quarta-feira, 16 de maio de 2018

EXCELENTE: Ser ou não ser – o preço da convicção

Ser ou não ser – o preço da convicção. Por Eugênio Aragão

 
Aragão
POR EUGÊNIO ARAGÃO
Certa feita uma amiga diplomata foi deslocada a serviço a Kinshasa, na época capital da República do Zaire, governado por Mobutu Sese Seko.
Na fila do passaporte, pôde observar uma cena digna de uma peça de teatro de Eugène Ionesco. Um senhor bem apessoado exibiu o passaporte ao funcionário da imigração. Este, após examiná-lo superficialmente, advertiu: “Senhor, lamento, mas está sem visto!” O dono do passaporte retrucou: “Como não? Claro que tenho visto! Olhe só…”
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E tentou lhe tomar o documento para mostrar que tinha o tal visto de entrada. O funcionário, num gesto brusco, impediu o senhor de ver o passaporte. “Não! O senhor está sem visto!” E começava uma discussão sobre existir ou não existir o visto.
Quem assistia à cena logo via que tinha algo de errado, tamanha a convicção de cada um em defender seu ponto de vista, até que o funcionário deu a entender, com seus dedos em pinça numa página do passaporte, que ia rasgá-la.
Para prevenir o descalabro, outro imigrante, mais atrás na fila, certamente com maior experiência na cultura local, gritou: “coloque 100 dólares no passaporte!” Sem pestanejar, o dono do documento tirou o dinheiro da carteira e pediu ao funcionário para retornar-lhe o passaporte. Este, com um sorriso gentil, atendeu-lhe o pedido e o devolveu intacto.
O senhor enfatiotado encartou a nota no passaporte e voltou a exibi-lo ao funcionário que prontamente exclamou, olhando nos olhos do estrangeiro: “Oh… não reparei. Claro! O senhor tem visto!” E, embolsado o dinheiro e carimbado o passaporte, desejou-lhe: “Bem-vindo! Tenha uma boa estada no Zaire!”
Por que conto isto? Porque a situação do Presidente Lula na cadeia da Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba é muito parecida com a do desavisado viajante no aeroporto de Kinshasa.
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Todos sabem-no inocente, mas os representantes do Estado fingem que é culpado, como se à espera de algo. Sabem perfeitamente que não houve crime algum relacionado ao tal triplex do Guarujá, mas, à semelhança do funcionário congolês aguardando o encarte dos 100 dólares no passaporte, aguardam que Lula diga não ser candidato, para exclamarem: “Não reparamos! Claro! Não houve crime nenhum!” E prontamente lhe desejarão tudo de bom na liberdade reconquistada, como se não houvesse nada de mais. Business as usual.
A liberdade de Lula está precificada. O golpe tem sua lógica que se expressa na expectativa do ganho. Para atingir seus objetivos, golpistas – representantes da justiça de classe sem vontade de retornar à experiência da inclusão social em massa – insistem convictos que nada mais pode ser feito para livrar Lula do cativeiro.
Não vem ao caso se ele é culpado ou não. O que importa é que foi acusado e, depois de formal instrução, foi condenado, com a sentença confirmada e agravada na segunda instância por unanimidade. Isso por si basta para encostá-lo na parede e submetê-lo a uma verdadeira escolha de Sofia: ou deixa de ser candidato (danem-se as massas excluídas), ou fica preso com coonestação das escancaradas lambanças do primeiro e do segundo grau de jurisdição.
Tal qual o funcionário congolês, nossos juízes superiores e supremos sabem – está na cara – que Moro e os três sobrinhos do Pato Donald no TRF da 4ª Região (assim denominados por Luís Nassif) fizeram um processo que mais parece escárnio, caricatura de justiça, do que regular persecução penal. Não o negam nos cochichos entre si e alguns até o expressam com indignação, mesmo sem dar nome aos bois… Moro está hoje muito longe dos aplausos da unanimidade da direita política e judicial!
Há exceções à silenciosa e conspirativa crítica. Há outros magistrados que, ao julgarem o habeas corpus impetrado pela defesa de Lula, disseram com todas as letras que prendê-lo agora seria gritante violação do princípio de presunção de inocência.
Deixaram claro que tornar definitivo o efeito punitivo de uma decisão de segundo grau, mesmo com pendência de recursos, seria fechar os olhos para “eventuais” ilegalidades praticadas contra o réu e ainda sujeitas à revisão jurisdicional. Gritaram. Espernearam. Acusaram a trapaça de se pautar o habeas corpus antes de se definir, em julgamento abstrato, a extensão da presunção de não-culpabilidade. Mas perderam por 6 a 5.
Depois, calaram. Constataram o golpe, reconheceram a “estratégia” e nada mais pretendem fazer. Sim, o funcionário da imigração congolesa barrou um estrangeiro com visto no passaporte com a alegação da falta do visto. E daí? No fundo, parece, todos esperam pelo encarte da nota de 100 dólares no passaporte. E se Lula não a encartar – fazer o quê? – não entrará no Zaire! A opção é dele. Se topar o jogo, tudo ficará bem!
Na semana passada o STF rejeitou com unanimidade em julgamento virtual uma reclamação contra a pressa do TRF4 em recolher Lula ao cárcere, em clara transgressão dos limites do permissível na chamada execução provisória da pena.
Dos cinco magistrados partícipes da sessão eletrônica, quatro haviam se posicionado, antes, pela concessão da ordem ao ex-presidente por entenderem que adiantar a pena violaria flagrantemente o art. 5°, inciso LVII da Constituição. Foram então muito fortes em seus argumentos, denotando certeza sobre o absurdo que se praticava contra o réu-paciente.
A certeza se converteu em resignação. A convicção ficou para a integridade corporativa. Mesmo conscientes do injusto que se praticava contra Lula, a parceria com os colegas da imigração congolesa lhes pareceu mais importante do que a defesa da constituição e da liberdade de um inocente.
Em nome de um tal princípio de colegialidade – a cordialidade entre os agentes imigratórios – jogaram para o alto suas certezas e preferiram a convicção de que Lula, enquanto for candidato, continuará presumidamente culpado. O preço está posto.
E estão errados? Afinal, parte da esquerda, que se diz pragmática, “pé no chão”, já parece estar jogando a toalha, ao achar que largar Lula à sua própria sorte e fazer conchavo com outros pretendentes à presidência, mesmo que longe de terem o compromisso do réu injustiçado com a democracia e os excluídos, é mais vantajoso para permitir que o espetáculo circense de nossa política continue…
“Não deixarão mesmo que ele se candidate…” E essa esquerda se resigna como os magistrados com suas certezas. O preço é, de fato, a candidatura de Lula, e há quem queira pagá-lo. O prêmio será poder entrar no Zaire de Mobutu Sese Seko – na selva.
Na perplexidade do momento, pergunto-me: Afinal, é isso mesmo que a esquerda resignada deseja? É possível ser de esquerda e querer entrar no Zaire de Mobutu? Ou, em termos menos polarizadores: é possível ser democrata e querer entrar no Zaire de Mobutu?
Podem democratas resignar-se? Podem democratas coonestar a condenação de Lula? Será que os democratas querem entrar cada vez mais na selva? Será que eles querem mesmo a lei da selva, cujo guardião hoje é o STF?
Se e quando souberem responder, senhores de “pés no chão”, avisem a este nefelibatas.

A ingenuidade de esperar “auto crítica” do Exército ou da direita pelos crimes da ditadura


A ingenuidade de esperar “auto crítica” do Exército ou da direita pelos crimes da ditadura. Por Kiko Nogueira

 
Geisel e Figueiredo
Há uma onda de cobrança de um mea culpa da direita ou do Exército diante da revelação do documento da CIA de que o extermínio era política de estado no governo “de abertura” de Ernesto Geisel.
“A gente fala muito da falta de auto-crítica da esquerda brasileira. Mas a da direita… Os militares em relação ao passado de execuções e tortura dão uma de João sem braços e pernas”, escreveu Marcelo Rubens Paiva no Twitter.
É de uma ingenuidade colossal. Por um motivo simples: eles estão total e completamente de acordo com a matança.
O único general que se manifestou, Girão Monteiro, da reserva, deu uma declaração num tom homoerótico.
“A espada do Oficial deve ser usada em defesa da Pátria e da honra. Assim o fizemos no passado, fazemos no presente e o faremos no futuro”, falou, sem revelar o nome do oficial.
Bolsonaro perguntou: “cadê os 104 mortos?”
Completou: “O momento era outro. Ou a gente botava para quebrar, ou o Brasil estava perdido. Se tivéssemos agido com humanismo ao tratar esse foco de guerrilha, teríamos no coração do Brasil uma Farc. E graças aos militares daquela época, não temos”.
Esperar que esse pessoal encontre algum erro num governo que matava “comunistas” é pregar no deserto.
Tão infrutífero quanto exigir que as panelas voltem a soar por causa da quadrilha de Temer. Ora, os protestos nunca foram contra a corrupção.
É preciso aceitar, humildemente, que o lado de lá não tem os mesmos valores.
Não existe culpa ou reflexão a fazer. Os cadáveres mereceram.
Eram eles ou nós. Graças a Deus por Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo (e psicopatas como Fleury, Ustra et caterva).
Seu amigo, sua tia ou sua sogra defendem torturadores. E não é um relatório da CIA explicitando a existência de uma máquina de execuções que vai fazê-los mudar de ideia.
Não dividimos a mesma gramática. O Brasil falhou. Falhamos a vida, lacrou o Ega de Os Maias. É melhor jair se acostumando e parar de mimimi.
Amanhã vai ser outro dia.

O processo de Carlos Fernando no Conselho do MP e a imagem da justiça na lama


O processo de Carlos Fernando no Conselho do MP e a imagem da justiça na lama. Por Joaquim de Carvalho

 
Carlos Fernando dos Santos Lima
O ministério público não é um órgão do poder judiciário, mas se confunde com ele na prática do direito brasileiro. Por exemplo, difícil entender por que, na justiça federal, os procuradores se sentam ao lado do juiz, na parte mais alta da sala, enquanto o advogado fica ao lado no réu, na mesa embaixo. Ambos são partes do mesmo processo.
Há alguns anos, um juiz federal em São Paulo que sofreu na carne a sanha persecutória dos membros do ministério público federal determinou, ao reassumir o cargo, que os procuradores se sentassem na mesa, assim como os advogados.
Houve revolta e, depois de muita discussão, os membros do ministério oúblico voltaram a contemplar a audiência do alto do patíbulo destinado aos magistrados.
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Os procuradores ficaram mal acostumados e, de privilégio em privilégio, chegaram a um ponto em que a sociedade terá de definir: ou convive com uma casta que se mantém intocável ou lhe coloca limites, dentro do que estabelece a lei e a Constituição.
A oportunidade começa hoje.
O Conselho Nacional do Ministério Público decidirá se dá prosseguimento ou não a um processo disciplinar movido contra o loquaz Carlos Fernando dos Santos Lima, o procurador mais experiente da Lava Jato, ideólogo da operação, uma espécie de guru de Deltan Dallagnol.
Ele chamou Michel Temer de “leviano, inconsequente e calunioso”, porque este disse que o então procurador geral da república Rodrigo Janot recebia acima do teto constitucional e questionou a legalidade dos penduricalhos que fazem dos membros do Ministério Público uma casta de servidores com supersalários.
Temer não disse nenhuma mentira. O próprio Carlos Fernando dos Santos Lima recebe acima do teto e, assim como os colegas, dá um olé na legislação tributária para pagar menos imposto do que o brasileiro comum.
Segundo levantamento do Estadão, um terço dos vencimentos deles não está sujeita à tributação.
É o caso do auxílio-moradia, no valor de R$ 4.377,73. Embolsam o dinheiro mesmo quando, casados com procurador ou procuradora, o cônjuge também recebe o penduricalho ou quando têm imóvel próprio na cidade em que trabalham — caso de Carlos Fernando.
Em dezembro, conforme reportagem que publiquei em março, Carlos Fernando teve vencimentos totais de R$ 79.408,09. E não era apenas por causa do 13o. Os seus gordos contracheques — às vezes, eles têm mais de um no mesmo mês — informam que ele estava recebendo apenas 50% do 13o. A outra parcela já tinha embolsado meses antes.
Carlos Fernando dos Santos Lima não está acima da lei, nem abaixo. Mas se comporta como se estivesse acima.
Na origem do do julgamento de hoje, o Conselho Nacional do Ministério Público analisou reclamação de Lula contra Carlos Fernando, por ataques que sofreu na rede social e em entrevistas do procurador.
Na decisão, o relator não viu motivo para abrir processo, mas recomendou que Carlos Fernando “deixasse de expressar opiniões sobre políticos, partidos e investigados pela operação”, de forma a preservar “a integridade, a solidez, a isenção e a credibilidade como valores” de integrantes do MP.
Não adiantou. Carlos Fernando, respaldado por manifestações da corporação, continuou fazendo uso da rede social para atacar quem ele julga que merece ser atacado. E foi para cima de Temer — no recurso, os advogados de Lula citaram esse caso e, com base nele, o Conselho decidiu desarquivar a reclamação e decide hoje se processa Carlos Fernando.
Os procuradores, antes mesmo da análise, emitiram nota, para pressionar o Conselho. Disseram, entre outras coisas, que Carlos Fernando “corre o risco de ser submetido a pena disciplinar de censura pública, apenas por dizer o que pensa”. Vieram com o discurso surrado de que estão tentando colocar uma mordaça nos representantes do ministério público.
Nada mais enganoso. Com esse discurso, conseguiu-se em 2013 alterar a pauta das manifestações de rua. Na época, se reclamava contra o aumento no valor da tarifa e por uma nova política de transporte público, mas, estranhamente, começaram a aparecer nos protestos cartazes com a frase Não à PEC 37.
A tal PEC era um projeto de emenda constitucional que definia quais são os poderes da polícia e do ministério público na investigação: a polícia investiga, o MP faz o controle externo da polícia, mas não investiga diretamente.
O objetivo é preservar o equilíbrio da acusação e dar aos procuradores mais serenidade na sua atuação. Não significa impunidade, mas uma barreira contra abusos. Quem fiscaliza o fiscal?
Com as manifestações nas ruas, a PEC 37 acabou rejeitada, e o MP ganhou ainda mais musculatura. A rejeição da PEC 37 foi, a rigor, a única mudança legal que ocorreu no parlamento em decorrência das chamadas jornadas de junho de 2013.
Hoje, como se vê pela última pesquisa, a população não está satisfeita com os resultados da ação desse poder conferido, levando em consideração que, na prática, o trabalho do ministério público se confunde com o do poder judiciário.
É o que o revela a pesquisa CNT/MDA, divulgada ontem:
Ao todo, 55,7% desaprovam atuação da justiça, 89,3% desconfiam dela e 90,3% afirmam que ela não trata todos de maneira igual. No universo dos 55,7% que disseram desaprovar a atuação da Justiça, 18,9% avaliaram sua atuação como ruim e 36,8%, como péssima. É uma imagem pior que a de muitos políticos que a Lava Jato diz combater.fiscal?
Com as manifestações nas ruas, a PEC 37 acabou rejeitada, e o MP ganhou ainda mais musculatura. A rejeição da PEC 37 foi, a rigor, a única mudança legal que ocorreu no parlamento em decorrência das chamadas jornadas de junho de 2013.
Hoje, como se vê pela última pesquisa, a população não está satisfeita com os resultados da ação desse poder conferido, levando em consideração que, na prática, o trabalho do ministério público se confunde com o do poder judiciário.
É o que o revela a pesquisa CNT/MDA, divulgada ontem:
Ao todo, 55,7% desaprovam atuação da justiça, 89,3% desconfiam dela e 90,3% afirmam que ela não trata todos de maneira igual. No universo dos 55,7% que disseram desaprovar a atuação da Justiça, 18,9% avaliaram sua atuação como ruim e 36,8%, como péssima. É uma imagem pior que a de muitos políticos que a Lava Jato diz combater.

GOVERNO DO PSDB É ISSO: Sucateado, Hospital Universitário aguarda verba de R$ 48 milhões há 6 meses

Sucateado, Hospital Universitário aguarda verba de R$ 48 milhões há 6 meses

Em quatro anos, HU perdeu 406 profissionais, fechou PS Infantil e adulto

Ouça a matéria:
Hospital reduziu 20% o número de leitos de terapia intensiva / Marcos Santos/USP
“Pediatria não tem agora. Só em caso de emergência, a pessoa chega lá no extremo do extremo. Eles não atendem mais pediatria. Mandam para um AMA ou pra outro serviço mais próximo”, se queixa Carolina Catarina de Novaes, moradora da Comunidade 1010, vizinha do Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP), que desde o ano passado fechou o atendimento do Pronto-Socorro Infantil.
Novaes, que é moradora há 27 anos da comunidade no Rio Pequeno, zona Oeste da capital, é usuária do HU desde pequena e teve seu dois filhos na unidade, o bebê de 8 meses, Hyago Davi, e Deryck Ryan, de seis anos. “O Derek [seis anos] há uns quatro ou cinco anos atrás eu ainda conseguia passar. Ele chegou a ficar internado. Tinha atendimento adequado. Quando o Yago nasceu e na minha gestação teve alguns atendimentos que não consegui ter lá. Poucas vezes conseguiu passar lá”.
Com o filho menor conseguiu ser atendida apenas uma vez desde que nasceu. “Das vezes que levei porque ele estava com febre, a médica olhou pra ele e disse que não podia atender porque estava sem água. Uma outra vez ele estava com virose e febre, a mesma médica não o atendeu”.
Sucateamento
Carolina não é um caso isolado. Há quatro anos o HU atendia 17 mil pessoas por mês. “Recebe 3 mil [hoje]. Fazia 30 partos por mês, faz três. Tem oito centros cirúrgicos, tem dois funcionando mal. Ele tá praticamente fechado”, relata Lester Amaral Júnior, da coordenação do Coletivo Butantã na Luta.
Desde o final de 2013, o HU perdeu 406 profissionais, por conta do Plano Individual de Demissão Voluntária (PIVD). No primeiro plano de demissão voluntária da USP, onde o HU entrou. “O HU tinha 1800 funcionários, hoje tem menos de 1400”, diz o coordenador do coletivo.

Médicos, enfermeiros, assistentes sociais e técnicos de enfermagem são as categorias mais atingidas. O Pronto-Socorro Infantil foi fechado em novembro do ano passado, em dezembro houve o fechamento parcial do Pronto-Socorro Adulto. Atualmente atendem somente casos de emergência e pacientes encaminhados por outros serviços de saúde.   “Só o fechamento do PS Infantil deixa 60 mil crianças na região sem referência de atendimento”, calcula Lester.
Gerson Salvador, clínico-geral no HU e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), relata que a sobrecarga de trabalho para os que não aderiram ao PIDV empurrou muitos profissionais a pedirem demissão. “Cerca de um terço dos anestesistas deixaram o serviço, isso diminuiu muito o número de procedimentos cirúrgicos”.
Há uma redução importante também de leitos para internação e os de terapia intensiva. Cerca de 20% a menos de leitos disponíveis para internação, 40% a menos de leitos de terapia intensiva adulto. Havia 20 leitos, hoje somente 12”, detalha Salvador.
Equidade zero
Na região do Butantã, onde vivem aproximadamente 458 mil pessoas, conforme projeção baseada no Censo 2010 da Fundação IBGE, existem 1607 leitos gerais, o equivalente ao coeficiente de 3,52 leitos por 1000 habitantes. Situação bastante crítica se comparada a localidades como Vila Mariana, que para 359 mil pessoas, há um coeficiente de 14,90 leitos por mil habitantes, e Pinheiros, com uma população de 294.607 onde a média é de 14,17 leitos para mil habitantes.
Por conta disso, o coletivo Butantã na Luta passou a organizar a se organizar com a população, a partir da aplicação de 340 questionários com quatro questões básicas: não desvincular da USP; restituir o padrão de serviço do hospital como o que havia em 2013; manter o Pronto-Socorro aberto e contratar os 406 funcionários; e formar um conselho gestor.
Em 2014 o antigo reitor Marco Antonio Zaggo, atual secretário estadual de Saúde, tentou desvincular o HU da Universidade de São Paulo (USP) e passar para a Secretaria de Saúde do Estado. “Perderia o caráter de hospital-escola”, explica o militante do coletivo Butantã na Luta.
Segundo ele, além do atendimento secundário, o hospital universitário forma 2.400 profissionais anualmente, de forma global ou integral, em sete carreiras de saúde. “O pessoal da Enfermagem, por exemplo, quase 40% do curso dele é dentro do HU”.
A comunidade de estudantes e trabalhadores da USP, do HU e moradores do entorno se mobilizaram em passeatas e greve e o governador Geraldo Alckmin recuou da desvinculação.
Em 2017, quando a situação do HU ficou mais crítica, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou uma emenda apresentada pelo deputado estadual Marco Vinholi (PSDB-SP) - relator do orçamento 2018 - destinando R$ 48 milhões dos royalties da exploração de petróleo do pré-sal para novas contratações, como fruto da luta da população pela saúde pública.  
Pressão
O deputado estadual João Paulo Rillo (PSOL-SP) conta que o movimento entregou um abaixo-assinado com 44 mil assinaturas ao Ministério Público Estadual e à Alesp pedindo o funcionamento pleno do HU. “Praticamente todas as bancadas aprovavam essa iniciativa. O orçamento foi aprovado na madrugada de 27 de dezembro do ano passado. A reivindicação era para que R$ 48 milhões fossem destinados para pagamento de pessoal, quando o orçamento foi publicado, a gente percebeu que o relator tinha cometido um erro. Ele colocou atribuição para custeio ao invés de pessoal”, pontua.  
Segundo Rillo, inicialmente o erro não foi visto como um problema político. “O problema é que isso se estende há quase seis meses. Na minha opinião, isso não foi simplesmente um erro técnico. Isso foi uma iniciativa política mesmo pra retardar. Foi uma manobra política para enganar as pessoas”, avalia.
Nesse momento, há três ações do mandato do parlamentar para pressionar a liberação do recurso. “Protocolamos uma indicação ao governador, um requerimento de convocação do secretário na Comissão de Ciências e Tecnologia [da Assembleia Legislativa] e um requerimento de informações bem completo”.  
Essa semana estão previstas mobilizações na Alesp para pressionar a liberação do recurso. “O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 já chegou à Assembleia Legislativa e continua a pendência do orçamento passado”, denuncia Rillo. De acordo com o parlamentar, para 2018, o custo previsto da unidade era de R$ 275 milhões aproximadamente.  
Enquanto isso, Carolina tem que peregrinar a um dos atendimentos mais distantes de onde mora, como as Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) Jardim Peri-Peri e João XXIII, ou o Pronto Socorro Municipal Dr. Caetano Virgílio Neto, mais conhecido como PS Bandeirantes, que não faz internações e não tem centro cirúrgico nem UTI.
Outro lado
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, que tem à frente Marco A. Zaggo, não respondeu aos questionamentos da redação sobre a situação do Hospital Universitário da USP e a emenda aprovado no orçamento de 2018.
Edição: Juca Guimarães

Paulo Coelho ironiza condenação de Lula

 

Paulo Coelho ironiza condenação de Lula

O escritor brasileiro Paulo Coelho usou sua conta oficinal no Twitter para se posicionar sobre a condenação de Lula nesta quarta-feira (24). Ácido, ele ironizou o cenário político brasileiro ao afirmar que, com a condenação do petista, todos os problemas do país pareceriam “resolvidos”. 

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"Finalmente! Agora está tudo 100% no mundo político", ironizou Paulo Coelho sobre a condenação de Lula"Finalmente! Agora está tudo 100% no mundo político", ironizou Paulo Coelho sobre a condenação de Lula
Finalmente! Agora está tudo 100% no mundo político. Ministros impolutos, Congresso honesto, deputados que pensam apenas no bem do país, senadores que não acobertam crimes de seus pares, juízes que não se deixam pressionar pela mídia e, completando o quadro Lula Condenado. 

Em poucas palavras, Coelho criticou os três poderes, denunciou a parcialidade da Justiça no Brasil e questionou a idoneidade do Parlamento que depôs a presidenta Dilma Rousseff em 2016 com um golpe parlamentar. 

Paulo Coelho é autor do livro brasileiro mais vendido de todos os tempos, O Alquimista. Atualmente o escritor e jornalista vive na Suíça, onde é um dos 300 empresários mais ricos do país. 

Do Portal Vermelho