terça-feira, 10 de outubro de 2017

Xadrez do maior golpe da história


Xadrez do maior golpe da história

ARTIGOS E DEBATES
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Xadrez do maior golpe da história
Por Luis Nassif
Do Jornal GGN
Na edição, de ontem a Procuradora Regional da República Eugênia Gonzaga – no artigo “As agressões à aniversariante da semana, a Constituição” – chamou a atenção para um conjunto de medidas que estão sendo tomadas, configurando um todo lógico na direção do maior golpe da história.
Entram aí as mudanças nas reservas indígenas, a concessão de terras públicas ao agronegócio e à mineração, a venda de terras aos estrangeiros e os investimentos em infraestrutura à rodo, sem analisar as consequências sobre preços futuros das tarifas.
O corolário dessa história é a Lei no. 13.334, de 13 de setembro de 2016, que cria o Programa de Parceria de Investimentos (PPI) da Presidência da República.
Peça 1 – PPI, o maior golpe da história
Primeiro, vamos entender como funcionará o PPI.
O balcão de negócios
Aqui, os empreendimentos abrangidos pela PPI:
O que diz a lei
Entram no PPI os seguintes empreendimentos:
 - os empreendimentos públicos de infraestrutura em execução ou a serem executados por meio de contratos de parceria celebrados pela administração pública direta e indireta da União;
II - os empreendimentos públicos de infraestrutura que, por delegação ou com o fomento da União, sejam executados por meio de contratos de parceria celebrados pela administração pública direta ou indireta dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e
III - as demais medidas do Programa Nacional de Desestatização a que se refere a Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997.
§ 2º Para os fins desta Lei, consideram-se contratos de parceria a concessão comum, a concessão patrocinada, a concessão administrativa, a concessão regida por legislação setorial, a permissão de serviço público, o arrendamento de bem público, a concessão de direito real e os outros negócios público-privados que, em função de seu caráter estratégico e de sua complexidade, especificidade, volume de investimentos, longo prazo, riscos ou incertezas envolvidos, adotem estrutura jurídica semelhante.
As consequências
Não haverá área do Estado imune a esse projeto. Poderão entrar concessões de infraestrutura e arrendamento de terras da Amazônia e de todos os Estados e Municípios que sejam concessão ou tenham recursos da União.
Os donos do guichê
A porta de entrada será o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (CPPI), coordenado pelo impoluto Wellington Moreira Franco.
O Conselho analisará todos projetos de infraestrutura, de todas as áreas públicas, do Executivo federal, dos estados, municípios, da administração direta e indireta, do Programa Nacional de Desestatização. E decidirá quem entra ou não, assim como as regras do jogo, as condições para a concessão.
O que diz a lei
O poder do Conselho é total:
Art. 5º Os empreendimentos do PPI serão tratados como prioridade nacional por todos os agentes públicos de execução ou de controle, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Serão membros do Conselho, com direito a voto, o Ministro do Estado Chefe da Secretaria Geral da Presidência, o da Casa Civil, o da Fazenda, o dos Transportes, o de Minas e Energia, o do Planejamento, o do Meio Ambiente, os presidentes do BNDES, da Caixa e do Banco do Brasil
As consequências
Definirão os vitoriosos, entre outros, as seguintes pessoas físicas: Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha, Henrique Meirelles, Maurício Quintella, Fernando Coelho Filho, José Sarney Filho, Gilberto Occhi.
Geddel Vieira Lima não participará porque quis receber adiantado.
Liberação de licenças
O que diz a lei
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“Acompanhamento do Conselho para a liberação de todas as licenças necessárias autorizações, registros, permissões, direitos de uso ou exploração, regimes especiais, e títulos equivalentes, de natureza regulatória, ambiental, indígena, urbanística, de trânsito, patrimonial pública, hídrica, de proteção do patrimônio cultural, aduaneira, minerária, tributária, e quaisquer outras, necessárias à implantação e à operação do empreendimento
Segundo o PPI, “entende-se por liberação a obtenção de quaisquer licenças, autorizações, registros, permissões, direitos de uso ou exploração, regimes especiais, e títulos equivalentes, de natureza regulatória, ambiental, indígena, urbanística, de trânsito, patrimonial pública, hídrica, de proteção do patrimônio cultural, aduaneira, minerária, tributária, e quaisquer outras, necessárias à implantação e à operação do empreendimento”.
As consequências
Hoje em dia, o governo Temer já aparelhou a maioria dos órgãos de controle. Mas sempre há a resistência dos setores técnicos, que devem obedecer aos instrumentos legais que regem sua atuação, sob pena de serem denunciados.
Com o novo modelo, todo pecado será perdoado. A determinação final – que todos os técnicos terão que seguir – virá desse Conselho presidido por Temer, conduzido por Moreira Franco, Eliseu Padilha entre outros.
É dessa lógica a liberação de áreas indígenas para concessões à mineração e ao agronegócio, a venda de terras aos estrangeiros, entre outras leis complementares.
Quem assina a Lei
A lei foi assinada por:
Michel Temer, presidente, considerado chefe de uma organização criminosa.
Maurício Quintela, deputado pelo PR de Alagoas, condenado pelo desvio de dinheiro destinado ao pagamento de merenda escolar do estado (https://goo.gl/GhLTk5).
Fernando Coelho Filho, deputado novato, filho do senador Fernando Bezerro Coelho, acusado de pedir propinas para o esquema Petrobras (https://goo.gl/MPNfdT).
Dyogo Henrique de Oliveira, Ministro do Planejamento, técnico de carreira, que permaneceu no cargo por ser o interlocutor mais constante com Romero Jucá, senador.
José Sarney Filho, da família Sarney (https://goo.gl/WgHuww).
Resultados finais
A maior parte dos membros do governo recebeu propinas por diretores indicados para a Petrobras. Agora, terão o poder de decisão – amparados por leis que eles próprios redigiram – para indicar quem quiser para esse programa.
Alguma dúvida sobre o super-balcão de negócios?
Peça 2 – as responsabilidades institucionais
Se terá a situação insólita de, pela primeira vez na história, em uma economia da dimensão da brasileira, todos os projetos do Estado, de concessão a obras financiadas, ficarem sob o controle de uma organização criminosa.
Não se trata apenas do crime pontual, mas de decisões que reverberarão daqui para frente no destino do país, impactando custo de tarifas, desenvolvimento regional, setores estratégicos.
Nos anos 90, uma reforma malfeita do setor elétrico matou um dos grandes diferenciais de competividade brasileiro: o custo da energia.
A infraestrutura exige planejamento sistêmico, inteligência estratégica, de maneira que os setores mais atraentes sejam combinados com áreas de menor interesse, para que haja a universalização dos serviços. Tem que haver integração entre as obras, racionalidade dos investimentos.
Esses objetivos ficarão sob a guarda da pior quadrilha que já apareceu na vida pública nacional.
A manutenção dessa quadrilha no poder trará prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento brasileiro.
Há uma responsabilidade objetiva de vários poderes, para impedir esse desastre.
A Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal devem ao país a aceleração das ações contra as pessoas com direito a foro.
Se existe um tema para fortalecer um pacto nacional, é este, o de livrar o país de um golpe que desarticulará completamente a área pública.
Imprensa, partidos políticos, do PSDB ao PT, PGR, STF não podem fugir dessa responsabilidade.
Perto do que está para vir, todo o histórico de golpes no país não passará de pixulecos.

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Globo e Lava Jato criminalizaram demanda por igualdade, afirma sociólogo

Globo e Lava Jato criminalizaram demanda por igualdade, afirma sociólogo

COTIDIANO
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Globo e Lava Jato criminalizaram demanda por igualdade, afirma sociólogo
Por Vitor Nuzzi
Da Rede Brasil Atual
O professor e sociólogo Jessé Souza não esconde que o seu objetivo é ambicioso: reescrever a história da formação da sociedade brasileira, confrontando pensadores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. A premissa de A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava Jato (Casa da Palavra/Leya), que teve lançamento ontem (9) à noite em São Paulo, é de que os chamados donos do poder perpetuaram um modelo baseado na servidão, simbolizada pela "ralé" dos dias atuais. "É uma elite que entrega o país, sempre entregou, sempre produziu golpes de Estado", afirmou o autor, ao lado do jornalista Paulo Henrique Amorim, durante conversa aberta ao público, presente em número bem maior que os 168 lugares do auditório.
No livro recém-lançado, o autor procura demonstrar que a corrupção não é o problema central do país, "mas a manutenção secular de uma sociedade desigual". Patrionalismo e populismo são conceitos usados para evitar avanços de setores populares e identificar as origens dos males brasileiros: o vício é o Estado, a virtude é o mercado. Um pensamento que não só predomina, como é amplificado pela mídia tradicional, que Jessé Souza compara, ironicamente, à da Coreia do Norte, na medida em que tem "uma opinião só". Ele cita a Rede Globo como "o real partido, a boca do capital financeiro".
O sociólogo critica a falta de uma formulação "de esquerda" para a análise social. Em artigo, ele já afirmou que a predominância de uma leitura "liberal e conservadora" fez a esquerda ser sempre dominada pelo discurso do adversário. Em uma plateia com as presenças de líderes do PT (Rui Falcão e José Américo) e do Psol (Gilberto Maringoni), além do professor Ladislau Dowbor, o sociólogo e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identifica nos antigos pensadores raízes da classificação do brasileiro como "vira-lata". "A classe média está subjugada há 100 anos por um discurso do qual é portadora", diz o atual professor titular de Filosofia na Universidade Federal do ABC.
E a elite econômica brasileira mantém o modelo da elite escravagista. "De rapina, mesquinha", como define o autor.  "Não planeja o futuro a longo prazo. Ela quer o agora, quer vender o petróleo agora, a água."
Assim, a Operação Lava Jato encaixa-se no modelo histórico que quer condenar o Estado, identificado apenas como fonte de corrupção, ignorando o que o sociólogo chama de "verdadeiro roubo", que são, por exemplo, os juros, os oligopólios, a dívida pública, planos de saúde ligados a bancos. "O sistema político inteiro foi montado para ser corrupto, para ser comprado pelo mercado.
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Mais uma vez em nome da corrupção e com apoio da mídia, o recente ataque foi seletivo (a apenas um partido, o PT, e de base popular), buscando reduzir um incipiente processo de transformações e melhorias sociais nos governos recentes a um período de "pilhagem do Estado", fazendo a demanda moral por igualdade regredir no Brasil. "A Globo e a Lava Jato criminalizaram a demanda por igualdade", afirma. Para o sociólogo, nomes como o de Jair Bolsonaro são o resultado direto do "casamento" entre emissora e força-tarefa.
Estado "mordomo"
No fundo, diz Jessé, não se percebe no país a importância do pensamento. "Nosso comportamento não é automático, é guiado por ideias", diz. Ele analisa, no livro, a perda de poder político da elite paulista durante a era Vargas e critica o pensamento predominante que faz do Estado o "mordomo" da história, o suspeito preferido, teoria adequada para os interesses da elite econômica, tornando possível "fazer do mote da corrupção apenas do Estado o núcleo de uma concepção de mundo que permite a elite mais mesquinha fazer todo um povo de tolo". Essa concepção, escreve, "não é apenas de Sérgio Buarque nem é algo dos longínquos anos 1930", mas é "Brasil 2017 na veia!".
Com a elite detendo o capital econômico, coube à classe média o "capital cultural", a valorização pelo conhecimento. Patrimônio que estaria sendo "ameaçado", diz Jessé, pela chegada de camadas populares à universidade. "A classe média se apavorou." Ele faz a ressalva de que não se trata de uma camada social uniforme: sempre teria existido uma parcela "pró-fascista", mas também uma parte mais liberal, que igualmente foi para as ruas e hoje estaria sentindo "vergonha" do resultado das manifestações.
O escritor cita um outro sociólogo, o alemão Norbert Elias, para destacar que a civilização europeia se origina justamente a partir da ruptura com a escravidão. Sem esse rompimento, em termos históricos e sociais, no Brasil não há preocupação com os mais pobres. "Você não se condói do sofrimento do outro."
Paulo Henrique Amorim pergunta ao sociólogo sua opinião sobre a obra "seminal, secular", do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (cujo livro Dependência e Desenvolvimento na América Latina, escrito com o chileno Enzo Faletto, está completando 50 anos). O autor responde que, durante a elaboração de seu livro, releu formulações sobre a teoria da dependência: "Não consegui ver nada de importante ali".

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Para deputado, Temer jogará pesado para barrar denúncia; parecer será lido hoje

Para deputado, Temer jogará pesado para barrar denúncia; parecer será lido hoje

POLÍTICA
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Como o processo envolve o chefe do Executivo e ministros, o STF só poderá analisar a denúncia sob autorização da Câmara
Por Cristiane Sampaio
Do Brasil de Fato
O parecer sobre a denúncia contra o presidente golpista Michel Temer (PMDB) deve ser lido na tarde desta terça-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.  
O trâmite do processo se dá em meio ao acirramento das disputas entre governo e oposição e num cenário de desidratação da figura do peemedebista, que está diante de uma opinião pública interessada na abertura do processo: segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, 89% das pessoas são favoráveis à investigação.
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Porém, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), articula pela abreviação do trâmite, de forma a evitar um maior desgaste para o governo. Pacheco tem manifestado a intenção de iniciar a discussão sobre o texto ainda nesta terça. No entanto, nos bastidores, a expectativa é de que seja feito pedido de vista, o que deve empurrar o debate e a votação do relatório para a próxima semana.   
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Escolhido em meio a muita polêmica, o relator do processo, deputado Bonifácio da Andrada (PSDB-MG), não antecipou se o voto será pela rejeição ou pela aceitação da denúncia. No entanto, o tucano costuma acenar favoravelmente ao governo. Na primeira denúncia, por exemplo, ele votou pela recusa.  
O processo envolve não só Michel Temer, mas também os ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Casa Civil, Moreira Franco e Eliseu Padilha, respectivamente. Os três são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de obstrução de Justiça e organização criminosa. Esta última, que é a base da acusação, deve ser o foco do relatório de Andrada. Como o processo envolve o chefe do Executivo e ministros, o STF só poderá analisar a denúncia sob autorização da Câmara.  
Após a leitura do parecer dele, o rito inclui a manifestação dos três advogados de defesa, com possível pedido de vista logo na sequência. Com isso, o tema deve retornar à pauta da CCJ na próxima terça-feira (17), quando deve se iniciar o debate sobre o texto do relator. Independentemente do resultado da votação no colegiado, o relatório será apreciado também pelo plenário, que deve realizar a votação na segunda quinzena deste mês, por volta do dia 24.  
Oposição 
Diante do cenário de aumento da rejeição à figura de Temer e dos crescentes escândalos de corrupção envolvendo nomes da cúpula do Executivo, a oposição avalia que o contexto no Legislativo está mais espinhoso para o peemedebista.  
O líder do PSOL, deputado Glauber Braga (RJ), aponta que alguns deputados estariam receosos em votar a favor do governo.  
"O governo tem menos margem de manobra agora por conta do processo de pressão que está acontecendo nas bases dos parlamentares que blindaram o Temer na primeira denúncia. Essa margem de manobra diminui por conta do peso da opinião pública e dos moradores dos respectivos estados. Mas não tenho dúvida: eles [governistas] vão jogar pesado do mesmo jeito como já jogaram na primeira denuncia”, disse Braga, em referência às manobras da base aliada para tentar vencer a disputa. 
Assim como foi feito na primeira denúncia, o governo tem intensificado a liberação de emendas parlamentares. Além disso, novamente estão sendo trocados membros titulares da CCJ para garantir um placar de votação com menor margem de derrota para os governistas. Desde a apresentação da denúncia pela PGR, pelo menos oito deputados foram substituídos.

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Não há mais Justiça, há política

Não há mais Justiça, há política

Começa hoje, com a leitura do relatório do provecto deputado Bonifácio de Andrade, tucano e aecista, sobre a denúncia do finado Rodrigo Janot contra Michel Temer, levando de carona Moreira Franco e Eliseu Padilha.
Ninguém, em sã consciência, espera resultado diferente da recusa à abertura de um processo. Para quase todos os deputados, tanto fará abrir ou não a capa do processo ou ler uma linha sequer das alegações.
Dois mil quilômetros ao Sul, três homens analisam a sentença de Sérgio Moro condenando Lula e, para pelo menos um deles, servirá o exemplo do presidente do Tribunal Regional Federal em que funcionam: não é preciso nenhuma análise do que o processo contém, pois Lula é culpado, já o disseram Sérgio Moro e a mídia.
Os deputados, ao encontrarem qualquer sinal de culpa – imagens, documentos, gravações – dirão que isso não virá ao caso com Temer e que o importante, mesmo, é preservar a “recuperação da economia” (?!) e a estabilidade política.
Já os desembargadores, diante de qualquer dúvida da culpa do réu, pensarão que, importante mesmo, é “a moralização” do país e o efeito-exemplo de condenar um ex-presidente, para glória da lenda de que a lei é igual para todos. Dane-se a estabilidade democrática, dane-se a livre manifestação do juiz que está acima deles – embora jamais o reconheçam – que é o povo brasileiro.
Há, depois, outra consideração.
Os deputados que absolverão Temer serão apenas mais um numa multidão de canalhas, e lá em Araçoiaba da Sera quase ninguém vai saber disso e, na periferia, os manilhões pelos quais negociou seu voto absolutório certamente renderão mais votos e gratidões do que aquele chato que fica repetindo que o candidato votou com Temer.
Já  um desembargador, caso se atreva a inocentá-lo, por uma razão de consciência e diante de um processo inspirado nas altas lições jurídicas que Moro soprou à opaca Ministra Rosa Weber, onde ‘não há provas cabais mas a jurisprudência me permite condenar”, serão expostos à execração pela mídia, estão sujeitos a qualquer louco furioso interpelá-lo com a família num restaurante ou, quem sabe, a uma “expedição punitiva” dos MBLoucos.
Qualquer pessoa que não esteja dominada pelo ódio e ainda dê alguma importância àquele velho adereço da deusa da Justiça -a balança anda aposentada, enquanto a espada anda “a mil” – tem aí um retrato de como se processam os julgamentos no Brasil.
Sempre o foram, claro, quando se tratava de absolver ou atenuar penas de gente endinheirada.
Mas passaram, agora, a serem condenatórios para interferir no processo politíco.
A corrupção? Ora a corrupção…Tanto que a Transparência Internacional diz que, para 78% dos brasileiros a corrupção aumentou no último ano, com a Trupe Temer-Moreira-Eliseu-Geddel…
A corrupção, está claro, é o que menos importa neste processo.
É a política, só ela.

Temer usa dinheiro público para salvar banqueiros

10 de outubro de 2017 - 10h59 

Temer usa dinheiro público para salvar banqueiros


Divulgação
  
O projeto altera as medidas previstas pelo sistema financeiro nacional para socorro a bancos e credores dessas instituições, pretendendo implementar regras que garantam um "seguro-falência" aos banqueiros às custas do Tesouro Nacional, prejudicando o contribuinte.

Para o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), a proposta é absurda, pois premia o proprietário de banco que fizer gestão temerária e conseguir quebrar a sua empresa.

"Enquanto o trabalhador, a dona de casa, as classes mais populares, a classe média tem que cuidar muito bem das suas contas, o governo não pode simplesmente premiar com dinheiro público banqueiros que forem à falência. Esse projeto é, na verdade, a volta do famigerado Proer, que foi usado nos anos 90 pelo então presidente FHC para socorrer os banqueiros amigos dele", denuncia Chico Lopes, defendendo mobilização social para rejeitar o projeto no Congresso.

Segundo o parlamentar, o projeto rasga a Lei de Responsabilidade Fiscal. “A Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi tão utilizada pelo governo tucano para pregar austeridade, ajuste fiscal, rigor nas contas públicas, será agora desrespeitada se esse projeto for aprovado, pois o texto quer autorizar justamente o que a lei proíbe: que o Tesouro Nacional coloque dinheiro para salvar bancos quebrados", diz o parlamentar.


Do Portal Vermelho, com informações da assessoria do deputado Chico Lopes