terça-feira, 10 de abril de 2018
VÍDEO: Moro é recebido aos gritos de “golpista” na PUC do RS
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-moro-e-recebido-aos-gritos-de-golpista-na-puc-do-rs/
Alckmin tuíta contra corrupção e toma invertida de seguidora BEM FEITO. CHEGA DE HIPOCRISIA
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Postado em 10 de abril de 2018 às 2:39 pm

Lula fez de um mero mandado de prisão um grandioso ato político
Lula fez de um mero mandado de prisão um grandioso ato político. Por Renan Quintanilha

Texto publicado na Revista Cult.
Por RENAN QUINTANILHA
O ex-presidente, por não se apresentar em Curitiba dentro do prazo de 24 horas estabelecido pelo juiz Sérgio Moro como se fosse uma concessão generosa, recusou os termos “benevolentes” de sua rendição. Ao fazê-lo, não violou lei alguma, pois é um dever da polícia cumprir um mandado de prisão. E o povo, que fez um cordão em volta de Lula, apenas exerceu seu direito de manifestação.
Com elegância e contundência política, Lula impôs os termos da sua apresentação à polícia. Realizou uma missa em memória de sua companheira de vida e foi almoçar com sua família antes de ir a Curitiba.
Ele preferiu usar suas últimas horas de liberdade para estar no meio do povo e relembrar sua história de lutas ali onde tudo começou, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Milhares de pessoas estiveram ali, por dois dias, manifestando a indignação e a solidariedade ao ex-presidente.
Ele será preso, não há mais dúvidas. Mas preso por uma condenação fajuta, em um processo eivado de ilegalidades. Lula foi mais uma das vítimas da seletividade penal da justiça.
Acusado com base em convicções e não em provas, Lula teve conversas privadas suas gravadas e ilegalmente divulgadas. Inclusive a então presidenta da República teve sua conversa telefônica ilegalmente gravada e divulgada. Houve show de Power Point do Ministério Público na acusação.
Houve uma condução coercitiva ilegal e abusiva de alguém que sempre teve endereço certo e que nunca se negou a colaborar com a Justiça. Houve liminar de Gilmar Mendes impedindo Lula de ser ministro e que só valeu, única e exclusivamente, contra ele. Houve um tempo recorde de rapidez para a condenação em segundo grau e uma agilidade única para a expedição do mandado de prisão.
Houve uma sessão do STF toda manipulada por Carmen Lúcia para impor um entendimento de possibilidade de execução da pena após condenação na segunda instância, mesmo sabendo-se que tal entendimento da Corte seria revisto se a tese jurídica fosse pautada em abstrato.
Tudo isso feito para colocar Lula atrás das grades. Não pelos erros dos seus governos – que são vários e que sempre fiz questão de apontar -, mas pelos acertos que tanto incomodaram nossas elites. A verdade é que estas nunca suportaram o mínimo de justiça social e dignidade que o povo teve com os governos de Lula e Dilma.
Todos os presos são, em certo sentido, presos políticos. Lula, contudo, é o maior preso político-eleitoral do país. Isso é vergonhoso.
Qualquer que seja a imagem da prisão que a grande mídia utilize nos jornais e revistas, é a foto de Francisco Proner que ficará para a história de um líder popular que foi impedido de concorrer às eleições e injustamente preso. Mas Lula será cada vez mais ideia e inspiração pra renovação das nossas lutas.
O juiz bolsomoro
O juiz bolsomoro
POR FERNANDO BRITO · 10/04/2018
O juiz Sérgio Bolsomoro resolveu restringir ao máximo as visitas e a comunicação de Lula com o mundo exterior.
Uma visita por semana, e olhe lá.
Menos não poderia dar, porque assim o impedem a Lei das Execuções Penais, que impede a privação de visitas – inclusive de amigos – e as chamadas “Regras de Mandela”, um documento da ONU que define direitos mínimos dos que estão presos.
Também deve estar lamentando que não possa impedir que Lula receba ou envie correspondência.
Hoje, ao que parece, será impedida a visita de governadores de Estado ao ex-presidente.
Logo, Lula começará a escrever suas cartas da prisão.
O juiz está tão possuído da sua condição de herói que não se vexa de fazer a apologia de vazamentos criminosos havidos durante os processos da Lava Jato e de reconhecer o papel da mídia nos seus julgamentos, como se lê hoje no Estadão:
O juiz federal avaliou ainda que os vazamentos de informação tiveram um “efeito colateral” positivo, porque colocaram a opinião pública a favor da Lava Jato. Ele considerou que esse apoio da sociedade foi importante para barrar “tentativas de obstrução da Justiça”. Moro não deu detalhes sobre o que considerou como tentativas de obstrução, mas mencionou as propostas de criação de “leis especiais” e “ações nos bastidores”. Para ele, a imprensa tem sido ‘favorável aos trabalhos realizados’.
Vestiu a pele do “justiceiro” tal como a veste o seu correspondente eleitoral.
Bolsomoro vai criando, assim, animosidades e repulsa crescente por seus atos persecutórios, avançando inclusive em questões que, em tese, afetas à juíza que supervisionará a execução antecipada (e inconstitucional) da pena.
Moro, na sua versão Bolso, prendeu o Supremo Tribunal Federal, mas é prisioneiro de Lula.
Acampamento Lula livre em Curitiba PR #LulaLivre #aovivo em 08_04_18 Povo e deputados, senadores.
https://www.youtube.com/watch?v=lYqMJyyNdRw
Nunca mais, Moro, nunca mais
Nunca mais, Moro, nunca mais
Lula está indo para a História sem sair do seu presente, mas Moro será lembrado como um lamentável artifício do autoritarismo
Por Tarso Genro, Sul 21
09/04/2018 17:23

Tarso Genro (*)
Daquelas sílabas fatais
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: Nunca mais!
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: Nunca mais!
É uma parte do lúgubre e triste poema de Poe, “O Corvo”, com a fala soturna da desgraça, que arremessou o poeta para dor sem fim da perda. A perda, na “casa onde o Horror, o Horror profundo\ Tem seus ares triunfais.” É um poema do amor negado pela frieza da morte, mas que – como trata do triunfo da dor sobre a vida – também alerta para o fim de tudo que as frustrações da política podem alcançar. Lembra, com outras consequências, Moro advertindo Lula, em nome do Poder Judiciário em pleno processo de “exceção”, dizendo a ele – no Horror da democracia decadente – que tudo terminou: “Nunca mais, Lula, nunca mais!”.
Sustentado como herói pelo oligopólio da mídia, que instaurou um processo paralelo contra Lula, transformando o devido processo legal num duplo espetáculo – de condenação prévia e de imposição do espírito de manada às “classes altas” – o Juiz Moro promoveu um padrão novo para as instâncias de Justiça Penal no Brasil: fez da propaganda da necessidade de uma decisão final condenatória – mesmo sem provas – o sentido jurídico da condenação, o trunfo básico para a instauração do “Horror”. Para informar ao final, para Lula, que “Nunca mais” ouse colocar os pobres, os trabalhadores, os deserdados do capital, na mesa da democracia. Lula, como todos nós, tem limites, grandezas e defeitos, mas como agora está contrastado com o corvo judicial do “Nunca mais!”, o que ressalta é a sua grandeza histórica e o seu compromisso com o povo trabalhador, do qual ele é originário.
Pautado pela mídia Moro fez da sua instância inferior um “bunker”, que enquadrou, na sua visão de mundo e do Direito, as instâncias superiores, inclusive a maioria do STF, definindo o Direito a partir das externalidades do processo, não dele mesmo, com suas provas colhidas regularmente. Para quem não entendeu isso é um exemplo cabal da “exceção”, que – se não atingiu ainda todos os poros do Estado – conseguiu o consenso de uma parte significativa do Poder Judiciário e a simpatia de uma parte da população de média e alta renda.
Eliminar Lula da política, informar-lhe que “Nunca mais”, é a glória que Moro fez brilhar na Casa dos Horrores que se tornou o Brasil, a partir das motivações da maioria dos votos do Congresso corrupto, que cassou o mandato de Dilma, e da sua jurisdição invertida. Hoje ele apresenta-a como passaporte para os inimigos da democracia, para os caudatários das políticas da CIA, para os algozes dos direitos sociais e para os mascates baratos do pré-sal, mas isso não vai se eternizar. Moro comandou o Brasil neste período junto com o oligopólio da mídia, mas cometeu um grave erro: pensou que Lula era um cordeiro anestesiado para o sacrifício, sem entender o que é ser um verdadeiro filho do povo, que pode ter alguns períodos de deslumbramento com as suas vitórias, mas que não perde a essência das suas origens.
Lula está indo para a História sem sair do seu presente, mas Moro será lembrado, quando restaurarmos a plenitude da democracia e da Constituição de 88, como um lamentável artifício do autoritarismo, como uma peça do golpismo pós-moderno, como um juiz que foi forte na sua jurisdição, mas agindo fora dela – epígono da exceção – que se preparou para um momento de glória, mas que encontrou – no fim daquele lúgubre corredor midiático da hipnose fascista – um povo digno que ainda vai lhe dizer: “Nunca mais!”.
(*) Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.
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