segunda-feira, 6 de abril de 2020

Os destaques da manhã no 247

Maia diz que assessores de Bolsonaro que atacam o Congresso se comportam como marginais

Decisões judiciais liberam 30 mil presos no país durante pandemia de coronavírus

Guedes defende congelamento de salário de servidores públicos

Ameaça de demissão feita por Bolsonaro tem por alvo Mandetta e Moro

Coronavírus já circula em 397 municípios brasileiros, além das capitais e regiões metropolitanas

Espanha diz que União Europeia pode fracassar na guerra contra o coronavírus

China diz que declarações de Weintraub são ‘absurdas’ e ‘desprezíveis’

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Equipe 247

Agredida pelo governo Bolsonaro, China troca soja brasileira por soja dos Estados Unidos

Agredida pelo governo Bolsonaro, China troca soja brasileira por soja dos Estados Unidos

247 - Governo chinês prepara-se para aumentar as importações de soja dos Estados Unidos e reduzir as do Brasil, como retaliação aos seguidos ataques do governo Bolsonaro ao país durante a crise do coronavírus. Decisão do governo chinês comprova que ataques de Abraham Weintraub e Eduardo Bolsonaro à China atendem apenas aos interesses dos Estados Unidos – e não do Brasil. Com isso, os ruralistas, que ajudaram a colocar Bolsonaro no poder, serão prejudicados porque, na prática, colocaram um governo que serve a interesses internacionais – e não do Brasil.
Segundo o jornalista Nelson de Sá, na Folha de S.Paulo o diário Xin Jing Bao, de Pequim, noticiou no sábado (4) uma coletiva sobre "segurança e suprimento alimentar" de um diretor do ministério chinês da agricultura, convocada porque "muitas pessoas se preocupam que a soja importada do Brasil venha a ser afetada".
Wei Baigang afirmou que "as importações do Brasil não foram afetadas em março", mas que as importações dos EUA devem crescer", agora que "a primeira fase do acordo comercial sino-americano foi implementada".
A China é o principal importador de produtos agrícolas brasileiros. O valor das aquisições pelo país asiático foi US$ 31,01 bilhões em 2019, de acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em sgundo lugar ficaram os Estados Unidos (US$ 7,18 bilhões).
De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, em levantamento que envolveu 13 correspondentes na América Latina, o número de confirmações de coronavírus gira em torno de 30 mil na América Latina, sendo mais de um terço no Brasil, que tem pelo menos 11,2 mil e 489 mortes provocadas pela doença. 
Segundo relato da coluna de Nelson de Sá, O tabloide Huanqiu/Global Times ironizou em título que, em meio à escalada dos números, "Presidente brasileiro convoca jejum para se livrar do pecado". Na rede CCTV, "três epidemias estão para acontecer ao mesmo tempo no Brasil", acrescentando dengue e gripe. 
O fato é que, em meio a uma pandemia global, o governo Jair Bolsonaro ainda consegue arrumar briga com a China, após integrantes da atual administração acusarem o país asiático de esconder informações sobre a covid-19 e de querer dominar o mundo com a doença. 
De acordo com artigo do jornalista Leonardo Attuch, editor do 247, "um dos maiores erros dos analistas políticos no Brasil é dividir o governo Bolsonaro entre uma ala de ministros técnicos, uma ala militar e uma suposta ala formada por ministros 'ideológicos', que teria como principais representantes Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Abraham Weintraub, da Educação – os ministros "olavistas" que seriam protegidos pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que por muito pouco não foi indicado embaixador do Brasil em Washington". 
"Volta e meia, há quem diga que Ernesto Araújo e Abraham Weintraub são 'loucos' ou 'burros'. Nem uma coisa nem outra. Ambos sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem também as consequências de seus atos. Sabem que, no limite, o Brasil poderá sofrer retaliações econômicas da China", diz. "O que interessa à dupla é agradar aos patrões. E ambos sabem que Bolsonaro deve sua eleição ao pesadíssimo esquema de fake news desenvolvido pela extrema-direita estadunidense e por Steve Bannon – um personagem que já declarou que o Brasil é o principal território em disputa por Estados Unidos e China".

China diz que declarações de Weintraub são ‘absurdas’ e ‘desprezíveis’

China diz que declarações de Weintraub são ‘absurdas’ e ‘desprezíveis’

O porta-voz da Embaixada da China no Brasil reagiu às declarações anti-China feitas pelo ministro da Educação Abraham Weintraub
Bandeira da China
Bandeira da China (Foto: Reinaldo)
 
247 - A Embaixada da República Popular da China no Brasil emitiu na madrugada desta segunda-feira nota rechaçando declarações hostis do ministro da Educação do governo Bolsonaro que atribuem o coronavírus ao país asiático. Leia a íntegra:
"Em 5 de abril, o ministro da Educação do Brasil Abraham Weintraub, ignorando a posição defendida pela parte chinesa em diversas gestões, fez declarações difamatórias contra a China em redes sociais, estigmatizando a China ao associar a origem da covid-19 ao país. Deliberadamente elaboradas, tais declarações são completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil. O lado chinês manifesta forte indignação e repúdio a este tipo de atitude", afirma a Embaixada dchinesa. 
"Atualmente - prossegue o documento -, a pandemia da covid-19 está se espalhando globalmente, trazendo um desafio que nenhum país consegue enfrentar sozinho. A maior urgência neste momento é unir todos os países numa proativa cooperação internacional para acabar com a pandemia com a maior brevidade, com vistas a salvaguardar a saúde pública mundial e o bem-estar da Humanidade. A OMS e a  comunidade internacional se opõem explicitamente à associação do vírus a um certo país ou a uma certa região, combatendo a estigmatização sob qualquer pretexto. Instamos que alguns indivíduos do Brasil corrijam imediatamente os seus erros cometidos e parem com acusações infundadas contra a China", finaliza a nota diplomática.

O que está por detrás da proposta de fim do PT

06 DE ABRIL DE 2020, 09H42

O que está por detrás da proposta de fim do PT

Pode ser uma saída por cima das elites. Um novo contrato político para reduzir o poder de Bolsonaro e matar a oposição ao mesmo tempo
Bolsonaro e o comício onde propôs fuzilar "a petralhada" (Foto: Reprodução)
Jabuti não sobe em árvore. Quando você vier a ver ele numa, saiba que alguém o colocou lá.
O processo da procuradoria eleitoral propondo a ilegalidade do PT é um jabuti.
Jabuti, como já dito, nem sobe em árvore e nem nasce na árvore. Quem colocou o jabuti lá?
Há duas hipóteses.
A primeira é ter sido ideia do time carluxo-olavista. Do Bolsonarismo raiz. Que sente necessidade de polarizar com o PT pra ver se rola um bloco do lado de lá pra se animar a continuar com o mito na presidência de fato do país.
Mas pode ser algo pior, como registrou o meu amigo Rodrigo Vianna.
Pode ser uma saída por cima das elites. Um novo contrato político para reduzir o poder de Bolsonaro e matar a oposição ao mesmo tempo.
Globo, Maia e seus liderados no Congresso, Moro, Mandetta, Mourão, e parte significativa das Forças Armadas, lideradas pelo general Braga Neto, junto, claro, com o capital financeiro, a Fiesp e o escambau.
Esse grupão pode estar armando um Bolsonaro do tipo rainha da Inglaterra. Um Bolsonaro pra inglês ver, que vai ficar falando sozinho.
E ao mesmo tempo esse grupão iria para cima da oposição com sede de sangue.
Oposição, amigos, no Brasil (digo país inteiro) é PT.
Ficar com uma picareta na cabeça do petismo, falando em ilegalidade não é algo inútil. Pelo contrário. É algo que pode definir muitas eleições.
Sufocar o partido, aplicando-lhe multas estratosféricas e limitando-o economicamente, mesmo que isso não o leve a cassação, é um jeito de impedir que a oposição exista.
Esse pedido de cassação do PT pela procuradoria eleitoral pode ter esse sentido.
Mesmo que não venha a ilegalizá-lo, interditá-lo. O que é tão grave quanto a ilegalidade formal. Principalmente se junto com isso vier este tal acordão das elites.
PT e geral do campo progressista precisam ficar muito mais atentos do que já estão. Precisam estar espertos. E precisam se unir. Juntar forças pra sobreviver.
Bolsonaro é um dos adversários. Está longe de ser o único. E talvez já não seja o mais preocupante. De qualquer jeito ainda pode reagir.
E, cá entre nós, Bolsonaro tentando impedir um acordão por cima é melhor do que ele aceitando tudo de cabeça baixa. Ao menos explicitaria o racha, o que está por baixo da fantasia colorida de fim da polarização.
Esse discurso de fim da polarização é o maior engodo autoritário. Não ajuda em nada o processo democrático, que é a convivência dos contrários. Que tem por principio aceitar os polos.
É discurso para nos impor o silêncio dos cemitérios. E entregar o país. Muito cuidado com ele.

Abandonada, Paraisópolis se prepara para pandemia

Abandonada, Paraisópolis se prepara para pandemia

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Foto: Reprodução
Quase sem estrutura, os veículos percorrem as vielas para chegar a quem não consegue sair de casa para ir a um posto ou unidade básica.
A fiorino branca trouxe um pouco de esperança para o Roberto, diagnosticado com o coronavírus. “Fui pro hospital às pressas, sem ar, já me colocaram no oxigênio. Então esses médicos estão de parabéns, estão dando assistência de qualidade.”
O Diego Cabral é dono de uma rede de ambulâncias e percebe como o trabalho na comunidade faz diferença nesses tempos de incerteza em relação à pandemia.
“Nós fazemos todo o processo de triagem hospitalar dentro de uma ambulância. As ambulâncias viraram o hospital da comunidade. A sobrecarga dos atendimentos públicos foi toda direcionada para nós.”
Em alguns casos, médicos e enfermeiros vão até as casas no meio da comunidade dar orientações e fazer algum atendimento básico.
Para o presidente da associação de moradores de Paraisópolis, Emerson Barata, a batalha contra o vírus vai ser muito mais difícil para quem é da periferia.
“O trabalho que a gente está fazendo é em um cenário de guerra. Se o Brasil está em guerra, as favelas estão duas ou três vezes a mais. Quando a gente fala de saúde pública na favela é pior ainda. Então a comunidade tem essa preocupação de salvar os moradores.”
A maior preocupação do Roberto agora é com o futuro da família. “Não preocupado por mim, mas pelos meus filhos, pela minha famílias, pessoas que dependem de mim. Eles precisam de mim e eu creio que vou poder ensinar os bons caminhos pra eles.’
A prefeitura de São Paulo dobrou o número de carros de som que andam pelas periferias alertando os moradores para que fiquem em casa. Viaturas da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar também auxiliam nesse trabalho nas favelas.