quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O que fazer com o apoio de Temer?

O que fazer com o apoio de Temer?

Os candidatos da direita – eufemisticamente chamados “de centro” pela mídia – têm um problema imenso pela frente: como se livrarem de Michel Temer, o campeão de rejeição e  cujo apoio, diz o Datafolha, espantaria o voto de nada menos de 87% dos eleitores brasileiros.
Como é que Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia e outros ainda menos votados vão habilitar-se a ganhar o latifúndio de tempo de televisão do PMDB sem, em troca, assumirem também o “legado” do atual ocupante do planalto.
Recordem-se que gente muito melhor, com uma trajetória incomparável à destes aí, afundou-se pela fama do Governo Sarney, em 1989: Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves não chegaram, respectivamente, a 5 e 1% dos votos.
Podem crer que, a esta altura, tem muito deputado colocando na balança o lucro com a liberação de algumas emendas e a pecha de votar com Temer na reforma da aposentadoria. Que dirá os presidenciáveis que, mal ou bem, serão chamados a dizer de público o que pensam deste governicho…
E Luciano Huck, se não levar o tempo do PSDB, desestabilizando Alckmin, vai ficar só com os 15 segundos do PPS?
A esta altura, melhor torcerem para Michel Temer ter uma crise de vaidade e candidatar-se, mesmo que seja para tirar-lhes votos tendo 6 ou 7% dos votos.
É menos do que vai tirar apoiando…

“If”: Se a turma do “auxílio-moradia” visse que o apê não era de Lula?

“If”: Se a turma do “auxílio-moradia” visse que o apê não era de Lula?

O velho Octavio Frias, dono da Folha de S. Paulo, morto em 2007, gostava tanto do poema “If”, de Rudyard Kipling que, na sua morte, o jornal fez questão de publicá-lo, em tradução de Guilherme de Almeida, com seus versos iniciais dizendo: Se és capaz de manter a tua calma quando/Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;/De crer em ti quando estão todos duvidando…
E terminando, poucas linhas depois: E se és capaz de dar, segundo por segundo,/Ao minuto fatal todo o valor e brilho,/Tua é a terra com tudo o que existe no mundo/E o que mais –tu serás um homem, ó meu filho! 
Como, claro, If, em português é “Se”, em homenagem ao velho Frias, a Folha poderia imaginar o que seria o resultado de uma pesquisa presidencial como a que publica hoje, se os juízes – tão bem aquinhoados em matéria de moradia, tivessem visto o que toda a comunidade jurídica viu: que o apartamento não era de Lula.
Hoje ainda, ou amanhã, ela deve divulgar o “julgamento” na pesquisa do “julgamento” de Lula.
Certamente, entre as perguntas, não colocou uma sobre se o eleitor/eleitora votaria no Lula caso ele fosse absolvido.
Se a pusesse, concluiria que, sem o plano cuidadosamente urdido para condená-lo, Lula, a esta altura, estaria perto dos 50% suficientes para liquidar a eleição no 1° turno, possivelmente bem acima disso.
Mas, em matéria de “Se”, é melhor ficar com o do velho Octavio e saber que o poema diz muito:
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”
É isso o que a geração de empavonados, que pulula em redações e tribunais, não pode compreender.

Auler: AGU não recorreu de “auxílio-duplex” para Bretas

Auler: AGU não recorreu de “auxílio-duplex” para Bretas

Extensa e cuidadosa reportagem de Marcelo Auler mostra que a Advocacia Geral da União, a quem compete zelar para que o Poder Público não pague vantagens indevidas a servidores, não recorreu da sentença de 1ª instância que concedeu a juiz Marcelo Bretas – ex-estrela do Twitter – e a sua mulher, Simone, o pagamento duplicado de auxílio-moradia a casais de juízes, o que é vedado por resolução do Conselho Nacional de Justiça.
A mesma AGU, porém, recorreu ao Supremo e conseguiu a proibição do mesmo benefício quando, em lugar de juízes federais eram os magistrados da Justiça do Trabalho que pediam a benesse, por decisão de Ricardo Lewandowski.
Cada vez fica mais claro, não só por isso, mas pela reação das Associações de Juízes, que assumem a intolerável posição de justificar o recebimento absurdo e indevido como “complemento salarial”, pois seus salários estariam “defasados”.
Espera-se que os caixas de bancos, que ganham imensamente menos e cujos salários são arrochados há muito mais tempo não passem a usar os mesmos argumentos na hora de fechar o movimento do dia.
Leia a reportagem no Blog do Auler e, como explicação aos muitos leitores que pediram detalhes de outros benefícios do casal Bretas, fica a informação de que estamos apurando com responsabilidade, por que os números não estão discriminados o suficiente para serem expostos sem medo de errar.
Aqui não tem “domínio do fato”.

Previdência perde contribuintes; centrais mobilizam contra a reforma É O "VAMPIRO" ATACANDO A PREVIDÊNCIA

Previdência perde contribuintes; centrais mobilizam contra a reforma

Duas informações importantes para quem se preocupa com a proteção ao trabalhador.
A primeira ajuda a entender os problemas de caixa da Previdência Social: só em 2017, perdeu-se quase 1,1 milhão de contribuintes. Por conseguinte, não apenas o seu desconto previdenciário, mas também as contribuições patronais associadas.
É o resultado da política de “bico”, em lugar de emprego.
Isso é atacar no esteio um sistema atuarial que depende de ter mais contribuições do que dispêndios. Quer-se, com a reforma, cortar os gastos, mas em política econômica e em redução da regulação trabalhista, corta-se a receita das contribuições.
A segunda, ajuda a reagir a este crime. As centrais sindicais ( CUT, CSB, CTB, Força Sindical, Nova Central, UGT e Intersindical) decidiram iniciar imediatamente uma Jornada de Luta contra a Reforma da Previdência, e marcar, para o dia 19, quando está prevista a votação do projeto de reforma enviado por Michel Temer à Câmara, uma série de manifestações e greves, sob o lema: “Se Botar Pra Votar, o Brasil vai Parar”.
Quase toda esta turma que fala em favor da reforma, não se iluda, é formada de empresários ou “PJ” e paga, proporcionalmente, menos imposto que você.
Leia a nota das centrais e pense no que pode fazer para que não se consume mais este crime contra os trabalhadores.
Em reunião manhã desta quarta-feira (31), as centrais sindicais (CSB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central, UGT, Intersindical) aprovaram a realização de uma Jornada Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência.
Na oportunidade, as centrais repudiaram a campanha enganosa do governo Michel Temer para aprovar a Reforma da Previdência. E orientam para o próximo dia 19 de fevereiro um Dia Nacional de Luta.
Com a palavra de ordem “Se botar pra votar, o Brasil vai parar”, as centrais orientam suas bases a entrarem em estado de alerta e mobilização nacional imediata, com a realização de assembleias, plenárias regionais e estaduais, panfletagens, blitz nos aeroportos, pressão nas bases dos parlamentares e reforçar a pressão no Congresso Nacional.
As centrais sindicais conclamam suas bases a reforçar o trabalho de comunicação e esclarecimento sobre os graves impactos da “reforma” na vida dos trabalhadores e trabalhadoras.
A unidade, resistência e luta serão fundamentais para barrarmos mais esse retrocesso.
Antonio Neto, presidente da CSB; Adilson Araújo, presidente da CTB; Vagner Freitas, presidente da CUT; Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical; José Calixto, presidente da Nova Central; Ricardo Patah, presidente da UGT

Lula foi absolvido pelo povo. Por Paulo Pimenta(*)

Lula foi absolvido pelo povo. Por Paulo Pimenta(*)

A sentença persecutória contra Lula se concretizou, dando continuidade ao golpe de 2016 no Brasil. O julgamento no TRF-4 foi um escracho. Um jogo de cartas marcadas que reforçou o ativismo político do judiciário tanto pela aceleração do processo para antecipar a data do julgamento tendo em vista o calendário eleitoral e na intransigência com a defesa do ex-presidente Lula, quanto na votação unânime e combinada dos desembargadores. Tudo isso revela a disposição para inventar um crime e condenar sem provas, impedir recursos e, definitivamente, interferir no processo democrático do país.
O golpe de 2016 foi idealizado para tirar a presidenta eleita, desconstruir as políticas sociais, acabar com a educação e a saúde públicas, atacar os direitos trabalhistas e previdenciários, criminalizar lideranças de esquerda e reduzir o povo a nada. Porém, a história não é um roteiro, um caminho linear e seu destino não está previamente acertado.
A conjuntura política do país, no período pós retirada da presidenta Dilma Rousseff, é marcada por um intenso processo de disputa. Sem cair na armadilha dos falsos desígnios anticorrupção que serviam de holofotes para o discurso de extrema direita, um embate diário confrontou de forma sistemática a narrativa antidemocrática usada para impor retrocessos políticos, econômicos, sociais e culturais no Brasil.
Foi preciso transpor as barreiras da grande imprensa aliada do golpe para denunciar os crimes do governo ilegítimo, como as negociatas com as petrolíferas e a entrega do pré-sal, a compra de votos no Congresso para impedir a investigação de Temer e o não afastamento do senador Aécio Neves, evitando sua prisão, bem como para aprovar medidas impopulares como a reforma trabalhista e a drástica redução da proteção social. Tudo isso, ao mesmo tempo em que o governo anistia grandes devedores, abre o país à exploração estrangeira e regride na legislação ambiental, em um processo avassalador de ataque a soberania nacional.
O esforço para dialogar com a população atingida pelo avanço das políticas neoliberais que aprofundam as desigualdades não tem medido esforços para mostrar a relação entre o golpe no Brasil e a disputa por hegemonia em nível mundial. E a resistência ao golpe não tem poupado a subserviência das instituições jurídico, político, empresariais, incluindo a mídia, que fazem parte da coalisão liberal fascista que se aglutinou em torno de interesses de retomada do poder, a serviço do mercado.
O ativismo político de juízes, promotores, desembargadores e policiais envolvidos nesse processo, até de seus subordinados e familiares, descortinou o papel central da operação Lava Jato no esquema golpista. Diante dessa postura, em âmbito nacional e internacional, a finalidade real da sentença contra Lula foi revelada como a grande estratégia para impedir a continuidade de um projeto democrático e popular, mediante a sua eminente vitória na disputa presidencial em 2018.
O golpe enrijeceu porque a pretensa desmoralização de Lula não funcionou. Em um ato de desespero, mesmo sem provas, o TRF-4 partiu para a condenação política da maior liderança do país, demonstrando a disposição de um judiciário capaz de agir de forma irregular para impedir qualquer ameaça à continuidade do golpe. Por sua vez, a mídia golpista que não alcançou a façanha de destruir Lula apelou para ilações à defesa do ex-presidente, buscando uma cortina de fumaça sobre a grave situação do país, que cada vez mais se aproxima do estado de exceção.
As estratégicas midiáticas de demonização do projeto democrático e popular e de suas lideranças e a manipulação jurídica tomaram a proporção de desrespeito à Constituição. Nesse caminho, a presidenta do STF declarou que o reexame da questão da prisão em segunda instância não entrará em pauta, deixando nítido que se trata de uma posição como foco em Lula. Ou seja, uma posição adotada para atender a necessidade de a elite brasileira dar sequência à perseguição ao ex-presidente Lula.
Porém, “com Supremo e com tudo”, o golpe não atropela a tudo e a todos. A pesquisa do Datafolha de hoje aponta que Lula lidera disparado a disputa presidencial em 2018. Lula vence em qualquer cenário. E mais, se o golpe tirar Lula das eleições, o resultado será uma avalanche de votos brancos e nulos. Uma demonstração de que o povo brasileiro não está disposto a legitimar uma eleição com fraude.
A compreensão sobre esse processo avançou. É perceptível que, de um lado, está no banco dos réus um defensor dos trabalhadores e trabalhadoras, um legítimo representante do povo, um ex-presidente que deixou como marca a inclusão social. Um governante que melhorou a vida das populações mais pobres, garantiu a expansão do acesso à educação e deu um grande passo em direção às mudanças estruturais no país. De outro lado, retirada a máscara, estão os representantes do golpe, os filhos da meritocracia, os defensores da política neoliberal que não mais escondem sua arbitragem não isenta em favor de privilégios e de superconcentração de riquezas. Os juízes que se alçam à fama como carrascos de um defensor do povo.
O povo não é bobo. Sabe que a farsa não é justiça e que uma condenação sem crime é fascismo. Eleição sem Lula é fraude!
(*) Paulo Pimenta, é deputado federal (PT-RS) e líder do PT na Câmara.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Analistas franceses veem Justiça 'de exceção' e 'politizada' na condenação de Lula

Analistas franceses veem Justiça 'de exceção' e 'politizada' na condenação de Lula

rfi - português do brasil

Para professora do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal), em Paris, condenação do ex-presidente é 'afronta ao Estado de Direito no Brasil'

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Existe um denominador comum entre intelectuais franceses que analisam a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro especialistas em história e ciências políticas ouvidos pela RFI após a condenação do ex-presidente a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, apontam uma "politização" indesejável do sistema judiciário brasileiro.
A historiadora Juliette Dumont, professora do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal), em Paris, considerou a condenação do ex-presidente Lula como "uma afronta ao Estado de Direito no Brasil". Na opinião da especialista, a falta de provas de corrupção contra o petista mostra que seus direitos não foram respeitados.
"Temos em primeira instância e em segunda instância uma condenação que se baseia na delação de um dirigente da OAS (Léo Pinheiro], de uma construtora que tinha contratos com a Petrobras, sem nenhuma prova. Esse processo é sintomático dos desvios do atual sistema judiciário brasileiro. Acho que mais do que uma afronta ao Lula, vemos uma Justiça de exceção, cada vez mais politizada, que processa todos os partidos políticos, é verdade, mas se dirige ao Partido dos Trabalhadores com mais insistência", diz Dumont.  
Dumont considera legítimo que o ex-presidente mantenha sua agenda política visando a presidencial de outubro. "Não existe outra liderança à esquerda a não ser o Lula. Por isso, ele tem razão de acreditar em sua candidatura", avalia.
"Há pelo menos dois anos, antes mesmo do impeachment de Dilma Rousseff, surgiu no Brasil um discurso midiático, político e jurídico que é uma condenação, sem provas, do Partido dos Trabalhadores e das políticas que foram aplicadas pela legenda. Vimos com a Dilma, que já foi inocentada depois de sua destituição das acusações que foram feitas contra ela, que existe um sistema judiciário com papel político", conclui a professora.
Justiça disfuncional
Jean-Jacques Kourliandsky, especialista em questões ibéricas e da América Latina no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, um think tank francês sediado em Paris, disse não ter ficado surpreso com a sentença do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Ele aponta, no entanto, "ordem constitucional disfuncional" no tratamento do processo do ex-presidente Lula, assim como aconteceu na destituição da ex-presidente Dilma.
"Apesar de os juízes terem dito que a decisão deles não foi política, temos o direito de questionar a rapidez com que o tribunal marcou o julgamento de Lula. O fato de o presidente do TRF-4 [Carlos Eduardo Thompson Flores] ter anunciado publicamente sua aprovação à sentença do juiz Sérgio Moro, em primeira instância, dizendo que ela era perfeita – o que vai contra todas as práticas do Judiciário –, nos permite questionar se a Justiça brasileira faz seu trabalho em conexão com o calendário eleitoral."

Julgamento de Lula: castigo em escala mundial

Lula se torna pré-candidato à Presidência e diz que desembargadores fizeram 'cartel' para condená-lo

Venezuela presta solidariedade a Lula e diz que condenação procura 'impedir iminente eleição' do petista

 
Fotos Públicas

Julgamento de Lula no TRF4: Justiça de exeção e politização
Para Kourliandsky, não há dúvida de que o interesse do julgamento de ontem foi afastar o petista da eleição presidencial de 7 de outubro próximo. Ele acha provável que, "por coerência com as decisões em primeira e segunda instância", o Supremo Tribunal Federal deverá confirmar a pena de prisão contra Lula, em agosto. "O PT é prisioneiro deste cenário. Se Lula é afastado da corrida presidencial, outros candidatos de esquerda menos carismáticos vão aparecer, criando uma fragmentação no eleitorado de esquerda que pode favorecer a direita, como aconteceu no Chile", disse.
Pressão da mídia
Por outro lado, o pesquisador do Iris antevê outro cenário, mais sombrio. "A pressão da mídia brasileira, principalmente do grupo Globo e de grandes revistas semanais, sempre desqualificando o Partido dos Trabalhadores, apontando o ex-presidente como um corrupto, associando continuamente a política à corrupção, produz um fenômeno eleitoral inesperado. O PT e a esquerda ficam fora da disputa, mas nenhum candidato de direita consegue emergir com força nas pesquisas. Cria-se um enorme espaço para candidatos como o deputado Jair Bolsonaro [de extrema-direita], apoiado pelos evangélicos, ou eleitores inclinados a boicotar as urnas", diz Kourliandsky.   
Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe, da universidade SciencesPo, em Paris, considera que a eventual ausência de Lula nas eleições de 2018 "fará com que uma parcela expressiva da população não se sinta representada no pacto político e social que representa uma eleição presidencial".
Para Estrada, o modo como o julgamento foi transmitido pela televisão e as palavras utilizadas pelos desembargadores em Porto Alegre não contribuem para apaziguar o processo eleitoral no Brasil.
"Atores do sistema autoritário estão presentes"
Na avaliação de Maud Chirio, professora de história contemporânea na Universidade Paris-Est Marne la Vallée, o Brasil atravessa um contexto de instabilidade com "uma grande bipolarização política que pode assumir formas mais violentas". Atualmente, o campo que é hostil a Lula está extremamente mobilizado e se expressa oralmente de maneira violenta, estima a professora. Segundo Chirio, "a imprensa também manifesta um ódio político, como já se viu com o anticomunismo, que dividiu famílias, separou casais e extrapolou a política".
"O que pode acontecer é que se Lula finalmente conseguir, por razões variadas, se apresentar como uma alternativa plausível, existe o risco de haver uma reação das Forças Armadas", acredita a historiadora. "Em um recado ao Judiciário, os militares disseram que, se certas pessoas não fossem condenadas, eles iriam intervir para evitar que se instalasse o caos no Brasil. Isso quer dizer que os atores políticos das situações autoritárias estão presentes", adverte Chirio.
(*) Publicado na RFI

Moro e Dallagnol pesam mais na Justiça que os 11 do STF. Por Kennedy Alencar

Moro e Dallagnol pesam mais na Justiça que os 11 do STF. Por Kennedy Alencar

De Kennedy Alencar, em seu blog:
Parece que alguém esqueceu de avisar à ministra Cármen Lúcia que o Supremo Tribunal Federal se apequenou faz tempo. Durante encontro ontem em Brasília com jornalistas e empresários, ela disse que o tribunal correria esse risco caso viesse a rediscutir a prisão após condenação em segunda instância em função do caso do ex-presidente Lula.
O STF já se apequenou em outros episódios. Por exemplo, decidiu que medidas cautelares contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), como prisão e afastamento do mandato, deveriam passar pelo crivo do Congresso.
A medida, impopular, foi acertada. Mas, logo depois, o mesmo STF decidiu que esse entendimento não valia para três deputados estaduais do PMDB presos no Rio de Janeiro. Ou seja, a corte julgou de acordo com o nome na capa do processo. Julgou casos iguais de forma diferente.
No caso de Aécio, havia um detalhe que agravava a situação. As provas, inclusive produzidas pelo senador na conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, eram bem mais consistentes do que as usadas pelo TRF-4 para confirmar a sentença do juiz Sergio Moro contra Lula no processo do apartamento no Guarujá.
Até hoje o Supremo não julgou um recurso final da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff contra o impeachment, apesar de frequentemente levar ao exame do plenário assuntos que têm imediata e grave repercussão política. Difícil imaginar algo mais importante do que um impeachment.
O privilégio do auxílio-moradia se ampara numa liminar do ministro do STF Luiz Fux, que criou uma verdadeira farra no Judiciário com a sua decisão. O Supremo vem empurrando com a barriga uma decisão sobre essa liminar há cerca de quatro anos. Preferiu não mexer com a mordomia de juízes e procuradores.
Enfim, sobram exemplos de medidas diferentes adotadas pelo Supremo em situações similares, quiça exatamente iguais. Mais um exemplo: o mesmo STF impediu a posse de Lula na Casa Civil e confirmou a de Moreira Franco na Secretaria Geral.
Ora, o tribunal mostra dureza em relação a alguns. Ora, moderação no que se refere outros. Está difícil encontrar um paralelo histórico para um Supremo tão apequenado como o atual. Aliás, é duro lembrar quando foi que a atual composição da corte se agigantou. Sergio Moro e Deltan Dallagnol têm mais influência no Judiciário do que os 11 ministros do STF _somados.