terça-feira, 14 de abril de 2020

Governo Bolsonaro é “aliado do coronavírus e inimigo do Brasil”, diz Márcio Jerry

14 DE ABRIL DE 2020, 11H17

Governo Bolsonaro é “aliado do coronavírus e inimigo do Brasil”, diz Márcio Jerry

Vice-líder do PCdoB afirmou que, diante da pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro conseguiu deteriorar ainda mais sua base de apoio no Congresso Nacional
Márcio Jerry (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Em entrevista à Fórum na noite da segunda-feira (13), o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA) afirmou que, diante da pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro conseguiu deteriorar ainda mais sua base de apoio no Congresso Nacional. Ao lado do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), os parlamentares falaram ao programa Fórum Debate sobre a tentativa do presidente de reaproximar do Centrão em meio ao desgaste com os presidentes da Câmara e do Senado.
“O presidente Bolsonaro consegue ficar contra o Brasil. No momento em que precisamos, todos nós, de união, em que temos um inimigo comum, letal, perigoso e invisível, o presidente se mostra um aliado do vírus. Todos os dias comete um desatino com uma situação tão grave do ponto de vista sanitário, social e econômico”, comentou o deputado maranhense.
Como exemplo da postura de rivalidade imposta pelo presidente, Jerry citou o que ocorreu na votação do Projeto de Lei Complementar 149/19, aprovado pela Câmara, que busca compensar estados, Distrito Federal e municípios pela queda de arrecadação do ICMS e do ISS em razão da pandemia da Covid-19.
“Inacreditavelmente o líder do governo Bolsonaro encaminhou contra a aprovação do Projeto. É um governo aliado do coronavírus e inimigo do Brasil. As medidas aprovadas no Congresso Nacional são essenciais para diminuir os efeitos graves da pandemia”, disse, referindo-se ao deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO), que sinalizou que Bolsonaro vetará a proposta.
De acordo com os congressistas, tem sido considerável o esforço do Congresso Nacional em se responsabilizar com a situação imposta pela pandemia, independente de posicionamentos políticos. Para os parlamentares, enquanto Senado e Câmara pregam a suplantação das diferenças para enfrentar o momento, o presidente segue o caminho contrário, piorando uma relação que já estava deteriorada.
“Estamos vivendo uma situação de absoluta emergência. Por conta da crise sanitária, em primeiro lugar, e da crise econômica, decorrente da paralisação das atividades econômicas, exatamente para evitar uma epidemia tão mortal, como ela é capaz de ser. O Governo Bolsonaro parece que deseja uma situação de caos. Ele deseja que, de fato, aumente a epidemia, atinja mais pessoas, morra mais gente. Ele não se conforma em ver que as medidas sanitárias sejam adotadas e, ao mesmo tempo, faz de tudo para que as medidas econômicas que garantam à população as condições de ficar em casa, se protegendo, não sejam tomadas”, apontou Zarattini.
Os dois parlamentares ainda citaram como alerta da hostilidade presidencial a votação do auxílio emergencial, no valor de R$ 600, aprovado pelo Congresso no fim de março, mas só sancionado e pago aos mais carentes cerca de 10 dias depois.
“O Governo não quer tomar as medidas efetivas para tirar o país da crise. A Câmara já entendeu isso e teve que criar uma espécie de ‘comitê de salvação nacional’ e os vários partidos já entenderam que a atuação da Câmara tem de ser a de salvação do país para impedir o caos social e econômico”, complementou o deputado paulista.

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Carta Capital

Terça-feira, 14 de Abril de 2020
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Braga Netto conhece as milícias do Rio e sabe o que os Bolsonaro fizeram no verão passado

Braga Netto conhece as milícias do Rio e sabe o que os Bolsonaro fizeram no verão passado

"Braga Netto provavelmente também sabe tudo a respeito de Ronnie Lessa, quem compartilhava vizinhança com Carlos e Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, e quem é suspeito de tráfico internacional de armas e está em prisão preventiva, acusado do assassinato de Marielle e Anderson", diz o colunista Jeferson Miola sobre o jogo de chantagens que cerca o governo
(Foto: Isac Nóbrega - PR)
 
O repórter do jornal Zero Hora Humberto Trezzi fez uma reportagem semi-biográfica e elogiosa ao general Braga Netto, que é tratado no título da matéria como “o novo conciliador do Planalto” [aqui].
Trezzi destaca o papel do general na administração da crise derivada da conspiração fracassada do Onyx Lorenzoni e do Osmar Terra para derrubar o ministro Luiz Mandetta.
O repórter afirma que Mandetta não procurou nem os conspiradores nem Bolsonaro para se queixar do ataque, mas recorreu a um dos integrantes da junta militar que comanda o governo, o general Braga Netto.
Para o repórter, o apaziguamento momentâneo foi “mais uma vitória de Braga Netto, o novo oráculo do Planalto. Mineiro, ouve muito e fala pouco”.
Braga Netto “abraçou com fervor a nova missão: colocar ‘ordem na casa’, nas palavras de Mourão”, discorre Trezzi.
Na reportagem, um nostálgico Trezzi faz uma série de floreios elogiosos ao método e à atuação do general que “escorrega bilhetinhos aos ministros durante reuniões, como o presidente Jânio Quadros fazia nos anos 1960” [sic].
Mais além dos elogios a um general que, paradoxalmente, chefia justamente a Casa Civil de um governo que deveria ser civil [sic], a informação mais valiosa da reportagem é aquela que diz que “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.
O repórter diz que durante a intervenção federal no Rio, que durou de fevereiro a dezembro de 2018,
“o Exército conseguiu usufruir dos bancos de dados das polícias Civil e Militar fluminenses e também montou um mapa das ações criminais no Rio. Isso vale tanto para facções criminais convencionais (Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e Primeiro Comando) como para as milícias paramilitares formadas por ex-policiais. Não à toa, Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.
Se Braga Netto conhece “o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”, por certo ele sabe tudo a respeito do miliciano Adriano da Nóbrega, o chefe da milícia Escritório do Crime.
Adriano, deliberadamente executado no interior da Bahia, em vida havia recebido troféu de Flávio Bolsonaro na cadeia e, até dezembro de 2018, quando estourou o escândalos da “rachadinha”, o miliciano garantia o emprego da mãe e da esposa no gabinete do Flávio na ALERJ.
E o general Braga Netto, super-bem informado como é, deve saber, inclusive, onde está escondido o Fabrício Queiroz, o elo do clã com a milícia do Rio das Pedras chefiada pelo agora finado Adriano da Nóbrega.
Braga Netto provavelmente também sabe tudo a respeito de Ronnie Lessa, quem compartilhava vizinhança com Carlos e Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, e quem é suspeito de tráfico internacional de armas e está em prisão preventiva, acusado do assassinato de Marielle e Anderson.
É preciso saber de onde vem tamanha “ascendência” do Braga Netto e a junta militar sobre Bolsonaro.
Tal ascendência parece se originar menos da capacidade persuasiva dos “bilhetinhos” do general e seus parceiros do Alto-comando, e mais do fato de Braga Netto saber muito sobre o que os Bolsonaro fizeram no verão passado.
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