quarta-feira, 26 de junho de 2019

Jaques Wagner a Moro: foi medida sensacionalista divulgar conversas grampeadas de Dilma?

Jaques Wagner a Moro: foi medida sensacionalista divulgar conversas grampeadas de Dilma?

Senador do PT da Bahia invoca a palavra usada frequentemente pelo ministro em depoimento no Senado ao se referir às publicações do Intercept, que chama de "sensacionalistas", e questiona o ex-juiz sobre a divulgação das conversas da então presidente no Jornal Nacional
Senador Jaques Wagner questiona Moro na CCJ
247 - O senador Jaques Wagner (PT-BA) questionou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, se ele não achou "sensacionalista" a divulgação dos grampos da então presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula no Jornal Nacional, da TV Globo, pela Lava Jato em abril de 2016. A indagação foi feita nesta quarta-feira 19 durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, onde Moro depõe.
"O ministro insiste em desqualificar o site e chamá-lo de sensacionalista. O site já ganhou o 'Oscar do jornalismo' com a revelação dos 'wiki leaks'. O combate à corrupção é pré-requisito para qualquer pessoa na vida pública. A melhor forma é responder o que está sendo revelado. Foi uma medida sensacionalista divulgar conversas grampeadas de Dilma? Colocar no pelourinho a dignidade de pessoas que deveria ser mantido em sigilo? Como no caso da Escola Base, por exemplo, que não tem nada a ver com Vossa Excelência", disse Wagner.
"Pensa em se afastar do cargo para não prejudicar as investigações se ela for para a Polícia Federal?", indagou ainda.
Antes disso, Moro por diversas vezes se referiu ao site The Intercept, responsável pela divulgação das conversas vazadas entre o ex-juiz e a força-tarefa da Lava Jato, como "sensacionalista".
"O impacto inicial decorrente do sensacionalismo da divulgação dessas notícias geraram uma repercussão indevida e o tempo está colocando as coisas no seu devido lugar. Há divulgação sensacionalista e isso coloca em questionamento quais as motivações", respondeu Moro.
Jaques Wagner voltou a cobrar: "o senhor ainda não respondeu se foi sensacionalista a divulgação dos áudios de Dilma". "O senhor acha de bom tom deixar o cargo para as investigações?", repetiu o senador.

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ECONOMIA Subsídio para produtores de combustíveis foi de 85 bilhões em 2018 IGUAL A 2,8 BOLSA FAMÍLIA


Subsídio para produtores de combustíveis foi de 85 bilhões em 2018

(FOTO: AGÊNCIA PETROBRAS)

Valor destinado aos setores de petróleo, gás e carvão equivale a 2,8 vezes o orçamento do Bolsa Família

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revela que o governo federal concedeu, em 2018, 85 bilhões de reais em subsídios para auxiliar os produtores de petróleo, carvão mineral e gás natural no país. O estudo mostra que o valor descontado dos impostos dessas empresas equivale a 2,8 vezes o orçamento do Bolsa Família ou 24 vezes o valor repassado ao Ministério do Meio Ambiente (3,49 bilhões).
Para chegar a esse resultado, a organização somou todo o dinheiro que deixou de entrar nos cofres públicos – devido aos inúmeros regimes especiais de tributação e programas de isenção de impostos –, mais os recursos oriundos do Orçamento da União para incentivar a atividade.
“Queremos ampliar o debate sobre a necessidade de tantos subsídios, sobretudo neste momento em que a economia passa por graves problemas, o corte dos gastos públicos virou pauta recorrente na política e o mundo assiste aos impactos sociais e ambientais causados pelos combustíveis fósseis”, afirma a pesquisadora Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc.
Alguns campos de exploração de petróleo e gás não só poderiam ser rentáveis sem os subsídios, mas também seriam capazes de contribuir com 22,89 bilhões em impostos no ano passado – quantia superior à economia que o governo pretende alcançar em dez anos cortando os direitos de aposentados rurais, conforme a proposta da Reforma da Previdência enviada ao Congresso Nacional.
“Com essa publicação, damos continuidade ao trabalho iniciado em 2018, quando apresentamos o balanço de subsídios aplicados entre 2013 a 2017 no setor, com o objetivo de conhecer, avaliar e reformar possíveis distorções neste cenário”, completa Nathalie Beghin, também autora do estudo.
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O estudo propõe a aprovação de uma lei que torne pública quais empresas se beneficiam de renúncias e seus valores e  afirma que  segue pautando suas atividades com o intuito de tornar transparentes certos dados estatais.
“Hoje sabemos muito pouco sobre quem recebe os subsídios e quais os valores recebidos por eles. O sigilo sobre eles impede a sociedade de saber se os benefícios prometidos estão sendo efetivos e se valem a pena. Trazer esses números à tona é evitar a corrupção, combater os privilégios, diminuir a injustiça e reduzir as desigualdades no Brasil”, conclui o relatório.