quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Sistema Bolsonaro de Televisão vira meme e chega ao Trending Topic do Twitter


27 DE DEZEMBRO DE 2018, 17H21

Sistema Bolsonaro de Televisão vira meme e chega ao Trending Topic do Twitter

O Sistema Bolsonaro de Televisão ganhou as redes após a entrevista fake realizada pela repórter Débora Bergamasco
A entrevista farsesca realizada pela repórter Débora Bergamasco, do SBT, com o motorista e assessor da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, levou a emissora de televisão a ver seu novo apelido, que antes estava restrito a círculos jornalísticos, virar meme e chegar ao trending topic do Twitter Brasil.
Em artigo publicado hoje, o editor da Revista Fórum, Renato Rovai foi um dos primeiros a tratar do tema: “Entre os jornalistas, o SBT já vem sendo chamado de Sistema Bolsonaro de Televisão, tamanha a desfaçatez com a qual a emissora de Silvio Santos aderiu ao novo governo. ”
Entre os que posts que mais bombaram está o do músico Leoni:
O deputado federal Ivan Valente também fez sua postagem com o que alguns vieram a chamar de Rede Bozo:
O fato de Queiroz sequer ter dito o nome do hospital onde teria ficado internado também foi alvo dos tuiteiros:
Até ideia de um programa para concorrer com o Lata Velha, do Luciano Huck, surgiu:

Fabrício Queiroz aparece, mas dúvidas persistem


Fabrício Queiroz aparece, mas dúvidas persistem. Por Adriana Vasconcelos

 
Fabrício Queiroz na entrevista ao SBT
Publicado originalmente no site Os Divergentes
POR ADRIANA VASCONCELOS, jornalista
Finalmente o ex-assessor de Flávio Bolsonaro deu as caras, depois de faltar, conforme ele próprio admitiu em entrevista ao SBT, quatro convites do Ministério Público para explicar as movimentações atípicas registradas pelo Coaf em suas contas bancárias.
Depois de mais de um mês de suspense, Fabrício Queiroz apareceu e rebateu as suspeitas de que o antigo chefe na Alerj e filho do presidente eleito Jair Bolsonaro tenha qualquer envolvimento com suas movimentações bancárias, que somaram R$ 1,2 milhão.
Mas suas explicações, um tanto confusas, estão longe de encerrar o caso.
Orientado por advogados, Queiroz evitou dar detalhes sobre sua ação como “um cara de negócios”, que faz dinheiro. Disse que só esclarecerá ao Ministério Público do Rio os motivos que levaram pelo menos sete colegas de gabinete a fazerem depósitos em sua conta bancária. Deixou no ar que poderiam ser fruto de operações de compra e venda de veículos, um dos negócios que admitiu gostar de fazer.
Reclamou bastante da saúde, que serviu de justificativa para seu não comparecimento às duas últimas convocações do MP para depor, resultado de uma bursite no ombro e de um câncer diagnosticado no intestino. Ambos os problemas, segundo ele, o levarão à mesa de cirurgia em breve. Mas não conseguiu lembrar do nome todo do especialista que o atendeu, nem do hospital no qual foi atendido. “Sou ruim de gravar nomes”, justificou.
A desculpa dada por Queiroz para justificar as transferências de dinheiro da filha Nathalia, também ex-funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro, foi a de que geria os recursos da família para comprar um novo imóvel, depois da separação da ex-mulher. Nathalia chegou a transferir para o pai 99% do valor líquido de seus vencimentos.
A função de Nathalia no gabinete era “cuidar da mídia”, o que, segundo Queiroz, lhe dava flexibilidade de horários e não exigia presença no gabinete. Aliás, o ex-funcionário do filho do presidente revelou que não havia espaço no gabinete para todos os funcionários.
Para que a família Bolsonaro vire a página e afaste totalmente qualquer suspeita de que seria beneficiária de parte dos depósitos feitos nas contas de Queiroz, o ex-funcionário de Flávio Bolsonaro precisará ser mais preciso e convincente perante o Ministério Público do que foi ontem na entrevista ao SBT.

NEM A EQUIPE DE TRANSIÇÃO ACREDITA NA VERSÃO DE QUEIROZ

NEM A EQUIPE DE TRANSIÇÃO ACREDITA NA VERSÃO DE QUEIROZ

Jeferson Miola: Blá-blá-blá do Queiroz no SBT nem de longe é ”bastante plausível”, mas isso é irrelevante para os justiceiros da Lava Jato

Jeferson Miola: Blá-blá-blá do Queiroz no SBT nem de longe é ”bastante plausível”, mas isso é irrelevante para os justiceiros da Lava Jato
Reprodução de vídeo, redes, Roberto Jayme/Ascom/TSE
POLÍTICA

Jeferson Miola: Blá-blá-blá do Queiroz no SBT nem de longe é ”bastante plausível”, mas isso é irrelevante para os justiceiros da Lava Jato


27/12/2018 - 11h35
A farsa continua: Queiroz não apareceu, apenas se pronunciou desde algum esconderijo e não deu nenhuma explicação “bastante plausível”
Queiroz continua sumido, para decepção nacional.
Ele apenas saiu momentaneamente de algum esconderijo onde está sendo guardado a 7 chaves para conceder 1 entrevista arranjada, sob medida, para a emissora SBT que, tudo indica, habilita-se a forte candidata a voz oficial do regime nazi-bolsonarista.
É descabido, tecnicamente falando, chamar de entrevista a performance ensaiada do Queiroz no SBT com exclusividade, sem submeter-se ao escrutínio de toda a imprensa.
Mais grave do que a ofensa ao conjunto da imprensa, todavia, é que a atitude do Queiroz representaria 1 insulto à Lava Jato, ao MP, à PF e ao judiciário, de quem fugiu de depor em 2 ocasiões.
Neste particular, aliás, Queiroz parece-se com seu chefe Jair, que na eleição fugiu dos debates com Haddad como ele, Queiroz, foge da justiça e da polícia.
Isso, entretanto, parece irrelevante para Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e justiceiros da Lava Jato.
Afinal, a Lava Jato, sempre valentona e arbitrária contra Lula e o PT, faz de tudo para safar Queiroz, os Bolsonaro e a extrema-direita.
No falatório no SBT, Queiroz apresentou-se como um sujeito descolado; 1 autêntico carioca malandro.
Ele buscou aparentar tranquilidade, sendo logo desmentido pela auto-comiseração de dizer-se alguém com problemas de saúde, com a “calça caindo” devido a suposto emagrecimento súbito e, também, vitimizando-se como alguém que sofre de moléstias que vão de necessidade de cirurgia num ombro, problemas na urina, passando por tosse forte a câncer maligno no intestino.
É incrível e sui generis o menu de morbidez que subitamente acometeu Queiroz, até semanas atrás animado em pescarias e churrascadas com os Bolsonaro.
Quanto à suposta “cirurgia invasiva” que o impediu de prestar depoimento ao MP pela segunda vez, nenhuma palavra.
Atestado médico – pelo menos por enquanto – nem pensar. E tampouco ocorreu ao SBT perguntar-lhe a respeito.
O blá-blá-blá do Queiroz nem de longe corresponde ao que Flavio Bolsonaro considera ser uma explicação “bastante plausível”.
Queiroz não renegou a amizade com a família. Muito ao contrário, considera-se o maior amigo do clã.
Queiroz não renegou a amizade com a família. Muito ao contrário, considera-se o maior amigo do clã.
Ele se refere ao mandato de Flávio como “nosso gabinete”.
Deixa subentendido que a exoneração em 15/10/2018 [e também a de sua filha “laranjinha” Nathalia do gabinete do Jair no mesmo dia] foi procedimento arranjado [e avisado] para livrar os Bolsonaro da investigação da operação da Lava Jato Onça da Furna no RJ.
Queiroz se empenhou em livrar a cara dos Bolsonaro e rechaçou o apelido de “laranja”, embora não tenha explicado o depósito, na sua conta bancária, em alguns casos, de até 99% do salário de funcionários dos gabinetes dos Bolsonaro.
No mais importante, que é o depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, Queiroz entrou em flagrante contradição.
O COAF apurou depósito de R$ 24 mil na conta da esposa de Jair. Queiroz, contudo, afirma ter efetuado 10 depósitos de R$ 4 mil a título de pagamento de suposto e não documentado empréstimo de R$ 40 mil.
Para explicar a movimentação financeira muito acima do seu salário em apensas 1 ano, Queiroz assim se define: “sou um cara de negócios, faço dinheiro”, e justifica seu espírito empreendedor fazendo trambique de carros.
Recibos, transações no DETRAN, comprovantes de compra e venda etc para sustentar estapafúrdia versão, entretanto, não foram apresentados.
Detalhe: o primeiro amigo dos Bolsonaro trabalha com a família há quase 30 anos, o que supõe que sua atividade de “cara de negócios” e empreendedor arrojado que “faz dinheiro”, seja ainda mais extensa.
A farsa continua. Queiroz não apareceu; ele apenas se pronunciou desde algum esconderijo e não deu nenhuma explicação “bastante plausível”, como alega Flávio Bolsonaro.
A pergunta do samba “Onde está o Queiroz?”, de autoria de Zé Barbosa Júnior continua, portanto, sem resposta.
Afinal, Onde está o Queiroz?

“O Poder Judiciário assumiu um lado”, afirma Afrânio Jardim

“O Poder Judiciário assumiu um lado”, afirma Afrânio Jardim

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Na última semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Tofolli, derrubou a liminar expedida pelo outro ministro da Corte Marco Aurélio Mello. A medida de Tofolli evitou que presos condenados em segunda instância, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pudessem responder em liberdade até o fim de todos os recursos judiciais.
Por conta disso, no dia seguinte à decisão de Tofolli, o jurista Afrânio Silva Jardim, considerado um dos maiores processualistas do Brasil, anunciou que estava se retirando da atividade jurídica. “A minha decepção e desgosto é muito grande. Como lecionar direito com um Supremo Tribunal Federal como este??? Estou me retirando deste ‘mundo’ falso e hipócrita”, afirmou em sua conta no Facebook.
Afrânio atuou por quase 39 anos lecionando direito processual penal e 31 anos no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O professor associado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) conversou com o Brasil de Fato uma semana após sua decisão. Na entrevista, o jurista demonstra sua total decepção e descrença em relação ao Poder Judiciário brasileiro e afirma que o método utilizado pela Operação Lava Jato para o combate à corrupção acabou com o Estado Democrático de Direito. “O Poder Judiciário hoje tem lado. Ideologicamente ele assumiu um lado”, acredita.
Confira a íntegra da entrevista:
Brasil de Fato – Em que momento você decidiu sair do Direito?
Afrânio Silva Jardim – Eu estava planejando me aposentar, até porque estou com 68 anos, no final de 2020. Mas, eu resolvi antecipar para agora. A gota d’água foi as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). No meu entendimento, o STF está julgando muito mal. Está se deixando levar por um ativismo absurdo judicial, com uma visão punitivista incompatível com o que se esperava dos ministros [da Suprema Corte].
Estou decepcionado, desencantado com a importação de aspectos do Direito norte-americano para o Direito brasileiro. Deram ao acordo de delação premiada uma amplitude que não era a prevista em lei. Permitindo que o negociado predomine sobre o legislado, no processo penal também. E isso a Lava Jato fez de forma absurda, com regime de penas não previstas na Lei de Execução Penal. Virou um processo penal negociado, violando nosso sistema tradicional. Virou um monstro. E a palavra-chave em um Estado Democrático é: controle. Controle interno e controle externo. Essas coisas criam um certo desencanto.
Isso é uma subversão do nosso sistema, uma coisa impensável. Perdeu-se o limite da coisa. E eu também verifiquei que talvez dois terços do Ministério Público (MP) e dois terços da magistratura são punitivistas à direita, e isso é decepcionante também. Eu vou ficar em outras trincheiras, sempre participando. Mas aula, corrigir prova e ficar falando em sala de aula coisas que na prática não acontecem …. É até enganar o aluno.
Em um artigo seu, em fevereiro deste ano, você afirma que o MP, a Polícia Federal (PF) e o Poder Judiciário se uniram para combater a corrupção. Quais as consequências disso?
Exagerando um pouco eu poderia dizer que a consequência é acabar com o Estado Democrático de Direito. Porque o Poder Judiciário não foi feito para combater nada. Ele foi feito para, distanciado do fato, preservar a sua imparcialidade e julgar de acordo com o Direito. Resolver os conflitos de forma imparcial, distante. Agora, quando o Poder Judiciário se irmana com a Polícia e com o MP você não tem a quem recorrer. O Poder Judiciário hoje tem lado. Ideologicamente ele assumiu um lado. É o caso do presidente Lula. Ele recorre a quem? O caminho está minado.
Você diria que não tem saída jurídica para o caso do ex-presidente Lula?
Tem que haver. O Lula só vai sair com alvará judicial. Ninguém pensa em tomar de assalto a PF, resgatar o presidente Lula, isso não tem sentido. Mas é uma situação inusitada o que está acontecendo ali. Eu acho que o [presidente do STF, Dias] Toffoli não tinha competência para fazer isso. Ele não é um revisor das decisões monocráticas dos ministros do Supremo. Ele extrapolou e as pessoas sabem disso.
Estamos politicamente segurando o Lula preso por pressão não sei se da mídia tradicional, da classe empresarial, das Forças Armadas ou de todos juntos. O fato é que a situação é absurda. O Direito já não me interessa mais. Tem que haver o Direito, já que uma sociedade sem normas não existe, mas não me interessa mais reproduzi-lo, ensiná-lo, porque a gente acaba legitimando a ordem absolutamente injusta que está aí.
Você diria que o que vivemos hoje é um cenário que vem sendo projetado desde o chamado Caso do Mensalão?
Eu acho que muito começou com aquelas passeatas de 2013. Com a Lava Jato fechando com a Rede Globo e aquela campanha sistemática contra a corrupção, como se descobrissem isso de um dia para o outro, como se isso não fosse uma coisa histórica, endêmica e muito própria das sociedades capitalistas, da ganância, do lucro. Porque os corruptores e empresários estão todos em casa, nas suas mansões, com tornozeleiras, essa é que a verdade.
A Lava Jato poderia combater a corrupção, dentro da lei, sem estardalhaço. Mas o esquema que o [ex-juiz da Lava Jato Sérgio] Moro fez com a TV Globo e com a mídia empresarial, no geral, foi um espetáculo. Isso criou nas passeatas um antagonismo à corrupção, como se a corrupção fosse uma coisa da esquerda. Existia também, mas é uma coisa disseminada, está em todos os partidos. Começa com patrocínio de campanha pelas empresas. Aí começou tudo, em termos de corrupção. A população ficou raivosa, manipulada pela visão punitivista.
A previsão para 2019 é que se agrave o autoritarismo?
Não tenho dúvidas. Seja no plano normativo, na legislação, seja na aplicação com juízes e promotores vinculados à direita, que é aquela visão punitivista, simplista. Eu sempre digo que se o endurecimento da lei penal resolvesse o problema da violência seria fácil. É uma visão ingênua. Ingênua ou de má-fé, não sei.
Como você avalia que este tipo de questionamento, em relação ao autoritarismo judiciário, pode ajudar a mudar as práticas jurídicas brasileiras?
O homem do povo não tem conhecimento em relação a este tipo de denúncia e as vezes até repele isso. A grande mídia fez um trabalho muito competente. Se você fizer hoje uma pesquisa as pessoas são à favor do sistema normativo, são à favor da pena de morte e até de linchamento. A direita ressuscitou o comunismo. Quem mais fala de comunismo hoje é a direita. A verdade é essa. O povo brasileiro não tem instrução.
Você anda na rua, pergunta às pessoas e elas não sabem de nada do que está acontecendo. Presa fácil para essa mídia empresarial. Por isso votaram nele [Jair Bolsonaro], o capitão truculento. A gente tem mania de pensar que todo mundo pensa como a gente, tem as mesmas informações, tem os mesmos interesses em política, na questão social. As pessoas não estão nem aí. As pessoas no Brasil são ignorantes no sentido puro da palavra, ignoram as coisas.
Você disse que vai procurar novas trincheiras. Já tem alguma ideia de quais?
Eu tenho uma ideia de me aproximar mais dos movimentos sociais. Teoricamente, através de textos, eu posso abordar menos a teoria do Direito e mais as questões sociais, mas especificamente o simpático MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra].
Do DCM