quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Para críticos, objetivo do Escola sem Partido é reescrever história da ditadura


Agência de Jornalismo Investigativo
 
REPORTAGEM
Para críticos, objetivo do Escola sem Partido é reescrever história da ditadura
Parlamentares e especialistas ligados à educação consideram projeto “estratégico” para governo, que teria como meta impor versão dos militares sobre golpe de 1964 e regime militar

28 de novembro de 2018
Vasconcelo Quadros
Querem “apagar a violência da ditadura”, aponta professor
Livros que contem história real serão “banidos”, diz especialista
“Não querem que se diga que houve mortes e banimento”, afirma senador
Uma das primeiras aparições do deputado Jair Bolsonaro como presidente eleito soou como a leitura de uma ordem do dia nos quartéis e repercutiu como um surto de esquizofrenia nas redes sociais. Com um recado “a toda a garotada do Brasil”, o capitão reformado que governará o Brasil a partir de 1º de janeiro se dirigiu assim aos estudantes do ensino básico: “Vamos filmar o que acontece na sala de aula e vamos divulgar isso daí. Pais, adultos, homens de bem têm o direito de saber o que esses ‘professores’ [aspou a palavra com gestos] ficam fazendo na sala de aula. Entrem em contato com a gente”, exortou Bolsonaro.

O presidente eleito respondia a um estudante do Espírito Santo, João Vítor, que enviou ao seu QG, no Rio, um vídeo em que a professora, irritada por estar sendo gravada sem que consentisse, ameaçava processá-lo. O presidente encerrou a fala com um recado à professora: “Eu tenho uma surpresinha pra ela também. Quero ver ela processar você!”.

A fala de Bolsonaro foi a senha que empurrou o Escola sem Partido para as redes sociais e atingiu em cheio a pauta da Câmara dos Deputados. Como num passe de mágica, a Comissão Especial criada em 2016 para avaliar o tema saiu de longa hibernação e embrenhou-se em intensos e estridentes debates.

Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Jair Bolsonaro durante a audiência pública sobre o Sistema Nacional de Educação que ocorreu em junho de 2016





Jair Bolsonaro durante a audiência pública sobre o Sistema Nacional de Educação que ocorreu em junho de 2016








Embalados pela vitória e ainda no clima de hostilidade pós-eleições, seguidores do presidente eleito emendaram o tom beligerante da campanha pela mobilização, incitando alunos a gravar vídeos ou mandar mensagens por e-mails com denúncias contra professores “marxistas” envolvidos na doutrinação em sala de aula.

Bolsonaro não só estimulou a guerra ideológica como colocou na linha de frente da tropa de choque pela aprovação do projeto o filho Eduardo Bolsonaro (PSL), reeleito deputado federal por São Paulo e famoso por dizer durante a campanha que, para fechar o Supremo Tribunal Federal, bastariam um cabo e um soldado. A ele juntaram-se na comissão o autor do projeto, Erivelton Santana (Patriota-BA), o relator e autor do substitutivo, deputado Flavinho (PSC-SP), e o presidente da Comissão Especial, Marcos Rogério (DEM-RO), para garantir a aprovação, caso a matéria seja votada amanhã.

Em nenhum outro período de transição, o clima foi tão favorável para um presidente eleito decidir questões polêmicas antes da posse. Além da ampla maioria na comissão, a bancada conservadora conseguiu derrubar a indicação do professor Mozart Neves, do Instituto Ayrton Senna, e influir na escolha do futuro ministro da Educação, o professor colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, uma indicação do guru de Bolsonaro e da nova classe conservadora que chega ao poder, o filósofo Olavo de Carvalho.

Vélez Rodríguez tem o perfil que a nova ordem esperava para forçar a guinada pela direita a partir da educação: é entusiasta do projeto Escola sem Partido, crítico ferrenho do marxismo – que considera responsável por “invenções deletérias como a educação de gênero” – e professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército (Emfa), o órgão das Forças Armadas que elaborou e ajudou a executar todo o programa de governo do regime militar.

Plano meticuloso
Tanto empenho do presidente eleito para fazer aprovar um projeto no finalzinho de uma legislatura faz parte de um plano meticuloso na visão de especialistas ouvido pela Pública. Uma vez aprovado, o Escola sem Partido abriria caminho para uma reforma profunda na educação, com a substituição dos conteúdos dos livros didáticos e a implantação de novas regras de acesso à cátedra cujo objetivo seria por em curso uma revisão na história da ditadura (1964-1985), que seria recontada com a inclusão de uma versão mais palatável aos militares.

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Essa é a opinião do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), Heleno Araújo, que vê um claro movimento de Bolsonaro para usar Ministério da Educação como eixo de uma forte guinada pela direita. “Legitimado pelo voto, Jair Bolsonaro tornou-se um perigo para a educação livre. Ele vai querer usar os instrumentos do Estado para subverter ideias e tentar mudar a história. Não tenho dúvida que vão fazer uma triagem no sistema educacional para selecionar o que interessa. Os livros que falarem o que foi realmente a ditadura não serão aprovados. Assim, tentarão fazer o descarte do que não interessa ao novo sistema para colocar no lugar o que querem a direita e o militarismo”, diz Araújo, que acompanha a tramitação do projeto no Congresso.

“Eles querem escola de um partido só, onde prevaleça a vontade deles. Não querem que se diga que houve ditadura, tortura, mortes, banimentos. Tem gente dizendo até que nunca teve escravidão no Brasil e que os africanos que aqui chegaram compraram passagens para viajar nos navios negreiros”, cutuca o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), professor e referência do mundo acadêmico na área da educação.

Para Cristovam, é preciso prestar atenção no que declarou o general Aléssio Ribeiro Souto, assessor de Bolsonaro e membro do grupo que estuda as mudanças na educação, ao anunciar, em entrevistas, que o futuro governo mexerá, sim, no conteúdo do ensino. O general afirmou textualmente que os livros didáticos de história “que não trazem a verdade sobre 1964 têm que ser eliminados das escolas brasileiras”.

Como “verdades” do governo eleito, segundo o general, estão também o salto desenvolvimentista que o país deu no período militar, o chamado “milagre econômico”, e a revisão dos currículos dos professores. Alinhado ao projeto, acha que escola não é lugar para discutir ideologia, religião ou comportamento sexual, tarefas que pela nova ordem, segundo ele, pertencem à família do aluno. Procurado, o general não quis falar.

“Querem apagar a violência praticada pela ditadura apresentando uma nova versão conveniente, sem consultar professores nem alunos. Sabem que as escolas e as universidades, que são bastiões contra o obscurantismo, se oporiam. Por isso querem amordaçá-las, censurando a liberdade de pensamento, para implantar um projeto de partido único”, afirma Yuri Soares, diretor de políticas sociais do Sindicato dos Professores do Distrito Federal.

Um dos fundadores da Universidade de Brasília, o professor Isaac Roitman, avalia que o Escola sem Partido é “um grande equívoco e uma discussão medieval”. É, portanto, segundo ele, conflitante com ambientes escolares, que devem se caracterizar como espaço aberto a todos os tipos de pensamentos e ideologias. “Mais tarde o aluno vai amadurecer o pensamento crítico, sem censura, com confiança e liberdade. O projeto não melhora a vida educacional. O que querem com esse projeto é formatar a próxima geração para que nada mude”, observa Roitman.

“Onde se fez o Escola sem Partido, como na Alemanha e União Soviética, não deu certo. Resultou no surgimento de gerações tristes, insatisfeitas, tão tolhidas em suas liberdades que não aprenderam a pensar”, afirma o senador Cristovam Buarque.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
“Eles querem escola de um partido só, onde prevaleça a vontade deles. Não querem que se diga que houve ditadura, tortura, mortes, banimentos”, afirma o senador Cristovam Buarque (PPS-DF)
Politização pela direita
Aliado de Bolsonaro na Comissão Especial e um dos expoentes da bancada da bíblia, o deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP), ainda assim, consegue enxergar “um ambiente politizado no mau sentido” e diz que a aprovação do projeto é compromisso de campanha do presidente eleito. “Crianças vão para sala de aula para aprender, não para serem politizadas”, afirma o conservador.

Will Shutter/Câmara dos Deputados
O deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP) é aliado de Bolsonaro na Comissão Especial e um dos expoentes da bancada da bíblia
O argumento da “neutralidade” do ensino, porém, não convence nem os adeptos do Escola sem Partido. “Com o Bolsonaro, vamos ter uma onda mais de direita. Pode ser que daqui a quatro anos, em vez de doutrinação de extrema esquerda, tenhamos uma doutrinação de extrema direita, terrível do mesmo jeito”, admitiu o deputado Flavinho num surto de sinceridade. Procurado pela Pública, Flavinho não quis dar entrevista. Prefere falar em lives pela internet.

A expectativa do grupo de Bolsonaro é que o Escola sem Partido deve ser aprovado pela comissão especial amanhã. A bancada evangélica, capitaneada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, quer dar ao presidente eleito o privilégio de sancionar a lei assim que ela passar pelo Senado, no primeiro trimestre do ano que vem.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A bancada evangélica, capitaneada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), quer dar ao presidente eleito o privilégio de sancionar a lei assim que ela passar pelo Senado
Mas os indícios de inconstitucionalidade, de acordo com o que determina o artigo 286 da Constituição de 1988, que garante o ensino plural e liberdade de cátedra, indicam que o projeto pode ser derrubado quando for julgado no Supremo Tribunal Federal, antes do recesso do Judiciário. Relator de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada contra um projeto idêntico, aplicado em Alagoas, que será julgado antes do recesso e terá repercussão geral sobre 66 propostas de lei municipais em cidades de 22 estados e outras 15 estaduais, o ministro Luiz Roberto Barroso não deixa dúvida que o tema é inconstitucional. “A ideia de neutralidade política e ideológica é antagônica à de proteção ao pluralismo de ideias e de concepções pedagógica e a de promoção da tolerância, tal como previsto na Lei de Diretrizes e Bases”, escreveu o ministro no parecer.

Nelson Jr./SCO/STF
Para o ministro Luiz Roberto Barroso o tema é inconstitucional
Barroso critica indiretamente a tentativa de restringir às famílias o controle sobre orientação de gênero, política ou religiosa, como quer o deputado Flavinho no substitutivo: “Os pais não podem pretender limitar o universo informacional de seus filhos ou impor à escola que não vincule qualquer conteúdo com o qual não estejam de acordo”. Segundo o ministro, isso impediria o acesso dos jovens “ao domínio inteiro da vida”, caracterizando, frisa, “evidente violação ao pluralismo e ao seu direito de aprender”.

Bancada evangélica
Inspirado no movimento organizado pelo advogado Miguel Nagib, o Escola sem Partido prega que o professor deve se limitar a ensinar matérias como biologia, matemática, português, mas é a família que deve se responsabilizar pelas bases morais, políticas, sexuais e religiosas dos alunos. Ou seja, ficaria proibido discutir numa sala de aula temas como aborto, gravidez na adolescência ou aids, apesar do caráter epidêmico da doença.

O Projeto de Lei 7.180 deu entrada na Câmara em 2014. Em 2016, já com outras nove propostas apensadas, a Mesa criou a Comissão Especial para tratar do tema, que só ganhou celeridade nos últimos 30 dias, com a eleição de Bolsonaro. A bancada evangélica, que domina a comissão, quer aprovar o projeto na Câmara antes da posse do novo governo.

Valter Campanato/Agência Brasil
A bancada evangélica, que domina a comissão, quer aprovar o projeto na Câmara antes da posse do novo governo
A rapidez com que a matéria passou a tramitar nos últimos 30 dias foi criticada até pelo guru do presidente eleito, o filósofo Olavo de Carvalho. Em vídeo distribuído na internet, ele desautorizou o uso de seu nome e ainda chamou de “burros” os apoiadores de uma eventual mudança que comece pelo Legislativo. Ele disse que o projeto deveria se chamar “Escola sem Censura”, mas que a ideia foi atropelada pela pressa dos apoiadores.

Toda a proposta da Câmara está baseada em reclamações isoladas e genéricas, que chegaram à comissão nos últimos dois anos através de relatos de deputados conservadores, e de e-mails ou vídeos repassados por seguidores de Bolsonaro. No total são cerca de 60 casos, mas a bancada evangélica trata com relevância extrema episódios esparsos dentro de um sistema que, apenas no ensino básico, tem 48,6 milhões de alunos e 2,2 milhões de professores distribuídos em 184,1 mil escolas, conforme o censo de 2017 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

As pesquisas que chegaram à Comissão Especial assustam os conservadores. Por elas, a predominância da “doutrinação ideológica” nas escolas é da esquerda, em cujo campo se situam 84,5% dos professores, entre os quais figuras como Ernesto Che Guevara são vistas positivamente por 86% e Vladimir Lênin por 65%, conforme apontamento do Instituto Census.

Outras reclamações registradas pela comissão estão relacionadas a manifestações em ambientes escolares pedindo o “Fora Temer”, vídeos em que professores se manifestam pelo aborto, mães reclamando da politização, drag queen fazendo dança sensual ao som de Pabllo Vittar e páginas de livros didáticos em que o aluno é instado a falar sobre a gestão de Lula. Há uma única reclamação contra a “doutrinação” da direita: cartazes no Colégio Militar de Salvador convidando Bolsonaro “a salvar essa nação”.

O deputado Flavinho parte do pressuposto de que, em vez de ensinar, a maioria dos professores está contaminada pelo vírus do “marxismo radical” e faz “doutrinação comunista” nas salas de aula. Num dos vídeos que divulgou nas redes sociais, o deputado diz que o objetivo da esquerda é destruir os valores basilares da família e, numa outra via, “comprometendo o futuro dos alunos”, preparar a volta do “salvador da pátria que agora está na cadeia” – referência, é claro, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Deputado Flavinho (PSC – SP) em audiência pública sobre o PL 7.180/14, o projeto de lei da Escola sem Partido
A própria comissão não fez sequer uma pesquisa para identificar quem são e onde estão os “comunistas marxistas doutrinadores”. Os deputados conservadores não escondem que um dos objetivos é desconstruir o método do pensador Paulo Freire para que a direita assuma o controle da cátedra e do conteúdo didático para uma reforma no sistema educacional.

Se for aprovado na Câmara, em votação na Comissão Especial, que tem caráter conclusivo, o projeto segue para o Senado, onde seu destino, pelo menos na legislatura atual, dificilmente será decidido. “Não há a menor chance de ser aprovado no Senado antes da posse do futuro governo”, sustenta Cristovam Buarque.

Marcelo Semer: Terrorismo é fazer lei para punir movimentos sociais

Marcelo Semer: Terrorismo é fazer lei para punir movimentos sociais
Marcelo Semer: Para quem quer alterar a lei, o importante é inserir trabalhadores sem terra ou sem teto na qualidade de terroristas. Foto: MST
POLÍTICA

Marcelo Semer: Terrorismo é fazer lei para punir movimentos sociais


28/11/2018 - 11h24

Terrorismo é fazer lei para punir movimentos sociais
O senador Lasier Martins (PMDB-RS) apresentou proposta para alterações da Lei Anti-Terrorismo, aprovada em março de 2016.
Segundo o senador, que fundamentou o projeto exclusivamente em uma reportagem da Revista VEJA sobre ameaças do Estado Islâmico, alguns vetos da então presidenta Dilma Rousseff teriam tornado a lei praticamente inócua.
Se a intenção do senador era mesmo contornar os vetos (que, aliás, foram mantidos pelo Congresso), deveria ter esperado o início da nova legislatura, em fevereiro, considerando a restrição expressa da reapresentação da matéria rejeitada (art. 67, CF).
Mas a questão formal, em que pese impeditiva, é, na verdade, o menor dos problemas que o projeto apresenta.
A Lei Anti-Terrorismo não ficou praticamente inócua pelos vetos, mas sim pela já conhecida ausência de terrorismo por aqui – o que, aliás, havia sido argumentado contra a votação apressada do projeto em 2016.
E para onde se viram o proponente e seus apoiadores para aumentar a aplicação da lei?
Justamente em direção aos movimentos sociais, intimidando a contestação e esvaziando o pluralismo político que é um dos pilares da nossa democracia.
Na audiência pública em que a Comissão de Constituição e Justiça ouviu representantes do meio jurídico, policial e de movimentos sociais, na semana que passou, tive a oportunidade de apontar os motivos pelos quais entendo que a rejeição deste projeto, na versão original ou com as emendas do senador Magno Malta (PR-ES), não é apenas recomendável, mas imperiosa.
O tempo concedido foi curto para elencar as impropriedades, por isso volto ao tema neste artigo.
Em grande medida, a chantagem para aprovar o projeto original, em 2016, havia se dado sob a alegação de que boa parte dos países do mundo aprovara suas leis contra o terrorismo e era essencial que o Brasil também tivesse a sua, de modo a se inserir na agenda global sem reservas.
Ainda mais diante da proximidade dos Jogos Olímpicos.
O momento atual, todavia, é de contrafluxo dessas legislações que, verdade seja dita, foram brotando nos países a partir do momento em que neles se mostraram necessárias.
Primeiro, os países europeus, que lidam com ameaças há um certo tempo e, mais recentemente, os Estados Unidos, que emergiram para a guerra contra o terror depois do 11 de Setembro.
O momento tem sido mais o de revisar as leis naquilo que significaram de excesso em face do pânico, do que propriamente estendê-las –como exemplos de questionamentos recentes na Alemanha, Canadá e Chile nos indicam.
Recém-aprovada por aqui, certamente é o caso de esperar que a lei seja testada, para que se possa, ao longo do tempo, ir aperfeiçoando-a. Estendê-la, gratuitamente, agora, é mais do que uma bravata. É um ato de provocação.
A questão central do debate que antecedeu a aprovação da lei foi a necessidade de evitar que se pudesse confundir terrorismo com movimento social.
Foi com base nisso que se estipulou a salvaguarda do paragrafo 2º, do art. 2º:
“O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados a propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei.”
Em síntese, o que a salvaguarda aponta, até com certa desnecessidade face a um critério do razoável, que eventuais excessos na ação político-social reivindicatória ou sindical, devam ser punidos pelo Código Penal.
Podem caracterizar crime, mas jamais terrorismo. Qualquer ato típico pode – e deve – ser punido. Mas pelo que realmente ele é, não pelo que gostariam que ele fosse.
Esta é a primeira razão para a desnecessidade das mudanças. Mas há outras.
Não há um só verbo neste projeto de lei que não se inclua em outras proibições: incendiar, explodir, depredar, destruir, tudo, absolutamente tudo, já vem previsto como crime no Código Penal. Tal como a incitação, o favorecimento e a apologia.
E por que não se deve agregar tudo isso como terrorismo?
Quem responde é a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Analisando a legislação chilena empregada para a punição recente de índios mapuches, a CIDH atentou para dois grandes problemas que costumam envolver as leis anti-terrorismo, fissuras na taxatividade (imprecisão do tipo penal) e na proporcionalidade (situações díspares com penas iguais):
“O Direito Internacional e a própria ONU reconhecem a necessidade de que as tipificações e definições internas relativas ao terrorismo não devem ser formulados de maneira imprecisa o que facilita interpretações amplas, com as quais se sancionem condutas que não teriam a gravidade deste tipo de delito”.
Imprecisão, indevida ampliação e desproporção, nada é estranho ao projeto de mudança.
Embora a proposta do senador Lasier Martins se afirme desde a epígrafe com o objetivo de “disciplinar com mais precisão condutas consideradas como atos de terrorismo”, ela faz exatamente o inverso.
Lista verbos que não são tradicionais no direito penal, como forçar, dar guarida ou louvar –e cujos significados amplos não estão assentados na doutrina.
Mescla condutas no mesmo dispositivo que envolvem forma de atos (incendiar ou explodir) com a própria ação (saquear ou destruir).
E, pior dos problemas, a imprecisão e vaguidão têm uma intenção claramente ampliativa.
No caso dos atos de terrorismo contra “meios de transporte” segue-se a ampliação “ou qualquer bem público ou privado”.
Ou seja, não bastasse o generalismo de uma expressão como “qualquer bem público ou privado”, ainda existe uma enorme desproporção entre atentar contra meios de transporte ou qualquer bem privado, seja ele, por exemplo, uma vitrine de loja ou uma lixeira.
A vulgarização do terrorismo pode ter duas consequências: o regime do terror propriamente dito, a possibilidade de o Estado punir com penas exageradamente altas fatos insignificantes ou o simples abandono do tipo pelo seu exagero.
Algo similar, deve-se lembrar, ocorreu com o crime de estupro, quando passou a representar qualquer conduta libidinosa, mesmo sem a violação –em muitos casos, os juízes simplesmente ignoraram ou desclassificavam para a importunação ofensiva ao pudor condutas que mereciam uma classificação diversa.
Enfim, e de todo modo, a primeira vítima dessas operações será a igualdade.
A seletividade penal vai se incumbir de agregar as penas mais severas para os suspeitos de sempre.
Mas há outra questão que a decisão da CIDH ilumina:
“A Corte destaca que os fatos pelos quais foram julgados e condenados [os mapuches] não implicam na afetação da integridade física nem a vida de nenhuma pessoa”.
Pois é exatamente para o quê as alterações propostas se direcionam, para condutas que quase exclusivamente afetam a propriedade.
Como adverte a Corte Interamericana, isto contraria o consenso internacional de que a violência a ser reprimida de forma mais intensa, ou seja, pela lei do terrorismo, atinja principalmente a vida humana. É ela que justifica as penas significativamente mais altas.
Nem se quer dizer que não existam atos de terrorismo dirigidos também à propriedade ou que a propriedade não seja bem que mereça tutela.
O que não faz sentido é esgarçar por completo a democracia pluralista para acrescer tutela à propriedade, sendo que há inúmeras disposições do Código Penal que a garantem.
Aliás, para ser justo, poucos bens jurídicos são tão eficientemente tutelados pelo direito penal do que a propriedade.
A desproporção, no caso, está em aumentar sensivelmente as penas de crimes contra a propriedade, quando, enfim, se trata de atos contestatórios.
Para quem quer alterar a lei, o importante é inserir trabalhadores sem terra ou sem teto, movimentos estudantis ou sindicais na qualidade de terroristas.
Menos porque ponham o Estado, a sociedade ou as pessoas efetivamente em risco. Mas como um petardo ideológico dirigido à eliminação do inimigo – aquele apodrecer na cadeia, contido no último discurso do presidente eleito.
A principal mudança vem relativamente escondida no projeto: acrescer a motivação político-ideológico no inciso que trata sobre o assédio a banco de dados informatizados.
Por óbvio que ficaria sem sentido algum que apenas essa conduta comportasse finalidade político-ideológica.
Por este motivo, o relator senador Magno Malta propôs, para “melhorar a redação” que o fim político-ideológico se aplique a todas as condutas. E ao fazê-lo revela um ato falho, sugerindo a finalidade “político, ideológica ou social”.
Sim, a intenção é efetivamente criar uma lei para nela incluir o movimento social. Por isso, a figura agravada para ações que se realizam com a finalidade “social” – o que é no mínimo um grande contrassenso.
Os atos revestidos de finalidade social são aqueles que pretendem melhorias para a sociedade. Não à toa, o direito penal tradicionalmente reconhece o valor social como uma forma de privilégio (no homicídio) ou atenuante (nos demais crimes).
A bem da verdade, até a finalidade “política” sempre teve uma salvaguarda na legislação.
Não é por outra razão que o crime “político” não gera reincidência. O reconhecimento de que determinado ato ilícito foi por motivação política, portanto, significava um certo abrandamento –inclusive, em razão dos perigos da perseguição pelo poder.
Observe-se que esta circunstância estava inscrita no Código Penal de 1940 (art. 47) e se ampliou com a Nova Parte Geral, de 1984 (art. 64, II).
Curiosamente, nos dois períodos estivemos dentro de regimes de força, no Estado Novo e na ditadura-militar. É no mínimo simbólico que este fortalecimento da legislação sobre o político venha no contexto de um Estado democrático.
A Convenção Interamericana contra o terrorismo procurou distinguir as figuras de terrorismo do crime político.
De um lado assentou no art. 11, que os crimes não serão considerados políticos; de outro, no art. 14, exclui a obrigação dos Estados de atender pedidos com base nesta convenção se tiverem razões fundadas para crer que o pedido foi feito com o fim de processar ou punir uma pessoa por motivos de opinião política.
Ou seja, quer evitar que os crimes de terrorismo sejam tratados como políticos e impedir que os crimes políticos sejam tratados como terrorismo.
Aparentemente, nós pretendemos fazer o inverso: com que uma finalidade político-ideológico, e até mesmo “social”, seja a porta de entrada para a legislação do terrorismo.
É evidente que seja o ato político, ideológico, social ou mesmo comercial, ninguém tem isenção da prática de crimes.
Qualquer explosão, incêndio, depredação que ocorra, existem normais penais aptas a serem aplicadas –a bem da verdade a superposição entre o CP e a LAT tende a produzir mais fumaça do que fogo, inclusive pela ineficácia que se causa quando existem dúvidas quanto a lei a se aplicar.
Basta que promotor e juiz não se entendam e a efetividade de um processo já fica bem prejudicada.
Mas há uma questão mais relevante ainda para a democracia. Um dos atributos, talvez o principal da lei, é o de permitir a punição de atos preparatórios.
Nosso direito penal, de fundo garantista, acolheu a doutrina objetiva de modo que só após o início da execução dos crimes é que as condutas possam ser, em regra, punidas.
Antes, existe a possibilidade de que, na última hora, o agente desista e não leve a empreitada a frente ou aconteça algo que o impossibilite de agir.
No caso da LAT, no entanto, de forma excepcional, os atos preparatórios podem ser punidos.
Isso significa dizer que o movimento social não vai ser vigiado e tutelado caso deprede, exploda ou destrua qualquer bem –basta um certo exercício de previsão para que prisões possam ser decretadas, com base na punibilidade excepcional do ato preparatório.
Ou seja, o movimento social passa a ser ameaçado de ação penal não apenas por praticar condutas que podem incidir nas previsões amplas e vagas da lei; mas também quando se entender que pretenda fazer algo do gênero, mesmo que nem se tenha iniciado a execução.
Em matéria de vigilância, é bom lembrar, já tivemos caso de policiais que saíram a procurar um tal de Bakunin, ouvido em interceptações telefônicas…
Se a criminalização assumidamente do “social” já é por si só um abalo significativo na perspectiva democrática, em dobro é a punição da apologia – envolvendo aí uma intimidação que se direciona não apenas a associação e manifestação dos membros de um grupo, mas de todos aqueles que compartilham dos mesmos ideais.
A proposta vem com os dizeres de “recompensar ou louvar”, cuja imprecisão favorece a ampliação da punição – inclusive por condutas mais simples de redes sociais, como curtir ou compartilhar.
Ameaça para todos, portanto.
Em resumo: ao invés de se integrar à comunidade jurídica internacional com a edição de uma lei anti-terrorismo, se aprovadas essas alterações, o Brasil vai entrar para o folclore do autoritarismo: banalizar a punição de tal modo que se confunda com a punição política e deslegitime o tipo do terrorismo.
Do jeito que estão propondo as mudanças, a lei não vai propriamente combater o terrorismo – ela vai é criá-lo. Estaríamos considerando certas pessoas como terroristas apenas para que a lei possa ser aplicada.
Honestamente, é melhor deixá-la “praticamente inócua”.
*Marcelo é  juiz de Direito e escritor. Mestre em Direito Penal pela USP, é também membro e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

Médicos cubanos são homenageados na despedida


Médicos cubanos são homenageados na despedida

 
Médicos e médicas cubanos do programa Mais Médicos foram homenageados na hora da despedida nesta segunda-feira (26).
Movimentos sociais fizeram um ato de agradecimento aos profissionais que estão deixando o estado do Rio de Janeiro, que vive uma severa crise na atenção primária, com corte de verbas, redução de equipes e ameaças de demissão.
Durante a despedida, foi lido um manifesto assinado pela Associação Cultural José Martí do Rio de Janeiro (ACJM-RJ), Levante Popular da Juventude, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc SN), Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e Comitê Internacional Paz Justiça e Dignidade aos Povos – Capítulo Brasil.
Leia abaixo o manifesto:

“Queridas médicas e queridos médicos de Cuba

É com grande admiração e respeito que viemos aqui prestar esta homenagem a vocês. Agradecemos, em nome do povo do Rio de Janeiro pelo trabalho e dedicação neste período em que vocês estiveram aqui, cuidando das pessoas como se fossem sua própria família. Distantes de seus pais e filhos, compartilharam das durezas que o cotidiano das desigualdades do Brasil pode gerar e ofereceram carinho, cuidado e amor ao povo que mais sofre. Não tenham dúvidas que as pessoas que vocês cuidaram e cativaram reconhecem toda a dedicação de vocês, por mais que as elites tentem negar isso. Como diria Dom Quixote: ‘se os cães ladram, é sinal que avançamos’. E como essa burguesia ladrou. Definitivamente, vocês deixaram uma marca na vida de cada brasileiro e brasileira que conheceram vocês e entraram para a história pelo maior ato de solidariedade que o nosso povo já recebeu.
Gostaríamos que o contexto da despedida fosse outro, que a nossa conjuntura política fosse outra…..mas estas são as asperezas da luta de classes, na qual temos muito a aprender com vocês. Ernesto Che Guevara disse que para escutar o clamor de um povo não é preciso estetoscópio, basta ter coração. Sintam, pois, no coração de cada um de vocês, a mais profunda gratidão por tudo o que fizeram pelo povo brasileiro. Com a certeza de que o futuro nos pertence, esperamos poder reencontrá-los, no dia que a nossa vitória chegar!
Hasta la vistoria siempre ! “
Assista trecho da leitura:
Os médicos cubanos também receberam uma placa da Comissão da Coordenação Estadual do Programa Mais Médicos para o Brasil e do governo do Rio de Janeiro, em agradecimento ao trabalho.
O embarque dos profissionais que trabalharam no estado de São Paulo começaram no último sábado e continuaram nesta segunda-feira (26). Mais de 1400 médicos e médicas trabalharam pelo programa no estado.
À noite, movimentos sociais, organizações de solidariedade e lideranças políticas marcaram presença em ato de despedida no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O criador do Mais Médicos, ex-ministro da saúde no governo Dilma, deputado e médico Alexandre Padilha escreveu em sua página no Facebook: “Obrigado, Cuba. ‬A mão que cuidou de tantas brasileiras e brasileiros é agora a mão que se despede. ‬ Quem sabe, um dia, espero eu, que seja também a mão do reencontro”.
Pelo menos 285 cidades e 36 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) ficaram sem médicos em equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), com a saída de profissionais cubanos.
O levantamento foi realizado pelo Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Fonte: Associação Cultural José Marti/SC e Portal Vermelho.

GRAVÍSSIMO: Líder do PT acusa Judiciário e Ministério Público de complô para matar Lula

Líder do PT acusa Judiciário e Ministério Público de complô para matar Lula

Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (RS) foi à tribuna do plenário nesta terça-feira (27) para denunciar em discurso (veja no vídeo abaixo) a execução de um complô de setores do Ministério Público e do Judiciário com o objetivo de matar o ex-presidente Lula no cárcere onde ele cumpre pena desde 7 de abril, em Curitiba (PR). Para o parlamentar gaúcho, um dos principais defensores de Lula no Congresso, trata-se de uma "prisão política" com objetivos inconfessáveis.
"Não bastam a condenação arbitrária, a prisão solitária e a destruição de seu legado. Querem é a morte de Lula, querem ver Lula morto em Curitiba", discursou Paulo Pimenta.
O deputado acusou procuradores e juízes da Operação Lava Jato, com a cumplicidade de outros setores do Judiciário e do Ministério Público, de terem aceitado participar de um projeto de poder que culminou na eleição do parlamentar de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL). Ainda segundo Paulo Pimenta, a meta principal é "destruir a capacidade física e psicológica do ex-presidente, o maior líder popular da história brasileira".
"Lula tem 73 anos, já passou por um câncer e é vítima de uma perseguição implacável dia a pós dia, para destruí-lo", acrescentou o petista. "Ele é vítima de uma perseguição perversa, odiosa e criminosa. [...] Querem matá-lo, eles não têm limites, pois identificam em Lula a força da resistência do povo brasileiro."
O pronunciamento do líder do PT foi feito antes das votações desta terça-feira (27), quando deputados aprovaram em plenário, por exemplo, um projeto que permite a nomeação de apadrinhados políticos em estatais. Ele aproveitou para anunciar que, nos dias 10 e 11 de dezembro, o Brasil sediará um encontro com personalidades de todo o mundo com o objetivo de "denunciar a condição de preso político de Lula e iniciar uma campanha internacional por sua libertação".
Moro na mira
Paulo Pimenta disse ainda que Lula foi condenado arbitrariamente pelo ex-juiz Sérgio Moro, que deixou a magistratura para fazer parte, como ministro da Justiça, do presidente eleito, principal adversário de Lula e do PT na corrida eleitoral deste ano. Segundo o deputado petista, a condenação de Lula, que teve pena ampliada para 12 anos e um mês de cadeia pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi imposta "à margem das leis e da Constituição Federal, sob vista grossa do Judiciário".
Veja a íntegra do discurso:

O deputado lembrou também que Moro responde a processos disciplinares no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suposto desvio de função e infração à Lei Orgânica da Magistratura. Um dos caso remete ao vazamento da delação premiada feita pelo ex-ministro Antonio Palocci a seis dias do primeiro turno da eleição presidencial. Para Paulo Pimenta, Moro agiu como "cabo eleitoral" de seu "futuro chefe Bolsonaro, num momento em que já sabia que seria ministro no novo governo".
O líder petista lembrou também da "interferência indevida" do ex-juiz federal quando, mesmo em férias, entrou em campo, em pleno domingo, para impedir o cumprimento de uma ordem de soltura de Lula, em julho passado. O deputado também mencionou a viagem que Moro fez ao exterior, "patrocinada por entidade privada" para participar de evento promovido pelo governador eleito de São Paulo, o tucano João Doria – confrontado com a queixa, Moro classificou-a como "bobagem".
"Moro abandonou a toga para fugir da lei", acrescentou Paulo Pimenta.
Denúncia
Outro alvo do líder do PT na Câmara do alto da tribuna do plenário foi uma das denúncias formuladas contra Lula pelo Ministério Público no "braço da Lava Jato em São Paulo". O deputado classificou a denúncia como "absurda" ao tentar imputar ao ex-presidente o crime de tráfico de influência – sete anos depois que Lula deixou o comando do país, acrescentou Paulo Pimenta, o MP tenta transformar em ilegalidade uma doação de empreiteira ao Instituto Lula, cuja cessão de terreno para construção da sede seria pagamento de propina disfarçado.

Paulo Pimenta acompanhou Lula até os últimos instantes de sua liberdade, em 7 de abriLíder petista acompanhou Lula até os últimos instantes de sua liberdade, em 7 de abril - Foto: Twitter / Paulo Pimenta

Nesse ponto do discurso, o deputado ilustrou o que classifica como seletividade contra Lula. Em 2002, recordou Paulo Pimenta, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) promoveu um banquete com grandes empresários em pleno Palácio da Alvorada, ocasião em que arrecadou R$ 18 milhões (valores atualizados), em uma só noite, para erguer o instituto que leva seu nome. FHC jamais foi criminalizado pela benesse, protestou o deputado do PT. "É uma flagrante seletividade!"
Por fim, Paulo Pimenta lembrou que Sérgio Moro negou à defesa de Lula pedido de acesso às doações empresariais feitas aos institutos de Fernando Henrique e de José Sarney (MDB), também contemplado para ajuda na fundação de seu instituto, sob alegação de que o "sigilo fiscal" dos ex-presidentes deveria ser preservado.
"Se [Moro] quisesse fazer justiça, ia ver que as doações ao Instituto Lula obedecem à mesma sistemática de outras entidades semelhantes, inclusive a de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos", bradou o parlamentar gaúcho.

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