quinta-feira, 29 de março de 2018

Suspeitos de atentado a Lula são denunciados ao MP do Paraná

Suspeitos de atentado a Lula são denunciados ao MP do Paraná

 
Publicado no Porém.net
A advogada Tânia Mandarino no MP do PR
O Ministério Público do Paraná já tem dez suspeitos do atentado a caravana do ex-presidente Lula. A denúncia foi feita pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD). A notícia crime que identifica as pessoas foi construída a partir de relatos que chegaram via e-mail e foram entregues ao procurador e coordenador do Centro de de Apoio de Direitos Humanos, Olympio de Sá Sotto Maior.
De acordo com a advogada Tânia Mandarino, o coletivo recebeu mais de cem emails com denúncias. O planejamento do atentado à caravana é um deles. Nas imagens printadas de uma conversa de Whatsapp e que foram entregues ao MP, os suspeitos conversam sobre a compra da arma que será utilizada e do artefato conhecido como miguelito, que serviria para furar os pneus dos ônibus.
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Na mensagem, uma suspeita pergunta. “Onde se arruma esses miguelitos”. Outro membro do grupo complementa com “Nao vamos dar chanse nem deles desseren do onibus (sic)”. Outro integrante explica como comprar arma que seria utilizada no atentado: “Vai na loja de arma compra uma puma 38 ou 44 é mais fácil que do q vc imagina (sic)”, orienta o homem que tem a identidade ainda sobre sigilo. De acordo com sites especialistas em armas, Puma se trata de uma “carabina de ação por alavanca, com ferrolho de duplo trancamento, percursor flutuante e cão exposto”.
Print anexado a notícia crime
O coletivo solicitou ao Ministério Público que o atentado seja considerado crime federal e pediu a prisão preventiva dos suspeitos, principalmente de um deles que possui diversas armas regularizadas e participa de movimentos de extrema direita. “Na denúncia, um suspeito é considerado de grande perigo, pois tem porte de armas e seria ligado ao MBL. Estamos considerando esse grupo como é formação de quadrilha, pois eles planejavam um atentado contra a caravana”, alerta Mandarino.
Além dos casos registrados no Paraná, o CAAD também vai relatar outros incidentes ocorrendo em Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O pedido é que o Ministério Público do Paraná encaminhe as denúncias para os Estados vizinhos. A notícia crime identificou 29 suspeitos.
Abertura de investigações
Já o procurador e coordenador do Centro de de Apoio de Direitos Humanos, Olympio de Sá Sotto Maior demonstrou preocupação com a escalada da violência no Brasil e no Paraná. Ele disse que é inadmissível que se aproximando do período eleitoral políticos sejam atacados por pensarem diferente. “A democracia sofre com esses tipo de atitude criminosa. Não dá pra se imaginar que amanhã o Alckmin venha ao Paraná, ou Bolsonaro, e aqueles que não os apoiem atuem no sentido de impedir o acesso, ou jogar pedras ou atirar. É uma barbárie inaceitável e o Ministério Público vai cumprir com sua função para que haja punição desses responsáveis”, esclarece o procurador.

Peritos em dissimulação, incitadores em flagrante

Peritos em dissimulação, incitadores em flagrante

Nas redes sociais, agora sem que haja indignação, a extrema direita e seus arredores seguem o mesmo roteiro, já tradicional, de culpar a vítima da violência pela própria violência que sofreu.
O principal incitador desta violência, Jair Bolsonaro, não se sabe se e com que tipo de interação com a polícia paranaense, disse na noite passada que “está na cara que alguém deles deu os tiros” e disse que, hoje ou amanhã, a perícia o confirmará.
É impressionante o que fez a turma de Bolsonaro em matéria de repetição dos métodos usados no caso da vereadora Marielle Franco: difundir pelas redes sociais as mentiras e contar que se vá encontrar nas estruturas policiais quem se acumplicie a elas.
Tudo fica mais estranho porque, no Paraná, já houve o afastamento do primeiro delegado a tratar do caso e o próprio Governador do Estado, Beto Richa, apressou-se a dar palpites sobre ser “um fato isolado” e chama de “mentiroso” o policial que criticou a precariedade da polícia técnica.
No campo político, ocorre o mesmo, com gente como Eliane Cantanhêde dizendo que o atentado é inadmissível mas culpando a “agressividade” de Lula pelo fato.
Se isso fosse justificativa, a agressividade da matilha pró-Bolsonaro justificaria disparar contra eles?
As pistas estão sobrando por toda a parte, especialmente nas redes sociais, como demonstrou ontem Marcelo Auler. Gente que falava abertamente em armas e prelos para furar pneus dos ônibus devia estar na primeiralinha de apurações, mesmo que tenham sido apenas bravatas.

quarta-feira, 28 de março de 2018

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