sábado, 25 de abril de 2020

Moro apresenta provas de acusações feitas contra Bolsonaro no Jornal Nacional



Moro apresenta provas de acusações feitas contra Bolsonaro no Jornal Nacional












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(Andressa Anholete/Getty Images)
Sergio Moro, ex-ministro da Justiça que pediu demissão nesta sexta-feira (24), apresentou provas das acusações que fez contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao anunciar sua saída nesta manhã.
Entre as acusações, Moro disse que o presidente tentou ter informações privilegiadas de investigações que o envolvem no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao Jornal Nacional, Moro mostrou capturas de tela de uma conversa no WhatsApp entre ele e o presidente.

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Interferência de Bolsonaro na PF

Nas trocas de mensagens, Bolsonaro enviou reportagem do portal “O Antagonista” sobre investigações do STF contra deputados de sua base aliada. Ao mandar o link da reportagem, Bolsonaro sugere que este seria “mais um motivo” para a troca de comando na PF.
Moro, então, explica para Bolsonaro que o processo é totalmente do STF e que o ministro Alexandre de Moraes é responsável pela condução das investigações, mostrando que os alvos, deputados bolsonaristas, não teriam sido escolhidos para a investigação pela PF.
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Esclarecimento sobre ‘barganha’ por vaga no STF

Outro assunto debatido foram as acusações do presidente de que Moro teria “barganhado” cargo no STF em troca de uma possível “luz verde” para a troca no comando da Polícia Federal. Para isso, Moro mostrou capturas de tela de uma conversa com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).
Uma das deputadas de mais ferrenho apoio a Bolsonaro, Carla pede nas mensagens que Moro considere a troca no comando da PF e, para isso, faz citação à possível indicação ao STF. Moro, então, responde que “não está a venda”.
Zambelli, então, insiste e Moro volta a dizer que não está a venda, dando a entender que as acusações de Bolsonaro não possuem fundamento.
Em entrevista coletiva no final da tarde, o presidente Bolsonaro disse que já reclamou ao ex-ministro que não tinha conhecimento sobre “informações ou relatórios” da PF e que sempre cobrou essa postura de outros órgãos de inteligência governamental, como a Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
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Ele lamentou dizendo que a “PF de Moro” preferia investigar o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) ao invés de investigar o atentado no qual recebeu uma facada desferida por Adélio Bispo, em Juiz de Fora (MG), durante a campana eleitoral de 2018.
“É interferir na PF exigir investigação contra esse porteiro? Ele foi ameaçado? Ele foi subornado? Será que ele sofre das faculdades mentais?”, argumentou o presidente.
Maurício Valeixo, agora ex-comandante da Polícia Federal foi exonerado nas primeiras horas do dia, fato que levou Moro à decisão de deixar o governo, mesmo sendo um dos nomes com mais aprovação entre os apoiadores de Bolsonaro.
O ex-ministro alertou a Bolsonaro de que a troca seria uma interferência política na PF e que o presidente concordou que seria mesmo. “Essa interferência pode levar a relações impróprias entre diretor e superintendentes com o presidente e isso eu não posso concordar”, destacou ao deixar o cargo.


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Moro construiu denúncia cuidadosamente



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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Reprodução
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar que os delegados que já estão trabalhando no inquérito sobre fake news há um ano permaneçam na investigação, mesmo com a mudança do diretor-geral da Polícia Federal, é uma demonstração de que a intenção de desmobilizar as investigações pode estar por trás da decisão de Bolsonaro.
As mensagens de WhattsApp apresentadas pelo Jornal Nacional provam que o ex-ministro Sérgio Moro foi assediado pelo presidente Bolsonaro, que baseou a decisão de substituir o diretor-geral da Polícia Federal Mauricio Valeixo na necessidade de interferir no inquérito que corre em segredo de Justiça há um ano no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as fake news, e que será acompanhado agora pelo outro inquérito pedido pelo Procurador-Geral da República Augusto Aras, que terá o mesmo relator, o ministro Alexandre de Moraes.
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Tendo sido juiz por mais de 20 anos, Moro foi cuidadoso ao fazer denúncias graves ontem contra Bolsonaro, quando anunciou sua demissão do cargo. Há uma série de acusações que podem ser feitas contra o presidente Bolsonaro, desde falsidade ideológica por ter publicado no Diário Oficial um documento com a assinatura de Moro, negada por ele, até obstrução de Justiça.
Há diversos patamares de gravidade nessas acusações, e certamente a que mais repercutirá no Supremo é a tentativa de interferir no inquérito sobre fake news que corre por lá. Pela natureza de seu temperamento, era previsível que Moro tivesse onde se apoiar para comprovar as acusações, mas evitou fazer ilações sobre os motivos do interesse do presidente Bolsonaro na substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro, por exemplo.
Ao se queixar de que a PF se interessava mais sobre o crime da vereadora Marielle do que com o atentado que sofreu, Bolsonaro demonstrou que não faz diferenciação entre o público e o privado, e se incrimina ao admitir que pediu que a PF ouvisse um miliciano acusado pelo assassinato de Marielle, para exonerar de culpa seu filho 04, Jair Renan, que namorara a filha do policial preso.
O presidente considera normal dar ordens diretas à PF, mas o correto legalmente seria fazer uma petição através de um advogado. Os diversos crimes que cometeu, segundo o ex-ministro Sergio Moro, serão investigados no Supremo Tribunal Federal no inquérito pedido pelo Procurador Aras. Mas Moro, não sendo mais ministro, será investigado por possível denunciação caluniosa na Justiça de primeira instância.
O ex-ministro Sérgio Moro não tinha outra escolha: ele não queria abrir mão da bandeira de combate à corrupção. Saindo do jeito que saiu, escancarando suas divergências com Bolsonaro, ele consegue se redimir de momentos em que evitou, por estratégia política, se confrontar com o presidente.
As denúncias de Moro terão sérias consequências. O agora ex-ministro foi perfeito ao pedir demissão, alegando uma série de ilegalidades cometidas pelo presidente Bolsonaro no exercício do mandato, que terão consequências jurídicas e políticas do quilate da gravidade do que foi relatado.
Moro conseguiu denunciar com muita tranquilidade e frieza, fazendo um balanço de tudo o que realizou, seus ganhos e avanços no combate à corrupção, e terminou dizendo que onde quer que esteja, estará à disposição do país, se colocando como possível alternativa a algum cargo público ou até à presidência da República.
Se Bolsonaro colocar, como está sendo especulado, o ministro Jorge Oliveira na Justiça e Segurança Pública e o delegado da ABIN na PF, estará criando mais um caso grave. Oliveira é quase da família dele, e o delegado foi levado pelo filho Carlos para o governo, para montar esquema de informação paralelo dentro do Palácio do Planalto, segundo denúncia de Gustavo Bebiano. O interesse de Bolsonaro por informações e relatórios de inteligência dá validade a essa antiga denuncia do falecido Bebianno.

Gilmar aponta que Moro manipulou a justiça em nome de um projeto pessoal de poder

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Ministro do STF também critica a mídia por criar falsos mitos como o ex-ministro da Justiça
Sérgio Moro e Gilmar Mendes
Sérgio Moro e Gilmar Mendes (Foto: ABr | STF)
 
247 – O ministro Gilmar Mendes fez uma crítica sutil ao ex-ministro Sergio Moro, mesmo sem citar seu nome. "Há muito critico a manipulação da Justiça, por meio da mídia e de outras instituições, para projetos pessoais de poder. A criação de heróis e de falsos mitos desenvolveu um ambiente de messianismo e intolerância. Autoritarismo judicial e político são ameaças irmãs à Constituição", escreveu ele no seu twitter.
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"O combate à corrupção exige a ação de milhares de agentes públicos e o respeito à lei e não a atuação isolada de uma pessoa. Aprendamos: não há solução democrática fora da virtude política. Que a história recente nos reserve um reencontro com o Estado de Direito", pontuou ainda Gilmar.
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OPERAÇÃO ABAFA: Bolsonaro coloca pau-mandato para chefiar PF



Bolsonaro coloca pau-mandato para chefiar PF

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Foto: Dida Sampaio/Estadão
Escolhido para dirigir a Polícia Federal, o delegado Alexandre Ramagem Rodrigues, de 47 anos, atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) chefiou, em 2018, a equipe responsável pela segurança do então candidato eleito Jair Bolsonaro e goza da confiança dos filhos do presidente.
Ramagem deve assumir o cargo no lugar do delegado Maurício Valeixo, cuja exoneração levou o ex-juiz da Operação Lava Jato Sergio Moro a se demitir do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A nomeação do novo diretor ainda depende de publicação no Diário Oficial da União.
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A tarefa que colocou Ramagem na vigilância direta de Bolsonaro por cerca de dois meses demandou “trabalho intenso de inteligência”. Ele foi o terceiro delegado a assumir a missão. O primeiro, Daniel França, foi substituído após o então candidato sofrer um atentado em Juiz de Fora, Minas Gerais. O outro, Antonio Marcos Teixeira, foi retirado logo após o segundo turno, em 28 de outubro.
Alexandre Ramagem passou em concurso da Polícia Federal em 2005. Chegou a ser nomeado superintendente no Ceará no ano passado, mas não chegou a assumir o posto. Foi convidado para trabalhar em Brasília, perto de Bolsonaro, como auxiliar direto de Carlos Alberto Santos Cruz, então chefe da Secretaria de Governo. Permaneceu como assessor especial de Luiz Eduardo Ramos, sucessor de Santos Cruz no cargo.
Da assessoria, foi indicado a chefe da Abin com a autoridade de quem gozava da “total confiança” da família Bolsonaro. Ele chegou ao posto depois de um lobby do deputado Eduardo, escrivão de carreira da PF, do vereador Carlos e do senador Flávio Bolsonaro.
Na sabatina realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, como etapa do processo de nomeação, em junho de 2019, Flávio Bolsonaro fez diversos elogios ao policial. “Goza da total confiança”, disse o parlamentar na ocasião. “A sua competência não é questionada em momento nenhum”, afirmou o filho do presidente.
Flávio também fez votos para que delegado e equipe pudessem “alimentar” o presidente com informações para tomadas de “decisões importantes”. “É fundamental ter uma equipe que dispõe não só de tecnologia de ponta, à frente daquelas usadas por marginais, mas também do pessoal qualificado, que tenha a visão, a percepção, a iniciativa de identificar o que é importante, para que se busque, para alimentar o presidente da República e toda sua equipe”, disse o senador.
O parlamentar é alvo de investigações no Rio de Janeiro que apuram esquemas no gabinete do então deputado estadual. A pressão sobre Flávio se intensificou ainda em dezembro de 2018, quando o Estado revelou movimentações atípicas nas contas do ex-policial militar Fabrício Queiroz, seu assessor na Assembleia Legislativa.