segunda-feira, 13 de agosto de 2018

'NUMA DEMOCRACIA PLENA, DODGE E FLORES RESPONDERIAM CRIMINALMENTE', DIZ PIMENTA

Marcha Nacional Lula Livre chega ao perímetro urbano de Brasília


LUTA

Marcha Nacional Lula Livre chega ao perímetro urbano de Brasília

Camponeses caminharão cerca de 15 Km no quarto dia de marcha

Brasil de Fato | Brasília
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No quarto dia da caminhada, as três colunas que compõem a marcha saíram por volta das 6h30 com destino à Brasília. / Júlia Dolce
Marcha Nacional Lula Livre está a cada dia mais próxima da capital federal. Nesta segunda-feira (13), quarto dia da caminhada, as três colunas que compõem a marcha saíram por volta das 6h30 com destino à Brasília.
Cada coluna deverá percorrer cerca de 15km no dia de hoje, um percurso que deve durar até seis horas.
Com a maior proximidade do perímetro urbano, a expectativa, segundo o integrante da direção nacional do MST, Marco Barato, é que os militantes tenham ainda mais interação com a população.
“O dia de hoje é muito importante porque a gente entra em um processo de diálogo mais intenso com a sociedade — vamos pegar uma parte da cidade mais populosa, uma parte mais densa da marcha”, diz o dirigente.
À tarde, serão realizados debates de formação sobre a reforma agrária popular. 
Barato afirma que o dia de hoje também será de preparação para outro momento importante da Marcha Lula Livre: o encontro das três colunas nesta terça-feira (14).
Ao todo são cerca de 5 mil camponeses divididos em três colunas. A coluna Tereza de Benguela reúne os militantes dos estados da região Centro-Oeste. Já na Coluna Prestes está a delegação que traz os estados do Sul e Sudeste do país. Os estados do Nordeste estão organizados na Coluna Ligas Camponesas.
Até o momento, cada coluna já percorreu mais de 30 km. Ao todo, serão cerca de 50 Km de caminhada até Brasília. Os marchantes chegam na capital federal na próxima quarta-feira (14), e participarão do ato de homologação da candidatura do ex-presidente Lula no dia 15 de agosto, último dia para que os pré-candidatos registrem seus nomes para concorrem ao pleito eleitoral de outubro.
Presente neste quarto dia de marcha, o ganhador do Prêmio Nobel da Paz e ativista pelos Direitos Humanos, Adolfo Pérez Esquivel, afirma que está presente na mobilização em solidariedade ao povo do Brasil e pela liberdade de Lula. "Temos que ter em conta que esta política, que tentam retirá-lo das eleições, está sendo replicada em todo o continente Latino Americano, como em Honduras e Paraguai, por exemplo. A extrema-direita está avançando na dominação dos povos. Por isso gritamos "Lula Livre", e que o povo brasileiro decida quem tem que governá-lo".
Está previsto uma série de atos em diversas partes do mundo para esta segunda-feira pedindo a liberdade de Lula e reafirmando o seu direito de ser candidato a presidência da República.
Edição: Luiz Felipe Albuquerque

Kenarik Boujikian: "Uma outra Justiça é necessária"

JUDICIÁRIO

Kenarik Boujikian: "Uma outra Justiça é necessária"

Para Desembargadora do TJ/SP, "está na hora do Poder Judiciário conectar-se com as razões do povo brasileiro"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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"A democracia não pode ficar à mercê do tempo ou da vontade particular dos ministros do STF" / Foto: Daniel Cima/Comisión Interamericana de Derechos Humanos
O povo brasileiro tem direito a um Judiciário democrático, no qual os juízes estejam, de fato, subordinados à vontade do povo soberano e não usem o poder do Estado para que seus desejos e quereres tenham prevalência.
Mas os tempos que correm mostram que o povo não se reconhece neste Judiciário, na medida que não lhe atribui o requisito fundamental, que é a confiança. De acordo com o Índice de Confiança na Justiça no Brasil (ICJBrasil), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2017, apenas 24% da população brasileira confia no Poder Judiciário. Pesquisa Datafolha de junho de 2017 revelou que 92% da população do Brasil avalia que a Justiça do país trata melhor os ricos do que os pobres.
Se pensarmos que um dos objetivos da República é erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, é obrigatório concluir que o Judiciário está a quilômetros de distância disso. Na verdade, a mensagem que se está transmitindo é que o Judiciário visa atender os donos do poder econômico. Basta ver os dados produzidos pelo Conselho Nacional de Justiça no que diz respeito aos maiores litigantes (quem tem o maior número de processos) e aos temas majoritários das súmulas vinculantes (decisões do STF que devem ser seguidas por todos os juízes).
Na área penal, esta percepção é ainda maior pelo encarceramento massivo de uma população pobre, periférica e, majoritariamente, negra, somado ao gigantesco número de presos provisórios, que só vem aumentando após o julgamento do STF que relativizou o alcance do princípio da presunção de inocência. Esta decisão contrariou o texto da Constituição e, deste modo, feriu violentamente a segurança jurídica e a integridade do Direito.
O que mais choca a população é que tudo isto vem do guardião do sistema democrático, do Poder que tem o dever de salvaguardar o núcleo do Estado brasileiro, os direitos fundamentais, que não admite flexibilização alguma: o Judiciário.
A questão que o povo pergunta é: por que houve uma mudança de posição do STF pouco antes do julgamento do ex-presidente Lula? E por que, neste caso, a maioria dos ministros pensa de uma forma, mas julga de outra?
A democracia não pode ficar à mercê do tempo ou da vontade particular dos ministros do STF. Está na hora do Poder Judiciário conectar-se com as razões do povo brasileiro. Sem esquecer que o poder não lhe pertence: o dono é o povo soberano. Respeitemos.
* Desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo e cofundadora da Associação Juízes para a Democracia (AJD), além de membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).
Campanha
A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) lançou, no dia 16 de julho, um abaixo-assinado em defesa da presunção de inocência. A iniciativa faz parte de uma campanha em torno da garantia deste princípio e pretende mobilizar outros setores da sociedade. O resultado da coleta de assinaturas, uma das principais atividades da campanha, será entregue ao STF em setembro.
A ABJD é uma associação nacional de juristas criada para reagir e combater a retirada de direitos fundamentais e defender o Estado Democrático de Direito. A associação é uma proposta de unidade entre diversas categorias de juristas. Entre eles, estão juízes,desembargadores, advogados, defensores públicos, professores, servidores do sistema de Justiça, promotores, procuradores estaduais e municipais e estudantes de Direito.
Em parceira com a ABJD, o Brasil de Fato lançou, neste mês de agosto, um tabloide especial sobre o tema. Confira:
Edição: Thalles Gomes

Durante marcha, camponeses realizam formação e debatem projeto popular para o Brasil

LULA LIVRE

Durante marcha, camponeses realizam formação e debatem projeto popular para o Brasil

Em momento de formação política, sem-terra da Coluna Tereza de Benguela discutem estratégias contra o capital fin

Brasil de Fato | Distrito Federal
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Além de marcharem, militância da Marcha Lula Livre também de outras atividades, como a formação política. / Leonardo Milano
Os cerca de 15 Km caminhados diariamente pelos camponeses durante a Marcha Nacional Lula Livre é apenas uma das atividades realizada pelos marchantes ao longo desses dias. A cada dia, depois de chegarem em seus locais de destino em que descansarão antes de marcharem novamente no dia seguinte, uma série de atividades é realizada com os trabalhadores rurais que compõem a marcha. Uma delas são as formações políticas que, entre outras coisas, buscam debater as saídas para os retrocessos que atingem a classe trabalhadora brasileira.
"É um momento oportuno e a Marcha se insere na perspectiva de preparar nossa militância para o grande debate que precisamos fazer em torno de um projeto popular para o país, e a gente só faz isso ouvindo o povo e suas aspirações", analisa Geraldo Gasparin, do setor nacional de formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um dos organizadores da marcha. 
A formação do terceiro dia da Marcha debateu as estratégias do capital financeiro contra a classe trabalhadora, que vem sofrendo, de forma mais acentuada, desde o golpe parlamentar de 2016, que depôs a presidenta eleita Dilma Rousseff.
"O golpe foi arquitetado por aqueles que dominam economicamente a nossa sociedade e que utilizaram de seus instrumentos para fazer a legitimação do golpe. Portanto, a atual crise econômica tem origem na crise política", considera Álvaro Anacleto, da coordenação político-pedagógica da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do MST. Anacleto faz parte do Assentamento Canudos, no estado de Goiás. 
"Esse contexto de crise do capital não é somente um problema do Brasil, mas que se estende por diversos outros países da América Latina e do mundo", completa Alzerina Carneiro, da direção nacional do estado do Maranhão. 
Congresso do Povo
Após a exposição inicial da formação, os marchantes se reuniram por estado para discutir desafios e estratégias para o futuro. A unidade em torno da bandeira da democracia e por Lula Livre foi o principal direcionamento dos sem-terra. 
"Quem tem a soberania é o povo e é ele que deve decidir em quem quer votar. Estão mantendo preso, de forma arbitrária, um homem inocente e, com isso, tentando impedir quem a classe trabalhadora quer eleger", destaca Tânia Oliveira, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que esteve presente na formação dos marchantes.
A defesa da presunção de inocência foi um dos pontos centrais levantados pela jurista. "Almejamos um Judiciário que enxergue a sociedade para além do próprio umbigo e que queira fazer justiça com isonomia, independência e sem vínculo com os poderosos".
Tânia também chamou a atenção para o fato do Poder Judiciário ser extremamente elitizado e, portanto, "vinculado à classe dominante. Só a luta organizada dos trabalhadores pode mudar a realidade em que o Brasil se encontra hoje". 
"A sociedade parece estar amortecida. Essa grande maioria ainda não se levantou contra as artimanhas do capital e ela precisa colocar seu poder nas ruas para que todos tenham voz", completa Carneiro, destacando a importância da construção do Congresso do Povo.
O objetivo do Congresso do Povo é reunir a classe trabalhadora para refletir sobre problemas cotidianos, identificar as soluções e construir um novo projeto de país por meio da luta popular. O Congresso do Povo já acontece em diversos estados e municípios brasileiros. 
Gasparin ressalta que o instrumento de diálogo com a sociedade ultrapassa o período eleitoral. "Eu acredito que esse momento histórico da luta de classes exige da classe trabalhadora uma tarefa, que é a de organizar o povo. A esquerda, nesse último período, falou bastante para o povo, mas agora ela precisa ouvir".
As formações políticas que acontecem na Marcha Nacional Lula Livre preparam os marchantes para um amplo trabalho de base com as forças populares.
"A Marcha por si só já é um processo formativo fantástico, o povo aprende na prática, na ação política. Mas nós também somos portadores de uma concepção de que só a luta é insuficiente. Nós precisamos nos apropriar do conhecimento e analisar com profundidade os elementos da realidade que queremos transformar", finaliza Gasparin.
A Marcha Nacional Lula Livre - organizada pelo MST e Via Campesina - teve início no último dia 10 de agosto, e deve chegar em Brasília na próxima quarta-feira (14).
Edição: Luiz Felipe Albuquerque

GREVE DE FOME 13º dia da Greve de Fome tem protestos e visita de familiares no Dia dos Pais


GREVE DE FOME

13º dia da Greve de Fome tem protestos e visita de familiares no Dia dos Pais

Apesar da privação extrema, grevistas se mantém firmes e fortalecidos pelo apoio e carinho das famílias

Brasil de Fato | São Paulo
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Celebração Religiosa contra a fome e pela volta da democracia é realizada em frente à casa de ministro do STF / Adilvane Spezia | MPA e Rede Soberania
Há trezes dias sem comer, os militantes que participam da Greve de Fome por Justiça no Superior Tribunal Federal (STF), em Brasília, seguem com espírito combativo, apesar dos males que vêm da extrema privação. Na manhã deste domingo (12), às 7h, realizaram uma Celebração Religiosa contra a Fome e em Defesa da Democracia, em frente à casa de Edson Fachin, ministro do STF.
Após a demonstração, os grevistas, em comemoração ao Dia dos Pais, receberam visitas de familiares e do cantor Chico César, irmão de Luiz Gonzaga (Gegê). O grevista Jaime Amorim teve uma visita surpresa da esposa e de seus três filhos, que participam da Marcha Nacional Lula Livre. As visitas alegraram os grevistas, que têm se valido dos momentos simbólicos para fortalecer sua resistência.
Jaime Amorim recebe visita da família. (Foto: MPA)
Avaliação Médica
Jaime Amorim, Vilmar Pacífico, Zonália Santos, Rafaela Alves, Frei Sergio Görgen e Luiz Gonzaga (Gegê), que chegaram ao 13º dia sem receber alimentação, e Leonardo Rodrigues, no 7º, estão com monitoramento médico exclusivo e cuidado redobrado.
As atividades realizadas nessa manhã causaram um desgaste físico e três dos grevistas tiveram quadro leve de desidratação. Ao longo da tarde, a equipe médica suspendeu as visitas para dar condições de repouso e massagens terapêuticas visando diminuir a fadiga muscular e as dores de cabeça.
Outros sinais da privação se dão na ansiedade e irritabilidade dos grevistas, que afirmam que seguirão adiante com a greve. Contudo, nos próximos dias, os horários de visita devem ser restringidos e a participação em atos públicos será avaliada diariamente pela equipe de saúde.
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

ENTREVISTA Marcelo Semer: "A regra deve ser a liberdade"

ENTREVISTA

Marcelo Semer: "A regra deve ser a liberdade"

Para o juiz de direito, STF relativizou a presunção de inocência por pressão da Operação Lava Jato

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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“Se é algo que o tema não está é pacificado”, afirma Semer sobre as prisões após condenação em segunda instância / Foto: Agência Brasil
Marcelo Semer é juiz de direito e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Em entrevista ao Brasil de Fato, ele fala sobre as controvérsias envolvendo a prisão após condenação em segunda instância e os recentes posicionamentos do Judiciário brasileiro sobre o tema. Confira:
Brasil de Fato: Do ponto de vista jurídico e da garantia dos direitos individuais, como o senhor analisa o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de cumprimento da pena após condenação em segunda instância?
Marcelo Semer: A Constituição é muito clara em afirmar a presunção de inocência até o trânsito em julgado da decisão condenatória. A questão havia suscitado inúmeros debates na doutrina e na jurisprudência, até que o plenário do STF decidiu, em 2009, após uma série de julgados particulares neste mesmo sentido, que essa garantia impedia a prisão antes do trânsito em julgado, exceto quando exista algum fundamento cautelar, como a perturbação da prova ou indício de fuga, por exemplo.
Com a decisão do STF, até a lei foi mudada, em 2011, sendo aprovado, na Câmara e no Senado, um projeto que tramitava desde 2001. O artigo 283 do Código de Processo Penal, por exemplo, é o resultado da mudança. Ele dispõe sobre a necessidade de um fundamento cautelar para prender antes do trânsito.
Ocorre que, em 2016, sob pressão da chamada Operação Lava Jato, o Supremo mudou radicalmente seu entendimento. A ideia é de que o novo entendimento do STF facilitasse as prisões antes do trânsito, o que poderia servir para uma intimidação maior sobre os delatores. O STF muda seu posicionamento, então, e nem sequer se dá ao trabalho de discutir as leis que haviam alterado o Código de Processo Penal e a Lei de Execução Penal, que seguiram baseados no entendimento anterior.
Quero deixar claro que a presunção de inocência não elimina a possibilidade de prender antes da decisão final, basta que estejam presentes motivos para tanto. E a jurisprudência, a meu ver até equivocadamente, tem sido extremamente tolerante com essa exigência. Temos [no Brasil] quase 300 mil pessoas presas antes do trânsito em julgado. O que a Constituição não admite, e não pode admitir, é a prisão automática. Executar a pena antes que ela se torne definitiva. O que fazer com a pena depois, caso haja absolvição ou redução [da pena]? Não tem como devolver o tempo de vida subtraído do réu. Então, a regra deve ser a liberdade, e a prisão provisória deve funcionar como exceção, ou seja, sempre que houver um motivo que a justifique.
Como o senhor avalia as constantes negativas da presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia, em colocar em votação as duas Ações Diretas de Constitucionalidade (ADCs) que questionam o entendimento firmado, sob o argumento de que o tema está pacificado?
Se é algo que o tema não está é pacificado. Tanto que vários ministros [do STF] continuam concedendo, em casos individuais, habeas corpus impedindo a prisão automática, como, por exemplo, Marco Aurélio e Celso de Mello. Cármen Lúcia disse que não queria “apequenar” o STF colocando as ADCs em votação, em face do caso do ex-presidente Lula. Mas, ao não pautá-las, acabou fazendo o que pretendia evitar: decidiu a pauta de acordo com quem poderia ou não se aproveitar da decisão.
Quais as consequências dessa imprecisão jurídica para o cidadão comum brasileiro?
A consequência dessa mudança de paradigma do STF é que vai aumentar o volume das prisões provisórias ou execuções antes do trânsito em julgado. Hoje beiramos os 40%. Vamos ver em quanto ficaremos um ano depois.
A presidente do STJ se posicionou no dia 12/07 dizendo que não poderiam ser aplicadas ‘penas restritivas de direitos’ após condenação em segunda instância. Não haveria contradição em relação ao entendimento do STF já que a restrição de direitos é ainda mais branda do que a privação de liberdade?
Há inúmeras contradições da decisão do STF como nosso ordenamento. A questão das penas restritivas de direito é só uma delas. Mas poderíamos falar em outras: a necessidade de se aguardar o trânsito em julgado para executar precatório por dívidas do Estado, por exemplo. Porque o patrimônio, mesmo que público, deva ser tutelado de forma mais eficaz do que a liberdade? Ou a vitaliciedade de juízes e promotores: nenhum deles pode ser demitido antes de decisão condenatória “transitada em julgado”. Por que o raciocínio sobre “impunidades” tão vulgarmente esposado em plenário não vale também para juízes e promotores, que passariam a ser demitidos apenas com decisão de segundo grau? 

Campanha
A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) lançou, no dia 16 de julho, um abaixo-assinado em defesa da presunção de inocência. A iniciativa faz parte de uma campanha em torno da garantia deste princípio e pretende mobilizar outros setores da sociedade. O resultado da coleta de assinaturas, uma das principais atividades da campanha, será entregue ao STF em setembro.
A ABJD é uma associação nacional de juristas criada para reagir e combater a retirada de direitos fundamentais e defender o Estado Democrático de Direito. A associação é uma proposta de unidade entre diversas categorias de juristas. Entre eles, estão juízes,desembargadores, advogados, defensores públicos, professores, servidores do sistema de Justiça, promotores, procuradores estaduais e municipais e estudantes de Direito.
Em parceira com a ABJD, o Brasil de Fato lançou, neste mês de agosto, um tabloide especial sobre o tema. Confira:
Edição: Thalles Gomes

Juristas lançam nesta segunda livro sobre decisão do TRF4 que condenou Lula

Juristas lançam nesta segunda livro sobre decisão do TRF4 que condenou Lula

Publicado em 13 agosto, 2018 9:20 am
Do site Brasil de Fato.
Um grupo de juristas lança em Curitiba, na segunda-feira (13), às 17h, na Vigília Lula Livre, o livro “Comentários a um acórdão anunciado. O processo Lula no TRF4”. A obra, com a participação de mais de 50 autores, traz análises técnicas sobre a decisão da corte que condenou o ex-presidente no que ficou conhecido como o caso “Triplex”.
O caso chamou a atenção pelas acusações de parcialidade dos magistrados da corte federal. Um dos destaques foi a leitura de 250 mil páginas em seis dias do desembargador Leandro Paulsen ou ainda o fato de 257 processos terem sido “pulados” para acelerar o julgamento do ex-presidente.
O livro é uma sequência da obra “Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula”, dos mesmos organizadores, que ganhou destaque internacional ao apontar falhas contidas no processo que condenou o ex-presidente em primeira instância.
O presidente do Instituto Declatra, Wilson Ramos Filho, o Xixo e o advogado do escritório do Paraná, Ricardo Nunes de Mendonça, são dois dos autores da obra que também já tem três lançamentos previstos em são Paulo, dois no Rio de Janeiro, além de outras capitais como Salvador, Recife, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, São Luís e Brasília.
Segundo os organizadores da obra, o livro será vendido nas livrarias, mas uma versão em ebook será disponibilizada gratuitamente.
O livro será vendido nas livrarias, mas uma versão em ebook será disponibilizada gratuitamente / Divulgação