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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020
ESCRACHO Formandos da USP fazem intervenção contra ministra da Agricultura Tereza Cristina
ESCRACHO
Formandos da USP fazem intervenção contra ministra da Agricultura Tereza Cristina
Tereza Cristina foi escolhida pela direção da ESALQ para ser paraninfa das turmas de formandos de 2019
Publicado por Mariana Lemos, para o Brasil de Fato 18:47
COMUNICAÇÃO ESALQ

A ministra com o prefeito de Piracicaba, o reitor da USP e a direção da ESALQ
BdF – Na manhã desta terça-feira (14), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve no campus da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP), onde funciona a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ), voltada aos cursos de ciências agrárias, sociais aplicadas e ambientais.
A ministra foi convidada pela direção da ESALQ para ser paraninfa das oito turmas de formandos do ano de 2019, que somam mais de 200 estudantes.
Como ela justificou a ausência na colação de grau, que acontecerá na próxima quinta-feira (16), a diretoria do campus organizou um encontro entre os formandos e a ministra nesta terça, assim como uma coletiva de imprensa.
Segundo a formanda de Ciências Biológicas, Angélica Borges, estiveram presentes cerca de 80 pessoas, incluindo desde o reitor da USP, Vahan Agopyan, a direção da ESALQ, o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, professores, técnicos e estudantes do campus.
Nara Perobelli, formanda da 15ª turma de Bacharelado em Gestão Ambiental, durante o encontro, fez leitura de texto em defesa da agroecologia.
A estudante terminou a leitura do texto citando a agrônoma pioneira da agroecologia, Ana Maria Primavesi, que faleceu no dia 5 deste mês, e que defendeu durante sua vida um sistema agrário que produza alimentos saudáveis ao mesmo tempo em que cuida da terra.
Leia na íntegra a carta escrita pelos formandos:
Bom dia a todas e a todos!
Aqui na ESALQ nós passamos de 4 a 7 anos de nossas formações ouvindo, independentemente do curso que fazemos, sobre o agronegócio. Desde a administração, passando por ciência dos alimentos e engenharia florestal, todos, sem exceção, entram em contato com esse universo.
De um agro que é pop, que é tech, que é tudo. Temos a certeza de que a senhora, ministra, e o governo Bolsonaro como um todo, representam, geram e reproduzem em seu projeto de país esse modelo.
Um modelo que é a cara da bancada ruralista. Um projeto de governo fundamentado e sustentado no capital e na desigualdade.
Que em 2019 gerou incêndios de proporções assustadoras;
que prendeu e matou ambientalistas, indígenas, quilombolas, agricultores, mulheres, negros, lgbtqi+;
que buscou silenciar cientistas, pesquisadores, professores e todos que com dados escancaravam os problemas trazidos pelo tipo de agricultura que vocês incentivam com palavras e dinheiro.
Nós passamos de 4 a 7 anos aqui dentro ouvindo de muitos que essa era a única maneira possível de acabar com a fome no Brasil e no mundo.
Ouvimos de muitos, mas não de todos.
Hoje, segurando este microfone, tenho o orgulho de representar quem entende, por meio da ciência, da ética e do amor sem rótulos que uma outra agricultura e modelo de sociedade são possíveis.
Esse grupo de pessoas é formado por estudantes, professores e funcionários que fazem pesquisa e extensão fundamentados na agroecologia nesta universidade, que é pública e que deve ser de todos e todas.
Para este grupo do qual eu faço parte, é intragável que esta Escola, que se diz gloriosa, seja conivente com uma forma de produção e um projeto de país que se baseia no lucro, excluindo as pessoas do campo e as múltiplas funções da agricultura.
Um governo que cerceia a ciência e a autonomia das universidades, que distorce informações, que não se propõe a ouvir as nossas vozes nas ruas, mas que suporta nos escutar por dois minutos em troca de publicidade e uma placa de homenagem.
Não, não representa a nenhuma ou nenhum de nós uma paraninfa ou paraninfo que do alto cargo de liderança que possui, escolha fazer política dessa forma.
Acreditamos, trabalhamos para isso e seguiremos na luta em direção a um sistema, que, como diz nossa sempre presente Ana Maria Primavesi, “não é para vender adubos e defensivos, mas para produzir bem e barato”.
Por pressão de diretor, ministra Tereza Cristina se torna paraninfa de turma na Esalq/USP e ouve sermão de aluna
Por pressão de diretor, ministra Tereza Cristina se torna paraninfa de turma na Esalq/USP e ouve sermão de aluna
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Bolsonaro ouviu um discurso duro de uma das alunas do curso de Engenharia Agrônoma da USP contra o modelo de governo "que é a cara da bancada ruralista, sustentado no capital e na desigualdade" (vídeo)
Atualizado em 14 de janeiro de 2020, 20:32


247 - Após intervenção do diretor, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina se tornou paraninfa da turma de 2019 da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), da Universidade de São Paulo, localizada em Piracicaba, interior paulista.
O que a ministra não esperava, no entanto, era ouvir um sermão contra o governo Bolsonaro de uma das alunas da turma, com a qual se encontrou nesta terça-feira 14 para fazer um debate sobre os rumos do agronegócio. A estudante, chamada Nara, leu uma carta em frente aos outros alunos dizendo que a ministra não os representava.
"Temos a certeza que a senhora e o governo como um todo representam um modelo que é a cara da bancada ruralista, sustentado no capital e na desigualdade", disse a aluna, em um vídeo que circula em grupos de WhatsApp. Ela criticou ainda o governo que provocou prisões de ambientalistas, indígenas, agricultores, mulheres, negros e provocou incêndios em florestas.
"Não, não nos representa e não foi escolhida democraticamente uma paraninfa ou paraninfo que, do alto cargo de liderança que possui, escolha fazer política dessa forma", disparou ainda a estudante.
Como não poderá estar presente na formatura da turma, a ministra foi convidada a estar com os alunos na manhã desta terça. Uma reportagem no canal da Esalq no Youtube mostra a imagem da aluna lendo a carta, mas não noticia o fato, nem sobe o som da leitura. Confira os dois vídeos, do discurso e da reportagem:
Os destaques da noite no 247
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