terça-feira, 11 de outubro de 2016

Petrobras e a geopolítica do golpe

11/10/2016 11:13 - Copyleft

Petrobras e a geopolítica do golpe

Sempre esteve claro que o golpe contra Dilma e contra a democracia tinha seus interesses por trás. Não era a responsabilidade fiscal o verdadeiro argumento


Amílcar Salas Oroño
reprodução
A aprovação da modificação do marco regulatório da exploração do petróleo no Brasil constitui não somente um enorme retrocesso soberano para o país como também a confirmação de que, independente das motivações internas, o golpe contra Dilma Rousseff também estava pautado pelas necessidades e conveniências dos interesses externos.
 
Tal como afirmou Edward Snowden, o Brasil foi um dos países mais espionados do mundo, um dos alvos preferenciais da Agência Nacional de Segurança (NSA, por sua sigla em inglês). Dentro dos âmbitos de interesse prioritários norte-americanos figuravam tanto as atividades pessoais da própria presidenta Dilma como os movimentos realizados pela empresa Petrobras. Nada disso era aleatório: Dilma havia formado parte do Conselho da Petrobras e, tanto em sua função anterior como ministra de Minas e Energia como quando ocupou o cargo de chefa da Casa Civil, foi figura central na reorganização da empresa e na implementação de determinados investimentos públicos, que possibilitaram e desenvolveram, a partir de 2006, os descobrimentos do petróleo em águas profundas, os chamados campos do Pré-Sal. Este foi um dos momentos decisivos para a geopolítica continental das últimas décadas: se trata da mais importante área de petróleo em águas profundas descobertas no Século XXI, o que posiciona o Brasil como o terceiro país a nível mundial em termos de reservas. De forma quase automática, houve uma reação estrangeira ao contexto: após bom tempo de hibernação, a IV Frota dos Estados Unidos, voltou a ser ativada.
 
A situação se tornou mais delicada uma vez que, com autonomia, o Brasil aprovou, em 2010 seu próprio marco regulatório para a exploração desse tipo específico de recurso. Uma regulação moderada que manteve as concessões já outorgadas previamente, mas que gerava outros tipos de concessões e, a respeito dos novos descobrimentos, determinava uma porcentagem obrigatória de (pelo menos) 30% de exploração para a Petrobras. Exatamente isso foi o que a recente votação na Câmara dos Deputados anulou.
 
Desde que se aprovou o marco regulatório de 2010, o Brasil deixou de ser o modelo a seguir: Lula já não era mais o “homem do ano” da Revista Time e as pressões sobre o governo de Dilma começaram a ser cada vez maiores, a ponto de ser derrubada. Sem contar a campanha contra a própria empresa estatal Petrobras, cada vez mais intensa, sobretudo desde a instalação da Operação Lava Jato, tendo em vista os perfis dos protagonistas dessa investigação judicial impôs: um juiz de primeira instância cujo currículo exibe vários “cursos de formação” financiados pelo Departamento de Estado norte-americano, ex-diretores “arrependidos” – talvez por causa dessas mesmas informações colhidas através da espionagem –, meios de comunicação que, como em nenhuma outra circunstância na história do país, novelizaram a causa judicial de formas grotescas, colocando ênfase sempre em Lula e no Partido dos Trabalhadores (PT).





 
Para isso foi dado o golpe, para terminar com essa porcentagem operativa a favor da estatal Petrobras, para entregar uma quantia de recursos extraordinários que, segundo o determinado por lei durante o governo de Dilma Rousseff, seriam destinados diretamente às políticas de educação e saúde. José Serra, o atual chanceler brasileiro e autor do projeto de lei que alterou a regulação do petróleo, já havia se comprometido com uma executiva da Chevron, anos atrás, como foi reproduzido por documentos vazados por Wikileaks: “quando nós chegarmos (ao poder), isso (o marco regulatório de 2010) vai terminar”. Uma avançada que também teve patrocínio comprovado dos Irmãos Koch (proprietários de uma das principais empresas privadas dos Estados Unidos, dedicadas precisamente à exploração de gás e petróleo) aos diversos grupos que convocaram as mobilizações contra o governo destituído, como o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua. Através dessas organizações e think tanks de ocasião que são cada vez mais comuns em todo o nosso continente, a direita conseguiu dar outra dimensão às pressões que visavam impedir que a esquerda brasileira pudesse recompor estruturas à altura dos recursos em jogo.
 
Como parte deste mesmo avanço predatório, devemos considerar também algumas mudanças recentes dentro da própria empresa estatal. Por exemplo, o atual presidente da Petrobras, Pedro Parente – nomeado por Michel Temer – colocou no posto de consultor senior da estatal o antigo dono do BG Group, companhia que foi vendida à Shell e que operava nos campos do Pré-Sal. Como reconheceu o CEO da petroleira holandesa Shell, em entrevista à revista Forbes, “a compra do BG Group tem como objetivo buscar uma maior aproximação com a `potencialidade econômica das águas profundas brasileiras´”, algo que, com a ajuda de uma Petrobras agora colonizada, seguramente será mais simples – o que explica, também, porque a Shell deixou de investir em 10 países para se concentrar no Brasil. A produção de petróleo tem que ficar em mãos confiáveis, por isso se nota a participação dos Estados Unidos em todos os processos de desestabilização, que em outras latitudes são fomentados mediante guerras internas, e que, no caso brasileiro, se baseia na alteração do Estado de Direito.
 
Sempre esteve claro que o golpe contra Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira tinha seus interesses por trás. Não era a “responsabilidade fiscal” o verdadeiro argumento. O que pode chamar um pouco a atenção é a velocidade com a que a classe política golpista, que assumiu o manejo da administração pública, começa a devolver os apoios aos promotores e financiadores do golpe. Ou, desde outro ponto de vista, a rapidez com que os interesses estrangeiros estão determinando as coordenadas do interesse nacional. Agora, é a desapropriação da riqueza que a Petrobras produz – e produziria –, elemento crucial para a independência econômica brasileira, e para a autonomia latino-americana. Neste sentido, o golpe de 2016 tem a marca dos interesses geopolíticos.
 
Tradução: Victor Farinelli


Créditos da foto: reprodução

Nossos direitos cabem no orçamento - a desigualdade fiscal é que não cabe

11/10/2016 14:43 - Copyleft

Nossos direitos cabem no orçamento - a desigualdade fiscal é que não cabe

Estudos revelam: em oposição à PEC-241, que ameaça devastar serviços públicos, é hora de enfrentar tabus e propor mais impostos para os muito ricos.


Grazielle David - Inesc
Tom Curry
O Brasil vive um período de polarização de ideias, mas impressiona como no governo federal, entra equipe, sai equipe e o discurso no campo econômico tem sido único e repetido à exaustão: “as despesas cresceram demais, não tem orçamento que dê conta de tantas políticas públicas, de tantos direitos. O país estaria falido. Seria hora de “arrumar as contas”. Não haveria outra alternativa além do “ajuste fiscal”, medidas de “austeridade”, mostrar para o mercado financeiro que estamos comprometidos com o superávit primário, com o pagamento de juros e amortização da dívida.
 
Mas será que esse discurso único é verdadeiro? Será que de fato não existe alternativa? Examinemos os números:
 
 
Ao avaliarmos as despesas, entre 1995 e 2014, passando pelos governos FHC (I e II), Lula (I e II) e Dilma (I), é possível observar uma média praticamente constante da despesa total do setor público entre todos os governos, em torno de 7,7% do PIB. A exceção é o governo Lula II, quando se chegou a 10,16%, numa política anticíclica para enfrentar a crise econômica global de 2008. Já a despesa primária do governo federal, depois da queda de 50% do governo FHC I para o FHC II, subiu 25% no Lula I, e depois se manteve com uma tendência de queda tanto no Lula II quanto em Dilma I.




 
Já ao avaliar as receitas entre 1995 e 2010, passando pelos governos FHC I e II e Lula I e II, tanto a receita total do setor público quanto a receita primária do governo federal cresceram progressivamente. Já no governo Dilma I (2011-2014), essa tendência inverte-se, havendo uma redução de 50% da média de crescimento dos dois indicadores.
 
Essas análises, feitas a partir de dados do FMI, mostram nitidamente que não houve crescimento fora de controle das despesas; pelo contrário, houve redução. O mesmo não pode ser dito das receitas, reduzidas pela metade no governo Dilma I.As despesas não cresceram fora de controle, foram as receitas que foram muito reduzidas.
 
Então, por que o foco das propostas de retomada da economia tem sido nas despesas e não nas receitas? Para tentar justificar uma ideologia de Estado mínimo, dizendo que o Estado “é inchado e ineficiente, que gasta demais”. Para tentar justificar o discurso único da política de austeridade; que, aliás, é comprovadamente falida, tanto na prática dos países que a adotaram, quanto na teoria – até o FMI produziu um estudo em que reconhece os prejuízos das medidas de austeridade e deixa de recomendá-la para os países.
 
A verdade é que existe alternativa à caríssima “Campanha vamos tirar o Brasil do vermelho” do governo Temer em defesa da PEC 241. No orçamento brasileiro cabem todos os direitos previstos na Constituição de 1988. Cabem os direitos humanos, os sociais, os econômicos, os culturais, os ambientais; cabem as políticas públicas, cabe o “Minha Casa, minha Vida”, o “Bolsa Família”, a “Farmácia Popular”, a Previdência Social, o SUS, as Escolas e Universidades Públicas. O que não cabe no orçamento são as “bolsas milionários”, a ampliação das desigualdades fiscais e sociais, os privilégios, as manobras para transferir renda para os ricos, um Robin Hood às avessas. O que definitivamente não cabe no Orçamento são as receitas que deviam chegar a ele, mas que são sonegadas, evadidas, inscritas na dívida ativa e nunca pagas. A alternativa é a Justiça Fiscal.


Créditos da foto: Tom Curry

A hipocrisia, o cinismo, a irresponsabilidade e a conta

11/10/2016 11:35 - Copyleft

A hipocrisia, o cinismo, a irresponsabilidade e a conta

A conta final fecha ao se fechar a conta social. Troca-se a redução da desigualdade conquistada nos governos petistas pela austeridade a toque de caixa.


José Carlos Peliano*
Beto Barata
Só não vê quem não quer, quem está manipulado, quem se deixa levar para ver como é que fica e quem nada pode fazer. Esse o triste quadro político e social brasileiro após as armações do impeachment da Presidenta, sua substituição pelo plantonista, tudo isso administrado juridicamente pelas instituições da área.
 
A hipocrisia criou asas largas e espanou a realidade brasileira com mentiras, meias verdades e ilusionismo. O ponto central foi a derrubada da chefe eleita da nação por conta do falso e absurdo argumento das pedaladas fiscais. As áreas técnicas provaram o engodo, mas as políticas, como o Congresso Nacional, passarram recibo.
 
O cinismo ficou por conta dos argumentos improváveis do conjunto da obra, retirando ao final a fragilidade das pedaladas fiscais. Tentaram, no entanto, tapar o sol com a peneira para justificar o injustificável, o golpe.
 
A irresponsabilidade foi a de tratar os eleitores como massa de manobra e afrontar a incipiente e tímida democracia brasileira como lixo. No fundo a razão era a retirada do PT do governo e sua execração pública pelas barras da justiça.





 
Mas a retirada de cena do PT e de seus representantes não se esgota em si mesma, ela vem sustentada pela sanha sem limites dos agentes do capitalismo. A volta do parafuso na economia brasileira. Em nome de arrumar as contas públicas volta-se à austeridade fiscal.
 
Esta a conta a ser paga pelo povo brasileiro, até mesmo pelos coxinhas e demais verde-amarelos de araque, repetição grotesca e farsesca das marchas da família com Deus pela liberdade dos anos sessenta.
 
A sanha capitalista que chegou ao país nas mãos do plantonista e sua equipe, coadjuvada pela maioria do Congresso Nacional, começou anos atrás com a saída de Lula e a entrada de Dilma. Lá já se postavam raivosamente contra o jeito petista de governar áreas do empresariado nacional, interesses estrangeiros e políticos da oposição.
 
Vazamentos recentes do wikileaks nos revelam que há cerca de oito anos passados, exatamente na chegada ao poder de Dilma, a Chevron se mostrava interessada pelo pré-sal e recebia o apoio informal de políticos brasileiros. Para isso, a Petrobras teria que abrir mão de dessa fonte de petróleo. E foi isso o que começou a acontecer dias atrás em votação na Câmara dos Deputados.
 
A pressão estrangeira sobre a aquisição desenfreada de terras e ativos públicos brasileiros igualmente se manifestou em vários momentos e situações. O esquartejamento da Petrobras é a resposta dada pelo governo de plantão para satisfazer a sanha do capital externo.
 
Não é coincidência todo esse movimento sobre o patrimônio e a economia nacional. A crise econômica tem mais ou menos essa mesma idade. Desde 2008 que as nações se vêm às voltas com economias fracas, desemprego, contas públicas combalidas, rendas corroídas e falta de perspectiva. O remédio dado a todas elas foi a austeridade que até agora não funcionou. Mas os plantonistas brasileiros adotam o mesmo remédio inoperante com a ajuda e a volta do FMI. É o FIM.
 
Enquanto o velho capitalismo não consegue se reerguer e recuperar a confiança de todos, desde os que mandam e os que são mandados, a saída para grupos ansiosos de capitalistas é se arvorar em abrir espaços novos em economias fragilizadas. É o que acontece agora por aqui.
 
O desmanche da Petrobras representa não apenas a venda de ativos para grupos estrangeiros. Representa muito mais. Leva junto talvez a principal mola propulsora da capacidade produtiva nacional. Era através dos negócios da empresa que a estrutura industrial brasileira tinha e ganhava oportunidades de expansão. Boa parte  de nosso PIB vinha daí.
 
A campanha da Lava Jato remexeu nas relações econômicas da estatal com as empresas privadas, desarticulando umas, destruindo outras, o que acabou ajudando e facilitando os discursos políticos falsos e cínicos sobre o fracasso da empresa, bem como a necessidade de renovação dos negócios do petróleo.
 
Entra então a Chevron em ação para se candidatar ao pré-sal como já se manifestara antes. Mata assim dois coelhos com uma só cajadada: expande seus negócios de petróleo e consegue se manter como uma das grandes e fortes empresas da área. Ao tempo em que ajuda a recuperação da pouco inspirada economia americana.
 
Como a taxa de lucro da economia americana vem caindo desde 1948, e mais ainda na última década, ver (/the-us-rate-of-profit-1948-2015/), essa abertura de espaço de exploração econômica dada pelo desmantelamento da Petrobras e a abertura do pré-sal junta a fome americana com sua vontade de comer.  O silêncio do governo americano durante o impeachment reforçou e deu bastante gás contra a Petrobras.
 
Como é que fecha a conta dessa desarrumação econômica nacional? Que nos faz passar a ser um entreposto continental de compra e venda ao invés de uma economia forte e robusta como um futuro grande player mundial? A conta final fecha ao se fecharem as contas sociais. Troca-se a redução da desigualdade conquistada nos governos petistas pela austeridade a toque de caixa trazida pelo governo de plantão.
 
Significa trocar a riqueza estratégica nacional do petróleo que poderia continuar a ser explorada e bem pela Petrobras por sua venda para empresas estrangeiras, com certeza americanas, as quais passarão a ganhar e lucrar o que seria da Petrobras. Tudo aquilo que seria da empresa que desenvolveu e conquistou a melhor tecnologia de exploração de petróleo e gás em águas profundas e uma das mais lucrativas do mundo.
 
E isso vai durar por muitos anos ainda porque o pré-sal é considerado até agora como a mais nova e única fronteira de exploração de petróleo no mundo. Não existem mais áreas e poços prováveis de obtenção do ouro negro.
 
A conta social se completa com dois movimentos. O primeiro, o congelamento do orçamento social, já bastante reduzido pelos plantonistas federais, por 20 anos. Assim, além de cortarem partes de várias rubricas como bolsa família, educação, saúde, reforma agrária, moradia, cultura, índios e mulheres, em torno de 30% no seu conjunto do total, defesa nacional, agropecuária, aviação civil e comércio exterior, por exemplo, tiveram aumentos.
 
O segundo movimento é a proposta de elevação da idade para aposentadoria para homens e mulheres. Mais trabalho e menos descanso merecido na velhice. Não importa que o plantonista e tantos outros do comando tenham se aposentado cedo, o que importa é que o povo trabalhe.
 
Toda essa gama de arrocho social tem tudo para ser usada na campanha presidencial do ano que vem. Bem usada pela esquerda em uníssono, sem divisões eleitoreiras desnecessárias, pode vir a trazer de volta a esperança, sem medo de ser feliz!
 
*colaborador da Carta Maior


Créditos da foto: Beto Barata

Maurício Macri: tortura e espionagem a jonalistas

11/10/2016 11:00 - Copyleft

Maurício Macri: tortura e espionagem a jonalistas

Duas graves denúncias graves de ameaças à liberdade de imprensa colocam o governo argentino em cheque no quesito respeito à liberdade de imprensa.


Com informações do Diario Registrado, da Argentina
Beto Barata / PR
Nas últimas semanas, duas acusações de extrema gravidade se tornaram notícia na Argentina, devido a que se configuram como ameaças importantes à liberdade de imprensa no país.
 
A primeira delas veio à tona há duas semanas, quando se soube do caso de tortura contra jovens de 15 e 18, pertencentes ao coletivo Garganta Poderosa, responsável pela revista do mesmo nome. Os garotos foram vítimas de tortura por parte de policiais, dentro de uma comissaria, na Grande Buenos Aires. O caso foi denunciado à Justiça argentina e a organismos nacionais e internacionais de direitos humanos.
 
Na quinta-feira (6/10), o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) questionou o atuar da ministra de Segurança, Patricia Bullrich por sua omissão ao reagir ao caso. Além da denúncia a respeito das torturas, as quais continham fotos das marcas deixadas nos adolescentes, a organização também mostrou depoimentos de moradores da Villa 21 – onde ocorreu o caso – que falam em simulacro de fuzilamento dos jovens em tom jocos, por parte dos policiais.
 
Após apresentar a denúncia, um dos jovens torturados, Iván Navarro, recebeu ameaças de morte por telefone, e também foi intimidado pessoalmente quando regressou à favela Villa 21, na quarta-feira passada (5/10), durante a gravação de um vídeo onde detalhava o acontecido.





 
O pedido de explicações enviado pelo CELS se dá devido ao completo silêncio do Ministério de Segurança a respeito do caso nas últimas duas semanas, especialmente da ministra Patricia Bullrich, aliada histórica de Mauricio Macri. “Já faz mais de duas semanas que o caso aconteceu e a falta de reação por parte do Ministério é inexplicável”, declarou a conta de twitter da organização não governamental.
 
Gastón Chillier, diretor executivo do CELS, recordou outro caso, onde a reação da ministra foi completamente diferente: quando a polícia usou balas de borracha para reprimir um carnaval de rua organizado por menores de idade na Villa 1-11-14, a ministra Bullrich apareceu poucas horas depois, e se posicionou a favor do atual da força pública. Na ocasião, ela tentou justificar a ação alegando um suposto ataque dos jovens contra os policiais, o que jamais foi comprovado – pelo contrário, as investigações determinaram, depois, que os efetivos que a ministra apresentou como feridos não foram vitimados no episódio da Villa 1-11-14, e sim em outro incidente.
 
No documento entregue ao Ministério de Segurança, o CELS faz somente duas demandas: o afastamento das autoridades policiais envolvidas no caso da tortura aos jovens do coletivo Garganta Poderosa e a instalação de uma investigação interna, em operativo que envolva também as garantias de segurança dos garotos torturados.
 
Espionagem à jornalistas
 
Outra grave denúncia que coloca em cheque a liberdade de imprensa e os direitos humanos tem a ver com o uso de serviços de inteligência do Estado contra jornalistas, por parte do governo de Mauricio Macri.
 
A denúncia nesse sentido partiu do Grupo Indalo, que é responsável, entre outros, pelo canal de notícias C5N. Um comunicado da empresa, baseado em informações de fontes não reveladas, afirma que dois importantes jornalistas do canal C5N estão sendo espionados pela Agência Federal de Inteligência (AFI).
 
As missões de inteligência teriam sido realizadas através da interceptação de correios eletrônicos pertencentes aos jornalistas Mauro Federico, Gustavo Sylvestre e Fabricio Cardelli.
 
A primeira informação a respeito da denúncia surgiu no portal Adelanto 24, e logo foi confirmada pelo Grupo Indalo, através de fontes próximas à AFI, que teriam confirmado que havia trabalhos de monitoramento a profissionais do grupo.
 
A fonte informou que “é lógico que o governo tenta se antecipar às investigações jornalísticas que envolvem pessoas ligadas a ele. Mas claro que ninguém vai confirmar oficialmente esta informação, e vão tentar desmenti-la”. Também afirmou que há consultoras de inteligência privada também envolvidas, trabalhando junto com o serviço estatal. As privadas seriam encarregadas de fazer o “trabalho sujo”.
 
Segundo a informação publicada pelo portal Adelanto 24, haveria dois memorandos que falam sobre as tarefas de espionagem aos jornalistas, um deles com data de abril de 2016, cujo assunto é “produção de informe”, e descreve como foi realizada a interceptação dos correios eletrônico dos jornalistas Mauro Federico, Gustavo Sylvestre e Fabricio Cardelli. No segundo, o alvo é o subdiretor do diário Ámbito Financiero, também pertencente ao Grupo Indalo. Neste segundo memorando, se ressalta que operação “monitora vários profissionais que trabalham no jornalismo de investigação do canal C5N, como Ignacio Ramírez, que também é funcionário do Grupo Indalo”.
 
A informação aponta o técnico informático Emiliano Deza como “o braço executor destas violações à privacidade”. Deza teria trabalhado anteriormente com Fernando Pocino, diretor da antiga SIDE (Secretaria de Inteligência do Estado, antigo organismo de inteligência, que depois foi reformado por Cristina Kirchner) e com o ex-chefe militar César Milani, envolvido em denúncias de espionagem de opositores e em violações aos direitos humanos durante a última ditadura argentina.
 
Tradução: Victor Farinelli


Créditos da foto: Beto Barata / PR




11/10/2016 - Clipping Internacional

11/10/2016 10:17 - Copyleft

11/10/2016 - Clipping Internacional

Não há mais justiça na Turquia. As associações de magistrados europeus denunciam o clima de terror instaurado por Erdogan contra os juízes turcos.


Carta Maior
Reprodução
 
BRASIL
 
Le Monde, França
Ex-presidente brasileiro Lula acusado em esquema de corrupção em Angola. Lula enfrenta novas acusações de lavagem de dinherio e tráfico de influência. Seus partidários, entretanto, afirma que é um complô.
http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2016/10/11/l-ex-president-bresilien-lula-mis-en-cause-dans-un-schema-de-corruption-en-angola_5011451_3222.html
 





The New York Times, EUA
Ex-presidente brasileiro Luis Inácio da Silva enfrenta mais uma acusação de corrupção
http://www.nytimes.com/2016/10/11/world/americas/brazil-lula-angola-odebrecht-petrobras.html?ref=americas&_r=0
 
Público, Portugal
Lula enfrenta nova acusação por negócios em Angola. Ex-Presidente visado por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva devido a negócios em Angola.
https://www.publico.pt/mundo/noticia/lula-enfrenta-nova-acusacao-por-negocios-em-angola-1746893
 
Diário de Notícias, Portugal
Bia Dória. A mulher do prefeito que assustou os paulistanos. Primeira-dama de São Paulo, mulher do prefeito eleito e milionário João Doria, chocou numa entrevista em que se diz "do povo" e se compara a Evita Perón, por frequentar só bairros chiques e falar da dificuldade em encontrar boas arrumadeiras.
http://www.dn.pt/mundo/interior/bia-doria-a-mulher-do-prefeito-que-assustou-os-paulistanos-5435388.html
 
The Wall Street Journal, EUA
Câmara dos Deputados brasileira aprovou a proposta de limite aos gastos. Medida coloca um teto para o aumento dos gastos governamentais por 20 anos.
http://www.wsj.com/articles/brazils-lower-house-of-congress-votes-to-approve-spending-limit-proposal-1476149375
 
Sputnik News, Russia
Entenda o que está em jogo para o Brasil com a PEC 241. O governo de Michel Temer está tentando aprovar um projeto de emenda constitucional que, basicamente, impedirá o aumento do investimento em saúde e educação nos próximos vinte anos. Entenda o que está em jogo com a chamada PEC 241, também conhecida como “PEC da Maldade” e “PEC do Fim do Mundo”.
https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/201610106528115-pec-241/
 
Em protesto contra a PEC 241, que limita os gastos públicos por 20 anos, um grupo de cerca de 50 estudantes secundaristas ocupou na noite de hoje (10) o andar onde fica o escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, em São Paulo.
https://br.sputniknews.com/brasil/201610106530027-protesto-pec-241-estudantes/
 
MUNDO
 
The Washington Post, EUA
Os curdos turcos estão na mira à medida em que a repressão se aprofunda. Policiais prenderam líderes curdos e fecharam meios de comunicação pro-curdos nas semanas recentes.
https://www.washingtonpost.com/world/turkeys-kurds-are-in-the-crosshairs-as-government-crackdown-widens/2016/10/09/6be368f8-8a82-11e6-8cdc-4fbb1973b506_story.html
 
L’Humanité, França
Não há mais justiça na Turquia. As associações de magistrados europeus denunciam o clima de terror instaurado por Erdogan contra os juízes turcos sob o pretexto de lutar contra o terrorismo a fim de modelar uma justiça a seu soldo. O embaixador turco no Conselho Europeu fala de “limpeza”.
http://www.humanite.fr/il-ny-plus-de-justice-en-turquie-617560
 
Esquerda.net, Portugal
BCE favoreceu Deutsche Bank nos testes de stress. O Deutsche Bank recebeu um tratamento especial do Banco Central Europeu (BCE) nas provas de resistência à banca europeia, realizadas este verão, revela o Financial Times.
http://www.esquerda.net/artigo/bce-favoreceu-deutsche-bank-nos-testes-de-stress/44858
 
The Guardian, Inglaterra
Donald Trump persiste em meio a um crescente desastre pelas deserções contra sua candidatura no Partido Republicano. Em encontro ontem, Trump exaltou o wikileaks e repetiu, elogiosamente, que o ataque a Hillary Clinton em seu site foi graças aos russos
https://www.theguardian.com/us-news/2016/oct/11/trump-spiralling-disaster-desertion-wikileaks-russia







Créditos da foto: Reprodução