sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Gestão Doria nomeia militar para a Coordenadoria de Crianças e Adolescentes de SP

SÃO PAULO

Gestão Doria nomeia militar para a Coordenadoria de Crianças e Adolescentes de SP

Secretaria de Direitos Humanos pede exoneração de Jairo Junqueira, acusado de débitos com administração pública

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
,
Jairo Junqueira foi organizador de exposição sobre Exército do Brasil na Assembleia Legislativa de São Paulo / Alesp
* Atualizada às 20h50 para acréscimo de informação oficial da Secretaria de Direitos Humanos
A gestão de João Doria, prefeito da cidade de São Paulo, publicou no Diário Oficial do município na quinta-feira (16), a nomeação de Jairo Junqueira da Silva Filho para a Coordenadoria de Políticas para Crianças e Adolescentes.
Junqueira tem 68 anos e é ex-secretário-geral da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil. Por nunca ter tido vínculo com a área, a nomeação do militar não foi bem recebida por gestores de políticas públicas. 
"É de uma falta de sensibilidade e noção, no mínimo, do ponto de vista técnico, político, não tem explicação por lado nenhum. A não ser essa coisa dele ser filiado, ser militar, ter um histórico de profunda reverência à cultura do Exército. O pai dele foi um dos Expedicionários do Brasil. Eu desconheço qualquer trajetória, do que eu pude encontrar sobre ele, ela é toda vinculada a esse campo de referência ao Exército, à cultura militar", diz Gabriel Medina, ex-secretário de Juventude de São Paulo na gestão Haddad. 
Medina denuncia que a entrada de Junqueira na coordenadoria também coincide com uma série de mudanças na Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo. A mais significativa delas é a junção das coordenadorias que tratam de crianças e adolescentes com a de juventude. 
"O que é mais grave ainda porque, na prática, você extingue a área da Juventude, submete ela à Criança e Adolescente e perde, mais uma vez, um acúmulo político importante da construção que vem sendo feita, que diferencia essas duas áreas, inclusive com estatutos próprios", relata. 
A Coordenadoria para Crianças e Adolescentes é responsável por organizar toda a política para a área e executar ações de defesa dos direitos das pessoas de zero a 18 anos incompletos, em parceria com as secretarias da Educação, da Assistência Social, da Saúde e do Esporte.
Segundo Daniel Souza, ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude, a nomeação de Junqueira para o cargo representa o perfil da gestão Doria, calcada no marketing. 
"Essa nomeação ela tem uma coisa de fundo que representa o próprio governo do Doria, uma política transformada em marketing, de uma política que é marcada por retrocessos e desmonte de política pública. Me parece estranho e é simbólico isso, que seja alguém com 68 anos, um militar, para assumir a coordenadoria de Juventude. Simbolicamente parece ampliar essa ação da cidade de São Paulo, como um projeto de segurança, de militarização da vida, dos territórios, especificamente da juventude, que é a que mais morre, especialmente a juventude pobre e negra das periferias", analisa. 
Junqueira também é acusado de manter dívidas com a prefeitura de São Paulo. Entre 2005 e 2008, quando presidia o Instituto de Estudos e Pesquisas em Tecnologia Social, Educação, Cultura e Desenvolvimento Urbano (ITED), o militar fez uma série de convênios com diretorias regionais de ensino da cidade, para formação de educadores. 
Por não prestar contas, a ONG foi inscrita no Cadastro Informativo Municipal (CADIN), que impede novos contratos com a administração pública. A irregularidade ainda está pendente mas, mesmo assim, a gestão Doria publicou o nome do militar para a coordenadoria. 
* Atualização: Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que pediu a exoneração de Jairo Junqueira da Silva Filho da Coordenação de Políticas para Crianças e Adolescentes e Políticas para a Juventude nesta sexta-feira, 17 de novembro. No comunicado, a secretaria diz que desconhecia "até a presente data, os apontamentos do CADIN envolvendo a referida pessoa".
Ainda segundo a secretaria, o pedido tem como objetivo "realizar a melhor gestão possível" e, por isso, "não pode admitir em seus quadros funcionais pessoas com quaisquer pendências administrativas - daí a necessidade da exoneração".
Edição: Camila Salmazio
Fonte: Brasil de Fato

Venezuela: o país que formou uma legião de leitores

REVOLUÇÃO DOS LIVROS

Venezuela: o país que formou uma legião de leitores

Jovem escritor fala sobre o novo momento da literatura venezuelana, que vem ganhando destaque dentro e fora do país

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)
,
Escritor franco-venezuelano, Miguel Bonnefoy, realiza uma série de encontros com leitores de Caracas / Fania Rodrigues
"A Venezuela tem muito mais que petróleo, miss universo e revolução", afirma o jovem escritor franco-venezuelano Miguel Bonnefoy, de 31 anos, que vem ganhando destaque e prêmios no concorrido mercado literário da França. Em seus livros, ele retrata uma Venezuela rica em tradições, folclore, religiosidade, criatividade artística e em belezas naturais.
Filho de mãe diplomata venezuelana e pai comunista chileno – também escritor e refugiado da ditadura de Augusto Pinochet –, Miguel Bonnefoy nasceu na França e viveu boa parte de sua vida entre a Venezuela e a Europa. Seus dois romances, El viaje de Octavio e Azúcar Negra (ambos sem edição brasileira), foram, primeiro, escritos em francês, mas sua inspiração veio de uma Venezuela profunda, do imaginário coletivo do país e da herança literária latino-americana.
Comumente associado ao realismo mágico do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, ele prefere estar entre seus pares venezuelanos, como Rómulo Gallegos, que seria uma espécie de Machado de Assis à la venezuelana. Entre os livros de Gallegos mais importantes estão Doña BarbaraCanaima e Pobre negro, que foram traduzidos a dezenas de idiomas, inclusive, alguns ao português.
Outro escritor que trouxe um novo frescor ao mercado editorial venezuelano é David Parra, de 26 anos, da cidade de Mérida, na região andina próxima à Colômbia. "Esse é um dos nossos mais promissores talentos literários", garante o presidente da editora Monte Ávila, Gabriel González.
Recentemente, Parra fez sua estreia com o livro de contos A colecionista, que apresenta uma narrativa capaz de fazer o leitor viajar por um mundo imaginado por ele, mas que, por hora, parece mais real que a fantástica realidade venezuelana.
As obras dos dois escritores são alguns dos destaques da Monte Ávila, uma editora pública do governo venezuelano, que vende livros de qualidade a baixo custo. Enquanto, na França, o livro El viaje de Octavio é vendido, em média, por 10 euros (cerca de R$ 38), na Venezuela, a mesma obra custa 1.800 bolívares, isso seria menos que uma garrafa de água ou uma xícara de café, que em geral são vendidos a 5 mil bolívares (o que seria uma média visto que o câmbio do país vem sofrendo muitas variações).
Quando a Monte Ávila buscou a editora francesa Poyot & Rivages para comprar os direitos autorais do romance El viaje de Octavio, o autor conta fez questão de aceitar a oferta, mesmo tendo oferecido um valor abaixo do preço do mercado editorial de outros países.
"Aceitamos, porque era a Venezuela e porque sei que essa editora não vai ganhar dinheiro com a venda do livro, pois os preços populares fazem parte de uma política de Estado para incentivar a leitura. Tendo o livro como personagem principal um homem analfabeto que aprende a ler na Missão Robinson, não poderia ser diferente", relata Miguel Bonnefoy. A Missão Robinson é um programa social criado pelo ex-presidente Hugo Chávez, em 2003, para a erradicação do analfabetismo na Venezuela.
O livro não fala explicitamente do programa do governo, mas o relata de forma alegórica. "No dia em que o jovem médico regressou à casa de Octavio, havia sido hasteada uma bandeira no centro do bairro, para sinalizar que o analfabetismo, assim como uma enfermidade, havia sido eliminado dessa comunidade. Centros de aprendizagem para adultos foram instalados nas alas desertas das escolas", diz um trecho do livro.
Legião de leitores
Foi com Chávez que a Venezuela deixou de ser o país com um alto número de analfabetos para converter-se em nação com uma verdadeira legião de leitores.
Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) qualificou o país como "Território Livre do Analfabetismo". E, nesse mesmo ano, uma imagem entrou para a memória coletiva da Venezuela. Filas imensas se conformaram em praças públicas para receber um livro. O presidente bolivariano havia mandado imprimir e distribuir 1 milhão de exemplares do clássico Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes. A edição recebeu um prefácio especial escrito pelo português José Saramago, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.
Depois, também foram impressos 1 milhão de exemplares da novela Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo, igualmente distribuídos em praça pública.
A imagem que a mídia tentava construir de um "Chávez tirano", conforme noticiavam jornais da época, contrastava com a de um presidente que pedia em rede nacional para o povo buscar e ler livros gratuitos distribuídos pelo governo.
"Ver as pessoas fazendo fila para buscar seu livro grátis em todas as praças Bolívar do país [todas as cidade venezuelanas têm uma praça Bolívar] foi uma coisa inédita e que guardamos na memória", conta Giordana García, diretora da editora El Perro y la Rana.
"Essa editora foi criada pelo presidente Hugo Chávez, em 2006, com a missão de imprimir livros de forma massiva e a baixo custo. Chávez era um promotor da leitura. Basta revisar seus discurso para ver que ele sempre comentava algum livro ou recitava um poema. Além disso, era um leitor muito bom, um crítico agudo", relembra García.
O ex-presidente criou ainda o Plano de Leitura, proposta que inclui um circuito com mais de 60 livrarias públicas em todo país, que são as Librarias del Sur, e uma série de políticas públicas que garantem, até hoje, que os livros estejam acessíveis ao povo.
"Os venezuelanos sentem que o acesso ao livro é um direito. Assumem isso como uma demanda natural. Os livros deixaram de ser um privilégio de poucos", destaca García.
Hoje, a editora El Perro y la Rana tem mais de 4 mil títulos publicados. Todos os anos são lançados cerca de cem livros de variados gêneros literários: romance, teoria política, ensaio, história, arte, literatura juvenil e infantil.
Pensamento político
Ainda que a ficção tenha ganhado novo vigor nos últimos anos, o tema preferido dos venezuelano é, definitivamente, a política. "Em todos os eventos literários observamos que os livros sobre pensamento político são os mais buscados. As pessoas querem estar atualizadas. Além disso, estamos falando de uma sociedade altamente politizada. Os livros infantis também têm muita saída", comenta a diretora de El Perro y la Rana.
No principal evento literário do país, a Feira Internacional do Livro da Venezuela (Filven 2017), realizada entre os dias 9 e 19 de novembro, os livros sobre pensamento político são as grandes estrelas, segundo o diretor da Editora Trincheira, Amilcar Figueroa. 
Ele afirma que vendeu mais de 200 livros só nos três primeiros dias do evento. "Entre os mais vendidos estão títulos como Breve história do comunismo e Lênin: a pergunta de vento. Além disso, temos uma coleção de bolso sobre a revolução das mulheres que tem saindo bastante", relata Figueroa.
O diretor afirma ainda que, este ano, sua editora vendeu pelo menos o dobro de livros em comparação ao mesmo evento do ano passado. "Apesar de circular menos dinheiro no país, acredito que as pessoas estão buscando mais fundamento para explicar algumas questões. Existem elementos novos na crise do capitalismo mundial", ressalta. O valor dos livros da Editora Trincheira, que recebe incentivos do governo, varia entre 7 mil e 20 mil bolívares (o que seria cerca de menos de R$ 0,50).
Na Filven 2017, que tem entre seus expositores mais de 50 livrarias e editoras do país, é possível encontrar obras clássicas de escritores como Gabriel Garcia Marquez, Julio Cortázar, Vargas Llosa, Rómulo Gallegos, Gustavo Flaubert, Charles Dickens e outros, que são vendidas a menos de um dólar.
O Capital, de Karl Marx, e a coleção A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que no Brasil custam mais de R$ 100, em Caracas são vendidos pelo equivalente a R$ 15, segundo informou o livreiro Nahuel Montenegro.
Na livraria de sua família, a Milibrousado, é possível encontrar preciosidades dignas de colecionadores, como um livro ilustrado sobre o filme Star Wars da década de 1970. Assim como edições esgotadas no Brasil, como a obra Pedro Páramo, do mexicano Juan Rulfo, o livro Sexus, do norte-americano Henry Miller, os primeiros escritos de Anais Nin, também dos EUA, e até uma coleção rara de literatura erótica clássica.
Entre as verdadeiras joias da literatura, novos escritores e o intenso ritmo de publicação de livros políticos, a Venezuela vai construindo sua própria tradição literária, profundamente marcada pela realidade e pela conjuntura política do país.
Edição: Vivian Neves Fernandes
Fonte: Brasil de Fato

"Vida humana não pode se resumir a trabalhar e pagar contas", diz Mujica


JORNADA CONTINENTAL

"Vida humana não pode se resumir a trabalhar e pagar contas", diz Mujica

Jornada Continental pela Democracia contra Neoliberalismo, realizada em Montevidéu, reúne mais de 3 mil militantes

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
,
No primeiro dia da Jornada, movimentos denunciaram o retrocesso dos direitos trabalhistas no Brasil e na Argentina / JornadaContinental

"A vida humana não pode se resumir a trabalhar, pagar contas e fazer dívidas, como propõe o capitalismo. Defender o tempo livre e a liberdade é uma questão de princípios". A declaração do ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica foi feita nesta quinta-feira (16) durante a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo.
O mandatário, que participou do painel “Seguimos em luta: desafios frente à onda conservadora e os ataques à democracia”, defendeu a construção de estratégias de luta baseada na solidariedade entre os povos e na sustentabilidade da vida, em contraposição ao modelo proposto pelo capitalismo.
O evento, que termina neste sábado (18), reúne cerca de 3 mil pessoas ligadas a movimentos populares das Américas na cidade de Montevidéu, capital uruguaia.
Também presente no painel, Karin Nansen, presidenta da organização Amigos da Terra, comentou a onda conservadora no continente, ao relembrar os golpes de Estado em Brasil, Paraguai, Honduras e Haiti, além dos ataques sofridos pelo governo do presidente Nicolás Maduro, na Venezuela. Ela ressaltou o papel exercido pelas transnacionais nesses processos.
"Essas empresas são participantes ativas dos golpes de Estado nos nossos continentes, pelo interesse na extração de recursos e é fundamental que formulemos estratégias conjuntas para resistir às transnacionais”, diz Nansen.
Ela também ressaltou o papel desempenhado pela imprensa latino-americana na consolidação desse cenário, ao destacar que "os grandes meios de comunicação, como ferramentas da direita internacional, buscam manipular nossos povos para alcançar seus interesses antipopulares. Somos testemunhas desses processos antidemocráticos impulsionados pela direita, que promove ataques constantes aos trabalhadores, aos camponeses, à população indígena e às mulheres".
Mobilização e paralisação
Nessa quinta-feira (16), participantes do evento se uniram a trabalhadores uruguaios que realizaram uma paralisação parcial em apoio à Jornada.
Durante a manifestação, os movimentos denunciaram o retrocesso dos direitos trabalhistas no Brasil, com a reforma trabalhista do presidente golpista, Michel Temer (PMDB), e na Argentina, com as reformas anunciadas pelo presidente Maurício Macri, do Partido Propuesta Republicana (PRO).
Histórico
A realização da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo é parte do processo de articulação iniciado em Cuba, em 2015, por ocasião dos dez anos da derrota do projeto de instauração da ALCA (Área do Livre-Comércio das Américas) no continente.
A jornada busca construir alternativas e estratégias para combater o neoliberalismo defender a democracia nos países latino-americanos e caribenhos.
Fazem parte da articulação diversos movimentos sindicais, organizações camponesas, indígenas, feministas, ambientalistas e anti-imperialistas.
Edição: Vanessa Martina Silva | Tradução: Luiza Mançano

Fonte: Brasil de Fato

Temer tem razão: há privilégios na Previdência. O dele, por exemplo

Temer tem razão: há privilégios na Previdência. O dele, por exemplo

É tão óbvio que até Renan Calheiros percebeu e gravou vídeo ironizando o texto da campanha de R$ 20 milhões que o Governo Federal pôs no ar hoje para tentar aprovar (ou fingir que tenta) a reforma da Previdência.
“Tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo”, diz o comercial.
Não há como negar razão, desta vez, a Temer, por ele próprio ser um exemplo disso: aposentado aos 55 anos, tem proventos de R$ 30 mil como procurador do Estado de São Paulo.
Acabar com os privilégios, como diz a peça publicitária? Alguém acredita? Se juízes e promotores sequer aceitam respeitar o teto constitucional de suas remunerações, se arranjam penduricalhos de gratificações como o auxílio-moradia indiscriminado, será que não “topar” uma aposentadoria do INSS que paga R$ 5 mil por mês, no máximo?
Vão é arranjar seus fundos “privados” de previdência, que de privados não terão nada porque a União e os tribunais vão aportar recursos públicos.
Temer faz a sua parte no bailado da hipocrisia mercadista, porque não parece haver chance de ter os 308 votos que precisa, mesmo para aprovar um remendo.
Mas não precisava debochar de si mesmo, não é?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PT pede a Dodge que investigue Globo por propina à Fifa

PT pede a Dodge que investigue Globo por propina à Fifa

A Procuradoria Geral da República, tão ágil, rápida e furiosa quando se trata de apurar qualquer pedalinho que ache que pode ser usado para atingir Lula vai ter que se mexer – nem que seja para dizer que “não vem ao caso – diante do escândalo mundial das propinas nas transmissões esportivas, que acerta em cheio a Rede Globo. A direção do PT, em outras épocas preocupada em não quebrar os cristais  com a monopolista da TV brasileira, tomou coragem e vai apresentar à Procuradora Raquel Dodge, uma representação criminal para que seja apurada oficialmente a notícia de que a Globo praticou crime, valendo-se de empresas e bancos em paraísos fiscais, para obter vantagens ilícitas na compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol.
A representação tem base nas delações do empresário Alejandro Burzaco a um tribunal norte americano de que a Globo e a Televisa pagaram pelo menos R$ 50 milhões a dirigentes da Fifa para deter a exclusividade de direitos, no Brasil e no México, das Copas de 2026 e 2030.
Ao anunciar a ação, o PT argumenta que o “delator citou nomes, valores, locais de encontro, contratos, configurando sem dúvida os chamados ‘indícios robustos’ de prática criminosa, expressão que os comentaristas da Globo gostam de utilizar, de forma leviana, para se referir às acusações por delações contra o PT e contra Lula.
É inexplicável para o Brasil que o escândalo da FIFA seja investigado judicialmente nos Estados Unidos, na Suíça, na França e em outros países, há três anos, e tudo o que temos aqui seja uma suposta “investigação interna” em que a Globo tenha apurado em silêncio e absolvido a si mesma.
É absurdo, mas não surpreendente. Afinal, o veredito supremo de tudo neste país é deles, do Supremo Tribunal dos Marinho, que é quem pretende governar o povo brasileiro.

Só falta o mpf dizer que Lula recebeu propina de D. Pedro I ou que Lula tem terrenos na lua

MP pede bloqueio de bens de Lula “por convicção”, diz defesa

A defesa do ex-presidente Lula divulgou, há pouco, nota em que diz que o pedido de bloqueio de R$ 24 milhões de bens (quais?) de Lula e do filho”não indica provas” e que parte de “certezas delirantes sobre a “influência” de Lula na compra de caças” da empresa sueca SAAB para  a Força Aérea Brasileira, já no Governo Dilma”.
Os advogados de Lula lembraram que todos os depoimentos dados no processo – inclusive o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-presidenta Dilma Rousseff e do ex-comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito – afirmaram que as decisões sobre o equipamento são técnicas, tomadas num processo de análise que leva anos, exclusivamente por especialistas da FAB.
Leia a nota da defesa de Lula, que vai se manifestar ao juiz contestanto o pedido do MPF:
“Não tem qualquer base jurídica e materialidade o pedido de bloqueio de bens formulado pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho Luis Claudio Lula da Silva nos autos do Processo nº 0076573-40.2016.4.01.3400, em trâmite perante a 10ª. Vara Federal de Brasília.
O pedido foi apresentado em 27/09/2017, quando já tinham sido ouvidas as testemunhas selecionadas pela acusação (22/06) e parte das testemunhas selecionadas pela defesa (18/07, 1º/08, 10/08; 17/08 e 23/08). Como não poderia deixar de ser, nenhum dos depoimentos coletados ao longo das audiências confirmou as descabidas hipóteses acusatórias descritas na denúncia e por isso sequer foram referidos no requerimento.
Não há no pedido apresentado pelo MPF indicação de provas a respeito das afirmações ali contidas, que partem de certezas delirantes sobre a “influência” de Lula na compra de caças pelo País e na ausência de veto em relação a um dos artigos de uma medida provisória (MP 627/2013).
As testemunhas ouvidas, como os ex-Presidentes Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, os ex-Ministros da Defesa Nelson Jobim e Celso Amorim, o Brigadeiro Juniti Saito, dentre outras, esclareceram (i) que a compra dos caças suecos pelo Brasil em dezembro de 2013 seguiu orientação contida em parecer técnico das Forças Armadas e que (ii) o artigo 100 da Medida Provisória 627/2013 prorrogou incentivos fiscais instituídos durante o governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, objetivando o desenvolvimento das regiões norte, nordeste e centro-oeste.
As provas existentes nos autos, portanto, mostram com absoluta segurança que o ex-Presidente Lula e Luis Claudio não tiveram qualquer participação da compra dos caças suecos, tampouco na sanção presidencial do artigo 100 da Medida Provisória 627/2013. Mostram, ainda, que Luis Claudio prestou os serviços de marketing esportivo contratados pela empresa Marcondes e Mautoni e tinha expertise na área, adquirida em trabalhos realizados em algumas das maiores equipes de futebol do País e, ainda, na organização e implementação de um campeonato nacional de futebol americano. Lula jamais recebeu valores da Marcondes e Mautoni ou de terceiros por ela representados.
Essa ação penal integra o rol de ações propostas contra Lula e seus familiares sem qualquer materialidade, com o objetivo de perseguição política.

Crise de sinceridade de Sardenberg: “compra-se a reforma”

Crise de sinceridade de Sardenberg: “compra-se a reforma”

Algo aconteceu ontem  para levar o ultramercadista  Carlos Alberto Sardenberg, onipresente membro da equipe econômica da Globo , a uma crise de sinceridade em seu artigo de hoje.
Diz que a reforma da previdência não tem 308 votos sinceros de que precisa para aprovar – sinceridade não tem nem 100 votos para coisa alguma por lá.
Diz que “a proposta só passa com votos fisiológicos. E esse tipo de voto se compra,” dando como exemplo o Ministério das Cidades e as verbas do “Minha Casa, Minha Vida”.
Quantos votos pela reforma da Previdência vale uma carta dessa?
É esse tipo de conta que o presidente Temer e seu time da política estão anotando.
Dirão: realismo pragmático. O importante é que o cara vote, não interessando se é por consciência ou por negócio
É também o que pensa o mercado. Vai até mais longe: o governo Temer tem corrupção? Passa projetos no balcão de negócios? Compra votos?
Sim, mas entrega as reformas ou ao menos parte delas? Se entregar, tal é o pragmatismo do mercado, está bom. É feio, não ajuda o saneamento das instituições, mas, segue o pragmatismo, pode-se deixar isso para mais tarde.
Como é o mercado o que importa, o “saneamento das instituições” já não vem ao caso e a compra de votos passa a ser o jeito de salvar o país, na visão do mercado. Mais especificamente, de ganhar muito.
Diz que o “centro” político pode se beneficiar disso, mas reconhece que a coisa está difícil pelo lado de lá, “porque o presidente pode adquirir o voto de um deputado, mas não o dos eleitores desse deputado”.
Diz que a crise interna do PSDB o partido “atrapalha o país”, diz que Henrique Meirelles pode se tornar um candidato viável (para  o mercado pu para o eleitor?) “se arranjar partidos e coligações”, o que , para Luciano Huck, “é difícil”.
Difícil? Quem fala é “a casa”? Mas “a casa” não tinha verbalizado,por Merval Pereira, que quem tinha chances era justamente Huck, porque podia fazer uma “campanha populista” porque “conserta carro e distribui casa”?
Some isso às sugestões, sopradas para jornalistas, de que a mulher de Huck, Angélica, estaria resistindo à aventura, porque ficaria também fora do ar e dos negócios de publicidade e é possível imaginar que se esteja articulado o “minha mulher não deixa” como saída para buscar outro nome.
Joaquim Barbosa voltou ao mercado.
Onde, diz Sardenberg, na sua espantosa sinceridade, temos  um “balcão de negócios, de votos e papéis da Bolsa.