quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Soberania ameaçada

Geopolítica

Soberania ameaçada

por Celso Amorim* — publicado 15/06/2017 08h40, última modificação 15/06/2017 08h50
Os nebulosos exercícios militares ao lado dos EUA e a adesão apressada à OCDE, o clube dos países ricos, apequenam o Brasil no cenário global
Jorge Cardoso
Exército brasileiro
O Brasil abrirá mão da autonomia?
Não é só no terreno das medidas internas (como Previdência Social, relações trabalhistas e investimentos sociais) que a desmontagem do que resta de um projeto de desenvolvimento autônomo e inclusivo do Brasil está sendo levada a cabo por um governo que carece da legitimidade que só o voto do povo pode conferir.
Dois fatos recentemente noticiados, sem muita análise, têm o potencial de afetar de maneira significativa a visão que até hoje prevaleceu sobre a inserção do Brasil no contexto global e regional. Comecemos pelo mais simples. Segundo relatos, sempre esparsos e desprovidos de detalhes, estariam programados (ou já em curso) exercícios militares envolvendo alguns de nossos vizinhos, além de Panamá e Estados Unidos.
O objetivo dessas manobras estaria definido por seu caráter humanitário, mas, segundo comentários não desmentidos, elas poderiam também servir a questões ligadas à segurança, como o combate ao narcotráfico. O parceiro norte-americano do Brasil, nessas operações, seria o Comando Sul do Pentágono, uma espécie de quartel-general avançado para questões latino-americanas e caribenhas, por meio do qual Washington procura garantir sua hegemonia na região.
Cabem, a propósito, duas ou três observações, que faço com certa cautela, até porque as informações a respeito desses exercícios não são facilmente disponíveis. Um primeiro comentário refere-se justamente à relativa falta de transparência que cerca o tema, diferentemente, por exemplo, da ampla divulgação dada à chamada Operação Ágata, realizada em nossas fronteiras durante o governo Dilma Rousseff.
Na época, o esforço de transparência visava também, mas não exclusivamente, tranquilizar os países fronteiriços sobre os objetivos da operação e dar-lhes garantia de que sua soberania não seria violada. Outro ponto refere-se ao objetivo dos exercícios e o que eles implicarão na prática. A presença de forças extrarregionais, entendidas como não sul-americanas, em exercícios militares sempre foi vista com bem fundamentada cautela, se não mesmo desconfiança, por nossas Forças Armadas. A presença de observadores, mesmo em uma operação definida como humanitária, dá acesso a dados e informações fundamentais à nossa segurança (e à dos nossos vizinhos).
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Não está clara a intenção dos exercícios militares com os EUA (Foto: Angel Valentin/Getty Images/AFP)
O Brasil, em diversos governos, sempre foi muito prudente nesse particular. Recordo-me, a propósito, de um episódio ocorrido no governo Itamar Franco, quando um cônsul dos Estados Unidos pretendeu acompanhar a vistoria do terreno em que se deu a matança de índios ianomâmis. Na ocasião, o diplomata foi retirado do helicóptero em que embarcou juntamente com autoridades brasileiras, por orientação expressa do Itamaraty.
Talvez ainda mais grave, o fato de essas manobras ocorrerem em um momento especialmente delicado que vivem vários países da América do Sul alimenta suspeitas e desconfianças que procuramos, ao longo dos anos, superar. A criação do Conselho de Defesa Sul-Americano, no âmbito da Unasul, contribuiu decisivamente para melhorar a atmosfera das relações entre países da região de diferentes matizes ideológicos, afastando a ameaça de conflitos que pareciam iminentes.
Uma fissura entre países descritos como “bolivarianos” e os que se perfilam (em tese) a um suposto padrão democrático liberal não interessa ao Brasil, que deve justamente zelar pela concórdia e a unidade na América do Sul, respeitando o princípio essencial do pluralismo. Ao que tudo indica, o esforço em acentuar essa personalidade sul-americana (consubstanciado, entre outras iniciativas, na criação da Escola Sul-americana de Defesa – Esude) está cedendo lugar a cediças concepções de “Segurança Hemisférica”, gestadas durante a Guerra Fria.
O outro tema que gera preocupação é o da apressada adesão à OCDE, o clube de países ricos. O Brasil, como outros emergentes, há anos tem acordos de parceria com aquela organização, mas sempre evitou tornar-se membro pleno. Há razões econômicas e de natureza geopolítica nessa postura. No mesmo dia em que escrevo este artigo, um jornal especializado salienta que o Brasil terá de assumir novas obrigações em matéria de liberalização econômica, mesmo antes de ser admitido como integrante pleno.
Entre os que defendem, por boa-fé ou dever de ofício, esse curso de ação, argumenta-se que o Brasil pratica muitas das normas preconizadas pela OCDE. A diferença é que, hoje, elas podem ser revistas e modificadas por um governo que venha a ser legitimamente eleito. No caso de adesão à organização, tais normas se transformam em obrigação internacional, cujo descumprimento implicaria censura ou, no limite, algum tipo de sanção.
Mas o prejuízo maior será de natureza geopolítica. Nos últimos anos, de forma explicita e, há mais tempo, de modo intuitivo, o Brasil tem se pautado pela visão de que um mundo multipolar, sem hegemonias ou consensos fabricados nas capitais dos países desenvolvidos, era o que mais nos convinha.
A tendência à multipolaridade, no campo econômico, foi consideravelmente fortalecida pelo surgimento dos BRICS. Foi a ação concertada dessas grandes economias emergentes, no fórum do G-20, na esteira da crise financeira do fim da primeira década deste século, que se possibilitou uma reforma, ainda que modesta, do sistema de cotas do FMI e do Banco Mundial, reforma que só foi implementada quando as cinco economias emergentes decidiram criar suas próprias instituições financeiras.
A soberania é o que define uma nação como tal, do ponto de vista jurídico e político. Se abrirmos mão de parcelas importantes desse atributo essencial dos povos independentes, estaremos nos condenando a um papel de ator secundário e subordinado na cena internacional, com repercussões no bem-estar da nossa população e na segurança do Brasil como Nação.
* Foi chanceler nos governos Lula e ministro da Defesa no primeiro mandato de Dilma Rousseff

PSOL quer acompanhar exercício militar com EUA na Amazônia

Defesa

PSOL quer acompanhar exercício militar com EUA na Amazônia

por André Barrocal — publicado 11/10/2017 09h38
Pedido foi a ministro da Defesa e a chefe do Exército. Na Câmara, cobrança de informações sobre a nebulosa operação
Divulgação
Exército
Infantaria aeromóvel do Exército em treinamento
No início de novembro, o Exército fará um treinamento militar na Amazônia, numa área de fronteira com Peru e Colômbia, países cujas tropas estarão na atividade. As Forças Armadas dos Estados Unidos também vão participar, inédita presença do Tio Sam na Amazônia brasileira. Se os EUA terão portas abertas, por que não abri-las para um deputado? 
É o que quer o líder do PSOL na Câmara, Glauber Braga (RJ). O parlamentar protocolou o pedido no ministério da Defesa na segunda-feira 9. O documento destinava-se ao ministro Raul Jungmann e ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas. 
“A observação do exercício in loco poderá contribuir para o acompanhamento da operação com o máximo de transparência”, diz o deputado no ofício. 
No mesmo dia, Braga apresentou na Câmara um requerimento de informações dirigido a Jungmann. Quer detalhes sobre a presença, no treinamento, de militares que não sejam os dos países da tríplice fronteira. São cinco perguntas: 
1) No entendimento do Ministério da Defesa, o que justificaria o convite a militares de países de fora da América do Sul, e particularmente dos Estados Unidos, para participação em exercício militar na Amazônia brasileira? 
2) Quantos militares de outros países participarão do exercício Amazonlog17? Quais os seus nomes, nacionalidades e patentes, e quais funções desempenharão no exercício?
3) De quais outras formas os Estados Unidos participarão do exercício militar na Amazônia? Quais os nomes e funções do conjunto de estadunidenses (inclusive da equipe de saúde e de apoio logístico) que participarão da operação? 
4) O que justificaria o convite aos Estados Unidos para participar da instalação de uma base militar na Amazônia brasileira, ainda que temporária?
5) Segundo o sítio do Ministério da Defesa, empresas do setor de Segurança e Defesa, do Brasil e do exterior, apresentarão, em exposição ou durante o exercício, produtos que possam ser pertinentes à defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia. Quais empresas, brasileiras e estrangeiras, foram convidadas para essa exposição e participação no exercício, com base em quais critérios e segundo quais procedimentos? 
Para o governo ser obrigado a responder as questões, a Câmara precisa aprovar o requerimento. “A defesa da Amazônia é tema da maior relevância para a garantia da soberania e do desenvolvimento sustentável do Brasil, bem como dos direitos dos povos da região”, diz Braga no requerimento.
O deputado tem desconfianças adicionais, além daquelas apresentadas tanto no pedido para participar do treinamento (transparência) quanto para o requerimento de informações (defesa da Amazônia). “As riquezas da Amazônia e a maior reserva de petróleo do mundo estão muito próximas de onde será feito o treinamento”, afirma.
A maior reserva petrolífera do planeta fica na Venezuela, nação distante 600 quilômetros do centro da operação marcada para acontecer entre os dias 6 e 13 de novembro, Tabatinga, cidade de 60 mil habitantes no Amazonas, separada da colombiana Letícia por uma avenida e a uma corrida de barco da ilha peruana de Santa Rosa.
A Venezuela tornou-se um barril de pólvora nos últimos meses, graças a desavenças aparentemente insolúveis entre o governo chavista de Nicolás Maduro e a raivosa oposição direitista. Uma guerra civil não pode ser descartada.
Nesse clima, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse publicamente que considera usar uma ação militar no vizinho do Brasil, o que alimentou fantasmas de uma conflito armado. 
Em reportagem na edição que chegou às bancas em 25 de agosto, CartaCapital tratou desses “fantasmas”. 
Na Venezuela, por exemplo, há chavista crente de que o treinamento é o prelúdio de uma invasão do país por mercenários que os EUA contactariam em novembro e depois incentivariam e abasteceriam. 
A precariedade de informações brasileiras sobre o treinamento é uma das causas dos fantasmas. Jungmann não é lá muito eloquente a respeito. Tocou pela primeira vez no tema em 15 de maio. Bravo, como lhe é peculiar. “Não tem tropa americana aqui, não tem exército americano aqui, nem vai ter.” 
Repetiu o tom em um debate no Senado em 29 de junho, única menção em três horas. “Esse é um caso escandaloso de fake news”, afirmou. “Serão quatro observadores, senhores, quatro observadores num exercício sobretudo voltado para a logística humanitária.” 
Seria um propagador de fake news site oficial do Amazonlog, nome de batismo do evento que se compõe do exercício militar de novembro e de um simpósio e uma feira de negócios em setembro? “Em toda a região serão desenvolvidas ações conjuntas, multinacionais e interagências por tropas e agências brasileiras, colombianas, norte-americanas e peruanas”, diz o site. 
Ao listar os participantes do exercício militar por países, por órgãos brasileiros e por Forças Armadas, inclui entre estas últimas o “Comando Sul dos Estados Unidos”, ao lado de Brasil, Colômbia e Peru. Trata-se de uma instituição sediada em Miami, a olhar em nome do Tio Sam para tudo o que está para baixo dali, encarregada de operações no Caribe e na América do Sul.
Seu comandante, general Clarence Chinn, passou por Brasília em março, para conversar sobre os preparativos dos exercícios. De lá, viajou à Amazônia, a fim de conhecer o principal QG brasileiro na região.
Quatro dias depois da reportagem de agosto de CartaCapital, o comando do Exército publicou em seu site um relato um pouco mais informativo. Dizia que os EUA participarão cedendo uma aeronave de transporte C130, uma cozinha móvel, uma estação de purificação de água e uma equipe de saúde. 
O teor do comunicado foi replicado parcialmente pelo Ministério da Defesa em 26 de setembro, no meio de um texto que abordava o início do simpósio que faz parte do Amazonlog17.

Crise na Uerj afeta principalmente estudantes de baixa renda

Crise na Uerj afeta principalmente estudantes de baixa renda

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Crise na Uerj afeta principalmente estudantes de baixa renda
Por Jaqueline Deister
Do Brasil de Fato
Pioneira em programas públicos e sociais que transformaram a realidade brasileira, como as cotas raciais que democratizaram o acesso à educação pública e a idealização do Sistema Único de Saúde, o SUS, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj, passa pela sua pior crise de financiamento desde a sua criação em 1950.  
Atualmente, estudantes, servidores e professores lutam para manter as portas da instituição abertas para a sociedade. O Restaurante Universitário da Uerj, no bairro do Maracanã, foi uma conquista dos estudantes que ocorreu em 2009 e que está fechado desde o início do ano por conta de falta verba.  
Jessica Ribeiro é aluna do curso de Pedagogia da Universidade e integra o Diretório Central dos Estudantes da Uerj (DCE). Segundo ela, a não reabertura do Bandejão tem causado um prejuízo para mais de 4 mil estudantes que dependem diretamente do Restaurante Universitário. 
 “O Restaurante Universitário estar fechado prejudica muito as pessoas que passam o dia todo na Uerj, como os bolsistas e também trabalhadores que saem do trabalho e vão direto jantar antes de ir para a aula. Então, é uma política de assistência estudantil que quando está fechada, prejudica muito os estudantes da universidade que são mais populares, como os pobres, negros, cotistas e bolsistas”, explica.
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Jéssica destaca ainda que a saída que os alunos encontraram para lidar com o fechamento do Bandejão foi levar para a universidade a refeição de casa.  
“Almoçar ao redor da Uerj é caro por conta da localização. A média de preço de um prato feito na região está entre 14 e 16 reais, por quilo fica mais caro. Então, a saída dos estudantes têm sido levar marmita” , conta.
Desde o dia 26 de setembro o Restaurante Universitário está ocupado por um grupo de estudantes da Uerj que reivindicam melhores condições de funcionamento para toda a Universidade. 
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Uerj informou que o processo de licitação do Restaurante Universitário ainda está em andamento. De acordo com o comunicado enviado à Radioagência Brasil de Fato, a empresa vencedora assumirá o Bandejão que reabrirá o mais rápido possível. No entanto, a reitoria da Uerj não divulgou um prazo final para a conclusão do processo.

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Justiça dura; justiça branda. Só mais uma forma de ser política

Justiça dura; justiça branda. Só mais uma forma de ser política

O relator do pedido de denúncia contra Michel Temer pediu seu arquivamento.
Moreira Franco e Eliseu Padilha, de carona, ficam fora do processo.
O Supremo rejeitou a denúncia contra Renan Calheiros. Também lá, Edson Fachin mandou arquivar o inquéritos das gravações do mesmo Renan, de José Sarney e Romero Jucá.
O habeas-corpus do pessoal da Fetransporte foi concedido a Jacob Barata.
Paulo Maluf, condenado em segunda instância, vai aguardar em liberdade. contrariando decisões recentes do STF que manda prender logo após sentença de órgão colegiado.
E Eike Batista volta a ter liberdade, bastando que se recolha à noite, como Aécio Neves.
Tudo isso em um único dia.
Não se trata, aqui, de ser “a favor ou contra” uma, várias ou todas as decisões.
O fato é que existe um evidente, flagrante, chocante descompasso entre o que ocorre nas instâncias supremas  e o que se passa em Curitiba.
Dizer que a lei é aplicada lá e “aliviada” em Brasília não responde a tudo.
Porque Brasília nunca ou quase nunca “alivia” as pesadas decisões tomadas lá quando os alvos são petistas.
Porque existe um ponto comum entre Brasília e Curitiba, e este ponto é a amputação do processo eleitoral brasileira pela via judicial.
O que representa uma usurpação que, com ela, arrasta também a Polícia Federal e, com isso, entrega a sociedade a um meganhismo insano.
A prisão preventiva deixou de ser um recurso contra a “periculosidade” ou o “risco de fuga” e passou a ser uma antecipação de pena. Prende-se, de cara”, “por merecimento” (merecimento subjetivo do juiz e da mídia, claro) mesmo antes do sujeito ser chamado a depor, que dirá ser condenado.
O Estado de Direito foi arruinado no Brasil e se engana quem acha que disso vai resultar alguma “moralidade”.
As ditaduras, militares, judiciais ou midiáticas são sempre, invariavelmente, regimes de injustiças e privilégios.

Campanha da desconstrução da imagem de Lula quer associá-lo às drogas

11 de outubro de 2017 - 11h34 

Campanha da desconstrução da imagem de Lula quer associá-lo às drogas


Reprodução
  
Nesta terça-feira (10), a Polícia Civil do Estado de São Paulo realizou uma ação de busca na casa de Marcos Lula da Silva, filho do ex-presidente, após receber uma "denúncia anônima" que indicava de forma infudada a presença de drogas no local.

O advogado de defesa do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, classificou a ação como abusiva. "A busca e apreensão, feita a partir de denúncia anônima e sem base não encontrou no local o porte de qualquer bem ou substância ilícita, o que é suficiente para revelar o caráter abusivo da medida",rechaçou.

Zanin se baseia no que estabelece a Constituição Federal, tão aviltada atualmente, que em seu artigo 5°, inciso XI, prevê a inviolabilidade do domicílio. A lei define exceções apenas quando violação em virtude do estado de flagrância do cidadão.

A lei é clara: "A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial".

Havia uma decisão judicial, no entanto, autorizada a partir de uma denúncia anônima, o que também viola a lei. De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a operação se baseou em uma denúncia anônima feita por telefone. em que a pessoa dizia que drogas poderiam estar sendo consumidas na residência.

A partir disso, a juíza Marta Brandão Pistelli, da 2ª Vara do Foro de Paulínia, determinou a busca e apreensão de "entorpecentes, armas e outros objetos ligados ao crime". Segundo a polícia, nada foi encontrado na vistoria na residência, que fica em Paulínia, no interior do estado de São Paulo. Mas, apesar de não ter encontrado entorpecentes, a operação apreendeu dois notebooks, CDs, DVDs e disquetes, além de vários documentos de Marcos.

Apesar dos fatos, a grande mídia seguiu o roteiro de ataque contra o ex-presidente. O Estadão, por exemplo, noticiou: "Polícia faz busca na casa do filho de Lula e não encontra drogas". A Veja também: "Polícia faz busca por drogas na casa do filho de Lula".

A legislação brasileira estabelece que um delegado de polícia sequer pode instaurar inquérito policial com base denúncia anônima, muito menos poderia violar um domicílio.

Para se ter ideia do absurdo de tal conduta, decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2015, autorizou a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial desde que amparada em fundadas razões devidamente justificadas posteriormente que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados. Se um policial necessita de tais requisitos para forçar a entrada numa residência, autorizar judicialmente tal ação também deve preencher o mínimo desses requisitos, caso contrário, viola os preceitos constitucionais.

"Absolutamente inconstitucional , ilegal e contra jurisprudência truística, a realização de busca e apreensão com base em denúncia anônima", enfatizou o professor de Direito Constitucional e jurista Pedro Serrano, que classificou a "persecução" a Lula e sua família como estarrecedora.

Serrano tem razão. A proteção constitucional contra a violação de domicílio foi uma garantia advinda após o período da ditadura militar, como forma de proteger o cidadão do arbítrio do Estado. Tanto é que tal violação só está previsto em casos excepcionais como Estado de Defesa, Estado de Sítio e a existência de flagrante de delito.

"Pelo que conheço de história, tudo que o Sistema de Justiça fez de bom nas ultimas décadas não deixará registro significativo. Ficará a imagem de persecução a um líder politico relevante e sua família. Se Lula é culpado, seus algozes, com esses abusos, vão inocentando o ex-Presidente . Colocando-o como vítima, o que, de fato, tem sido", frisou.
 

Do Portal Vermelho

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Nota deste blogueiro: e o "pequeno" carregamento com 450 kg de cocaína, do qual se tem filmagens? Depois de tanto tempo, já se sabe de quem é a droga? O conteúdo de uns saquinhos com um pó branco, exibidos por um senador em plena sessão do Senado, era farinha de trigo ou de mandioca?

O julgamento da “prisão” de Aécio: várias vergonhas num dia só

Será hoje, afinal, o insólito julgamento no qual não ninguém é inocente e do qual ninguém sairá absolvido: nem Aécio Neves, nem o Senado, nem o STF.
Porque parte de um evento inexplicável: o de não ter sido decretada a prisão em flagrante – legal e constitucional – quando vieram à tona as gravações de Aécio Neves achacando Joesley Batista e de seu primo apanhando as malas de dinheiro.
Todos os elementos para o estado de flagrância estavam presentes: o suposto crime estava em curso e havia evidência até de que uma ação parcial poderia ser muto perigosa, uma vez que Aécio aventava, de maneira nada velada, até a possibilidade de assassinar o “apanhador” do dinheiro caso este resolvesse falar.
Era mais grave, até, que o Delcídio do Amaral, onde se falava em dar dinheiro e fuga a um prisioneiro, mas não havia, ao que se sabe, atros criminosos em curso, que fossem além da ideia ou desejo.
Não fizeram  como com Delcídio por uma única razão: Aécio é tucano, líder dos tucanos, presidente (até agora) do partido tucano.
Cinco meses depois, óbvio, não se pode falar na prisão em flagrante prevista na constituição como única alternativa para deter parlamentar.
Parte-se então, para as chamadas “medidas alternativas à prisão” simplesmente para “fingir que prendem”, diante de uma opinião pública que foi, persistentemente, ensinada que processo judicial se faz com o acusado preso ou será “marmelada”.
As medidas restritivas à prisão tem uma lógica que nada tem a ver com o recolhimento domiciliar noturno, a não ser que o vagar pela noite possa ter relação com o crime que lhe é imputado: um “Jack, o estripador”, por exemplo, que se servisse da noite para assassinar.
É o que diz a lei ao condicional sua aplicação à “necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais”.
Por tudo, justifica-se o previsto ali: afastamento do cargo público onde possa interferir no processo – por exemplo, usar o mandato de senador  para negociar/votar/aprovar medidas que o beneficiem um simplesmente impeçam a aplicação da lei penal. Idem para proibi-lo de frequentar o Senado ou até de manter contato com outros senadores e agentes políticos através dos quais pudesse faz-elo, assim como a entrega do passaporte e o comparecimento periódico ao Juízo.
Mas é evidente que o “recolhimento domiciliar noturno”, salvo como justificada medida cautelar, caso antes mencionado, em tudo se confunde com a prisão em regime aberto, que prevê o mesmo recolhimento noturno como privação de liberdade, que é o ponto essencial da prisão.
Tanto é assim que é pacífico que a privação preventiva, total ou parcial, de liberdade – inclusive o recolhimento domiciliar noturno – é considerada pela jurisprudência brasileira como tempo a ser “descontado” no cumprimento de pena derivada de sentença.
Ninguém aqui duvida dos crimes praticados por Aécio Neves. Ao contrario, ele se evidenciaram de forma tão flagrante que nada – senão a histeria “pega-Lula” – o diferenciam do episódio Delcídio do Amaral.
E o Senado? Dele, não é preciso dizer nada quando, depois do escândalo, simplesmente engavetou um processo ético contra Aécio. Abriu mão de sua autojurisdição e decretou a impunidade do senador que, como só pode ser processado com autorização da casa, ganhava ali o direito de não sê-lo, por mais grave fosse o que tivesse feito.
Vamos, portanto, ao impensável julgamento de hoje, onde o Supremo terá de escolher se atropela a Constituição em nome da moralidade ou se passa por cima da moralidade e respeita a Constituição.