segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Esperando Hitler

Política

Opinião

Esperando Hitler

por Luiz Gonzaga Belluzzo — publicado 09/10/2017 00h05, última modificação 06/10/2017 09h56
Qualquer semelhança entre o Brasil atual e a Alemanha dos anos 1930 é mera coincidência
República de Wiemar
Nos peripatéticos acasos de minha biblioteca, topei com a coletânea de ensaios dos juristas alemães Franz Neumann e Otto Kirschmeier sobre o declínio da democracia de Weimar, a ascensão do nazismo e a transformação do sistema legal alemão.
Escritos entre 1933 e 1967 e reunidos por William E. Scheuerman, os ensaios talvez suscitem no leitor a tentação de concordar com a certeira observação atribuída a Mark Twain: “A história não se repete, mas rima”.
Franz Neumann, autor do clássico Behemoth, escreve no ensaio de abertura da coletânea: “Durante o boom dos anos 1924-1928 (domada a hiperinflação) foi enorme o desenvolvimento das políticas sociais na Alemanha. ‘A ilusão de segurança’ era perfeita.
O padrão de vida melhorou para todos, inclusive para os desempregados. Mas os verdadeiros donos do poder estavam dispostos a fazer concessões até certo ponto... Alcançado esse limite, os poderosos farão tudo para impedir as organizações dos trabalhadores de aumentar sua participação no Estado e de promover o progresso social.
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Na Alemanha não era suficiente impedir o progresso social para manter o Estado ‘seguro’ para os proprietários da riqueza. Um movimento retrógrado era necessário. O poder do Estado deveria ser mobilizado para assegurar os privilégios dos mais ricos”.A Grande Depressão dos anos 30 e a política econômica de “ajustamento” do chanceler Brüning jogaram água no moinho do conservadorismo.
O professor Frederico Mazzuchelli, no livro Os Anos de Chumbo, ensina: “A Alemanha, com Brüning, procurou combater a recessão com a deflação. A austeridade impiedosa foi a marca de sua gestão. Sob o suposto de que os problemas da Alemanha seriam estritamente internos, ou de que em face das atribulações externas a Alemanha deveria ‘fazer a sua parte’ – vale dizer, readequar a estrutura interna de custos e preços –, Brüning, valendo-se do apoio do presidente Hindenburg, passou a governar por meio de decretos, inaugurando o ‘regime presidencialista’ dentro da parlamentarista República de Weimar”.

Mazzuchelli continua: “Não surpreende que as políticas deflacionárias implementadas por Brüning tenham aprofundado a própria recessão: em 1930, a produção industrial alemã caiu 13% e o desemprego vitimou mais de 3 milhões de trabalhadores, representando 15,3% da força de trabalho. Os preços, por seu turno, caíram perto de 4%, mas o pior, como se veria, ainda estava por vir”.
O enfraquecimento e a desmoralização do Legislativo e os poderes concedidos ao marechal Hindenburg em 1931 açularam o comportamento das burocracias não eleitas. Neumann prossegue na narrativa trágica: “O resultado desses desenvolvimentos foi o crescente poder de uma burocracia fora de controle que legislava e governava contra a democracia e o progresso social”.
“Não apenas os servidores e chefes da burocracia dos ministérios”, prossegue, “mas os juízes também eram um poder organizado na contramão do Estado democrático e social... Na Alemanha os juízes são formalmente independentes, mas na verdade eles são apenas burocratas que não dependem apenas de suas convicções pessoais, mas sim de sua ‘mente social’, de suas convicções políticas, religiosas e associações profissionais, ou seja, dos agrupamentos que odeiam o progresso social, os trabalhadores bem pagos e a emancipação dos subalternos.”
Voltemos a Mazzuchelli. “Em 1932, a economia alemã mergulhou em seu ponto mais baixo: basta registrar os 5,6 milhões de desempregados, que representavam mais de 30% da força de trabalho. Em maio, Brüning renunciou.
Em junho, a Conferência de Lausanne cancelou definitivamente as reparações... Nas eleições de julho, os nazistas alcançaram a espetacular cifra de 37,3% dos votos... As eleições de novembro apenas confirmaram que a Alemanha já havia feito sua escolha: o povo queria Hitler!”
A autobiografia do banqueiro de Hitler, Hjalmar Schacht, pode ser lida como o avesso dos escritos de Franz Neumann. Avesso não quer dizer o oposto, senão o “outro lado” do mesmo objeto escolhido para a investigação. O objeto em questão, constituído pelos dois autores-inimigos, é a crise dramática da sociedade burguesa e do Estado de Direito, engendrada pelo colapso do capitalismo nos anos 30.
O totalitarismo nasce das entranhas da sociedade capitalista, provocando a derrocada do Estado burguês-liberal, em que o exercício da soberania e do poder deve estar submetido ao constrangimento da lei impessoal e abstrata.
Como mostra o filme de Luchino Visconti, Os Deuses Malditos, o nazismo não realizou a estatização da economia e da sociedade, mas a privatização do Estado. Os interesses de grupos privados apoderam-se diretamente do Estado, suprimindo a sua independência formal em relação à sociedade civil.
Fonte: Carta Capital

O Che passou aqui


História

O Che passou aqui

por Nirlando Beirão — publicado 09/10/2017 10h38, última modificação 09/10/2017 10h42
Refazendo a “trilha revolucionária” de Guevara no sul da Bolívia, 50 anos depois de sua morte
Aizar Raldes/AFP
Tributo
Tributo ao Che em La Higuera, onde foi morto
No dia 8 de outubro de 1967, o general Alfredo Ovando Candía, chefe das Forças Armadas da Bolívia, desmentiu os rumores de que o Che estivesse preso. Confirmou, isso sim, que um de seus companheiros de guerrilha tinha sido surpreendido na região de Vallegrande e se encontrava em poder dos batalhões de Rangers treinados pela CIA americana. Era Simeón Sarabia, boliviano. O governo de Fidel Castro tinha conhecimento de que o ex-ministro da Indústria estava na Bolívia, mas havia perdido contato com ele.
Na verdade, naquele dia, um dos mitos de Sierra Maestra e da Revolução Cubana, alquebrado, esquelético, maltrapilho, seu rifle pendendo sem ação de seu ombro, ferido por dois tiros após serem cercados, ele e seus derradeiros parceiros de armas, na ravina de Churo, por 1,8 mil soldados, padecia, de algemas e fortemente amarrado, na dilapidada escola para onde fora levado, na vizinha cidade de La Higuera.
Na manhã do dia 9, por determinação do general-presidente René Barrientos, foi fuzilado à queima-roupa. Só no dia seguinte a imagem nazarena do Che foi divulgada ao mundo, com a notícia de sua morte. 
Memorial
O memorial em Vallegrande e o culto em La Higuera: à época, ninguém quis segui-lo (Aizar Raldes/AFP)
Os tempos mudaram, a Bolívia é hoje governada por Evo Morales e o Exército que dizimou o foco guerrilheiro se apressa, pela primeira vez, em participar, “ao lado das famílias dos antigos combatentes”, de uma homenagem à sua vítima. O vice-ministro da Coordenação, Alfredo Rada, anunciou o evento.
É a confirmação de que o país onde Che queria repetir Cuba não o tem como inimigo, mas com a mesma inspiração icônica destinada a um revolucionário romântico. A passagem frustrada de Guevara pela Bolívia acabou inspirando um empreendimento capitalista de bons resultados.
“La Ruta del Che” recupera, para turistas sem discriminação ideológica, momentos da empreitada insurrecional que terminou emblematicamente na figura do Che em frangalhos, faminto e deprimido. A jornada pode ser coberta em três ou quatro dias. Naturalmente, o elenco que se dispõe a palmilhar o rito quase religioso de veneração ao Che não compartilha da mesma cartilha dos devotos do Caminho de Santiago de Compostela.
Leia mais:
La Higuera (A Figueira), no sul da Bolívia, é o início e o fim da jornada. É uma diminuta aldeia de menos de 130 habitantes, predominantemente da etnia guarani, a 150 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra, capital da província, e 292 quilômetros de Sucre, capital administrativa da Bolívia. Fica numa região árida e desabitada, na qual os cactos abundam e os condores fazem circunvoluções em torno de cumes ancestrais. 
Santuário
De trás da figueira, na ravina de Churro, saiu uma figura maltrapilha. ferida, rendida. A figueira virou santuário (Aizar Raldes/AFP)
O Che – que chegara a La Paz sob a identidade falsa de um empresário uruguaio na segunda metade de 1966 – pretendia instalar ali nas vizinhanças, no campo de Rancahuazu, um foco guerrilheiro a partir do qual, como uma labareda de liberdade, a rebelião iria incendiar o país, no mesmo padrão de contaminação espontânea que tinha sido bem-sucedida em Cuba.
A pequena fazenda em que Che e seus primeiros comandados se abrigaram não existe mais. Foi por lá que, no dia 31 de dezembro de 1966, apareceu o secretário-geral do Partido Comunista da Bolívia, Mario Monje, para conferenciar com Guevara. 
Embora o governo do general Barri­en­tos estivesse longe de ser democrático, o PC boliviano havia saído da clandestinidade e gozava de certa liberdade. Monje considerou o plano de Guevara delirante, fora da realidade.
Do outro lado, o Che passara a desconfiar dos comunistas atrelados ao regime soviético e foi em razão da dependência do governo Fidel à União Soviética, como resposta ao bloqueio americano, que Che saiu pelo mundo para “criar dois, três... muitos Vietnãs”, como anunciou em sua mensagem à Tricontinental. A burocracia o sufocava. O dever de todo revolucionário – dizia – é fazer a revolução.
A conversa com Monje foi catastrófica. Os reforços humanos que a guerrilha esperava ter do PC não viriam oficialmente; os militantes que aderissem ao grupo de Che o fariam por sua própria conta e risco, avisou Monje.
Necrotério
O cadáver foi exposto nos fundos do Hospital de Vallegrande (Marc Hutten/Aizar Raldes/AFP)
Quando as escaramuças começaram, no início de 1967, o efetivo do foco era de quase 50 homens, aproximadamente: 17 cubanos, entre eles quatro membros do Comitê Central do PC, 27 bolivianos, alguns deles procedentes, à revelia, do PC, e três peruanos.
La Higuera, para onde Che foi levado para morrer, registra, em murais, em monumentos, em bandeiras, em nichos domésticos, em todo tipo de souvenir, sua devoção ao mártir. Prepara-se, como pode, para acolher estes dias os peregrinos da revolução.
Tem apenas dois hostels: a Casa del Telegrafista (quartos a 50 reais, tel. + 591 6773 3362), que aproveita para hospedar uma exposição de fotos de Che; e Los Amigos (diárias a 45 reais), que incentiva discussões políticas diante de um ousado boeuf bourguignon marinado em vinho tinto. O Museu La Higuera (ingresso a 5 reais) guarda modesta memorabilia da guerrilha.
Guias locais sugerem duas escalas na Ruta. Uma, na Quebrada del Churo, a 3 quilômetros de La Higuera. Ali, Che e seus homens foram surpreendidos e capturados. A figueira atrás da qual Guevara tentou se esconder adquiriu status de patrimônio histórico.
O ritual simbólico de tributo consiste em espargir folhas de coca sobre ela. A vizinha aldeia colonial de Samaipata foi incluída no roteiro, porque foi lá que ele buscou, com um farmacêutico, alívio para suas crises de asma.
Na atual Ruta del Che, com início em La Higuera, a outra extremidade da fatalidade histórica de Guevara situa-se em Vallegrande. Esta, sim, uma cidade de 10 mil habitantes, com traços coloniais e alguma vitalidade econômica concedida pelo vale fértil para a agricultura, aos pés dos Andes. Para Vallegrande foi levado o corpo do mais procurado dos guerrilheiros.
Vala
A vala onde ele foi enterrado com os companheiros também ganhou apelo turístico (Aizar Raldes/AFP)
Uma testemunha recorda: era pouco antes do pôr do sol e o cadáver de Che veio amarrado nos trens de pouso de um helicóptero, sacudindo-se até a aterrissagem no aeroporto. Uma pequena multidão aglomerava-se e invadiu a pista para ver o desumano troféu. Os policiais tiveram dificuldade para controlar a situação. E Che, por fim, foi enfiado num carro até o hospital local.
Na lavanderia do Hospital Señor de la Malta, improvisada em morgue, a imprensa internacional testemunhou o momento mesmo em que Che Guevara saía da vida para entrar na mitologia. A lavanderia virou santuário, com as paredes revestidas de mensagens de adoração. Até velas costumam ser acesas no lugar.
Os locais passaram a acreditar que “Santo Ernesto” operava curas miraculosas. A crença nasceu da suspeita de que Che, na verdade, estava vivo, já que seus olhos semiabertos pareciam acompanhar os observadores ao longo da sala.
Disfarce
O "empresário uruguaio" da foto de passaporte seria visto semanas depois com seu rosto verdadeiro
Em Vallegrande, o turismo da guerrilha é altamente organizado. Há seis visitas guiadas por dia (a 24 reais). O Centro de Informação Turística (Plaza Principal 26 de Enero, tel. +591 7009 1023) recomenda o Centro Cultural Ernesto Che Guevara, o memorial erigido no sítio onde o corpo de Che foi enterrado numa cova rasa, sem identificação, de forma a que a campa não virasse local de culto.
Por precaução, as mãos do Che já tinham sido cortadas – também para dificultar uma futura identificação. Em 1997, os restos mortais foram exumados e levados para o jazigo perpétuo, em Cuba.
Programações variadas estão agendadas para estes dias em Vallegrande (no Facebook, veja a página do Turismo Vallegrande Bolivia) e em La Higuera, com a presença dos quatro filhos de Guevara, que moram em Cuba, e a apresentação do documentário As Mãos de Che Guevara. 
A cruel ironia é que sobra, em morte, o entusiasmo solidário que faltou a Che Guevara em vida, naqueles grotões em que ele sonhou mobilizar os camponeses locais para a causa da revolução. Em vão. No diário encontrado em sua mochila, ele anotou sua desilusão: “Os habitantes desta região têm cabeças impenetráveis como rochas”.

Um país não muda com bruxarias

Um país não muda com bruxarias

Estamos a um ano das incertas – não é exagero dizer- eleições presidenciais.
E, quem sabe, do início do fim de um período de turbulência que, em seus quatro anos de duração, nos levou de um tempo de normalidade e progresso – não grandes, mas o que é possível por aqui – para outro de espantos e desastres.
Talvez, apenas talvez, porque ódio é sentimento mais duradouro que amor, desde sempre, na história humana. E que só pode passar depressa no coração de quem é vítima, porque o do odiador é mau e ressentido.
Não haverá país algum no final do torvelinho em que nos meteram se persistirem nessa loucura de retirar Lula da disputa eleitoral, porque afinal é isso do que se trata e não de triplex, pedalinho ou aluguel.
Como o dono da bola que perde uma partida atrás da outra,, a elite brasileira resolveu “melar” o jogo democrático e o resultado é uma tremenda confusão, onde quem mais tem poder no campo é a PM judicial, com seus cassetetes.
Claro, envergando bem cortados paletós, barbas quase desenhadas a lápis e ares de rapazes pudicos.
O discurso de “livrar o país da corrupção” só serviu para entregá-lo uma quadrilha da mais baixa extração.
Achavam que era apenas temporário, uma “pinguela”, que logo tudo estaria nas mãos do tucanato.
Seus nomes – Alckmin, Doria, Aécio, Serra – foram quase todos para o lixo e mesmo o governador de São Paulo não vai além de 8% nas pesquisas, arriscado a ter de dividir o que sobrar do desastrado Doria com o bolsonarismo.
É possível que, ainda, arranjem outra invenção, para não virarem conscritos nas “tropas” do capitão. Mas todos eles, até o pimpão Rodrigo Maia , terão que lidar com o estigma Michel Temer e quem resiste a esta marca de Caim?
Por tudo, a experiência Collor é muito improvável que se repita.
A história não se inventa. A esperteza, na política, estraga tão rápido quanto o peixe sai da geladeira.
A história é um processo social, soma de sonhos e experiências de uma imensa coletividade, não  basta que o candidato a presidente seja um sujeito muito bom, agradável, até.
Está se desenvolvendo no Brasil uma espécia de “banzo da normalidade”, aquele sentimento de tristeza de nossos irmãos negros arrancados de sua África e postos a sofrer nestas terras.
Lula, a quem julgavam destruído, vai se revelando indestrutível e eleitoralmente invencível.
E um ato de força para tira-lo das eleições vai comprometer qualquer resultado das urnas, se tivermos urnas.

A última viagem de Ernesto

A última viagem de Ernesto

Em entrevista feita há seis anos, amigo de infância conta detalhes da personalidade e da viagem que fez pela América Latina com Che Guevara, morto há 50 anos
Nesta semana o argentino Ernesto Guevara de la Serna, que entrou para a história simplesmente como Che, será lembrado mundo afora em razão dos 50 anos de sua morte, em 9 de outubro de 1967.
Após a Revolução Cubana, em 1959, Che tornou-se um destacado membro do governo de Cuba e logo se transformou numa espécie de embaixador guerrilheiro do país mundo afora, participando de lutas fracassadas primeiro no Congo, em 1965, e depois na Bolívia, dois anos mais tarde, quando foi preso e executado.
Em 1953, ao lado do amigo de infância Carlos Calica Ferrer, quando acabava de se formar em medicina, Ernesto Guevara fez sua segunda e última viagem pela América Latina – ao final dela, no México, ele conheceria os irmãos Fidel e Raúl Castro e, ao lado de outros barbudos, faria história.
Nascido em 14 de maio de 1928 em Rosário, Argentina, Che se mudou com a família, quando tinha apenas 4 anos, para o pequeno município de Alta Gracia, na província de Córdoba, no norte da Argentina. A razão da mudança era o excelente clima da cidade encravada nas montanhas cordobesas, ideal para tratar doenças respiratórias como a asma, que atormentaria o futuro guerrilheiro por toda a vida.
Uma das primeiras crianças que Ernesto conheceu em Alta Gracia foi Carlos, um ano mais novo, cujo pai, médico, foi o primeiro a cuidar de sua saúde. Tornaram-se amigos de escola, de travessuras e de boemia. Em 1953, quando tinham 20 e poucos anos, eles fizeram uma viagem em que cortariam juntos, de carona, Bolívia, Peru e Equador, onde se separaram. Ernesto seguiu para a América Central, enquanto Carlos se radicou na Venezuela.
O giro com o amigo cordobês foi o último pela América Latina – o primeiro, com Alberto Granado, anos antes, seria retratado no cinema no filme Diários de motocicleta, de Walter Salles. Aos 88 anos, Carlos Calica Ferrer ainda vive em Buenos Aires, onde esta entrevista foi feita, no segundo semestre de 2011. Nela, ele conta sobre sua relação com Ernesto – como ele se refere ao Che até hoje – e histórias da viagem e da personalidade do amigo que se tornaria um dos rostos mais famosos do século XX.
Veja a entrevista de Carlos Calica Ferrer:

*Imagem destacada: Reprodução
Fonte: Pública

Cuba presta homenagem a Che Guevara no 50º aniversário de sua captura e morte

Cuba presta homenagem a Che Guevara no 50º aniversário de sua captura e morte

INTERNACIONAL
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Cuba presta homenagem a Che Guevara no 50º aniversário de sua captura e morte
Por Sara Gómez Armas
Para o Opera Mundi
Com honras de herói, Cuba rendeu tributo neste domingo (08) à figura e legado de Ernesto Che Guevara, tido como um "gigante moral" que deve ajudar a guiar novas gerações perante novas ameaças do imperialismo, pelo 50° aniversário de sua morte em combate na Bolívia. Che morreu nas mãos das forças de segurança bolivianas em 9 de outubro de 1967.
"Jovens de todo planeta encontrarão na sua vontade de aço, sua fé na humanidade, sentido da honra e dignidade, audácia e austeridade, a inspiração para construir um mundo melhor", afirmou o primeiro vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, no discurso do ato de homenagem, realizado hoje na cidade de Santa Clara, frente ao mausoléu que abriga os restos do guerrilheiro.

O presidente cubano e companheiro de luta em Sierra Maestra, Raúl Castro - que não fez nenhum discurso -, acompanhado de altos cargos no país e vestido de uniforme militar, depositou uma rosa branca sobre o mausoléu que abriga os restos do revolucionário argentino há 20 anos.
Esse mausoléu, inaugurado em outubro de 1997, quando chegaram a Cuba os restos mortais de Che 30 anos após sua execução em decorrência de sua capturado pela CIA na Bolívia, se transformou em local de peregrinação de militantes da esquerda de todo o mundo e foi visitado por 4,7 milhões de pessoas.

Canel lembrou de Che "como um ser humano íntegro", "modelo de homem altruísta" e "excepcional revolucionário" durante o ato em Santa Clara, cidade libertada pela coluna liderada por Ernesto Guevara durante a luta insurgente contra o regime de Fulgêncio Batista em dezembro de 1958.

Essa batalha foi crucial para o triunfo definitivo, em janeiro de 1959, da Revolução liderada por Fidel Castro e à qual Guevara serviu nos seus primeiros anos como diretor do Banco Central e Ministro de Indústria.
Para Canel, o legado de Che se transforma hoje em um "reforço moral" para enfrentar o futuro em "um mundo acumulado de contradições e incertezas" com constantes ameaças à paz e à segurança internacional por parte de "poderosos interesses de dominação e conquista".

O vice-presidente se referiu aos planos "colonizadores" dos Estados Unidos, que pretendem abrir passagem ao capitalismo e ao imperialismo - principal inimigo de Che em suas lutas por todo o mundo - em Cuba e em seu principal aliado na região, a Venezuela.

"A história nos ensina que quando um projeto revolucionário, social diferente, mais justo e mais humano, entra em andamento, em seguida enfrenta enormes dificuldades, fortes pressões econômicas e diplomáticas, campanhas midiáticas de desprestígio e difamação, inclusive a ameaça de intervenção militar para castigar sua ousadia", disse.

Neste novo contexto, Canel disse que o "exemplo do 'Che' se agiganta e se multiplica" no povo cubano, que defenderá para sempre a sua Revolução".
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Mausoleu-che
Homenagem aconteceu no mausoléu de Che na cidade cubana
Entre os presentes, Elisdari, uma estudante pré-universitária, qualificou Che como uma das personalidades "mais importantes da história de Cuba e também de toda América Latina", uma figura que "chega ao coração de todo o mundo".

"Para Santa Clara é muito importante que os seus restos estejam aqui. Como grande internacionalista, foi a outros países para melhorar a vida dos demais após ter combatido no nosso território", afirmou o atleta aposentado Luis Alberto García sobre as missões revolucionárias de Che no Congo e na Bolívia após o triunfo da Revolução em Cuba.

"Che nos representou nas lutas revolucionárias de todo o povo do mundo. É um exemplo para o internacionalismo, como foi Fidel e todos os grandes heróis da nossa história e os libertadores da América", destacou Alina Prieto, uma professora de Santa Clara.

As homenagens a Che, guerrilheiro heróico da Revolução, ocorreram em todo o país por causa do 50° aniversário de sua execução com festas culturais, exposições e matérias especiais na imprensa.
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Raúl Castro acompanhou a cerimônia
A Caros Amigos lançou esse mês uma edição especial em homenagem aos 50 anos sem Che Guevara. Nas bancas de todo o Brasil ou se preferir na loja virtual.

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