segunda-feira, 30 de julho de 2018

Lula vai até o fim na disputa pelo direito de ser candidato


CAMINHOS

Lula vai até o fim na disputa pelo direito de ser candidato

É o que indica o cruzamento de recentes pesquisas qualitativas e quantitativas com a estratégia jurídica dos defensores de Lula
por Paulo Salvador, da RBA publicado 29/07/2018 09h27
RICARDO STUCKERT / IL
Lula candidato
Lula vai manter a candidatura até ter todos os recursos julgados. Essa é a estratégia jurídica dos seus advogados. Isso significa trilhar o caminho jurídico até o final.
O PT registra sua candidatura, com manifestação pública no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, dia 15 de agosto – que é o último dia para inscrição, mas é também o primeiro dia de campanha eleitoral. Dois dias depois, haverá pedido de impugnação, o que levará o PT a recorrer ao próprio TSE ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujo julgamento pode demorar mais alguns dias e, mesmo impugnada a candidatura, cabem outros recursos da decisão, embargos infringentes, de declaração e de regimento.
A candidatura Lula entra assim no estágio sub judice, ou seja, estará inscrita, mas responderá ao processo de impugnação. A propaganda já estará aberta e, de acordo com o Artigo 16-A, do Código Eleitoral, “o candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver nessa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionados ao deferimento de seu registro por instância superior”.
Por essa possibilidade, de estar candidato sub judice, de fazer campanha em rádio e televisão e ter seu nome na urna, é que Lula não antecipará qualquer decisão sobre não concorrer e isso significa que não haverá escolha de seu substituto, mesmo que tenha um vice, isso também não significará que esse vice possa ser o seu sucessor.
É possível prever que, em sendo Lula, toda sorte de maldades será lançada e  é possível desenhar um cenário onde o STJ julgue na primeira hora todos os recursos que receber. Mesmo assim, há prazos para novos recursos. Seus advogados concluem que, mesmo trabalhando aceleradamente, o STJ não conseguirá julgar todos os recursos até a diplomação, prevista para próximo do Natal, já que a posse é em 1º de janeiro.
Resta saber como o STJ vai "sujar as mãos" para abreviar esses julgamentos, lembrando que o TSE diz que em menos de um mês das eleições, em torno de 7 de setembro, não consegue mudar os nomes listados nas urnas.
Referenda essa estratégia o fato de cerca de 1.300 candidatos a prefeitos em 2016 concorreram sub judice e 7 em cada 10 foram empossados porque tiveram os recursos contra suas candidaturas derrubados antes da posse. Se tivessem desistido antes, não teriam apostado na possibilidade de vencerem nos tribunais.
Por que Lula desistiria antes do tempo, como querem Ciro e mesmo parte da direção nacional do PT com argumentos de não jogar tudo ou nada?  Esse exemplo servirá para Lula? Pode ser que não, mas é fato que até o ministro Fux, o mais azedo integrante do STF contra Lula, votou a favor dos prefeitos.
Embora esse exemplo dos prefeitos possa parecer frágil, em se tratando de Lula ganhar de novo a presidência depois do golpe, análise de tendências mostra que, quanto mais perto da votação for a troca de candidato, maior a chance de o substituto indicado tornar-se vencedor, por que carrega a votação.  
Porém, a maior força para essa estratégia é o resultado de pesquisas qualitativas. Há tempos que as pesquisas do PT (e não só desse partido) trabalham com os índices e opiniões de aceitação e rejeição dos candidatos. Para a candidatura Lula, vem de tempos a tradicional conta de que um terço dos eleitores fecha definitivamente com Lula, vota nele em qualquer cenário, assim como outros 30% jamais votariam nele, e entre essas duas opções há um conjunto de eleitores que varia entre “gostar de Lula e poder votar nele” ou “gostar de Lula, mas não votar nele”, sendo que a última pesquisa Vox Populi, de 26 de julho, aponta um crescimento dos 30% para 41%.
Concretamente, cruzadas as diferentes manifestações de apoio ao ex-presidente e exercício do voto, Lula chega a 67%. E aparece de maneira muito sólida que essa população não consegue pensar em outro nome que não o de Lula.
Não é só o PT que está com problemas para definir quem pode substituir o ex-presidente na urna: a dúvida é a mesma que têm seus próprios eleitores e apoiadores, que até agora não trabalham com essa possibilidade e não enxergam outro nome.
Se Lula antecipar a sua substituição e não seguir a estratégia dos recursos jurídicos, parecerá uma sucumbência, uma renúncia, uma fraqueza, o que levará boa parte a votar branco ou nulo. Se mantiver esse caminho jurídico e for impugnado em atos de exceção, estará carregando o imaginário popular consigo. E provavelmente transferirá os votos. Estará também transferindo a decisão para o Judiciário "sujar as mãos", como mais uma etapa do golpe.

ESTADO DE EXCEÇÃO No Rio, mães denunciam violações cotidianas contra crianças por intervenção




ESTADO DE EXCEÇÃO

No Rio, mães denunciam violações cotidianas contra crianças por intervenção


Abordagens truculentas ocorrem em ruas do Complexo da Maré. Nas escolas, estudantes convivem com constantes tiroteios e redução no número de dias letivos
por Redação RBA publicado 30/07/2018 12h24, última modificação 30/07/2018 14h56
ARQUIVO EBC/REPRODUÇÃO
Mães intervenção Rio
“É muito triste segurar a onda quando tem alguém morrendo do lado de fora e alguém que pode morrer do lado de dentro”, afirma professora da Maré
São Paulo – Com 12 mortos e 19 feridos, a cidade do Rio de Janeiro lidera o ranking de crianças e adolescentes vítimas de armas de fogo, segundo relatório do Instituto de Pesquisas Fogo Cruzado. O período de compilação desses dados, de fevereiro a junho deste ano, corresponde ao período de vigência da intervenção federal no estado fluminense, alvo de críticas de quem convive diretamente com o aumento da violência nas periferias e favelas da capital.
Em entrevista à repórter Beatriz Drague Ramos, na Rádio Brasil Atual, Bruna Silva, mãe do estudante Marcos Vinicius, assassinado no mês passado enquanto voltava da escola, descreveu que as abordagens truculentas foram intensificadas pelo Exército e Polícia Militar nas ruas da comunidade. “Eles dão tapa na cara, dão chutes na bunda da criança. Acham que se estão na rua, estão à toa. Pais e mães voltam desesperados porque seus filhos estão sozinhos em casa”, conta. 
No dia da morte de seu filho, movimentos sociais contabilizaram 160 tiros disparados dos helicópteros do Exército que participavam de uma operação no local, o que, para Bruna, mostra o Estado como um cerceador, não apenas do direito de ir e vir, mas também da promoção de atividades destinadas aos jovens da região.
A professora de Artes da escola onde estudava Marcos Vinícius, Alessandra Biá, descreve uma rotina problemática derivada da falta de estrutura. “É muito triste segurar a onda quando tem alguém morrendo do lado de fora e alguém que pode morrer do lado de dentro”, afirma a professora.
A situação do Complexo da Maré também é descrita pela chefe de cozinha Mara Vaz, moradora local, mãe e avó de duas crianças. “Uma criança de três anos já saber que tem que se abaixar por causa de tiro... Isso não é uma vida normal para ninguém”, lamenta, acrescentando o pedido de fim da intervenção.
Em nota, a Polícia Militar aponta que a corporação não compactua com nenhuma de ações relatadas pelos moradores da Maré.
Ouça a reportagem completa: 

https://soundcloud.com/redebrasilatual

'Hora do Rango' apresenta o grupo Quinteto Violado

SOBE O SOM

'Hora do Rango' apresenta o grupo Quinteto Violado

Grupo pernambucano, há 47 anos na estrada, conta sua histórica presença na música regional do país e toca ao vivo no estúdio da Rádio Brasil Atual
por Redação publicado 30/07/2018 11h48, última modificação 30/07/2018 16h04
DIVULGAÇÃO/QUINTETO VIOLADO
Quinteto Violado
Grupo fez fama pela modo como combina a tradicional música nordestina com elementos da música erudita
São Paulo – O programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual, recebe nesta segunda-feira (30), a partir do meio-dia, o lendário Quinteto Violado. O grupo está celebrando 47 anos de carreira ininterrupta e estará no estúdio para contar um pouco dessa longa trajetória de sucesso. 
Natural de Pernambuco, o Quinteto Violado ficou conhecido pela maneira inovadora com que promovia o resgate da música tradicional e folclórica nordestina com elementos da música erudita. Seu primeiro sucesso nacional foi uma versão de Asa Branca, em 1972, elogiada pelo próprio Luiz Gonzaga e incluída no primeiro disco do grupo, Quinteto Violado em concerto.
Hoje, com nova formação, o grupo continua fazendo shows pelo país e levando a cultura brasileira para diversos países. Além de contar os novos projetos e percorrer a discografia, os integrantes Dudu, Marcelo Melo – criador do Quinteto –, Roberto, Ciano Alves e Sandro prometem tocar ao vivo no programa.  

Acompanhe o Hora do Rango 

Apresentado por Oswaldo Luiz Colibri Vitta, vencedor do prêmio de melhor produtor musical de 2017, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o Hora do Rango é um programa que "toca e deixa tocar", refletindo a variedade cultural do país. Com mais de 300 edições, recebe músicos, compositores, cantores e cantoras de todas as tribos.

Descrença na política, a arma da direita para se manter no poder


Descrença na política, a arma da direita para se manter no poder

Sem capacidade de organizar majoritária quantidade de signatários a seu favor, estratégia é desmobilizar o eleitor, sobretudo o mais crítico, para que proteste por meio do voto branco, nulo ou mesmo a abstenção
por Marcio Pochmann* publicado 30/07/2018 08h51
ZECA RIBEIRO / CÂMARA DOS DEPUTADOS
Camara impeachment
Formada por representantes das elites, Câmara aprova leis e medidas contrárias aos interesses populares, como foi a derrubada da presidenta eleita legitimamente, Dilma Rousseff
A eleição geral de 2018 – a oitava desde 1989 – apresenta-se circunscrita a uma importante contradição. Não obstante a sua significância para o desbravamento do impasse gerado com o golpe que possibilitou a trágica ascensão do governo Temer, a população indica elevado grau de descomprometimento e descrédito com a política.
Pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto Paraná indicou, por exemplo, que quase três quartos dos eleitores brasileiros não repetiriam, em 2018, o mesmo voto concedido a deputado federal nas eleições de 2014. Naquele ano, embora o país possuísse um total de 141,8 milhões de eleitores, somente 97,2 milhões deles votou para deputado federal, ou seja, apenas 68,5% dos brasileiros em condições de votar.
Ao se considerar somente os votos recebidos pelos 513 deputados federais eleitos em 2014 (58,1 milhões), nota-se que a Câmara representa, no seu conjunto, menos de 41% do total dos eleitores. Resta ainda considerar que dos 513 deputados federais, somente 36 deles alcançaram o chamado coeficiente eleitoral, sendo os demais 477 eleitos por meio de votos transferidos de outros candidatos.
Ao se contrastar o perfil da Câmara Federal com a composição da sociedade brasileira pode-se perceber o enorme contraste. Mesmo representando mais de 51,5% do total da população, as mulheres mal alcançam 10% do total dos deputados federais, assim como a população não branca possui menos de um quinto do total do parlamento brasileiro.
No mesmo sentido da sub-representação política, encontra-se, por exemplo, a classe trabalhadora, uma vez que os empresários, por não alcançar nem mesmo 5% da população ocupada, detêm quase 45% do total dos deputados federais. Também os 12,3 milhões de trabalhadores da agricultura familiar não conseguem registrar dez deputados federais, enquanto cerca de 40 mil grandes proprietários rurais alcançam uma bancada com quase 40% do total da Câmara Federal.
A representação política desconexa em relação à composição da população e o descrédito da política decorrem direta e indiretamente da experiência acumulada de duas décadas de forte presença do financiamento empresarial das campanhas eleitorais. A contaminação do poder econômico no processo de escolha da representação política terminou por deslocar o candidato do eleitor em direção ao financiador privado.
Em consequência, o avanço da fragmentação partidária foi imediatamente acompanhado pela formação de burocracias especializadas na formação de verdadeiras máquinas eleitorais – capazes de agenciar campanhas cinematográficas – e de força de trabalho voltada para a conquista mecanicista e sem compromisso com o voto. Com isso, o deputado federal, salvo as exceções, foi gradualmente se tornando uma espécie de vereador federal, comprometido com a agilização de recursos orçamentários aos seus feudos políticos, por meio das emendas, cada vez mais impositivas.
Das antigas candidaturas ideológicas, compromissadas com causas e opinião sobre questões de ordem nacional, passou-se à mediocridade do parlamentar de senso comum, sem cara, nem personalidade que possa colocar em risco a sua releição. Enfim, uma profissão, sem vocação, quase um negócio a serviço do seu próprio interesse, cada vez mais distante do sentido de população e nação.
Expressão disso foi a manifestação de baixo nível e desqualificação verificada durante a votação do impeachment da presidenta Dilma na Câmara Federal. Quanto tempo faz que o parlamento federal se distancia da função de ser a verdadeira caixa de ressonância da população e do sentido de nação?
Essa situação, contudo, não deixa de ser a própria expressão da visão predominante da direita. Sem capacidade de organizar majoritária quantidade de signatários a seu favor, ela trata de desmobilizar o eleitor, sobretudo o mais crítico, para que proteste por meio do voto branco, nulo ou mesmo com a própria abstenção.
Dessa forma, a minoria dos votos da direita cresce em proporção, frente ao avanço da descrença política. Nesta circunstância, o protesto construtiva é escolher melhor e votar, pois do contrário, o voto nulo, em branco, ou a abstenção podem simplesmente favorecer a permanência justamente daqueles que a população mais repulsa.
Pesquisa realizada pelo Diap aponta que as eleições vêm permitindo a renovação cada vez menor para a Câmara Federal. No ano de 2014, por exemplo, a taxa de renovação foi de 44% dos deputados federais, enquanto foi de 62% nas eleições de 1989. Para este ano, por exemplo, a expectativa parece indicar menor renovação, podendo consolidar, inclusive, o perfil parlamentar ainda mais conservador e desconectado do conjunto da população e do sentido de nação.
Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas

Por que Gil finalmente cantou “Cálice”, música de que nunca gostou

Por que Gil finalmente cantou “Cálice”, música de que nunca gostou. Por Breno Góes

 
ATORDOADO, EU PERMANEÇO ATENTO
PUBLICIDADE
POR BRENO GÓES
Chico Buarque e Gilberto Gil. Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
Gilberto Gil já repetiu em dezenas de entrevistas (eu tenho a pretensão de ter lido boa parte das que ele já deu) uma mesma informação: a única música do seu repertório de mais de 500 que ele não gosta de cantar é “Cálice”, uma parceria sua com Chico Buarque que ele sintomaticamente jamais gravou. Gil diz que fica incomodado por que a música é “tristonha”. Nunca vi ele com esse tipo de ojeriza de qualquer outra canção que tivesse composto.
Faz sentido, quando paramos para pensar. O Gil é conhecido por uma poética que preza por uma postura de aceitação filosófica e equilíbrio diante da dor e das coisas ruins da vida, bem como diante das coisas boas e felizes. Por um lado, mesmo na lindíssima e alegríssima “Toda Menina Baiana”, que Gil compôs pra uma de suas filhas, ele fez questão de lembrar que “toda menina baiana tem defeitos também”. Por outro, ele pode ter escrito canções de alguma forma doídas (aí está “Drão”, que não me deixa mentir), mas mesmo essas suas músicas quase sempre tem um viés de enxergar o lado bom de uma situação ruim: pensemos na dor da separação que vira pão na própria “Drão”, no “êêêê” animado que quebra a tragédia no final do “Domingo no Parque” ou na empolgação que atravessa “Aquele Abraço”, a canção do exílio mais festiva e carnavalesca da história (e também a mais bonita). Isso pra ficar só nas mais famosas. Em Gil, a tristeza vem sempre temperada de felicidade e vice-versa… quase sempre. Que eu saiba, em dois significativos momentos essa lógica é rompida: “Pé da Roseira” (não tão conhecida mas maravilhosa, de 1968) e “Cálice” (composta em 1973, lançada em 1978). São canções TRISTES em que a dor, a impotência e o desespero imperam, sem que nenhuma filosofia venha equilibrar as coisas. O “Pé da Roseira” é o desespero no âmbito privado, diante do fim do amor. O “Cálice” é o desespero público, diante do estado do mundo.
Quando Chico Buarque quis gravar o Cálice, teve que chamar o Milton Nascimento e o MPB-4, porque o Gil não quis embarcar naquela canção barra-pesada em que o substantivo “cálice” vira o verbo “cale-se” e algumas imagens poderosamente desamparadas são cantadas (“como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta?”, diz um dos versos mais tristes da língua portuguesa) em um diálogo com o “Pai”, a primeira e mais opressiva das pessoas da Santíssima Trindade. Era toda a depressão do regime oriundo do golpe civil-militar de 1964 sintetizada em quatro estrofes e um refrão inesquecível.
Isso me faz pensar no seguinte: todo o Brasil que se leva a sério enquanto tal tem que começar hoje a debater por que motivo Gil decidiu desobedecer ontem as suas convicções e cantar Cálice ao lado do Chico Buarque num ato na Lapa pela liberdade do Lula. O que há de tão forte na pauta do “Lula Livre” que faz um homem como o Gil – respeitado e amado por todos, venerável e acima de qualquer suspeita, eleitor da Marina Silva – enfrentar seus próprios demônios e cantar uma música que o incomoda tanto? Ou, pior ainda: o que será que esse cara está vendo no momento atual do mundo que o moveu a cantar versos tão absurdamente “tristonhos”? Mermão, o Gilberto Gil é o cara do “A Paz”, o cara do “A Novidade”… Ele tem várias canções igualmente políticas muito mais amenas que seriam adequadas para um comício. Tem inclusive uma outra parceria com o Chico muito bonita e sutilmente crítica ao capitalismo, que é a “Baticum”. Mas ontem ele decidiu dizer pro povo que quer “lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado”. Ele mandou o cálice. Isso é imenso, e muito pesado. Digo e repito: todo mundo que tem o mínimo de juízo na cabeça tem que tirar uns momentos hoje pra pensar por que motivo o Gilberto Gil finalmente decidiu cantar o Cálice. É uma pergunta difícil pra todos nós, porque a resposta é quase com certeza muito dolorida. Melhor seria ser filho de outra realidade menos morta, sem tanta mentira e tanta força bruta.
Mas que foi lindo foi. Chorei mesmo.

domingo, 29 de julho de 2018

Chico e Gil definem país da Lava Jato ao denunciar vinho tinto de sangue