terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Discurso de Bolsonaro parece coletânea de memes

Discurso de Bolsonaro parece coletânea de memes

José Cruz - ABR
Por Gilberto Maringoni, dos Jornalistas pela Democracia
O discurso de posse de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, nesta terça (1º.) vale pouco mais do que uma conversa de botequim. O capitão foi incapaz de apontar rumos diante de uma das mais sérias crises vividas pelo país desde a proclamação da República (1889). Nenhuma palavra consistente sobre o desemprego, sobre salário, sobre recuperação econômica, sobre educação, cultura ou política externa. 
Vale a pena relembrar como mandatários anteriores se colocaram em situações semelhantes. Discursos de posse não são programas políticos. São sinalizações breves em que o eleito discrimina prioridades de governo, acena a aliados, enfatiza suas metas principais e aponta qual será o lugar do país no mundo.
Collor, privatizações e abertura
O discurso de posse de Fernando Collor em 1990, por exemplo, foi peça importante nesse sentido. Redigido em parte por José Guilherme Merquior (1941-91), um dos mais competentes intelectuais conservadores do Brasil, assinalava as mudanças que o futuro governo faria na área econômica e política. Depois de atacar a corrupção e assegurar sua conduta democrática, Collor disse a que viera:
"Entendo o Estado não como produtor, mas como promotor do bem-estar coletivo. Daí a convicção de que a economia de mercado é forma comprovadamente superior de geração de riqueza, de desenvolvimento intensivo e sustentado. (...) Em síntese, essa proposta de modernização econômica pela privatização e abertura é a esperança de completar a liberdade política, reconquistada com a transição democrática, com a mais ampla e efetiva liberdade econômica".
FHC e a Era vargas
O discurso de FHC, cinco anos depois, completava uma importante fala de despedida do Senado, proferida em dezembro de 1994. Ali, o presidente eleito disse ser necessário "superar a Era Vargas", meta só cumprida de maneira mais sólida por Michel Temer, ao destruir grande parte da CLT, fator essencial para o desenvolvimento.
FHC prometeu: "Vou governar para todos. Mas, se for preciso acabar com privilégios de poucos para fazer justiça à imensa maioria dos brasileiros, que ninguém duvide: eu estarei do lado da maioria". Afirmou lutar por direitos humanos, democracia e estabilidade econômica. O presidente não falava em privatizações e financerização, as marcas essenciais de seu governo. Apenas mencionava que iria "mexer em vespeiros", o que se materializou em vender boa parte do patrimônio nacional em seus mandatos.
(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)
Lula e o combate à miséria
Lula fez uma fala ambígua, como é de seu feitio, em 2003. Mas apontou rumos, a partir de seu parágrafo inicial: "Diante do esgotamento de um modelo que, em vez de gerar crescimento, produziu estagnação, desemprego e fome; diante do fracasso de uma cultura do individualismo, do egoísmo, da indiferença perante o próximo, da desintegração das famílias e das comunidades, diante das ameaças à soberania nacional, da precariedade avassaladora da segurança pública, do desrespeito aos mais velhos e do desalento dos mais jovens; diante do impasse econômico, social e moral do país, a sociedade brasileira escolheu mudar e começou, ela mesma, a promover a mudança necessária".
Dilma e o desenvolvimento
Em 2011, Dilma centrou sua intervenção na produção. Ela se colocava numa profissão de fé desenvolvimentista (que negou em seu segundo mandato): "Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade".
Todos esses discursos apresentam fios condutores de raciocínio lógicos; são peças encadeadas e que param em pé. Pode-se discordar deles, mas apresentam narrativas defensáveis.
Bolsonaro e os lugares-comuns
Diante desses quatro exemplos, o que é a fala de Bolsonaro no Congresso? Um remelexo desconjuntado de lugares-comuns da extrema-direita. Uma percepção tosca da realidade brasileira. Não há uma ideia-força clara e a intervenção parece uma antologia de memes de campanha. Abundam frases feitas como "ideologia de gênero", "escolas que preparem para o mercado de trabalho e não para a militância política", "política externa sem viés ideológico", "o cidadão de bem merece dispor de meios para se defender" e outras obviedades a granel. Nenhuma ideia inovadora, nenhuma formulação mais sofisticada.
Parece que o novo presidente acordou de ressaca no primeiro dia do ano, lembrou-se que teria de fazer uma intervenção no Congresso, pegou um desses aplicativos nos quais se jogam duas dúzias de palavras e saiu com o blablablá montado. Leu aos arranques, como garoto acaba de entrar no primeiro grau.
Não é apenas por discordar de fio a pavio que o discurso pode ser classificado como um lixo. É porque a direita brasileira - e mesmo a extrema-direita, com Plínio Salgado, Miguel Reale e outros - já produziu quadros menos rudimentares.

MÔNICA BERGAMO DETALHA A MAIOR HUMILHAÇÃO DA HISTÓRIA DA IMPRENSA BRASILEIRA

Sob vários aspectos, inclusive de público, posse de Bolsonaro foi um fiasco.

Sob vários aspectos, inclusive de público, posse de Bolsonaro foi um fiasco. Por Joaquim de Carvalho

 
Esplanada vazia
Sob muitos aspectos, a posse de Jair Bolsonaro foi um fiasco.
O primeiro deles é o público.
A equipe do presidente anunciou que colocaria na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios mais de 250 mil pessoas — havia assessores falando em 500 mil.
A ideia era quebrar o recorde de público na posse de Lula, em 2003 — 250 mil.
Na festa de Bolsonaro, segundo cálculo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), compareceram 115 mil.
O segundo fiasco foi o baixo comparecimento das autoridades de outros Estados.
Destacaram-se dois expoentes da direita mundial.
Benjamin Netanyahu, que enfrenta problemas políticos internos muito sérios em seu país, Israel, acusado de corrupção.
O outro é Victor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, comparado a Hitler.
Donald Trump, a quem Bolsonaro faz acenos de submissão, não veio, e seu representante, o secretário de Estado Mike Pompeo, ficou pouco tempo em Brasília.
Ele chegou por volta das 13 horas a Brasília, e fez uma postagem no Twitter:
“Ansioso para testemunhar a transferência pacífica de poder em uma das democracias mais fortes da América Latina.”
Mike Pompeo, no entanto, foi embora no início da noite. Teria permanecido no Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, apenas meia-hora, e saiu sem falar com a imprensa.
O presidente peruano, Martín Vizcarra, deixou Brasília ainda pela manhã, antes da posse. Sua assessoria informou que há uma crise política no país, e ele teve que retornar.
O presidente da Argentina, Maurício Macri, nem colocou os pés em Brasília.
Dias antes, avisou que não compareceria, e mandou no seu lugar o ministro das Relações Exteriores, Jorge Faurie.
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, compareceu, mas, pelo que se conta nos bastidores, tinha motivos familiares para estar no Brasil.
Seus netos moram em São Paulo, e ele passou o Réveillon com a família, e de manhã viajou para Brasília.
Perguntado sobre o que achou da posse de Bolsonaro, disse que foi um dia bastante “cheio”, no sentido de que houve muitas solenidades.
No Congresso Nacional, a posse de Bolsonaro também não teve o prestígio que se imaginava.
Deputados progressistas, sobretudo os da bancada do PT, PSOL e PCdoB, boicotaram, em razão das declarações hostis do presidente.
Durante a campanha, ele disse que iria metralhar os petistas e banir do Brasil os opositores.
Mas não foram só eles que faltaram.
Quem acompanha o dia a dia de Brasília notou a ausência de políticos experientes do chamado centrão.
Na prática, deram uma banana para Bolsonaro.
Em política, a ausência de um parlamentar é um sinal eloquente.
É uma declaração de que ainda esperam algum aceno do chefe do Executivo.
Por enquanto, tudo é festa, mas para tocar este transatlântico chamado Brasil Bolsonaro precisará de muito mais do que uma retórica beligerante — aliás, esta só atrapalha.
Não adianta dizer que vai libertar o Brasil do socialismo ou que a bandeira não será vermelha.
Declarações desse tipo deixam excitados os analfabetos políticos, mas não representam nada nas relações institucionais.
São palavras desprovidas de sentido. Quando é que o Brasil foi socialista?
Se gritar muito, Bolsonaro vai ficar rouco, mas não vai conseguir nada.
Só aumentará a rejeição que tem da parte já civilizada da sociedade, brasileira e mundial.
.x.x.x.
Em relação à posse de Bolsonaro, Donald Trump se limitou a fazer uma postagem curta no Twitter – o cumprimentou pelo “ótimo discurso de posse”.
Minutos depois, Bolsonaro agradeceu, também pelo Twitter, e chamou o presidente dos Estados Unidos de “Senhor Presidente”.
Muitos eleitores de Bolsonaro se arrependerão rapidamente de entregar o comando do país a um político do baixo clero.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Visita de reconhecimento

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Mistérios da ciência

A imagem pode conter: texto

Gleisi: ‘Contra o PT, são tigrões; contra Bolsonaro, são uns gatinhos’

Gleisi: ‘Contra o PT, são tigrões; contra Bolsonaro, são uns gatinhos’

 
A senadora Gleisi Hoffmann denuncia o seletivismo da mídia e do judiciário. “Para perseguir Lula e o PT, rugem como leões, mas diante das denúncias contra Bolsonaro miam como gatinhos”, escreve.
PUBLICIDADE
Para Bolsonaro, proteção; para o PT, perseguição
Gleisi Hoffmann*
A “Folha de S. Paulo” trouxe, neste domingo, novas e contundentes provas sobre o uso criminoso do WhatsApp, que permitiu a Jair Bolsonaro difundir mentiras em escala industrial contra o PT, durante a campanha eleitoral. Já era sabido que empresas foram contratadas no caixa 2 para realizar disparos em massa, comprando cadastros particulares, o que também é ilegal. Sabe-se agora que dezenas de milhares de CPFs de pessoas idosas foram roubados para criar os números de telefone que faziam esses disparos.
É inadmissível que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público fiquem passivos diante do escândalo que vai tomando dimensões cada vez maiores. Já tinha sido vergonhoso para o Brasil que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o subprocurador eleitoral, Humberto Medeiros, tenham recomendado a aprovação das contas de Bolsonaro, apenas com ressalvas, diante da primeira denúncia. E mais grave ainda que o TSE tenha acompanhado a proposta sem que nada tivesse sido investigado.
As autoridades que se omitem no caso do WhatsApp estão entre aqueles que nos últimos anos mais clamaram contra “a impunidade neste país”. E são as mesmas autoridades que não se movem para punir um crime hediondo contra a democracia. Para perseguir Lula e o PT, rugem como leões, mas diante das denúncias contra Bolsonaro miam como gatinhos.
Ao mesmo tempo em que varria para debaixo do tapete a indústria da mentira e do ódio, que influiu decisivamente no resultado eleitoral, a PGR decidiu mover uma ação ilegal e arbitrária, para obrigar o PT a devolver os recursos aplicados na campanha Lula Presidente. Alega que seria “uma campanha natimorta” e que, portanto, não poderia receber nem usar recursos do fundo eleitoral.
Ora, ilegal é ação da PGR, pois atropela o artigo 16 da Lei Eleitoral. Esse artigo diz que as candidaturas “sub judice”, como era o caso de Lula, podem realizar todos os atos de campanha, inclusive participar de debates, o que foi negado a Lula com a conivência do TSE, além de arrecadar, fazer propaganda no rádio e TV entre outros atos. A candidatura de Lula nunca foi “natimorta”, ao contrário: foi a candidatura mais viva e mais forte, até ser cassada numa decisão do TSE que rasgou a lei e desobedeceu determinação da ONU para garantir os direitos políticos de Lula.
O povo brasileiro e a comunidade internacional percebem cada vez mais as contradições deste sistema judicial que persegue Lula e protege seus adversários. A maioria dos corruptos e corruptores condenados na Lava Jato está livre ou em prisão domiciliar, aproveitando as fortunas que roubaram, enquanto Lula paga por um crime que não cometeu. É um preso político deste sistema.
Desde o final das eleições, estes setores lançaram uma enxurrada de operações espetaculosas, denúncias sem provas e ações sem fundamento contra Lula e o PT. Nosso candidato Fernando Haddad, a presidenta Dilma Rousseff, o próprio Lula e outros companheiros de partido foram tornados réus. Isso demonstra que não estão satisfeitos com a prisão de Lula – querem vê-lo apodrecer na cadeia”, como comandou Bolsonaro – e que não lhes basta a vitória eleitoral obtida sabe-se lá a que custo.
O que eles querem mesmo é estrangular e destruir o PT, pois no Brasil de Bolsonaro, que opera pela mão deste sistema judicial partidarizado e arbitrário, não cabem os trabalhadores e não cabe o povo que Lula e nosso partido sempre defendemos. Mas isso mostra também o medo que eles têm de nós, da nossa força política, nossa unidade, nossa capacidade de dialogar com setores mais amplos, nossa capacidade de sobreviver aos mais bárbaros ataques. O PT está vivo e Lula é o maior líder popular do país. Isso eles não toleram.
*Gleisi Hoffmann é senadora (PT-PR) e presidenta nacional do PT.

Segurança pública: Bolsonaro foi omisso no Rio e agora promete “plano sensacional” para o Brasil

Segurança pública: Bolsonaro foi omisso no Rio e agora promete “plano sensacional” para o Brasil

Publicado em 30 dezembro, 2018 9:32 am

O que os senhores diriam de um político (imaginário, que não existe) que durante quase 30 anos representou o Rio e não conseguiu frear a violência lá e agora tivesse plano sensacional para controlar a violência no País? Acreditariam que daria certo? Feliz 2019