sábado, 16 de março de 2019

Em ato com Haddad e Boulos em SP, campanha ‘Lula Livre’ começa nova fase

Em ato com Haddad e Boulos em SP, campanha ‘Lula Livre’ começa nova fase

Publicado em 16 março, 2019 6:57 pm
Ato a favor da liberdade de Lula. Foto: Reprodução/Twitter/ Ricardo Stuckert
Da Folha:
A campanha “Lula Livre”, pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começou uma nova fase neste sábado (16). No sindicato dos metroviários, em São Paulo, o “Encontro Nacional Lula Livre” relançou a campanha e reuniu, segundo a organização, cerca de 1.500 participantes. 
Até então, o Comitê Nacional Lula Livre reunia líderes de partidos e de movimentos de esquerda numa grande assembleia, mas sem capacidade organizativa e com ações pontuais. A ideia é que o relançamento torne a campanha mais ampla e plural.
Segundo o petista Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro (PSL) nas últimas eleições, o comitê está repensando a estratégia de comunicação “uma vez que nós estamos muito seguros que a Lava Jato não conseguiu demonstrar no que o presidente Lula contrariou o interesse do país”.
“Nós queremos lembrar a sociedade brasileira de que uma injustiça foi cometida e que nós vamos continuar na luta por justiça”, disse no evento. Guilherme Boulos (PSOL), que também esteve no evento com Haddad e Manuela Dávila (PCdoB), disse que atos nas ruas e um “trabalho de diálogo e de convencimento da população” são importantes para fortalecer o movimento.
(…)

Requião discursa em SP no encontro Lula Livre; assista ao vídeo

Requião discursa em SP no encontro Lula Livre; assista ao vídeo

 
O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), cada vez mais próximo do PT, discursou neste sábado (16) em São Paulo no encontro nacional Lula Livre.
Requião levantou a militância ao dizer que Lula Livre é libertar o Brasil das privatizações e do Banco Central independente.
O aliado de primeira hora dos petistas aproveitou o palanque para criticar parlamentares do PT que votaram pela condução de Roberto Campos Filho no BC.
“Eu vi parlamentares do PT votarem no Congresso Nacional no Roberto Campos [Filho] para a diretoria do Banco Central. Isto tem que acabar! Não é possível que essas coisas aconteçam. Banco Central independente. Privatização da Petrobras. Fim da soberania. Precarização do Estado e valorização do Banco Central. Lula Livre é ao contrário disso. Precarização do parlamento e demonização da classe política”, discursou.
Requião disse não acreditar que o Congresso, mesmo precarizado, vote as reformas propostas pelo ministro Paulo Guedes (Economia) e pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).
“Esse congresso não vota na reforma da previdência, a não ser que seja comprado. Este congresso foi eleito pela insatisfação popular com a classe política demonizada”, afirmou.
Assista ao discurso de Requião:

Zé Dirceu faz aniversário e homenageia Marielle Franco

16 DE MARÇO DE 2019, 17H51

Zé Dirceu faz aniversário e homenageia Marielle Franco

Ex-ministro comemorou o aniversário de 73 anos com familiares em Brasília e gravou uma mensagem em homenagem a vereadora do PSOL, assassinada há um ano: "Nesse momento, Marielle representa todas as mulheres brasileiras"
Em liberdade desde novembro de 2018, o ex-ministro José Dirceu (PT) comemorou, neste sábado (16), seu aniversário de 73 anos.
Durante um evento reservado com familiares, o petista gravou uma mensagem em homenagem a Marielle Franco, assassinada há um ano no Rio de Janeiro, e posou para fotos segurando a já tradicional placa com o nome da vereadora.
“Marielle Franco, símbolo da luta pela liberdade. Nesse momento do nosso Brasil ela representa todas as mulheres brasileiras”, disse.
Ouça.
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A vitória frágil de Bolsonaro, que expressa o sentimento de apenas 10% do país

A vitória frágil de Bolsonaro, que expressa o sentimento de apenas 10% do país

REUTERS/Ueslei Marcelino
Um erro comum na análise politica é interpretar as vitórias eleitorais como sinal da superioridade dos mais votados e da inferioridade dos derrotados. Os ganhadores seriam “melhores” porque souberam “se dar bem”.
O tempo passa e, muitas vezes, chega-se ao oposto. Quem ganhou se apequena e o derrotado fica maior. Ri melhor quem ri mais tarde.
Sessenta dias depois da posse, Bolsonaro já está menor, antes sequer que o desgaste inevitável do governo produza efeitos. Não está sendo necessário aguardar para que a realidade frustre as expectativas da população.
Em seu caso, essa tendência à entropia é acelerada e agravada pelo discurso de campanha. Tomando emprestada a ficção, disseminada nas elites e nas classes médias, de que todos os problemas nacionais são “culpa do PT”, Bolsonaro dispensou-se de fazer qualquer diagnóstico sério e adotou o antipetismo como bandeira fundamental. De própria, apenas uma ideia: “matar bandido”.
Se os problemas brasileiros resumiam-se a um só, a solução era simples e produziria resultados imediatos. Removido o PT, tudo estaria resolvido, ou, no mínimo, encaminhado, em questão de meses. Como é evidente, isso não aconteceu e não vai ocorrer em qualquer prazo razoável, muito menos no prometido.
Quem saudou a vitória de Bolsonaro como demonstração de competência e sagacidade política talvez já admita o equívoco. É bem possível que, em horizonte não muito distante, todos venhamos a perceber que, ao contrário de inaugurar uma “nova era”, ela não foi mais que um solavanco, uma espécie de mal súbito que acometeu um pedaço de nossa sociedade, do qual está se recuperando mais cedo que o previsto.
Fez parte da supervalorização do resultado a imagem de um tsunami que teria varrido a política brasileira, com a vitória do capitão e o séquito de bizarrices que com ele foi para o Congresso Nacional. Ainda hoje, especialmente na imprensa internacional, há quem insista nessa lenda. Alguma aritmética ajuda, contudo, a ver que que a noção de maremoto é descabida.
Não há dúvida de que são muitos os dez milhões de votos que Bolsonaro obteve a mais que Fernando Haddad no segundo turno, mas, nas eleições presidenciais dos últimos 25 anos, só superam a vantagem que Dilma Rousseff conseguiu em relação a Aécio Neves em 2104. Fernando Henrique, em 1994 e 1998, Lula, em 2002 e 2006 (quando estabeleceu o recorde, ao bater Geraldo Alckmin com 21,2 milhões de votos de frente) e Dilma em 2010, todos venceram com margens mais dilatadas que o capitão.
Seu partido de aluguel, o PSL, beneficiou-se do ambiente que o elegeu, mas com resultados não que chegaram a significar nenhuma inundação. Recebeu 11,4 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, o que representa 7,7% do eleitorado brasileiro. É um número expressivo, embora queira também dizer que mais de 92% dos eleitores preferiu outras opções.
É cedo para estimar o tamanho da base social de que Bolsonaro dispõe atualmente. Por enquanto, os números de sua popularidade não querem dizer quase nada, como diziam pouco os de seus antecessores em momento semelhante. A rigor, ele está abaixo de todos no início de seus primeiros mandatos, o que é compreensível considerando-se sua patética biografia.
O que temos para calculá-la é a evolução das intenções de voto na eleição passada, que mostra que, até agosto, Bolsonaro mal atingia 20% no conjunto das pesquisas. Em outras palavras: a dois meses do pleito, só havia conseguido atrair uma em cada cinco pessoas. Até o primeiro turno, cresceu mais 15 p.p. incorporando eleitores que demoraram a aceitá-lo, muitos ludibriados por mentiras disseminadas a preço de ouro pela internet.
Analisando os resultados finais com base nas pesquisas de intenção de voto, é possível dizer que cerca de 60% da votação de Bolsonaro saiu do antipetismo, mas que apenas um em cada quatro de seus votos veio de eleitores fortemente antipetistas. Mais de 75% das pessoas que o escolheram podiam até não gostar do PT, mas afirmavam não ser adversárias ideológicas ou militantes contra o partido.
No entanto, no governo, ele e sua turma parecem achar que todo o Brasil pensa igual a eles. Dirigem-se ao conjunto da sociedade com um discurso sintonizado com o sentimento de, no máximo, 10% do País, proporção parecida à daquelas pessoas que foram buscar no PSL o candidato a deputado. A hidrofobia ao PT existe, mas é muito menor do que supõem.
Ao cabo de uma eleição, é costume recomendar aos derrotados que aprendam com o insucesso. Mas, às vezes, quem mais precisa desse conselho é o vitorioso. Saber ganhar pode ser mais difícil. Especialmente para uma turma como a de Bolsonaro, a pior que já tivemos no governo em nossa história.

MERCADANTE ALERTA: BOLSONARO QUER ACABAR COM A LEI DAS COTAS