quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

STF: Silveira tem de ser preso, e vídeo, tirado do ar. Mianmar não é aqui

 

REINALDO AZEVEDO

STF: Silveira tem de ser preso, e vídeo, tirado do ar. Mianmar não é aqui

Daniel Silveira - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Daniel SilveiraImagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Reinaldo Azevedo

Colunista do UOL

16/02/2021 22h59

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) tem de ser preso imediatamente, por flagrante de crime inafiançável, conforme prevê o Artigo 53 da Constituição. O vídeo que gravou no Youtube tem de ter uma cópia guardada para instruir o processo, mas tem de ser retirado do ar por incitar a violência contra ministros do Supremo. E Arthur Lira, presidente da Câmara, tem de decidir se é mesmo alguém que lidera a mais importante Casa legislativa ou se pretende comandar a arruaça. Já chego lá.

O Brasil passa por eventos inéditos, sabemos todos, e nem é preciso elencá-los aqui. Antes que fevereiro termine, teremos 250 mil pessoas mortas em razão de uma única doença no intervalo de um ano. A institucionalidade está sendo permanentemente afrontada. Aí está a mãe de todos os desatinos. E, por óbvio, sempre há alguém disposto a ir um pouco além. Daniel Silveira (PSL-RJ), deputado federal, gravou um vídeo que tem como alvo principal o ministro Edson Fachin. E não se contentou só com ele. Sobraram ataques inomináveis a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Roberto Barroso e Marco Aurélio.

O Artigo 53 garante a imunidade parlamentar no exercício do mandato. Mas não para o cometimento de crimes. Silveira já é investigado em dois inquéritos que correm no STF: o aberto de ofício pelo tribunal para investigar a indústria de Fake News e outro, instaurado a pedido da PGR, que apura a organização e financiamento de atos antidemocráticos.

O que se ouve ao longo de quase 20 minutos seria intolerável num regime democrático ainda que ele já não fosse investigado. Acusa abertamente ministros de cometer crimes em penca - incluindo envolvimento com o narcotráfico —, há uma clara incitação à violência contra membros da Corte - Fachin em particular —; desafia os ministro a uma reação na certeza de que nada vai lhe acontecer porque se julga protegido pela imunidade parlamentar; apela a um linguajar que mistura em doses asquerosas calúnia, difamação e injúria; convoca, na prática, as Forças Armadas a depor o Supremo...

Não vou repetir aqui termos de sua linguagem de esgoto. Bem, esse é o cara que rasgou a placa com o nome de Marielle Franco, gesto que, não há escapatória, deve ser lido como solidariedade com seus assassinos. Não é de hoje que ele decide ir além da linha de qualquer limite razoável.

Cometeu crimes. Isso nada tem a ver com liberdade de expressão ou imunidade parlamentar.

Tem de ser preso.

Nesse caso, a Constituição prevê que a prisão seja submetida ao plenário da Câmara em 24 horas. Pode ser referendada ou não pela maioria dos seus membros. É claro que a voz de Arthur Lira (Progressistas-AL), presidente da Casa será importante.

Há ainda, e está em vigor também para eles, a Lei de Segurança Nacional.

Silveira reincide nos crimes. Ainda que venha a ser preso e que os deputados decidam soltá-lo, os inquéritos contra ele continuam. Não me parece possível que escape, especialmente depois do vídeo, de uma condenação, com a consequente condenação, perda do mandato e prisão.

O general Eduardo Villas Bôas sofre de uma doença terrível. Nesse particular, merece solidariedade. Mas ela não afeta o seu juízo. Ele e outros militares têm de se lembrar que palavras têm consequências.

Cadeia já para Silveira. E que a Câmara faça a coisa certa.

Mianmar não é aqui.

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Senador petista diz que democracia não aceita defensores de ditaduras

O senador Paulo Rocha (PT-PA) disse que o deputado bolsonarista Daniel Silveira, preso por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, fez apologia a agressões e que a democracia não aceita os que que defendem as ditaduras

O senador Paulo Rocha (PT-PA)
O senador Paulo Rocha (PT-PA) (Foto: Divulgação)
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247 - Pelo Twitter, o senador petista Paulo Rocha declarou nesta terça-feira (16), que o deputado bolsonarista Daniel Silveira, preso por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes fez apologia a agressões físicas contra o magistrado e que a democracia não aceita os defensores de ditaduras.

 


Manifestantes brigam na porta da PF, onde Daniel Silveira está preso (vídeo)

Metrópoles - A Polícia Militar do Rio de Janeiro reforça a segurança nas entradas da Superintendência da Polícia Federal do Rio, no centro da cidade, na tarde desta quarta-feira (17/2), para conter manifestantes que pedem a libertação do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Os apoiadores do parlamentar atacaram um homem que levantou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, semelhante à que foi quebrada pelo político, ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), em 2018.

Os manifestantes, a grande maioria sem máscara, também atacaram equipes de imprensa. Jornalistas e cinegrafistas da TV Globo precisaram se abrigar dentro da sede da PF. Em seguida, a equipe da emissora foi escoltada para deixar o local.

Assista:



“A senhora não manda em mim. Sou polícia. Acha que eu não conheço a porra da lei?”, diz Daniel Silveira ao se recusar a usar máscara no IML O QUE MERECE O ELEMENTO?

 

“A senhora não manda em mim. Sou polícia. Acha que eu não conheço a porra da lei?”, diz Daniel Silveira ao se recusar a usar máscara no IML

Redação Notícias
Deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) - Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação
Deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) - Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), preso em flagrante na noite de terça-feira (16), se recusou a usar máscara no IML (Instituto Médico Legal) e desacatou a agente plantonista.

“A senhora não manda em mim, não. Sou polícia, e aí? Também sou deputado federal, e aí? Acha que eu não conheço a porra da lei, não?!”

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O deputado ainda chamou a servidora de “militante petista”. Um assessor dele filmava a cena.

Outro agente conseguiu acalmar Silveira, que acabou colocando a máscara.

O parlamentar foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após publicar na internet um vídeo com ataques a ministros da Corte.

Silveira é alvo de dois inquéritos no Supremo - um apura atos antidemocráticos e o outro, fake news.