas se reuniram na capital cubana para compartilhar experiências sobre seus processos de paz
Representantes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) se reuniram nesta quinta-feira (11/05) em Havana, Cuba, onde reafirmaram o compromisso com seus respectivos processos de paz e denunciaram o fortalecimento do paramilitarismo na Colômbia.
Em conferência de imprensa, Nicolás Rodríguez, do Comando Central do ELN, disse que a violência armada da extrema-direita é o “obstáculo mais grave” à paz. Ele ressaltou a “grande responsabilidade” do Estado colombiano por esse “grave fenômeno” e lembrou a “quantidade de líderes comunitários assassinados” por paramilitares durante o processo de paz com as duas guerrilhas.
“Até agora, não vemos vontade de uma luta frontal por parte do Estado e do governo contra o paramilitarismo”, disse Rodríguez. “A paz não pode ser retórica, mostrar feitos concretos é essencial.”
Timoleón Jiménez, chefe das FARC, expressou a satisfação da guerrilha pelos resultados do encontro em Havana e reafirmou a disposição de cumprir com os compromissos assumidos no acordo de paz alcançado entre FARC e governo de Juan Manuel Santos em novembro do ano passado.
Agência Efe

Nicolás Rodríguez, do Comando Central do ELN, e Timoleón Jiménez, chefe das FARC, durante conferência de imprensa em Havana nesta quinta-feira (11/05)

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Este é o primeiro encontro público entre FARC e ELN, que escolheram a capital cubana para sua reunião “histórica” para compartilhar experiências sobre seus respectivos processos de paz. Havana também sediou durante quase quatro anos o diálogo de paz entre as FARC e o governo colombiano.
FARC e ELN divulgaram declaração conjunta ressaltando que mantêm “objetivos comuns, com caminhos diferentes, porém complementares, com o de buscar que a sociedade tenha uma função protagonista no alcance da paz”.
As guerrilhas também afirmam que coincidem na disposição de “tornar os direitos das vítimas o cerne da busca pela paz”. “Buscaremos que o presente esforço pela solução política envolva as distintas forças que participam do debate para as eleições de 2018 e trataremos de evitar que os chamados à guerra que faz a extrema-direita revertam este impulso por alcançar um novo país com igualdade”, diz a declaração.
O processo de paz entre governo e FARC se encontra em processo de implementação, enquanto o ELN e representantes do Executivo de Santos voltam a se reunir em 16 de maio em Quito, no Equador, para retomar o diálogo para estabelecer um acordo de paz. 

Livro revela como imigrantes italianos contribuíram para futebol de várzea de São Paulo

Livro revela como imigrantes italianos contribuíram para futebol de várzea de São Paulo


Historiadora Diana Mendes Machado da Silva estudou período entre 1928 e 1940 do time de várzea Associação Atlética Anhanguera, um dos clubes criados para promover a integração da comunidade italiana com a brasileira
Que o futebol brasileiro serviu de inspiração para diversos clubes italianos, isso é fato. Mas muitos dos milhares de italianos que vieram em busca de uma nova vida no Brasil também deram sua contribuição para desenvolver o esporte bretão em território nacional.


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Até a década de 1920, cerca de 1,4 milhão de italianos vieram ao país e muitos deles se deslocaram para a cidade de São Paulo, onde estabeleceram grupos e organizações que muito tinham a ver com a cultura que traziam na bagagem. Nesse cenário de adaptação e de busca por uma vida melhor, muitos clubes esportivos e recreativos foram criados para promover a integração da comunidade italiana com a brasileira, em uma troca de informações que ajudou a criar a imagem da maior metrópole do país.
Entre alguns desses clubes que causaram uma interação entre as duas nações está o time de várzea Associação Atlética Anhanguera, que foi objeto de um estudo da historiadora e doutoranda pelo Departamento de História da USP (Universidade de São Paulo), Diana Mendes Machado da Silva.
A especialista, que lançará seu livro "Futebol de Várzea em São Paulo" (Ed. Alameda) no próximo dia 12 de maio, estudou o clube entre 1928 e 1940 e constatou alguns pontos interessantes que ligam tanto a história do futebol como dos italianos que chegavam à capital paulista.
Fundado por italianos, mas com uma forte ligação com o bairro da Barra Funda, o time foi um dos principais pontos de encontro dos imigrantes que chegaram ao país para morar e fazer uma nova vida em uma pátria distante.
"Os imigrantes italianos não se viam como italianos ainda, porque vinham de várias regiões de uma Itália que tinha acabado de se unificar, que não tinha sua identidade nacional forte, e vinham aqui como calabreses, napolitanos, venezianos. E muitos deles ficavam na Hospedaria da cidade, não só aqueles da península itálica, mas também espanhóis, portugueses", explica a historiadora.
Reprodução / Jornal da USP

Fotos de arquivo da Associação Atlética Anhanguera, sediada no Bom Retiro, região central de São Paulo

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Esse "agrupamento" na Hospedaria fazia com que eles conhecessem outros imigrantes que já moravam em bairros, se mudassem para a região dos "conhecidos" e replicassem no Brasil os padrões de vida que tinham na Itália.
"O clube Anhanguera foi formado nessa mesma base. Muitos amigos de colônia e de família e o que acontecia, isso era muito comum naquela várzea e eles se reuniam para jogar futebol, para os bailes, etc.", ressalta Silva.
Como tinham como foco ficar em São Paulo, os clubes de várzea – tanto o Anhanguera como outros da região – abriam suas portas para pessoas de várias nacionalidades, provocando uma troca cultural e esportiva constante.
"Eles aceitavam pessoas de todas as nacionalidades e você encontra também nomes de brasileiros. E pelas fotografias, você vê uma pluralidade. Isso não quer dizer que essa integração não tivesse conflitos [...], que passavam pela cor, por uma questão de classe", ressalta.
No entanto, diz Silva, por conta de seu foco em um "clube de integração", o Anhanguera não sofreu um taxamento de "clube de colônia", mas sim como um local de comunidade. No âmbito esportivo, ao longo das décadas, o Anhanguera também proporcionou que alguns de seus jogadores fossem "profissionalizados" pelos maiores clubes da capital naqueles anos: Corinthians, Juventus e Palmeiras, explica a historiadora.
Por conta da forte presença italiana, o Palmeiras – ainda na época do Palestra Itália – era o que mais pinçava esses jogadores, mas o intercâmbio com outros clubes era frequente. E essas negociações prosseguem até atualmente. A estrela palmeirense Gabriel Jesus, que hoje atua no Manchester City, foi descoberto, justamente, no Anhanguera.
Wikimedia Commons

Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo reunia estrangeiros de várias nacionalidades; italianos acabaram criando e se reunindo em clubes esportivos

Aula Pública com Fernando Haddad: como as cidades podem ser mais democráticas?

Aula Pública com Fernando Haddad: como as cidades podem ser mais democráticas?


Ex-prefeito de SP discute o conceito de democracia frente aos desafios contemporâneos nas grandes metrópoles
Opera Mundi TV

Na Aula Pública, Fernando Haddad discute o conceito de democracia nas grandes metrópoles


Atualmente, uma cidade democrática é uma aquela que garante acesso à terra, no sentido mais amplo da palavra. Ao suscitar o conceito, não pensamos, por exemplo, que construir uma faixa de ônibus é promover o acesso à terra. O que isso significa? A faixa que separa carros e ônibus é uma forma de construir a democracia, pois ela serve para dar ao usuário de transporte público um acesso diferenciado ao território da cidade, que é o seu sistema viário. Outro exemplo: quando você diminui a velocidade das vias, você garante ao pedestre a possibilidade de chegar em segurança ao seu destino. Este também é um processo democrático.
Essa é uma das análises de Fernando Haddad, doutor em Filosofia pela USP e prefeito de SP entre 2013 e 2016, ao discutir Como as Cidades Podem Ser Mais Democráticas, na Aula Pública Opera Mundi.

Na opinião de Haddad, é necessário uma perspectiva mais abrangente sobre o conceito de democracia para analisar o futuro das grandes metrópoles — como São Paulo.  "As cidades se enfraquecem se não forem democratizadas do ponto de vista material. Em se tratando das grandes metrópoles, é necessário um redesenho de cidade completamente diferenciado. Pensar em plano diretor, reservar terra para população de baixa renda, priorizar o tranporte público em detrimento do transporte individual motorizado, iluminação pública, entre outros", diz. 

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Fernando Haddad: como as cidades do mundo podem ser mais democráticas?

Assista a todos os episódios da Aula Pública Opera Mundi

Aula Pública com Marco Piva: Qual o legado da luta armada na América Latina?

Aula Pública com Rodolpho Santos: imprensa inventou expressão 'disco voador' durante Guerra Fria

 
No segundo bloco, Fernando Haddad responde perguntas do público, no campus Perdizes da PUC-SP
Quando nos questionamos sobre como os moradores têm acesso aos serviços públicos, quanto tempo um cidadão da periferia demora para chegar ao posto de trabalho, a um centro cultural ou a um parque público etc "ressignificamos o conceito de democracia", explica Haddad.

"A forma de priorizar é ter atenção à dinâmica da cidade do ponto de vista democrático. Não do ponto de vista da democracia formal, mas sim da democracia material. Ninguém pode garantir educação de qualidade a um menino pobre de Guaianases se ele não tiver uma escola perto de casa, acesso à educação infantil perto de casa. O jogo para equilibrar as oportunidades e garantir acesso é uma questão territorial, pois o orçamento, por inércia, se volta todo ao centro expandido. Portanto, o esforço da Prefeitura é abrir espaços para o investimento porque é a única maneira de fazer que o equipamento necessário chegue e aconteça nas franjas da cidade", afirma.