quinta-feira, 2 de maio de 2019

SENADOR DOS EUA COBRA HOTEL POR EVENTO COM BOLSONARO: CONVENÇÃO DO PARTIDO NAZISTA?

O que está por trás do livro que Assange segurou ao ser preso?


Agência de Jornalismo Investigativo
   
ENTREVISTA
O que está por trás do livro que Assange segurou ao ser preso?
Em entrevista à Pública, Paul Jay, autor do livro em que relata conversas com o falecido filósofo Gore Vidal, afirma que fundador do Wikileaks quis denunciar Estado de Segurança Nacional dos EUA

2 de maio de 2019
Julia Dolce
Quando o ativista Julian Assange foi arrastado por policiais para fora da Embaixada do Equador em Londres, em 11 de abril, pondo fim a sete anos de exílio, um fato chamou a atenção de quem assistiu à cena ao redor do mundo: o fundador do Wikileaks segurava, entre as mãos algemadas, o livro “Gore Vidal: History of The National Security State”. Trata-se de uma coleção de entrevistas do falecido romancista e ativista político norte-americano Gore Vidal. A obra, até então pouco conhecida, rapidamente se tornou um best-seller.

O livro, publicado em 2014, é uma parceria entre Gore Vidal e o jornalista Paul Jay, editor do site americano The Real News Network, conhecido por uma linha editorial progressista. Em entrevista à Agência Pública, Jay explicou a tese trazida pelo livro brandido por Assange: como a militarização dos EUA após a Segunda Guerra Mundial criou uma narrativa do medo que aponta ameaças internacionais, exigindo constante investimentos na indústria armamentista – e como o Estado americano se tornou dependente dessa narrativa.

Para Jay, “não há dúvidas de que querem pegar Assange” para mandar uma mensagem de que não se pode “ferrar” com a indústria militar norte-americana. “O que Chelsea Manning expôs e o Wikileaks divulgou foi direto no coração dessa ameaça ao Estado de Segurança Nacional. Eles não querem que o povo norte-americano saiba quão bárbaros os soldados americanos e a guerra americana são”, afirmou.

As acusações contra Assange nos EUA, que estão por trás da disputa internacional pela sua extradição, se referem justamente ao vazamento, por meio do Wikileaks, de inúmeros documentos que provam crimes de guerra praticado pelas Forças Armadas norte-americanas no Iraque e do Afeganistão.



Leia a entrevista.

Você pode resumir o conceito de Estado de Segurança Nacional dos EUA e o termo da Presidência Imperial, na visão de Gore Vidal?

Depois da Segunda Guerra Mundial os EUA emergiram como o único superpoderoso do mundo. E, em vez de reduzir o tamanho das Forças Armadas, do investimento para elas, e voltar à chamada “era de paz” os EUA se encontraram em uma posição em que poderiam, essencialmente, dominar o mundo.

O país construiu um complexo industrial militar que teve início na Primeira Guerra, mas em maior escala na Segunda Guerra. Muito da economia norte-americana foi militarizada e isso permaneceu por muitas razões. A primeira é que o gasto militar era visto como uma forma de lidar com a potencial recessão do pós-guerra. Mas, principalmente, eles viram que poderiam encontrar grande vantagens econômicas em controlar a Europa, o Japão e, até mais importante, a Ásia, a África e a América Latina. A justificativa para criar esse complexo militar era que a União Soviética representava uma ameaça e os EUA tinham que se defender. Eles chamam de Departamento de Defesa, mas um dos argumentos de Gore é poderia se chamar Departamento de Ataque. Isso porque a postura militar buscava uma hegemonia global e não a defesa.

É muito claro que toda a ideia de que a União Soviética era uma ameaça militar era bobagem. Mas isso ajudou a justificar gastos massivos na construção do arsenal nuclear dos EUA e de todo o complexo militar. Então o argumento de Gore é como esse Estado Nacional de Segurança se tornou uma parte predominante tanto da economia quanto do Estado. E para justificá-lo, eles precisam continuar tendo ameaças.

O fundamental aqui é que a questão é ganhar dinheiro e não defender o povo americano. É taxar e extorquir o povo norte-americano a pagar por tudo isso. Porque isso dá vantagens comerciais para corporações norte-americanas e quantidades enormes de dinheiro para as indústrias dos EUA. E isso defende interesses estratégicos, como petróleo no Oriente Médio ou na Venezuela. A questão é a oligarquia dos Estados Unidos mantendo sua posição como a mais rica e poderosa oligarquia do mundo. Essa é a principal função do Estado Nacional de Segurança.

Você acredita que, com a eleição de Trump, esse Estado Nacional de Segurança, um estado de exceção criado pelo medo como ideologia, foi aprofundado?

Acredito que está em uma posição mais agressiva e desafiada. Isso porque os EUA não são mais, realmente, o único grande poder do mundo.

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Wikileaks - Cablegate

Hoje não sei se o Estado Nacional de Segurança está mais profundo agora, só está lidando com uma situação na qual, especialmente a China tem uma economia que está se tornando próxima do tamanho da economia dos EUA. De acordo com analistas militares dos EUA, as Forças Armadas Chinesas estão alcançando as estadunidenses. Talvez seja verdade. Acredito que a China tem um poder regional. Regionalmente a China já está a par do que os EUA podem fazer com forças convencionais na Ásia.

Então não acho que o Estado de Segurança Nacional está aprofundado, está apenas lidando com uma nova situação. Ele está muito poderoso. A proposta de orçamento do Pentágono era menor do que o orçamento destinado pelo próprio Trump e pelo Congresso para a área. Eles estão construindo toda uma nova geração de armas nucleares, têm porta-aviões que custam 14 bilhões de dólares cada. A única razão de ter esses porta-aviões é projetar poder. Não tem nada defensivo em um porta-avião.

A maior parte das indústrias militares garante que produzam armas em todos os estados dos Estados Unidos de forma com que todos os estados tenham empregos dependentes disso. Então quando você fala sobre cortes no orçamento militar, todos os estados, em teoria, perderiam empregos.

O mais perigoso disso no momento é que eles precisam do “quase-guerra”. Eles gostam de “quase-guerra” no Oriente Médio, e no momento o alvo principal é o Irã. E quanto mais perigoso fica mais armamentos os estadunidenses compram, mais armamentos os sauditas compram, os israelenses, os egípcios… Os militares de todo o mundo vão à loucura.

Você acredita que a própria perseguição ao Assange e ao Wikileaks são consequências desse Estado Nacional de Segurança?

Com certeza. O ponto sobre as guerras norte-americanas, o pior pelo menos, é que a maior parte delas cometem crimes de guerra. A guerra do Iraque, do Vietnã, ambas foram crimes de guerra por si sós, apenas por terem sido conduzidas. Não foram guerras defensivas. De acordo com a ONU, a única guerra legítima é quando você está em ameaça iminente de ser atacado. Nenhuma das guerras americanas desde a Segunda Guerra Mundial aconteceram porque os EUA estavam sob ameaça de ataque iminente. Então foi uma guerra ilegal atrás de outra. A cultura das Forças Armadas estadunidenses é ser super-ultra-agressiva. E tudo isso depende do segredo. O povo americano claramente se opôs à Guerra do Vietnã, e quando ouviu as histórias das atrocidades, isso inflamou a opinião pública.

O que Chelsea Manning expôs e o Wikileaks divulgou foi direto no coração dessa ameaça ao Estado de Segurança Nacional, porque eles não querem que o povo norte-americano saiba quão bárbaros são os soldados americanos e a guerra americana. Então o Estado de Segurança Nacional dos EUA não quer apenas evitar que [esse vazamento] aconteça de novo. Realmente quer mandar uma mensagem de que não se pode ferrar com eles. Não há dúvidas de que querem pegar Assange para provar esse ponto.

Ele está sendo acusado pelo que fez com Chelsea Manning. E neste ponto, como um jornalista, e pensando no trabalho jornalístico do Wikileaks, havia uma obrigação de expor os crimes de guerra. E toda essa bobagem sobre documentos classificados e como isso prejudicou os EUA… Não, os crimes de guerra feriram os EUA! Os crimes de guerra em nome do povo norte-americano feriram a América. A única diferença é que o Pentágono alega que Julian ajudou Chelsea a conseguir os documentos, e isso o fez um pouco mais proativo do que só receber a informação. É bobagem. A questão fundamental é que eles expuseram crimes de guerra e muitos jornalistas fazem muitas coisas para conseguir seus furos.

Reprodução
Quando foi retirado do embaixada, Juliana Assange segurava o livro “Gore Vidal: History of The National Security State”


Como jornalista e editor-chefe de um veículo jornalístico independente, você acredita que a prisão de Assange é uma ameaça à liberdade de imprensa?

É definitivamente uma ameaça para delatores. Houve mais prisões de delatores durante o governo de Obama, então isso é uma política real do Estado de Segurança Nacional: assustar os delatores. Para os jornalistas, sim e não. É certamente uma mensagem de que se você ajudar a fonte de alguma forma eles irão contra você. Mas eles não foram atrás de nenhum dos jornais que trabalharam com o Wikileaks, o que incluiu o New York Times, o Washington Post, jornais na Alemanha, no Brasil e em todas as partes do mundo que foram parceiros do Wikileaks. Nenhum deles foi denunciado porque eles não podem provar que qualquer um desses jornais ajudou Chelsea. Então ainda não está claro. Mas isso fará com que as pessoas que fazem essas decisões nesses veículos deem um tempo [nas publicações do tipo].

O grande perigo aqui não é a prisão de Assange, apesar de ser uma mensagem para delatores.

Qual a relação entre o conceito do Estado de Segurança Nacional e as pessoas que acreditam que os EUA são a maior democracia do mundo e que, portanto, teria o dever de “levar democracia” para o resto do mundo?

Essa é toda a mitologia. Gore Vidal foi o melhor ideólogo nesse sentido, ele chama os EUA de Estados Unidos da Amnésia. Não há memória histórica na cultura de massas aqui. Quando o Vietnã foi realmente exposto e as pessoas entenderam o quão agressivo e sem princípios essa guerra foi, com o passar dos anos, as pessoas esqueceram sobre, porque a mídia corporativa não fala sobre. O mesmo com a Guerra do Iraque. As pessoas descobriram quão bárbara foi essa guerra, mas com o passar dos anos, até o Obama, que supostamente era contra essa guerra, passou a defendê-la. A liderança do Partido Democrata hoje está tão ligada ao Estado de Segurança Nacional quanto os republicanos. Eles sempre têm que trazer essa mitologia de volta, de que os EUA trazem democracia para o mundo. Se você vive na Ásia, na África ou na América Latina, você pensa que os EUA trazem ditaduras para o mundo. Mas os americanos não vivem lá, eles entendem o mundo pela mídia, por Hollywood, que na sua maioria está alinhado com esse Estado. Se você quer produzir um filme de guerra a única forma de conseguir navios e aeronaves é pelo Pentágono. E eles têm que autorizar o roteiro.

Em algumas entrevista você disse que não sabia que Julian estava lendo seu livro, mas que acredita que ele escolheu segurá-lo durante o momento de sua prisão para passar uma mensagem.

Considerando que ele teve muito tempo para pensar no dia que seria preso e que nos três dias antes de sua prisão estava bem óbvio que estava para acontecer, eu não acho que ele apenas pegou algo para ler. Ele fez um esforço de mostrar para todos enquanto ele estava algemado. Ele está dizendo ao mundo que o Estado de Segurança Nacional norte-americano está chegando nele, e isso porque ele expôs seus segredos.

Mudando o foco para o Brasil. Bolsonaro foi eleito com um discurso patriótico, focado na segurança. Você acredita que os conceitos trazidos em seu livro podem ser aplicados à atual conjuntura política brasileira?

O modelo da narrativa norte-americana, a narrativa do Estado de Segurança Nacional é facilmente exportado e adaptado. Não é novo o que está acontecendo no Brasil. A ditadura militar de direita com o passar dos anos sempre se baseava na ideia de que havia uma ameaça comunista, de que tinham que prender comunistas porque a União Soviética estava vindo. A mesma histeria para justificar o que é essencialmente uma forma fascista de governar, não é novo. E muito foi orquestrado pelo Estado de Segurança Nacional norte-americano. Então o que está acontecendo no Brasil, o que os estadunidenses gostariam de fazer na Venezuela, o que eles parecem estar tendo certo sucesso no Equador, é o velho guia, você usa uma ameaça externa para criar uma histeria de segurança nacional e então cria um Estado fascista.

Acho que muito do que está acontecendo no Brasil e na América Latina no geral, é que querem chutar a China para fora do continente. Se você quer entender a política externa norte-americana, muito tem a ver com a China. Quando o Secretário de Defesa foi ao Congresso defender o novo orçamento militar, ele disse que há três palavras para explicá-lo: China, China e China.

Você tem alguma ideia do que acontecerá com Assange? Acredita que os EUA realmente vão se esforçar para levá-lo à julgamento em seu território?

Acho que o governo Trump e o Estado de Segurança Nacional gostariam de trazê-lo para cá, fazê-lo de exemplo, jogá-lo na cadeia e jogar a chave fora. Mas a acusação atual não é séria, então teriam que mudá-la. Mas eu acredito que eles não querem um julgamento público. Talvez os norte-americanos prefeririam deixar esse processo de extradição demorar, e deixá-lo sentado em uma cadeia britânica por muito tempo. Porque se ele subir ao Tribunal para testemunhar isso será manchete por dias a fio. E ele denunciaria justamente o Estado de Segurança Nacional. Ele é muito articulado, não acho que queiram que ele testemunhe.

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Julia Dolce
 juliadolce@apublica.org
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Abaixo-assinado pede cancelamento de evento com Bolsonaro em Nova Iorque por ‘comportamento ultrajante’

02 DE MAIO DE 2019, 09H29

Abaixo-assinado pede cancelamento de evento com Bolsonaro em Nova Iorque por ‘comportamento ultrajante’

“Não acreditamos que a Marriott e a Host Hotels possam afirmar serem “cidadãos corporativos responsáveis” ao obrigarem seus funcionários da Marriott Marquis a trabalhar em um evento que homenageie um fanático bem documentado”, diz o documento
O senador Brad Hoylman, seu marido David Sigal e sua filha Silvia. Foto: Pew Charitable Trusts /TNS)
Um abaixo-assinado criado, nesta quarta-feira (1º), pelo senador democrata americano, Brad Hoylman (foto), pede à rede Marriott e Host Hotels and Resorts o cancelamento do Jantar de Gala “Personalidade do Ano”, promovido pela Câmara de Comércio, em homenagem ao “notório e homofóbico presidente brasileiro Jair Bolsonaro”, programado no local para o dia 14 de maio de 2019.
Em pouco mais de doze horas de criação, o abaixo-assinado já conta com quase mil assinaturas. O assunto entrou para os TT’s do Twitter na manhã desta quinta-feira. Hoylman ainda tuitou lembrando a frase de Bolsonaro de que preferia ter um filho morto do que um filho gay.
Leia abaixo o texto do documento em português e assine aqui:
Escrevemos como cidadãos preocupados e aliados LGBTQ para pedir à Marriott e Host Hotels and Resorts, proprietária do New York Marriott Marquis, que cancelem o Jantar de Gala “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio de 2019 em homenagem ao notório e homofóbico presidente brasileiro Jair Bolsonaro, programado para 14 de maio de 2019.
O presidente Bolsonaro tem um histórico extremamente perturbador de intolerância, misoginia, racismo e xenofobia. Entre outras coisas, ele disse uma vez que “seria incapaz de amar um filho homossexual” e que preferiria que seu filho morresse a ser gay. Além disso, o presidente Bolsonaro disse uma vez que uma deputada brasileira “não vale a pena ser estuprada” porque “ela é muito feia”.
Dado o sórdido histórico de comentários públicos do presidente Bolsonaro, é chocante que um negócio na cidade de Nova York abrigue um evento em apoio a ele. Estamos profundamente preocupados com a mensagem que tal evento enviaria aos nova-iorquinos, especialmente aos jovens LGBT, muitos dos quais estão lutando com sua identidade e estão observando suas declarações contra eles serem celebradas. Ao sediar este evento, a Marriott está dando ao presidente Bolsonaro uma plataforma que recompensa seu comportamento ultrajante.
Não acreditamos que a Marriott e a Host Hotels possam afirmar serem “cidadãos corporativos responsáveis” ao obrigarem seus funcionários da Marriott Marquis a trabalhar em um evento que homenageie um fanático bem documentado. Essas corporações ainda têm tempo para provar à comunidade LGBTQ e aos aliados nova-iorquinos que o ódio não tem lugar nesta cidade e estado. Solicitamos à Marriott e à Host Hotels que cancelem imediatamente a Gala de Personalidade do Ano de 2019 da Câmara de Comércio Brasileiro-Americana no Marriott Marquis.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Homem com adesivo ‘Lula Livre’ tem o braço deslocado por policial em Porto Alegre

30 DE ABRIL DE 2019, 22H19

Homem com adesivo ‘Lula Livre’ tem o braço deslocado por policial em Porto Alegre

Homem de 52 anos filmava uma ação da Brigada Militar e acabou sendo agredido pelos policiais; assista
Reprodução
  
Por Luiz Eduardo Gomes, no Sul 21
Um vídeo ao qual o Sul21 teve acesso (ver abaixo) gravado na manhã desta terça-feira (30) mostra um homem tendo o braço deslocado por policiais militares durante uma abordagem no Centro de Porto Alegre. A reportagem conversou com o indivíduo que aparece nas imagens. Trata-se de um homem de 52 anos, agrônomo e estudante de Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que pediu para ter a identidade preservada.
Ele diz que estava indo fazer um crachá na Prefeitura referente a um estágio para o ensino de artes em turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, no meio do caminho, viu um policial “ameaçando” uma senhora que estava vendendo cigarros entre a Esquina Democrática e o Mercado Público — a Brigada Militar e Guarda Municipal realizaram uma ação de combate ao comércio irregular nesta terça-feira. Ao ver a truculência da abordagem, o homem diz que puxou o celular para fazer fotos, quando ele então passou a ser abordado por um policial militar. Ele acredita que foi abordado com violência porque tinha colado em suas roupas um adesivo com a expressão “Lula Livre” e outro com o símbolo do PT. “Eu me incomodei com a situação e fui registrar. Aí ele partiu para cima de mim. Quando ele viu o adesivo Lula Livre, enlouqueceu”.
As imagens mostram que, após o homem não se identificar, policiais militares o cercam e tentam algemá-lo. O homem diz que um PM o interpelou pedindo que ele se identificasse, mas sequer teria deixado ele apresentar a identidade, que estava em uma pasta que carregava embaixo do braço. “Ele tentou me algemar e eu não aceitei, mas só na paz. Eles me encostaram na viatura de costas. Depois me colocou no chão, colocou o joelho em cima e deslocou o meu braço”, relata, acrescentando que o policial justificou a ação porque ele estaria em desacato e em resistência.
O homem também relata que, após ser enfim algemado, foi levado para as proximidades do Mercado Público, onde foi xingado de “burro, ignorante e analfabeto” pelo policial. “Ele disse que eu ia preso igual ao Lula e ia ver o que era bom”, diz. Ele relata ainda que o policial tentou combinar com ele a gravação de um vídeo em que iria admitir que deslocou o braço ao cair no chão sozinho. A abordagem só foi interrompida quando uma ambulância do Samu chegou à região do Mercado Público para atender a outra ocorrência — um incidente de trânsito — e uma funcionária do serviço ficou sabendo do caso do agrônomo, e de que estava com o braço deslocado, e resolveu encaminhá-lo para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). “Acho que eles iam me torturar, mas o pessoal da Samu disse para eu ir junto”, conta.
O homem recebeu atendimento do HPS, teve diagnosticada uma luxação no braço e foi liberado no início da tarde.
O advogado Ramiro Goulart, da Rede Nacional de Advogados Populares, que atua em casos de violência policial, foi acionado durante a ocorrência e acompanhou o agrônomo após ele ser levado para o hospital. Goulart diz que o homem foi ameaçado de ser indiciado por desacato e resistência, mas que nenhum policial militar se encaminhou ao HPS para custodiá-lo. “Ao que tudo indica, ele não será indiciado por crime nenhum”, deduz o advogado.
O presidente municipal do PT, Rodrigo Dilelio, também foi ao HPS acompanhar o caso e depois de o agrônomo ser liberado do hospital o encaminhou para a sede da Corregedoria da Brigada Militar, na Rua dos Andradas, para registrar a denúncia contra a abordagem violenta. Ele conta que as imagens de celular feitas pelo homem foram apagadas por um dos policiais. Dilelio diz que o caso o remeteu a outro que aconteceu em março, quando um dirigente municipal do PT de Atibaia (SP) teve o braço quebrado por policiais militares quando já estava imobilizado.
A reportagem tentou contato com o 9º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento do Centro de Porto Alegre, mas ainda não obteve retorno. A matéria será atualizada assim que obtiver um posicionamento do 9º BPM.

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https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dcm-cafe-da-manha-empresas-querem-distancia-de-bolsonaro-e-cancelam-apoio-a-evento-nos-eua/

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