terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Paraíso do Tuiuti faz desfile histórico e eterniza o golpe na Sapucaí

12 DE FEVEREIRO DE 2018, 09H50

Paraíso do Tuiuti faz desfile histórico e eterniza o golpe na Sapucaí

Michel Temer "vampiro", paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, críticas às reformas trabalhista e da Previdência. Em um desfile histórico, a escola de samba carioca escancarou o golpe e constrangeu a Globo, que tentou abafar o "Fora, Temer" da plateia

Foto: NINJA
Com um desfile corajoso e rico em ironias na madrugada desta segunda-feira (12), a escola de samba Paraíso do Tuiuti (RJ) fez história ao levar para a Sapucaí um Michel Temer “vampiro” e escancarar, em pleno Carnaval, o golpe pelo qual passa o Brasil e sua “nova escravidão”.
Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, sobre os 130 anos da Lei Áurea, a agremiação fez duras críticas ao atual governo e expôs, em uma das alas, como a reforma trabalhista e da Previdência representariam essa nova escravidão no Brasil.
Uma das alas fez críticas às reformas trabalhista e da Previdência. (Foto: NINJA)
“Eu acho que a gente está fazendo uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo quer botar pra fora, as pessoas querem gritar o ‘Fora Temer’, as pessoas querem se manifestar e é forma de manifestar da minha parte”, disse em entrevista professor de história Léo Morais, que interpretou o Michel Temer Vampiro na última alegoria da escola, intitulada “Navio neo tumbeiro”.
Outra ala de destaque no desfile da Tuiuti foi a dos “manifestantes fantoches”, que ironizou os chamados paneleiros que saíram às ruas com camisetas do Brasil pedindo o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. A escola de samba utilizou mãos gigantes representando a mídia, que controlava esses paneleiros envolvidos por patos amarelos, em referência à campanha da Fiesp contra o aumento de impostos que inflamou a população contra o governo petista.
Ala dos manifestantes fantoches. (Foto: NINJA)
A passagem das últimas alas e alegorias levou a plateia ao delírio, que aplaudiu e respondeu à agremiação com um “Fora, Temer”, rapidamente abafado pela transmissão da Globo.
Confira, abaixo, trechos do desfile.

Faixa na entrada da Rocinha manda recado ao STF: “Se prender Lula, o morro vai descer”

12 DE FEVEREIRO DE 2018, 11H43

Faixa na entrada da Rocinha manda recado ao STF: “Se prender Lula, o morro vai descer”

A faixa foi colocada bem na entrada da comunidade, a maior do país, pouco tempo depois das declarações de Bolsonaro sobre metralhar a região

Vem circulando nas redes sociais, desde domingo (11), um vídeo e uma foto que mostram uma faixa na entrada da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, com um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“STF: Se prender o Lula, o morro vai descer”, diz a frase escrita em letras garrafais.
O autor da foto e do vídeo é desconhecido, mas a primeira postagem sobre o assunto no Facebook foi de uma internauta chamada Nara Jucá, que informou que os membros de um grupo de Whatsapp chamado “Amigos do Bokinha e Lula”, composto por moradores da comunidade, foram os responsáveis pela ação.
A faixa foi estendida pouco tempo depois de vir à público as declarações de Jair Bolsonaro (PSC-SP) sobre metralhar a comunidade.
A Rocinha é considerada a maior favela do Brasil, com cerca de 70 mil habitantes.

Carnaval de protesto: Assista aqui à íntegra do desfile histórico da Paraíso do Tuiuti

Carnaval de protesto: Assista aqui à íntegra do desfile histórico da Paraíso do Tuiuti

Michel Temer "vampiro", paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, críticas às reformas trabalhista e da Previdência. Em um desfile histórico, a escola de samba carioca escancarou o golpe e constrangeu a Globo, que tentou abafar o "Fora, Temer" da plateia

Ala dos manifestantes fantoches. (Foto: NINJA)
Com um desfile corajoso e rico em ironias na madrugada desta segunda-feira (12), a escola de samba Paraíso do Tuiuti (RJ) fez história ao levar para a Sapucaí um Michel Temer “vampiro” e escancarar, em pleno Carnaval, o golpe pelo qual passa o Brasil e sua “nova escravidão”.
Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, sobre os 130 anos da Lei Áurea, a agremiação fez duras críticas ao atual governo e expôs, em uma das alas, como a reforma trabalhista e da Previdência representariam essa nova escravidão no Brasil.
Outra ala de destaque no desfile da Tuiuti foi a dos “manifestantes fantoches”, que ironizou os chamados paneleiros que saíram às ruas com camisetas do Brasil pedindo o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. A escola de samba utilizou mãos gigantes representando a mídia, que controlava esses paneleiros envolvidos por patos amarelos, em referência à campanha da Fiesp contra o aumento de impostos que inflamou a população contra o governo petista.
Assista à íntegra.

Julgamento de Lula: castigo em escala mundial

Julgamento de Lula: castigo em escala mundial


É para que os trabalhadores do mundo percam a esperança de serem representados com seu voto. Para que sintam medo. Para que, de uma vez por todas, aceitem o apartheid social. Para que não encham mais o saco

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Eric Hobsbawn, o grande historiador inglês morto em 2012, aos 95 anos, havia deixado claro. Em 2011, se encontrou com Luiz Inácio Lula da Silva. Ao sair da reunião, em Londres, comentou: “Lula ajudou a mudar o equilíbrio do mundo porque pôs os países em desenvolvimento no centro das coisas”. E prosseguiu: “Lula foi o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil, um país com tantos pobres pelos quais ninguém havia feito antes tantas coisas concretas”.
Lula já havia cumprido seus dois mandatos, um iniciado em 1º de janeiro de 2003 e, o outro, em 2007. Quando os brasileiros elegeram o torneiro mecânico presidente, em outubro de 2002, Hobsbawn havia ficado feliz: “Agora sou um pouco mais otimista sobre o futuro do ser humano”.
Os três juízes recursais de Porto Alegre, sem dúvida, entrarão para a história. Ao condenar Lula, deram sua contribuição para um mundo mais desequilibrado.
Há seis meses, Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto no primeiro e no segundo turnos. Também reduziu em 20 pontos a rejeição que sua figura causava. E o fez em apenas um ano e meio. Os políticos e pesquisadores da opinião pública sabem qual é o efeito de reduzir a imagem negativa: o teto sobe e o crescimento é possível. Nenhuma figura da direita, entretanto, disparou nas pesquisas a ponto de pôr Lula em risco. Nem o ultradireitista Jair Bolsonaro, nem a verde Marina Silva, assessorada em 2014 por Jaime Durán Barba, nem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do partido de José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Nenhum deles aparecia como challenger do velho boxeador de 72 anos que regressava à luta, uma mais, após superar um câncer e um golpe de Estado.
Os juízes não somente deram o primeiro passo para impedir que o político mais conhecido do Brasil pudesse ser candidato e, eventualmente, ganhasse as eleições presidenciais de 7 de outubro deste ano. Castigaram o líder popular que, no marco da democracia clássica, protagonizou o processo de mudança com a maior quantidade de população incluída. Em Dilma Rousseff, votaram em 2014 nada menos que 52 milhões de pessoas.
Com sua condenação ao dirigente sindical que fundou o Partido dos Trabalhadores em 1980 e, 23 anos depois, chegou à Presidência, os juízes buscaram extirpar o que um senador brasileiro chamou de “raça maldita”. Em 13 anos de governos petistas, primeiro de Lula e, depois, de Dilma, os brasileiros conseguiram comer três vezes ao dia. O verdadeiro milagre. Havia sido essa, justamente, a promessa de Lula na campanha presidencial de 2002.
TRF4/Divulgação

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O tom afável dos brasileiros pode esconder a crueldade de sua história. O Brasil saiu da escravidão só em 1888. A primeira Constituição republicana, em 1891, proibiu que os analfabetos votassem. Este direito foi recuperado recentemente, em 1985, por emenda constitucional. E o disfrutaram de maneira consagrada no texto da Constituição de 1988. Um século depois da abolição da escravidão.
Quando Lula assumiu, os fazendeiros, os proprietários de terra do interior de São Paulo, não obstante matavam inspetores do Ministério do Trabalho. O Brasil aproveitou o grande salto na década de 1970, com desenvolvimento simultâneo de multinacionais automotoras e da classe trabalhadora de massas. Mas as instituições seguiam respondendo às práticas da escravidão, uma forma de prolongar por outras vias o domínio do senhor sobre o escravo.
Lula não só iniciou a incorporação ao consumo de 40 milhões de pessoas que, no início deste século, representavam a quinta parte da população brasileira. Ele estimulou a dignidade dos negros e dos índios, o orgulho dos operários, os direitos das mulheres, a soberania dos nordestinos sobre suas próprias vidas.
Tinha razão o velho Eric. Construiu uma democracia do concreto. Por isso, o castigo dos juízes tem alcance global. É para que os trabalhadores do mundo percam a esperança de serem representados com seu voto. Para que sintam medo. Para que, de uma vez por todas, aceitem o apartheid social. Para que não encham mais o saco.
Os conservadores brasileiros vêm medindo a reação popular. Em 2017, houve duas greves gerais. A primeira deve uma adesão decorosa. A segunda, fracassou. Logo após a segunda, o Senado aprovou a reforma trabalhista precarizante e o juiz Sergio Moro sentenciou Lula a nove anos e meio de prisão, caso que não teve marcha à ré ontem em Porto Alegre. Não é tentativa e erro: é correlação de forças. Se o establishment não observa diante de si a chance concreta de um levante popular, segue com o planejado. Por que atuaria de outra forma se assim quer e, além disso, pode? Quer transformar o Brasil regressivamente. Elegeu como inimigo o PT e o Estado. E a Petrobras e os bancos públicos, uma área que Fernando Collor de Mello quis privatizar em 1989 e não pôde porque o julgamento político o tirou do Planalto. Tampouco Itamar Franco ou Fernando Henrique Cardoso puderam cumprir com o plano que executavam Carlos Salinas de Gortari no México e Carlos Saúl Menem na Argentina. Já era tarde.
Agora vão por revanche. Que é algo mais profundo. Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula morto no ano passado, deu um nome a isso: a contrarreforma.
(*) Publicado no jornal argentino Página/12 e reproduzido com autorização do autor. Tradução: Rafael Targino

'Não é verdade que empresas privadas são mais eficientes que públicas', diz economista do Dieese

'Não é verdade que empresas privadas são mais eficientes que públicas', diz economista do Dieese


Cloviomar Caranine, economista da entidade, comenta sobre o documento lançado pelo órgão no final de janeiro

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O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou, no final de janeiro, uma nota técnica sobre o impacto das privatizações na economia, explorando a importância das empresas públicas em diversos países do mundo. Batizado de “Empresas estatais e desenvolvimento”, o documento não só faz análises históricas, como também aborda as medidas do governo Michel Temer na área. 
O estudo foi preparado pela equipe do Dieese no Rio de Janeiro, reunindo especialistas em temas como saneamento, petróleo e produção energética. Ao Brasil de Fato, Cloviomar Caranine, economista da entidade e um dos integrantes do grupo que formulou a nota, explica que no contexto atual há uma ofensiva das empresas sobre setores públicos, decorrente do excesso de liquidez financeira. Ou seja, uma busca do setor privado em converter dinheiro em bens. 
A busca por empresas públicas, segundo Caranine, tem uma razão óbvia: elas são lucrativas. Entre 2002 e 2016, as empresas públicas federais retornaram em média R$ 19 bilhões anualmente ao estado brasileiro em dividendos. 
“Não é verdade que as empresas privadas são mais eficientes que as públicas. A gente mostra isso. Como os outros países, até mesmo os de orientação neoliberal, tratam suas empresas estatais e qual o papel delas lá? Elas são importantes e esses países têm elas enquanto estratégicas. Ela pode ser usada como política do governo para fazer avançar o atendimento à população e também como uma importante alavanca de desenvolvimento. Alguns países que lá atrás tomaram a decisão de privatizar alguns setores, agora estão reestatizando”, diz. 
Um dos exemplos de reestatização que vem ocorrendo no mundo é o de fornecimento de água e saneamento, o que põe o país na contramão mundial. “O mundo está estatizando, o Brasil está privatizando”, resume ele. 
O economista cita uma série de razões para manutenção de empresas públicas, relacionadas à soberania nacional. Segundo ele, investimentos de longo prazo não são assumidos pela iniciativa privada, como a construção de usina hidrelétricas e a pesquisa que levou à descoberta do pré-sal. Outro elemento é garantir os serviços essenciais à vida, como saúde, educação, água e energia. O último ponto trazido por Caranine é a possibilidade de evitar monopólios privados, como no setor bancário.
Conjuntura
O integrante do Dieese rebate os argumentos do Planalto para realizar as privatizações. Além das já realizadas, o governo federal tem em sua agenda a privatização da Eletrobras, estatal de energia.

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Marcos Santos/USP Imagens

Governo Temer se movimenta para privatizar a Eletrobras
"O que está acontecendo é que o governo vive uma dificuldade em relação ao ajuste fiscal. Há menor arrecadação e seus gastos se mantendo ou crescendo. Há, portanto, déficit. Como saída, o governo Temer faz uma opção de, por um lado, tentar estimular o investimento privado e, por outro, aumentar a arrecadação vendendo as empresas estatais. Como efeito, há forte redução da presença de empresas estatais e públicas na prestação de serviços à sociedade. Isso já está acontecendo. Segundo, uma maior dependência de investimento, recurso e até produtos e serviços estrangeiros”, diz.
Na questão da dependência, ele cita o exemplo dos derivados do petróleo, que gera consequências diretas ao consumidor. “O Brasil está tomando a decisão de reduzir a Petrobras, reduzir seu refino e a oferta de derivados do petróleo, para atrair empresas, que vão importar. Um dia desses teve um furacão nos Estados Unidos e o preço da gasolina subiu no Brasil e houve risco de faltar gasolina. O Brasil está importando e poderia estar refinando”, aponta.
Caranine afirma que é cedo para apontar todos os possíveis efeitos das privatizações promovidas por Temer, mas afirma que historicamente elas sequer resolvem os problemas fiscais citados pelo governo. Ele lembra que em 1995 a dívida pública representava 28% do Produto Interno Bruto. Em 2003, após o processo de privatizações no governo FHC, a dívida atingiu o patamar de 52%. 
Em sua visão, isto ocorre pois as privatizações não tocam o rentismo, principal problema econômico do país. A lógica é simples: com o aumento de 1% na taxa de juros, diz ele, a dívida aumenta em um ano o equivalente ao valor de uma empresa pública. 
(*) Publicado em Brasil de Fato

Paraíso do Tuiuti denuncia golpe e critica reformas do governo Temer na Sapucaí

DESFILE

Paraíso do Tuiuti denuncia golpe e critica reformas do governo Temer na Sapucaí

Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, escola fez duras críticas ao atual momento político

Brasil de Fato São Paulo
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A passagem das últimas alas e alegorias levou a plateia ao delírio, que aplaudiu e respondeu à agremiação com um “Fora, Temer”. / Mídia Ninja
Michel Temer "vampiro", paneleiros com camisetas do Brasil e patos da Fiesp sendo controlados pela mídia, críticas às reformas trabalhista e da Previdência. Esses foram os temas trabalhados pela escola de samba Paraíso do Tuiuti na noite desta segunda-feira (11) na passarela da Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ).
Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, sobre os 130 anos da Lei Áurea, a agremiação denunciou o golpe parlamentar de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e fez duras crítica ao atual governo de Michel Temer (MDB). Em uma das alas, como a reforma trabalhista e da Previdência representariam essa nova escravidão no Brasil.
“Eu acho que a gente está fazendo uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo quer botar pra fora, as pessoas querem gritar o “Fora Temer”, as pessoas querem se manifestar e é forma de manifestar da minha parte”, disse em entrevista professor de história Léo Morais, que interpretou o Michel Temer Vampiro na última alegoria da escola, intitulada “Navio neo tumbeiro”.
Outra ala de destaque no desfile da Tuiuti foi a dos “manifestantes fantoches”, que ironizou os chamados paneleiros que saíram às ruas com camisetas do Brasil pedindo o impeachment de Dilma. A escola de samba utilizou mãos gigantes representando a mídia, que controlava esses paneleiros envolvidos por patos amarelos, em referência à campanha da Fiesp contra o aumento de impostos que inflamou a população contra o governo petista.
A passagem das últimas alas e alegorias levou a plateia ao delírio, que aplaudiu e respondeu à agremiação com um “Fora, Temer”, rapidamente abafado pela transmissão da Globo.
Edição: Luiz Felipe Albuquerque

Bloco do MST arrasta centenas de foliões em Olinda em defesa do Lula

CARNAVAL

Bloco do MST arrasta centenas de foliões em Olinda em defesa do Lula

Ao lado dos bonecos gigantes de Che Guevara e Hugo Chávez, o boneco do ex-presidente ganhou a simpatia dos foliões

Recife (PE)
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O bloco completa 18 anos em 2018 / PH Reinaux
Toda segunda feira de carnaval, o Bloco do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) sai às ruas. Esse ano o tema foi  “Lula Guerreiro do Povo Brasileiro” pelas ladeiras de Olinda (PE). Ao lado dos já conhecidos bonecos gigantes de Che Guevara e Hugo Chávez, o boneco do ex-presidente ganhou a simpatia dos foliões e dos que assistiam o bloco.
Essa é a 18ª edição do bloco, que existe desde 2000. Fora o bloco, uma barraca montada pelo movimento no Polo Erasto Vasconcelos, no Fortim, vende comidas, bebidas e tem música todos os dias. O tema desse ano decidido pelo movimento é uma forma de movimentar a conjuntura política nos dias da folia. “O bloco, como também a barraca são um espaço para reunir a militância e a cada ano. A gente trabalha um tema que tem a ver com a conjuntura e o momento político. Lula é efetivamente a liderança que tem condições de construir no ano de 2018 a luta contra o golpe, por isso estamos esse ano defendendo a democracia e o direito de Lula ser candidato”, afirma Jaime Amorim, dirigente do movimento.
Por onde passava, o bloco despertava reações diversas dos foliões. Na rua do Bonfim, conhecida como um dos pontos mais elitizados do Carnaval algumas pessoas contrárias ao tema do bloco se manifestavam com xingamentos e ofensas. Num momento, uma pessoa que gritava “Bolsonaro 2018” tentou agredir as pessoas que passavam com o bloco, mas a reação dos foliões foi pacífica e não houve enfrentamento.
A maioria das pessoas manifestava apoio, fazia a letra L com os dedos ao ritmo das marchinhas e mesmo quando a multidão que seguia o bloco parava de cantar, era das ruas que vinham o incentivo para seguir com as palavras de ordem e musicas a favor de Lula. Ícaro Rodrigues veio do Natal, no Rio Grande do Norte para curtir a folia em Olinda e era uma das pessoas que seguia o coro “O tema é o melhor possível. É importante mostrar que o povo está com ele e acredito que essa é uma das maneiras que temos de mostrar a nossa opinião e mostrar as falhas na justiça brasileira, já que não tem prova nenhuma para condená-lo”, declara o folião.
O bloco seguiu pelas ladeiras junto com outros blocos organizados pelo movimento feminista, o “Alô Frida”, de Mossoró, e o “Assim falou Estamira”, organizado pelo Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial Libertando Subjetividades. No fim do trajeto, os blocos se juntaram na barraca do MST e adentraram a noite curtindo a folia no Polo Erasto Vasconcelos.
Edição: Monyse Ravena