segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Como na ditadura...

segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Com Exército e Força Nacional de Segurança, governo faz hoje maior privatização da história

Greves e manifestações tentam barrar esse crime de lesa pátria

Exército faz proteção do hotel onde ocorre o Leilão de Libra
Foto: Agência Brasil
Nesse dia 21 de outubro, parte do Rio de Janeiro se transformou numa área sitiada e militarizada. Tudo para garantir o que deve ser a maior privatização da história, com o leilão do megacampo de Libra, da bacia de Santos.
A presidente Dilma e o governador Sérgio Cabral (PMDB) criaram um verdadeiro esquema de guerra para garantirem a entrega do campo ao capital privado internacional. O esquema inédito de segurança deve reunir pelo menos 1,1 mil homens entre militares do Exército e da Marinha, policiais federais, policiais militares e civis e agentes da Força Nacional de Segurança, que sozinho, deverá deslocar 200 homens. Aparato articulado diretamente pela Secretaria Geral da Presidência.
O leilão está marcado para as 15h desta segunda no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. Desde a madrugada de domingo, as ruas que dão acesso ao hotel estão bloqueadas. Ônibus ou qualquer outro veículo estão proibidos de circularem pelo perímetro. Moradores da área só podem entrar com comprovante de residência.
Maior entrega da história
O leilão do Campo de Libra é o primeiro da área do Pré-sal a ser vendido e representa a maior privatização da história, superando, em valores, todas as outras realizadas desde o governo FHC. Só para se ter uma ideia, até hoje a Petrobras descobriu, em seus 60 anos de existência, o equivalente a 15 bilhões de barris de petróleo. Espera-se que só Libra tenha capacidade de produzir ao menos 12 bilhões. Nos últimos dias, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) refez seus cálculos sobre a capacidade de produção diária do campo, aumentando de 1 para 1,4 milhão de barris.
Neste sábado, diante da pressão e da repercussão do caso, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi obrigado a ir a público se pronunciar sobre o leilão. Disse em entrevista coletiva que "de qualquer maneira ocorrerá o leilão", ainda que apenas um consórcio participe. "Não sabemos dizer quantos consórcios vão participar, isso pouco importa", chegou a dizer, demonstrando que a prioridade do governo é entregar o megacampo, não importando as circunstâncias ou nem mesmo a contrapartida econômica.
Além do forte aparato repressivo para evitar as manifestações durante o leilão, a Advocacia Geral da União se colocou de prontidão nesse final de semana para evitar que os 24 pedidos de suspensão liminar do processo protocolados na Justiça impeçam a entrega. Dezoito já foram derrubadas enquanto seis ainda aguardam análise.
O governo chegou a antecipar o leilão, que inicialmente iria ocorrer em novembro, a fim de garantir os R$ 15 bilhões que deve conseguir de bônus pela venda do bloco e, desta forma, assegurar o cumprimento do Superávit Primário, ou seja, a economia para pagar os juros da dívida pública. No entanto, especula-se que os valores totais representados pelo petróleo de Libra superem 1,5 trilhão de dólares (ou algo como R$ 3 trilhões).
Greve e manifestações
Enfrentando uma série de medidas repressivas e autoritárias da Petrobrás, os petroleiros realizam uma forte greve nacional e unificada que tem como ponto principal o cancelamento do leilão de Libra. Apesar de toda a intimidação e aparato repressivo colocado a serviço do leilão, petroleiros e movimentos sociais realizam diversas manifestações nesta segunda contra a entrega do petróleo e por uma Petrobrás 100% estatal.
VEJA MAIS
Dez motivos para barrar o leilão de Libra

Na TV PSTU, entrevista com Ildo Sauer sobre o Pré-sal e o leilão de Libra
 
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Para não esquecer: a história do criminoso "leilão" da CVRD

Campanha pela declaração de nulidade do leilão da CVRD




PORQUE O LEILÃO DA CVRD FOI ILEGAL E DEVE
SER DECLARADA A NULIDADE

Glauco dos Santos Gouvêa
Novembro / 2012

              
     1 - NÃO SE PODE PRIVATIZAR O QUE JÁ É PRIVADO. A CVRD foi criada pelo Decreto-Lei nº 4.352, de 1º de junho de 1942, como uma SOCIEDADE ANÔNIMA, destinada à exploração, comércio, transporte e exportação de minério de ferro.

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     2 - No vídeo www.youtube.com/watch?v=w8y9FZ1c118 um repórter questiona FHC sobre a chamada privatização da CVRD. FHC diz: “A Vale do Rio Doce era limitada na sua expansão pelas regras da burocracia. Tinha que fazer licitação. Pronto. Ela não podia competir. Ela ficava muito amarrada para competir.”
Já tendo sido demonstrado no item anterior que a CVRD era uma empresa privada, convém salientar o que dispõe o Art. 173,§1º, II, da Constituição Federal:

“§1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre.”

II – a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;

Como se vê, a CVRD não estava obrigada a fazer licitação, tal como acontece com qualquer empresa privada, ou seja, não havia as amarras alegadas por FHC. Uma grosseira farsa!

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     3 - No mesmo vídeo FHC diz: “E por outro lado havia a questão do Tesouro, também. O Tesouro estava endividado e precisava de recursos. E essas empresas, em geral, não davam lucro. Só davam prejuízos ao Governo. As siderúrgicas, todas davam prejuízos: a CSN e tudo o mais”.

     Nada disso é verdade: se o Tesouro estava endividado, como explicar o uso de recursos do BNDES para financiar a operação de venda da CVRD? Pior ainda: como explicar os bilionários financiamentos às empresas (já regiamente contempladas nos leilões) para “execução de planos de expansão”? A CSN, após o “leilão” recebeu do BNDES generoso financiamento de 1,1 bilhão de reais para execução de “um plano de expansão de cinco anos”. A Vale recebeu do BNDES, no dia 1º de abril de 2008 (pela data, parece mentira. É a mais pura e vergonhosa realidade), um generosíssimo financiamento de R$ 7,3 bilhões (bilhões mesmo) para realizar investimentos no Brasil até 2012.

Convém lembrar que os prejuízos de algumas das empresas entregues foram provocados intencionalmente, preparando as privatizações, o que está fartamente documentado em diversas publicações.

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     4 - Crime de lesa-pátria: em 1996 (um ano antes da entrega da CVRD) o lucro da empresa atingiu R$ 684,9 milhões e a tendência era de crescimento acelerado; o faturamento da CVRD em 2006 foi de US$ 20,363 bilhões, com lucro líquido de US$ 6,528 bilhões. Portanto, a CVRD foi entregue pela metade do valor do lucro líquido em apenas um ano, nove anos depois!
Responda: você venderia uma empresa de sua propriedade pela metade do lucro anual que essa empresa teria apenas nove anos depois?

Em 2011 o lucro atingiu 37,8 bilhões de reais, dos quais 32,13 bilhões  deveriam ser aplicados no desenvolvimento dos Estados onde a empresa tem atuação, conforme estabelecido no Decreto de sua criação.
      Sugerimos a leitura do artigo do Sr. Roberto Monteiro de Oliveira sobre a atuação de FHC em relação à CVRD no seguinte endereço eletrônico:  http://www.varican.xpg.com.br/varican/Bpolitico/atuacdopres.html

    

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      5 - Algumas das trapaças do denominado leilão:

     5.1 – quem participa da avaliação de um leilão, do ponto de vista legal (e ético), não pode participar da compra. A CVRD foi avaliada pelo Bradesco e a Merril Lynch. O Bradesco, na época do leilão, possuía 17,9% do capital votante da CSN, empresa que liderou a aquisição da CVRD. O Bradesco, por intermédio da Bradespar (grupo Bradesco) é co-proprietária da Vale. É o caso de pôr a raposa tomando conta do galinheiro! Se for verdade, como eu quero crer, que os Poderes da República são incorruptíveis, dentre tantas outras razões bastaria esta para ser declarada a NULIDADE DO LEILÃO DA CVRD.

     5.2 – o valor da CVRD para fins do leilão foi estabelecido como sendo o valor da ação da empresa multiplicado pelo número de ações disponíveis para venda! Um escárnio a todas as autoridades e ao povo do Brasil!
Cito, a seguir, uma pequena parte do que não foi computado para definição do preço mínimo para fins do leilão: concessão para pesquisar e explorar, por tempo ilimitado, 23 milhões de hectares; direito de exploração de 19,8 milhões de hectares em Angola, Argentina, Austrália, Chile, Gabão, Guiné, Mongólia, Moçambique, Peru e África do Sul; exploração de minério de ferro, cobre, ouro, níquel, manganês, caulim, bauxita, carvão, potássio, fosfatos, diamante, platina etc.; 9.000km de ferrovias; 10 portos de importância fundamental, incluindo o maior porto exportador de minério de ferro do mundo- o porto de Tubarão, no Estado do Espírito Santo; a participação da CVRD em mais de 50 grandes empresas como coligada ou controladora; o capital intelectual e tecnológico da Docegeo - Rio Doce Geologia e Mineração S/A; o patrimônio da Docenave - Vale do Rio Doce Navegação Ltda, criada em 1962 para  transportar minério da CVRD do Porto de Tubarão para o Japão, empresa que possui uma das maiores  frotas mundiais de graneleiros; as minas, de valor incalculável pela quantidade, qualidade e diversidade, de vital importância estratégica, inclusive de minérios nucleares que são da competência privativa da União (CF, Art. 21,XXIII e Art. 177,V); não foi considerado o valor imobiliário da CVRD; não foi considerado o saldo de 700 milhões de reais em caixa, por ocasião da entrega da CVRD (Cfr. O Brasil Privatizado, de Aloysio Biondi), etc.!

     5.3 – não foram levadas em consideração as recomendações do Relatório da Auditoria da Câmara dos Deputados sobre a avaliação da CVRD. É importantíssimo ler atentamente o relatório, do qual extraímos alguns pontos:
“2.5 - Muitas questões têm sido levantadas a respeito da forma como será vendida a empresa e os riscos que envolvem tal operação. A modelagem do processo de desestatização deve responder a todas elas e, principalmente, às questões ligadas aos interesses gerais da economia do País. Entre elas, são consideradas mais relevantes as seguintes:
- o controle do governo sobre decisões estratégicas da empresa após a privatização;
- o risco de que um concorrente assuma o controle da empresa podendo, segundo seus interesses, reduzir as atividades da CVRD, com impacto negativo sobre as exportações e os índices de desemprego;
- o risco de que o controle caia em mãos de grandes consumidores estrangeiros de minério, com impacto negativo sobre o valor das exportações;
- riscos de interrupção de investimentos de caráter regional, inseridos na estratégia do governo de minimização das desigualdades regionais;
- riscos de que as reservas minerais estejam subestimadas; e
- normas sobre a exploração das ferrovias, de modo a evitar que sua utilização venha a ser prioritariamente vinculada aos interesses do grupo controlador em detrimento de outras atividades econômicas.  

3.26 - Uma vantagem comparativa da indústria brasileira de alumínio é a grande quantidade de bauxita de alto teor, principalmente a produzida pela MRN, considerada por muitos técnicos especializados como a melhor mina do mundo. A infraestrutura de transporte conta com uma estrada de ferro conectada a um porto no rio Trombetas, mais um fator a garantir a competitividade do alumínio brasileiro.


3.27 - A produção de ouro da CVRD atingiu 16,3 toneladas em 1995. Com a entrada em operação das minas de Almas, em Tocantins, e Caetés em Minas Gerais, a produção atingirá 18,3 toneladas em 1996. O Projeto Andorinhas, que visa a explorar urna nova jazida de ouro no Estado do Pará, a 100 kilômetros de Carajás, pode significar um substancial aumento de produção de ouro em futuro próximo. Este projeto será implementado em associação com a empresa americana Golden Star e sua subsidiária Southern Star.


IX - CONCLUSÃO
9.1 - Como já foi dito, a avaliação de urna empresa das dimensões da CVRD é uma tarefa complexa, trabalhosa e polêmica. A imprecisão sobre a quantidade dos recursos minerais que jazem nas áreas de concessão da empresa torna qualquer avaliação suspeita. A divulgação de descobertas de jazidas tem influência imediata no mercado. O resguardo com que a empresa trata estas informações tem caráter estratégico, de modo que é possível haver ativos de valor considerável dos quais os contadores e técnicos da empresa ainda não tomaram conhecimento.
9.2 - Deve-se também levar em conta que a decisão de vender urna empresa com as dimensões e a importância da CVRD por si só já implica em mudanças nas projeções dos indicadores mercadológicos. O recente aumento do valor das ações ordinárias em relação às preferenciais é um exemplo de como a expectativa da privatização influi nos preços. Por outro lado, é razoável supor que sob administração privada alguns preços de produtos da empresa sejam aumentados. Isso é muito evidente no caso do transporte de passageiros. Outros podem ser reduzidos, tais como os preços de minério de ferro caso o adquirente seja um grande comprador estrangeiro.
Decisões tomadas pelo Governo, que aparentemente não têm ligação com a privatização, podem também ter influência direta no valor da empresa. Um exemplo disso é a recente mudança na legislação do ICMS.
9.3 - Embora os defensores da privatização insistam em dizer que a CVRD não tem mais importância estratégica nenhuma, este fato é reconhecido pelo próprio Governo, tanto que se cogita resguardar o direito do Governo de interferir na administração da empresa por meio de "golden shares". Por exemplo: há notícias de que grupos econômicos japoneses não querem que as grandes mineradoras australianas adquiram a CVRD, pois se isso acontecer estas teriam o controle sobre 80% do comércio mundial de minério de ferro. O quanto os japoneses estão disposto a pagar ara impedir que isso aconteça é impossível de ser avaliado com segurança.
9.4 - As restrições que o governo pretende fazer aos adquirentes da empresa por um período de cinco anos certamente diminui a atratividade do investimento e deprime o preço.
9.5 - Por fim, é oportuno lembrar que a administração privada pode não ter a mesma boa vontade em fazer investimentos sociais, tais como a preservação do meio ambiente, nem terá escrúpulos em fazer uma exploração predatória das reservas, caso isso lhe traga benefícios. As medidas que o Governo pode tomar com relação aos investimentos sociais e à política ambiental dificilmente podem ser antecipadas. Entretanto elas serão levadas em conta por aqueles que pretendem adquirir a empresa e têm influência no valor que eles estão dispostos a oferecer.
9.6 - Com relação aos métodos de avaliação, ressalte-se que todos eles admitem juízos subjetivos quanto aos valores atribuídos aos ativos e às projeções de custos e receitas. O tratamento estatístico dos dados de preço de insumos observados no passado não é de grande utilidade. As distorções provocadas pelos diversos planos econômicos e pela instabilidade da moeda tornam inconveniente a utilização de séries históricas para fazer projeções de custos.
9.7 - Para contornar esses problemas os analistas buscam fazer estudos que contemplem vários tipos de abordagem. Entre elas as mais comuns são: o estudo de transações comparáveis, o cálculo do valor total das ações, mediante o preço de ações negociadas em bolsa, estudo das demonstrações contábeis, projeções do fluxo de caixa e projeções do fluxo de rendimentos. O método mais recomendado pela literatura especializada é o cálculo do fluxo de caixa descontado. Teoricamente é esse o método que dá a melhor estimativa do preço que os prováveis compradores atribuem à empresa.
9.8 - As informações apresentadas no presente trabalho podem subsidiar a análise da avaliação da CVRD, mesmo em caso de métodos diferentes de avaliação econômico-financeira. É necessário, porém, complementá-las com as projeções de vendas e de investimentos e com os valores dos itens do ativo não operacional que não foram fornecidos pala CVRD. Os custos podem ser estimados com relativa precisão por meio dos índices em relação ao volume de produção, pois observamos métodos muito consistentes para apuração dos mesmos. As despesas operacionais são mais difíceis de serem estimadas, pois a empresa passa por ajustes profundos, como, por exemplo, a redução da quantidade de empregados. Não observamos variações nas receitas e despesas financeiras em função da estabilidade econômica dos anos 1994 e 1995. Diante desses fatores, a equipe responsável pelo presente trabalho achou mais prudente não apresentar projeções de valores futuros. No entanto, as informações aqui apresentadas são suficientes para se fazer uma leitura crítica dos trabalhos dos consultores incumbidos da avaliação da empresa.
9.9 - O trabalho de acompanhamento da desestatização da CVRD está em andamento, através do Grupo de Trabalho - Privatização, desta 99 SECEX.
No momento a equipe responsável pelos estudos está aguardando o envio dos trabalhos elaborados pelas empresas consultoras que realizaram os serviços "A" e "B". A privatização está prevista para ocorrer no primeiro trimestre de 1997.
9.10 - Propomos que seja remetido ao Sr. Deputado Federal Chico Ferramenta o presente relatório, em atendimento a sua solicitação de "Auditoria Financeira, Imobiliária e Patrimonial da Companhia Vale do Rio Doce - CVRD, com o objetivo de conhecer o valor de seu patrimônio mineral, financeiro e imobiliário”.

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6 - No plebiscito realizado no ano de 2007, em 3.157 municípios, 94,5% dos 3,7 milhões de brasileiros votaram contra a entrega da CVRD. O leilão não respeitou a vontade do povo e foi realizado por decisão de pouquíssimos maus brasileiros (para dizer o mínimo).

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7 - FHC e seu Governo não tinham nenhuma competência para entregar a CVRD. Como diz o jurista Fábio Konder Comparato: “O Estado brasileiro não era dono da Companhia Vale do Rio Doce. A Companhia Vale do Rio Doce é um patrimônio que pertence ao povo brasileiro. O Estado é um mero gestor. Nenhum mandatário, nenhum gestor pode vender o bem que pertence ao proprietário sem o consentimento dele”.

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8 - Devido à contribuição total e permanente da grande mídia, bombardeando o povo brasileiro com mentiras e mais mentiras, muitos incautos acreditaram que a entrega da CVRD seria benéfica ao País. A verdade é que os brasileiros foram enganados, traídos e prejudicados e os Estados que eram contemplados com os recursos da CVRD passaram a conhecer uma triste realidade.
O Dr. Eloá dos Santos Cruz, citado a seguir, é autor de mais de uma dezena de ações visando a declaração de nulidade do leilão da CVRD:
Lucros para as localidades
Em uma de suas ações, na qual são réus o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), a União Federal e a própria Vale, Cruz discute que o Decreto Lei da companhia recomendava – desde a sua fundação, em 1942 (Lei 4352) – o depósito de 85% dos lucros da mineradora para os estados onde a companhia desenvolve mineração. Apenas 15% seriam destinados aos acionistas. Com a privatização, Cruz informa que o decreto de fundação simplesmente foi ignorado. “Não houve revogação das leis”, avisa. Se antes a companhia reinvestia em infraestrutura, hoje é a principal distribuidora mundial de lucros na forma de dividendos.


Saliento a ação no STF sobre uma dívida de R$ 30,6 bilhões de impostos devidos pela Vale. O tributo é referente aos lucros   apurados de 1996 a 2001 e de 2002 em diante, por sociedades controladas e coligadas à Vale no exterior.

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9 - A entrega da CVRD acarretou a completa desvinculação com as diretrizes da nação brasileira, significando um processo de recolonização do País e perda da nossa soberania. Hoje, 64,9% do lucro da Vale estão nas mãos de estrangeiros. O poder da Vale é tanto que até o CMN quebra suas normas para não desagradar aos que hoje estão no comando da empresa. Quero dizer que o CMN, no mês de maio do corrente ano, ampliou o limite de empréstimos que podem ser contratados pela Vale no BNDES. Anteriormente, o BNDES e os bancos não podiam emprestar, para um mesmo cliente, quantia superior a 25% do seu patrimônio de referência. Essa notícia está em Exame.com do dia 24/5/2012, de onde transcrevo o que segue:

“O Chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do Banco Central, Sergio Odilon dos Anjos, disse que a Vale ainda não extrapolou o limite, mas o propósito foi antecipar eventuais interrupções de recursos para a empresa, o que poderia prejudicar uma área considerada importante para o governo. “Não nos preocupam estas três empresas, porque são sólidas e com governança” afirmou. Ele ressaltou que a medida não teve como motivação a crise financeira internacional.

Odilon dos Anjos esclareceu que o governo avaliou o papel do BNDES como banco de fomento e a importância das áreas de atuação das três empresas. “É importante para o País alocar recursos em certos setores”.

É profundamente lamentável que um alto funcionário do governo tenha tal comportamento. Esse extremo “zelo” com os interesses de uma empresa privada bem que poderia ser aplicado em tantas outras áreas.

OBS: todos os destaques de sublinhado e negrito são meus. As três empresas a que o Sr. dos Anjos se refere são a Vale, a Petrobrás e a Eletrobrás.


Comentário: quer dizer que a CVRD foi entregue porque a União não possuía recursos para investir na empresa e, além disso, o Tesouro estava “endividado e precisava de recursos”, como dizia FHC? E como é que a empresa foi doada com recursos do BNDES e até hoje setores do Governo se preocupam em adotar medidas antecipadamente, contanto que não faltem recursos para a Vale?!. Pode não haver recursos para educação, saneamento, saúde, reajustes salariais dos servidores, para ciência e pesquisa, para redução das desigualdades sociais, etc. Só não pode faltar recursos para a Vale!
Não posso deixar de lembrar que em 10/7/2007 o BNDES concedeu financiamento à Vale no valor de R$ 774,6 milhões, em 20/12/2007 novo financiamento de R$ 808,3 milhões e em 01/4/2008 mais um de R$ 7,3 bilhões (bilhões, mesmo) para investimento no Brasil até o ano de 2012.
Conhecendo, como todos conhecem, os malefícios que a influência do poder econômico têm causado ao Brasil e ao povo brasileiro, é fácil imaginar o que pode acontecer com uma empresa gigantesca como a Vale com o controle privado sobre o capital!


10 – CONCLUSÃO


Procurei apresentar as principais razões para a declaração de nulidade do leilão da CVRD. Muitas outras razões existem. Quem quiser pesquisar terá muito trabalho a ser enfrentado. Prepare-se para conhecer o que já foi denominado o maior caso de corrupção no mundo, em todas as épocas.
Nós não podemos aceitar a entrega de uma empresa de importância estratégica para o Brasil, atualmente preocupada exclusivamente com a questão do lucro cuja maior parte vai para as mãos de estrangeiros. “Todos os investimentos são executados com a disciplina exigida para garantir geração de valor para nossos acionistas” (do balanço de 2005. O que importa são os acionistas, o País não!) Vamos pensar no que o País poderia realizar de investimentos com os lucros da CVRD!
Temos que divulgar, por todos os meios possíveis, essa questão que é, sobretudo, de respeito ao patrimônio do povo brasileiro e de soberania nacional. Vamos realizar seminários nos sindicatos, associações, entidades de classe, escolas,, universidades, centrais sindicais, partidos políticos, casas legislativas, fóruns municipais e estaduais (culminando com um grande fórum nacional), cobrar do Judiciário, ocupar espaços na mídia, etc.
O importante é conscientizar e organizar o povo – estudantes, operários (especialmente os da atual Vale), entidades sindicais e profissionais, parlamentares, governantes, autoridades dos três poderes, profissionais liberais, artistas, intelectuais, enfim todos, para essa patriótica e indispensável causa:

DECLARAÇÃO DA NULIDADE DO LEILÃO DA CVRD

 

PS (em 21/10/2013): quem se interessar em conhecer a verdade sobre o criminoso "leilão" consulte o blog do Dr. Eloá Cruz em http://alafin.zip.net  . Lá estão mais de 200 artigos escritos pelo incansável defensor do patrimônio do povo brasileiro e de nossa soberania!

domingo, 20 de outubro de 2013

Informativo semanal do Prof. Ernesto Germano Pares


O poder da bancada ruralista.

É a maior bancada do Congresso Nacional. Oficialmente conta com 162 deputados e 11 senadores, sob a sigla de Frente Parlamentar da Agropecuária. Para se registrar como frente é necessário um terço dos congressistas (198). Porém, a bancada conta com uma legião de adeptos de última hora. A pesquisadora da USP Sandra Helena G. Costa pesquisou a vida de 374 deputados e senadores para fazer a tese “Questão agrária e a bancada ruralista no Congresso Nacional”. Inclusive com o histórico familiar e a participação na política brasileira na formação das oligarquias regionais. Sem contar 23 que não tem nenhum imóvel registrado ou qualquer ligação empresarial com o agronegócio, os restantes 351 declaram possuir 863.646,53 hectares. Os dados foram consultados nos arquivos do TSE e no cadastro do INCRA.

Já o jornalista Alceu Castilho, autor do livro “Partido da Terra”, que levantou 13 mil declarações de bens de políticos brasileiros, incluindo deputados estaduais, prefeitos, vices, suplentes, chegou a um número de 2,03 milhões de hectares. As informações registradas pela Justiça Eleitoral são declarações dos próprios candidatos. Mas o que interessa, além das prioridades da bancada ruralista, é que eles representam empresas e proprietários de terras no país, que movimentam R$440 bilhões entre a produção agrícola e pecuária. O capitalismo agrário brasileiro não é um negócio de famílias, embora elas continuem no poder em vários estados, comandando a máquina do Estado.

O perfil da bancada ruralista é o seguinte: maior número de deputados é de Minas Gerais com 24, do total de 53. As bancadas regionais do MS e TO tem a maior proporção de ruralistas 87,5%. Dos oito componentes das duas bancadas sete são ruralistas. No MT dos oito são seis ruralistas. A região Centro-Oeste tem o maior número de ruralistas – dos 41, 24 fazem parte. Mas a Região Sul, possui o maior número proporcional – 62,3%. Ou seja, dos 77, 48 são ruralistas, no caso do RS, dos 31 deputados l6 são da bancada. No Paraná, de 30, 21 pertencem a dita cuja. No nordeste, dos 151 congressistas, 63 são ruralistas. No Norte, dos 65, 29 compõe a bancada. No Sudeste dos 179, 44 são ruralistas. O partido com maior número de ruralistas é o PMDB – dos 78, 46 são, além de Três senadores. O bloco PSB, PTB e PC do B dos 62, 22 pertencem e um senador. No PP, dos 39 deputados 25 são ruralistas além de três senadores. No DEM, dos 27, 26 estão catalogados. No PSDB de 51, 25 participam. No PT dos 85, 14 votam com ela. (Matéria completa em Carta Maior)

Quem recebe dinheiro dos escravocratas? (Matéria em Repórter Brasil) A partir do cruzamento de dados do Cadastro de Empregadores flagrados com trabalho escravo, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (mais conhecido como a “lista suja” do trabalho escravo) e as informações de doadores de campanhas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral, organizadas pelo Portal Às Claras, a Repórter Brasil mapeou todos os candidatos e partidos beneficiados entre 2002 e 2012 por empresas e pessoas flagradas explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão. PTB e PMDB são os partidos que mais receberam dinheiro dos atuais integrantes da “lista suja” no período e o recém-criado PSD é o que mais recebeu dinheiro na eleição de 2012.

Ao todo, 77 empresas e empregadores flagrados explorando escravos que constam na lista atual fizeram doações a políticos, o que equivale a 16% dos 490 nomes. Eles movimentaram R$ 9,6 milhões em doações, em valores corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O levantamento mostra que os quase R$ 10 milhões se distribuem entre 23 partidos políticos, considerando as doações feitas aos seus candidatos ou diretamente às agremiações, através de seus diretórios regionais. Como a inclusão de um nome na “lista suja” demora em função do processo administrativo decorrente do flagrante, no qual quem foi autuado tem chance de se defender, e considerando que, em linhas gerais, as doações eleitorais são fruto de relações prolongadas e não pontuais, a Repórter Brasil incluiu mesmo doações feitas em pleitos anteriores à inclusão no cadastro. O levantamento informa as doações dos atuais integrantes da relação, e não de todos os que já passaram por ela.

O resultado foi organizado em um infográfico, que pode ser conferido


“Justiça” suja! Uma liminar da Justiça fluminense impediu, na segunda-feira (14), que 23 fornos ilegais para a fabricação de carvão fossem destruídos. Os fornos foram localizados durante uma operação da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), na região serrana.

A operação foi montada para embargar, multar e demolir os fornos ilegais de carvão construídos nas proximidades do Parque Estadual dos Três Picos, no município de Duas Barras. De acordo com a Secretaria de Estado do Ambiente, a atividade é considerada potencialmente poluidora e a madeira que abastece os fornos é da Mata Atlântica. A produção ilegal de carvão vegetal é altamente danosa ao meio ambiente, pois provoca a destruição de espécies de mata nativa.

Os agentes da Cicca e policias militares do Comando de Polícia Ambiental (Cpam) não puderam dinamitar os fornos porque o proprietário da área, Armando Pinto Nogueira, apresentou, por intermédio do seu advogado, uma liminar concedida pela juíza Maria do Carmo Alvim Padilha Gerk, da Comarca de Duas Barras, impedindo a demolição dos fornos. Vergonha!

Expropriação de terras dos condenados por trabalho escravo. O projeto de lei que regulamenta a expropriação de propriedades rurais e urbanas, onde seja constatada a exploração de trabalho escravo, foi aprovado na quinta-feira (17) pela comissão especial mista do Congresso, criada para regulamentar dispositivos constitucionais.

O texto define trabalho escravo como “a submissão a trabalho forçado, exigido sob ameaça de punição, com uso de coação, ou que se conclui de maneira involuntária, ou com restrição da liberdade pessoal; o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; a manutenção de vigilância ostensiva no local de trabalho ou a apropriação de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; e a restrição, por qualquer meio, da locomoção do trabalhador em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.

Atendimento médico por meio dos planos de saúde piorou. A maioria dos associados aos planos de saúde no estado de São Paulo enfrentou dificuldades na hora em que precisou dos serviços contratados. Os problemas ocorreram nos dois últimos anos, segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela Associação Paulista de Medicina. O levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares ou a procurar o Sistema Único de Saúde.

Em comparação a pesquisa anterior, cresceu em 50% a procura da rede pública, por falta de opção de atendimento por meio dos planos. O número de segurados que se sentiram obrigados a buscar atendimento particular cresceu entre 2012 e 2013. No ano passado, 9% declararam ter feito a opção ante 12%, neste ano de 2013. O grupo que recorreu ao sistema público passou de 15%, em 2012, para 22% neste ano.

A principal queixa ouvida pelos pesquisadores do Datafolha diz respeito à sala de espera lotada em prontos-socorros, e a demora no atendimento, apontada por 66% dos entrevistados. As dificuldades em agendar exames e obter diagnósticos atingiu 47% das citações. As reclamações de falhas no pronto-atendimento foram feitas por 80%. A demora em autorizar exames mais complexos ou mesmo a negativa foi citada por 16% dos entrevistados. (Marli Moreira - Repórter da Agência Brasil)

Emprego sobe. A inflação mais controlada e a recuperação da renda média real podem ter influenciado as contratações de setembro mostradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), na avaliação de economistas consultados pelo jornal Valor Econômico. De acordo com a pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no mês houve geração líquida de 211 mil vagas formais, número superior às expectativas e ao apurado em setembro do ano passado (150 mil). O resultado foi puxado pelos setores de comércio e serviços, responsáveis por mais da metade dos empregos criados no período - 53,8 mil e 70,6 mil, respectivamente. Para Fabio Romão, da LCA Consultores, essas altas são reflexo de um aumento da confiança do consumidor, que voltou a movimentar mais os setores ao sentir a inflação acomodada abaixo de 6% e, por consequência, a menor volatilidade na desaceleração do aumento da renda média real vista desde o começo do ano. (Valor Econômico – 17/10/13)

Emprego com carteira assinada. O saldo líquido de empregos formais gerados em setembro foi de 211.068, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). É o maior saldo para setembro desde 2010, quando somou 248.875 na série sem ajuste, ou seja, a que considera apenas as informações enviadas pelas empresas até a data limite determinada pelo governo. O resultado ficou acima do teto das previsões dos analistas. (O Estado de São Paulo- 16/10/13)

EUA, Inglaterra e Canadá: o tripé da mentira mundial. A afirmação é do jornalista britânico Glenn Greenwald, correspondente do jornal The Guardian, ouvido pela CPI da Espionagem, do Senado, na quarta (09/10). Greenwald reafirmou que os governos dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra têm coletado informações de países em desenvolvimento movidos por interesses econômicos. “Sem dúvida não estão preocupados com segurança nacional ou terrorismo, como sempre alegam, mas em obter vantagens comerciais para suas empresas”.

Para Glenn Greenwald, os governos desses três países têm feito o que sempre acusam a China de fazer. “A China espiona seus parceiros comerciais, mas esses governos têm usado o discurso da segurança para justificar seu aparato de espionagem”. O jornalista disse que analisou apenas cerca de 2% do material obtido com o ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA), Edward Snowden, exilado na Rússia desde 1º de agosto.

Greenwald também afirmou que a NSA tem invadido sistemas de transmissão via cabo, mas que não sabe quais seriam esses sistemas. Questionado sobre a possibilidade de colaboração de empresas brasileiras com a espionagem, o jornalista afirmou que o sistema usado pela NSA é o mesmo usado pela AT&T, que mantém contratos com empresas de telecomunicações de vários países, inclusive brasileiras. O que não dá para afirmar, ponderou, é se essas empresas estão colaborando, mas há a possibilidade de que o estejam fazendo mesmo sem saber. (Elizângela Araújo, Especial para Carta Maior)

Europa caminha para a pobreza. Muito interessante o recente relatório divulgado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Segundo o resultado dos muitos levantamentos realizados, está sendo registrada diminuição de pobreza a nível mundial, porém a Europa é exceção. “A pobreza está disseminada pela Europa. Dos 52 países incluídos no estudo, 34 registram taxas de dois dígitos na proporção de pessoas pobres”, destaca.

“Comparado com 2009, são mais milhões de pessoas enfrentando filas para obter comida, não conseguindo comprar medicamentos ou conseguir cuidados médicos. Milhões estão desempregados e muitos daqueles que ainda têm trabalho enfrentam dificuldades para sustentar a sua família devido aos salários insuficientes e ao aumento desmesurado dos preços”, acrescenta o relatório da Federação que diz ainda: “não só há mais pessoas estão caindo na pobreza, mas os pobres estão ficando mais pobres, e a sensação é de que a diferença entre ricos e pobres está crescendo”.

“A quantidade de pessoas que dependem das distribuições de comida da Cruz Vermelha (CV) em 22 dos países analisados aumentou 75% entre 2009 e 2012”, diz o documento que afirma que a CV presta também assistência “legal, financeira, material ou psicológica” a centenas de milhares de pessoas.

No estudo intitulado Think differently: humanitarian impacts of the economic crisis in Europe, a Federação adianta que “existem agora mais de 18 milhões de pessoas recebendo apoio alimentar financiado pela União Europeia, 43 milhões que não têm o suficiente para comer diariamente e 120 milhões de pessoas em risco de pobreza em países acompanhados pelo Eurostat [Gabinete de Estatísticas da União Europeia]”.

Na medida em que a crise se aprofunda, “milhões de europeus vivem com insegurança, sem certezas sobre o que o futuro lhes reserva. Este é um dos piores estados de espírito para um ser humano. Vemos o desespero silencioso se alastrando entre os europeus, que resulta em depressões, resignação e perda de esperança”, conclui o documento.

A crise também na Alemanha. Os impactos da crise “não são limitados aos países devastados pela crise”, diz o relatório. Na Alemanha, um quarto dos trabalhadores recebe atualmente baixos salários. Quase metade das novas contratações é de trabalhos mal pagos, empregos precários, com pouca ou nenhuma proteção social. Em agosto de 2012, quase 600 mil trabalhadores alemães “tiveram que pedir benefícios adicionais para pagamento de dívidas”.

“A Europa enfrenta a sua pior crise humanitária das últimas seis décadas. As vidas das pessoas foram viradas do avesso e a degradação parece estar a aumentar, com milhões a sobreviverem dia a dia, sem poupanças ou algo que possa amortecer despesas imprevistas”, adiantou o secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Bekele Geleta.

Portugal anuncia cortes de salários e aumento nos impostos. O novo projeto de Orçamento de Portugal, seguindo as exigências ditadas pela “troika”, inclui cortes no salário do funcionalismo público e aumento de impostos.

Segundo o documento português, que deverá ser debatido no Parlamento nas próximas semanas, os funcionários com um salário mensal superior a 600 euros sofrerão um corte de entre 2,5% e 12%, o que ajudará a diminuir as despesas e reduzir o déficit, como exige a “troika” (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).

O texto entregue ao Parlamento propõe também uma série de medidas fiscais, entre as quais se inclui o aumento de impostos sobre o tabaco, uma maior taxa que penalize a compra de veículos por parte das empresas ou a alta da contribuição extraordinária que pagam os bancos por seu passivo, que passou de 0,05% a 0,07%.

França aprova reforma previdenciária. A Assembleia Nacional da França aprovou na terça-feira (15) uma reforma no sistema previdenciário do país. Durante a votação, milhares de franceses saíram às ruas para protestar, mais uma vez, contra a medida, que ainda deve passar pelo crivo do Senado.

O plano estende o período de contribuição previdenciária de 41,5 para 43 anos até 2035, aumentando, assim, o tempo de trabalho exigido para empregados conseguirem se aposentar com salário cheio. Também está previsto que tanto empregados, quanto empregadores, paguem mais à previdência.

Contra as mudanças, sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda organizaram protestos em Paris e outras cidades, como Marseille, Toulouse e Lyon.

A reforma tem como finalidade diminuir o déficit orçamentário francês, que, segundo a União Europeia, não pode seguir a tendência de crescimento e atingir 20 bilhões de euros em 2020. Segundo a Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, o sistema previdenciário francês não pode “sobrecarregar” empregadores – que pagam as taxas mais altas do continente.

O “1%” cada vez mais rico. Muito esclarecedor o relatório divulgado pelo Credit Suisse Research Institute. Nele vamos descobrir que a riqueza global média chegou a um máximo de 51.600 dólares por adulto, mas, de fato, se divide de uma forma muito desigual. O relatório mostra que os 10% mais ricos da população mundial ficam com 86% de toda a riqueza! E, mais grave ainda, o chamado “1%” (mais ricos do planeta) ficam com 46% de toda a riqueza!

De acordo com o documento, a riqueza global chegou a um novo recorde: 241 trilhões de dólares! E a tendência é de que chegue a 334 trilhões até 2018.

Índice Global da Fome. Pelo menos 56 países estão em uma situação “grave” ou “muito grave” por suas insuficiências alimentícias, como Eritréia, Burundi e Comores, segundo o Índice Global da Fome de 2013 apresentado nesta segunda-feira (14/10) em Berlim.

O Índice Mundial da Fome, que chega a sua oitava edição neste ano, é resultado de um trabalho elaborado em conjunto pelo IFPRI (Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e as ONG Concern Worldwide e Welthungerhilfe, da Irlanda e da Alemanha, respectivamente.

Depois de Eritréia, Burundi e Comores, em situação extrema, a lista dos 16 países com problemas “muito graves” inclui Timor Leste, Sudão, Chade, Iêmen, Etiópia, Madagascar, Zâmbia, Haiti, República Centro-Africana, Serra Leoa, Burkina Fasso, Moçambique, Índia, Tanzânia, República do Congo e Níger.

Para a realização do relatório, três parâmetros foram levados em consideração: a porcentagem de pessoas subalimentadas, a porcentagem de crianças abaixo dos cinco anos que sofrem carências alimentícias e a taxa de mortalidade infantil também abaixo dos cinco anos.

Mais de 29 milhões de pessoas são escravizadas no mundo. Mais de 29 milhões de pessoas estão sendo escravizadas atualmente em todo do mundo. Essa foi a conclusão do estudo “Índice de Escravidão Global” 2013, a primeira pesquisa realizada para medir a extensão do fenômeno nos tempos modernos. Divulgada na quinta-feira (17), ela tem como base a investigação individual de 162 países. 

A estimativa mostra um cenário muito mais negativo que relatórios anteriores dos EUA e da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que, respectivamente, contabilizaram 27 e 21 milhões de pessoas em situação de escravidão.

A pesquisa classificou os países em um ranking global de escravidão, no qual os primeiros colocados são os com maior incidência de escravos. O principal fator considerado foi a presença de trabalho forçado na população, mas os pesquisadores também levaram em conta o número de casos de casamento infantil e de tráfico de pessoas nesses locais. (Matéria completa em Opera Mundi)

A corrupção na União Europeia. Segundo um relatório da Comissão de Combate a Organizações Criminosas, Corrupção e Lavagem de Dinheiro que será votado entre 21 e 24 de outubro no Parlamento Europeu, os países da União Europeia (UE) perdem cerca de 120 bilhões de euros ao ano devido à corrupção. O valor representa aproximadamente 1% do PIB conjunto de todos os países membros do bloco e 80% do orçamento disponível para a UE no ano de 2013.

Os maiores culpados pela corrupção, segundo o relatório, são as organizações criminosas internacionais, que veem a inexistência de fronteiras internas da UE como uma oportunidade de negócio. Um relatório da Europol de 2013 estima que cerca de 3,6 mil organizações criminosas atuem dentro do território europeu. De acordo com as contas da comissão, estas organizações são responsáveis pela perda de 670 bilhões de euros anuais por parte das empresas da região. E ainda fomentam um mercado de armas ilegais que chega a atingir 10 milhões de unidades.

“Exercícios de guerra”? Israel anunciou, no final da semana passada, que sua força aérea está realizando exercícios com voos de longa distância. Segundo a imprensa local, o treinamento teve lugar no espaço aéreo da Grécia e dele participaram dezenas de aviões de combate que praticaram reabastecimento em pleno voo.

Em nota oficial, os militares disseram que “A força aérea é o ‘braço longo’ do exército e tem um papel fundamental no desenvolvimento da opção militar em caso de necessidade”.

Estadunidenses já mataram meio milhão de pessoas no Iraque. Cerca de 460 mil pessoas morreram entre os anos de 2003 e 2011 no Iraque por conta da guerra e ocupação estadunidense do país. A estimativa é resultado de uma pesquisa conduzida por estudiosos de diversas universidades sobre a taxa de mortalidade na nação árabe divulgada na quarta-feira (16) pela revista de medicina PLOS (Livraria Publica de Ciência na tradução livre do português).

O relatório indica que mais de 60% dessas mortes foram provocadas diretamente pela violência decorrente da ocupação do território: com 35% atribuídas às forças de coalizão, 32% a milícias guerrilheiras e 11% a criminosos. O restante teria sido causado por outros efeitos indiretos da guerra, como, por exemplo, o colapso de infraestrutura e nos serviços.