domingo, 11 de abril de 2021

Os destaques da noite no 247, em 09/4/2021

 

Fachin fala em reverter suspeição de Moro no plenário: "não seria inusual"

Em nota,
líderes de vários partidos defendem STF e apontam
crime de responsabilidade
de Bolsonaro

STF responde a Bolsonaro em nota defendendo a Constituição; Marco Aurélio diz que "não dá pra sentar em cima" de CPI

Rejeição
ao governo
Bolsonaro chega 
a 51,5%,
diz levantamento

Após CPI e derrota no STF, bolsonaristas lançam hashtag "vou pra guerra com Bolsonaro"

Breve roteiro: como uma CPI muda o rumo da História? (por Luís Costa Pinto)

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Moraes prorroga por mais 90 dias inquéritos de atos antidemocráticos e fake news

Marcos Coimbra: Com sua candidatura, Lula corta o papo furado

A Ucrânia revisitada: guerra, russofobia e o Gasodutistão (por Pepe Escobar)


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9 DE ABRIL DE 2021
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Monica Bruckmann: Recuperar integração regional deve ser prioridade de governos progressistas da AL

No programa 20Minutos Entrevistas desta sexta-feira (09/04), o jornalista Breno Altman entrevistou a professora do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Monica Bruckmann. Durante a conversa, a estudiosa sobre o crescimento latino-americano avaliou a possibilidade de um retorno de governos progressistas devido à crise do neoliberalismo, agravada pela pandemia mundial. “Paradoxalmente, um processo que mostrou o fracasso do neoliberalismo, gerou a transferência de recursos para os setores que querem a continuidade desse sistema”, pontuou. Para Bruckman, principalmente na América Latina, estão em disputa no momento o “neoliberalismo 3.0” e um outro modelo de desenvolvimento, desde uma perspectiva de soberania, que promova reformas estruturais.
 
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'Não vale ser a primeira vereadora negra se eu for a última', diz Carol Dartora

Vereadora explicou que feminismo negro e interseccional se traduz em políticas públicas

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Argentina aprova isenção de imposto de renda para 93% dos trabalhadores

Senado referendou pra 150 mil pesos a linha de isenção, beneficiando 1,2 milhão de argentinos

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Mianmar espera chegada de enviada da ONU e contabiliza mais de 600 mortos 

Pelo menos quatro pessoas morreram após ação das forças de segurança nesta sexta-feira 

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Campanha termina no Peru com cinco candidatos em empate técnico

Esta quinta foi o último dia para realizar comícios antes do primeiro turno, que será no domingo 

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Mantenha os nazistas por perto IMPORTANTE ALERTA DO INTERCEPT

 


Sábado, 10 de abril de 2021
Mantenha os nazistas por perto

O bolsonarismo não respira sem eles.

Quem mora no Rio de Janeiro já deve ter visto a imagem acima pichada em algum muro, pilastra ou viaduto. Não é de hoje que ela se espalha pela cidade. O que aconteceu no STF esta semana me fez lembrar dela. A briga por manter igrejas abertas durante a pandemia tem muito a ver com isso, talvez de modo mais preocupante do que vocês estejam pensando.

"Bíblia SIM
Constituição NÃO"


O que se viu: Bolsonaro usando seu nanoministro Kássio Nunes Marques – e também os obedientes advogado-geral da União, André Mendonça, e o procurador-geral da República, Augusto Aras – para agradar a católicos & evangélicos. Mesmo que tenha perdido a votação ("Por 9 a 2, STF decide que estados e municípios podem restringir cultos e missas na pandemia"), o bolsonarismo enfrentou a questão em praça pública em nome de fiéis e dizimistas. Uma vitória na derrota. Mas essa briga tinha também outra plateia.

Não são os felicianos ou malafaias – clássicos adesistas das tetas do governo de turno – que mais importam aqui. É de gente bem pior que estou falando. Gente que lá atrás, muito antes de Bolsonaro pensar em disputar a Presidência, já era parte de sua base fiel por ver ali, naquele deputado, alguém capaz de defender a história indefensável. O circo no STF serviu para manter pessoas perigosas coladas no bolsonarismo.

O pedido foi feito pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos, um grupo comandado por calvinistas que está tomando o governo por dentro e sem alarde. A diferença principal dos evangélicos calvinistas para os demais é sua compreensão de que o cristianismo deve reivindicar a hegemonia cultural. Um cristianismo supremacista, implacável contra o “esquerdismo”, o “liberalismo teológico” e o “comunismo"

Fazendo buscas no site da Anajure, me deparei com um post descuidado. A entidade defendeu publicamente um grupo de pessoas fazendo um gesto imortalizado pelos nazistas. O detalhe é que ninguém sequer falou em Anajure no post em que se denunciou o ato. Ninguém chamou a Anajure para essa conversa. Qual o objetivo de atravessar a rua e escorregar em uma casca de banana que não é sua? Corre-se o risco de parecer que a entidade quer naturalizar a saudação na sociedade. A Anajure deveria ter mais cuidado.

Porque como bem disse Michel Gherman, o bolsonarismo só ganhou corpo quando estendeu a mão para uma parte extremamente podre da nossa sociedade. Bolsonaro e seu movimento não podem perder essa gente, sobretudo agora quando sua popularidade cai e a gestão assassina da pandemia é um fato inegável. Sem a base, eles não são nada. E grupos nazistas e fascistas são a verdadeira base de Bolsonaro.

Eles já estavam defendendo sem vergonha o então deputado em 2011(!), quando sequer se imaginava que Jair teria alguma intenção de concorrer à Presidência. Na foto abaixo, enquanto um homem veste a camiseta de um Bolsonaro com sorriso de família aos domingos, outro ostenta o logotipo do Kombat Rac (combate racial), um grupo fascista.

O protesto dos neonazistas na Paulista em defesa de Bolsonaro | Quebrando  Tabus

Um ano depois, Bolsonaro falou das qualidades de Hitler ao CQC. Estava acariciando o grupo aí de cima. Foi lá, em rede nacional, que o Brasil viu um homem público com chances eleitorais capaz de dizer – como diria mais tarde – que o holocausto pode ser perdoado. Os supremacistas tinham, enfim, seu candidato.

Ao dar vazão, em pleno Supremo, ao ideário de “Bíblia SIM, Constituição NÃO”, o bolsonarismo acena mais uma vez às seitas que formam seu néctar. As pichações no Rio são feitas pelos membros da congregação Geração Jesus Cristo, um grupo religioso que promove agitação política muito parecida com as que se viu pré-golpe de 64. Entre seus atos, estão a publicação de vídeos nos quais seus membros se vangloriam por destruírem imagens de um centro espírita e, claro, clamar por um novo holocausto. Bolsonaro não pode arriscar perder essa base. Não agora, quando está cada vez mais enfraquecido.

Falar sobre inspirações nazistas e fascistas na política virou lugar-comum nas democracias. Muitas vezes, os gritos são hipérboles que enfraquecem a própria ideia do terror. Não é disso que se trata agora. O atual governo é, sim, inspirado e suportado por supremacistas. É essa base, em última instância, que ficará ao lado de Bolsonaro nos dias que virão – seja para salvá-lo de um impeachment, seja para tacar fogo no país.

Leandro Demori
Editor Executivo

Destaques

 

Isabela Kalil estará ao vivo, na próxima terça-feira, dia 13, às 17h, no canal do Intercept Brasil no YouTube, para falar sobre o fura-fila de empresas privadas na compra de vacinas. Leandro Demori conduz o papo.

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