terça-feira, 7 de abril de 2020

O ANENCÉFALO NAZIFASCISTA: Recalcado, Jair Bolsonaro volta a atacar o ex-presidente Lula

Recalcado, Jair Bolsonaro volta a atacar o ex-presidente Lula

247 - Jair Bolsonaro reagiu nesta terça-feira, 7, com uma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma crítica feita pelo ex-prefeito Fernando Haddad no Twitter. 
Haddad criticou Bolsonaro por não ter força política para demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "Nunca tinha visto um presidente se colocar em situação tão humilhante", disse Haddad.
A imagem divulgada de Lula por Bolsonaro é de quando o ex-presidente estava na condição de preso político em Curitiba e havia sido autorizado pela Justiça a participar do velório do neto Arthur Lula da Silva, de 7 anos, que morreu no dia 1º de março de 2019. Ele foi vítima de meningite meningocócica.
Em outro tuíte, Haddad rebateu ainda a postagem feita por Bolsonaro: "Bolsonaro, sua resposta tem o seu tamanho. Você é minúsculo, como todos haverão de constatar. Seu ministro da Justiça até tentou, mas o cidadão parisiense da foto, doutor honoris causa por dezenas de universidades, jamais se dobrou, mesmo diante da injustiça. Você é só vergonha".
Confira:
View image on Twitter
Fernando Haddad
Bolsonaro, sua resposta tem o seu tamanho. Você é minúsculo, como todos haverão de constatar. Seu ministro da Justiça até tentou, mas o cidadão parisiense da foto, doutor honoris causa por dezenas de universidades, jamais se dobrou, mesmo diante da injustiça. Você é só vergonha.

De olho no petróleo venezuelano, ao invés de combater o coronavírus que já matou milhares de compatriotas

Pelo Mundo

EUA apresentam queixa contra presidente venezuelano Maduro e oferecem recompensa de 15 milhões de dólares pela sua apreensão

 

 
26/03/2020 18:35
(Miraflores Palace/Reuters)
Créditos da foto: (Miraflores Palace/Reuters)
 
Os EUA ofereceram uma série de recompensas por informações sobre cinco oficiais de patente alta do governo do presidente venezuelano Nicolas Maduro, incluindo 15 milhões de dólares pelo próprio Maduro, baseados em acusações de tráfico de drogas, anunciou o secretário de Estado Mike Pompeo em um comunicado oficial nessa quinta.

“O Departamento de Justiça está anunciando o desselamento de uma acusação realizada no Distrito Sul de Nova Iorque contra quatro réus, incluindo Nicolas Maduro, o atual líder da assembléa constituinte da Venezuela, o ex-diretor de inteligência militar e um ex-general de patente alta, pelos seus envolvimentos com narco-terrorismo”, disse Barr.

Geoffrey Berman, advogado geral dos EUA para o Distrito Sul de Nova Iorque adicionou que, pelas acusações, Maduro enfrentará pena mínima de 50 anos ou perpétua na cadeia.

Além de prestar queixa, o Departamento de Estado dos EUA ofereceu uma série de recompensas por informações sobre cinco oficiais de patente alta do governo do presidente venezuelano Nicolas Maduro, incluindo 15 milhões de dólares pelo próprio Maduro.

“O Departamento está oferecendo uma recompensa de até 15 milhões de dólares por informações relacionadas a Nicolas Maduro Moros. O Departamento também está oferecendo recompensas de até 10 milhões de dólares por informações sobre cada um dos quatro oficiais venezuelanos”, de acordo com a declaração.

De acordo com oficiais estadunidenses, Maduro foi o líder de um grupo que traficava cocaína chamado “Cartel dos Sóis” que envolvia políticos e membros do exército e do judiciário venezuelanos.

O anúncio veio logo após o senador dos EUA Marco Rubio anunciar a ação no Twitter.

“Hoje, Nicolas Maduro será indiciado pelo Departamento de Justiça e acusado de narco-terrorismo”, escreveu Rubio no Twitter.

Ao mesmo tempo, o primeiro relatório das condenações foi levantado pela CNN, dizendo que os EUA iriam designar a Venezuela como estado patrocinador do terrorismo e prestar queixas contra o presidente Nicolas Maduro.

É esperado que a designação e as acusações sejam realizadas ainda quinta-feira, enquanto é esperado que o advogado geral dos EUA William Barr faça o anúncio em uma coletiva de imprensa.

*Publicado originalmente em 'Sputnik News' | Tradução de Isabela Palhares

Um exemplo de canalhice jornalística

Um exemplo de canalhice jornalística

 

 
27/03/2020 11:22
(Damon Winter/The New York Times)
Créditos da foto: (Damon Winter/The New York Times)
 
Uma opinião contraditória

por César Locatelli
O título do texto assinado por Thomas L. Friedman, no NYT de 22 de março, estampa: “Um plano para levar a América de volta ao trabalho”. A linha fina diz: “Alguns especialistas dizem que isso pode ser feito em semanas, não meses - e a economia e a saúde pública estão em risco”.

O plano
O plano é basicamente deixar quase todo mundo voltar a levar vida normal, tratar os infectados como se trata para influenza e isolar aqueles mais vulneráveis. Diz o articulista “Uma abordagem cirúrgica vertical se concentraria em proteger e sequestrar aqueles entre nós com maior probabilidade de serem mortos ou sofrerem danos a longo prazo pela exposição à infecção por coronavírus - ou seja, idosos, pessoas com doenças crônicas e imunologicamente comprometidas - enquanto se trataria basicamente o resto da sociedade da maneira como sempre lidamos com ameaças conhecidas como a influenza”.

O título, o subtítulo e esse parágrafo nos levam a concluir que já existe um plano, que o plano é viável, que conhecemos bem o vírus e sua letalidade, que temos os meios necessários. A única dúvida é quanto ao número de semanas para se voltar ao business as usual.

O que falta responder
Pois bem, ao ler o artigo identificamos incertezas e desejos: “precisamos fornecer mais leitos hospitalares, equipamentos de tratamento para quem vai precisar e equipamentos de proteção, como máscaras N95, para médicos e enfermeiras que cuidam de pacientes infectados por vírus. Isso é urgente!”

Como o jornalista afirmou “precisamos de mais…”, fica evidente que não estão disponíveis leitos e equipamentos suficientes. Com quase todos voltando à vida normal, que é o plano proposto, é de se esperar que essas carências se agudizem. A reaproximação social fará com que os casos cresçam exponencialmente. Das poucos coisas que se sabe, uma é o altíssimo poder de contaminação do vírus. Só isso já balança a lógica do plano, mas tem mais.

A letalidade tampouco é conhecida: “Dr. John P.A. Ioannidis… apontou em um ensaio de 17 de março no statnews.com, que ainda não temos uma compreensão firme da taxa de mortalidade de coronavírus em toda a população. Uma análise de algumas das melhores evidências disponíveis atualmente indica que pode ser de 1% e até menor”.

O parágrafo seguinte começa com: "Se essa é a verdadeira taxa…" Ora, a leitura deveria ser interrompida aqui. Se a letalidade não é conhecida de que adianta conjecturar? Corrigindo. Claro que a conjectura tem sua utilidade: passar uma imagem impactante - para ajudar a convencer os leitores de que o plano é ótimo - de um elefante pulando de um penhasco: “trancar o mundo com consequências sociais e financeiras potencialmente tremendas pode ser totalmente irracional. É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando evitar o gato, o elefante acidentalmente pula de um penhasco e morre'', complementa o Dr. Ioannidis.

Como é possível estimar a letalidade se até testes estão em falta? Outro entrevistado, Dr. David L. Katz, confirma que faltam testes, em outra conjectura: "Quando demitimos trabalhadores e faculdades fecham seus dormitórios e mandam todos os estudantes para casa", observou Katz, "jovens de status infeccioso indeterminado estão sendo enviados para casa para se reunir com suas famílias em todo o país. E como nos faltam testes generalizados, eles podem estar portando o vírus e transmitindo-o aos pais de 50 e poucos anos e aos avós de 70 ou 80 anos.''

Claro que ele quer concluir que seria melhor deixar os trabalhadores e os estudantes em plena convivência. Mas o importante aqui é perceber que ele sabe que faltam testes. O que temos até aqui? Um plano para que o convívio social volte à normalidade, mesmo sabendo que faltam leitos e equipamentos para cuidar daqueles com quadros mais graves, mesmo desconhecendo-se a taxa de de letalidade e mesmo sabendo que a falta de testes implica desconhecimento até do número de casos. Mas tem mais.

O Dr. Katz assume, igualmente, que não se sabe a razão de jovens morrerem: “É por isso que também devemos usar esse período de transição de duas semanas (ou mais, se for o que o CDC decidir) para estabelecer por meio da análise de dados os melhores critérios possíveis para diferenciar os especialmente vulneráveis dos demais. Por exemplo, algumas pessoas mais jovens foram mortas por coronavírus. Precisamos entender melhor o porquê. Katz diz que há pesquisas que sugerem que muitos deles também tiveram outras condições médicas crônicas graves, mas isso precisa de mais dados e análises. A determinação de quem exatamente tem em alto risco deve se basear nos dados mais atuais e devem ser rotineiramente atualizados pelas autoridades de saúde pública relevantes.”

Faltam dados e faltam análises, na opinião dele. Não se sabe a razão de jovens terem morrido. Não se sabe exatamente quem são os mais vulneráveis. Poderíamos encerrar o caso, mas tem mais.

Ainda não se tem certeza de que quem se recupera do vírus fica imune. Diz Katz: “também gostaríamos de confirmar cuidadosamente que, depois de se recuperar da Covid-19, você fica imune a obtê-la ou espalhá-la novamente por um período de tempo. A maioria dos especialistas acredita que isso seja verdade, disse Katz, mas houve alguns relatos de reinfecção, e o assunto não está resolvido.”

Correndo o risco de ser repetitivo, o que extraímos deste texto até aqui? Ele revela um plano para abolir o confinamento geral e restringir a distância social àqueles mais vulneráveis. Sabe-se que não há testes suficientes, assim, não se tem conhecimento com razoável precisão do número de casos, tampouco se tem segurança da taxa de letalidade. Sabe-se que não há leitos nem equipamentos suficientes para dar conta de um plano que certamente multiplicará os casos de infecção. Sabe-se que há casos fatais em jovens, mas desconhece-se a razão, o que implica impossibilidade de estabelecer com alguma segurança o grupo vulnerável. Não se sabe se aqueles que tiveram a infecção e se recuperaram tornaram-se imunes e deixam de transmitir o vírus.

A atitude do repórter frente ao que apurou
O jornalista não teme criticar a solução de distanciamento social, adotada até agora em inúmeros países. Não teme revelar sua própria avaliação e dizer que uma ideia é boa ou ruim. Não teme usar argumentos demagógicos para sensibilizar o leitor e se colocar como um mero mensageiro: “Eu não sou um médico especialista. Sou apenas um repórter - que teme por seus entes queridos, por seus vizinhos e por de pessoas de todos os lugares, tanto quanto por qualquer pessoa”.

Ele rasga elogios ao plano cirúrgico horizontal do Dr. Katz: “Uma das melhores ideias com que me deparei foi oferecida pelo Dr. David L. Katz, diretor fundador do Centro de Pesquisa em Prevenção de Yale-Griffin. E prossegue: “A abordagem de Katz é sóbria e esperançosa”.

Interessante dizer que não é médico, mas um reles repórter, e ter capacidade de avaliar o plano como “uma da melhores ideias com que me deparei” e, ainda, que a abordagem é “sóbria e esperançosa”

Embora deixe clara sua posição contrária ao isolamento completo em curso e seu apoio ao plano de volta rápida ao trabalho, ele ressalta a nobreza de sua atitude: “Eu as [as ideias] compartilho porque tenho certeza de que precisamos ampliar o debate - tenho certeza de que precisamos de menos mentalidade de rebanho e mais imunidade de rebanho - ao aceitarmos nossa escolha infernal.”

Opa, imunidade de rebanho era a solução do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, que foi demovido rapidamente da ideia e testou positivo para coronavírus. Mas nosso jornalista sabe que precisamos de mais imunidade de rebanho, sem saber se quem é infectado e se recupera cria imunidade. Que primor!

O auge da demagogia
O pior está no final do texto: “Ou deixamos muitos de nós pegar o coronavírus, recuperar e voltar ao trabalho - enquanto fazemos todo o possível para proteger os mais vulneráveis de serem mortos por ele. Ou então, paramos por meses para tentar salvar todo mundo desse vírus - independentemente do seu perfil de risco - e matamos muitas pessoas por outros meios, matamos nossa economia e talvez matemos nosso futuro”.

“Matamos muitas pessoas por outros meios, matamos nossa economia e talvez matemos nosso futuro.” Um final canalha, de um texto canalha…

Puxa, quase que me esqueço que o título do artigo, em inglês, é “A Plan to Get America Back to Work, de autoria jornalista é o Sr. Thomas L. Friedman e o jornal é The New York Tmes de 22 de março de 2020.

MAIS UMA CAFAJESTADA DO ANENCÉFALO:Bolsonaro posta foto de Lula no velório do neto para provocar Haddad

07 DE ABRIL DE 2020, 17H35

Bolsonaro posta foto de Lula no velório do neto para provocar Haddad

Capitão da reserva recorreu a Lula para responder crítica de Haddad e levou invertida de internautas; "Vai trabalhar, vagabundo!"
Reprodução/Twitter
O presidente Jair Bolsonaro, como de costume, segue faltando com decoro ao fazer provocações e inflar brigas nas redes sociais. Nesta terça-feira (7) o capitão da reserva postou em seu Twitter uma foto do ex-presidente Lula no velório de seu neto Arthur, que morreu aos 7 anos em março do ano passado.
À época, Lula ainda estava preso e foi ao velório escoltado por policiais. Na foto postada por Bolsonaro, o ex-presidente aparece com um semblante visivelmente triste e abatido.
Sem escrever nenhuma legenda, Bolsonaro postou a foto para responder a uma crítica de Fernando Haddad (PT), que nesta segunda-feira (6) havia afirmado que “nunca tinha visto um presidente em situação tão humilhante”, em referência à falta de comando de Bolsonaro por decidir demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e, depois, pressionado, voltar atrás.
O tuíte de Bolsonaro recebeu alguns comentários positivos de apoiadores, mas também foi bastante criticado. “Vai trabalhar, vagabundo”, postou um internauta. “Não esquece o Lula nem em meio a pandemia”, tuitou outra usuária da rede social.
Sentiu
Essa já é a segunda vez em uma semana que Bolsonaro se incomoda com uma crítica de Haddad.
Na última terça-feira (31), o capitão da reserva postou uma foto para “provar” que ganhou a eleição após Haddad afirmar que Bolsonaro “não é mais presidente.

A urgência de medidas econômicas anticíclicas para se lidar com a pandemia do Coronavírus

Economia Política

A urgência de medidas econômicas anticíclicas para se lidar com a pandemia do Coronavírus

 

 
27/03/2020 15:17
(Reprodução/Facebook/Associação Brasileira de Economistas pela Democracia)
Créditos da foto: (Reprodução/Facebook/Associação Brasileira de Economistas pela Democracia)
 
O Brasil atravessa um dos períodos mais delicados de sua história econômica, social e política recente. O país se vê obrigado a tomar decisões cruciais em condições especialmente difíceis em razão do avanço da pandemia e da fragilidade do quadro político-institucional. De um lado, o baixo crescimento econômico dos últimos anos, associado a reformas conservadoras que tornaram precárias as relações de trabalho e reduziram os benefícios sociais, agravou a desigualdade e a pobreza no país. De outro, a condução política do presidente da república compromete a adoção de respostas eficazes às crises sanitária e econômica e causa medo e espanto.

O Medo decorre do seu patente despreparo para governar em qualquer cenário, e o espanto pela constatação, mais uma vez, da cegueira ideológica da sua atual equipe econômica que se recusa, mesmo diante dos fatos, a tomar as medidas devidas para aliviar o impacto da crise sobre a atividade econômica e a vida da população mais vulnerável. O desafio colocado ao país exige posturas e atitudes responsáveis de todos. Em especial daqueles que comandam o Estado, que devem atuar com agilidade, de forma clara e decidida, coordenando os esforços da sociedade e aportando os recursos que se façam necessários.

Não é isso, contudo, o que temos visto. No meio de uma das maiores crises econômicas e humanitárias da história, o governo anunciou apenas um conjunto vago de medidas, que são claramente insuficientes. Mais ainda, continua insistindo em reformas totalmente incapazes de reduzir os prejuízos iminentes da população cujos efeitos, ao contrário, como na famigerada PEC 186/2019, tendem a aumentar o quadro recessivo do país. Ao mesmo tempo, a equipe econômica insiste em implementar ações que favorecem aos bancos, mas cujas únicas consequências serão o aumento da liquidez empoçada e o barateamento dos custos dos recursos utilizados nos empréstimos. Não se exige, em complemento, nenhuma contrapartida em termos de redução das taxas de juros. Ou seja, sob o pretexto de combater a crise, aumentam a lucratividade do sistema financeiro, permitindo que este, inclusive, reduza seu volume de operações sem perda da rentabilidade auferida.

Em contraste com a postura tímida e insensível, quando não diretamente nociva do governo, a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED) propõe, além do direcionamento urgente e massivo de recursos para as ações de saúde pública, a adoção das seguintes medidas emergenciais para enfrentar o acirramento da crise econômica e social:

1. Instituir programa de renda básica universal no valor de um salário mínimo mensal, para atendimento emergencial dos trabalhadores informais e desempregados em decorrência da crise da pandemia, sem prejuízo da manutenção do seguro desemprego;

2. Ampliar o valor do bolsa família em 20%, assegurando pleno atendimento aos cadastrados no programa;

3. Instituir mecanismos de controle cambial, de forma a evitar a desenfreada evasão de divisas e garantir a permanência de um valor substantivo de reservas internacionais;

4. Instituir o Imposto sobre Grandes Fortunas, destinando seus recursos para cobrir despesas crescentes relacionadas ao controle da pandemia;

5. Instituir imposto sobre lucros dos bancos;

6. Utilizar os bancos públicos para assegurar linhas de crédito de capital de giro sem juros para pequenas e médias empresas, utilizando os recursos recentemente liberados dos depósitos compulsórios e, se necessário, complementá-los com outros recursos federais de origem fiscal;

7. Ampliar os investimentos públicos, sobretudo em infraestrutura e energia, a fim de mobilizar recursos produtivos ociosos em decorrência da crise;

8. Realizar programa amplo de investimentos em habitação popular, saneamento e saúde pública para atender a totalidade da população brasileira em prazo definido, com a mobilização de recursos públicos e privados;

9. Retomar a atuação do BNDES e dos Bancos de Desenvolvimento Regionais como indutores e agentes financiadores de investimentos em formação de capital fixo e ampliar a atuação da FINEP, da EMBRAPI e das Fundações estaduais de Amparo à Pesquisa como agentes financiadores de investimentos em inovação;

10. Revogação imediata da chamada “lei do teto” (Emenda Constitucional 95) dos dispositivos constitucionais;

11. Suspender a tramitação da chamada “PEC emergencial” e das demais medidas que determinam fortes restrições ao combate à pandemia e à recuperação da economia brasileira.

Essas medidas exigem a mobilização por parte do Estado de um grande volume de recursos financeiros que, neste momento, só podem ser legalmente obtidos por meio da aceitação de exceções às regras do arcabouço fiscal vigente no país, o que é permitido pela situação de calamidade pública. Adicionalmente, cabe considerar que os impactos negativos do Coronavírus certamente se farão sentir nos próximos anos. E, para enfrentar tais impactos, acreditamos que duas medidas estruturais serão absolutamente necessárias:

1. Uma reformulação do atual arcabouço normativo fiscal, composto pela meta anual de resultado primário, pelo teto de gastos e pela regra de ouro, que aprofunda o ciclo recessivo e obriga o governo a cortar investimentos no meio da crise ao invés de ampliá-los. Dessa forma esse arcabouço impede a expansão dos gastos necessários para atender uma população que cresce, envelhece e aumenta suas necessidades, ainda que ela esteja disposta a pagar por isso por meio de uma tributação progressiva;

2. Uma reforma tributária que aumente a parcela dos impostos sobre a renda e a propriedade e reduza a parcela drasticamente a parcela da tributação indireta, tornando o sistema mais progressivo e simplificando a tributação.

Reunindo economistas de todo o país que lutam por uma nação mais igual, justa e democrática, a ABED propõe as medidas acima e ressalta a importância de que as demais entidades do campo democrático juntem forças para o enfrentar as imensas adversidades que caracterizam a atual conjuntura.