terça-feira, 23 de abril de 2019

GILMAR MENDES: ELEIÇÕES DECIDIDAS PELA POLÍCIA, MP OU JUÍZES NÃO É NORMAL E PRECISA SER DENUNCIADA

Condenação de Lula ‘é uma loucura histórica’, diz Celso Bandeira de Mello

Condenação de Lula ‘é uma loucura histórica’, diz Celso Bandeira de Mello

 
O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello
Publicado originalmente na Rede Brasil Atual
Com o julgamento que reduziu a pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 12 anos e um mês para 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pelo caso do tríplex de Guarujá, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) perdeu a chance de fazer história e justiça. A opinião é do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello e do advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco, conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“A prisão do Lula é um absurdo e (os ministros do STJ) perderam a oportunidade de absolvê-lo. A condenação é uma loucura sem prova. Enfim, reduzir a pena é o mínimo diante do que deveria ser feito”, diz Bandeira de Mello. Lula está preso há mais de um ano, desde 7 de abril de 2018.
“O STJ se prendeu a formalismos e filigranas jurídicas, não enfrentou todas as matérias aventadas pela defesa e perdeu a chance histórica de fazer justiça”, afirma Pacheco. “Ao invés de ir ao mérito, ficaram mais atentos a questões formais, como a questão da Súmula 7, por exemplo.”
Segundo a Súmula 7, “a pretensão de simples reexame de prova não justifica a interposição de recurso especial”, informa o site do STJ. “Todas essas falas, ao meu ver, são falas prontas, que poderiam ser colocadas para obstar ao conhecimento a todo e qualquer processo. Eles se apegam a essas formalidades para não enfrentar o cerne verdadeiro da questão”, observa Pacheco.
O criminalista ressalta que não conhece o processo e que novas estratégias cabem aos advogados de defesa de Lula. Mas, em sua opinião, em tese, seria possível contestar a decisão de hoje “em sede de embargos declaração”. Esse recurso serve para sanar omissões, contradições ou obscuridades de uma decisão. “O acórdão de hoje foi omisso ao não se pronunciar sobre a questão da pena. Já há pena cumprida e isso tem que se levado em consideração para fins de progressão de regime”, afirma o advogado.
Além do pedido principal, a anulação da condenação de 12 anos e um mês pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e a liberdade que decorreria dessa anulação, os ministros da Quinta Turma rejeitaram a maioria dos pedidos dos advogados de Lula, entre os quais a prescrição dos crimes ou a argumentação de que o processo deveria ser enviado e julgado pela Justiça Eleitoral.
Para Bandeira de Mello, a manutenção da prisão de Lula é “uma coisa que só seria possível num país onde já não há Poder Judiciário”. O jurista acredita que, no Supremo Tribunal Federal, os rumos da situação de Lula podem mudar.

“Espero mais do STF”

“O STF é um órgão mais qualificado. Espero mais do STF do que do STJ. Temos ainda o julgamento das ADCs (ações declaratórias de constitucionalidade)”, lembra o jurista . “A expectativa agora é o julgamento dessas ações. Eles não podem levar isso muito mais adiante. Até porque o país está numa situação muito estranha.”
Bandeira de Mello se refere ao julgamento das ADCs 43 e 44, relatadas e liberadas para o plenário do Supremo Tribunal Federal no final de 2017 pelo ministro Marco Aurélio Mello. A ministra e então presidente do STF, Cármen Lúcia, se recusou a colocar o julgamento das ações na pauta do Supremo. No início de abril, o novo presidente da Corte, Dias Toffoli, adiou a reunião do pleno que estava marcada para o dia 10.
Pelo Twitter, o juiz Marcelo Semer opinou sobre a conduta do relator do recurso de Lula no STJ, ministro Felix Fischer, que, em novembro de 2018, havia negado o recurso especial do ex-presidente contra a condenação pelo TRF-4. O julgamento de hoje aconteceu depois de a defesa de Lula apresentar novo recurso alegando que Fischer – relator da Lava Jato no tribunal – não poderia ter negado o recurso em decisão monocrática.
“O relator negou seguimento ao recurso monocraticamente; mas na hora de votar o mérito, alterou a pena. Por que não recebeu e processou o recurso especial então?”, questionou Semer.

Deputados do PT defendem absolvição e liberdade de Lula

Deputados do PT defendem absolvição e liberdade de Lula

 
Paulo Pimenta laranjal
O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), e outros integrantes da Bancada afirmaram nesta terça-feira (23) que a redução de pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) não deve ser comemorada e que o partido continua defendendo a tese da nulidade do processo.
A posição da Bancada coincide com a do ex-presidente, que, por intermédio do deputado Emídio de Souza (PT-SP), comentou que o julgamento da quinta turma do STJ no caso do tríplex não diminui a injustiça à qual ele está submetido. Emídio disse que nenhuma pena reduzida é justa para um homem que não cometeu crime algum. “Até aqui não tive direito a um julgamento justo”, comentou Lula, segundo seu advogado.
Segundo Paulo Pimenta, a redução da pena não é um tema a ser comemorado: “A única questão é o reconhecimento da pena exagerada, o que reforça nosso argumento sobre as questões políticas desse processo”, observou o líder do PT. Ele acredita que a defesa de Lula vai agora acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para abordar questões constitucionais.
“Vamos, naturalmente, recorrer ao STF porque há questões constitucionais, como a presunção da inocência, a jurisprudência sobre a dispensa da prova de um ato de ofício, o peso excessivo dado à palavra do delator, essas são questões que o STJ não examinou e nós queremos, no mérito, a declaração da nulidade do processo. É isso que vamos buscar no Supremo”, disse o líder, em entrevista ao O Globo.
No twitter, vários deputados e deputadas trataram do assunto. Carlos Zarattini (PT-SP) escreveu que “é um absurdo o julgamento”, pois Lula deveria ter sido absolvido, já que “não há provas contra ele. Essa redução da pena é boa, mas nós queremos é absolvição de Lula porque ele é inocente.”
Já Carlos Veras (PT-PE) recordou que Lula é um preso político e que a revisão da pena confirmou os “equívocos de Sérgio Moro e do TRF-4”. Mas ele lamentou o fato de o STJ não ter reconhecido a inocência de Lula, condenado por Moro sem provas, com base na surreal acusação de ter praticado “atos indeterminados” para supostamente favorecer uma empresa privada.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) escreveu que “antes de qualquer coisa, não deveria haver qualquer pena para Lula”, um preso político, que tem de “sair desta prisão, mas com sua inocência reconhecida. É isto que o Brasil espera e é isto que Lula merece. Justiça!”
*Com informações do PT na Câmara

STJ é unânime para reduzir pena, e Lula pode sair da prisão ainda neste ano NADA A COMEMORAR!


Defesa se diz surpreendida e pede adiamento de julgamento de Lula

Defesa se diz surpreendida e pede adiamento de julgamento de Lula

 
O advogado Cristiano Zanin Martins, da defesa do ex-presidente Lula, afirma que foi surpreendido com o julgamento do recurso de seu cliente nesta terça (23).
Segundo o defensor do petista, no começo da noite de ontem eles [advogados] estiveram em audiência com o relator do caso, ministro Felix Fisher, e não ficaram sabendo da pauta de hoje.
Com base no princípio da não surpresa, que é um dos pilares da ampla defesa, Zanin poderá pedir o adiamento do exame do recurso que pede a liberdade de Lula.
De acordo com o advogado, a defesa do ex-presidente Lula não foi intimada da realização do julgamento e tampouco recebeu ou qualquer informação nas diligências que realizaram ontem ao longo do dia no Tribunal.
“Houve um comunicado à imprensa no final do dia. Isso não me parece adequado diante da garantia constitucional da ampla defesa e das nossas prerrogativas profissionais”, reclama Cristiano Zanin Martins.

Lula pede para adiar “julgamento-surpresa” no STJ


Lula pede para adiar “julgamento-surpresa” no STJ

A defesa de Lula pediu o adiamento do julgamento de seu recurso contra a sentença do triplex, colocado na pauta da sessão de hoje do Superior Tribunal de Justiça.
O motivo é que os advogados do ex-presidente souberam da data ao mesmo trempo que nós: à noitinha e pela imprensa.
A defesa, tanto quanto a promotoria, tem (ao menos, por enquanto) o direito de falar no julgamento.
Pior, havia solicitado formalmente ser avisada com antecedência sobre quando o caso iria à pauta.
Pior ainda, pedido que havia sido referendado pela Procuradoria Geral da República.
Tudo tem cara de arapuca, inclusive os engodos de acenarem com uma redução de pena.

Defesa de Lula diz não ter sido avisada e pede que STJ adie julgamento

Defesa de Lula diz não ter sido avisada e pede que STJ adie julgamento

Publicado em 23 abril, 2019 9:51 am
Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula, em entrevista coletiva com o DCM. Foto: Reprodução/YouTube
Reportagem de Wálter Nunes na Folha de S.Paulo informa que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz não ter sido avisa previamente sobre o julgamento desta terça-feira (23) de recurso que tenta reverter a condenação no caso do tríplex em Guarujá (SP) e pede o adiamento do julgamento marcado para a tarde desta terça no STJ.
De acordo com a publicação, no final desta segunda-feira (22), advogados de Lula estiveram no gabinete do relator, Felix Fisher, e, segundo os advogados, obtiveram a informação, por volta de 18h30, de que não havia qualquer informação de que o recurso seria julgado na sessão neste terça (23). Souberam sobre o julgamento pela imprensa. “E sem que haja sequer confirmação no andamento do processo disponibilizado no site do tribunal”, disse Zanin. “Nós da defesa do ex-presidente Lula não fomos intimados da realização do julgamento e tampouco recebemos ou qualquer informação nas diligências que realizamos ontem ao longo do dia no Tribunal. Houve um comunicado à imprensa no final do dia. Isso não me parece adequado diante da garantia constitucional da ampla defesa e das nossas prerrogativas profissionais”, diz Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente.
O advogado protocolou no final do dia de segunda-feira uma reclamação na Corte sobre o assunto, completa a Folha.