segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP publica nota de repúdio a declaração de Toffoli sobre golpe de 64

Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP publica nota de repúdio a declaração de Toffoli sobre golpe de 64





Publicado em 1 outubro, 2018 8:05 pm

Nota de repúdio do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, ao posicionamento de Dias Toffoli sobre o golpe de 64
Na manhã desta segunda feira (1º) recebemos a ilustre presença do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Dias Toffoli, em nossa Faculdade (Largo de São Francisco – Direito USP).
Toffoli foi convidado, ironicamente, a conferir uma palestra sobre os 30 anos da Constituição Federal de 1988 – Carta Magna que tem sido sistematicamente ignorada pelo nosso Poder Judiciário no último período, inclusive pela Corte que o ex-aluno desta Casa preside.
Para surpresa geral, durante a exposição Toffoli disse não entender como “golpe” o processo havido no Brasil em 1964, que levou os militares ao poder e redundou em mais de 20 anos de regime autoritário. Segundo ele haveria críticas “à esquerda” e “à direita” ao que ele prefere tratar por “movimento”.
Tal posicionamento por parte do Presidente da Suprema Corte é grave, sobretudo considerando o atual contexto.
São justamente posicionamentos como este, que menosprezam os graves crimes contra a humanidade e o brutal desrespeito aos direitos humanos ocorridos no país durante o regime militar, que estimulam o recrudescimento do discurso de ódio e autoritarismo, lamentavelmente crescentes em nosso ambiente político.
Fato é que o Brasil ainda é marcado por grandes resquícios da ditadura militar e não houve, por parte do Estado brasileiro, prestação de contas de maneira assertiva sobre o que se passou naquele período — à semelhança do ocorrido em outros países do nosso continente –, o que fragiliza a nossa democracia. Destarte, é ainda mais central mantermos viva a nossa memória, para que nunca se repita.
Deste modo, o Centro Acadêmico XI de Agosto, honrando seu histórico em defesa da democracia, repudia veementemente a declaração do Ministro Dias Toffoli e espera sua pronta retratação — reconhecendo o golpe de Estado empreendido pelos militares e as bárbaras infrações aos direitos humanos que o sucederam.
Aproveitamos, também, para repudiar a investida de setores militares com vistas a influenciar o processo eleitoral que se avizinha, com declarações de comandantes de alta patente a respeito de eventual ilegitimidade do pleito. Além da ameaça antecipada por parte candidatos de não reconhecimento do resultado das urnas, atentando outra vez contra a soberania popular.
Mais do que nunca é hora de reafirmar os valores democráticos e de respeito ao processo eleitoral e aos direitos consagrados na Constituição da República.
#CAXIdeAgosto
#DitaduraNuncaMais
#EleNao
Largo São Francisco, 1° de outubro de 2018

“Movimento”, segundo Toffoli

#elenão: 490 mil pessoas. O "coiso": 156 mil pessoas. A mentira tem pernas curtas.

CHECAGEM
Com dado falso, post diz que ato pró-Bolsonaro reuniu 1 milhão em SP
Publicação foi feita pelo filho do presidenciável e candidato a deputado federal Eduardo Bolsonaro e cita como fonte a Polícia Militar, que desmente a informação

1 de outubro de 2018
Ethel Rudnitzki
Reprodução/ Facebook Eduardo Bolsonaro
Manifestação a favor de Jair Bolsonaro (PSL) na Avenida Paulista no dia 30 de setembro: ato ocupou três quarteirões
“Nunca imaginei que pudesse haver tantas pessoas na Av. Paulista num domingo de garoa à tarde apoiando JB [Jair Bolsonaro]. Segundo a PM foi 1 milhão de pessoas!!! Em nome de meu pai, muito obrigado pela força! O Brasil tem jeito!” – Eduardo Bolsonaro (PSL), candidato a deputado federal, em post no Facebook no dia 30 de setembro.

Vários protestos contrários e favoráveis ao candidato à Presidência pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, ocorreram no último final de semana de setembro em diferentes cidades do país. Em São Paulo, manifestantes que se posicionam contra ao candidato reuniram-se no sábado, 29, no Largo da Batata e caminharam até a Avenida Paulista, passando pela Avenida Rebouças. No domingo, dia 30, ocorreu um ato que reuniu pessoas favoráveis ao político, na Avenida Paulista.

Os movimentos tiveram repercussão nas redes sociais. Eduardo Bolsonaro, filho do deputado federal, postou em seu Facebook a informação de que 1 milhão de pessoas compareceram à manifestação favorável a seu pai, segundo a Polícia Militar. A postagem foi acompanhada de fotos dos manifestantes na Avenida Paulista e teve 129 mil compartilhamentos até as 18 horas do dia 1º de outubro. A informação também foi publicada pela página “Mulheres A FAVOR de Jair Bolsonaro”, responsável pela organização do evento. O Truco – projeto de fact-checking da Agência Pública – analisou o caso e concluiu que a afirmação é falsa.

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A Polícia Militar de São Paulo não divulgou informações a respeito do número de pessoas que compareceram aos atos do fim de semana – nem no sábado, nem no domingo. O candidato, autor da postagem, não respondeu ao questionamento do Truco sobre a fonte da informação. Os organizadores também não divulgaram estimativa sobre o número de pessoas.

No Facebook, eventos reunindo pessoas para a manifestação em apoio ao candidato do PSL em São Paulo não ultrapassaram 30 mil pessoas interessadas ou com presença confirmada. O maior deles, organizado pela página “Fatos Relevantes” ligada ao site de Jair Bolsonaro, contava com 6,2 mil confirmados e 20 mil interessados. Outro evento, realizado pelas páginas “Bolso Mulher”, “Direita São Paulo”, “São Paulo conservador” entre outras, convocava pessoas para a manifestação no domingo usando a hashtag #1milhãonaPaulistacomBolsonaro, mas contava com apenas 15,4 mil confirmados ou interessados. Já a página “Mulheres A FAVOR de Jair Bolsonaro”, que possui cerca de 300 mil curtidas ou seguidores, não criou nenhum evento convocando seus participantes.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os manifestantes ocuparam 3 quarteirões da Avenida Paulista na altura do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) na manifestação pró-Bolsonaro no domingo. Fotos do evento confirmam essa estimativa. Segundo a ferramenta MapChecking, a zona em questão possui 22.375 metros quadrados e, em densidade máxima de ocupação (7 pessoas por metro quadrado), pode conter 155,6 mil pessoas. Ou seja, é impossível que as três quadras da Avenida Paulista tivessem sido ocupadas por 1 milhão de manifestantes.

Manifestação contra Bolsonaro
O principal evento relacionado à manifestação contrária a Jair Bolsonaro, realizado no sábado, possuía 322 mil pessoas confirmadas ou interessadas. Já o grupo ligado à organização do ato contava com 3,8 milhões de pessoas até a publicação da checagem.

Apesar de maior engajamento nas redes sociais, também não há estimativas oficiais a respeito do número de pessoas que compareceram à manifestação contrária a Bolsonaro em São Paulo. As organizadoras estimam que o ato reuniu 500 mil pessoas, conforme informado ao Truco. Segundo o MapChecking, a área na qual os manifestantes contrários à Bolsonaro se agrupavam, o Largo da Batata, corresponde a 70 mil metros quadrados e sua capacidade máxima de lotação (7 pessoas por metros quadrados) é de 490 mil pessoas.

Palocci, última carta de Moro, foi reação a Lewandowski?

Palocci, última carta de Moro, foi reação a Lewandowski?

No dia em que se anunciou, pela primeira vez, a autorização do Supremo para que Lula concedesse uma entrevista, escrevi aqui que isso se daria, “a menos que Sua Alteza, o Juiz dos Juízes, Sérgio Moro, dê uma “invertida” na decisão tomada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski”.
Não conseguiu inverter, afinal, mas retaliou.
Terá sido mera, meríssima coincidência o fato de Sérgio Moro ter liberado o acesso à “delação xêpa” de Antonio Palocci – na qual há tão poucas provas ou revelações que nem a turma da Procuradoria Geral da República no Paraná quis aceitar- ter coincidido exatamente com a decisão de Ricardo Lewandowski de não aceitar o golpe jurídico de Luiz Fux e proibir a entrevista previamente autorizada com o ex-presidente Lula?
Creiam os que  quiserem que tudo se passou ao acaso na radiosa manhã do sexto dia antes da eleição.
O pouco que li trata de coisas que Palocci diz que “soube” e de explanações genéricas sobre a promiscuidade entre partidos e empresas.
A maioria – ou quase tudo – já foi objeto de “vazamentos” e sua divulgação, agora, em bloco, é essencialmente um gancho para intermináveis reportagens nos jornais e na televisão.
Claro está que para atingir o crescimento da candidatura Haddad e sinalizar aos integrantes do Supremo que se recusam a vergar a coluna para o seu poder de mando.
Particularmente, não acredito que vá produzir efeitos “tsunâmicos” sobre a candidatura do PT, seja porque a manipulação judicial hoje é muito mais evidente do que há anos atrás, seja porque há um certo enfado da opinião pública com o denuncismo vigente.
E depois porque o autor das denúncias está na lanterna dos desesperados, preso há dois anos, e disposto a dizer qualquer coisa que o possa tirar da cadeia.

STF ignora Fux, intima juíza de Moro e Lula dará entrevista


STF ignora Fux, intima juíza de Moro e Lula dará entrevista

DestaqueReportagemSem categoria
Tudo ocorreu como o Blog da Cidadania previu. Na 6ª feira, o STF se transformou em versão ampliada do TRF4 – que, em julho, teve disputa entre magistrados sobre habeas-corpus para Lula. No STF, produziu-se disputa entre Lewandowski e Fux sobre Lula dar entrevistas à imprensa. Um autorizou, o outro proibiu. Agora, Lewandoski cancela a proibição, intima Moro a que deixe Lula dar entrevistas.
Manhã de sexta-feira 28 de setembro: o ministro do STF Ricardo Lewandowski autoriza o ex-presidente Lula a dar entrevistas à imprensa.
Tarde de Sexta-feira 28 de setembro: o ministro do STF Luiz Fux atende a pedido do Partido Novo e proíbe Lula de dar entrevistas.
No sábado 29 de setembro, o Blog da Cidadania antecipou que a decisão de Fux seria prontamente revogada.
Manhã de segunda-feira 1º de outubro: Lewandoswki chama de censura decisão de Fux que impediu entrevista de Lula
Tarde de segunda-feira 1º de outubro: Lewandowski emite nova decisão autorizando imediata  entrevista de Lula à Folha de São Paulo – e, por extensão, a toda a imprensa.
O ministro Lewandowski reafirmou a autoridade e vigência de sua decisão, emitida no dia 28/09, em que concede o direito à Folha de S. Paulo e ao jornalista Florestan Fernandes Júnior, de entrevistarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lewandowski determina que sua ordem seja cumprida imediatamente, sob pena de configuração do crime de desobediência.
Diz o documento:
“Em face de todo o exposto, reafirmo a autoridade e vigência da decisão que proferi na presente Reclamação para determinar que seja franqueado, incontinenti, ao reclamante e à respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que possam entrevistá-lo, caso seja de seu interesse, sob pena de configuração de crime de desobediência, com o imediato acionamento do Ministério Público para as providência cabíveis, servindo a presente decisão como mandado
Comunique-se ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, à Juíza Federal da 12ª Vara Federal de Curitiba/PR”
— previsão cumprida
A ilegalidade da decisão de Fux era flagrante. O pedido do Partido Novo para suspensão da entrevista de Lula era ilegal porque uma entidade de direito privado não poderia ter feito tal pedido e, também, porque Fux não tinha competência para julgar o caso, que estava com Lewandowski.
Magistrados como Luiz Fux, nesse episódio, como Luiz Roberto Barroso, no caso da desobediência à determinação da ONU de que Lula pudesse disputar a eleição, e de Sergio Moro, cassando habeas-corpus do desembargador Rogério em favor de Lula estão emporcalhando a imagem do Brasil no exterior.
O ministro Ricardo Lewandowski revelou desassombro e correção ao pôr as coisas de volta nos eixos. Espera-se que Fux pare de agir como militante do MBL e passe a se comportar como magistrado, porque ele já ameaça cometer crime para agradar grupos políticos.
Confira a reportagem em vídeo

DELAÇÃO DE PALOCCI FOI RECUSADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO POR FALTA DE PROVAS

Nota do PT: Moro vaza mentiras para interferir nas eleições

Nota do PT: Moro vaza mentiras para interferir nas eleições

01 de outubro de 2018
O juiz Sergio Moro é o responsável por mais uma interferência arbitrária e ilegal no processo de eleições, ao dar publicidade às mentiras de Antonio Palocci, que não tem credibilidade nem moral para falar sobre o PT.
A delação mentirosa de Palocci foi negociada com a Polícia Federal em troca da redução de dois terços de sua pena, prevendo até perdão judicial, da devolução de R$ 37 milhões, que é menos da metade do que teria sido bloqueado em suas contas, segundo a imprensa, e da preservação de todos os imóveis da família.
O nome disso é negócio; negócio político, nada a ver com a busca da verdade nem com o devido processo legal.
A delação mentirosa é tão desprovida de provas que foi rejeitada pelo Ministério Público e sequer poderá ser usada na ação penal que Sergio Moro conduz arbitrariamente, como ele mesmo reconhece no despacho de propaganda eleitoral que divulgou hoje.
Em 15 de agosto, este mesmo juiz parcial adiou depoimentos do ex-presidente Lula que estavam marcados para agosto e setembro, pretextando evitar “exploração eleitoral” dos interrogatórios. Agora, na ultima semana do primeiro turno, Moro promove a exploração eleitoral, pelos meios de comunicação, de um depoimento antigo, imprestável e forjado para incriminar o PT.
Moro censurou a voz de Lula e divulga acusações falsas contra ele, sem lhe dar o direito de defesa.
A manobra de Moro, uma vergonhosa chicana, é mais uma prova do desespero daqueles que usaram o aparelho do estado, nos últimos anos, para tentar destruir Lula e o PT, e agora vêm que a verdadeira Justiça será feita pelo povo, nas eleições de outubro.
COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT

Por que #Elenão


Por que #Elenão. Por Eugênio Aragão

 





Eugênio José Guilherme de Aragão

Quando a Alemanha foi derrotada, em 1945, após uma guerra de extermínio bestial que deslanchou contra seus vizinhos, a maioria da população alemã pretendeu não ter nada a ver com isso. Envergonhada, escondeu-se no silêncio por mais de duas décadas. Precisou de os filhos dos partícipes darem o basta à hipocrisia e exigirem esclarecimento sobre o que ocorreu, para as instituições se depurarem do mofo do passado fascista e se renovarem democraticamente. Fazer a passagem da assunção da verdade e da promoção da autocrítica foi um pressuposto civilizatório para a Alemanha se restabelecer altiva e livre no seio das nações.
O Brasil não passou por uma guerra das proporções daquela que arrasou a Europa e cobrou seu tributo com a vida de dezenas de milhões de inocentes. Mas passa por um conflito secular não menos brutal, entre os que se autoproclamam donos do poder e os excluídos de todas conquistas econômicas e sociais resultantes de seu trabalho suado e não reconhecido. Também essa injustiça tem nos apresentado uma alta conta. Somos um país atrasado pela educação de baixíssima qualidade, pelo estado mórbido crônico de sua população sujeita a um sistema de saúde pública em frangalhos, pelo déficit habitacional que impõe substancial parte de brasileiras e brasileiros viverem em barracos sujos, sem saneamento e rodeados de violência criminosa.
O pior de tudo isso que ocorre no Brasil é a incapacidade de nossos autoproclamados donos do poder de exercer um mínimo de autocrítica. São autossuficientes, arrogantes e se creem generosos e bondosos. Veem como virtude o que não passa de obrigação. Restituir a liberdade aos escravos no século XIX, por exemplo: ainda que tenha o Brasil sido o último país do chamado mundo ocidental a abandonar tal vergonhosa prática, a elite brasileira acha que foi muito virtuosa na promulgação da lei áurea. Foi nada. Despejou milhões de afrodescendentes na mais profunda miséria e nunca cogitou de lhe pedir perdão pelos séculos de tratamento cruel e muito menos de indenizar sua diáspora forçada, seu trabalho e seu sofrimento. Até hoje, nossos habitantes da redoma escandinaviforme de bem-estar social olham para afrodescendentes com desdém, naturalizando, banalizando seu estado de despossuimento crônico. Alguns ainda abraçam cínicas explicações espíritas, a qualificarem o destino desgraçado desses pobres como resultado da evolução espiritual… e se acham ainda muito gente boa por isso.
Dá asco o descompromisso com a miséria alheia. Dá vergonha de ser brasileiro e ver uma senhora com sua filha clamando por ajuda na porta do supermercado, pedindo apenas um saco de feijão, e ser vista pela maioria dos transeuntes como estorvo, indiferentes com a injustiça estampada em sua frente. Temos um déficit enorme de empatia, o que chega a ser doentio, psicótico. E, quando damos alguma esmola, o fazemos no mais das vezes para cultivar virtudes inexistentes, para nos assegurarmos de nossa autoimagem de bonomia, proclamada narcisisticamente aos quatro ventos das redes sociais.
Mas, índios são preguiçosos, quilombolas gordos e incapazes de procriar de tão indolentes, negros são violentos e abusados, homoafetivos são desnaturados e mulheres que lutam por seus direitos não passam de histéricas que não conhecem o seu lugar. – Esse é o senso comum, assumido por muitos e enrustido por outros, sobre o lugar do próximo em nossa sociedade. Somos uns trogloditas muito distantes do estágio civilizatório mínimo da contemporaneidade. O preconceito aqui viceja numa estupidez prepotente não encontrada alhures.
O ódio político disseminado contra a esquerda partidária, em especial contra o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, por intensa campanha de desacreditamento da solidariedade social, se espalhou nesse ambiente como uma epidemia. O alvo da ira ousara, quando no governo, colocar em cheque essa soberba autoimagem de brandura e magnanimidade de brasileiras e brasileiros afortunados. Tirou-os de seu delírio para obrigá-los a ver a realidade e a arregaçar as mangas para transformá-la ou ser expulsa de seu berço esplêndido. Treze anos de governo petista sacudiram os fundamentos dessa maya elitista.
A resposta não tardou de vir na forma de militância política da bronca. Bolsonaro e sua direita fascista, pseudomoralista são o chorume dos dejetos da discriminação social, do desprezo da miséria alheia e da recusa de empatia. Usam sentimento falso de brasilidade nacionalista para criar um estado de espírito de agnação entre idiotas autossuficientes e um sentimento coletivo de potência a desarmar os mecanismos de autocontrole e de autocontenção de instintos mais violentos. Propagam fobias, ilusões e mentiras em redes sociais e pelo discurso da propaganda política. Vivem num mundo artificial de conspirações contra si, estimulando a paranoia coletiva. E tudo isso para deixar o Brasil podre do jeito que gostam.
É nesse momento que se encontra o Brasil, numa encruzilhada entre a retomada do caminho da autocrítica e da superação histórica e a rota da estagnação viciada na sociedade escravocrata que ainda não deixamos de ser. De um lado, Lula, o preso, refém do deterioração institucional, do golpe raivoso contra o progresso social; de outro, Bolsonaro e seu exército de zumbis desmiolados a serviço do atraso, crias involuntárias, filhos ilegítimos desse golpismo de nossa elite, que não respeita voto e nem soberania popular.
A deterioração institucional que mantém Lula encarcerado corresponde à profunda contaminação de carreiras de estado pelo corporativismo e o sequestro da soberania popular pela burocracia sem voto. “Yes, we can” parece ser o grito de guerra de agentes de estado mobilizados pela mídia oligopolizada e tomados por um populismo fascista.
Expressão disso é a ousadia indiferente de juízes, membros do ministério público e funcionários da polícia no seu confronto com a lei. Em nome de um tal “combate à corrupção”, que há muito já se converteu num combate à política, tudo é permitido, até desacatar ordens de instâncias superiores que, na avaliação pessoal desse ou daquele agente, não se acha conforme com os fins do combate. O episódio que levou ao arranca-rabo entre o Sérgio Moro de sempre e o desembargador Favreto oferece um bom exemplo disso.
Depois que destituíram a presidenta da república eleita através de um procedimento parlamentar fraudulento de impedimento não há mais limites para a ousadia. O judiciário em peso aderiu à iniciativa, não só cruzando o braço na tarefa de garantir os estado democrático de direito, mas ativamente admoestando o grupo político em torno da destituída, mormente o PT, para que, com reputação abalada, nunca mais tivesse uma chance de governar. A prisão de Lula foi a cerejinha desse bolo golpista. E tudo que permitisse Lula reaparecer tem sido furiosamente bloqueado, a começar por sua candidatura. Dane-se a legislação eleitoral, danem-se os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na defesa dos direitos humanos e particularmente do devido processo legal.
A palavra de moderação dos órgãos de monitoramento de tratados de direitos humanos não valem nada.
Na outra ponta, os golpistas, dentro e fora do judiciário, assustam-se e fazem carinha de nojo para o bolsonarismo. Criaram-no ao tentarem destruir a imagem do governo democrático inclusivo liderado pelo PT.
Estimularam o ódio e o desrespeito ao resultado de eleições. E agora veem o incêndio que provocaram atingir os telhados de suas casas de conforto e abundância. Burgueses e seus asseclas na burocracia não gostam de se identificar com esses brucutus que expressam sem pejo seus preconceitos misóginos, homofóbicos e racistas. Não que eles não sejam tudo isso, mas o estilo da Casa Grande é mais hipócrita. É assim que sobreviveu por mais de quinhentos anos neste Brasil atrasado. Adoram se exibir de um lado liberal nos costumes, pelo glamour desse falso liberalismo que não adentra a essência de uma sociedade dividida entre os que tudo têm e os que nada merecem. A aparência de liberal, gentil e tolerante é seu principal ardil para enganar trouxas explorados que se orgulham desse país “cristão e livre, graças a Deus”.
Mas os trouxas resolveram exagerar na dose e achar que cultivar abertamente o preconceito faz parte da gramática do Brasil cristão e livre. Que negros, feministas, homoafetivos, índios e esquerdistas vão para o inferno! A liberdade, para esses imbecis, é poder ser politicamente incorreto e rir de quem se choca com sua incorreção. A cretinice solta nas redes sociais parece confirmar as suposições desses beócios. Sentem-se livres para se comportarem feito nazistas.
Parte da elite teme que sua cara de bom-moço sofra trincas irreparáveis com a ação do exército desses fascistas idiotas. Afinal, sua aceitação nos salões financeiros internacionais sempre foi suportada por um certo flair de gente boa que brasileiros disseminaram mundo afora. Mas é tarde. Nem Henrique Meirelles e nem Geraldo Alckmin, os representantes dessa elite, conseguem alçar voos mais altos nesta eleição. Cederam seu lugar para a cria de seu ódio de classe.
O cenário é muito parecido com o da Alemanha de Weimar no início da década de trinta. A burguesia não gostava dos nazistas baixo-nível em torno de Adolf Hitler e sua SA barulhenta, mas não tinha mais gás para enfrentar a massa de descontentes com sua política de negação de direitos e de socialização da miséria: ou era Hitler, ou era a esquerda política. E, por mais nojo que tinha dos nazistas, acabou embarcando na aventura de lhes entregar o governo, achando que os colocaria nos trilhos da institucionalidade, por bem ou por mal. Ledo engano. Os nazistas os atropelaram e levaram a Alemanha e o mundo para a maior tragédia da modernidade com sua doutrina de ódio e de intolerância.
A encruzilhada está aí. Ainda é tempo para pensar. Que nossa elitezinha hipócrita não caia na mesma esparrela. Está na hora da autocrítica e é melhor fazê-la antes que a tragédia nos engula a todos. Por isso, #Elenão.