sábado, 27 de agosto de 2016

Sociedade civil apresenta 8 sugestões para aumentar transparência e participação social no Congresso

26/08/2016 12:41 - Copyleft

Sociedade civil apresenta 8 sugestões para aumentar transparência e participação social no Congresso

Representantes de organizações como o Inesc, Conectas e Idec, entre outras, entregaram carta com as medidas desejadas ao presidente da Câmara.


INESC
reprodução
Representantes de organizações como o Inesc, Conectas e Idec, entre outras, entregaram carta com as medidas desejadas ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia.

 


O Congresso Nacional precisa ser cada vez mais transparente e ter mais participação social para garantir direitos e aprofundar a democracia, esse é um caminho que não pode deixar de ser trilhado. Para contribuir com esse processo, representantes de diversas organizações da sociedade civil entregaram esta semana ao deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, uma carta com oito pontos centrais para se atingir a transparência desejada e estimular a participação social nas decisões dos parlamentares.
 
"Um dos principais pontos necessários à abertura no Legislativo é referente ao seu processo em si", afirma Grazielle David, assessora política do Inesc, que participou do encontro com Maia. "É preciso explicitar como são tomadas as decisões, quais são os prazos e como se estrutura a participação social."
 
A possibilidade de monitorar, participar e incidir nas decisões tomadas no Legislativo, tanto nas comissões como no plenário, é o objetivo central da carta, assinada por quase 50 entidades. Entre as reivindicações da carta estão um mecanismo oficial e público de contagem das sessões ordinárias da Câmara para acompanhamento dos prazos de análises de projetos de lei nas comissões temática e justificativa de voto dos parlamentares por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
 





Leia aqui a íntegra da carta "Parlamento Aberto - carta com sugestões para a Câmara dos Deputados.
 
Após o encontro com Rodrigo Maia, foi realizada uma audiência pública, "Por mais transparência e participação social", com os representantes das organizações da sociedade civil.
 
Segundo Pétala Brandão, integrante da Rede Conectas, as reivindicações da sociedade civil são baseadas no trabalho legítimo de entidades que representam o interesse público. "Nosso trabalho, aqui no Congresso, tem dois objetivos principais. O primeiro deles - atualmente muito necessário diante da atual conjuntura - é evitar retrocessos no campo de direitos humanos; e garantir a promoção de leis que vão refletir uma sociedade mais justa", afirmou.
 
Rodrigo Maia e seus assessores aproveitaram a reunião para apresentar alguns dos instrumentos que o Congresso já dispõe para interação com os cidadãos, como o portal E-Democracia (ferramenta de participação popular no processo legislativo) e o Laboratório Hacker.
 
Com informações da Agência Câmara Notícias.




Créditos da foto: reprodução


Comentário deste blogueiro: Considerando quem é o atual ocupante da presidência da Câmara dos Deputados e a própria composição do Congresso Nacional, infelizmente, não devemos ter nenhuma ilusão quanto ao atendimento do pleito apresentado.

ESTARRECEDOR. Os maiores devedores da Amazônia e suas perigosas relações

26/08/2016 12:59 - Copyleft

Os maiores devedores da Amazônia e suas perigosas relações

Combater a corrupção passa por combater a sonegação fiscal, que só beneficia os super-ricos e prejudica os mais pobres.


INESC
EBC
A Amazônia é uma das regiões mais ricas do planeta. A imensidão da biodiversidade e fartura de recursos naturais tornam os sete estados amazônicos literalmente ricos por natureza. Mas em geral onde há fartura, há falcatrua. Um levantamento feito pelo Inesc sobre a Dívida Ativa da União (DAU) na Amazônia (considerando apenas os sete estados da região Norte) revela que os maiores devedores da região acumulam uma dívida total de R$ 17,8 bilhões. O levantamento identificou os 10 maiores inscritos na Dívida Ativa da União em cada um dos sete estados, entre pessoas físicas e jurídicas. Rondônia lidera esse ranking, com cerca de R$ 4,7 bilhões em dívidas. Em seguida aparecem Amazonas (R$ 4,4 bilhões), Pará (R$ 3,9 bilhões), Tocantins (R$ 2,4 bilhões), Amapá (R$ 1,08 bilhão), Acre (R$ 894 milhões) e Roraima (R$ 503 milhões).
 
No entanto, levando-se em conta todas as dívidas ativas da União de pessoas físicas e jurídicas em cada estado, e não apenas os 10 maiores devedores, o ranking muda. A liderança vai para o Pará, com R$ 23,7 bilhões em dívidas. Rondônia cai para o terceiro lugar, com pouco mais de R$ 6 bilhões, sendo ultrapassada também pelo Amazonas, que aparece em segundo, com R$ 16,2 bilhões em dívidas. Tocantins (R$ 4,9 bilhões, em quarto), Amapá (R$ 2,1 bilhões, quinto), Roraima (R$ 1,8 bilhão, sexto) e Acre (R$ 1,7 bilhão, sétimo), completam o ranking.


 





A sonegação fiscal é crime e deve ser tratada como tal. Combater a corrupção passa por combater a sonegação fiscal, que só beneficia os super-ricos e prejudica os mais pobres e a classe média, por contribuir com a má distribuição da carga tributária no Brasil. Além disso, a corrupção vai muito além do desvio de dinheiro por políticos e servidores públicos. No Brasil, 80% da corrupção vem do setor privado. E suas práticas são interligadas com outros crimes – essas dívidas são apenas a ponta do iceberg. Por trás dessa dívida bilionária escondem-se muitos crimes, não apenas financeiros – há crimes ambientais, eleitorais, grilagem de terras, assassinatos. Foi o que descobrimos analisando a lista dos maiores devedores na Amazônia.
 
Em todo o país, essa Dívida Ativa da União chega a incríveis R$ 1,58 trilhão (valores de dezembro de 2015), superando a arrecadação total brasileira no mesmo ano, que foi de R$ 1,274 trilhão. E pior: a recuperação desse dinheiro é lenta: segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somente 1% da dívida é resgatado. Atualmente há R$ 252,1 bilhões que já integram processos transitados em julgado – ou seja, já poderiam ter sido devolvidos aos cofres públicos. Esse valor cobre com sobras o déficit fiscal do país anunciado pelo governo ilegítimo de Michel Temer para 2016.


 
As dívidas no estado de Rondônia acumulam R$ 4,6 bilhões. Não por acaso, entre os três maiores devedores da Amazônia, destacam-se três empresas do estado, que juntas somam R$ 3,5 bilhões em dívidas à União. São elas: J. C. Indústria & Comércio de Produtos de Limpeza, Gidan Indústria e Comércio de Alimentos e Produtos de Limpeza Imp e Exp LTDA e a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD). No ranking dos dez maiores devedores deste estado, sete empresas totalizam 545 dívidas ativas na União, destas 202 são dívidas trabalhistas, que envolvem o não pagamento de FGTS e INSS.
 
Na relação de pessoas jurídicas com dívidas na União, consta a Dismar Distribuidora de Bebidas São Miguel Arcanjo, com uma dívida de R$ 157,9 milhões. Em 2003, uma investigação do Ministério Público de Rondônia encontrou evidências de peculato envolvendo o então presidente da Assembleia Legislativa, Natanael José da Silva, acusado de desviar cerca de R$ 600 mil para contas de suas empresas, entre elas a Dismar Distribuidora, da qual era sócio com 85% das cotas sociais. Natanael foi condenado em 2010 a 14 anos e 8 meses de prisão, mas só em 2014, com o trânsito em julgado, foi emitido o pedido de prisão. Foragido da Justiça desde então, o ex-presidente da ALE-RO foi capturado em março deste ano, em Abadiânia, interior de Goiás. Além da empresa, Natanael também tem uma Dívida Tributária Não Previdenciária de mais de R$ 60 milhões.
 
Ainda em Rondônia, chama a atenção o caso de Gilmar Teixeira, que tem uma dívida de mais de R$ 165 milhões. Em 2011, Gilmar e sua mulher, Márcia Teixeira, foram autuados pelo Ibama por crime ambiental. Segundo o Ibama, Gilmar já foi autuado cinco vezes por crimes como desmatamento ilegal e destruição de floresta. À época, as multas dele somavam R$ 24,3 milhões.Gilmar Teixeira é considerado um dos maiores desmatadores do Amazonas, tendo desmatado mais de 4,5 mil hectares de floresta.


 
Sonegação x Grilagem de Terras
 
A grilagem de terras na Amazônia é o carro-chefe de muitos crimes e problemas sociais, entre eles o trabalho escravo e a invasão de terras indígenas. No Pará, a empresa Indústria Comércio Exportação e Navegação desponta como a segunda maior devedora à União com R$ 539,2 milhões. Em 2013, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Justiça Federal pedido de cancelamento da matrícula do imóvel rural denominado Fazenda Curuá, ocupado ilegalmente pela empresa, do Grupo C. R. Almeida. Situada na região da Terra do Meio, a área de cerca de 4,5 milhões de hectares corresponde aos territórios da Holanda e Bélgica juntos, e é considerado o maior caso de grilagem (invasão de terras públicas) do mundo.


 
No Acre, quatro pessoas que figuram entre os dez maiores devedores do estado estão envolvidos em questões relacionados a desmatamento em terras indígenas, grilagem de terras e sonegação fiscal. Jorgenei da Silva Ribeiro, que possui uma dívida no valor de R$ 127 milhões, é ex-candidato a Deputado Federal pelo Acre (PMDB) e em 2007 foi condenado em ação ajuizada pelo MPE por ter usado Nota Fiscal com data irregular na prestação de contas da campanha eleitoral de 2002, além da omissão de despesas. Além desta condenação, em dezembro de 2015, representantes Jaminawa e Manchineri solicitaram ao Ministério Público Federal (MPF) a anulação do processo de licenciamento ambiental do projeto de construção do ramal madeireiro, de interesse de Jorgenei, que atravessa a Reserva Extrativista Chico Mendes e passa no entorno da Terra Indígena (TI) Mamoadate, localizado em Assis Brasil (AC).
 
Outro que aparece entre os dez maiores devedores da União no estado do Acre é Odete Davila Junior, com dívida de R$ 90,6 milhões ele é proprietário da segunda maior área de terra grilada no estado com mais de 250 mil hectares.
 
Mandato cassado
 
Os irmãos Narciso Mendes de Assis e Naildo Mendes de Assis, sócios em vários empreendimentos, têm dívidas somadas à R$ 154 milhões. Ambos também são proprietários da Construtora Mendes Carlos vinculada na Lista de Devedores com uma quantia superior a R$ 64 milhões. Narciso é ex-deputado estadual e federal, em 2002 foi novamente eleito deputado federal pelo PP, mas a Justiça Eleitoral cassou o mandato, por ter exercido o cargo de sócio-gerente de uma emissora de TV em Rio Branco, o que é proibido para congressistas. Narciso e o irmão são donos do Complexo O Rio Branco de Comunicação que inclui a TV Rio Branco, afiliada ao SBT, o Jornal O Rio Branco. Em 2006, Narciso se candidatou mais uma vez pelo PDT, mas não se elegeu. Já em 2014, o prédio do jornal e TV Rio Branco, do empresário Narciso Mendes, foi arrematado por R$ 1,1 milhão, em leilão da Justiça Federal, por causa de processos envolvendo sonegação de tributos federais.


 
No Amapá as dívidas dos dez maiores devedores são da ordem de R$ 1 bilhão. Entre os devedores na categoria de Pessoa Jurídica figura a Vesle Movéis e Eletrodoméstico, Governo do Estado e Companhia de Água e Esgoto do Amapá. Já na categoria Pessoa Física, desponta Marco Aurélio de Campos Silva, com um dívida não tributária previdenciária no valor de R$ 198,1 milhões. Ainda na mesma categoria destaca-se o empresário Alexandre Gomes de Albuquerque, proprietário da empresa A G de Albuquerque (Amapá Vip), as dívidas à União alcançam a ordem de R$ 77 milhões. Em 2010, Alexandre foi preso na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvios de recursos públicos no Amapá. A empresa de Alexandre prestava serviços de vigilância e foi contratada irregularmente pela Secretaria da Educação.


 
Mineração em terra indígena
 
Em 2006, Fernando Ferreira de Oliveira foi preso com mais sete pessoas pela Operação Exodus da Polícia Federal em Roraima, com a acusação de crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária, pelo desvio de cerca de R$ 190 milhões para o exterior. Fernando é um dos nomes que aparece na Lista de Devedores à União com um débito no valor de R$ 53 milhões.
 
Além do caso de Fernando, outro devedor que chama a atenção na relação de mau pagadores da União é Antônio Belém de Macedo, proprietário da empresa A B de Macedo, as dívidas de ambos somam R$ 66 milhões. Em 2013, o empresário foi acusado de extração ilegal de minérios em terra indígena. Conforme denúncia do MPF/RR, Antônio e mais duas pessoas extraíram recursos minerais da Comunidade Indígena Anaro sem qualquer autorização das autoridades competentes. Também em 2013, o Ministério Público Federal (MPF) de Roraima, pediu a condenação de Antônio Belém de Macedo por peculato.


 
Governador do Tocantins
 
O governador do Tocantins, Marcelo de Carvalho Miranda (PMDB), é o único dos gestores estaduais da região Norte que aparece na Lista de Devedores da União, com uma dívida no valor de R$ 41 milhões. Miranda está em seu terceiro mandato como Governador do Tocantins, em 2009, portanto seu segundo mandato, foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral sob a acusação de abuso de poder, compra de votos e uso indevido dos meios de comunicação social nas eleições de 2006.


Os três setores com maiores dívidas ativas na União, segundo o levantamento feito pelo Inesc:


 
Entenda:
 
 1) O que são as dívidas ativas?
 
A Dívida Ativa da União é o conjunto de débitos de pessoas jurídicas e físicas com órgãos públicos federais (Receita Federal, Ministério dos Transportes, Ministério do Trabalho, INSS, multas eleitorais, etc) não pagos espontaneamente, de natureza tributária ou não.
 
2) O que são as dívidas tributárias não previdenciárias?
 
Dívidas tributárias previdenciárias: todas as contribuições previstas em Lei ao INSS.
 
Dívidas tributárias não previdenciárias: impostos; taxas; empréstimos compulsórios, etc.
 
Dívidas não-tributárias: taxa de ocupação; multa pelo exercício do poder de polícia, etc.
 
3) Como é feita a cobrança dessas dívidas?
 
Após o não pagamento nos prazos, os órgãos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN conferem a estes débitos certeza, liquidez e exigibilidade, o que lhes permite ingressar judicialmente contra o devedor, em processo de Execução Fiscal.
 
Por ocasião da inscrição o contribuinte recebe um DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), com as informações sobre o débito. A dívida inscrita em divida ativa é identificada por um número especifico, para sua identificação e acompanhamento do processo administrativo. Durante o processo administrativo é conferida ampla defesa. Com exceção de casos excepcionais, pessoas jurídicas ou físicas inscritas em dívida ativa não têm direito à Certidão Negativa de Débitos. Após a finalização do processo administrativo, o devedor pode quitar o débito devido ou entrar recurso judicial. Uma vez que processo judicial tenha transitado em julgado e o devedor tenha sido condenado a quitar o débito, deve ser feito o recolhimento do valor inscrito na dívida ativa atualizados pelos juros de mora e demais encargos previstos.


Créditos da foto: EBC




A fábula do antiquado pato amarelo

26/08/2016 16:20 - Copyleft

A fábula do antiquado pato amarelo

O setor que capitaneia a campanha do pato amarelo artificial é beneficiário de uma infinidade de incentivos e isenções.


Leomar Daroncho
Lucio Bernando Jr
Uma criativa campanha de marketing da Frente Nacional contra o Aumento de Impostos pôs um simpático patinho amarelo a surfar na onda das recentes manifestações de ruas do Brasil. O movimento, liderado pelo setor industrial de São Paulo, propôs-se a colher assinaturas contra o aumento da carga tributária no país com o slogan "Não Vou Pagar o Pato”. Assim, com amplo apelo publicitário, caiu nas graças de muitos que se deslocavam entre os manifestantes defensores do impeachment. As crianças adoraram!
 
O gosto pelas fábulas é tão antigo quanto seu uso para transmitir ideias sob a forma de narrativas que terminam com mensagens morais.
 
Atribui-se o desenvolvimento do gênero, a partir de criações orientais, ao grego Esopo, que, no século VI a.C., teria o dom da palavra. Contava histórias curtas. Normalmente atribuía pensamentos, ações e características humanas a animais. Suas narrativas foram reproduzidas em infindáveis citações de célebres pensadores como Heródoto e Platão. O formato inspirou La Fontaine (A Lebre e a Tartaruga, O Leão e o Rato e A Raposa e a Uva).
 
Algumas das qualidades ou condições atribuídas aos animais foram reelaboradas e passaram a corresponder a ideias sobre determinadas situações. Nas narrativas com fundo didático, cada animal simboliza algum aspecto ou qualidade do homem. O leão representaria a força. A tartaruga, a lentidão. 




 
A formiga, o trabalho. A lebre, a agilidade. 
 
São representações que fazem parte das variações da língua. Espelham aspectos e nuances que retratam realidades culturais de determinadas regiões e épocas. Algumas podem se perpetuar por gerações, por vezes, desprendendo-se da restrita concepção inicial. 
A frase "pagar o pato" pode ser considerada uma expressão idiomática. Antiga, é empregada no sentido figurado. Remete à ideia de um comportamento de tolo. De alguém que responde ou paga pelo que não deve. 
 
Passada a fase aguda do movimento que culminou, no plano institucional, com o afastamento, temporário, da chefe do Poder Executivo, os representantes do setor empresarial apressaram-se em apresentar reivindicações ao Governo provisório. Cobram o prêmio pelas deambulações do pato amarelo.
 
No que diz respeito às relações de trabalho, o antagonismo em relação aos supostos direitos, “exagerados”, dos trabalhadores retoma, com um discurso modernizante, a pauta dos setores empresariais mais atrasados. Pauta esta que esteve presente nas discussões da CLT, na década de 1940. A disputa está retratada desde a Exposição de Motivos da CLT.
 
Na mesma época (Filadélfia, 1944), a Organização Internacional do Trabalho – OIT já debatia e afirmava a preocupação das nações com o desenvolvimento de um regime de trabalho “realmente humano”. 
 
A partir do reconhecimento de que existem condições de trabalho que implicam miséria e privações, e que o descontentamento que daí decorre põe em perigo a paz e a harmonia, a OIT seguiu firmando compromissos que ampliam a proteção trabalhista. Sempre pautada pela consideração de que é urgente melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
 
O setor que capitaneia a campanha do pato amarelo artificial é beneficiário de uma infinidade de incentivos e isenções. Conta com generosos financiamentos de um banco público – BNDES - que apoia empreendedores e seus negócios. A justificação para as benesses oficiais está no propósito de incrementar o “potencial de geração de empregos, renda e de inclusão social para o País”. Mesmo assim, não há constrangimento na aberta defesa de uma pauta precarizante.
 
Moral da história: se há uma conta, que os trabalhadores paguem. Procurem outro pato!
 
E o pato de borracha? Ao virar celebridade, envolveu-se em polêmicas.  Admirado por uns. Criticado por outros. Foi esfaqueado. Acusado de ser plágio da obra de um artista holandês. Para completar, um de seus patrocinadores foi envolvido numa denúncia de sonegação bilionária de impostos.
 
Importante lembrar que, em sentido figurado, a palavra fábula também significa mentira ou farsa. 
 
Nesse universo, a astúcia é representada pela raposa.
 
 
Leomar Daroncho é Procurador do Trabalho





Créditos da foto: Lucio Bernando Jr




O crime de Macri se consumou no Brasil

26/08/2016 16:26 - Copyleft

O crime de Macri se consumou no Brasil

A offshore Fleg, empresa de Mauricio Macri, esteve envolvida no delito investigado pelo promotor Delgado, e se articulou no Brasil com outras duas empresas


Martín Granovsky, para o Página/12
Wikimedia Commons
 
A causa contra Mauricio Macri por um suposto esquema de lavagem de ativos através das suas empresas offshore avançou mais um importante degrau. O promotor Federico Delgado tirou as primeiras conclusões sobre a empresa Fleg, a sociedade radicada em Bahamas cujas negociatas vem sendo reveladas pelas reportagens do Página/12 desde abril. Delgado afirmou que “a causa já mostra que a Fleg foi uma empresa que originou outras empresas”.
 
No escrito levado ao juiz Sebastián Casanello, o fiscal sustenta que “a esta altura do processo, é possível precisando os caminhos que devemos percorrer, com cada vez mais precisão”.
 
Um dos caminhos é o indicado: que a Fleg foi uma “empresa-mãe”.
 





Outro dos caminhos que deve ser seguido, segundo o acusador, é o de “buscar a relação entre a Fleg e a Owners, como duas caras de uma mesma moeda”.
 
O terceiro caminho surge desta frase do promotor: “finalmente, temos que determinar se a Owners, a Fleg e a Socma Americana constituem uma tríade criada para ocultar uma só identidade econômica, sendo mais que simplesmente sócias”.
 
Segundo o escrito “essa tríade começou a se gestar nas Bahamas e foi aperfeiçoada no Brasil”.
 
O verbo “aperfeiçoar”, no jargão jurídico argentino, significa dizer que o suposto delito investigado pela promotoria teria sido consumado na etapa brasileira da triangulação.
 
O escrito também se refere diretamente ao enunciado do processo: “Macri, Mauricio s/infração art. 303”. A primeira parte do artigo 303 do Código Penal argentino estabelece que será “reprimido com prisão de três a dez anos e multa de duas a dez vezes a quantia da operação, aquele que converter, transferir, administrar, vender, gravar, dissimular ou colocar em circulação no mercado, de qualquer outro modo, bens provenientes de um ilícito penal, com a consequência possível de que a origem dos bens adquiram a aparência de um ilícito”.
 
O fato de o promotor ter invocado esse artigo significa que sua pesquisa poderia se ajustar a esse tipo penal, e sobre ela vem desenvolvendo seu trabalho.
 
Quando o processo fala da gestação do esquema nas Bahamas, se refere à criação da Fleg, com Mauricio Macri no diretório junto com seu pai, Franco Macri.
 
Com relação à consumação do crime, o escrito de Delgado diz que “a relação entre a Owners, a Fleg e a Socma Americana se conformou no Brasil e se cristalizou num prazo relativamente curto, durante o mês de setembro de 1998”. O verbo “cristalizar”, neste caso, se aplica às ideias, aos sentimentos ou aos desejos de uma pessoa ou de uma coletividade, e significa “tomar forma clara e precisa, perdendo sua indeterminação”.
 
Assim, a Fleg teria sido o primeiro passo de um esquema que se consolidou com a criação de sociedades no Brasil.
 
Após analisa os indícios apresentados pelo deputado Darío Martínez, o promotor Delgado passou a utilizar os dados para construir sua própria descrição de como sucederam as coisas. Diz ele, sem verbos condicionais, que a Socma Americana cobrou nove milhões de dólares por parte da Fleg, em troca de 99% das ações da Owners do Brasil. Lembremos que a Fleg se tornou acionista majoritária da Owners no dia 21 de setembro de 1998.
 
Depois, em outubro de 1998, a Socma Americana “constituiu outras três sociedades novas, e realizou investimentos em dinheiro em cada uma delas”. As empresas são: Partech-Unnissa (investimento de 1,89 milhão de reais), Partech (5,54 milhões de reais, em negócio que também envolveu a offshore Equifax, das Ilhas Cayman) e Itron do Brasil (3,42 milhões de reais).
 
Por sua vez, a Owners se relaciona com outras três novas firmas, também segundo o escrito do promotor. Um delas é a Martex do Sul, formada em 1999, com capital inicial proveniente da Socma Americana. Em 2007, a Owners-Fleg se uniu à Martex. Outra empresa, formada em 2002, é a Mega Consultoria, que também se envolveu com a Owners-Fleg no mesmo ano.
 
O resumo escrito por Delgado diz que “da tríade Fleg-Socma Americana-Owners se constituíram três sociedades pelo lado da Socma Americana (Partech-Unnisa, Itron do Brasil e Partech), enquanto a Owners se incorporou a outras três sociedades (Martex do Sul, Mega Consultaria e Itron do Brasil)”.
 
O mistério a ser revelado, segundo o promotor, é que “há nove milhões de dólares em jogo nesse esquema, cuja origem devemos descobrir”.
 
“Esses atos de comércio nos quais se objetivou a relação da tríade deveriam estar registrados no país vizinho, e, na atual etapa devem apontar, este é o alvo que deve ser buscado pelos trabalhos, os quais devem ser orientados a solicitar a informação vinculada às sociedades em relação a todos os registros de sociedades, movimentos bancários e informação fiscal”.
 
O objetivo imediato do fiscal: enquanto as chancelarias e o Poder Judiciário da Argentina e do Brasil intercambiam despachos – um sistema no qual o promotor Federico Delgado confia pouco, porque afirma que em vez de responder pedem mais informações –, o juiz Sergio Casanello, responsável pela causa, poderia pedir a colaboração do Corpo de Peritos Contadores da Justiça Nacional, para que examinem a documentação agregada ao processo, para apontar se o Grupo Macri assentou a saída de 9,3 milhões de dólares com o objetivo de constituir a Fleg, e se, de alguma maneira, se registrou a relação entre a Fleg, a Owners e a Socma Americana na AFIP (equivalente na Argentina à Receita Federal).
 
Tradução: Victor Farinelli


Créditos da foto: Wikimedia Commons