quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Conheça os 39 deputados que votaram contra a convenção da OEA que combate o racismo

 

Conheça os 39 deputados que votaram contra a convenção da OEA que combate o racismo

Agência Câmara com 247 - A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (9) a adesão do Brasil à Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. O texto consta do Projeto de Decreto Legislativo 861/17, que seguirá para o Senado. 

A matéria foi aprovada na Câmara em primeiro turno por 414 votos a favor e 39 votos contrários. O Partido Novo foi a única legenda a orientar a seus parlamentares o voto contrário à aprovação da convenção interamericana.  

De acordo com a convenção, a discriminação racial pode basear-se em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica e é definida como “qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou privada, com o propósito ou efeito de anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados partes”.

Conheça os 39 parlamentares que votaram contra a convenção que combate o racismo:

Deputados racistas


Nos destroços de um navio nazista, mergulhadores descobrem baús que podem conter tesouros lendários

 

Nos destroços de um navio nazista, mergulhadores descobrem baús que podem conter tesouros lendários

Saqueada pelos nazistas em 1941, a Sala Âmbar foi totalmente reconstruída em um palácio em São Petersburgo sem os ornamentos originais, que até então permaneceram inalcançáveis ​​... (REUTERS / Pool / Alexander Zemlianichenko)
Saqueada pelos nazistas em 1941, a Sala Âmbar foi totalmente reconstruída em um palácio em São Petersburgo sem os ornamentos originais, que até então permaneceram inalcançáveis ​​... (REUTERS / Pool / Alexander Zemlianichenko)

Quase 90 metros de profundidade no Mar Báltico, equipes da empresa polonesa Baltictech encontraram os restos de navios de guerra alemães afundados pelos russos em 1945. A bordo de um deles pode ser encontrado o tesouro. da Sala Âmbar, roubada pelos nazistas em 1941.

Uma descoberta a meio caminho entre Indiana Jones e Titanic. Em outubro, mergulhadores da companhia polonesa Baltictech afirmaram ter encontrado os destroços de um navio de guerra nazista, o Karlsruhe, no Mar Báltico, na baía de Gdansk, a uma profundidade de 88 metros.

As missões de exploração adicionais confirmaram então que se tratava de um navio de carga afundado pela força aérea soviética durante a Segunda Guerra Mundial, em 13 de abril de 1945 para ser mais preciso, mas também permitiram que algo mais fosse encontrado.

Dez baús encontrados no fundo do Mar Báltico

“Após uma inspeção minuciosa do fundo do mar ao redor de Karlsruhe, pudemos atestar a presença de um segundo naufrágio, a apenas 550 metros do 'nosso' navio, revela a Baltictech em sua página no Facebook. Pesquisas futuras mostrarão se esta é uma unidade ligada aos eventos de 13 de abril de 1945. ”

As primeiras escavações realizadas por robôs em torno deste segundo naufrágio, no entanto, parecem particularmente promissoras. "No fundo, encontramos dez baús e muitos outros objetos, explica Baltictech. Alguns dos baús estavam abertos. Os selos de borracha especiais encontrados em um deles nos dão esperança de que continham objetos de valor, talvez pinturas? ”

The Amber Room, “8ª maravilha do mundo”

A origem desses preciosos objetos pode remeter a um dos episódios mais misteriosos da Segunda Guerra Mundial, o do tesouro da Câmara Âmbar. Quase três séculos atrás, o rei prussiano Frederico Guilherme I deu ao czar russo Pedro o Grande painéis de âmbar particularmente suntuosos, que antes ficavam em um de seus castelos em Berlim.

Os descendentes do czar deram então a este suntuoso presente uma caixa à sua medida, instalando esses painéis em uma sala de um castelo localizado perto de São Petersburgo. Ricamente adornada, a sala em questão, denominada “Sala Âmbar”, rapidamente se tornou um dos tesouros mais famosos da Europa, por vezes considerada a “8ª maravilha do mundo”.

Um mistério finalmente resolvido?

Em 1941, a Câmara Âmbar foi, portanto, logicamente um dos alvos dos nazistas durante a Operação Barbarossa, durante a qual as tropas do Terceiro Reich se comprometeram a invadir a URSS. A suntuosa sala foi assim saqueada pelos alemães, que então devolveram o saque à sua base em Königsberg (agora Kaliningrado). No entanto, quando esta cidade foi tomada pela URSS em 1945, o tesouro da Sala Âmbar não foi encontrado.

Os baús encontrados perto dos destroços do Karlsruhe ajudarão a esclarecer esse mistério? De qualquer forma, a equipe Baltictech está convencida disso. “Esta descoberta pode fornecer novas informações sobre o desaparecimento da lendária 'Sala Âmbar', porque foi em Königsberg que foi vista pela última vez, afirma um representante da empresa polaca, citado por The Sun . De lá, o Karlsruhe empreendeu sua última viagem com uma grande carga ... ”

O único jeito de impedir a reeleição de Bolsonaro é intensificar o trabalho político cotidiano

 


Imagem: Hamilton Grimaldi

Por LUIS FELIPE MIGUEL*

O único jeito de impedir a reeleição de Bolsonaro é intensificar o trabalho político cotidiano

Passadas as eleições municipais, as atenções se voltam para 2022. É essa a armadilha da política eleitoral, que canaliza nossas energias e nossas esperanças para uma disputa estruturalmente enviesada a favor de quem controla o dinheiro e a informação.

É fácil prever que Bolsonaro estará no segundo turno, partindo de cerca de um terço dos votos. Ele hoje não tem partido, mas tem a força que lhe dão o balcão de negócios presidenciais e a atração exercida pelos favoritos. Além dos pequenos partidos aliados a ele, como PRTB e Patriota, conta já com o Republicanos e provavelmente com Progressistas e PTB. Em suma, é um presidente no cargo, disputando a reeleição, com uma base partidária forte. Dá para esperar que faça algo entre 35 e 40% dos votos no primeiro turno.

A parte do PSL que se desgarrou de Bolsonaro ficará entre se recompor com ele ou seguir o caminho de Alexandre Frota e aderir a Doria. Ainda na extrema-direita, o Novo, com crescimento de sua ala bolsonarista, chegará à eleição sob enorme tensão. A política se revelou mais complicada do que os engomadinhos do Itaú imaginavam.

A redução do tamanho do PSDB nas eleições municipais frustrou a pretensão de Dória de se firmar como nome incontestável da direita que agora quer parecer democrática. É difícil que os tucanos consigam contentar todos os aliados de que precisam para impulsionar a candidatura do governador paulista (MDB, PSD e DEM).

É provável que alguns desses partidos busquem uma alternativa própria à direita (Luciano Huck, o cada vez mais improvável Sérgio Moro ou outro) e/ou embarquem na canoa de Ciro Gomes, que pretende se firmar como nome de “centro” – por isso se distancia deliberadamente do PT.

Dificilmente uma manobra como a de Lula em 2018, que suprimiu o apoio do PSB a Ciro, vingará outra vez. Mas Ciro terá que ser capaz também de costurar múltiplos apoios, projetando a imagem de que é capaz de superar seu teto (em torno de 12% dos votos). O fraco desempenho do PDT nas eleições passadas não ajuda.

É de se esperar, portanto, três ou quatro candidaturas em princípio competitivas tentando ocupar o mítico espaço do “centro”, o que leva a prognósticos não muito bons para todas elas.

À esquerda, há espaço apenas para uma candidatura competitiva, que concentrará os votos. Será a candidatura que Lula apoiar – hoje, tudo indica, a de Fernando Haddad. O estoque de votos que o lulismo é capaz de mobilizar fica na faixa dos 25%. O que é mais provável, portanto, é um novo segundo turno entre Bolsonaro e um candidato apoiado por Lula.

Nele, a crer em todos os indícios, a direita que se quer democrática jogará novamente todos os escrúpulos às favas e apoiará o ex-capitão, uns mais alegremente, outros de forma mais envergonhada. Com a mídia a seu favor, os empresários, os pastores, a máquina pública, as fábricas de fake news – eis que Bolsonaro ganha um novo mandato. Agora, quem sabe, com Damares de vice: representatividade é tudo, não é mesmo?

Como impedimos isso?

Não é mexendo as peças no xadrez eleitoral. Nele, imperam as vaidades e os interesses de curto prazo, que as incertezas vigentes só agudizam. Mesmo a submissão da esquerda ao novo centro personificado em Ciro, que vejo muitos defendendo por desespero e que possui efeitos danosos suficientemente fortes para que seja desaconselhada, não leva a nenhuma garantia de êxito.

Também não é esperando uma bala de prata. Já surgiram muitas: vaza jato, ameaças ao Supremo, Queiroz, coronavírus. Nenhuma funcionou. Quem botou Bolsonaro no poder – e não estou falando de seus eleitores – sabe muito bem o que quer e por isso prefere mantê-lo.

O único jeito de impedir a reeleição de Bolsonaro é intensificar o trabalho político cotidiano, organizando os vastos setores que são vítimas do atual governo para resistir e lutar contra os flagelos gêmeos do autoritarismo e do neoliberalismo. Esse é o trabalho a ser feito. O resultado eleitoral pode ser consequência dele, mas não é seu único horizonte. Política se faz muito além das urnas.

Se conseguirmos derrotar Bolsonaro, precisaremos de mobilização para garantir que um governo democrata seja realmente capaz de governar. Se ele for substituído por uma direita menos caricata ou um “centro” qualquer, a mobilização será necessária para impedir que tenhamos simplesmente uma política neoliberal com um sorriso no rosto.

E se infelizmente ele ganhar mais uma vez, embalado pelo aval das urnas para um segundo mandato ainda mais destrutivo, aí mesmo é que nossa resistência será mais necessária do que nunca.

*Luis Felipe Miguel é  professor do Instituto de Ciência Política da UnB, onde coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). Autor, entre outros livros, de Dominação e resistência: desafios para uma política emancipatória (Boitempo).

 

O capitalismo é para poucos

 

O capitalismo é para poucos

Dora Longo Bahia. Revoluções (projeto para calendário), 2016 Acrílica, caneta à base de água e aquarela sobre papel (12 peças) 23 x 30.5 cm cada

Por MICHAEL ROBERTS*

Um número minúsculo de pessoas (menos de 0,1%) possuem 25% da riqueza mundial

Apenas 1% do topo das famílias possui 43% da riqueza global, os 10% seguintes possuem 81%, enquanto os 50% da base têm apenas 1%. Este 1% é formado por multimilionários em riqueza líquida (descontadas já as dívidas); há apenas 52 milhões deles. Dentro desse 1%, há 175.000 pessoas ultraricas que abocanham mais de $50 milhões de dólares em riqueza líquida. Ou seja, um número minúsculo de pessoas (menos de 0,1%) possuem 25% da riqueza mundial!

A informação vem do relatório de 2020 produzido pela organização Credit Suisse Global Wealth, que acaba de ser divulgado. O relatório continua sendo a análise mais abrangente e explicativa da riqueza global (não confundir com a renda), assim como da desigualdade da riqueza pessoal no mundo. Todos os anos, esse relatório de analisa a riqueza de 5,2 bilhões de pessoas em todo o mundo. A riqueza é composta pelos ativos financeiros (ações, obrigações, dinheiro, fundos de pensões etc.) e propriedades (casas etc.) possuídas. O relatório apresenta a riqueza descontando já as dívidas. Os autores do relatório são James Davies, Rodrigo Lluberas e Anthony Shorrocks.

De acordo com o relatório de 2020, a riqueza familiar total global aumentou US$ 36,3 trilhões durante 2019. Mas a pandemia de COVD-19 cortou esse aumento de 2019 quase pela metade (US$ 17,5 trilhões) entre janeiro e março de 2020. No entanto, como os mercados de ações e os preços das propriedades se recuperaram celeremente, graças às injeções de crédito do governo e do banco central, os pesquisadores do Credit Suisse avaliam que a riqueza total das famílias ainda estava ligeiramente acima em meados de 2020 em comparação com o nível no final do ano passado, embora a riqueza por adultos tenha caído.

Em meados de 2020, a riqueza das famílias globais era de US$ 1 trilhão acima do nível de janeiro, um aumento de 0,25%. Como isso é menos do que o aumento no número de adultos no mesmo período, a riqueza global média caiu 0,4% para US$ 76.984. Em comparação com o que seria esperado antes do surto de COVID-19, a riqueza global caiu US$ 7,2 trilhões, ou US$ 1.391 por adulto, em todo o mundo.

A região mais afetada foi a América Latina, onde as desvalorizações cambiais reforçaram as reduções do PIB em dólares, resultando em uma redução de 12,8% na riqueza total em dólares. A pandemia também erradicou o crescimento esperado na América do Norte e causou perdas em todas as outras regiões, exceto China e Índia. Entre as principais economias globais, o Reino Unido testemunhou a maior erosão relativa da riqueza.

O mais chocante é a ainda enorme desigualdade de riqueza das famílias em todo o mundo. Conforme mostrado pelo gráfico da pirâmide de riqueza abaixo, a desigualdade permanece gritante, tanto geograficamente entre o “norte rico” e o “sul pobre”, assim como entre famílias dentro dos países.

No final de 2019, a América do Norte e a Europa respondiam por 55% da riqueza global total, com apenas 17% da população mundial adulta. Em contraste, a parcela da população era três vezes maior do que a parcela da riqueza na América Latina, quatro vezes a parcela da riqueza na Índia e quase dez vezes a parcela da riqueza na África.

As diferenças de riqueza dentro dos países são ainda mais pronunciadas. O 1% do topo dos detentores de riqueza em um país normalmente possui entre 25% e 40% de toda a sua riqueza; os 10% seguintes geralmente respondem por montantes que ficam entre 55% e 75%. No final de 2019, os milionários em todo o mundo – que somam exatamente 1% da população adulta – representavam 43,4% do patrimônio líquido global. Em contraste, 54% dos adultos com riqueza abaixo de US$ 10.000 (ou seja, praticamente nada) juntos reuniram menos de 2% da riqueza global.

Os pesquisadores avaliam que o impacto mundial sobre a distribuição da riqueza dentro dos países tem sido notavelmente pequeno, dadas as perdas substanciais do PIB relacionadas à pandemia. Na verdade, não há evidências sólidas de que a pandemia tenha sistematicamente favorecido os grupos de maior riqueza em relação aos grupos de menor riqueza ou vice-versa. Em 2019, o número de milionários em todo o mundo disparou para 51,9 milhões, mas mudou muito pouco no geral durante o primeiro semestre de 2020.

No ápice da pirâmide da riqueza, o relatório estima que, no início deste ano, havia 175.690 adultos com patrimônio líquido super alto no mundo com patrimônio líquido superior a US $ 50 milhões. O número total de tais adultos aumentou 16.760 (11%) em 2019, mas 120 membros foram perdidos durante o primeiro semestre de 2020, deixando um ganho líquido de 16.640, desde o início de 2019.

Durante o primeiro semestre de 2020, o número de milionários diminuiu em 56.000 no geral, apenas 1% dos 5,7 milhões adicionados em 2019. O número de membros aumentou em alguns países e alguns perderam números significativos. O Reino Unido (queda de 241.000), Brasil (queda de 116.000), Austrália (queda de 83.000) e Canadá (queda de 72.000) eliminaram mais milionários do que o mundo como um todo.

Parece que a desigualdade de riqueza diminuiu na maioria dos países durante o início dos anos 2000. A queda na desigualdade dentro dos países foi reforçada por uma queda na desigualdade “entre os países”, alimentada por rápidos aumentos na riqueza média nos mercados emergentes. A tendência tornou-se mista após a crise financeira de2008, quando os ativos financeiros cresceram rapidamente em resposta à flexibilização quantitativa e às taxas de juros artificialmente baixas. Esses fatores aumentaram a participação do 1% do topo dos detentores de riqueza, mas a desigualdade continuou a diminuir para aqueles abaixo da cauda superior. Hoje, os 90% da base representam 19% da riqueza global, em comparação com 11% no ano 2000. Em outras palavras, houve uma concentração da riqueza para o 1% do topo (e ainda mais para 0,1%), mas com alguns dispersão entre os 99% restantes.

Os pesquisadores concluíram que o pequeno declínio na desigualdade de riqueza no mundo como um todo “reflete a redução dos diferenciais de riqueza entre os países, visto que as economias emergentes, particularmente China e Índia, cresceram a taxas acima da média. Esta é a principal razão pela qual a desigualdade de riqueza global caiu nos primeiros anos do século e, embora tenha aumentado durante a década que vai de 2007 a 2016, acreditamos que a desigualdade de riqueza global voltou a entrar em uma fase de queda após 2016”.

Em suma, o que o relatório mostra é que bilhões de pessoas não têm riqueza líquida nenhuma e que a distribuição da riqueza pessoal global reflete um mundo em que há alguns gigantes tais como Gulliver da fábula estão agora olhando para baixo e contemplando uma massa imensa de liliputianos.

*Michael Roberts é economista. Autor, entre outros livros, de The Great Recession: a Marxist View.

Tradução: Eleutério F. S. Prado

Publicado originalmente em The next recession blog

Fonte: A Terra é Redonda

Carta Capital

 

QUARTA-FEIRA, 09 DE DEZEMBRO DE 2020
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