segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Coreia unificada - A Finlândia do nordeste da Ásia

Coreia unificada - A Finlândia do nordeste da Ásia


Em entrevista, Leonid Petrov fala sobre reaproximação entre Coreia do Sul e do Norte; para ele, unificação entre os dois países traria enormes implicações geopolíticas

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Algo incrível está acontecendo na Coreia. O Norte e o Sul estão experimentando um descongelamento nas relações e uma visita do Presidente da Coreia do Sul para a Coreia do Norte está em negociação. Este degelo tem enormes implicações geopolíticas.
O Dr. Leonid Petrov, membro visitante do Colégio da Ásia e do Pacífico, na Universidade Nacional Australiana em Camberra, discutiu a situação com o anfitrião John Harrison, em entrevista para o site Sputinik News.
O Oeste talvez tenha sido pego de surpresa pelo que está acontecendo agora na Coreia. O norte e o sul do país estão à beira da abertura de negociações diplomáticas, apesar da vontade dos EUA. Quando o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, propôs a retomada das negociações com a Coreia do Sul durante o ano-novo, Seul pareceu saltar para a oportunidade.
Dr. Petrov explica que o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, foi eleito com a promessa de melhorar as relações com o Norte, e isso ainda não aconteceu. Agora, depois de um congelamento de 10 anos, é possível que outra era da "política do sol" mais uma vez conduza a melhores relações.

Wikimedia Commons

Para Petrov, unificação entre os dois países traria enormes implicações geopolíticas

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"Antes disso, existiam zonas de cooperação, voos entre os dois países; os turistas podiam dirigir seus próprios carros para a Coreia do Norte para visitar seus entes queridos que não tinham visto", afirma Petrov.

Os coreanos, quer vivem no sul ou no norte estão, em geral, interessados ​​em melhorar as relações entre os dois países. Mas a unificação, segundo Petrov, traria suas próprias dificuldades. "Jovens e velhos vão dizer-lhe que a unificação do país é o seu sonho. Mas depende da próxima pergunta: você vai introduzir um imposto de unificação, irmãos e irmãs do sul trabalharão na Coreia do Norte, que paga metade dos seus salários? Então, eles podem dizer: vamos ter unificação no futuro, agora não. Os sul-coreanos veem a Coreia do Norte como um território que precisa ser liberado e emancipado.”

Pode-se, talvez, comparar a possível unificação das duas Coreias com a unificação da Alemanha Oriental e Ocidental. No entanto, Petrov diz que não seria uma comparação muito boa, porque os níveis salariais dos norte-coreanos são proporcionalmente muito inferiores aos do sul-coreanos. Os sul-coreanos são extremamente bem educados e competitivos em conhecimentos e habilidades comerciais e industriais, uma situação diferente da Coreia do Norte

"Norte e Sul podem falar sobre a unificação, mas apenas após um processo conjunto de colaboração e educação. É por isso que a tese do presidente Moon Jae-in é, em primeiro lugar, a reconciliação; em segundo, a integração econômica, e só então a unificação. A nuclearização, bem, isso é algo que faz com que toda a história seja muito complexa, porque a Coreia do Norte não está se preparando para se desnuclearizar ", afirma Petrov.
Os norte-americanos veem sua presença na Coreia do Sul como tendo proporcionado estabilidade para o país. “Isso fará com que eles queiram permanecer na região?”, pergunta John Harrison. Sobre o assunto, Petrov responde que toda a ideia da presença norte-americana na Coreia do Sul baseia-se no sentimento anticomunista. "É muito ideológico e político: esta é, em essência, uma mentalidade da guerra fria, que reúne políticos de direita dos EUA e de Seul. Para eles, é importante ficar juntos, porque a China e a Rússia estão ao lado e os norte-americanos querem estar presentes”, afirma.
Segundo ele, “a Coreia do Sul oferece a oportunidade para as tropas norte-americanas estarem estacionadas no Pacífico Sul. Uma retirada norte-americana prejudicaria toda a tese de uma fraternidade americano-coreana construída sobre o anticomunismo ".

Desde que chegou ao poder, o presidente dos EUA, Donald Trump, questiona as contribuições de Seul para a aliança. Trump abriu renegociações de amplo acordo e de livre comércio entre os EUA e a Coreia do Sul e ameaçou colocar em curso uma ação militar direta contra a Coreia do Norte, pela qual o Seul suportaria a maior parte do risco.

Dr. Petrov diz que a Coreia do Sul é o poder que se beneficiará das inconsistências de Trump na política externa. "A Coreia do Sul terá acesso a matérias-primas e minerais que a Coreia do Norte agora vende para a China. A Coreia do Sul será muito mais forte. É por isso que o Japão é tão paranoico quanto a reconciliação. Todos estão contra a ideia de reconciliação”, diz.

No entanto, segundo ele, para a Rússia “é muito importante vender suas matérias-primas e conhecimentos para uma Coreia unificada. Agora, a Coreia do Norte é um buraco negro em uma região em rápido crescimento. Para a Rússia, faz muito mais sentido apoiar a unificação, porque isso abrirá as portas para exportar oportunidades na Coreia do Sul”.

“Eu acho que é uma situação de ‘ganha-ganha-ganha’ para Moscou, Pyongyang e Seul, que podem ver o processo de reconciliação reiniciado, talvez à custa da aliança sul-coreano-americana. Os norte-americanos não querem ver uma Coreia unificada ao lado de Vladivostok, o lar da frota russa do Pacífico. Para a Rússia e a China, é importante ver a Coreia como uma espécie de Finlândia do Leste Asiático. Um país que não é alinhado, mas é próspero; que é pacífico, mas vigilante, e que é uma potência econômica ", diz Petrov.

Existe ainda a possibilidade de que o atual descongelamento entre as duas Coreias possa levar a uma maior probabilidade de guerra, porque os EUA podem sentir que precisa salvaguardar sua aliança enquanto ela pode.

No entanto, Petrov explica que isso é improvável devido à proximidade dos grandes centros de disseminação populacional entre os dois países. "O que o presidente Trump estava falando no ano passado, sobre o fogo e a fúria, sobre uma armada nuclear, acabou por ser uma conversa vazia. Ele não enviou uma armada nuclear às margens da Coreia do Norte porque o litoral da Coreia do Norte não é longe do litoral russo e da frota do pacífico russo”.

“Os Estados Unidos vão comprometer seus próprios ativos navais e aéreos e as vidas de centenas de milhares de cidadãos norte-americanos que vivem, trabalham e estudam na Coreia do Sul, porque se a guerra começar haverá uma enorme perda de vidas humanas, uma enorme contaminação nuclear de toda a região e um desastre econômico para todos os envolvidos”, afirma.

Segundo Petrov, “a Coreia do Sul não toleraria qualquer ação imprudente. O presidente Moon Jae-in deixou bem claro para o Trump que não haverá guerra sem o seu consentimento, que não haverá guerra contra a Coreia do Norte sem a permissão específica do governo sul-coreano, e que o governo da Coreia do Sul não é suicida”.

Publicada originalmente em Sputinik News

Esquema de Aécio Neves divide a Polícia Civil em Minas Gerais. Por Joaquim de Carvalho

Esquema de Aécio Neves divide a Polícia Civil em Minas Gerais. Por Joaquim de Carvalho

 
Márcio Nabak, delegado investigado, e Rodrigo Bossi, delegado investigador
O delegado Rodrigo Bossi, que investiga em Minas Gerais o esquema que permitiu ao grupo de Aécio Neves perseguir jornalistas críticos e adversários políticos, está sendo constrangido pelo sindicato da categoria, reduto aecista no Estado.
Hoje, ele estará na sede do Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais a partir das 14 horas para se defender de uma acusação inusitada. A entidade se opõe à promoção de 1.200 policiais concedida pelo governo do Estado.
Segundo a acusação, a promoção teria ocorrido como compensação por Bossi investigar o elo que liga a Polícia Civil ao esquema de Aécio e envolve ainda setores do Ministério Público e do Judiciário.
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Quem pediu a intervenção do sindicato neste caso é Márcio Nabak, o delegado que conduziu as investigações no período de Aécio Neves/Antonio Anastasia que levaram à prisão o dono de um site e à execração um jornalista e um advogado, que tiveram a casa revirada por mandados de busca, em que foi usado até helicóptero.
Para discutir as promoções, o sindicato convocou assembléia-geral extraordinária. Impressionante. Deve ser a primeira vez na história do sindicalismo mundial, em que uma entidade que defende uma categoria convoca seus filiados para se opor a promoções que representam aumento de salário.
Um sindicato deve lutar para expandir conquistas, nunca suprimi-las.
Em razão disso, para não ser execrado, Rodrigo Bossi pediu para se manifestar na assembleia. Mas, num primeiro momento, soube que não poderia falar. Na entidade, só filiados ao sindicato podem se manifestar, outros não, ainda que pertençam à categoria.
Bossi, então, se filiou.
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Para delegados que apoiam Bossi, há um viés político na tentativa de anular as promoções. O argumento do sindicato é que o governador Fernando Pimentel estaria tentando desunir a classe dos delegados.
Mas, para eles, quem faz isso é o primeiro sindicato. O que o governador Pimentel fez foi conceder promoções que estavam paradas. 
“As promoções devem ser feitas a cada seis meses, estavam congeladas desde 2015. O governador, então, baixou um decreto e promoveu mais de 1.200 pessoas para regularizar a situação”, afirma um desses delegados, sindicalizado, que pede para não seu nome citado.
O sindicato diz que, para as promoções, não respeitado o rito, que prevê entrevistas com aqueles que serão promovidos, entrevista conduzida por um banca de antigos delegados. Em vez disso, o governador promoveu os delegados de uma lista de nomes enviada pela própria Polícia. A lista era constituída por delegados classificados, ou seja, todos detinham o número de pontos para a promoção.
“O que o governador fez foi respeitar critério objetivo para promoção, o número de pontos, e não dar oportunidades para politicagem na polícia, a partir da interpretação subjetiva da entrevista por delegados antigos da categoria. Nessas entrevistas, a cúpula barra quem quer e promove os apadrinhados”, acrescenta o delegado.
Com a assembleia, o Sindicato realizará uma votação para decidir se irá ou não questionar as promoções na Justiça.
“O que está em discussão, no fundo, não é uma questão de interesse dos delegados, é uma disputa de poder”, diz a fonte.
“Na verdade, o sindicato tenta dividir responsabilidade de barrar as promoções com os delegados filiados, uma vez que isso prejudicaria não somente os 1.200 promovidos, mas todas as promoções que vierem a ser condidas. Se um juiz defere uma liminar suspendendo as promoções, tudo ficará parado até decisão de mérito, ou seja, por anos. Então, esses 1.200 que aguardavam promoção desde 2015 terão que esperar por mais alguns anos, e todos aqueles que esperam ser promovidos no meio do ano, porque o decreto foi idealizado para regularizar a situação, também terão que esperar. Em suma, é a coisa mais ilógica que eu já vi o sindicato fazer, salvo se tiver vinculação política. Eu vejo que essa tentativa vem de um grupo descontente com a chefia e com o governo, que tenta desestabilizar a todo custo, e é esse exatamente o viés político. Por isso, alegam que  ‘promoveram petralhas'”.
O motivo da indignação contra o delegado Rodrigo Bossi é outro.
Ele começou a ser perseguido quando tornou-se público o objeto da investigação a respeito do Nilton Monteiro, o delator do Mensalão Mineiro e da Lista de Furnas. Essa denúncia envolve tanto delegados quanto promotores e juízes, que teriam participado de um esquema para silenciar ou desacreditar o delator.
Enquanto Bossi estava investigando corrupção em outras áreas do Estado, não havia perseguição.
O ambiente na Polícia Civil em Belo Horizonte está tenso e Bossi, ao falar, pode convencer os delegados de que a politização do trabalho policial parte de grupos que controlam o sindicato, e não de quem investiga ou apoia a investigação.
Essa assembleia é a oportunidade para os delegados decidirem: fazem uma limpeza ou não em uma estrutura contaminada pelo câncer da corrupção.

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