terça-feira, 10 de outubro de 2017

Magistrados dizem que reforma trabalhista não pode ser aplicada como foi aprovada


Magistrados dizem que reforma trabalhista não pode ser aplicada como foi aprovada

POLÍTICA
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Godinho, do TST, disse que a reforma prejudica o acesso à Justiça do Trabalho
Por Matheus Teixeira
Do Consultor Jurídico
Aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República, a reforma trabalhista ainda não foi discutida pelos tribunais, mas juízes, desembargadores e ministros da Justiça do Trabalho já dizem que as novas normas não poderão ser aplicadas integralmente.
Eles se reuniram em Brasília nesta segunda-feira (9) em evento da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). No encontro, ministros do Tribunal Superior do Trabalho, desembargadores, procuradores e auditores fiscais do Trabalho, entre outros, fizeram duras críticas às mudanças nas leis que regem as relações entre patrões e empregados e avisaram: diversos pontos da reforma não se tornarão realidade, pois desrespeitam a Constituição Federal e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Para o ministro do TST Mauricio Godinho, por exemplo, caso a nova lei seja interpretada de maneira literal, a população não terá mais acesso à Justiça do Trabalho no Brasil, o que representaria clara ofensa ao princípio do amplo acesso ao Judiciário estabelecido pela Constituição.
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“Faremos a interpretação do diploma jurídico em conformidade com a Constituição. Não houve constituinte no País e não houve processo revolucionário que tenha suplantado a Constituição Federal. A Constituição é a grande matriz que vai iluminar o processo interpretativo da Reforma Trabalhista”, avisou.
O Brasil, lembrou o magistrado, é um 10 países do mundo que mais subscrevem ou ratificam tratados internacionais – segundo ele, são mais de 80. E a jurisprudência fixada pelo Supremo Tribunal Federal, ressaltou Godinho, é no sentido de que os acordos com outras nações têm força supralegal e devem ser respeitados como qualquer outra norma jurídica vigente. 
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Ele listou alguns pontos da nova lei que considera prejudiciais aos trabalhadores. Equiparar a dispensa coletiva a demissões isoladas, disse, é um dos exageros. Na visão do ministro, não há como dizer que demitir uma pessoa é a mesma coisa do que dispensar 4 mil funcionários. "A Constituição e outras normas, como o Código de Processo Civil, tratam com cuidado e zelo à figura do abuso do direito", argumentou.
As novas regras que disciplinam os contratos com autônomos não poderão valer para todas as situações, afirmou. Deve-se examinar caso a caso: "Se os elementos de relação de emprego estiverem presentes, o indivíduo é empregado e ponto final".
O trecho do texto que trata do salário e sua composição também deverá ter uma interpretação restritiva, defendeu Godinho. “Como uma gratificação habitual vai deixar de compor o salário? Gratificação dada durante vários anos faz parte do salário por força de princípios da CF e do tratado da Organização Internacional do Trabalho”, frisou.
Vincular o cálculo da indenização por danos morais ao salário é questionável, apontou. Com a terceirização da mão de obra em atividade fim, permitida pela Lei 13.429/2017, aprovada pouco antes da reforma, a tendência é que se acabem as categorias profissionais, pois todos serão terceirizados, sustentou. Os três métodos de interpretação das leis, o lógico racional, o sistemático e o teleológico, terão que ser aplicados na análise de processos após a reforma, disse.
O Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho e ministro do TST, Renato de Lacerda Paiva, evitou fazer críticas diretas à reforma, mas reconheceu que é um momento delicado para a advocacia trabalhista no Brasil. "O que ocorre no momento é uma mudança de paradigma conjuntural da sociedade. Mera conjuntura. E acho que temos que ter essa percepção, que já passamos por momentos piores e superamos. E vamos superar esse agora também, que vai passar”, previu.
E o evento é oportuno para se discutir esse novo paradigma que, segundo ele, quem escolheu foi a sociedade. "Que esse debate seja feito em alto nível, com equilíbrio e respeito. Com tranquilidade e sem paixão, para que nós consigamos alcançar resultados que tragam aquilo que sempre fizemos. Nosso papel na sociedade sempre foi o de promover a paz social e a segurança jurídica. Que o resultado desse evento possa ser nessa direção. Vamos dar um testemunho à sociedade do que nós somos”, afirmou.
Aqueles que criticam os profissionais da área trabalhistas, disse, o fazem por desconhecimento. “Como corregedor, posso garantir que a Justiça do Trabalho é seríssima e se pautada pela excelência, com raríssimas exceções”, salientou.
O presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano, classificou a nova legislação como “altamente polêmica” e admitiu que faz parte da corrente que vê na lei inúmeras "inconstitucionalidades e inconvencionalidades". Vários pontos da reforma também se chocam com tratados internacionais, que integram o ordenamento jurídico com status de supralegalidade, defendeu. A norma não é o texto, a norma é o que se extrai do texto, explicou.
Ele comemorou a alta adesão de profissionais da área ao evento, que teve mais de 600 inscritos, e disse que o encontro servirá para descortinar um horizonte hermenêutico em relação ao tema. “Negar ao Judiciário a sua independência institucional ─ e, ao juiz, a sua independência técnica ─, em qualquer tema que seja (inclusive na reforma), é fazer claudicar o sistema constitucional de freios e contrapesos. É ferir de morte a Democracia. E é, no limite, negar um dos fundamentos da República”, disse.
Garantias individuais respeitadas
Ele criticou as afirmações de que os juízes do Trabalho vão "ignorar" a nova legislação ou que a própria subsistência da Justiça do Trabalho estaria condicionada ao cumprimento da Lei 13.467/17. Não há como saber de antemão como a lei será aplicada, avisou: "Na livre convicção motivada de cada juiz do Trabalho, a partir de 11 de novembro, reside a indelével garantia do cidadão. A garantia de que o seu litígio será concretamente apreciado por um juiz natural, imparcial e tecnicamente apto para, à luz das balizas constitucionais, convencionais e legais, dizer a vontade concreta da lei".
Para o presidente da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas  Roberto Parahyba, “a reforma foi aprovada de uma forma açodada, com uma urgência irresponsável e desmesurada, em que pretende atacar os alicerces sob os quais encontram-se construídos todos os princípios do Direito do Trabalho e do direito social, que são espécie do gênero direitos fundamentais”. O objetivo do encontro, disse, é tentar minimizar ao máximo o impacto da reforma.

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POLÍTICA
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“O governo lança mão de todos os subterfúgios que dispõe para tentar salvar esse presidente que além de ilegítimo, possui a maior taxa de impopularidade da história”, diz Chico Alencar (PSol-RJ)
Por Hylda Cavalcanti
Da Rede Brasil Atual
O relatório sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer por organização criminosa e obstrução de justiça será lido nesta quarta-feira (10) na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara a partir de 15h, iniciando um processo que o governo pretende tratar como uma reedição da primeira denúncia. Os oposicionistas reclamaram muito, hoje, dos recursos que já começam a ser negociados para posterior liberação em troca da votação dos deputados favorável ao governo. Dados divulgados por deputados do PT, PCdoB e até do PMDB são de que foram empenhados nos últimos 30 dias R$ 1 bilhão em emendas parlamentares, para liberação após a votação da matéria no plenário da Câmara.
“É a velha prática em ação. Não tem jeito, o governo está lançando mão de todos os subterfúgios que dispõe para tentar salvar a pele desse presidente que além de ilegítimo, possui a maior taxa de impopularidade da história”, disse Chico Alencar (PSol-RJ).
A primeira parte da sessão de hoje foi dedicada à discussão e aprovação de requerimentos e questões de ordem sobre temas que os oposicionistas não abrem mão, como desmembramento da denúncia, apresentação de relatório e voto em separado e questionamentos sobre trocas de cadeiras no colegiado.
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Os dois primeiros requerimentos foram de autoria, respectivamente, dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Alessandro Molon (Rede-RJ), que solicitam a votação separada da autorização para o prosseguimento do processo em relação a cada um dos acusados (além de Temer, a denúncia também cita os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência).
Um terceiro requerimento foi apresentado pelo deputado Sérgio Zveiter (Podemos-RJ) – relator da primeira denúncia contra Temer – que, na época, deu parecer para que o presidente fosse processado. Seu relatório, no entanto, foi derrubado por integrantes da base aliada do governo.
Desta vez, Zveiter questionou a cessão da vaga de suplente do PSC para Bonifácio continuar na comissão após ele ter sido destituído da CCJ pelo PSDB. Zveiter, ao abordar o caso, também disse que admite que os parlamentares não acolham a denúncia pelo crime de organização criminosa, mas afirmou considerar um absurdo Temer ser blindado do crime de obstrução de justiça.
“A denúncia é clara, apresenta provas e é muito bem fundamentada. Não há como não ser acolhida neste item”, destacou.
Segundo o deputado, que está sendo convencido por colegas a apresentar um voto em separado sobre a denúncia, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não deveria ter imputado ao chefe do Executivo crimes iniciados em 2006 e, portanto, anteriores ao seu mandato, por saber que tais trechos seriam contestados pelos parlamentares.
Além das negociações diversas que têm sido observadas nos bastidores, o governo tem ampliado, esta semana, a prática de substituições de nomes no colegiado da comissão, como forma de tentar garantir apoio ao presidente, o que também foi motivo de várias críticas durante a abertura dos trabalhos. Para se ter ideia, desde o mês passado até agora foram feitas oito trocas de cadeira.
Roteiro previsto
O rito que está previsto para os trabalhos é de que, após a leitura do relatório pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), os trabalhos da CCJ seguirão da seguinte forma: as defesas de Temer e dos ministros terão tempo semelhante para expor seus argumentos e defender os clientes e, a partir daí, deverá ser pedido vista do relatório com prazo de dez sessões do plenário.
Mas este pedido pode ser antecipado do início de alguma discussão sobre o tema ou não, caso o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), decida por esperar o prazo regimental de vista.
A princípio, a previsão era de votação da denúncia no plenário da Câmara até por volta do próximo dia 20. Diante das confusões provocadas pela escolha do relator e da possibilidade de desmembramento da matéria, entretanto, os trabalhos sofreram atraso e já há quem fale em votação no plenário no final de outubro ou até 15 de novembro.

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Novas regras eleitorais e o projeto dos ultrarricos

Novas regras eleitorais e o projeto dos ultrarricos

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Novas regras eleitorais e o projeto dos ultrarricos
Por Marco Aurélio Cabral Pinto
A minirreforma eleitoral de 2015 foi realizada em meio a grande instabilidade política e visou à transição para um modelo com menor peso das corporações na vida política do país.
Neste artigo, procuro discutir o impacto das novas regras político-partidárias, de 2015 e 2017, sobre concentração de poder pelo seleto clube de ultrarricos, diretamente associados aos interesses financeiros internacionais.
Recursos públicos para partidos políticos
O Fundo de Assistência Financeira aos Partidos Políticos foi criado em 1965 como instrumento público para o financiamento da atividade político-partidária. Com a criação do Fundo objetivou-se garantir autonomia financeira aos partidos, permitindo-se espaço para diversidade de ideias na política. O Fundo é composto em cada ano-exercício a partir de dotações orçamentárias da União, multas e penalidades eleitorais, recursos financeiros legais e doações privadas.
A divisão entre partes iguais de 5% do Fundo entre os partidos deveria permitir sobrevivência dos menores. Os demais 95% são distribuídos de maneira proporcional, de acordo com o número de cadeiras que cada partido obteve, nas eleições mais recentes para a Câmara dos Deputados. Na Tabela 1, verifica-se a evolução dos recursos do Fundo.
A Lei dos Partidos Políticos (9.096/95) obrigou os partidos a gastarem percentual mínimo na criação e na manutenção de instituto de pesquisa de opinião próprio. Assim como fixou limite máximo para gastos de pessoal, de maneira a evitar formação de “currais eleitorais”.
Recursos privados para partidos políticos
Até 2014 as firmas podiam doar até 2% do faturamento bruto anual para financiamento de campanhas eleitorais. Já para as pessoas físicas, o limite correspondia a até 10% do rendimento bruto do ano anterior.
Após a mudança nas regras eleitorais em 2015 e 2017, tornou-se proibida qualquer doação empresarial. O pressuposto para a proibição foi de que a crise política de 2015/2018 decorreu de caixa dois em campanhas eleitorais.
Dado que do grande capital é esperado buscar novas formas de financiamento de campanhas, colocou-se então para o grupo de muito ricos com interesses no país o desafio de mobilização de recursos para seus representantes políticos.
Uma das primeiras manifestações ocorreu em São Paulo, ao longo do mês de setembro, de acordo com o jornalista Lauro Jardim em nota em O Globo de 27.09.2017:
Um grupo de empresários e personalidades está montando um “fundo cívico” para angariar recursos para tentar eleger entre 70 e 100 deputados federais nas eleições de 2018.
A ideia é que sejam candidatos afinados com algumas premissas, como a defesa da responsabilidade fiscal, da ética e da sustentabilidade. E não estejam filiados a apenas um partido, mas em vários.
O lançamento dessa ideia será em São Paulo na semana que vem.
Quem organiza é Eduardo Mofarej (Tarpon), Nizan Guanaes, Arminio Fraga e Luciano Huck, entre outros. [Jardim (set2017)].
Aliás, esta não foi a primeira vez que o apresentador de televisão se aventurou como empresário-político. Intitulada Olhar Social, nota do mesmo jornalista em O Globo em 26.06.2017 reverberou o sucesso do apresentador em meio à banca.
Em meio a vários economistas palestrantes, Luciano Huck falou sobre desigualdade para 4 000 pessoas num evento da XP Corretora, na sexta-feira passada em São Paulo. Levou ao palco um avô e um menino de Fortaleza (CE), que tocam um projeto social para 200 crianças, e disse que o Brasil só avançará quando todos tiverem um “olhar social”. Foi muito aplaudido. Mas ninguém falou em eleições por ali… [Jardim (ago2017)]
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A estratégia parece digna do seleto clube de banqueiros, pessoas físicas mais ricas do Brasil, com fortunas que, juntas, somam cerca de US$ 100 bilhões (Tabela 2).
http://brasildebate.c
A estratégia parece ir além da ocupação da Câmara dos Deputados. Inclui planos para formação de “elite organizacional e política” brasileira doutrinada nos EUA (sistema Elève). Por trás dos ataques à J&S e à UERJ encontra-se muito provavelmente o interesse destes banqueiros ultrarricos.
Esse clube parece ter planos para tornar seus membros os novos donos do Brasil. Ao menos isso explicaria os ataques aos representantes da velha oligarquia latifundiária na conjuntura. Explica igualmente os ataques das organizações Globo ao vice-presidente Michel Temer.
A coordenação por parte dos interesses financeiros não é nem difícil nem complicada. Basta sacudir a flâmula liberal, todos entendem o sinal. A composição de “comitê de campanha” pelos muito ricos é esperada de combinar ingredientes de mídia corporativa.
Papel da mídia corporativa
A veiculação de propaganda gratuita por parte dos partidos políticos também sofreu sensível alteração com a Lei nº 13.165/2015. Até 2015 os partidos políticos dispunham de programa em cadeia nacional e de outro em cadeia estadual em cada semestre, com duração de 20 minutos cada. Os partidos dispunham ainda de 40 minutos, por semestre, para inserções de 30 segundos ou um minuto.
Após a minirreforma de 2015, se garantiu aos partidos realização de programa a cada semestre com duração de até 10 minutos, para os partidos que tenham eleito até quatro Deputados Federais. Concedeu-se 20 minutos para os partidos que tenham eleito cinco ou mais Deputados Federais. Garantiu-se 20 minutos para os partidos que tenham eleito até nove Deputados Federais e 40 minutos para aqueles que tenham eleito dez ou mais deputados federais.
Ou seja, conforme observado na distribuição dos recursos do Fundo Partidário, a Câmara dos Deputados parece arena escolhida para disputa de recursos públicos entre os partidos políticos.
Por outro lado, o emprego de recursos privados se encontra limitado no que se refere à propaganda eleitoral. As novas regras eleitorais preveem que o TSE divulgue limites de gastos calculados com descontos fixos em relação aos maiores gastos observados para a mesma classe na eleição anterior. A expectativa, portanto, é de que as doações privadas se tornem cada vez mais baratas, promovendo-se “eficiência”.
No entanto, a negociação do custo de R$/mil dos “espaços publicitários” pode esconder favorecimentos corporativos por parte da mídia tradicional, o que alteraria significativamente a efetividade dos limites estabelecidos.
A escolha dos candidatos pelos partidos
Os recursos individuais serão públicos e direcionados aos partidos políticos. Não parece possível a qualquer grupo “escolher candidatos” sem que se exerça influência econômica sobre a vida dos partidos. Na democracia, os candidatos são selecionados em eleições entre os membros filiados. A filiação deveria se construir em torno de ideias e não de poder econômico.
Após a minirreforma de 2015, o número de candidatos de cada partido não pode ultrapassar o dobro do número de vagas a serem preenchidas. Então, por exemplo, para a Câmara dos Deputados, cada partido pode ter, teoricamente, até 1.026 candidatos! Isso abre espaço para que “candidatos” sejam construídos sem grande representação política interna aos partidos. Abre espaço para que os ultrarricos indiquem seus próprios candidatos.
Conclusões finais
Torna-se evidente que os grupos econômicos se reorganizam na conjuntura para exercer influência na montagem do Estado brasileiro em 2018.
A alteração de regras de financiamento de campanhas incentiva o surgimento de candidaturas de empresários com relações com a mídia corporativa e a banca internacional.
Há por detrás de iniciativas aparentemente bem intencionadas (Huck, Marina etc) o projeto de deslocamento da oligarquia tradicional brasileira, alçando-se os ultrarricos a condição de novos Donos do Brasil.
A sociedade organizada deve urgentemente definir estratégias para coleta de recursos privados, principalmente no exterior, onde observadores percebem o grau de organização política e econômica do país. Penso que um dos caminhos seria levantar a bandeira de resistência brasileira ao golpe midiático-jurídico-financeiro como luta internacional.

♦ Marco Aurélio Cabral Pinto é professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, mestre em administração de empresas pelo COPPEAD/UFRJ, doutor em economia pelo IE/UFRJ. Engenheiro no BNDES e Conselheiro na central sindical CNTU. É colunista do Brasil Debate

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A “continência” de Bolsonaro à bandeira americana.

A “continência” de Bolsonaro à bandeira americana.

Num espetáculo de sabujice, o ex-capitão Jair Bolsonaro “bateu continência” à bandeira norte-americana, num comício de restaurante em Deerfield Beach, na Flórida,anteontem.
Foram várias pérolas, registra o The Intercept.
Vai dar “carta branca para o policial matar”.
O trabalhador vei ter de decidir “ou menos direitos e emprego, ou todos os direitos e desemprego”.
“O Trump vai ter um grande aliado no Hemisfério Sul”.
Mas mais chocante foram o “mito” e sua platéia aos gritos, em coro: “USA, USA, USA!”
E depois, de maneira tosca, prestando continência à bandeira norte-americana –  tosca e ilegal, pois só se presta o gesto a bandeira estrangeira em ato oficial.
Quem sabe não vai  ensinar as criancinhas trocarem o verde-amarelo logo pelo branco-azul-vermelho. Afinal, também tem estrelinha, não é?
E estes sujeitos vêm falar em patriotismo.
Se o Brasil fosse mais perto da Coreia do Norte já oferece um enclave para servir de base militar nuclear para o Trump.