domingo, 8 de abril de 2018

O descaminho das humanidades

Economia

Educação

O descaminho das humanidades

por Carlos Drummond — publicado 08/04/2018 00h30, última modificação 07/04/2018 22h13
A proposta de eliminação das Ciências Humanas das universidades federais é boa para o setor privado e péssima para o ensino, inclusive o de Economia
Fabio Motta/Estadão Conteúdo
O descaminho das humanidades
Celso Furtado: alicerce em humanidades
Registrada no fim de março no Senado, a proposta de extinção dos cursos de Filosofia, História, Geografia, Sociologia, Artes e Artes Cênicas das universidades públicas contava, na segunda-feira 26, com o apoio de 3.670 indivíduos. Caso essa “ideia legislativa” obtenha ao menos 20 mil adesões no prazo de até quatro meses, será enviada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para debate e parecer dos senadores e eventual encaminhamento de projeto de lei.
O objetivo declarado da proposta é favorecer o ensino privado. A eliminação dos cursos se justificaria, nos termos da sugestão, por serem “baratos e facilmente realizáveis em universidades privadas, presencialmente e à distância”.
A última especificação conecta-se à intenção de o governo liberar a realização de 40% do Ensino Médio à distância, senha para a privatização e o rebaixamento generalizados da educação, impulsionados também pelo Programa “Escola Sem Partido”, aprovado em alguns municípios.
As faculdades particulares passariam a ser as ofertantes exclusivas dos cursos extintos nas universidades federais gratuitas, as mais bem avaliadas nos rankings mundiais de qualidade. Estas deixariam de formar professores e pesquisadores naquelas áreas de conhecimento e de fornecer disciplinas a outras estruturas curriculares.
Entre os prejudicados figuram, por exemplo, os bons cursos de Economia das universidades federais, que incluem o ensino de história. Cabe lembrar que a história, segundo o economista norueguês Erik S. Reinert, é o único laboratório disponível para os profissionais do seu ramo. Sem o aporte desta e de outras matérias de humanidades, será ainda mais difícil evitar o atrelamento completo do ensino aos interesses do setor financeiro.
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Marshall, professor de Keynes
Há uma relação inseparável, entretanto, entre o conhecimento de ciências humanas e uma boa formação em economia, chama atenção Andrew John Mearman, professor da Escola de Negócios Bristol da Universidade West of England.
Apesar de os currículos da maior parte dos cursos denotarem a concepção de que as habilidades necessárias aos profissionais da área são essencialmente a capacidade de elaborar matemática de alto nível e reproduzir os pontos centrais de determinada linha de pensamento, diz Mearman, vários estudiosos reconhecem o caráter essencial do conhecimento de humanidades na solução de problemas complexos que exigem saber econômico combinado à flexibilidade de pensamento, insights de outras disciplinas e consciência da realidade social e política do país e do mundo.
 Muitos dos seus colegas de ofício não conseguiram entender a crise de 2008, diz o professor, por nunca terem estudado história nem o fenômeno da desigualdade. Os efeitos são ainda mais perniciosos quando o profissional trabalha no setor industrial ou no governo, alerta o professor, que esteve no Brasil em 2014 para falar sobre a necessidade de reformulação do ensino no seu segmento.
Segundo a filósofa Martha C. Nussbaum, da Universidade de Chicago, referência no debate sobre educação, “o ensino de economia deve recorrer às humanidades e às artes a fim de promover um clima de responsabilidade vigilante e uma cultura de inovação criativa. Assim, não somos forçados a escolher entre uma forma de educação que busque o lucro e outra que promova a boa cidadania. Uma economia florescente requer as mesmas habilidades que apoiam a cidadania. Os proponentes da ‘educação para o lucro’ adotaram uma concepção empobrecida do que é necessário para atingir seu próprio objetivo.”
A importância do ensino de humanidades é transcendente, defende o professor Michael S. Roth, da Universidade de Wesleyan, em Connecticut: “O acesso a uma educação ampla, autocrítica e pragmática continua a ser essencial para uma cultura que valoriza a inovação e uma economia que depende dela. Também permanece essencial à uma sociedade que aspira a ser democrática”.
Cabe ainda ressaltar que a formação humanística é indispensável ao discernimento exigido no enfrentamento das questões éticas presentes nas decisões dos economistas, conforme alerta Gary Saul Morson no livro “Centavos e Sensibilidade ‒ O que a economia pode aprender com as ciências humanas”.
A economia, adverte o autor, “envolve inevitavelmente questões éticas, não redutíveis à economia em si. Os economistas muitas vezes contrabandeiam preocupações dessa natureza nos seus modelos com conceitos como ‘preço justo de mercado’, no qual questões éticas não reconhecidas são tratadas como dados inevitáveis”.
As chamadas humanidades são alicerces da formação de John Maynard Keynes, Alfred Marshall e Celso Furtado, entre muitos outros. Reconhecido como um dos maiores expoentes de todos os tempos nas ciências econômicas, Keynes foi influenciado desde seu ingresso em Cambridge pelo professor Alfred Marshall, que o estimulou a acrescentar ao seu interesse na matemática e nos clássicos conhecimentos sólidos de política e de economia. Na universidade Keynes aproximou-se do grupo cultural de Bloomsbury, integrado pela escritora Virginia Woolf.
“Para Marshall, a economia com suas análises e leis não era um corpo de dogmas imutáveis e universais e de verdade concreta, mas ‘uma máquina para a descoberta da verdade concreta’, anotou Ottolmy Strauch em ensaio biográfico sobre o professor.
Integrante da linhagem iniciada por Adam Smith e David Ricardo, Marshall era uma sumidade em matemática, mas estava longe de supervalorizar a disciplina como fazem os economistas neoliberais, mostra este excerto de uma carta da sua lavra pinçado por Strauch: “Um bom teorema matemático relativo a hipóteses econômicas era altamente improvável de ser boa economia; e eu prossegui, cada vez mais, segundo estas regras: 1. Use matemática como uma linguagem estenográfica, antes do que como um instrumento de investigação; 2. Empregue-a até que se obtenham resultados; 3. Traduza para o inglês; 4. Então ilustre com exemplos que tenham importância na vida real; 5. Queime a matemática; 6. Se não teve êxito em 4, queime 3. Isso tenho feito com frequência”.
Este trecho do obituário de Marshall escrito por Keynes em 1924 relaciona os requisitos de uma formação de alto nível: “O economista excelente deve alcançar um elevado padrão em várias áreas diferentes e combinar talentos que raramente são encontrados juntos. Deve ser matemático, historiador, estadista, filósofo ‒ em algum grau. Deve entender os símbolos e falar em palavras, contemplar o particular em termos do geral e tocar o abstrato e o concreto no mesmo voo de pensamento. Ele deve estudar o presente à luz do passado para os propósitos do futuro. Nenhuma parte da natureza do homem ou de suas instituições deve estar inteiramente fora das suas considerações”.
Celso Furtado, economista brasileiro de projeção internacional, defendia que a reflexão sobre a cultura brasileira deveria ser o ponto de partida para o debate sobre as opções de desenvolvimento em oposição à busca de diagnósticos a partir de “montagens conceituais sem raízes em nossa história”.
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Keynes: fazer conta era o de menos (Foto: Reprodução)
Primeiro professor estrangeiro efetivo da Universidade de Sorbonne, lecionou e desenvolveu pesquisas também nas universidades de Yale, Harvard e Colúmbia, nos Estados Unidos, e em Cambridge, na Inglaterra. Foi diretor de pesquisas da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris, integrou a Comissão de Desenvolvimento e Cultura da ONU e teve várias obras traduzidas para dezenas de idiomas.
Os obscurantistas brasileiros perfilam com seus pares estadunidenses na campanha permanente pela abolição do ensino de humanidades. “Talvez pudéssemos passar sem certos luxos intelectuais. Os contribuintes não deveriam estar subsidiando a curiosidade intelectual”, disparou o governador da Califórnia em 1967, Ronald Reagan, ao se pronunciar sobre o assunto.
O senador da Flórida, Marco Rubio, durante sua campanha em 2016, disse no Twitter: “Nós não podemos continuar nos formando em graduações que não levam a empregos. Você pode decidir se vale a pena tomar emprestado 50 mil dólares para se especializar em filosofia grega, mas lembre que o mercado para os filósofos gregos tem sido muito difícil nos últimos 2 mil anos”.
O deboche resvala na tradição intelectual dos chamados “pais fundadores” dos Estados Unidos, versados nos autores clássicos fundamentais ao conhecimento humano e de grande importância atual, ensina a filósofa Monique Canto-Sperber. Muitos de nossos problemas morais, diz, são os mesmos que os gregos se colocavam e as respostas deles são ainda em parte as nossas.
Thomas Jefferson, por exemplo, dominava o latim, o grego e o francês e prosseguiu no estudo dos clássicos da Antiguidade durante sua formação em Direito. Para ingressar no King’s College, futura Universidade Colúmbia, Alexander Hamilton precisou mostrar proficiência nas gramáticas grega e latina, ler três textos de Cícero e a Eneida, de Virgílio, no original em latim, requisitos necessários também ao ingresso de James Madison no College of New Jersey, atual Universidade de Princeton.
O percurso intelectual dos founding fathers está bem descrito em inglês e ao menos em parte é encontrável também em português, mas talvez seja sempre grego para os inimigos das humanidades, ao Norte e ao Sul.

Como fizeram Lula, contra sua vontade, ser um revolucionário

Como fizeram Lula, contra sua vontade, ser um revolucionário

Luís Inácio Lula da Silva não se dizia  um revolucionário, sempre foi um homem de reformas e de conciliação.
Ele mesmo o admitiu em seu discurso hoje, na frente do Sindicato dos Metalúrgicos, dizendo que se não acreditasse nas instituições, teria “proposto uma revolução nesse país”.
Não foi Lula quem desacreditou das instituições, foram elas que – em relação a ele – se mostraram apenas como garras e dentes de um corte social perverso que existe no Brasil.
Talvez, mais do que a prisão que se acaba de consumar, seja isso o que mais dói no peito do velho líder.
Que mal ele fez, o que ele tirou, do que privou aqueles senhores  ou à classe média batedora de panelas, que se compraz em ver um homem que em nada os prejudicou ser conduzido a uma cela?
Ou será que tocou no que lhe é mais caro, mais caro do que perder um filho, um amor, um emprego?
Tocou no que é o desenho de uma sociedade colonial, onde o povão é e deve ser desprezível, onde a favela, o nordeste, a periferia, os negros, os mestiços, os lavradores do interior o são e devem continuar a ser, mesmo que isso nos condene a viver num país de atraso, de violência, de sobressalto.
Tentamos algumas vezes o caminho de um encontro. Getúlio Vargas e João Goulart, dois fazendeiros, tentaram fazer este encontro e foram abatidos em seus planos e em suas vidas.
Pela ponta inversa, um metalúrgico, com seu “paz e amor”, tentou o mesmo e, apesar de ter, como Vargas, alcançado sucesso no desenvolvimento econômico e estrutural do país,  experimentou o mesmo ódio insano.
Talvez, por isso, ambos tenham sido revolucionários contra suas próprias atitudes e condutas políticas.
Getúlio e Lula foram ao limite e além dele em matéria de concessões políticas e o segundo nasceu gritando contra estas concessões do primeiro, até ter de encarnar, pessoalmente, o que era possível fazer na política
Vargas voltou de uma “prisão domiciliar” de seu exílio na Fazenda Itu com muito menos ilusões, o que o fez dizer, na sua posse , em 1950, ao povo que “hoje estais com o poder, amanhã sereis o poder”.
Lula voltará, também, de sua prisão política, com menos enganos.
Não que ab-rogue da paz e do amor. Mas do conceito, burguês e ilusório, de que o “republicanismo” seja capaz de garantir a ascensão do povo brasileiro ao poder de decidir seus caminhos.
As insitituições civis – muito mais que as militares, até – são a expressão de um domínio de classe e precisam funcionar sob o comando da população, e não como uma nobreza, com poderes absolutos e vitalícios, a decidir quem e como podem agir os eleitos da soberania popular exercida pelo voto.
Não são os de abaixo que concebem a ideia da revolução, são os de cima que a eles o obrigam.

Merval Pereira usa o mesmo argumento dos generais da ditadura

Merval Pereira usa o mesmo argumento dos generais da ditadura. Por Ronaldo Lenoir

 
Merval e os Originais do Samba
PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR
Em 1978, quando comecei no jornalismo, como redator de noticiários na Rádio Itatiaia, falava-se muito em abertura política, mas os veículos de comunicação ainda estavam sob censura. Volta e meia recebíamos na redação, por meio de telex, mensagens da Divisão de Censura da Polícia Federal vetando a veiculação de determinados acontecimentos, declarações, entrevistas etc.
A imagem do Brasil no exterior era péssima e esse era um tema praticamente proibido no noticiário nacional. Diziam os ditadores de plantão que não devíamos dar crédito ao que falavam do país pelos quatro cantos do mundo porque os jornalistas estrangeiros não entendiam de Brasil.
Quarenta anos depois, Merval Pereira, colunista de O Globo, recorre ao mesmo argumento de outrora, dizendo que os fatos recentes da política brasileira estão sendo noticiados lá fora por quem não entende muito de Brasil. Infelizmente, não consigo encerrar afirmando que qualquer semelhança é mera coincidência.

A direita busca o confronto; prudência em dobro

A direita busca o confronto; prudência em dobro

Está na cara que o conflito que encerrou a noite vergonhosa da prisão de Lula foi devidamente planejado.
Todo o “sigilo” que envolveu a operação policial tinha um destino: a Superintendência da Polícia Federal do Paraná.
Quando se quis afastar de lá manifestantes pró-Lula, montou-se um grande esquema policial e isolou-se toda a área.
Agora, permitiu-se que os grupos fascistas chegassem bem perto do prédio, ao ponto de atingirem o pátio com rojões e, pior ainda, dispará-los contra o helicóptero que conduzia o ex-presidente.
Não é preciso falar do risco de acidentes que isso representou.
Claro que tudopreparado para ser gravado pelas câmaras de TV em ângulo conveniente para mostras os fogos, mas não os fogueteiros.
Era preciso uma “resposta” imagética ao espetáculo real da massa que carregara Lula em triunfo em São Bernardo, aí sem montagem alguma.
Houve tempo de sobra para montar barreiras de revista proximas à PF de Curitiba, que impedissem a entrada de armas e fogos de artifício.
Vi, andes dos incidentes, os esquemas policiais diante da cada grupo. Diante dos apoiadores de Lula, um batalhão; diante dos grupos fascistas, uma meia-dúzia de policiais.
Na chegada do helicóptero cairam bombas sobre os adeptos de Lula, logo seguidas de disparos de balas de borracha.
Há muita gente ferida por elas.
Não há dúvida alguma sobre as íntimas ligações entre a Polícia Federal do Paraná e a PM de Beto Richa com o Ministério Público e o  Sérgio Moro e, destes, com os grupos de apoiadores do juiz.
Não se pode descartar que, diante do espetáculo de apoio e de resistência que Lula recebeu nestes dois dias, possa ter havido, por parte de alguém, o desejo de uma “vingança”.
É preciso rebobrar o cuidado e a paciência.
Estamos diante de uma escalada fascista de grandes proporções, sustentada pela mídia, pelo MP, pelo Judiciário e com um poder governamental fraco e desmoralizado.
O exército de Bolsonaro, francamente misturado com as forças policiais, é formado, em parte significativa, por boçais violentos.
Não podemos permitir que , com a raiva dos justos, nos confundam com o ódio dos fanáticos.
O julgamento que queremos e não tememos é o da maioria do povo brasileiro, que não é torpe como descobrimos que nossas cortes são.

Leia a íntegra do discurso histórico de Lula em São Bernardo


FORÇA

Leia a íntegra do discurso histórico de Lula em São Bernardo

Ex-presidente falou a milhares de apoiadores em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Lea esta nota en español | Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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Ouça a matéria:
Lula é carregado pelo povo após discurso em São Bernardo / Francisco Proner/Foto Coletivo

Na tarde deste sábado (7), em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou seu último discurso antes de se apresentar à Policia Federal para cumprir o mandado de prisão emitido pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro nesta semana. A milhares de pessoas que o acompanhavam desde sexta-feira em vigília, Lula, emocionado, relembrou o início de sua vida política no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e enviou uma mensagem de motivação para os que acreditam em seu projeto político.
Confira abaixo a transcrição do discurso histórico:



"Em 1979, esse sindicato fez uma das greves mais extraordinárias. E nós conseguimos fazer um acordo com a indústria automobilística que foi talvez o melhor possível. E eu tinha uma comissão de Fábrica com 300 trabalhadores. O acordo era bom. E eu resolvi levar o acordo para Assembleia. E resolvi pedir pra comissão de fábrica ir mais cedo para conversar com a peãozada. Eu fazia assembleia de manhã pra evitar que o pessoal bebesse um pouquinho a tarde, porque quando a gente bebe um pouquinho, a gente fica mais ousado. 
Mesmo assim não evitava, porque o cara levava litro de conhaque dentro da mala e, quando eu passava, tomava uma ‘dosinha’ para a garganta ficar melhor - coisa que não aconteceu hoje.
Pois bem, nós começamos a colocar o acordo em votação e 100 mil pessoas no Estádio da Vila Euclides não aceitavam o acordo. Era o melhor possível. A gente não perdia dia de férias, não perdia décimo terceiro e tinha 15% de aumento. Mas a peãozada 'tava' tão radicalizada que queria 83% ou nada. E não conseguimos. E passamos um ano sendo chamado de pelego pelos trabalhadores. A gente, Guilherme, ia na porta de fábrica… [Lula começa a fazer saudações diversas]. Então, companheiros e companheiras, nós conseguimos… os trabalhadores não aprovaram o acordo… [interrupção para atendimento médico a pessoa na multidão].  
Eu ia dizendo pra vocês que nós não conseguimos aprovar a proposta que eu considerava boa e o pessoal então passou a desrespeitar a diretoria do Sindicato. Eu ia na porta da fábrica e ninguém parava.
E a imprensa escrevia: “Lula fala para os ouvidos moucos dos trabalhadores”.
Nós levamos um ano para recuperar o nosso prestígio na categoria. E eu fiquei pensando com ar de vingança: “Os trabalhadores pensam que eles podem fazer 100 dias de greve, 400 dias de greve, que eles vão até o fim. Pois eu vou testá-los em 1980”.
E fizemos a maior greve da nossa história. A maior greve. 41 dias de greve. Com 17 dias de greve, fui preso. Os trabalhadores começaram, depois de alguns dias, a furar greve. Eu sei que Tuma, eu sei que o doutor Almir e eu sei que o Teotônio Vilela iam dentro da cadeia e falavam assim pra mim: “Ô, Lula, cê precisa acabar com a greve, cê precisa dar um conselho para acabar com a greve”. E eu dizia: “Eu não vou acabar com a greve. Os trabalhadores vão decidir por conta própria”.
O dado concreto é que ninguém aguentou 41 dias porque, na prática, o companheiro tinha que pagar leite, tinha que pagar a conta de luz, tinha que pagar gás, a mulher começou a cobrar o dinheiro do pão, ele então começou a sofrer pressão e não aguentou. Mas é engraçado porque, na derrota, a gente ganhou muito mais sem ganhar economicamente do que quando a gente ganhou economicamente. Significa que não é dinheiro que resolve o problema de uma greve, não é 5%, não é 10%, é o que está embutido de teoria política, de conhecimento político e de tese política numa greve.

"Significa que não é dinheiro que resolve o problema de uma greve, não é 5%, não é 10%, é o que está embutido de teoria política, de conhecimento político e de tese política numa greve"
Agora, nós estamos quase que na mesma situação. Quase que na mesma situação. Eu tô sendo processado e eu tenho dito claramente: “O processo do meu apartamento, eu sou o único ser humano que sou processado por um apartamento que não é meu”. E ele sabe que o Globo mentiu quando disse que era meu. A Polícia Federal da Lava Jato, quando fez o inquérito, mentiu que era meu. O Ministério Público, quando fez a acusação, mentiu dizendo que era meu. E eu pensei que o Moro ia resolver e ele mentiu dizendo que era meu e me condenou a nove anos de cadeia.
É por isso que eu sou um cidadão indignado, porque eu já fiz muita coisa com meus 72 anos. Mas eu não os perdoo por ter passado para a sociedade a ideia de que eu sou um ladrão. Deram a primazia dos bandidos fazerem um pixuleco pelo Brasil inteiro. Deram a primazia dos bandidos chamarem a gente de petralha. Deram a primazia de criar quase um clima de guerra, negando a política nesse país. E eu digo todo dia: nenhum deles, nenhum deles, tem coragem ou dorme com a consciência tranquila da honestidade, da inocência que eu durmo. Nenhum deles. [Aplausos]. 
Eu não estou acima da Justiça. Se eu não acreditasse na Justiça, eu não tinha feito partido político. Eu tinha proposto uma revolução nesse país. Mas eu acredito na Justiça, numa Justiça justa, numa Justiça que vota um processo baseado nos autos do processo, baseado nas informações das acusações, das defesas, na prova concreta que tem a arma do crime.
O que eu não posso admitir é um procurador que fez um Powerpoint e foi pra televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil e que o Lula, por ser a figura mais importante desse partido, o Lula é o chefe e, portanto, se o Lula é o chefe, diz o procurador, “eu não preciso de provas, eu tenho convicção”. Eu quero que ele guarde a convicção dele para os comparsas deles, para os asseclas dele e não para mim. Certamente, um ladrão não estaria exigindo prova. Estaria de rabo preso com a boca fechada torcendo para a imprensa não falar o nome dele.
Eu tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Eu tenho mais de 70 capas de revista me atacando. Eu tenho milhares de páginas de jornais e matérias me atacando. Eu tenho mais a Record me atacando. Eu tenho mais a Bandeirantes me atacando, eu tenho a rádio do interior me atacando. E o que eles não se dão conta é que, quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro.

"E o que eles não se dão conta é que, quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro"
Eu não tenho medo deles. Eu até já falei que gostaria de fazer um debate com o Moro sobre a denúncia que ele fez contra mim. Eu gostaria que ele me mostrasse alguma coisa de prova. Eu já desafiei os juízes do TRF4 que eles fossem prum debate na universidade que eles quiserem, no curso que eles quiserem, provar qual é o crime que eu cometi nesse país. E eu, às vezes, tenho a impressão - e tenho a impressão porque eu sou um construtor de sonhos. Eu há muito tempo atrás sonhei que era possível governar esse país envolvendo milhões e milhões de pessoas pobres na economia, envolvendo milhões de pessoas nas universidades, criando milhões e milhões de empregos nesse país. Eu sonhei, eu sonhei que era possível um metalúrgico, sem diploma universitário, cuidar mais da educação que os diplomados e concursados que governaram esse país. Eu sonhei que era possível a gente diminuir a mortalidade infantil levando leite feijão e arroz para que as crianças pudessem comer todo dia. Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite. Daqui a pouco vamos ter juízes e procuradores nascidos na favela de Heliópolis, nascidos em Itaquera, nascidos na periferia. Nós vamos ter muita gente dos Sem Terra, do MTST, da CUT formados. 
Esse crime eu cometi.
Eu cometi esse crime e eles não querem que eu cometa mais. É por conta desse crime que já tem uns dez processos contra mim. E se for por esses crimes, de colocar pobre na universidade, negro na universidade, pobre comer carne, pobre comprar carro, pobre viajar de avião, pobre fazer sua pequena agricultura, ser microempreendedor, ter sua casa própria. Se esse é o crime que eu cometi eu quero dizer que vou continuar sendo criminoso nesse país porque vou fazer muito mais. Vou fazer muito mais. [Povo começa a gritar “Lula, guerreiro do povo brasileiro]

"Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite"
Companheiros e companheiras, eu, em 1986, fui o deputado constituinte mais votado na história do país. E, na época, havia uma desconfiança de que só tinha poder no PT quem tinha mandato.. Quem não tivesse mandato era tido… [começa a fazer saudações]. Então companheiros, quando eu percebi que o povo desconfiava que só tinha valor no PT quem era deputado, Manuela e Guilherme, sabe o que eu fiz? Deixei de ser deputado. Porque eu queria provar ao PT que ia continuar sendo a figura mais importante do PT sem ter mandato. Porque se alguém quiser ganhar de mim no PT só tem um jeito: é trabalhar mais do que eu e gostar do povo mais do que eu, porque, se não gostar, não vai ganhar.
Pois bem: nós agora estamos num trabalho delicado. Eu talvez viva o momento de maior indignação que um ser humano vive. Não é fácil o que sofre a minha família. Não é fácil o que sofrem meus filhos. Não é fácil o que sofreu a Marisa. E eu quero dizer que a antecipação da morte da Marisa foi a safadeza e a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela. Eu tenho certeza. Essa gente eu acho que não tem filho, não tem alma e não tem noção do que sente uma mãe ou um pai quando vê um filho massacrado, quando vê um filho sendo atacado.
Eu então, companheiros, resolvi levantar a cabeça. Não pense que eu sou contra a Lava Jato não. A Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou e prender. Todos nós queremos isso. Todos nós, a vida inteira, dizíamos: “A Justiça só prende pobre, não prende rico”. Todos nós dizíamos. E eu quero que continue prendendo rico. Eu quero. Agora, qual é o problema? É que você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa. Porque, no fundo, no fundo, você destrói as pessoas na sociedade, na imagem da pessoas e depois os juízes vão julgar e vão dizer “eu não posso ir contra a opinião pública que tá pedindo pra caçar”. Quem quiser votar com base na opinião pública, largue a toga e vá ser candidato a deputado, escolha um partido político e vá ser candidato. Ora, a toga ela é o emprego vitalício. O cidadão tem que votar apenas com base nos autos do processo, aliás eu acho que ministro da Suprema Corte não deveria dar declaração de como vai votar. Nos EUA, termina a votação e você não sabe em quem o cidadão votou exatamente para que ele não seja vítima de pressão.

"Quero dizer que a antecipação da morte da Marisa foi a safadeza e a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela"
Imagina um cara sendo acusado de homicídio e não tenha sido ele o assassino. O que a família do morto quer? Que ele seja morto, que ele seja condenado. Então, o juiz tem que ter, diferentemente de nós, a cabeça mais fria, mais responsabilidade de fazer a acusação ou de condenar. O Ministério Público é uma instituição muito forte. Por isso, esses meninos que entram muito novo, fazem um curso direito e depois faz três anos de concurso porque o pai pode pagar, esses meninos precisavam conhecer um pouco da vida, um pouco de política, para fazer o que eles fazem na sociedade brasileira.
Tem uma coisa chamada responsabilidade. E não pense que quando eu falo assim [quer dizer que] eu sou contra. Eu fui presidente e indiquei quatro procuradores e fiz discurso em todas as posses. Eu dizia: “Quanto mais forte for a instituição, mais responsável os seus membros têm que ser”. Você não pode condenar a pessoa pela imprensa para depois julgá-la. Vocês estão lembrados de que, quando eu fui prestar depoimento lá em Curitiba, eu disse para o Moro: “Você não tem condições de me absolver porque a Globo tá exigindo que você me condene e você vai me condenar".
Pois bem, eu acho que tanto o TRF4, quanto o Moro, a Lava Jato e a Globo, eles têm um sonho de consumo. O sonho de consumo é que, primeiro, o golpe não terminou com a Dilma. O golpe só vai concluir quando eles conseguirem convencer que o Lula não possa ser candidato à presidência da república em 2018. Não é que eu não vou ser, eles não querem que eu participe porque existe a possibilidade de cada um se eleger. Eles não querem o Lula de volta porque pobre na cabeça deles não pode ter direito. Não pode comer carne de primeira. Pobre não pode andar de avião. Pobre não pode fazer universidade. Pobre nasceu, segundo a lógica deles, para comer e ter coisas de segunda categoria. 

"Eles não querem o Lula de volta porque pobre, na cabeça deles, não pode ter direito"
Então, companheiros e companheiras, o outro sonho de consumo deles é a fotografia do Lula preso. Ah, eu fico imaginando o tesão da Veja colocando a capa comigo preso. Eu fico imaginando o tesão da Globo colocando a minha fotografia preso. Eles vão ter orgasmos múltiplos. 
Eles decretaram a minha prisão. E deixa eu contar uma coisa pra vocês: eu vou atender o mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo que acontece neste país acontece por minha causa. Eu já fui condenado a 3 anos de cadeia porque um juiz de Manaus entendeu que eu não preciso de arma, eu tenho uma língua ferina, então precisa me calar, porque se não me calar, ele vai continuar falando frases como eu falei, "tá chegando a hora da onça beber água", e os camponeses mataram um fazendeiro e eles achavam que era a senha.
Eles já tentaram me prender por obstrução de justiça, não deu certo. Eles agora querem me pegar numa prisão preventiva, que é uma coisa mais grave, porque não tem habeas corpus. O Vaccari já tá preso há três anos. O Marcelo Odebrecht gastou R$ 400 milhões e não teve habeas corpus. Eu não vou gastar um tostão. Mas vou lá com a seguinte crença: eles vão descobrir pela primeira vez o que eu tenho dito todo dia. Eles não sabem que o problema deste país não se chama Lula, o problema deste país chama-se vocês, a consciência do povo, o Partido dos Trabalhadores, o PCdoB, o MST, o MTST, eles sabem que tem muita gente.
E aquilo que a nossa pastora disse, e eu tenho dito em todo discurso, não adianta tentar me impedir de andar por este país, porque têm milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim.
Não adianta tentar acabar com as minhas ideias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las.
Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês.
Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações.
Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. E eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem. E esta é uma prova, esta é uma prova. Eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho… Todos vocês, daqui pra frente, vão virar Lula e vão andar por este país fazendo o que vocês têm que fazer e é todo dia! Todo dia!
Eles têm de saber que a morte de um combatente não para a revolução.
Eles têm de saber. Eles têm de saber que nós vamos fazer definitivamente uma regulação dos meios de comunicação para que o povo não seja vítima das mentiras todo santo dia.
Eles têm de saber que vocês, quem sabe, são até mais inteligentes que eu, e queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas, as ocupações no campo e na cidade. Parecia difícil a ocupação de São Bernardo, e amanhã vocês vão receber a notícia que vocês ganharam o terreno que vocês invadiram.

"Não adianta parar o meu sonho, porque, quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês"
Companheiros, eu tive chance, agora, eu estava no Uruguai, entre Livramento e Rivera, e as pessoas diziam assim, "ô, Lula, você finge que vai comprar um “uisquizinho”, e você vai para o Uruguai com o Pepe Mujica e vai embora e não volta mais, pede asilo político. Você pode ir na embaixada da Bolívia, do Uruguai, da Rússia, e de lá você fica falando…" Eu não tenho mais idade. Minha idade é de enfrentá-los com olho no olho e eu vou enfrentá-los aceitando cumprir o mandado.
Eu quero saber quantos dias eles vão pensar que tão me prendendo. E, quantos mais dias eles me deixarem lá, mais Lulas vão nascer neste país e mais gente vai querer brigar neste país, porque numa democracia, não tem limite, não tem hora para a gente brigar. Eu falei para os meus companheiros: se dependesse da minha vontade eu não ia, mas eu vou porque eles vão dizer, a partir de amanhã, que o Lula tá foragido, que o Lula tá escondido, e não! Eu não tô escondido, eu vou lá na barba deles pra eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr, e para eles saberem que eu vou provar minha inocência.
Eles têm de saber isso.
E façam o que quiserem. Façam o que quiserem. Eu vou pegar uma frase que eu peguei em 1982 de uma menina de 10 anos em Catanduva, e essa frase não tem autor:
Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera.
E a nossa luta é em busca da primavera.
Eles têm de saber que nós queremos mais casa, mais escola. Nós queremos menos mortalidade, nós não queremos repetir a barbaridade que fizeram com a Marielle no Rio de Janeiro.
Não queremos repetir a barbaridade que se faz com meninos negros neste país.
Não queremos mais a mortalidade por desnutrição neste país. Não queremos mais que um jovem não tenha esperança de entrar numa universidade, porque este país é tão cretino, que foi o ultimo país do mundo a ter uma universidade. O último! Todos os países mais pobres tiveram, porque eles não queriam que a juventude brasileira estudasse.

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera. E a nossa luta é em busca da primavera"
E falavam que custava muito. É de se perguntar: quanto custou não fazer 50 anos atrás?
Eu quero que vocês saibam que eu tenho orgulho, profundo orgulho, de ter sido o único presidente da República sem ter um diploma universitário, mas sou o presidente da República que mais fiz universidade na história deste país, para mostrar para essa gente que não confunda inteligência com a quantidade de anos na escolaridade, isso não e inteligência, é conhecimento.
Inteligência é quando você tem lado, inteligência é quando você não tem medo de discutir com os companheiros aquilo que é prioridade, e a prioridade é garantir que este país volte a ter cidadania. Não vão vender a Petrobras! Vamos fazer uma nova Constituinte! Vamos revogar a lei do petróleo que eles tão fazendo! Não vamos deixar vender o BNDES, não vamos deixar vender a Caixa, não vamos deixar destruir o Banco do Brasil! E vamos fortalecer a agricultura familiar, que é responsável por 70% do alimento que nós comemos neste país.
E com essa crença, companheiros, de cabeça erguida, como eu tô falando com vocês, que eu quero chegar lá e dizer ao delegado: estou à disposição.
E a história, daqui a alguns dias, vai provar que quem cometeu crime foi o delegado que me acusou, foi o juiz que me julgou e foi o Ministério Público que foi leviano comigo.
Por isso, companheiros, eu não tenho lugar no meu coração pra todo mundo, mas eu quero que vocês saibam que se tem uma coisa que eu aprendi a gostar neste mundo é da minha relação com o povo.
Quando eu pego na mão de um de vocês, quando eu abraço um de vocês, quando eu beijo um de vocês… porque agora eu beijo homem e mulher igualzinho… Quando eu beijo um de vocês, eu não tô beijando com segundas intenções, eu tô beijando porque, quando eu era presidente, eu dizia:
"Eu vou voltar pra onde eu vim".
E eu sei quem são meus amigos eternos e quem são os eventuais. Os de gravatinha, que iam atrás de mim, agora desapareceram. E quem está comigo são aqueles companheiros que eram meus amigos antes de eu ser presidente da República. É aquele que comia rabada no Zelão, que comia frango com polenta no Demarchi, é aquele que tomava caldo de mocotó no Zelão, esses continuam sendo nossos amigos. São os que têm coragem de invadir terreno pra fazer casa, são aqueles que têm coragem de fazer uma greve contra a previdência, são aqueles que ocupam no campo pra fazer uma fazenda produtiva, são aqueles que, na verdade, precisam do Estado.
Companheiros, eu vou dizer uma coisa pra vocês: Vocês vão perceber que eu vou sair desta maior, mais forte, mais verdadeiro, e inocente, porque eu quero provar que eles é que cometeram um crime, um crime político de perseguir um homem que tem 50 anos de história política, e por isso eu sou muito grato.
Eu não tenho como pagar a gratidão, o carinho e o respeito que vocês têm dedicado a mim nesses anos todos. E quero dizer a vocês, Guilherme e Manuela, a vocês dois, que para mim é motivo de orgulho pertencer a uma geração, que está no final dela, ver nascer dois jovens disputando o direito de ser presidente da República neste país. Por isso, grande abraço, e podem ficar certos: esse pescoço aqui não baixa, minha mãe já fez o pescoço curto pra ele não baixar, e não vai baixar, porque eu vou sair de lá de cabeça erguida e de peito estufado, porque eu vou provar a minha inocência.
Um abraço companheiros, obrigado, mas muito obrigado, pelo que vocês me ajudaram, um beijo, querido, muito obrigado!"
Edição: Diego Sartorato e Pedro Nogueira