quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Trump, Bolsonaro, o aquecimento Trump, Bolsonaro, o aquecimento global e o apocalipse: quando a mudança de embaixadas para Jerusalém sinaliza o fim dos tempos

Trump, Bolsonaro, o aquecimento global e o apocalipse: quando a mudança de embaixadas para Jerusalém sinaliza o fim dos tempos
Evangélicos apoiam Trump apesar das aventuras sexuais dele fora do casamento, com Stormy Daniels, por exemplo; Eduardo Bolsonaro apareceu em Washington com o boné de Trump 2020, mas vai ser difícil para o pai ganhar um lugar na moeda junto com Ciro, o Grande.
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Trump, Bolsonaro, o aquecimento Trump, Bolsonaro, o aquecimento  global e o apocalipse: quando a mudança de embaixadas para Jerusalém sinaliza o fim dos tempos


27/11/2018 - 23h22
Profecia do Oriente Médio: Trump é Ciro, o Grande, reencarnado, destinado a anunciar o fim dos tempos?
A profecia está se desdobrando no Oriente Médio. Motins. Assassinatos. Guerra. No seu centro está o presidente Donald Trump. E seus seguidores evangélicos esperam que ele traga o Armagedom.
A mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém foi ousada.
Seu resultado foi previsível.
A disputa territorial entre os palestinos e o recém-recriado (depois de 1875 anos) Israel vive em erupção esporádica desde 1948.
Qualquer mudança no delicado equilíbrio de poder certamente se transforma em violência.
Trump destruiu as esperanças de novas negociações de paz entre Israel e a Palestina.
Também prejudicou a credibilidade dos EUA como intermediários da paz no Oriente Médio.
Como isso aconteceu não faz muito sentido — a menos que você olhe através dos olhos evangélicos de alguns dos principais conselheiros e confidentes de Trump.
A decisão foi sobre política doméstica.
Não diplomacia internacional.
A decisão de transferir a embaixada cumpriu uma promessa fundamental da campanha eleitoral de Trump. Representou também uma vitória para os grupos de interesse pró-israelenses linha-dura.
Mas o grupo de apoio eleitoral mais proeminente de Trump — evangélicos conservadores — vê tudo isso como um drama bíblico.
Por fim, sua grande nação tem uma embaixada na capital de Deus — Jerusalém. E isso significa que eventos cataclísmicos proclamados pela profecia estão prestes a acontecer.
O próprio Trump está no coração desta profecia.
Seu destino é visto como intrinsecamente ligado ao de um antigo rei persa.
O presidente dos Estados Unidos é o braço direito de Deus, muitos evangélicos acreditam. Trump é uma ferramenta imperfeita que Deus está usando para criar obras perfeitas. Isso significa nada menos que o fim dos tempos. E uma passagem de ida para o céu.
CAVALEIROS DO APOCALIPSE
O presidente Trump se cercou de crentes sinceros que compartilham uma teologia do fim dos tempos.
O vice-presidente Mike Pence é um estóico evangélico. Ele não faz nenhum segredo de que acredita que a guerra no Oriente Médio é a vontade de Deus. Que Deus quer que Israel retorne aos judeus. O Armagedom é parte do plano de Deus.
Pence mantém laços com organizações sionistas cristãs que vêem isso como o cumprimento desejável da profecia bíblica.
Seus próprios discursos regularmente repetem tais imagens, com declarações sobre como “uma profecia literalmente aconteceu” com a criação de Israel em 1948.
“Quando abrirmos a embaixada norte-americana em Jerusalém, vamos, em um sentido muito real, acabar com essa fricção histórica, abraçaremos a realidade”, disse Pence em entrevista à Christian Broadcast Network.
O ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon, também falou abertamente sobre ser um sionista cristão. É uma facção evangélica que coloca ênfase especial no apoio a Israel para garantir que o plano de Deus possa ser executado.
É uma visão baseada em Gênesis 12: 3, na qual Deus promete a Abraão: “Abençoarei os que te abençoarem, e quem te amaldiçoar eu amaldiçoarei; e todos os povos da Terra serão abençoados através de você ”.
Simplificando, você não pode errar aos olhos de Deus se você apoiar Israel.
Depois, há o secretário de Estado, Mike Pompeo, o secretário do Trabalho, Alex Acosta, e o secretário da Habitação, Ben Carson.
Eles estão entre os 10 integrantes do governo Trump que são defensores proeminentes do grupo Ministérios do Capitólio.
É o lobby evangélico, que busca “ensinar a Palavra de Deus e compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo com legisladores estaduais, juízes e autoridades constitucionais”.
DEFENSOR DA FÉ
O culto do arrebatamento é diverso e abrange muitas denominações cristãs. Mas é particularmente popular entre os evangélicos dos EUA.
Os evangélicos brancos foram o bloco eleitoral mais ativo de Trump durante a campanha eleitoral de 2016.
No centro de tudo isso está uma interpretação particular da profecia bíblica — um amálgama de passagens do livro do Apocalipse do Novo Testamento, mas também de Daniel e Isaías, do Antigo Testamento. E todo pregador aplica sua própria interpretação particular.
Resumindo, acreditam no Armagedom — uma guerra apocalíptica do Oriente Médio — e na segunda vinda de Jesus Cristo. Quando isso acontecer, 144.000 almas cristãs terão acesso ao céu. O resto permanecerá na Terra para ser punido.
Neste contexto, o caos no Oriente Médio é interpretado como uma coisa boa. Para eles, é um sinal de que a segunda vinda está próxima. Os esforços de paz estão simplesmente adiando a vontade de Deus.
Curiosamente, é uma crença muito semelhante à profecia que o Estado Islâmico usava para inspirar seus combatentes jihadistas.
Para o EI, o confronto final entre o Islã e os infiéis traria a segunda vinda do profeta Jesus, que anunciaria o fim dos dias. Uma diferença é que a batalha final será realizada em Dabiq, no norte da Síria, e não em Meggido (Armageddon), no norte de Israel.
Ambas as visões religiosas são fundamentalistas.
Ambos acreditam que os textos sagrados devem ser interpretados literalmente, em um contexto atual, apesar de suas muitas contradições e do texto antigo e alegórico.
A ciência é rejeitada. A evidência não tem peso contra a palavra de um pregador.
CRUZADOS DO CAPITÓLIO
O governo Trump valoriza muito seu grupo de estudo bíblico semanal.
Ele é administrado pelos Ministérios do Capitólio.
Seu foco é abertamente apocalíptico.
“A escatologia é a grande palavra teológica que encerra o estudo de eventos futuros, conforme registrado na Bíblia”, decreta um recente boletim.
“Não é segredo que cristãos nobres e crentes na Bíblia têm pontos de vista divergentes sobre o que as Escrituras ensinam sobre as especificidades que cercam a segunda vinda de Cristo. Uma coisa, no entanto, que a maioria dos crentes concorda é que o estudo do futuro pessoal do crente — como descrito na Bíblia — deve ser altamente motivador e ligado ao aqui e agora”.
No início deste mês, os Ministérios do Capitólio publicaram um sermão relevante para temas atuais do governo Trump, incluindo Irã, Síria e Israel.
Intitulado A Bíblia, sobre quando a guerra é justificável, argumenta que a violência é justificável porque o apóstolo Pedro ordenou que todos os homens se submetessem “a todas as instituições humanas”.
Também enfatiza que o próprio Deus “julga e faz a guerra”.
Em sua perspectiva, toda instituição humana é o governo dos EUA. E o agente de Deus é o presidente Trump.
Portanto, Trump tem a autoridade de Deus para fazer o que quiser.
Considere a evolução da crise das mudanças climáticas.
Um argumento é o seguinte: a Bíblia diz que a Terra foi criada para o homem. O homem não deveria ter vergonha de explorá-la. Portanto, os Ministérios do Capitólio insistem em seu grupo de estudos bíblicos do governo Trump que o ambientalismo deve ser uma religião herética.
Não há nada com o que se preocupar, argumentam: Deus “renovará continuamente a face da terra até formar um novo céu e uma nova terra, no fim dos tempos”.
CAVALEIROS DA CRUZ
O presidente Trump proclamou seu pastor favorito como sendo Robert Jeffress, da Igreja Batista de Dallas
Em 2014, Jeffress escreveu um livro declarando que o presidente Barack Obama estava pavimentando o caminho para a chegada do Anticristo (se ele não fosse o próprio Anticristo).
Ele assumiu uma posição proeminente em defesa de Trump durante a campanha eleitoral de 2016. Mas o relacionamento próximo só ficou óbvio quando Jeffress conduziu oração particular com a família Trump na manhã de 20 de janeiro de 2017 — o dia em que Trump assumiu o cargo.
Jeffress prega o arrebatamento para todos os que ouvirem.
“O Islã está errado. É uma heresia do poço do inferno”, diz ele. “O mormonismo está errado. É uma heresia do abismo do inferno”. A Igreja Católica é liderada por Satanás. Todos os judeus estão condenados ao inferno. Todos os homossexuais são excluídos.
“As religiões como mormonismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo não apenas afastam as pessoas do verdadeiro Deus, elas levam as pessoas a uma eternidade de separação de Deus, no inferno”, disse Jeffress em um sermão de 2008.
“O inferno vai ser preenchido com boas pessoas, religiosas, que rejeitaram a verdade de Cristo”.
Ele está em êxtase porque suas crenças estão sendo espelhadas pelo Presidente: “Nós agradecemos todos os dias que você nos deu um presidente que ousadamente está do lado certo da história, e mais importante do seu lado, meus Deus, quando se trata de Israel”.
Jeffress não é de forma alguma o primeiro profeta do arrebatamento. O televangelista Billy Graham abraçou a ideia. O fundador da Mega-igreja, Pat Robertson, tornou o apelo central em seu grupo. E depois há muitos pregadores no rádio e no YouTube, todos competindo para ter mais seguidores.
Além disso, há o televisivo John Hagee, de San Antonio, um dos fundadores dos “Christians United for Israel” e o maior apoiador da mudança da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. Ele é sempre visto em eventos importantes do Partido Republicano.
Quando o furacão Katrina matou 1.200 pessoas em Nova Orleans, Hagee proclamou: “Nova Orleans tinha um nível de pecado que era ofensivo a Deus, e eles receberam o julgamento de Deus”.
Hagee afirma repetidamente que a Segunda Vinda de Jesus Cristo é iminente. E Israel é o coração de tudo isso.
“Acredito que neste momento Israel é o cronômetro de Deus para tudo o que acontece a cada nação, incluindo os Estados Unidos, a partir de agora até o arrebatamento e além”, disse ele numa entrevista a uma emissora canadense, a CBN.
E quando Cristo vier, diz Hagee, os judeus verão o erro de seus caminhos e acreditarão: “Eles vão chorar como alguém que chora a perda de seu único filho, pelo período de uma semana”.
ESCADA PARA O CÉU
O pastor do presidente Trump, Robert Jeffress, não se conteve durante a controversa bênção da mudança do Consulado dos Estados Unidos em Jerusalém para embaixada.
“Israel abençoou este mundo apontando-nos para você, o único Deus verdadeiro, através da mensagem de seus profetas, das Escrituras e do Messias”.
Havia olhares desconfortáveis ​​de judeus israelenses e caretas nervosas de muitos representantes internacionais.
Mas a maioria dos norte-americanos que lotavam as arquibancadas gritaram amém quando ele concluiu a oração de abertura com “no espírito de Nosso Senhor Jesus. Amém”.
O televangelista John Hagee fez a bênção final da cerimônia: “O Messias virá e estabelecerá um Reino que nunca terminará.”
Os dois pregadores elogiaram Trump.
Jeffress disse: “(O presidente) está do lado direito de você, Deus, quando se trata de Israel.”
Hagee afirmou: “Que todo terrorista islâmico ouça esta mensagem: ‘Israel vive’”.
Foram presenças simbolicamente potentes.
O fato de estarem lá gerou controvérsia: os EUA têm uma separação constitucional entre igreja e estado. A abertura da embaixada foi um evento civil. Mas os dois pastores foram oficialmente autorizados a impor sua própria teologia aos presentes.
A mudança da embaixada dos EUA — e a aceitação que ela conferiu à reivindicação de Israel sobre Jerusalém — vem de há muito tempo.
O Congresso dos Estados Unidos votou pela mudança em 1995. Mas sucessivos presidentes republicanos e democratas atrasaram o ato. Eles temiam suas implicações. Isso poderia levar à violência. Poderia desestabilizar ainda mais a política radical do Oriente Médio.
Agora é um fato.
Mas Jerusalém ocupa um lugar muito especial entre os crentes no arrebatamento. Israel é a nação no centro da história mundial, argumentam eles. Jerusalém é o coração de Israel.
E a batalha pelo coração de Israel é a óbvia ignição para o Armagedom.
“Jerusalém tem sido objeto do afeto de judeus e cristãos ao longo da história e a pedra de toque da profecia”, disse Jeffress à CNN no ano passado. “Mas, mais importante, Deus deu Jerusalém — e ao resto da Terra Santa — ao povo judeu.”
Para os evangélicos de Trump, a mudança para Jerusalém não é sobre a política mundana. É um movimento que facilitará a profecia.
De acordo com essa visão de mundo, a restauração de Jerusalém como a capital de um Estado judeu é um passo fundamental para o fim dos tempos.
Os judeus conseguirão demolir a Cúpula da Rocha e a mesquita Al-Aqsa [a mais sagrada para os muçulmanos] e construir a terceira encarnação de seu templo sagrado em Jerusalém. (O primeiro foi destruído pelos babilônios e o segundo pelos romanos).
Isso, por sua vez, anunciará o Armagedom.
GÓTICO AMERICANO
A obsessão dos Estados Unidos por um apocalipse arrebatador está profundamente ligada à sua identidade cultural.
Era uma crença central dos puritanos ingleses que fugiram para lá nos séculos XVI e XVII.
Desde então, isso evoluiu para se tornar parte integrante da tradição evangélica americana.
Essa teologia acredita que a criação de Deus passou pelas eras da “Lei” — entre Moisés recebendo as tábuas dos 10 mandamentos e a crucificação de Jesus Cristo — e “A graça” — a ascensão e expansão da igreja cristã. O período final — ou dispensação — está próximo, dizem eles. Este será o “Reino Milenar”.
“A maioria dos evangélicos concorda com a crença de que a segunda vinda de Cristo iniciará um período de 1.000 anos em que Cristo governará uma terra pacífica e próspera”, disse o doutor em religião Neil Young numa entrevista à revista Newsweek. “Israel também é parte fundamental dessa história, pois os cristãos acreditam que os eventos ali são fundamentais para o fim dos tempos”.
“A essa altura, a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel é a única coisa concreta que seus seguidores evangélicos podem apontar como parte do cumprimento da profecia bíblica para trazer a segunda vinda de Cristo”, acrescentou.
Precisamente quantos evangélicos americanos acreditam nisso é incerto, com as pesquisas variando entre 48% e 65%.
Aqueles que se classificam como evangélicos constituem cerca de 35% do eleitorado americano. Mas essa filosofia de apoio a Israel leva os evangélicos a um conflito direto com os próprios cristãos do Oriente Médio — principalmente árabes palestinos — e muitos outros grupos religiosos e seus líderes, inclusive o papa Francisco.
CIRO, O GRANDE
Ele raramente vai à igreja. Foi casado três vezes. Está envolvido em escândalos sexuais.  Ganha dinheiro em mesas de cassino. Gosta de lembrar a todos que é “alguém que teve sucesso material e conhece um grande número de pessoas com grande sucesso material”.
Já declarou que nunca pediu perdão a Deus.
Mas isso não incomoda os apoiadores evangélicos de Trump. Cerca de 81% daqueles que se identificam como cristãos evangélicos votaram nele.
Deus pode usar o mais improvável dos homens para decretar sua vontade, argumentam.
Eles enxergam Trump como o instrumento da vontade de Deus. Sua moral e comportamento pessoal não tem nada a ver com isso, contanto que Trump decida de acordo com o que eles vêem como a vontade de Deus.
“Para os seus seguidores evangélicos, há uma sensação de que a eleição improvável de Trump para a presidência prova que ele foi escolhido por Deus”, disse Young à Newsweek.
“Ele não deveria ter vencido a eleição, então o fato de que conseguiu — e essa vitória veio através do Colégio Eleitoral [Trump perdeu na soma nacional de votos] — apenas demonstra que somente Deus poderia fazer acontecer.”
O presidente tem precedentes, acreditam os apoiadores evangélicos.
Segundo o Antigo Testamento, o fundador do Israel original, o rei Davi, era um adúltero e assassino. No entanto, Deus o fez rei e declarou que ele era “um homem segundo o meu coração”.
O pastor de Trump, Jeffress, traça um segundo paralelo. Ele pinta o polêmico reinado do presidente como semelhante ao do bíblico rei Ciro.
O livro do Antigo Testamento de Isaías descreve Ciro como o rei da Pérsia e, como tal, um dos maiores inimigos de Israel. Mas ele foi escolhido por Deus para fazer o seu trabalho — conquistando a Babilônia e libertando o povo judeu.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um dos maiores defensores internacionais de Trump, abraça o paralelo: “Lembramos da proclamação de Ciro, o Grande — rei persa. Há dois mil e quinhentos anos, ele proclamou que os exilados judeus na Babilônia poderiam voltar e reconstruir nosso templo em Jerusalém… E nos lembramos de como algumas semanas atrás, o presidente Donald J. Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel. Senhor Presidente, isso será lembrado pelo nosso povo ao longo dos tempos”.
Naturalmente, muitos integrantes da base de poder de Netanyahu enxergam os acontecimentos em um contexto profético muito diferente dos evangélicos de Trump. Mas eles estão felizes em caminhar juntos, desde que isso sirva à sua própria agenda.
Muitos esperam que tudo acabe com o estabelecimento do seu Terceiro Templo [no local que hoje é sagrado para os muçulmanos].
Pelo menos um grupo judaico ortodoxo acredita que sim: o Centro Educacional Mikdash já produziu uma “moeda do [futuro] templo”, que sobrepõe uma imagem do presidente Trump a outra, de Ciro, o Grande.
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Cartas do Pai: “Médicos cubanos”

27 DE NOVEMBRO DE 2018, 22H31

Cartas do Pai: “Médicos cubanos”

Eu não sabia que ganhar 4 mil era trabalho escravo, já que mais da metade dos brasileiros, recebem menos que um salário mínimo
Foto: Arquivo Pessoal
Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2018
Pai,
Lembro de um monte de reportagens, mostrando lugares afastados, pagando ótimos salários e que nenhum brasileiro se interessava. Quando apareciam, iam embora na primeira semana, pois viam que teriam que ir de barco, por quase uma hora, pra poder atender aos pacientes.
Agora, Cuba resolveu retirar seus médicos do Programa Mais Médicos, exatamente os que atendiam essas pessoas, por causa de mais uma trapalhada do futuro presidente.
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Enfim, pai. Agora, esse pessoal mais humilde vai ficar sem médico, pois os cubanos estariam, segundo palavras do Coiso, fazendo trabalho escravo.
Eu não sabia que ganhar 4 mil era trabalho escravo, já que mais da metade dos brasileiros, recebem menos que um salário mínimo.
Ele disse que o governo cubano está roubando os médicos, ficando com 6 dos 10 mil pagos pelo Brasil. Com este salário, o brasileiro paga 11% de INSS e 27,5% de IR, sobrando pouco mais de 6 mil.
Só que lá em Cuba, o governo garante moradia, educação e saúde para a família dos médicos.
Escola pra uma criança tá quase mil, plano de saúde pra uma família com um filho, mais uns mil, e uma casa pra alugar, mais as contas de luz, água, gás etc. vai mais uns mil também.
Pronto, o governo daqui já “roubou” 7 mil! Bem mais do que o cubano. E olha que lá tem segurança pública, enquanto aqui…
Ser escravo cubano tá sendo mais jogo do que ser trabalhador brasileiro, né pai!
Um beijo do seu filho,
Ivan
Agora que você chegou ao final deste texto e viu a importância da Fórum, que tal apoiar a criação da sucursal de Brasília? Clique aqui e saiba mais


Guru ideológico de Bolsonaro dá show de arrogância em entrevista

Guru ideológico de Bolsonaro dá show de arrogância em entrevista

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Apontado como guru do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e de seus filhos, o escritor Olavo de Carvalho, 71, diz que não existem intelectuais da esquerda do seu nível e que seus detratores não passam de difamadores. “A situação é, assim, intelectualmente catastrófica”, afirmou, durante entrevista concedida à Folha nesta segunda (26).
O autor dos livros “O Jardim das Aflições” (1995) e “O Imbecil Coletivo” (1996) vive em Richmond, capital do estado da Virgínia (EUA), desde 2005. E nem mesmo a vitória de um governo conservador o motiva a voltar para a sua terra natal. “Quero ficar aqui no mato até morrer”, diz.
Para ele, o movimento conservador brasileiro está atrasado e mostra uma “inexperiência horrível”. Novas lideranças e uma “direita treinada” poderiam mudar os rumos do conservadorismo.
Apesar de ter emplacado dois ministros no novo governo (Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação e Ernesto Fraga Araújo para o Itamaraty), ele conta que não mantém uma relação próxima com o futuro presidente brasileiro. Mas diz que toparia virar conselheiro dele por “R$ 100 ao mês”.
Também não descarta por completo a possibilidade de se tornar embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Mas isso não o agradaria, segundo ele: “Na embaixada não posso nem fumar meu cachimbo, porra!”. O escritor conta que indicou outra pessoa para o posto, mas não quis revelar o nome.
Usuário ativo de redes sociais —em uma delas, acumula mais de 500 mil seguidores—, Carvalho elogia a estratégia de comunicação da campanha de Bolsonaro com os eleitores: sem intermediários, inspirada na usada pelo presidente americano, Donald Trump.
Avalia, contudo, que a campanha do presidente eleito foi um caos, sem coordenação. O que não foi, necessariamente, ruim. “O que aconteceu foi uma colaboração popular espontânea”, afirma.
A imprensa está entre seus alvos preferenciais. Afirma que a opinião conservadora foi banida dos jornais e que ninguém pode falar em Deus sem ser chamado de fundamentalista pela mídia.
Critica ainda o movimento Escola sem Partido (por ter sido proposto antes da realização de uma pesquisa que comprove a hegemonia da esquerda nas instituições de ensino), a educação sexual nas escolas (que incentiva “mais putaria”), os “gayzistas” (que, segundo ele, querem impor seu modo de ser aos outros) e a ideia de aquecimento global.
O sr. tem sido descrito como o guru de Bolsonaro e emplacou dois ministros no novo governo. Tem mantido contato com o presidente eleito? Como é sua a relação com ele? Minha relação com ele é, literalmente nenhuma. Eu tive um hangout (conversa por aplicativo) com ele. Conversei com ele por telefone três vezes, com o filho umas duas ou três, dois deles estiveram aqui por algumas horas. Isso foi tudo.
Como foi a conversa com Jair Bolsonaro? Nem lembro mais do que conversamos. Mas foi uma conversa muito boa, muito simpática. Desde 2014, eu vi que Bolsonaro era um dos dois ou três deputados que não estavam metidos em corrupção. Eu disse: voto nesse cara para qualquer cargo que ele se candidatar. Se para presidente, então vai ser presidente.
Em entrevista à Folha no ano passado, o sr. disse que um dos filhos de Jair Bolsonaro pediu um aconselhamento antes das eleições. O que disse? Primeiro, que tem que centrar na segurança pública. Temos que garantir que brasileiros que saem para a rua para trabalhar vão voltar vivos. O resto pode ficar para depois. Se fizer um governo de merda do começo até o fim, mas resolver esse problema, acabar com 70 mil homicídios ano, você já é herói nacional.
O sr. chegou a indicar algum dos dois ministros diretamente para Bolsonaro? Sim. Coloquei no Facebook, creio que coloquei também na área de mensagens do Eduardo Bolsonaro (em rede social). Foi tudo. Eu sei que o Bolsonaro lê as minhas coisas e a gente está vendo que leva bastante a sério. Eu fico muito lisonjeado com isso.
Pretende sugerir mais algum nome para o novo governo? Eu não. Já esgotei meu estoque de ministros. Sugeri esses dois simplesmente porque me ocorreu na hora. Sugeri o ministro da Educação porque o Bolsonaro, em um discurso, disse que iria me convidar para ministro da Educação. Não quero ser ministro, então indico alguém. Então rejeitei e indiquei o Ricardo Vélez Rodriguez, que é pessoa altamente capacitada.
O sr. sinalizou que gostaria de ser embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Não, não. Eu nunca disse que gostaria. Disse que, se me convidassem, o único cargo que eu poderia aceitar seria o de embaixador. Caso, é claro, não houvesse pessoa outra mais qualificada. Acabei até sugerindo um nome. Não vou dizer quem, é porque não foi divulgado ainda.
Mas o sr. chegou a receber algum convite para ser embaixador? Não. Me ofereceram dois ministérios, da Educação e da Cultura. Eu rejeitei os dois. Se fosse para aceitar um cargo público, o único que eu aceitaria seria esse. Por quê? Motivo muito simples, eu odeio isso, isso para mim seria a minha morte. Mas o Brasil precisa de dinheiro. E onde é lugar para buscar dinheiro? É aqui, porra!
Por que seria tão ruim assumir o cargo? Não sirvo para esse negócio de ser burocrata. Na embaixada não posso nem fumar meu cachimbo, porra! Esse cargo é para gente que tem cara de pau, que gosta de encenar papéis. Eu não. O único cargo que eu posso exercer é o de Olavo de Carvalho, tá entendendo?
Espera manter relação próxima com o presidente? Aconselhando, talvez? Depende dele. Se me quiser como conselheiro, eu viro conselheiro e cobro R$ 100 por mês.
O deputado Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos nesta semana para estreitar as relações entre Brasil e EUA. Pretende se encontrar com ele? Não pretendo. Ele está em Washington, eu odeio ir para Washington. Aliás, eu odeio sair aqui da minha casa (Olavo vive em Richmond, no estado da Virgínia). Sou do mato, não da cidade.
Um dos motivos que o levou a sair do Brasil foi a chegada do PT ao poder. A eleição de Jair Bolsonaro o motivou a voltar? Não, preguiça. Tenho 71 anos, o que vou fazer aí? Quero ficar aqui no mato até morrer, sossegado.
As eleições resultaram em uma onda conservadora. Em uma entrevista em 2016, o sr. afirmou que seus livros ajudaram conservadores a sair do armário. Acredita que influenciou de alguma forma a situação política atual no Brasil?  O que eu fiz foi o seguinte: arrebentar com a hegemonia intelectual esquerdista em algumas áreas do país. Isso eu fiz basicamente com dois livros, na verdade, três: “A Nova Era e a Revolução Cultural”, “O Imbecil Coletivo” e “O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota”. Esses três livros provocaram um furor no meio esquerdista, mas nunca foram respondidos à altura. No  mundo, a intelectualidade esquerdista também caiu. Sobraram só dois que pensam, que são David Harvey e o Antonio Negri. Como a intelectualidade brasileira é dependente do exterior, a queda da intelectualidade esquerdista internacional provocou o fim da intelectualidade esquerdista brasileira.
O sr. acredita que exista algum intelectual de esquerda à sua altura no Brasil? Mas nem pensar! Não existe. Não é que não está à altura minha, não está à altura dos meus alunos. A situação é assim, intelectualmente catastrófica. E à medida que a inteligência cai, sobem os maus instintos. A raiva, o nervosismo, o desejo de vingança, todo um quadro de sintomatologia neurótico e até psicótico.
Em quais aspectos o sr. acredita que é mal compreendido pelos críticos? Não tenho nenhum crítico, crítico é o sujeito que examina e analisa as ideias do outro, nunca nenhum cara da esquerda fez isso. O que fazem, como [o jornalista] Gilberto Dimenstein, é pegar frase solta —que ouviu em programa de rádio, olhou no Facebook— mudar o sentido, mudar a construção da frase, para dar sentido imbecil. Não tenho críticos, só difamadores na esquerda brasileira.
O sr. é um crítico do Foro de São Paulo, que reúne partidos e organizações de esquerda. Como vê a Cúpula Conservadora das Américas, criada por representantes da direita latino-americana? Eles estão criando resistência conservadora com 28 anos de atraso. E sem a ajuda da mídia. O Foro de São Paulo jamais teria chegado a existir e crescer sem a cumplicidade da mídia. A começar pela Folha de S.Paulo, que manteve o Foro em segredo por quase 18 anos. Escuta, quando houve na América Latina outra organização que congregasse quase 200 partidos políticos e mais de uma dúzia de chefes de Estado? Isso é um nada? Um clubinho de fim de semana? A mídia inteira acobertou esse imenso crime. A mídia brasileira é criminosa. Todas essas organizações são criminosas.
O sr. considera todo o trabalho da mídia criminoso? Claro que todo o trabalho, não. Existe algum criminoso que na vida só cometa crime? Não faz sentido. O maior criminoso do mundo também toma banho, faz cocô, faz compras para a família, dirige automóvel. Nada disso é criminoso. A Folha também faz coisa que não é criminosa.
Criminalizar a mídia não pode enfraquecer a democracia? Não. Democracia começou a ser praticada agora. Como é possível um país com 60%, 70% de cristãos e conservadores não existir um partido conservador, uma rádio conservadora, um jornal diário conservador, uma universidade conservadora, nada? Todos os canais foram tampados pela esquerda. Acha que isso é democracia? É ridículo. É tirania. Sistema de manipulação. Agora acabou. Agora começamos a ter democracia. Ninguém vai impedir vocês de falar. Se impedissem, eu seria o primeiro a combater. Pode falar o que quiser, agora, tem que ser responsável pelo que diz. Vai instaurar censura? Eu sou 100% contra, combateria censura até o fim.
Como resolver a situação? Aparecerem novos órgãos de mídia, que possam concorrer com esses aí, dar voz a quem nunca teve. A opinião conservadora foi banida. Hoje no Brasil ninguém pode pronunciar a palavra Deus sem ser chamado de fundamentalista ou obscurantista por praticamente toda a mídia.
Qual pode ser o impacto do novo governo no movimento conservador? Provavelmente a destruição desses corruptos, que são os esquerdistas, deve animar um pouco os conservadores, mas eu não sei se isso vai acontecer. Na verdade, em vez de esperar que governo anime os conservadores, são os conservadores que têm obrigação de se reunir para dar apoio ao governo.
O movimento conservador no Brasil falhou? Não sei. Não tenho capacidade para julgar. Negócio está começando, é cedo. Porém, o fato é que ele faz tudo muito atrasado. E às vezes vai com inabilidade, com inexperiência horrível. A direita é a posição majoritária da nação brasileira, e isso foi demonstrado na eleição de maneira mais do que suficiente, mas você não tem uma direita treinada. O pessoal da direita acordou agora. Foi apenas a opinião popular que se manifestou. Mas não tem ainda lideranças suficientes.
Como poderia melhorar? Começa a formar uma intelectualidade capacitada. Depois, talvez, apareça classe política. Mas os acontecimentos se precipitaram e o povo elegeu um governo conservador. Antes de tudo isso. Não temos nenhuma intelectualidade pronta. Para não dizer nenhuma, eu formei aí algumas 15, 20 pessoas. Precisava ter cem vezes mais do que isso. Agora, organização não tem nenhuma. A própria campanha do Bolsonaro foi um caos.
Por que considera que a campanha foi um caos? Eu acompanhei a coisa. Aquilo não tinha coordenação nenhuma. Não tinham dinheiro para fazer campanha. O que aconteceu foi colaboração popular espontânea. Através da internet, WhatsApp, Twitter, sem ganhar nada. Eu mesmo fiz. Vou votar nesse cara, recomendo que façam o mesmo. Eu botei um montão de vezes, milhões de pessoas fizeram isso, e isso foi a campanha Bolsonaro, a primeira campanha popular da nossa história.
Como o sr., que foi um dos primeiros intelectuais a investir na comunicação direta com o público, avalia a estratégia de comunicação da família Bolsonaro com o eleitorado? Tem que ser assim. Se a mídia não nos dá espaço, temos que abrir o nosso próprio espaço. Hoje eu tenho mais leitores do que qualquer órgão da grande mídia no Brasil, através do meu blog e Facebook. Isso é tudo. Se fosse esperar espacinho na mídia, estaria esmolando na porta até hoje.
O presidente não tem espaço na mídia? Agora são obrigados a dar algum espaço. Porém a tempestade de informação que cai em cima dele, dos ministros dele, em cima de mim, como se eu fosse autor do governo Bolsonaro, é uma coisa gigantesca, que mostra a total inconformidade da mídia com um governo de direita.
Como classifica o governo Bolsonaro? Espero que seja governo conservador. O que caracteriza conservadorismo nos lugares onde há uma tradição conservadora? Primeiro economia de livre mercado. Em segundo lugar, a moral judaico-cristã, que aceita grupos minoritários, mas não aceita que ditem normas para a maioria, não pode. Tem espacinho deles lá no canto, mas não queiram mandar na maioria. Como fazem hoje. Terceiro lugar, lei e ordem. A lei existe para ser cumprida e lugar de bandido é na cadeia, ponto final.
Quais seriam esses grupos minoritários querendo ditar normas? Gayzistas, em primeiro lugar. Hoje em dia tornaram obrigatório achar lindo a relação homossexual. Já leu Graciliano Ramos? Certamente não era um reacionário. Em livro de memórias, conta que tinha nojo físico de homossexual. O que pode fazer para controlar isso? Tem que calar a boca? É um criminoso porque sente isso? Não tem direito de sentir? Eu não sinto isso, pessoalmente, sou um anarquista. Não me escandalizo. Se tem emoção que não tenho é escândalo. Pode viver a sua vida sexual do jeito que quiser. Outra coisa é querer impor como valor universal perante o qual todos têm que se ajoelhar.
Quem está impondo como valores? Não se trata de liberdade? A mídia inteira propaga essa mentira idiota de que existe genocídio antigay no Brasil. Quando você vai ver, quantos homicídios de gays tiveram? Duzentos e poucos, cento e poucos. Em país que tem 70 mil homicídios por ano. Provando que o fenômeno não existe, mas continuam a fazer todo mundo se sentir culpado. Você é virtualmente um genocida.
Em 2017, um levantamento realizado por uma organização que defende os direitos dos homossexuais apontou um recorde de mortes por homofobia no Brasil: 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos. Não, não. Lesbocídio já foi totalmente desmascarado, isso é falso. Muitas morreram em tiroteio, outras traficando drogas, outras mortas por suas parceiras que certamente não eram heterossexuais, e assim por diante. E mesmo 400, o que são 400 em lugar com 70 mil por ano.
Não acredita que exista crime motivado por orientação sexual? Pode haver, mas isso é raridade. Evidente que só psicopata fará um negócio desse. Matar um cara porque é homossexual? Pelo amor de Deus! Eles querem dizer que a sociedade é homofóbica. Mas quando vai ver, número de gays mortos por garotos de programa que são eles próprios gays é imenso.
Jair Bolsonaro chegou a afirmar para uma revista que seria incapaz de amar um filho homossexual. O que o sr. pensa dessa declaração? Olha eu nem acredito que ele pense seriamente nisso, ele falou em momento de fraqueza. Sabe como é repórter, provoca, provoca até você dizer enormidade. Já fizeram comigo, quanto mais não vão fazer com ele. Atitude em si é sinceramente absurda. Mesmo que filho tenha todos defeitos do mundo tem que continuar amando.
O sr. defende que a normalidade democrática é a concorrência “efetiva, livre, aberta, legal e ordenada” entre direita e esquerda. Mas em entrevista à Folha, em 2013, afirma que alguns tipos de esquerda “devem ser expulsas da política e dos canais de cultura”. Acredita que o mesmo deve acontecer com alguns setores da direita? Quais? Existem ainda os remanescentes dos tempos dos militares, espécie de direita truculenta. Mas eles não têm expressão cultural. São estudantes, comerciantes da esquina, uns zé manés. Nas manifestações de 2013, 2015, apareceram alguns tipos, mas muito poucos e irrelevantes.
Quais seriam os grupos da direita truculenta? No meio intervencionista, muita gente. Falavam que tinha que matar, começavam com histórias. Claro que são doidos. Não são pessoas que vão realmente matar alguém. Nunca quebraram um nariz de comunista, ficam em casa fazendo homicídios eletrônicos, irrelevantes. Não há periculosidade nessa pessoa. Eu mesmo recebia mensagens. Ficaram loucos da vida comigo quando disse que um golpe militar seria simplesmente impossível, que os militares não o fariam. Até me ameaçaram de morte. Isso foi entre 2013 e 2015.
O sr. afirmou que o novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, tem sido avaliado de forma pueril. Quais ideias e propostas dele o sr. acredita que não estão recebendo o devido destaque? O pessoal diz, ah, pode ter diploma, mas é direitista. É direitista sim, mas é governo de direita. Eles não querem cara que é de direita, não pode ter ministro direitista, governo direitista. Essa é uma ideia pueril. Por isso que a democracia vai ter que aceitar o rodízio de partidos no poder. Ele até o momento, que eu saiba, concentrou a sua atenção no problema da alfabetização. Ele sabe que sistema de alfabetização adotado no Brasil por força da esquerda vai ter que mudar. O método sócio-construtivista só forma analfabetos e provoca até lesão cerebral. Tem que voltar ao velho método fônico, beabá, como era nos anos 60, 70. Tem que voltar já. Não sei como ele vai fazer isso. Esse é um ponto. Se ele fizer isso, salvou o Brasil.
O sr. critica o Escola sem Partido e defende que haja um debate científico que quantifique a hegemonia comunista no ensino antes que sejam tomadas ações. Como fazê-lo, na prática? No começo dos anos 90, sugeri a empresários, instituições militares, instituições de cultura, várias vezes, uma pesquisa vasta sobre a dominação comunista nas universidades e na mídia. Ninguém prestou a menor atenção. Por exemplo, nas universidades, o que tem que ser feito é um recenseamento das teses de mestrado e de doutorado apresentadas nas áreas de filosofia, letras e ciências humanas. Ali já vai ver influência comunista maciça. E ver ao longo dos anos a deterioração na qualidade das teses. Além  do recenseamento, fazer várias técnicas cruzadas, inclusive pesquisa de opinião, de eleitorado, da votação.
O novo ministro apoia o Escola sem Partido. Pretende aconselhá-lo de alguma forma sobre a questão? Eu não saio dando conselho para ninguém, só respondo o que me perguntam. Se o pessoal do Escola sem Partido [entenda a proposta do Escola sem Partido] quiser os meus palpites, eu lhes dou. Se não quiserem, quiserem continuar fazendo do jeito deles, que façam. E ministro também está ali para fazer as coisas do jeito que quiser. Eu não sou desses intelectuais ativistas, assanhados para influenciar o curso das coisas.
Mas nos anos 90 sugeriu a proposta para outros. Por que não agora? Eu não tenho dinheiro para fazer a pesquisa. Precisa de pelo menos 30, 40 pesquisadores para fazer isso, meu Deus do céu. Se pudesse fazer sozinho já teria feito.
Mas acha que não vale nem sugerir isso para o novo ministro? Agora é tarde, porque em primeiro lugar todo o pessoal da esquerda já está alertado e podem simplesmente falsificar os dados. Ainda vale a pena fazer, mas com esse risco.
O sr. diz que “não existe caminho das pedras. O Brasil só pode ser melhorado cérebro por cérebro”. O Brasil precisa acumular experiência. O povo precisa acumular experiência. Por isso sou muito a favor de o governo consultar o povo. Precisamos acabar com história de elite pseudointelectual que acha que sabe tudo. Boa parte está na mídia. Precisamos dar voz ao povo, chance de decidir a sua vida.
A solução seria uma democracia plebiscitária, por exemplo? Não sei se uma solução, mas acho que uma coisa saudável. Não sei se coisa formalmente publicitária como plebiscitária, mas acho, sim, que governo tem que aprender a ouvir o povo. Coisa que nenhum governo fez, absolutamente nenhum. Todos vieram com soluções prontas que interessavam sobretudo ou aos seus partidos ou grupos de interesses econômicos.
O que o sr. pensa sobre educação sexual nas escolas? Quanto mais educação sexual, mais putaria nas escolas. No fim, está ensinando criancinha a dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público. Acham que educação sexual está fazendo bem, mas só está fazendo mal. O Estado não tem que se meter em educação sexual de ninguém.
Como trabalhar nas escolas com a prevenção da gravidez precoce, DSTs e abusos sexuais? Sou professor de matemática e aparece aluna minha grávida. O que eu tenho com isso? A mãe e pai dela que resolvam, meu Deus do céu.
Mas aí não seria matemático ensinando, mas outro professor, como um psicólogo ou educador sexual. Não, educadores sexuais são os piores. Vêm com mil teorias mirabolantes e sempre têm agenda secreta. Estado não tem que se meter na educação sexual de ninguém. Nunca se meteu na minha, graças a Deus nunca me deu uma porra de educação sexual e não me fez falta nenhuma.
O que fazer no caso de famílias disfuncionais, de jovens mais carentes? A sociedade se organiza para isso. Aqui nos Estados Unidos, todo mundo faz trabalho voluntário para alguma entidade. Todo mundo. Para chegar a precisar do governo, só em último caso. Primeiro procura ajuda no bairro dele, na rua, na igreja, nos clubes. Agora, temos que educar a sociedade brasileira para ser solidária, ajudar uns aos outros. Já dizia Santo Agostinho, a base da sociedade humana é o amor ao próximo. Não é sacanear o próximo. Pensam que governo é super-homem, que vai resolver tudo? Não pode, pô. A sociedade que precisa resolver.
Mas ao falar para a sociedade resolver, não estaria sendo um pouco otimista? Não, não espero que isso se faça rapidamente. Sei todas as dificuldades. Mas vejo o seguinte: se vir os defeitos das minhas próprias ações que mudaram totalmente o panorama cultural e político em 20 anos. Se eu que sou zé mané fiz tudo isso, outras pessoas também podem fazer coisas grandes. Pessoas que tenham coragem, lancem grandes projetos, vão em frente, não fiquem esperando o governo fazer.
O sr. conheceu o novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Fraga Araújo, há cerca de um ano, correto? Mais ou menos um ano. Um amigo veio aqui e o trouxe. Era um cara que queria conhecer. Comecei a ler artigos dele no blog, fiquei muito impressionado com a cultura do cara, que vai muito além da média dos diplomatas brasileiros. E da mídia, nem se fala.
O novo chanceler escreveu em um blog que “quer ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista”. Acha que esse é o caminho? Mas é claro, tem que fazer isso amanhã. Esse negócio está ferrando com o mundo, um bando de louco presunçoso. Junta lá 200 banqueiros que acham que porque são cheios de dinheiro são todos gênios e que têm a solução para os problemas do mundo. Se acompanhar ao longo do tempo o diagnóstico que esses caras faziam, e soluções que propunham, vê que são todos idiotas, endinheirados, presunçosos. Nos anos 70, 80, pelo Clube de Roma, tinham uma tese assim: em cinco anos, todas as estradas do mundo estarão congestionadas e não haverá mais trânsito. Portanto nós temos que parar de fabricar automóveis agora. Os caras vêm com essa pseudociência, com estupidez do aquecimento global, do peido da vaca.
O senhor não acredita aquecimento global? Claro que não, nem que exista, quanto mais causado por seres humanos. Há 17 anos não se constata nenhum aumento de temperatura. Como aquecimento global para por 17 anos?
Um levantamento de que aquecimento global pode superar 1,5 grau Celsius até 2040. Acha que não é verdade? Poderia, no futuro. Falo coisas que acontecem, não que podem acontecer. Igual à polêmica que fazem com Bolsonaro. Viu o número de crimes futuros que atribuem ao Bolsonaro? Não crimes passados. Passado é Lula, turma do PT, a imprensa. Inventam que Bolsonaro vai cometer crime no futuro. Aquecimento global não conseguiram provar que existe. O tempo em que se podia confiar nas instituições de ciência já acabou. Nos últimos 30, 40 anos, o que teve de corrupção na área da ciência é uma coisa terrível. Eu, por via das dúvidas, não confio em cientistas com menos de 60 anos.
A Organização Meteorológica Mundial afirmou que 2017 foi, junto com 2015 e 2016, um dos três anos mais quentes desde 1880. Possível que tenha três ou quatro anos mais quentes, mas na curva geral, não há aquecimento global nenhum. A temperatura sobe e desce. Vamos aguardar os anos seguintes para ver o que acontece.
O que podemos esperar da política externa do novo chanceler? Esperar não sei, só desejar. Espero que saiba lidar com problema com devida habilidade. Porque ao sair chutando o pau da barraca e fazendo guerra ao globalismo, você se dana. Tem que ir devagar e com muito cuidado, preservando as parcelas de soberania que nós ainda temos. Tem que aprender a negociar, fazer o que o Trump está fazendo aqui. E insistir mais nas relações bilaterais do que nos acordos multilaterais que amarram o país.
O sr. disse que liberalismo virou extrema direita. O que classifica como extrema direita? Por exemplo, o Ricardo Vélez Rodriguez. Um monte de gente da mídia escreveu que o homem é de extrema direita. Mas ele é um liberal clássico. Como liberal clássico pode ser de extrema direita? Eu  não classifico nada como extrema direita. Acho que negócio de extremo é prova de burrice. As correntes políticas não estão em escala como essa da mecânica dos fluidos. Quando sobe lado, baixa outro. Não é assim.
Como o sr. classificaria Jair Bolsonaro? Ainda não sei. Sei que é um sujeito de alma conservadora. Apegado à moral cristã, à lei e ordem, são elementos conservadores, mais consentimentos conservadores do que ideologia conservadora. Ideologia acho que não tem nenhuma.
Por que não? Não tem doutrina. Ideologia pressupõe sempre uma doutrina organizadíssima, do começo ao fim. O pessoal não sabe o que é ideologia. Uma ideologia é um sistema de pensamento inteiramente coerente do princípio até o fim. É fórmula pronta para ser decorada e aplicada. Isso aí o Bolsonaro não tem. Como eu também não tenho. Temos que nos contentar com as ideologias inventadas e projetadas para cima de nós por vigaristas.
Da FSP

terça-feira, 27 de novembro de 2018

MINISTÉRIO já era, agora é tudo QUARTEL: QUARTEL DA DEFESA, QUARTEL DA SEGURANÇA etc

Mais um: Villas Bôas indica general para assessorar Toffoli no STF

 

O general Ajax Porto Pinheiro será o novo assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A indicação de Ajax para a assessoria foi do comandante do Exército, general Eduardo Villa Bôas, informa a jornalista da Globo, Andréia Sadi.
Fernando Azevedo e Silva, que é o atual assessor do presidente do STF, deixará o cargo para assumir o Ministério da Defesa do futuro governo Jair Bolsonaro.
Além da forte presença no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), os militares conquistaram um novo protagonismo na cena política com a eleição de um grande bancada parlamentares no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas de todo o país.