sexta-feira, 10 de agosto de 2018

O neofascismo no Brasil e na história

O neofascismo no Brasil e na história. Por Leonardo Boff

 

Leonardo Boff. Foto: Reprodução/YouTube
Publicado originalmente no site do autor
POR LEONARDO BOFF, teólogo
O fascismo é uma derivação extremada do fundamentalismo que tem larga tradição em quase todas as culturas. S. Huntington em sua discutida obra Choque de civivlizações denuncia o Ocidente como um dos mais virulentos fundamentalistas. Imagina que sua cultura é a melhor do mundo, possui a melhor religião, a única verdadeira, a melhor forma de governo, a democracia, a melhor tecno-ciência que mudou a face do planeta e que lhe conferiu a capacidade de destruir todos os seres humanos e parte da biosfera com suas armas letais. Os USA depois dos atentados às Torres se tornou um Estado terrorista com claros sinais de fascismo particularmente agora sob D. Trump. Até hoje, nem com Obama, foi abolido o “ato patriótico” pelo qual qualquer cidadão pode ser preso americano ou não sob qualquer suspeita de ligação com o terrorismo. A pessoa pode ser sequestrada e a família nem ser comunicada.
Conhecemos o fundamentalismo islâmico e outros, também de grupos da Igreja Católica oficial que ainda creem ser ela a única e exclusiva Igreja de Cristo, fora da qual não há salvação. Tal visão errônea abre espaço para a satanização e até a perseguição de outras denominações cristas e não cristas. Graças a Deus temos o Papa atual da razoabilidade e do bom senso que invalida tais distorções.
Todo aquele que pretende ser portador exclusivo da verdade está condenado a ser fundamentalista e fechar-se sobre si mesmo, sem diálogo com os outros.
Aqui vale recordar as palavras do grande poeta espanhol António Machado:”Não a tua verdade. Mas a verdade.Vem comigo buscá-la. A tua guarde-a para ti mesmo”. Se juntos a procurarmos, ela será plena para nós.
O fascismo nasceu e nasce dentro de um determinado contexto de anomia, desordem social e crise generalizada como está ocorrendo atualmente no Brasil. Desaparecem as certezas e as ordens estabelecidas se debilitam. A sociedade e os indivíduos têm dificuldade em conviver com tal situação. Cientistas sociais e historiadores como Eric Vögelin (Order and History,195; L. Götz, Entstehung der Ordnung 1954; Peter Berger, Rumor de Anjos: a sociedade moderna e redescoberta do sobrenatural,1973), mostraram que os seres humanos possuem um tendência natural para a ordem. Lá onde chegam criam logo uma ordem e o seu habitat. Quando esta desaparece usa-se comumente a violência para impor certa ordem sem a qual não se forma a coesão social mínima para  convivência.
O nicho do fascismo encontra nesta desordem seu nascedouro. Assim, com o final da Primeira Guerra Mundial gerou-se um caos social, especialmente na Alemanha e na Itália. A saída foi a instauração de um sistema autoritário, de dominação que monopolizou a representação política, mediante um único partido de massa, hierarquicamente organizado, enquadrando todas as instâncias, a política, a econômica e a cultural numa única direção. Isso só foi possível mediante um chefe (Führer na Alemanha e o Ducce, na Itália) que organizaram um Estado corporativista autoritário e de terror.Dizia-se na Alemanha:”Der Führer hat immer Recht”(O Führer sempre tem razão). E na Itália: “Il Ducce ha sempre ragione”( O Ducce sempre tem razão).
Como legitimação simbólica cultuavam-se os mitos nacionais, os heróis do passado e antigas tradições, geralmente num quadro de grandes liturgias políticas com a inculcação da ideia de uma regeneração nacional. Especialmente na Alemanha os seguidores de Hitler se investiram da convicção de que a raça alemã branca é “superior”às demais com o direito de submeter e até de eliminar as inferiores.
A palavra fascismo foi usada pela primeira vez por Benito Mussolini em 1915 ao criar o grupo “Fasci d’Azione Revolucionaria”. Fascismo se deriva do feixe (fasci) de varas, fortemente amarradas, com um machado preso ao lado. Uma vara pode ser quebrada, um feixe, dificilmente. Em 1922/23 fundou o Partido Nacional Fascista que perdurou até sua derrocada em 1945. Na Alemanha se estabeleceu a partir de 1933 com Adolf Hitler que ao ser feito chanceler criou o Nacionalsocialismo, o partido nazista que impos ao país dura disciplina, vigilância total e o terror de Estado.
O fascismo se apresentou como anti-comunista, anti-capitalista, como uma corporação que supera as classes e cria uma totalidade social cerrada. A vigilância, a violência direta, o terror e o extermínio dos opositores são características do fascismo histórico de Mussolini e Hitler. Atualmente os neo-fascistas usam com frequência a violência para se impor. São contra os valores democráticos, homofóbicos, racistas, difamadores de seus opositores. Usam as mídias sociais para propagarem seu ódio e seu propósito de um Brasil regido por meios violentos, em nome de uma nova ordem.
O fascismo nunca desapareceu totalmente, pois sempre há grupos que, movidos por um arquétipo fundamental, o da ordem, buscam esta ordem a qualquer preço.
É o neo-fascismo atual. Hoje no Brasil há uma figura mais hilária que ideológica que propõe o fascismo em nome do qual justifica a violência, a defesa da tortura e de torturadores, da homofobia e outras desviações sociais. Sempre em nome de uma ordem a ser forjada contra a atual desordem vigente com recurso da violência e não do diálogo e por meios democráticos.
O fascismo sempre foi criminal. Criou a shoa (eliminação de milhões de judeus). Usou a violência como forma de se relacionar com a sociedade, por isso nunca pode nem poderá se consolidar por longo tempo. É a perversão maior da sociabilidade humana. No Brasil não será diferente. Aqui não não terá chances de se impôr em razão de seu exacerbado radicalismo que tangencia o ridículo.
Leonardo Boff escreveu Fundamentalismo e terrorismo:desafios para o século XXI, Vozes 2009.

O "socialismo de mercado" e suas lógicas de funcionamento

Internacional

Sistema

O "socialismo de mercado" e suas lógicas de funcionamento

por Elias Jabbour e Alexis Dantas* — publicado 10/08/2018 17h00, última modificação 09/08/2018 16h42
O modelo chinês tornou-se uma nova e complexa formação econômico-social
Isaac Lawrence/AFP/Sputnik Brasil
O "socialismo de mercado" e suas lógicas de funcionamento
A China faz uma síntese
[Este é o blog do Brasil Debate em CartaCapital. Aqui você acessa o site]
Um sintoma da mediocridade humana e intelectual geradas pela era do capitalismo financeirizado está justamento no que Harold Bloom chamou de “angústia da influência” (1). Trata-se de uma expressão justa para identificar praticamente toda uma geração de formados na década de 1990 que se preocupam, acima de tudo, com a maximização de sua própria “utilidade marginal”. Geralmente jovens de classe média, anões que pensam ser gigantes, que ascenderam na carreira acadêmica com muita dificuldade em admitir seus mestres e inspirações.
Remando contra a maré, decidimos prestar uma homenagem a Ignacio Rangel (2) e ao professor aposentado do Departamento de Geografia da FFLCH-USP Armen Mamigonian. Leia a íntegra aqui.
Com um artigo intitulado “‘Socialismo de Mercado’: uma nova formação econômico-social. Um modo de produção complexo”buscamos demonstrar que o crescimento do setor estatal na economia chinesa, acelerado desde 2009, abre condições para a possibilidade de o “modelo chinês” se tratar de algo que vai se distanciando historicamente de um modelo típico de “capitalismo de Estado”, e mais longe ainda de ser um “capitalismo liberal”.
Diante de uma gama de evidências, afirmamos que o “socialismo de mercado” pode ser classificado como uma nova formação econômico-social (FES, a partir de agora) que tem na complexidade seu principal atributo, pois implica uma formação marcada pela convivência de diferentes estruturas/formações sociais.
É nesta nova FES que se assenta o “socialismo de mercado” como um modo de produção complexo. Por não se tratar de um modo de produção puro, o “socialismo de mercado” deve ser tratado como um fenômeno regido por combinações entre diferentes modos erelações de produção.
Classificar e expor as lógicas que regem o desenvolvimento do “socialismo de mercado” foi o objeto de análise no trabalho. Na verdade, trata-se de mais um resultado de um trabalho desenvolvido desde 1994 (por um dos autores, Elias Jabbour) e retomado com força desde 2016 (3).
A hipótese central do artigo desenvolveu-se ao longo dos últimos anos. Partimos do pressuposto de que se o século XX foi marcado pelo processo histórico que desenhou uma economia surgida a partir do capital financeiro, do keynesianismo e da planificação soviética, concluímos que estamos diante de um processo histórico onde a economia de uma nova FES é desenhada a partir da síntese entre o processo de financeirização, agressividade imperialista, novos paradigmas produtivos e tecnológicos (abrindo amplos desafios e possibilidades à planificação) e das novas e superiores formas de planificaçãosendo gestadas e executadas em larga escala na China.
Além da introdução, o artigo está dividido em outras cinco seções. Na seção 2, apresentamos a categoria marxista de FES como o principal elemento de validação teórica que utilizamos tanto no sentido de compreender o fenômeno chinês quanto para demarcar fronteira com as visões hegemônicas reinantes tanto nos debates sobre a natureza do sistema chinês quanto em relação aos postulados pós-modernos.
Na seção 3, iniciamos pela exposição de nossa base de interpretação sobre a natureza do socialismo para, em seguida, expor as evidências que sustentam nossa percepção do “socialismo de mercado” como um modo de produção não fundamental como consequência de se tratar de um modo de produção assentado sob uma formação social complexa, ou seja, uma formação que associa no mesmo modo de produção relações de produção de diferentes épocas históricas.
Na seção 4 serão expostas as cinco lógicas gerais da formação histórica e de funcionamento da economia chinesa, descrevendo o processo de desenvolvimento do país, no campo da Economia Política.
Reabrindo feridas
Na seção 5 buscaremos justificar a necessidade de se construir uma nova teoria econômica, capaz de desvendar um processo histórico onde a economia da nova FES está sendo desenhada a partir da síntese, já citada acima entre o processo de financeirização, agressividade imperialista, novos paradigmas produtivos e tecnológicos e das novas e superiores formas de planificação sendo gestadas e executadas em larga escala na China.
Em resumo: a necessidade de uma “nova teoria” é coerente com o que Rangel chamava de historicidade das leis da ciência (1956 [2005], p. 206). As teorias, por serem históricas, definem o comportamento da realidade em certas circunstâncias e valem apenas enquanto estas perduram.
Em suma, a ciência econômica varia com o modo de produção e este muda ininterruptamente (Rangel, 1957 [2005], p 288).
Expomos possibilidades de combinações teóricas e possíveis aproximações. Terminamos o artigo ao mesmo tempo expondo e se posicionando sobre as feridas abertas (sob forma de uma “dialética de Saturno”) pelas discussões sobre o socialismo, sua natureza e a China.
Notas
(1) BLOOM, H.: The Anxiety of Influence: A Theory of Poetry. New York: Oxford University Press. 1997. Neste livro Bloom chama a atenção para a relação que Nietzsche faz sobre Goethe e que cabem perfeitamente a Rangel e Mamigonian, por exemplo (p. 52): Every talent must unfold itself in fighting (...).Nietzsche remarks, and so his vision of Goethe is of a fighter for Totality (...). Ainda neste livro, aos homenageados cabem as palavras do mesmo Goethe sobre o papel das influências intelectuais, a antítese da angústia da influência (p. 52): Only by making the riches of the others our own do we anything great into being.
(2) Rangel, sob um ponto de vista particular, foi o maior pensador brasileiro do século XX e, talvez, o intelectual marxista mais completo surgido na América Latina.
(3) Tratam-se dos seguintes trabalhos: JABBOUR E.; DANTAS, A.: The political economy of reforms and the present Chinese Transition. Brazilian. Journal of Political Economy, v. 37, n. 4, p. 789-807, 2017. http://www.scielo.br/pdf/rep/v37n4/1809-4538-rep-37-04-789.pdf 
JABBOUR, E.; PAULA, L. F.: China and “Socialization of Investment”:  a Keynes-Gerschenkron-Rangel-Hirschman Approach. Revista de Economia Contemporânea.  N. 22 (1), p. 1-23, 2018. http://www.ie.ufrj.br/images/blog/rec2217espchinaa-china-e-a-socializacao-do-investimento.pdf
JABBOUR, E.; PAULA, L. F.:  The Chinese Catching Up: A classical developmentalist approach. ABDE-BID: Rio de Janeiro, 2017. https://www.anpec.org.br/encontro/2017/submissao/files_I/i2-2f530e72225bbb767728d9311555cc5c.pdf
JABBOUR, E; DANTAS, A; BELMONTE, A.: “Business Cycles, Development and the Market: Notes on Socialism and the 'Primary Stage’. In: BERTOLINO, O; MONTEIRO, A.:. (Org.). 100 anos da Revolução Russa: legados e lições. São Paulo: Anita Garibaldi, 2017.
(4) RANGEL, I.:  Dualidades e “escravismo colonial”. Encontros com a Civilização Brasileira, nº 3, p.79-92, Set. 1978.
(5) Rangel não omite que sua referência – em relação à categoria marxista de modo de produção – seria a sequência por Stálin sugerida, como segue: o comunismo primitivo, o escravismo, o feudalismo, o capitalismo e o socialismo. Tratava-se, segundo o líder soviético, dos chamados cinco modos de produção fundamentais. Segundo Rangel, a “dualidade brasileira”, assim como o “modo de produção asiático” não eram modosfundamentais de produção e sim modos de produção complexo. Tais modos de produção complexos podem – e devem ser estudados como formações sociais complexas, que associam no mesmo modo de produção relações de produção de vária etiologia, isto é, não homogêneas.
* Elias Jabbour é professor adjunto da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ; Alexis Dantas é professor associado, e diretor em exercício, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCEUERJ) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ onde também exerce a coordenação do Núcleo de Estudos das Américas (NUCLEAS)

VERGONHA! Novo teto constitucional equivale a 16 vezes o piso dos professores A casta....

TOPO DA PIRÂMIDE

Novo teto constitucional equivale a 16 vezes o piso dos professores

Apenas na Justiça Federal, medida custará R$ 717 milhões adicionais ao orçamento

Brasil de Fato | Brasília (DF)
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Ouça a matéria:
Mesmo sem reajuste, ministros do Supremo ganham cinco vezes mais que colegas europeus / Agência Brasil
O reajuste de 16,3% aprovado pela maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) elevou o teto constitucional de remuneração no serviço público de cerca de R$ 33 mil para mais de R$ 39 mil. A nova cifra, que depende da aprovação do Congresso Nacional, tornará o salário dos ministros 16 vezes superior ao piso dos professores de nível médio, hoje estabelecido em R$ 2.455,35.
Somente na Justiça Federal – excluindo, por exemplo, os integrantes de Tribunais estaduais – a confirmação da ampliação custará mais R$ 717 milhões a mais aos cofres públicos. Como a elevação do teto enseja o aumento de salários em todo setor público, o impacto no longo prazo será ainda maior. 
Maria Eugenia Trombini, advogada da organização Terra de Direitos e integrante da Articulação Justiça e Direitos Humanos, afirma que a elevação amplia o “distanciamento e encastelamento” dos juízes e é ainda mais grave em um contexto de austeridade econômica. 
“A gente critica bastante o corporativismo da carreira da magistratura e entende que a decisão na qual se aprovou o reajuste de mais de 16% vai ter um efeito cascata.  Isso eleva ainda mais as diferenças que os separam do restante da população. Ainda mais em um período de austeridade. Neste momento, é bastante emblemática essa decisão”, afirma.
O Judiciário brasileiro custa relativamente mais caro que outros Judiciários. Há levantamentos que indicam que os ministros do Supremo, mesmo sem o reajuste, já ganham até cinco vezes mais que seus colegas europeus. Em outra comparação, o novo salário do STF será o equivalente a 11 vezes o rendimento médio no Distrito Federal, a unidade federativa com o maior patamar  do país – R$ 3.440,00. 
As associações de magistrados reivindicam o aumento afirmando que a categoria é a com maior defasagem diante da inflação no setor público. Luciana Zaffalon, advogada e autora da tese de doutorado Uma Espiral Elitista de Afirmação Corporativista, rebate a posição afirmando que a questão deve ser analisada sob a ótica do “interesse público”.
“Cabe à Justiça julgar os conflitos públicos. Hoje, há dois tetos que pesam sobre nós. Um é o Teto dos Gastos que está massacrando todo nosso país em áreas super sensíveis. De outro lado, há o teto constitucional que dá um patamar remuneratório no qual menos de 1% da população brasileira está. O Poder Judiciário assim como as demais carreiras podem sustentar a defesa do interesse público ao se distanciar tanto da realidade da esmagadora maioria do país. Diante deste conflito, não há hermenêutica criativa possível que justifique aumento em um momento como esse”, diz.
Durante a sessão que aprovou o reajuste, alguns ministros pontuaram críticas aos benefícios recebidos por magistrados, incluindo o auxílio-moradia. Até mesmo Fux, que concedeu liminar liberando a medida em escala nacional fez coro à posição. Trombini explica que o tema foi debatido entre os magistrados e a Advocacia-Geral da União (AGU), que recomendou o fim do benefício. O teor exato das discussões, entretanto, não foi disponibilizado ao público. Ela ressalta que o posicionamento do STF confunde as competências institucionais, pois a questão dos benefícios deveria ser alvo do Conselho Nacional de Justiça.
Assim como Trombini, Zaffalon destaca que a argumentação utilizada pelo STF consolidou a visão de que os benefícios eram um mecanismo informal de recomposição salarial.
“Eu não tenho dúvida que há muito se perdeu o constrangimento de tratar desse tema.  Ou seja, é uma burla à legislação para se implementar benefícios absolutamente imorais no contexto brasileiro”, critica.
A decisão do STF se deu por sete votos favoráveis e quatro contrários. 
Edição: Tayguara Ribeiro

Um submarino à Propulsão Nuclear e 50 anos a propulsão de muito amor


Jornal do Brasil09/08/2018

UM FATO novo mobiliza as academias, universidades e pesquisadores, sobretudo dos estados de toda a imensa costa brasileira. Trata-se do submarino brasileiro à propulsão nuclear, que vem sendo desenvolvido no Brasil pela Marinha brasileira, com técnicos brasileiros formados e treinados no exterior, constituindo um patrimônio intangível, que se traduz em 1.140 funcionários altamente qualificados... 
ISSO SE DEU graças a um acordo assinado com a França em 2008, para a construção de cinco submarinos. Quatro submarinos convencionais e um à propulsão nuclear e tecnologia brasileira. De modo discreto, disciplinado e tenaz, cumprindo metas e datas, alcançando objetivos, como é bem o perfil daquela força naval brasileira... 
O PROGRAMA DE CONSTRUÇÃO do Submarino bem como o Programa Nuclear da Marinha vêm sendo cercados de curiosidades e indagações, o que levou a Marinha, através de seu diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico, almirante de esquadra Bento Albuquerque, aceitar os convites da sociedade para sua apresentação à comunidade científica e acadêmica deste país, em encontros sempre muito concorridos, com palestras que entusiasmam a todos que as assistem... IDÉIA IMPULSIONADA NOS governos Lula, por iniciativa e empenho do então comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura, o projeto do submarino nuclear é fruto da preocupação da Marinha com a defesa nacional, valendo lembrar que, desde os primórdios dos anos 2000, ela passou a colocar em relevo a importância de nossas águas territoriais, batizando-as de Amazônia Azul... ASSIM COMO a Amazônia Verde, ela é uma região vital para nosso futuro, por suas riquezas (vide o pré-sal), as linhas de comunicação marinha e por ser parte de nosso território, e isso não pode ser esquecido. Quem ama cuida ou, mais popularmente, o olho do dono engorda o gado.... 

O SUBMARINO NUCLEAR será o nosso olho marinho, atento e alerta, considerando que nossa economia é totalmente dependente do comércio, do qual 95% são transportados pelo mar, sendo que 10% de carga mundial passam por portos brasileiros... 
SABE-SE QUE a maior defesa para essa área marítima é com o emprego de submarinos. Os submarinos convencionais têm limitações que só são superadas pela propulsão nuclear, que permite geração de energia independente do ar. Permite ainda maiores velocidades com mobilidade estratégica impressionante, e possibilita à Marinha cobrir áreas extensas de operações. O Submarino Nuclear é tudo de bom...

 ENFRENTAR ESSE desafio não foi um salto às cegas. Em 1979, em parceria com o Instituto de Pesquisa Energética e Nuclear, a Marinha iniciou seu programa nuclear em parceria com o Instituto de Pesquisa Energética e Nuclear, com a pretensão de dominar o ciclo do combustível e o projeto de reatores.... 

UM PROGRAMA NÃO apenas militar, mas em benefício de toda a sociedade brasileira. Nos últimos 10 anos, além dos impactos tecnológicos ao país o programa da Marinha envolveu cerca de 700 empresas nacionais, 18 universidades e institutos de pesquisa e, pasmem, cinco mil empregos diretos e 12.500 indiretos... 

O PROGRAMA desenvolveu a capacidade de projetar e construir reatores e seus combustíveis, capazes de gerar energia, que são a base do desenvolvimento, embora, no Brasil, 76% da matriz energética ainda advenham de hidrelétricas e apenas 2,2% da energia nuclear... “É UM PARADOXO que um país com a sétima reserva de urânio do mundo, onde a geração nuclear poderia ter papel importante na nossa matriz energética, provendo energia por 100 anos, apresente esses dados”, opina o almirante Bento, para quem o investimento em tecnologia nuclear é um compromisso com as gerações futuras, pois a diversificação da nossa matriz energética significa também segurança... 

O PROGRAMA NUCLEAR da Marinha obedece a todos os preceitos legais e da Constituição. Já passou por mais de 300 inspeções - anunciadas e não anunciadas - pela Agência Internacional de Energia Atômica e pela Agência Brasil Argentina de Contabilidade e Controle, sem qualquer incidente... 

ISSO E MUITO mais está sendo apresentado em palestras pelo almirante Bento pelas capitais brasileiras. Já houve apresentações no Rio de Janeiro, no Clube de Engenharia do  Brasil; em julho passado, em Fortaleza, a convite das academias Nacional de Engenharia e Cearense de Engenharia, bem como da Federação das Indústrias do Ceará... 

HOJE, A PALESTRA “O programa Nuclear da Marinha e o programa de desenvolvimento de submarinos” será em Pernambuco, no Recife, sob auspícios da Academia Pernambucana de Engenharia, do CREA de Pernambuco e diversas outras academias, a começar pela Nacional de Engenharia, a Brasileira e a Pernambucana de Ciência Agronômica, a Pernambucana de Química, o Departamento de Energia Nuclear, o Clube de Engenharia de Pernambuco... 


ECONOMISTAS DETALHAM RETROCESSOS SOCIAIS DA POLÍTICA FISCAL DO GOLPE