sábado, 6 de fevereiro de 2021

Dallagnol: Moro ficou “putin” com pedido da Defesa de Lula para ouvir Tacla Duran Publicado por Vinicius Segalla -

 

Dallagnol: Moro ficou “putin” com pedido da Defesa de Lula para ouvir Tacla Duran

 
Sergio Moro e seu terror: o advogado Tacla Duran

Por Henrique Nunes, especial para o DCM
e Vinícius Segalla, editor do DCM

Conversas do dia 27 de agosto de 2017 entre procuradores da Lava Jato, anexadas em petição da Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (4), revelam que o ex-juiz Sergio Moro “ficou putin” com a solicitação dos advogados do ex-presidente para ouvir o advogado Rodrigo Tacla Duran em um processo sobre um terreno da Odebrecht que a força-tarefa tentava fazer crer ter sido doado ao Instituto Lula.

Naquela data, os procuradores da Lava Jato repercutiram nota publicada pela Folha de S. Paulo sobre o pedido da Defesa de Lula para que uma testemunha que iria depor no dia seguinte fosse substituída por Tacla Duran. No diálogo, o procurador Deltan Dallagnol usa trocadilho com o nome do presidente da Rússia, Vladimir Putin (o apelido de Moro nas conversas é Russo) para ilustrar a reação do ex-juiz ao saber do pedido da Defesa.

• 16:59:00 (interlocutor não identificado) Lula indica advogado que acusa amigo de Moro como testemunha
– 29/08/2017 – Mônica Bergamo – Colunistas – Folha de S.Paulo
http://m.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2017/08/1913999-lulaindica-advogado-que-acusa-amigo-de-moro-como-testemunha.shtml
• 17:10:31 Posso dizer no Facebook que é engraçado e conveniente como a
coluna social da Mônica Bergamo cria uma notícia e depois “ganha” o furo
de que a notícia será usada por um réu?
• 17:18:19 Deltan: Eu não ampliaria a discussão. Não daria mais ibope pra
isso.
• 17:18:39 Deltan: Não achei também sua manifestação suficientemente
desmoralizadora rs.
• 17:19:07 Laura Tessler: tb não acho que mereça mais comentários
• 17:19:15 DeltanVi que Putin ficou bem putin com isso, mas não faria
• 17:19:20 O Russo achou a mesma coisa. Aliás, já indeferiu

Trecho de documento protocolado nesta quinta pela Defesa de Lula no STF (Crédito: STF)

A reação de Moro é justificável. Duran foi advogado da Odebrecht e já acusou, em juízo, a Lava Jato de falsificar documentos e de orientar delações. Outro fato que sempre causou temores no ex-juiz é o de Duran ter acusado o também advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal de Moro, de ter intermediado negociações paralelas à força-tarefa.

Duran chegou a tentar fazer acordo de delação premiada, mas teve seu pedido negado pelo Ministério Público Federal. O advogado também teve a prisão decretada por Moro e a foi detido na Espanha no fim de 2016 – só para ser solto um mês depois.

De lá para cá, o advogado concedeu inúmeras entrevistas em que acusa tanto Moro quanto a Lava Jato de agirem ao arrepio da lei. Em junho de 2020 ele usou as redes sociais para mandar recado ao ex-juiz, que acabara de conceder entrevista à Folha de S. Paulo. “O indivíduo que tem medo de ser investigado, tem que sair da vida pública. “Medo = sentimento de grande inquietação ante um perigo real ou imaginário; susto, pavor, temor, terror” segundo o Mestre Aurélio.”

A nova leva de mensagens de aplicativo está sendo divulgada desde o dia 1º deste mês, após o ministro Ricardo Lewandowski levantar o sigilo e liberar para a Defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acesso ao conteúdo das conversas entre os integrantes da Operação Lava Jato que foram analisadas por peritos da Polícia Federal.

Além das prováveis consequências futuras, como a suspeição do ex-juiz ou a anulação dos processos em que ele participou como juiz e procurador informal, a divulgação dos diálogos já começou a causar estragos. Na manhã desta quarta (3), o MPF anunciou que a força-tarefa seria incorporada ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) – ou seja, a Lava Jato deixou de existir nos moldes como era conduzida até então.

Conjur: Repórter da Globo sugeriu conteúdo de nota que a própria Globo noticiou — em defesa da Lava Jato

 

Conjur: Repórter da Globo sugeriu conteúdo de nota que a própria Globo noticiou — em defesa da Lava Jato
Divulgação
POLÍTICA

Conjur: Repórter da Globo sugeriu conteúdo de nota que a própria Globo noticiou — em defesa da Lava Jato


05/02/2021 - 17h58

Conversa entre procuradores da “lava jato” mostra uso estratégico de vazamentos

Por Sérgio Rodas, na Conjur

Conversa entre procuradores da força-tarefa da “lava jato” mostra como eles usavam vazamentos para aumentar a pressão contra investigados na operação.

A informação consta de uma troca de mensagens entre procuradores à qual a ConJur teve acesso.

O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso da chamada operação “spoofing”, que mira hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades.

Em 5 de março de 2016, um dia após o ex-presidente Lula ter sido conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal por ordem do então juiz Sergio Moro, procuradores discutem em grupo de mensagens a redação de uma nota da força-tarefa da “lava jato” explicando que a medida era necessária, uma vez que o petista foi intimado, mas se recusou a comparecer a um posto da PF.

No debate, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, sugere argumentar que, se a ordem não foi executada, Lula foi voluntariamente depor, e não houve condução coercitiva.

“Vcs sabem se a condução ontem foi executada ou se ele foi voluntariamente? Não consegui falar com Luciano [Flores, delegado da PF]. Se foi voluntariamente, não tem do que reclamar. Se não foi, ele mentiu que sempre está à disposição pra depor. Poderia fazer o raciocínio: se ele disse ontem que sempre se dispôs a depor, então sequer houve condução coercitiva… mas tenho receio de suscitar novas críticas quanto ao ambiente de coação. Acho vou colocar nas entrelinhas”, diz Dallagnol.

A ConJur manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens.

O procurador Andrey Borges de Mendonça desaprova a ideia. “Não gosto do raciocínio. 15:38:46 Acho que parece entender que ele [Lula] tinha opção. E ele não tinha. Cuidado.”

Deltan Dallagnol enviou rascunho da nota para análise de Vladimir Netto, repórter da TV Globo que, em junho de 2016, lançaria o livro Lava Jato: o juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil (Primeira Pessoa).

O jornalista diz a Dallagnol, segundo o relato deste, que não valeria a pena soltar uma nota, a não ser que fosse “para não deixar Moro sozinho”.

“A nota é pra acalmar e não comprar briga” foi o conselho de Netto, conforme o procurador.

“Mas ele [Netto] acha que teria que ser muuuuito serena pq estamos mais expostos do que o Moro na avaliação dele”, conta Dallagnol.

Mendonça apoia a intenção: “Por mim, soltamos pq não deixo amigo apanhando sozinho rs. Independentemente de resultado, soltaria por solidariedade ao Moro”.

Após chegarem a um acordo sobre a redação da nota e a enviarem à imprensa, o procurador Athayde Ribeiro Costa avisa os colegas que o Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou o posicionamento da força-tarefa da “lava jato”.

O procurador Orlando Martello comenta que, se continuasse a escalada contra a operação, a solução seria vazar conversas interceptadas de Lula.

“Se a escalada continuar, a solução é soltar os áudios, cf sugerido por CF [Mendonça]. Aí jogamos problema no colo deles, com algumas maldades (pq lula usa cel de terceiros!; proximidade de lula e JW [Jaques Wagner, então ministro da Casa Civil], bem como JW responsável pela nomeação do novo ministro; convocação de deputados; movimentos sociais, etc.”

Em resposta, Mendonça diz o vazamento das gravações “é nossa carta na manga”.

“Mas é preciso que seja com autorização judicial. E talvez haja problemas”, ressalta.

O procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho então lembra que já haviam feito consultas sobre a liberação dos áudios, mas elas foram negadas.

Divulgação de grampos

Em 16 de março de 2016, Sergio Moro divulgou conversas telefônicas de Lula, recém-empossado ministro da Casa Civil, com a então presidente Dilma Rousseff e outros políticos.

Na semana seguinte, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaski — que morreu em acidente aéreo em 2017 — afirmou que o fim do sigilo dos grampos foi ilegal e inconstitucional.

Primeiro porque foi o resultado de uma decisão de primeiro grau a respeito de fatos envolvendo réus com prerrogativa de foro no Supremo.

Depois porque, ao divulgar o conteúdo dos grampos, Moro violou o direito constitucional à garantia de sigilo dos envolvidos nas conversas.

No dia da divulgação dos áudios, os procuradores discutiram se o ato de Moro era legal ou não.

Afinal, o diálogo entre Lula e Dilma foi captado após o juiz federal ter enviado comunicados às operadoras de telecomunicações pedindo a suspensão dos grampos.

O procurador Januário Paulo classifica a medida como “filigrana”.

“Quem decide o que vai para os autos e o juiz. Se ele podia interromper também pode mandar juntar aos autos e validar.”

Andrey Mendonça discorda. “Januario, desculpe, eu nao vejo assim. Isso esta longe de ser filigrama na minha visão. Se ele suspendeu a interc[eptação], juridicamente nada vale dps. Eu espero q vcs estejam certos, mas nao eh tao tranquilo assim.”

Deltan Dallagol então intervém: “Andrey No mundo jurídico concordo com Vc, é relevante. Mas a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político”.

“Concordo Deltan. Isso tera q ser enfrentado muito em breve no mundo juridico. O estrago porem esta feito. E mto bem feito”, responde Mendonça.

Dois dias depois, em 18 de março, o ministro do STF Gilmar Mendes cassou a nomeação de Lula como chefe da Casa Civil.

No embalo da decisão, os procuradores discutem se é hora de pedir a prisão de Lula e apresentar denúncia contra ele.

Para Roberson Pozzobon, não faz diferença se a captação da conversa foi ilegal ou não. Afinal, a própria Dilma tinha admitido o diálogo.

HUMILHADOS: DELTAN E SUA TURMA PEDEM CLEMÊNCIA À SEGUNDA TURMA!

https://www.blogger.com/blog/post/edit/1976182022941044612/1133540732489037193 

Deltan revisava livro de repórter da Globo sobre a Lava Jato TUDO JUNTO! TODOS JUNTOS!

 

Deltan revisava livro de repórter da Globo sobre a Lava Jato

247 - Os novos diálogos das conversas dos procuradores da Lava Jato mostram que Deltan Dallagnol estava revisando o livro de Vladimir Neto.

Reportagem do Jornal GGN destaca que na conversa, Deltan questiona qual é a correta grafia do nome de um dos citados no livro. 

"No livro do Valdimir Netro seu nome aparece sem acento, mas nas sentenças tem acento", diz Deltan. E segue: "Estou revisando o livro e não queria errar o seu nome!!".

O livro do repórter Vladimir Netto, filho da colunista Miriam Leitão, é o "Lava Jato - O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil", que faz a defesa do ex-juiz Sergio Moro.