segunda-feira, 15 de julho de 2019

David Harvey: A loucura da razão econômica e as cidades | Conferência completa COM TRADUÇÃO

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O que está em jogo nas eleições presidenciais que ocorrerão na Bolívia este ano?

Fire News Feed

O que está em jogo nas eleições presidenciais que ocorrerão na Bolívia este ano?

Evo Morales enfrenta, em outubro, uma oposição disposta a reintroduzir o ultraliberalismo no país

Para evitar um perigoso 2º turno, disputa centra-se nos votos da nova classe média e em derrotar um terceiro partido: a velha mídia e suas fake news 
No dia 12 de outubro de 2014 realizaram-se as últimas eleições gerais na Bolívia, quando o Movimiento Al Socialismo (MAS) de Evo Morales conseguiu 61% dos votos.
No entanto, menos de um ano e meio depois, no dia 21 de fevereiro de 2016, o sim pela possibilidade de Evo Morales se recandidatar obteve 48,7% dos votos enquanto a oposição, na defesa do não, obteve 51,3% da votação.
O que aconteceu nesses 16 meses entre essas duas eleições?
Há dois motivos que podem explicar esses 49% obtidos por Evo e pelo MAS. Por um lado, e de forma semelhante à maioria dos processos latino-americanos que superaram a marca dos 10 anos, há o esgotamento de um ciclo, ou ao menos está se perdendo o misticismo do processo e a capacidade de sedução de alguns setores. Por outro lado, e também de maneira semelhante ao que aconteceu em outros países, a guerra midiática contra a figura de Evo, representada no Caso Zapata[acusado, em 2016, de ter tido um “filho ilegítimo”, fato que comprovou-se ser falso], teve grande incidência sobre o imaginário do eleitorado, especialmente das classes médias urbanas
Mas esses motivos são poucos para analisar o cenário eleitoral para as próximas eleições gerais do dia 20 de outubro e, por isso, vamos desenvolver cinco pontos que nos permitem fazer uma leitura do cenário eleitoral, onde, pela primeira vez em 13 anos de processo, Evo e o MAS não têm uma vitória garantida.
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O líder indígena e presidente boliviano Evo Morales

Os números

Nossa análise deve partir do ponto de que já não é possível alcançar uma porcentagem de votos de 61% como em 2014, o teto agora são os 49% conquistados na defesa do sim para a recandidatura de Evo Morales
Há grande probabilidade de que o voto no MAS e em Evo oscile entre 40% e 45%. Essa porcentagem permitiria vencer no primeiro turno, desde que supere em 10 pontos o segundo mais votado. O problema é que ir para um segundo turno seria catastrófico, uma espécie de 21F [21 de fevereiro, data em que a recandidatura foi rechaçada nas urnas] potencializado, com toda a oposição unida contra Evo e assegurando a derrota do Movimiento al Socialismo.

As novas classes sociais

Em 2005 a extrema pobreza era de 38,2% (cerca de quatro em cada 10 bolivianos) e em 2018 baixou para 15,2%. Enquanto isso, a pobreza moderada foi reduzida de 60,6% para 36,4%. Outro fator positivo é que as pessoas com renda média passaram de 3,3 milhões em 2005 para 7 milhões em 2018. Já o negativo é que esse aumento de quase 4 milhões não foi acompanhado por uma cidadania crítica e com a consciente de que, se as coisas melhoraram, é porque determinadas políticas sociais e econômicas foram implantadas por um governo popular. Foram criados, na verdade, 4 milhões de novos consumidores.
Eles não chegam a formar uma classe média tradicional, mas uma classe média de origem popular que, como explica o vice-presidente Álvaro García Linera, tem que comprovar sua existência não somente pela renda, mas também por seu capital social, cultural e étnico. Essa classe média ascendente disputa com a classe média tradicional um mesmo espaço de oportunidades. São esses setores da classe média que, com toda a certeza, definirão a eleição de outubro.

Oposição

Com um núcleo duro de massas que não baixa os 30% e um núcleo duro de direita que também beira os 30%, e um setor que apoiará a Oscar Ortiz, o candidato de Rubén Costa [governador de Santa Cruz de la Sierra] e da direita cruceña ficará nas mãos de Carlos Mesa, que foi vice-presidente de Gonzalo Sánchez de Lozada [governou a Bolívia de 1993-1997 e de 2002-2003]. A possibilidade de seduzir as classes médias desencantadas com o processo de mudança e reduzir a diferença de ao menos 10 pontos no primeiro turno, poderá dar-lhe grandes chances no segundo turno.

Projetos

Para enfrentar o MAS, o projeto da oposição é reformulado, mas não profundamente, já que seria insensato posicionar-se contra as política de redistribuição e inclusão implementadas pelo governo, ainda que seu projeto esteja, na verdade, mais próximo da Argentina de Macri do que da Bolívia de Evo.
O problema é que o projeto político do MAS já não representa mudança, mas uma continuidade — e ser a gestão não é sexy nem atrativo em períodos eleitorais. Não há possibilidade de que as pessoas que votaram não no referendo do dia 21F acabem votando, hoje, por Evo. Mesmo assim, abre-se uma nova oportunidade com eleitores jovens que, recentemente, se incorporaram ao censo eleitoral.

O papel da mídia

Faz tempo que os meios de comunicação são o principal partido de oposição na Bolívia. Demonstraram isso no 21F de 2016, por meio da construção midiática de uma gigantesca fake news chamada Caso Zapata, e provavelmente voltarão a ser, em conjunto com as redes sociais, determinantes para esta campanha.
E uma das debilidades oficialistas é que as mídias públicas (governamentais, para ser mais preciso) são muito frágeis e não se conseguiram construir uma narrativa certeira do processo de mudança. Mesmo durante a campanha do referendo do 21F não puderam comunicar os motivos que os levaram, cerca de 14 meses depois de ganhar a eleição, a consultar a população sobre a recandidatura. A resposta era simples: terminar o que se começou em 2006, com o processo de nacionalização dos hidrocarbonetos e de Assembleia Constituinte.
A chave está em como se constroem e destroem novos imaginários, durante os meses que restam para a eleição, especialmente em um assunto que é tão sensível para as classes médias como a corrupção. Estará aí outro dos pontos para se entender o resultado final do dia 20 de outubro.
Tradução: Rôney Rodrigues 

Cuba inaugura novo sistema ferroviário em parceria com Rússia e China

Cuba inaugura novo sistema ferroviário em parceria com Rússia e China

Havana recebeu 80 novos vagões fabricados na China que já atendem a população; outros 80 vagões serão desembarcados na ilha no próximo ano

REDAÇÃO
São Paulo (Brasil)
Pela primeira vez desde a década de 1970 novos trens foram colocados a serviço da população de Cuba. As autoridades do país esperam desenvolver um programa de larga escala para a renovação do sistema ferroviário da ilha, com a ajuda da Rússia e da China, nos próximos dez anos.
Em maio de 2019, Havana recebeu 80 novos vagões fabricados na China que já atendem a população. Outros 80 vagões serão desembarcados na ilha no próximo ano, informa o portal Cubadebate. Os novos vagões são divididos em primeira classe, que possui sistema de ar condicionado instalado, e segunda classe.
Além disso, Cuba assinou um acordo com a Rússia para modernizar suas ferrovias no valor de quase US$ 1 milhão, embora os detalhes da transação ainda não foram revelados.
Em 2017, a estatal russa RZD revelou à Reuters que também negociava a instalação de uma conexão ferroviária de alta velocidade entre Havana e o balneário de Varadero.
ACN
Havana recebeu 80 novos vagões fabricados na China que já atendem a população; outros 80 vagões serão desembarcados na ilha no próximo ano
"Este é o primeiro passo para a transformação do sistema ferroviário cubano", disse Eduardo Hernández, chefe da Companhia Nacional de Ferrocarriles de Cuba.
Em 2018 os trens cubanos transportaram 6,1 milhões de passageiros. O governo cubano pretende modernizar completamente o sistema ferroviário até 2030.
O sistema ferroviário cubano é um dos mais antigos do mundo. Sua primeira seção foi lançada na década de 1830, por isso também teve o primeiro trem na América Latina. No entanto, o sistema sofre com a falta de manutenção e falta da equipamentos modernos, devido às restrições do embargo comercial dos Estados Unidos.

Moro, Dallagnol e PF: promiscuidade na Lava Jato

Moro, Dallagnol e PF: promiscuidade na Lava Jato

Diálogo entre Deltan Dallagnol e Sério Moro, combinando reunião para organizar operações da Polícia Federal na Lava Jato, num completo quadro de promiscuidade entre juízo e acusadores, publicado por Reinaldo Azevedo:
No dia 3 de setembro de 2015, Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato — oficialmente ao menos —, envia uma mensagem ao então juiz Sergio Moro para marcar uma reunião com a presença de representante(s) da Polícia Federal. Segue o diálogo, transcrito conforme o original:
00:41:04 Deltan – Caro, quando seria um bom dia e hora para reunião com a PF, aí, sobre aquela questão das prioridades? Sua presença daria uma força moral nessa questão da necessidade de priorização e evitaria parecer que o MPF quer impor agenda.
12:18:30 – Moro – Sem tempo para reuniões nesta ou na próxima semana
Moro estava muito ocupado. Pelo visto, não foi possível marcar o encontro. Mas Deltan volta à carga no dia 16 de outubro do mesmo ano:
23:53:00 Deltan – Caro juiz, seria possível reunião no final de segunda para tratarmos de novas fases, inclusive capacidade operacional e data considerando recesso? Incluiria PF também.
17 de Outubro de 2015
08:41:56 Moro – Penso que seria oportuno. Mas segunda sera um dia difícil. Terca seria ideal. 10:53:00 Moro – A não ser que seja segunda pela manhã
22:43:54 Deltan – Terça 9am, pode ser?
22:44:00 Deltan – Ou 10?
18 de outubro de 2015
03:02:28 – Moro – 1030
19 de outubro de 2015
11:41:24 Moro – Marcado então? Decretei nova prisão de tres do Odebrecht, tentando não pisar em ovos. Receio alguma reação negativa do stf. Convem talvez vcs avisarem pgr.
13:13:44 Deltan – Marcado. Shou…
É a mais completa promiscuidade entre investigador, acusador e julgador.

Deputado petista pede retenção do passaporte de Dallagnol

Por Esmael Morais

Deputado petista pede retenção do passaporte de Dallagnol

Publicado em 15/07/2019
O deputado Rogério Correia (PT-MG) solicitou nesta segunda-feira (15) a retenção do passaporte do coordenador da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol. O pedido foi protocolado na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM).
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“Neste momento em que se agravam as acusações contra ele e seu parceiro Sérgio Moro (ex-juiz e ministro da Justiça), é importante termos a garantia de que ele não poderá deixar o País”, argumentou Rogério Correia.
Em reportagem de capa na edição de ontem (14), a Folha de S. Paulo informa que Dallagnol criou plano para lucrar com imagem da operação Lava Jato. Em mensagens trocadas com vários interlocutores, o procurador da República demonstrou intenção de criar empresa de fachada com a mulher, além de pagar propinas a comissões de formaturas e agenciar palestras para associações que representavam empresas investigadas pela Lava Jato.
Cachê
O parlamentar também criticou duramente Dallagonol, que optou por não comparecer às audiências a que foi convidado, sem apresentar justificativa plausível. “Dallagnol se recusa a vir à Câmara dar explicações sobre as denúncias. E se inventarmos e dissermos a ele que tem cachê? Será que assim ele vai?”, provocou.
Para Rogério Correia a decisão do coordenador da Lava Jato de não vir à Câmara, mas responder a órgãos de comunicação, como o Estadão, é, no mínimo, “uma afronta à democracia”.
Com informações do PT na Câmara

Reinaldo diz que Moro deveria ter dado voz de prisão a Dallagnol