segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Latino-americano, brasileiro e nordestino: o legado de Celso Furtado E PARAIBANO.


Latino-americano, brasileiro e nordestino: o legado de Celso Furtado

por Fernanda Graziella Cardoso e Cristina Fróes de Borja Reis — publicado 20/11/2017 13h00
O Estado e parte da sociedade que temos hoje é o mesmo que Furtado enfrentou no início da década de 1960 como ministro de Jango
Arquivo Biblioteca Celso Furtado
Celso Furtado
Celso Furtado: seu pensamento continua atual
O mês de novembro é simbólico para os furtadianos, merece ser lembrado sempre que se fala de Projeto Nacional de Desenvolvimento. O décimo e o vigésimo dia de novembro de 2004 compreendem o intervalo entre o último texto de Celso Furtado, publicado no Jornal do Brasil – “Para onde caminhamos?” – e o dia de seu falecimento.
Celso Furtado, pensador latino-americano, brasileiro e nordestino. Sua origem não será apenas um acidente do destino, um fato sem maior relevância. Pelo contrário, será o diferencial a determinar a direção do seu legado, teórico e vivido.
Uma vasta obra, cerca de 30 livros traduzidos para mais de dez idiomas, e atuação marcante como homem público – idealizador e superintendente da Sudene (1958-1964), (o primeiro) Ministro do Planejamento (1962-63) e Ministro da Cultura (1986-88). Obra e vida dedicadas a identificar, refletir, derivar e implementar estratégias para superar a armadilha do subdesenvolvimento brasileiro. 
Fonte de inspiração para economistas e cientistas sociais desde a década de 1950, principalmente a partir do seu livro mais famoso, publicado em 1958. “Inclinei-me a pensar que ter escrito um livro como Formação Econômica do Brasil, que poderia ajudar a nova geração a captar a realidade do País e identificar os verdadeiros problemas deste, representara o melhor emprego de meu tempo”, declara Furtado em A Fantasia Desfeita, de 1989.
Nesta obra, o autor demonstra como a estrutura de produção brasileira e as instituições sociais marcaram a formação de um país desigual regionalmente, concentrador de riqueza e poder, em que as elites rurais e urbanas sustentam sua posição privilegiada a partir da política econômica, socializando as perdas durante as fases adversas do ciclo econômico.
Em 2017, após um ano do golpe jurídico-parlamentar, véspera de um ano eleitoral envolto de incertezas – que incluem a dúvida sobre a própria ocorrência de eleições – retrocedemos décadas na construção da democracia e do desenvolvimento. A ponte para o futuro, na verdade, nos levou de volta para o passado, em que aquelas mesmas elites detentoras do Congresso reforçam seu poder também no Executivo para realizar reformas que apontam para o caminho inverso aos avanços do período da redemocratização, e até mesmo daquele que se pretendia com o Plano Trienal de Furtado em 1962.
Aí estamos, em pouco mais de um ano de impeachment, diante realmente da desnacionalização dos nossos recursos naturais, depredação do meio-ambiente, subordinação nas relações exteriores, precarização do trabalho, sucateamento dos bens e serviços públicos, cerceamento da educação, cultura e liberdade, opressão das mulheres e negros, dentre outras atrocidades.
Em termos de conservadorismo e autoritarismo, talvez o Estado e parte da sociedade esteja mesmo no início da década de 1960. Para nossa tristeza, não temos mais Celso Furtado para refletir e apontar caminhos a fim de se construir uma nação verdadeiramente desenvolvida, e indivíduos genuinamente emancipados.
Por outro lado, para nossa sorte, temos seu grande legado para continuar a nos inspirar e a nos encher de esperança e a presença de muitos de seus discípulos e amigos, como a querida professora Maria da Conceição Tavares, para reavivar nossa coragem: não há retrocesso que nos impeça de continuar a lutar. 


* Professoras dos Bacharelados de Ciências Econômicas e de Relações Internacionais da UFABC. Fernanda é atualmente coordenadora do Bacharelado de Ciências Econômicas da UFABC e vice- coordenadora do Núcleo de Estudos Estratégicos em Democracia, Desenvolvimento e Sustentabilidade (NEEDDS) e do grupo de pesquisas em Cadeias Globais de Valor da UFABC (CGV). Cristina realiza pós-doutorado na Technische Universtitat Berlim/ EU Marie Curie IPODI (International Post-doc Initiative) e coordena o grupo CGV.

Filme sobre OS DEZ DIAS QUE MUDARAM O MUNDO

Acessem:


https://www.youtube.com/watch?v=8_RfHVLYAdA&list=PLfH4KYqpvDkBYDX_cmDOhtJWwGt-HMz0V&index=4

O diretor Raoul Peck e o Filme ‘O Jovem Karl Marx’: “Vou ao passado para compreender a eleição de Trump” 1 MAIO, 2017 - INSIDER FILM


O diretor Raoul Peck e o Filme  ‘O Jovem Karl Marx’: “Vou ao passado para compreender a eleição de Trump”

1 MAIO, 2017 - INSIDER FILM

O Jovem Karl Marx - (Trailer legendado em português PT)

altRaoul Peck é um homem deste tempo. Não só da América que deixa de ser de Obama e passa a ser de Trump, mas também da Europa que parece também seduzida por um nacionalismo que poderá rimar com alguns ‘ismos’ nefastos. Em O Jovem Karl Marx, que agora chega às nossas salas, atreve-se a regressar onde tudo começou, ou seja, ao Manifesto do Partido Comunista, um outro ‘ismo’, até à identificação dos princípios capitalistas que Peck considera gerarem nefastas consequências e vícios atuais; mas refletiu também sobre os ecos do seu outro filme, Eu Não Sou o Teu Negro, o tal documentário que foi nomeado ao Óscar (estreia em maio), onde aborda o privilégio de raça através dos textos e persona do ativista político William Baldwin. Na entrevista que fizemos ao realizador haitiano, no passado festival de Berlim, foram passadas em revista as implicações de ambos esses filmes estranhamente orgânicos.
O realizador politicamente implicado aposta num cinema de causas a admitir certos efeitos. Porque, segundo ele, a democracia não é só votar e ficar sentado no sofá a ver reality shows.
Porque decidiu escolher este momento preciso na vida de Karl Marx, durante a sua juventude até à edição do Manifesto do Partido Comunista?Talvez porque este foi talvez o momento que teve mais impacto naquilo que eu queria mostrar, aquele processo de raciocínio e aproximação à sociedade que mudaria todo o mundo. Esta aproximação não foi apenas feita por dois lunáticos (Marx e Engels), foi um processo baseado na realidade, com uma análise da sociedade. Desde logo pelo livro que Engels escreveu sobre os trabalhadores britânicos – e que Marx considerou fenomenal – encarado como um trabalho duro de pesquisa. O Engels passou muito tempo a fazer inquéritos e recolher material empírico. O trabalho de Marx baseou-se sempre no empenho de muitos outros cientistas, economistas ou filósofos. Portanto, para mim, este filme é importante para mostrar todo esse processo.Acha que este tema continua a ser contemporâneo, mesmo depois da anunciada morte do comunismo?Claro que sim. Para mim é a base. Eu sou aquilo que sou hoje devido a essa estrutura que adquiri quando era ainda jovem a estudar o trabalho do jovem Marx. Estudei em Berlim, nos anos 70 e 80, e essas ideias eram necessárias para nos confrontarmos nós próprios e com esses livros. É o nosso passado e o nosso presente. E faz parte do conhecimento geral, até porque permite compreender a sociedade em que vivemos.Em todo o caso, o capitalismo de hoje é bastante diferente do capitalismo do período que retrata o filme…Tomemos então, por exemplo, o Manifesto do Partido Comunista, alguns dos artigos descrevem com detalhe a crise de 2008. É quase um livro para crianças sobre a história e evolução do capitalismo até hoje. Que outras provas necessitamos? Voltando à pergunta inicial e ao momento que escolhi, porque quis regressar aos fundamentos e instrumentos. Talvez essa seja esse o seu maior legado. O instrumento para analisar de forma mais precisa a nossa sociedade. Também como é hoje. Eu não fiz um filme sobre o passado; vou ao passado para buscar instrumentos e compreender porque o Trump foi eleito.alt
Era precisamente aí que queria chegar. É que este pedaço de história política é particularmente relevante hoje em dia. E ainda mais nos Estados Unidos. Que tipo de impacto espera que o filme possa ter na sociedade?
Espero que muitas pessoas, em particular os jovens, se possam rever nesta procura, que possam encontrar, não uma receita, mas uma resposta para combater aquilo que se passa hoje. Porque estamos exatamente no mesmo tipo de capitalismo, onde o dinheiro e a riqueza ficam cada vez mais nas mãos de poucos ao passo que uma imensa maioria ficará cada vez mais pobre. Isto é a História a repetir-se. O que o Marx nos forneceu foi um instrumento científico para compreender e analisar cada momento desta sociedade. Um momento que começou com a revolução Industrial e que continua até hoje.
De que forma este filme e o documentário Eu Não Sou o Teu Negro se interligam?
Ambos os temas mudaram a minha vida e em épocas próximas. Conheci o trabalho de William Baldwin quando era ainda muito jovem, com 17 anos; e descobri Marx aos 18 anos. Ambos estruturaram a minha mente; de uma forma diferente. São, por assim dizer, as duas pernas com que caminho. No meu filme, Baldwin diz que “o branco é uma metáfora do poder”, o que é uma outra forma de dizer “Chase Manhatan Bank”. Os analistas de Marx não dizem nada de diferente, apenas encaram numa perspetiva semelhante. A raça é apenas uma emanação do capitalismo. É como o tema dos refugiados; não se trata da cor dos refugiados, é o capitalismo a fazer o seu papel, ou seja, a separar pessoas, dividindo-as e uma certa classe a proteger os seus privilégios.
Eu Não Sou o Teu Negro foi nomeado para um Óscar. Qual é a importância que dá a essa distinção?Enquanto cineasta é importante ser reconhecido pelos meus pares, mas ao mesmo tempo já tenho idade para não ser abalado por essa ideia. Foi bom, mas o mais importante é trazer a obra de Baldwin, um autor acutilante, uma mente brilhante, extremamente relevante hoje em dia. Tudo o que ele diz no filme foi escrito há 50 anos atrás. Tem o mesmo peso do que se tivesse escrito hoje essas palavras. Por aí conseguimos analisar toda a situação do que se passa hoje na América. Para mim, foi importante voltar a essas referências fundamentais. Hoje vivemos num mundo estranhamente nublado, onde não sabemos bem o que são notícias ou eventos falsos, o que é opinião, quando um Presidente pode afirmar que o aquecimento global não existe.Em que momento na sua vida decidiu abandonar a agenda de ativismo politico e passar a ser também um cineasta?Eu vim para a Alemanha com 18 anos, que era um país muito político mas também cultural. Não foi imediato que o cinema pudesse ser um veículo político. Entretanto, estudei engenharia industrial e iniciei depois um mestrado. Provavelmente seguiria uma carreira nessa área. Entretanto, decidi fazer um exame na escola de cinema. Mas sempre com a ideia de regressar ao Haiti e usar o cinema não como entretenimento, mas como forma de transmitir conteúdo. E cheguei numa altura após uma geração anterior empenhada num cinema militante.E como eram as coisas no seu pais nessa altura?Nessa altura, vivíamos uma ditadura no Haiti. O Jean-Claude Duvalier, o “baby doc”, era Presidente. Um grupo de estudantes que tinha vindo antes de mim, regressou ao Haiti, mas foram todos mortos. A CIA já tinha informado o governo que era ativista. Eu sabia que teria também de regressar ao Haiti. Regressei um pouco à arena política, na luta contra a ditadura. Muitos dos meus amigos eram pessoas da SWAPO, ANC, da Nicarágua, Brasil, Irão, Turquia. Estávamos todos juntos na rua a lutar contra a política de Reagan. Essa foi a minha educação. Lembro-me quando estava na escola de cinema, de trabalhar na televisão e de me chamarem traidor. Isso foi nos anos 80. Nesses dias, ter um emprego na televisão era considerado um “vendido”. Imaginem agora…alt
Acha que aquele momento, no filme, em que se preparava uma revolução pode estar também para chegar?
Para quem sabe, a revolução de 1848 acabou em desastre. Foi o acordar de toda a Europa, mas a repressão foi tremenda. É um processo que avança e recua, mas não é sempre retrocesso. Faz parte do processo, mas o processo somos nós. Nós é que decidimos o que fazer. A resposta a Trump é a manifestação, claro, mas passado esse momento, o que podemos fazer? Isso dá trabalho.
Esse é um processo que já dura há algum tempo…
Sim, nos EUA começou em 1973 com a primeira crise do petróleo; a Europa e o mundo ocidental foi abalado, porque foi um ataque a toda esta construção; 80% da produção foi para a Europa e EUA, mas os nativos revoltaram-se. O que acabou em crise económica. Entretanto tivemos Reagan, Thatcher, com a destruição dos sindicatos e organizações progressivas. Tudo isso tem consequência. Por isso, hoje quando os movimentos “Black Lives Matter” ou “Ocuppy Wal Street” iniciam um protesto não têm a mesma liderança, pois os sindicatos não têm a mesma força financeira que antes para assegurar a eficácia desse movimento.
Não deixa de ser curioso o final do filme, em que diversas revoluções se conjugam ao som do tema de Dylan, Like a Rolling Stone. Foi propositado?
Claro. É a mesma História. Está tudo ligado. Eu mostro a crise de 1929, mostro o Vietname, Mandela, Che Guevara, o Muro de Berlim…
Acha que a Presidência de Obama foi um progresso?
Sim. Mas a mudança foi estrutural. O Baldwin tem uma frase sobre o Obama, embora não seja sobre o Obama, claro. O jornalista perguntou-lhe como seria quando tivesse o primeiro Presidente negro. E ele respondeu que a questão não era quando, mas de que país seria esse Presidente. No sentido de saber se as pessoas se levantam par afazer alguma coisa ou se ficam a observar o que se passa. Nos EUA se não tivermos influência sobre os congressistas os “lobbys” terão. A democracia não é votar e ficar no sofá a ver reality shows. Isso não é democracia. A democracia é feita de cidadãos ativos, em que se questiona tudo.
Fala de democracia, mas a televisão, o cinema e até a internet não nos transformam também hoje em meros espetadores?
Isso faz parte da nossa indústria, claro. No meu filme, Baldwin viveu numa altura em que existiam apenas três canais americanos nacionais. Ou seja, a indústria trabalhou da mesma forma que os narcóticos. E isso foi antes de todos os reality shows. É esse o desenvolvimento dos media capitalistas. É o mundo das grandes companhias. Por exemplo, o tipo de liberdade argumentativa que os jornalistas têm hoje já quase não se vê. É esta a realidade. Por isso é mais difícil de lutar. Ficámos mais preguiçosos, mas sabemos que depois a queda do Muro de Berlim, o capitalismo venceu e não há nada a fazer. Não há mais história. Só que a crise de 2008 acordou-nos. Mas também fez com que muitos jornais económicos colocassem Marx na primeira página. Se calhar, ele tinha razão… Agora vem Trump que quer desregulamentar tudo outra vez. Porquê? Porque não demos uma resposta. Ainda estamos letárgicos, sem organização.
Esta entrevista também foi publicada em Insider.

O Jovem Karl Marx - (Trailer legendado em português PT)



I Am Not Your Negro - Official Trailer


BOMBA: INGLATERRA MUDOU REGRA DO PRÉ-SAL E TEMER CEDEU A LOBBY DA SHELL

BOMBA: INGLATERRA MUDOU REGRA DO PRÉ-SAL E TEMER CEDEU A LOBBY DA SHELL



Uma notícia bombástica acaba de ser publicada pelo jornal The Guardian, o mais respeitado da Inglaterra. O governo inglês fez lobby, com sucesso, junto ao governo golpista do Brasil para mudar as regras de exploração do petróleo, em benefício de multinacionais como a Shell e a BP.

O encarregado do lobby foi o ministro do Comércio, Greg Hands, que veio ao Rio de Janeiro, onde se reuniu com Paulo Pedrosa, secretário do Ministério de Minas e Energia, de Michel Temer.

Com a vinda, a Inglaterra conseguiu que o governo brasileiro eliminasse exigências de compra de conteúdo local da indústria nacional, flexibilizasse exigências ambientais e isentasse grandes multinacionais de petróleo do pagamento de impostos num montante que supera R$ 1 trilhão.

Leia aqui a reportagem original e confira como o governo de Michel Temer – apelidado de Mishell Temer pelos petroleiros – trabalha contra os interesses nacionais, segundo denuncia a própria imprensa inglesa:
A Grã-Bretanha pressionou com sucesso o Brasil em nome da BP e da Shell para responder às preocupações dos gigantes do petróleo em relação à tributação brasileira, regulação ambiental e regras sobre o uso de empresas locais, revelam documentos do governo.

O ministro do Comércio do Reino Unido viajou para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo em março para uma visita com um "foco pesado" em hidrocarbonetos, para ajudar as empresas britânicas de energia, mineração e água a ganhar negócios no Brasil.

Greg Hands se encontrou com Paulo Pedrosa, vice-ministro brasileiro de minas e energia, e "diretamente" levantou as preocupações das empresas petrolíferas Shell, BP e Premier Oil britânicas sobre "tributação e licenciamento ambiental".

Pedrosa disse que estava pressionando seus homólogos no governo brasileiro sobre as questões, de acordo com um telegrama diplomático britânico obtido pelo Greenpeace.

O Departamento de Comércio Internacional (DIT) lançou inicialmente uma versão não-editada do telegrama sob as regras de liberdade de informação para a unidade de investigação do Greenpeace, Desenterrada, com as passagens sensíveis destacadas. Pouco depois, o departamento emitiu uma segunda versão do documento, com as mesmas passagens redatadas.

A Greenpeace acusou o departamento de agir como um "braço de pressão da indústria de combustíveis fósseis".

O governo do Reino Unido negou que fosse lobby para enfraquecer o regime de licenciamento ambiental, embora a campanha de lobby mostrou ter dado frutos. Em agosto, o Brasil propôs um plano de alívio tributário de vários bilhões de dólares para perfuração offshore e, em outubro, a BP e a Shell ganharam a maior parte das licenças de perfuração de águas profundas em um leilão do governo.

Rebecca Newsom, assessora política seniores do Greenpeace, disse: "Este é um duplo embaraço para o governo do Reino Unido. O ministro do Comércio de Liam Fox tem pressionado o governo brasileiro em um enorme projeto de petróleo que prejudicaria os esforços climáticos feitos pela Grã-Bretanha na cúpula da ONU em Bonn.

"Se isso não fosse ruim o suficiente, o departamento da Fox tentou encobri-lo e ocultar suas ações do público, mas falhou comicamente".

O documento também revela que o Reino Unido pressionou o Brasil a relaxar seus requisitos para que os operadores de petróleo e gás usassem uma certa quantidade de empresas brasileiras e empresas da cadeia de suprimentos.

Diplomáticos britânicos descreveram o enfraquecimento dos chamados requisitos de conteúdo local como um "principal objetivo" porque a BP, a Shell e o Premier Oil seriam "beneficiários britânicos diretos" das mudanças.

A tentativa do Reino Unido de suavizar os requisitos continuou no dia seguinte à reunião entre Hands e Pedrosa, com um funcionário senior da DIT liderando um seminário sobre o assunto na sede do regulador de petróleo e gás do Brasil.

O governo do Reino Unido passou por incêndio no passado por fornecer centenas de milhões de libras de apoio para a Petrobras, empresa estatal de petróleo do Brasil, atingida pelo escândalo, através da agência de exportação de crédito do Reino Unido.

Os esforços contínuos de lobby do petróleo do Reino Unido no Brasil surgiram dias depois que os ministros britânicos estavam promovendo a liderança do Reino Unido no corte de emissões de carbono nas negociações climáticas internacionais em Bona.

Claire Perry, o ministro das mudanças climáticas, disse na cúpula: "estamos assumindo nossos compromissos sob o acordo de Paris muito a sério e estamos a agir".

Um porta-voz da DIT disse: "A DIT é responsável por incentivar as oportunidades de investimento internacional para as empresas do Reino Unido, respeitando os padrões ambientais locais e internacionais. A indústria britânica de petróleo e gás e cadeia de suprimentos suportam milhares de empregos e fornecem £ 19 bilhões em exportações de bens sozinhos.

"No entanto, não é verdade que nossos ministros fizeram lobby para afrouxar as restrições ambientais no Brasil - a reunião foi sobre melhorar o processo de licenciamento ambiental, garantindo condições equitativas para as empresas nacionais e estrangeiras e, em particular, ajudando a acelerar o licenciamento processar e torná-lo mais transparente, o que, por sua vez, protegerá os padrões ambientais ".


Coalizão de esquerda Frente Ampla supera pesquisas e se consolida como 3ª força política do Chile

Coalizão de esquerda Frente Ampla supera pesquisas e se consolida como 3ª força política do Chile


'O Chile quer mudanças e mais de 1,2 milhão de pessoas votaram pela mudança', afirmou candidata Beatriz Sánchez em seu discurso após divulgação do resultado
Atualizada às 18h10
A coalizão de esquerda Frente Ampla (FA) obteve neste domingo (19/11) um resultado melhor do que previsto pelas pesquisas, ficando a poucos votos de passar para o segundo turno com o ex-presidente Sebastián Piñera e se consolidando como terceira força política no Chile.  
A Frente Ampla é formada por uma coligação de 13 partidos: Poder Cidadão, Esquerda Autônoma, Movimento Democrático Progressita, Movimento Autonomista, Esquerda Libertária, Partido Igualdade, Movimento Político Socialismo e Liberdade, Partido Ecologista Verde, Nova Democracia, Partido Liberal do Chile, Partido Pirata, Partido Humanista e Revolução Democrática. Alguns membros da FA, como os deputados Gabriel Boric e Giorgio Jackson, foram líderes das manifestações estudantis que marcaram o Chile em 2011.
Com 99,04% das urnas apuradas, Piñera ficou em primeiro, com 36,64% dos votos, seguido pelo candidato de Bachelet, o senador Alejandro Guillier, que ficou com 22,70%, e Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, com 20,27%.
Pesquisas, no entanto, indicavam que Sánchez não chegaria a 20%. O último levantamento da Cadem, divulgado em 3 de novembro, dava Piñera com 42%; Guillier, com 20%; Sánchez, com 13%. Já o do CEP (Centro de Estudos Públicos), um dos institutos mais importantes do país, colocava o ex-presidente com 44%, seguido de Guillier, com 19%, e por Sánchez, com 8,5%. Os institutos só podem divulgar números de intenções de voto até, no máximo, 15 dias antes das eleições.
"Somos uma força que chegou para ficar", afimou Sánchez, em discurso após a divulgação dos resultados. Ela não deixou de notar a disparidade entre as pesquisas e o que saiu das urnas. "Se as pesquisas tivessem dito a verdade, estaríamos no segundo turno", disse.
Além do expressivo resultado na eleição para presidente, a Frente Ampla também conseguiu um bom número de cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo o Servel (Serviço Eleitoral do Chile), a FA elegeu um senador e 20 deputados, efetivamente se tornando a terceira força na Câmara Baixa (atrás da direitista Chile Vamos, de Piñera, que terá 73, e da centro-esquerdista Nova Força da Maioria, que apoia Guillier, com 43).
A presidente Michelle Bachelet disse que a eleição deste domingo tornou realidade "mudanças que fortalecem a democracia". "Hoje se abre ante ao país uma nova eleição, cujo resultado está aberto e dependerá do que nossos compatriotas dirão em 17 de outubro."
Origens
A origem da Frente Ampla guarda certa relação com a Nova Maioria - que, por sua vez, é descendente da Concertação, responsável por juntar a Democracia Cristã, o Partido para a Democracia (PPD), o Partido Radical Socialdemocrata (PRSD), o PS (Partido Socialista) e outros menores na época do plebiscito que decidiu pela saída do ditador Augusto Pinochet.

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Acompanhe a apuração da eleição presidencial do Chile; Piñera e Guillier vão para 2º turno

Ex-presidente Sebastián Piñera e Alejandro Guillier, candidato de Bachelet, vão ao 2º turno no Chile

 
Patricio Alarcón/Flickr CC

Beatriz Sánchez ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais do Chile
Entre 1990 e 2010, todos os presidentes chilenos saíram desta coalizão: Patricio Aylwin, Eduardo Frei (democratas-cristãos), Ricardo Lagos e Bachelet (socialistas). A sequência só foi interrompida com a eleição de Piñera, em 2010, e a Concertación foi para a oposição. Em 2013, novos partidos se juntaram à coalizão e formaram a Nova Maioria: Esquerda Cidadã, Partido Comunista e Movimento Amplo Social. Rebatizado, o grupo de partidos levou Bachelet novamente ao governo.
Em janeiro de 2016, a Revolução Democrática, fundada por Giorgio Jackson, e a Esquerda Autônoma, criada por Boric (ambos reeleitos no domingo), entregaram seus cargos no governo Bachelet, anunciaram um distanciamento da Nova Maioria e fundaram a Frente Ampla, que se inspira na sua versão uruguaia e diz querer ser uma alternativa de esquerda aos atores tradicionais da política do país.
Um ano depois, a Nova Maioria teve um novo racha: a Democracia Cristã decidiu não participar das primárias da coalizão e lançou candidata própria – a da líder do partido, Carolina Goic, que terminou com 5,88%. Guillier passou a ser apoiado pela coalizão de centro-esquerda Nova Força da Maioria, da qual fazem parte o Partido Comunista, o PPD, o PRSD e o PS.
Mudança
“O Chile quer mudanças e mais de 1,2 milhão de pessoas votaram pela mudança”, afirmou Sánchez.
Ela disse que enfrentou uma concorrência desigual. “Havia um candidato que gastou seis vezes mais que nós, dez vezes mais que nós. Aqui houve trabalho, seriedade, porque aqui houve coerência, porque houve convicção, porque o fizemos de maneira honesta, não quisemos enganar ninguém”, disse.

Ex-presidente Sebastián Piñera e Alejandro Guillier, candidato de Bachelet, vão ao 2º turno no Chile

Ex-presidente Sebastián Piñera e Alejandro Guillier, candidato de Bachelet, vão ao 2º turno no Chile


População do país foi às urnas para escolher, além do sucessor da atual mandatária, Michelle Bachelet, senadores, deputados e conselheiros regionais
Atualizada às 22h32
O ex-presidente Sebastián Piñera e o senador governista Alejandro Guillier vão disputar o segundo turno nas eleições presidenciais chilenas, confirmou neste domingo (19/11) o Servel (Serviço Eleitoral do Chile). A população do país escolheu, além do sucessor da atual mandatária Michelle Bachelet, senadores, deputados e conselheiros regionais. Do total de eleitores aptos a votar, 43% foram às urnas.
Guillier superou a candidata Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, por uma diferença mais apertada do que a prevista pelas pesquisas. O segundo turno está previsto para o dia 17 de dezembro.
Nesta eleição, a Nova Maioria rompeu e, pela primeira vez desde o fim da ditadura militar, alguns de seus partidos apresentaram candidatos próprios à presidência, efetivamente encerrando a aliança que levou todos os presidentes chilenos entre 1990 e 2010 ao poder: Patricio Aylwin, Eduardo Frei (democratas-cristãos), Ricardo Lagos e Michelle Bachelet (socialistas). Esta também foi a primeira eleição desde o fim da ditadura em que chilenos residentes no exterior puderam votar.
Piñera
"Recebemos de forma forte e clara a voz dos chilenos. Foi um grande resultado eleitoral", afirmou Piñera, em discurso logo após ser confirmado no segundo turno.
Presidente entre 2010 e 2014, justamente entre os dois mandatos da líder socialista, o empresário de 67 anos liderava as pesquisas com cerca de 35% das intenções de voto, apesar de ter deixado o poder com sua avaliação em baixa. Tido como um dos homens mais ricos do país, Piñera é dono de um patrimônio estimado em US$ 2,7 bilhões, segundo a revista "Forbes".
Patricio Alarcón/Flickr CC

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Com diploma em engenharia comercial pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e PhD em economia pela Universidade de Harvard, fundou uma empresa de cartões de crédito em 1976 e foi dono da emissora de TV Chilevisión, de 26% da companhia aérea LAN (que viria a se fundir com a TAM) e do Colo-Colo, clube de futebol mais popular do país.
Ao ser eleito presidente, se desfez dessas participações e confiou parte de sua fortuna a um "blind trust", fundo que administra ativos sem a interferência de seus proprietários, mas acusações de conflito de interesses permeiam sua vida na política. Seu período no poder também foi marcado pelo acidente que soterrou 33 trabalhadores em uma mina a 700 metros de profundidade em San José.
O incidente, ocorrido em agosto de 2010, causou comoção mundial, especialmente no resgate dos mineiros, realizado mais de dois meses depois. Seu governo, iniciado em março daquele ano, também teve de lidar com a reconstrução das zonas destruídas pelo terremoto de magnitude 8,8 na escala Richter que matara mais de 500 pessoas no centro do país em fevereiro.
Guillier
O jornalista Alejandro Guillier terá o desafio de superar a grande diferença de votos entre e Piñera. Ele se coloca como defensor do legado de Bachelet e promete focar seu eventual governo nas conquistas sociais dos últimos anos. Entre seus principais motes da campanha, está o aprofundamento da reforma na educação, iniciada por Bachelet em seu segundo mandato, e a alteração da Constituição herdada da ditadura de Pinochet (1973-1990).
Antes de se candidatar à Presidência, Guillier, 64 anos, contava com três décadas de jornalismo televisivo e de rádio, tendo atuado desde a produção de matérias até a apresentação de telejornais. Uma das ironias da campanha de 2017 é que, durante três anos, o candidato da centro-esquerda trabalhou na emissora Chilevisión, que tinha Piñera como dono.
Na política há apenas quatro anos, o também sociólogo busca usar sua popularidade como forma de angariar votos. Guillier tornou-se senador em 2014 e sempre contou com um forte apoio do Partido Radical, que faz parte da coalizão governista. Ele disputaria as primárias da Nova Maioria, mas a votação acabou cancelada após a retirada da candidatura do ex-presidente Ricardo Lagos e a decisão da Democracia Cristã de lançar Carolina Goic como sua postulante ao Palácio de la Moneda.
(*) Com Ansa

Segóvia: uma mala só não faz ladrão. Mas um pedalinho, faz…ALGUÉM JÁ DISSE: "O PODER CORROMPE. O PODER TOTAL CORROMPE TOTALMEN TE"

Segóvia: uma mala só não faz ladrão. Mas um pedalinho, faz…

“Uma única mala não prova nada”, diz o diretor da Polícia Federal sobre o dinheiro recolhido por Rodrigo Rocha Loures com o tal Ricardo Saud, da JBS.
Certo, mas será que o delegado Fernando Segóvia pode explicar para que ou o que era aquela mala?
Teria Rocha Loures simplesmente “trocado um cheque” de R$ 500 mil com Saud, porque era de noite, o banco estava fechado e ele precisava de uns trocados para a “night”?
Mas dê-se ao Dr. Segóvia o beneficio de que tenha querido dizer que as provas precisam ser mais sólidas, que a investigação deve revelar o beneficiamento direto do acusado, no caso Michel Temer, para que contra ele se possa propor uma ação penal.
Então como é que o Dr. Segóvia acha que, lá na PF do Paraná, valem pedalinhos, uma visita para “olhar” apartamentos, papeluchos que não se sabe quem rasurou e outras provas que não provam nada mas que, sendo contra Lula, subsidiam uma sentença de quase dez anos de prisão?
A verdade é que o novo diretor da Polícia Federal está perdendo boas oportunidades de ficar de boca fechada.
O único serviço que ele presta, com isso é o de mostrar, para quem ainda tinha dúvidas, que o furor investigatório da Polícia Federal é politicamente dirigido, como ele faz de forma escancarada.
Não vai cair, porque só cairia se dissesse que os arremedos de prova que invocaram contra Lula “não provam nada”.
Não provam, mas há que  se que dizer que provam, e cabalmente.