quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Chico Buarque se encontra com papa Francisco

Chico Buarque se encontra com papa Francisco

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O papa Francisco recebeu nesta terça (11) o cantor e compositor Chico Buarque, a advogada Carol Proner, o advogado argentino Roberto Carlés e a ativista e escritora italiana Grazia Tuzi.
Eles entregaram ao santo padre um relatório de mil páginas com denúncias de processos do que chamam de “judicialização seletiva da política” na Argentina, no Equador e no Brasil.
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“Não é exagero reconhecer que o ‘lawfare’ [uso da lei na disputa política] se transforma em um dos maiores perigos para a democracia no mundo e não apenas na América Latina”, diz o documento. Proner já tinha sido recebida em agosto pelo papa, quando entregou a ele um livro em que juristas criticam a condenação de Lula.
Da FSP

Ronald Santos: Em torno do SUS, o caminho de luta para resistirmos à onda sombria

Ronald Santos: Em torno do SUS, o caminho de luta para resistirmos à onda sombria
CNS
BLOG DA SAÚDE

Ronald Santos: Em torno do SUS, o caminho de luta para resistirmos à onda sombria


12/12/2018 - 10h56

A luz para esses caminhos é o próprio SUS
A possibilidade de pôr em prática o conjunto das convicções acumuladas ao longo de uma vida de militância foi o fator motivador principal de Ronald dos Santos para assumir a presidência do Conselho  Nacional de Saúde – cargo de que se despede no dia 13 de dezembro de 2018.
No comando da instância máxima do controle social da saúde no Brasil, desfrutou das condições necessárias para experimentar, na prática, em um contexto de extrema turbulência política, as próprias “convicções políticas”, que prezam, acima de tudo, pela gestão participativa.
Nesta entrevista, Ronald faz um balanço do triênio que se encerra e traça um panorama das dificuldades que serão enfrentadas no futuro.
A defesa do Sistema Único de Saúde é a responsabilidade mais urgente – especialmente neste momento de restrição aos direitos sociais.
A mensagem final, todavia, é de otimismo. O SUS sofrerá toda a sorte de ataques, mas não perecerá – porque tem como guardião o próprio povo brasileiro, que não tolera desmonte dos muitos e essenciais serviços hoje oferecidos.
Ronald dos Santos, como foi exercer a presidência do Conselho Nacional de Saúde?
Foi uma experiência pessoal de grande satisfação, porque, embora atravessando um dos períodos mais turbulentos da democracia nacional, pudemos validar um conjunto de valores a respeito do convívio democrático que consegui acumular ao longo do tempo.
Foi de uma satisfação bastante grande, embora desafiador, embora trazendo pessoalmente alguns preços bastante elevados, particularmente os familiares, os pessoais.
Mas, do ponto de vista de realização, a gente conseguiu dar conta de ver se materializando na prática o que é possível tirar do pensamento, das ideias, e colocar na prática do convívio social: um conjunto importante de valores que podem contribuir com o avanço civilizacional, ou barrar quaisquer possíveis retrocessos.
O CNS que você deixa agora certamente é diferente daquele que encontrou há três anos. O que mudou?
A gente conseguiu fazer com que alcançasse um protagonismo maior o conjunto dos atores que participam das instituições ou entidades.
Conseguimos fazer com que a estrutura do controle social brasileiro – não só aqui, no Conselho Nacional de Saúde, mas, também, nos conselhos estaduais, nos conselhos municipais e no conjunto dos diferentes movimentos que têm como atividade econômica a saúde – funcionasse como um espaço importante para dar protagonismo a esses atores.
A consequência foi o reconhecimento do controle social, o reconhecimento do Conselho por diferentes instituições.
Esse reconhecimento é algo inédito na história do controle social?
A gente vem de um processo crescente de reconhecimento e respeito pelas diferentes instituições, mas, nos últimos anos, tanto a academia como o Legislativo, o Judiciário e os próprios movimentos sociais conseguiram ter uma capacidade de interlocução e mobilização bastante superior. Podemos dizer que, hoje, que o CNS é um espaço em que o processo de construção do que ele decide e aponta tem repercussão, tem consequência e participação no processo decisório da gestão da saúde brasileira.
Quais os principais desafios que o CNS enfrentou no último triênio?
O principal desafio foi enfrentar uma ofensiva do ponto de vista da contratação social brasileira.
Nós enfrentamos a ruptura do Estado Democrático de Direito e o rompimento da soberania da vontade popular, somados a um processo de esvaziamento do Estado.
Foi uma ofensiva brutal sobre os preceitos da contratação que estabelecemos em 1988.
Quando nós realizamos nossos eventos tendo como símbolo a própria Constituição, a capa da Constituição, é porque esse conjunto de princípios que nós contratamos, que nós estabelecemos – de um estágio de bem estar social, onde o Estado tem um papel importante, onde há o espírito da solidariedade, onde a construção de um país soberano independente e democrático é a base do processo civilizatório – sofreram o mais brutal ataque da história do nosso país.
E o que esperar do futuro?
Bem, para fechar esse processo, ele respaldado pelas urnas, o que permite, inclusive, ao possível futuro super ministro da economia dizer que tem que acabar com o Estado de bem-estar social, acabar com esse processo social-democrata da contratação social brasileira.
Então, esse processo que nós enfrentamos ao longo desse período de reafirmar a Constituição, reafirmar o Estado Democrático de Direito, reafirmar os direitos sociais, reafirmar os princípios do SUS, os princípios da seguridade social, é um embate que acredito que deva continuar porque ele está mais vivo do que nunca – e do resultado dele, ao fim e ao cabo, dependem milhares de vidas, principalmente de mulheres, negros, crianças e pobres.
Vidas que já estão sendo perdidas?
É isso que mostram os números dos principais indicadores de saúde, como, por exemplo, o aumento da mortalidade infantil e o aumento da mortalidade materna – que são a resultante de quem ganha e quem perde nessa disputa de qual contrato social nós vamos estabelecer.
Esse é o principal desafio que nós buscamos encarar através desse espaço que o próprio povo brasileiro criou, que é o espaço do controle social, para construir certas alianças, construir força técnica, política e social para existir. Esse tem sido o movimento e acredito que deva continuar para cumprir a missão do CNS: proteger vidas.
Por que parte das pessoas que depende do SUS não se dá conta da situação de ameaça que ele vive?
Pela mesma razão pela qual um trabalhador defende o fim dos direitos trabalhistas.
Pela mesma razão pela qual um negro tem a firme convicção de que não existe racismo no Brasil, que racismo é uma invenção.
Pela mesma razão pela qual muitos afirmam que não existe o problema do machismo no Brasil…
Porque, na verdade, essa disputa na sociedade por entendimento, por leitura, é um processo permanente de enfrentamento que a gente tem com uma máquina que está jogando do lado de um Estado mínimo, de um Estado onde o mercado seja o grande e todo poderoso ordenador dos processos.
Qual o interesse do mercado na saúde?
Nós estamos falando de uma atividade econômica que equivale a aproximadamente o PIB do Uruguai, Equador, Paraguai e Bolívia juntos – que é o tamanho da atividade econômica da saúde.
E o mercado faz essa disputa colocando dificuldades e alimentando as expectativas de que o sonho para resolver os problemas da saúde é o povo ter um plano de saúde.
É isso o que você vê no jornal da manhã, no jornal do meio dia, no intervalo dos programas de televisão, no rádio, nos jornais.
É absolutamente justo que o pai de família se preocupe, já que a informação que ele recebe dia e noite diz que esse SUS não funciona e que a solução é o plano de saúde.
É claro e justo que ele queira o plano de saúde para cuidar dos seus. É a resultante dessa disputa que acaba colocando as posições das pessoas, ou da maioria da população, nessa ou naquela frente.
A maior preocupação do brasileiro, que é a maior preocupação de qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, é com a vida, com a saúde.
Se você diz que esse modelo que está aí colocado não dá conta porque só tem problemas – filas, gente nos corredores, falta disso e daquilo – e apresenta como modelo de salvação aqueles comerciais com aquela família linda e feliz com seu plano de saúde, se essa é a verdade vendida, é muito difícil de fazer o enfrentamento e colocar o real quadro dessa atividade econômica.
O SUS corre o risco de deixar de existir?
Eu acredito que a saúde vai ganhar uma dimensão superior na disputa do projeto civilizatório brasileiro.
É importante lembrar que essa pauta da saúde foi, na década de 80, talvez a que mais reuniu força social e política na sociedade brasileira e que conseguiu produzir os principais avanços na Constituição de 1988.
Eu tenho em conta que o SUS vai sofrer os mais severos ataques. Corre um risco bastante grande. Mas, é justamente na função do papel que tem a atividade econômica da saúde que reside a possibilidade de resistir.
Essa onda conservadora, ultraliberal, vem com muita força, mas ela é diferente daquela da década de 60.
Naquela época, o Brasil não tinha vivido a experiência de ter um sistema de garantia de medicamentos na farmácia popular, com mais médicos, com SAMU, com tratamento para Aids, com Atenção Básica, com Saúde da Família…
O povo brasileiro, que não havia vivido essa experiência, mesmo assim, conseguiu, na década de 80, fazer a construção na Constituição da principal reforma do Estado brasileiro…
Ou seja, a saúde pública resistirá…
Eu acredito que o que se apresenta para o futuro vai demandar muita unidade, muita amplitude, muita capacidade de mobilização da inteligência brasileira, da nossa força política e social.
O SUS enfrenta uma grande ameaça, mas está nele também a possibilidade de resistir. Eu vislumbro dias bastante escuros, mas a luz para esses dias é o próprio SUS, seus próprios princípios, e a experiência histórica do povo brasileiro na sua construção.
A gente está falando de milhares de vidas, então, é muito sombrio o que pode estar se apresentando.
Mas eu também acho que é nesse debate que a gente precisa fazer em torno da vida, em torno do SUS, que está a possibilidade de resistir a essa onda.
A 16ª Conferência Nacional de Saúde, em agosto do ano que vem, será uma das primeiras arenas para fazer esse enfrentamento. Muitos temem que, em razão do novo governo, ela não aconteça. O que dizer para essas pessoas?
A 16ª Conferência Nacional de Saúde está acontecendo. Ela vai acontecer.
Essa é uma construção que nós experimentamos no Brasil com institucionalidade ou sem institucionalidade, mas, hoje, mais do que nunca, com a legitimidade e a legalidade da Constituição, das leis complementares e da própria lei orgânica do Sistema Único de Saúde.
Ela vai acontecer e vai ser um espaço importante de resistência em defesa da vida, em defesa da democracia.
Na verdade, ela já está acontecendo, diversos municípios estão fazendo suas etapas preparatórias, diversos Estados já têm suas etapas estaduais marcadas e suas comissões organizadoras estruturadas.
A 16° vai acontecer de qualquer forma, ela já foi convocada e nós temos a convicção de que temos força sobre qualquer circunstância para fazer com que esse tema da saúde mobilize o povo brasileiro com muita força em 2019.

Militares ocupam mais postos em governo Bolsonaro do que em ditadura

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foi diplomado na última segunda (10) (Fátima Meira/Futura Press)
Com os 22 ministérios definidos — e a equipe de ministros devidamente confirmada com sete militares — o presidente Jair Bolsonaro (PSL) torna-se o presidente com a maior quantidade de oficiais das Forças Armadas participando do primeiro escalão do governo, ultrapassando os mandatos exercidos durante o período da ditadura militar.
Os militares que integram o ministério a partir de 2019 são: o tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), os generais da reserva do Exército Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete da Segurança Institucional) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), o almirante Bento Costa de Albuquerque Junior (Minas e Energia), o capitão da reserva do Exército Wagner Rosário (Transparência e CGU) e o ex-capitão Tarcísio Gomes Freitas(Infraestrutura).
Contando com o vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB), e o próprio Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, o governo conta com nove militares na linha de frente.
Ao todo, o novo governo reúne mais oficiais que os governos dos presidentes que atuaram entre abril de 1964 e março de 1985. Em relação ao número de ministérios, a quantidade de indicados por Bolsonaro é igual ou superior aos nomes que ocuparam postos-chave durante o regime militar.
Segundo a Biblioteca da Presidência da República, Humberto Castelo Branco (1964-1967) indicou cinco oficiais, Arthur da Costa e Silva (1967-1969), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979) convocaram sete, e João Figueiredo (1979-1985) teve seis.

MUITO GRAVE: Enquanto você está distraído, golpe desvia dinheiro de tributos para bancos

Enquanto você está distraído, golpe desvia dinheiro de tributos para bancos; em Belo Horizonte, prejuízo já chegou a R$ 70 milhões ; veja vídeo
Foto Wikipedia
DENÚNCIAS

Enquanto você está distraído, golpe desvia dinheiro de tributos para bancos; em Belo Horizonte, prejuízo já chegou a R$ 70 milhões ; veja vídeo


12/12/2018 - 10h46

O vídeo acima explica como funciona a antecipação de receita, que agrada qualquer político: quem perde é o contribuinte!
EMPRÉSTIMO ILEGAL VIABILIZADO PELO PLP 459/2017 VIRA GORJETA PERTO DO EXORBITANTE COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM GARANTIAS PÚBLICAS
Quem ficaria contente de tomar 200 emprestados para ficar devendo 880, sujeitos a atualização monetária mais juros de 1% ao mês mais taxas onerosíssimas???
É disso que trata o PLP 459/2017, “vendido” como um grande negócio pelas instituições financeiras e agentes que irão se apoderar diretamente do fluxo da arrecadação de tributos.
Embora seja até inconstitucional, o esquema denominado “Securitização de Créditos” já está em funcionamento em alguns estados e municípios no Brasil, nos quais tem provocado imensos danos financeiros, econômicos e patrimoniais, comprometendo o orçamento atual e futuro em troca de empréstimo ilegal que utiliza empresa estatal ou fundo financeiro como veículo de passagem para a contratação e pagamento de tal empréstimo.
Apesar de estar dando errado onde já foi implantado, diversos governadores e prefeitos estão iludidos com tal operação e pedem aprovação do inconstitucional PLP 459/2017, que dará ares de legalidade à operação que representa ingresso inicial de quantia que pode ser considerada simples gorjeta, quando comparada ao exorbitante valor que o Estado fica obrigado a entregar para investidores privilegiados.
Temos abordado parlamentares para alertar sobre os imensos danos escondidos no cifrado texto do PLP 459/2017 e já fizemos inclusive interpelação extrajudicial aos líderes de todos os partidos na Câmara dos Deputados, juntamente com importantes entidades como ANFIP, ANDES, FENAFISCO, FENASTC e SINPROFAZ, conforme disponível em www.auditoriacidada.org,br.
À medida em que desmontamos a falsa propaganda que vem cercando esse projeto (como a mentira de que o Estado iria vender créditos podres, por exemplo), novos argumentos vão surgindo.
Alguns parlamentares têm alegado que o modelo de que trata o PLP 459/2017 “não implicaria em garantias por parte do Estado”, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo que ele modifica, o qual diz:
Observe que o referido inciso previne o Estado de assumir garantias perante o cessionário (que é o veículo de passagem para a operação de crédito ilegal e seu respectivo pagamento onerosíssimo, ou seja, a pessoa jurídica de direito privado, empresa estatal, ou fundo público que estão sendo criados para operar esse esquema financeiro, a exemplo da PBH ATIVOS S/A em Belo Horizonte, CPSEC S/A em São Paulo, MGi PARTICIPAÇÕES S/A em Minas Gerais, fundo FECIDAPI no Piauí etc.) ou perante o contribuinte, que continuará devendo o seu tributo ao Estado.
O que o PLP 459/2017 não previne é a concessão de garantias aos investidores privilegiados, como tem ocorrido em todos os lugares onde esse esquema já funciona e que tal projeto visa “dar segurança jurídica”, como consta de sua exposição de motivos original.
A empresa estatal ou fundo utilizados no esquema da “Securitização de Créditos” emitem derivativos financeiros mascarados de “debêntures sênior” com garantia real, ou seja, papéis financeiros com garantia pública estatal, e que pagam juros exorbitantes!
E qual é a garantia dada pelo Estado?
A absurda entrega do fluxo da arrecadação tributária, que passa a ser desviado durante o seu percurso pela rede bancária, como mostra o diagrama a seguir, e, após transitar por “Contas Vinculadas”, vai diretamente para os investidores privilegiados que adquiriram tais “debêntures sênior”:
Assim, antes mesmo de alcançar os cofres públicos, recursos arrecadados de contribuintes são destinados aos investidores privilegiados que adquiriram as debêntures sênior emitidas pela empresa estatal ou fundo, a fim de honrar a garantia real contida em tais papéis.
E mais: ainda que alguns contribuintes (listados no conjunto de créditos tributários cujo fluxo da arrecadação é cedido) deixem de pagar seus débitos para com a Fazenda Pública, os investidores privilegiados irão receber tudo que tinham previsão de receber.
Isso porque a divisão de recursos se dá nas chamadas “Contas Vinculadas”, de tal forma que o que estava previsto repassar aos investidores privilegiados será religiosamente repassado e o Estado ficará com o ônus, devido à garantia real assumida.
Esse é mais um aspecto cifrado do texto do PLP 459/2017 que pode ser considerado uma “pegadinha”, pois induz o leitor a achar que não haveria garantia pública em relação aos contribuintes que deixam de pagar seus débitos.
O que está no texto do inciso IV acima transcrito é que os contribuintes que não pagarem seus débitos continuarão devendo para a Fazenda Pública, obviamente.
Porém, devido à “venda definitiva” do fluxo da arrecadação, cujo valor mirrado o Estado já recebeu antecipadamente, o Estado se compromete a repassar aos investidores privilegiados todo o valor do fluxo da arrecadação que estes tinham expectativa de receber.
Os agentes financeiros que têm seduzido gestores públicos para que “comprem” tal produto e embarquem nesse negócio fraudulento não devem estar explicando detalhadamente o estratosférico comprometimento com garantias reais e a consequente perda de controle da arrecadação tributária…
A entrega do fluxo da arrecadação tributária mediante “contrato de cessão fiduciária” (que corresponde à transferência definitiva da propriedade do fluxo da arrecadação), assim como o desvio dos recursos para “Contas Vinculadas” (que só poderão obedecer ordens dos investidores privilegiados que adquiriram as debêntures sênior) podem ser comprovados documentalmente nos contratos oficiais da PBH ATIVOS S/A, aos quais tivemos acesso durante CPI da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
O “ganho” inicial desse negócio para o Município de Belo Horizonte foi a antecipação de R$ 200 milhões (repassados pela PBH ATIVOS S/A quando esta vendeu R$230 milhões de debêntures sênior para o banco BTG Pactual S/A), porém, o Município cedeu fluxo da arrecadação tributária no montante R$880 milhões acrescidos de IPCA e 1% ao mês!
Essa perda mais de 4 vezes superior ao montante obtido inicialmente na operação de crédito ilegal não é futura, mas começa a acontecer imediatamente, devido à cessão do fluxo da arrecadação, conforme diagrama a seguir:
Em pouco mais de 3 anos, o município já tinha acumulado um prejuízo comprovado por CPI da Câmara Municipal de quase R$ 70 milhões, isto é, sem esse esquema, teria R$ 70 milhões a mais em seu caixa!
Além disso o município arcou com excessivo custo representado por taxas de estruturação e outros ônus, ou seja, em pouco tempo perdeu muito mais que recebeu.
Isso sem considerar a perda que continuou ocorrendo nos próximos anos, pois a cessão de fluxo de arrecadação prosseguirá durante todo o período dos papéis emitidos (respectivamente 7 anos para as debêntures sênior e 9 anos para as debêntures subordinadas).
De quebra, o Estado ainda perde o controle sobre grande parte da arrecadação tributária.
Diante dessa relevante perda comprovada de R$70 milhões, correspondente a mais de 1/3 do valor da antecipação (R$200 milhões), fica evidente a ilusão contida no outro argumento que passou a ser apresentado por alguns parlamentares, de que o Estado irá destinar recursos recebidos via “Securitização de Créditos” para a Previdência.
Ora, irá destinar bem menos do que poderia destinar sem esse esquema!
Como governadores e prefeitos podem estar interessados em negócio que comprovadamente tem provocado graves danos financeiros, econômicos e patrimoniais?
A antecipação de valor que pode ser considerado uma gorjeta perto do comprometimento orçamentário atual e futura não justifica o apoio a esse negócio que, além de fraudulento, é insustentável, pois as taxas de juros oferecidas pelas debêntures emitidas com garantia real são abusivas!
Em Belo Horizonte foram equivalentes a IPCA+11% ao ano; em Minas Gerais e São Paulo ainda mais!
Não é a toa que o rico Estado de Minas Gerais está quebrado: já foram feitas 6 emissões de debêntures com garantia real e um arranjo.
Em todos os casos analisados, o crédito podre só serviu para aumentar a base de cálculo para a cobrança das onerosíssimas taxas de administração!
O que tem sido cedido aos investidores privilegiados é o dinheiro já arrecadado, proveniente de créditos líquidos e certos, portanto, sem risco algum de recebimento.
Por ser totalmente insustentável e onerosíssimo, esse esquema jogará os entes federados em uma verdadeira pirâmide que os obrigará a ceder volumes cada vez mais elevados de seu fluxo de arrecadação tributária e não tributária, como está acontecendo em Minas Gerais onde já ocorreram diversas emissões sucessivas.
Diante disso, apelamos aos governadores e prefeitos para que conheçam melhor os riscos desse esquema e impeçam a sua implementação em seus respectivos entes federados, e apelamos aos deputados e deputadas federais para que REJEITEM O PLP 459/2017.

Procuradores da Fazenda se rebelam contra Guedes

Procuradores da Fazenda se rebelam contra Guedes

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Nem mesmo assumiu o cargo, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, já enfrenta uma rebelião dos procuradores da Fazenda Nacional. Eles ameaçam entregar todos os cargos de chefia e parar o funcionamento do órgão se Guedes nomear o atual diretor do BNDES, Marcelo de Siqueira, para comandar a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, a PGFN é responsável por atuar na cobrança judicial das dívidas que as empresas e pessoas físicas têm com a União.
A PGFN também dá pareceres jurídicos sobre as decisões do Ministério da Fazenda, que será incorporado à nova pasta da Economia. Os procuradores alegam que Siqueira não é funcionário da PGFN e, portanto, não teria nenhum conhecimento da área para comandar o órgão. A categoria compara a escolha de Siqueira como a indicação de um “general do Exercito comandar a Marinha”.
Segundo o Estadão/Broadcast apurou, pelo menos 80 procuradores já anunciaram à equipe de transição que vão deixar o cargo, assim que Guedes confirmar a indicação de Siqueira. O presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), Achiles Frias, disse, porém, que são quase 300 procuradores com cargos em comissão que vão entregar os cargos. Eles prometem partir para o confronto e boicote de Siqueira. No total, são 2100 procuradores em todo o País.
“Assim que Siqueira for nomeado, ninguém vai trabalhar com ele. Não vai ter ninguém para trabalhar com ele”, disse Frias. Segundo ele, todos os procuradores vão entregar os cargos de chefia. “Eles não se sentirão confortáveis para trabalhar com uma pessoa que não sabe o trabalho que nós fazemos”, disse Frias. A categoria não tem restrições a nomes desde que seja um procurador da PGFN, disse.
Frias lembra que depois de um período de crise em 2015, quando dois procuradores caíram em menos de seis meses, a procuradoria entrou numa fase de tranquilidade. O órgão nesse período conseguiu evitar perda de R$ 2 trilhões para a União, segundo o sindicato.
Há praticamente duas décadas, a chefia da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é ocupada por um procurador da Fazenda Nacional (PFN). A categoria vê como um retrocesso uma mudança nessa tradição.
Procurada, a equipe de Guedes não quis comentar. Os procuradores votaram para definir a entrega dos cargos; 86% foram favoráveis ao movimento
Além dos problemas com PGFN, o time de Guedes enfrenta resistências também na Receita Federal. Uma das categorias com maior poder de pressão do governo federal, com mobilizações históricas que impactaram a arrecadação e os despachos aduaneiros em portos e aeroportos, os auditores da Receita não gostaram da decisão de Guedes de colocar o órgão no terceiro escalão, sob o comando de Marcos Cintra, futuro secretario especial de Arrecadação. Há uma preocupação também de perda de influencia na formulação da política tributária, movimento que já foi admitido nos bastidores por integrantes da equipe de Guedes.
O futuro ministro ainda não anunciou o nome do novo secretário da Receita. O atual comandante da Receita, Jorge Rachid, teve reuniões com a equipe de Guedes. Ele foi cotado a permanecer no cargo, mas Guedes avalia outros nomes. Um dos cotados é o secretário adjunto, Paulo Ricardo Cardoso.