DEPUTADO DO PSL AMEAÇA JORNALISTA: SENTIRÃO A MÃO PESADA DO ESTADO
"Só avisando, se transgredir a lei e a ordem, vai conhecer a mão pesada do estado. Vencemos a eleição de forma soberana, vamos governar para todos e respeitar a constituição. Não gostou? Enfia o dedo naquele lugar e rasga, mas se tentar sabotar o país, haverão consequências", disse o deputado federal eleito Márcio Labre, do mesmo partido de Jair Bolsonaro
247 - O deputado federal eleito Márcio Labre (PSL-RJ) aproveitou a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (28) para disparar ameaças contra jornalistas e opositores. Pelas redes sociais, ao responder o jornalista João de Andrade Neto, do Diário de Pernambuco, Labre disse que quem tentar 'sabotar o país' sofrerá as consequências.
O jornalista havia dito que a democracia não se resumia ao processo eleitoral e foi, em seguida, respondido pelo deputado eleito.
"Só avisando, se transgredir a lei e a ordem, vai conhecer a mão pesada do estado. Vencemos a eleição de forma soberana, vamos governar para todos e respeitar a constituição. Não gostou? Enfia o dedo naquele lugar e rasga, mas se tentar sabotar o país, haverão consequências", disse Labre, sem explicar que tipo de consequências poderiam acontecer.
Abaixado-assinado do Avaaz.org protesta contra a deputada de Bolsonaro:
A liberdade de expressão dos professores em sala de aula foi explicitamente atacada na noite de 28/10/2018. Logo após o anúncio da vitória de Jair Bolsonaro, Ana Caroline Campagnolo, eleita Deputada Estadual por Santa Catarina para a legislatura de 2019, conhecida por sua defesa do Projeto Escola Sem Partido, divulgou em sua redes sociais uma mensagem em tom ameaçador convocando os estudantes em sala a filmarem seus professores a partir de segunda, dia 29/10/2018, alegando que estes, inconformados com vitória de Jair Bolsonaro farão das salas palco cativo).
PUBLICIDADE
Nós, professores, entendemos que a referida Ana Caroline está incitando ódio ao afirmar inverdades, provocando um ambiente escolar insalubre, visto que nas atribuições em sala de aula, os professores sobretudo os da área de Humanas (alvo das críticas da referida) não fazem doutrinação ao ensinarem seus conteúdos, mas os apresentam e promovem debates com a total lisura respeitando o livre pensamento dos alunos e da comunidade educacional em geral.
Diante do ocorrido pedimos que você, professor, estudante, pais que se prezam por uma Educação livre e democrática compartilhe e nos ajude a denunciar a tentativa de cerceamento que os professores já estão sofrendo por uma candidata que mesmo sem ter assumido está se valendo de autoritarismo para promover suas ideias de forma leviana e antidemocrática!
Por uma Educação Livre!
Deputada Ana Caroline Campagnolo. Foto: Reprodução/Facebook
Manifesto da bancada evangélica propõe extinção do Ministério da Cultura
A bancada evangélica, uma das principais bases de apoio de Jair Bolsonaro e que elegeu este ano 180 parlamentares, lançou uma lista de propostas que inclui a extinção de ministérios e a instituição do "ensino moral"
A Frente Parlamentar Evangélica, também conhecida bancada evangélica, elaborou um “manifesto à nação” com uma série de propostas que envolvem a “modernização do Estado”, “segurança jurídica”, “segurança fiscal” e “revolução na Educação”. O documento foi divulgado no último dia 24.
A bancada evangélica é uma das principais bases de apoio do presidente eleito Jair Bolsonaro e elegeu, este ano, 180 parlamentares. As propostas listadas no “manifesto” estão em total consonância com as ideias defendidas pelo capitão da reserva.
Uma medidas propostas pelos parlamentares evangélicos é uma reforma ministerial para reduzir o número de ministérios de 28 para 15. Seriam extintos ministérios como o da Cultura e o da Ciência e Tecnologia – eles seriam incorporados ao Ministério da Educação. Também é previsa a extinção do Ministério do Meio Ambiente, que se tornaria uma secretaria do futuro Ministério do Agronegócio. Assim como Bolsonaro, a bancada evangélica quer criar o Ministério da Economia, que englobaria a Fazenda e o Planejamento.
Focando no “enxugamento” do Estado, o manifesto sugere ainda o “uso intensivo” da terceirização de mão-de-obra. Também propõe afrouxar os mecanismos que minimizam os impactos socioambientais com o intuito de beneficiar empresas. A ideia é criar um “teto” de compensação ambiental. “Reduzir as incertezas quanto às exigências para obtenção das licenças socioambientais e reduzir o tempo de concessão das licenças socioambientais”, diz o texto.
Para a área da Educação, os parlamentares seguem em consonância com Bolsonaro. Eles pretendem acabar com o que chamam de “ideologia de gênero” e “doutrinação marxista” nas escolas e propõem “rever” o Ensino Superior. Entre as ideias, está a instituição do que chamam de “Ensino Moral”.
COM ‘VERGONHA’, BRESSER-PEREIRA PEDE UNIÃO CONTRA VIOLÊNCIA
O economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira manifesta "vergonha" e preocupação com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), mas também defendeu união e vigilância em relação ao próximo governo. "Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência", afirmou
Se eu fosse mulher, negro ou gay, eu estaria com medo. Eu não sou nem mulher, nem negro, nem gay, mas estou com medo. Com medo, mas com coragem – com a coragem que afasta o medo e nos leva a resistir.
Eu estou com vergonha da classe média e das elites brasileiras, às quais eu pertenço. Elas foram responsáveis pelo golpe parlamentar que foi o impeachment, e agora apoiaram um candidato neofascista que age abertamente contra os direitos humanos e a democracia. Estou com vergonha das elites paulistas que elegeram um governador tão mau quanto é o presidente.
Minha principal preocupação é com o cidadão comum. Seu tempo é sempre difícil. Ele está sendo sempre desrespeitado; seu valor não é reconhecido pelas elites. Mas agora as perspectivas que enfrenta são piores, porque é o próprio presidente eleito que se junta às elites no desprezo por homens e mulheres que são iguais em direitos.
Em 1985 foi afinal assegurado o sufrágio universal aos brasileiros. A partir dessa data eles contaram com um certo apoio dos políticos, porque estes sabiam que sua reeleição dependia de agirem como intermediários entre as elites e o povo. Agora, com uma vitória de 11 pontos porcentuais sobre o candidato democrático, os políticos se veem liberados para agir apenas em favor dos poderosos.
Agora não importa que essa vitória tenha se baseado na fraude eleitoral praticada com a remessa de whats’ups em massa com mensagens deliberadamente mentirosas. Em relação a este problema, temos que esperar o pronunciamento da Justiça. Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência.
Presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) atacou a Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 29, em entrevista ao Jornal Nacional; em discurso acalorado, Bolsonaro disse que a Folha "não tem prestígio nenhum" e que "só espalha fake news"; o capitão disse também que a Folha não terá verba de publicidade do governo federal a partir do próximo ano; apesar de acusar a Folha, o Bolsonaro voltou a falar em Kit gay, uma das maiores mentiras disseminadas contra Fernando Haddad na campanha
247 - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) atacou a Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 29, em entrevista ao Jornal Nacional. Em discurso acalorado, Bolsonaro disse que a Folha "não tem prestígio nenhum" e que "só espalha fake news". Bolsonaro disse também que a Folha não terá verba de publicidade do governo federal a partir do próximo ano.
Em um furo de reportagem da jornalista Patricia Campos Mello, a Folha denunciou o esquema de disseminação em massa de fake news contra Fernando Haddad pelo Whatsapp, financiada por empresas apoiadoras da campanha de Bolsonaro.
Apesar de criticar a Folha de fabricar "fake news", Bolsonaro voltou a falar sobre o Kit gay, uma das fake news mais disseminadas contra Haddad na campanha.
"Notável o esforço de Bonner e Renata em tentar 'normalizar' Bolsonaro. Deram-lhe todas as chances. Ele dispensou algumas: insistiu com a fake news do kit gay e ameaçou a Folha de S. Paulo", disse o jornalista Ricardo Noblat sobre a entrevista.
Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
Não sei o que vai acontecer com o Brasil daqui pra frente, mas coisa boa não vai ser. O fato é que a Nova República acabou (1988-2018) e ninguém sabe o que virá. Meios de comunicação e colunistas panglossianos tentam colocar panos quentes e acalmar o distinto público chamando atenção para detalhes pacificadores e democráticos do ditador eleito: "ele fez vídeo ao lado da constituição"... "prometeu defender a democracia"... "sua homofobia é da boca pra fora"...
Todos conhecem a anedota do elefante que aceita atravessar o rio com o escorpião nas costas. Por mais que Bolsonaro jure amor à democracia ele será incapaz de contrariar sua natureza, tal como o escorpião. Vai ferir a democracia de morte e nunca escondeu e não esconde essa intenção de ninguém. Nem que morra junto com ela.
Já começou na largada.
Em vez de convocar uma coletiva de imprensa para seu primeiro pronunciamento depois de eleito, optou por fazer uma transmissão pessoal por internet. Deixou claro como será seu comportamento com a imprensa: eu falo e vocês anotam. Vai dar ordens por vídeo, sem ser contestado por jornalistas. Os que não forem seus acólitos serão rotulados de comunistas e banidos de alguma forma. Ou alguém tem dúvida disso?
Pela primeira vez na história republicana, o primeiro ato de um presidente eleito foi fazer uma oração cristã, mais precisamente evangélica, num claro desrespeito à constituição que preconiza o estado laico e aos brasileiros de outras religiões. Ele deu o recado de que não pretende governar para todos. E fez um aceno a Edir Macedo que não esconde de ninguém sua ambição de poder. Essa simbiose entre política e religião lembra o regime de Erdogan na Turquia.
Também pela primeira vez, um presidente eleito, em vez de declarar que o fim da eleição deve ser o fim do clima de beligerância declarou guerra aos "comunistas" – a quem, na sua visão distorcida, derrotou – ecoando o discurso da ditadura militar. Ou seja, ele não estendeu a mão ao adversário do segundo turno; declarou-o seu inimigo.
Especialistas no assunto de renome mundial, velhos e contemporâneos, ensinam que um regime autoritário como esse que se desenha a partir de 1º. de janeiro não pode ser enfrentado com sucesso senão com a união das forças democráticas. Não há outra receita.
E, dado o constrangedor espetáculo que assistimos no decorrer do segundo turno, fica difícil imaginar que partidos e líderes que não se alinharam a Bolsonaro se unam ao PT e demais partidos de esquerda. O mais provável é que deem "tempo ao tempo", na esperança de que o capitão que sempre demonstrou ser um xucro tome um banho de civilização.
Não quero ser mensageiro de maus presságios. Mas o Brasil elegeu um ditador e não foi por falta de aviso. Até dele próprio.
Ninguém que votou nele poderá alegar que não sabia.