terça-feira, 10 de maio de 2022

Lançamento da pré-candidatura LULA-ALCKMIN

 https://www.youtube.com/watch?v=tlemPwJTw2E

As principais notícias desta noite no Brasil 247, em 07/5/2022

 

Lula bota o bloco na rua

 

sáb., 7 de mai. às 08:00

Sábado, 7 de maio de 2022
Lula bota o bloco na rua


Os detalhes da frente ampla que o ex-presidente lança daqui a pouco.

Todos os caminhos da esquerda e da centro-esquerda levam neste sábado a um centro de eventos ao lado da Marginal do Rio Tietê, na Vila Guilherme, bairro de classe média da Zona Norte de São Paulo. Logo mais, às 10h, começa no Expo Center Norte o maior evento, até agora, da pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

O evento leva o nome da chapa que reúne Lula e o neossocialista Geraldo Alckmin, "Vamos Juntos Pelo Brasil". Além deles, o palanque estará abarrotado de políticos dos sete partidos que compõem a coligação encabeçada por Lula: PT, PSB (de Alckmin), PCdoB, Psol, PV, Rede e Solidariedade, além de lideranças de movimentos sociais e sindicais como MST, MTST, CUT e UNE.

O repórter Ricardo Galhardo, que tem mais de 20 anos de experiência na cobertura do PT, amplo acesso aos bastidores do partido e, desde março, colabora com o Intercept, é quem apurou as informações. É dele, por exemplo, a revelação de que detalhes sigilosos do roteiro de Lula no Paraná foram parar em grupos de WhatsApp bolsonaristas. 

A cúpula petista também enviou convites a políticos coroados do MDB, como Renan Calheiros, cuja presença é dada como provável, e do PSD, incluindo o senador baiano Otto Alencar e o presidente da sigla, Gilberto Kassab (que, há poucos dias, sinalizou apoio a Ciro Gomes, mas mantém bom trânsito no PT). Os dois são partidos da centro-direita que já foram aliados e que Lula gostaria de ter novamente a seu lado na busca por um terceiro mandato presidencial. A necessidade de "furar a bolha" da esquerda e de acenar a outras correntes políticas para fazer frente a Bolsonaro também é uma demanda de quem já embarcou na canoa lulista. 

A ideia do evento é exatamente essa, relata Galhardo: apresentar o rol de partidos unidos em torno de Lula e Alckmin como uma frente ampla em defesa da democracia e contra Bolsonaro. Para isso, além de rostos conhecidos dos partidos da frente, vídeos gravados por apoiadores que não puderam ir a São Paulo ou vivem no exterior serão exibidos no Expo Center Norte. O novo marqueteiro da pré-campanha, Sidônio Pereira, é quem cuidou da organização do evento que – espera-se no PT – irá atrair 4 mil pessoas. Uma preocupação em exibir diversidade marcou a preparação do encontro: negros, mulheres, indígenas e pessoas LGBTQIA+ terão assentos de destaque.

Galhardo apurou que, pela programação, apenas Lula e Alckmin (que, diagnosticado com covid-19, falará de casa em transmissão por vídeo) irão discursar. Mas, naturalmente, mudanças de última hora não serão uma surpresa. O discurso do ex-presidente vem sendo tratado com cuidado. Já na segunda passada, 2 de maio, Lula avisou a assessores que desejava usar o evento para fazer o que ele chamou de um "pronunciamento à nação". 

Seu discurso foi preparado ao longo da semana em conjunto com o ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Luiz Dulci. Aconselhado por amigos e auxiliares próximos, o ex-presidente deverá seguir o roteiro, mas – como é de seu estilo como orador – também haverá espaço para improvisos. Não deve haver novidades quanto aos temas: a situação econômica dos brasileiros mais pobres, a inflação, a defesa da democracia e da soberania brasileiras e a necessidade de reconstruir o país após os pavorosos anos do governo Bolsonaro. A diferença, segundo me disse Galhardo, estará no tom da fala, mais solene.

Para amplificar o evento com força nas redes sociais, palco privilegiado da disputa política nos dias atuais e campo em que o PT e a esquerda em geral ainda perdem de goleada para a extrema direita, a pré-campanha enviou mensagens a partidários, apoiadores e simpatizantes. A ideia é usar a #VamosJuntosPeloBrasil para "espalhaaaarrr bemmmm", nos termos da mensagem de zap, o evento em São Paulo pelas redes. A pré-campanha também pediu que fotos no evento – ou sobre ele – sejam enviadas para serem distribuídas posteriormente nas redes de Lula.
 
Uma reportagem escrita por Galhardo que publicamos na quarta trouxe a público o diagnóstico atual do dilema das redes da pré-campanha, a partir de um levantamento feito pela consultoria Bites. “Não existe uma sincronização entre as redes de Lula com o ecossistema de informações dele. É como se houvesse três grupos conversando sobre o mesmo assunto numa praça, cada um em um canto, sem saber o que o outro está falando”, comparou Manoel Fernandes, sócio da Bites.

Fernandes defendeu que Guilherme Boulos, que fez bela votação para prefeito de São Paulo em 2020 graças, em parte, a um eficiente e inovador trabalho nas redes sociais, seja ungido o chefe da comunicação da pré-campanha de Lula. “[Eu] Criaria um gabinete formado por Boulos, Manuela, Felipe Neto e Anitta, dando total autonomia a eles”, ele sugeriu a Galhardo.

A boa notícia para a campanha (e a democracia brasileira) é que integrantes da bem-sucedida campanha virtual de Boulos começam a trabalhar para Lula e Alckmin nos próximos dias.

Rafael Moro Martins
Editor Contribuinte Sênior

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COMO SERÃO ELEITOS OS PARLAMENTARES EM OUTUBRO DE 2022 – PARTE I

 COMO SERÃO ELEITOS OS PARLAMENTARES EM OUTUBRO DE 2022 – PARTE I


Aldemario  Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 6 de maio de 2022

No dia 2 de outubro de 2022 serão eleitos, por cerca de 150 milhões de
brasileiros, 27 senadores, 513 deputados federais e algumas centenas de
deputados estaduais e distritais.

Qualquer pesquisa de opinião realizada imediatamente depois de
conhecidos os nomes dos eleitos apontará, com ampla folga, uma visão
profundamente negativa acerca da grande maioria dos parlamentares
escolhidos pelos eleitores alguns dias antes.

A última afirmação (constatação) é estranha, mas perfeitamente
explicável. Com efeito, a maioria dos cidadãos mais ou menos
esclarecidos, conscientes e politizados “sentem” o cheiro de alguma
coisa podre no processo eleitoral. Não conseguem identificar
precisamente o que “se passa”. Entretanto, observando o perfil dos
eleitos, boa parte deles ilustres desconhecidos ou sem referências mais
sólidas de atuação política ou profissional, “percebem” a prevalência de
procedimentos, no mínimo, duvidosos nos sucessos eleitorais.

Sem pretensão de exaurir a revelação das práticas eleitorais mais
nefastas, buscarei, em poucas linhas e com limitado conhecimento acerca
dos malfeitos do lado deletério da Força, mostrar, em pinceladas gerais,
como são eleitos (maioria) uma vasta gama de políticos venais,
interesseiros, aproveitadores, carreiristas, vendidos, negociantes,
enganadores, etc, etc, etc.

Essa legião de parlamentares envolvidos com tudo que não presta são
filhos das várias vertentes dos “votos fisiológicos”. No mundo da
política, a palavra “fisiológico” identifica relações baseadas na troca
de favores pessoais e benefícios a interesses privados. Nesse campo (ou
nessa lama), os interesses coletivos e sociais, relacionados com a
maioria da população, são tratados de forma secundária ou mesmo desprezados.

Uma campanha eleitoral baseada no “voto fisiológico” segue um roteiro
caracterizado por algumas ações ou procedimentos bem conhecidos no mundo
da política mais repugnante (e ignorados pela sociedade de uma forma
geral). Destacamos dois expedientes muito eficientes para gerar votos
(em quantidade) para qualquer pessoa, conhecida ou desconhecida, munida
da soma (grande) de dinheiro necessária para movimentar as engrenagens
pertinentes.

A contratação interesseira de cabos eleitorais rende algumas dezenas de
milhares de votos quando operacionalizada pelos profissionais certos do
submundo mais abjeto da política. Imagine 3000 pessoas remuneradas com
1000 reais durante 2 meses de campanha. Elas vão agitar bandeiras, fazer
número em eventos e distribuir panfletos? Também. Mas essa é a parte
nitidamente secundária da “coisa”. O aspecto mais relevante é a promessa
de alguma vantagem, normalmente emprego, se o candidato for eleito. Mas
esse emprego reclama que o cabo eleitoral apresente uma lista com pelo
menos 20 (vinte) nomes de eleitores comprometidos em votar no candidato
apoiado pelo cabo eleitoral. Essa lista deve conter necessariamente
número do título eleitoral, zona e seção de votação (para a devida
verificação se os votos, como quantitativo total, aparecem no boletim de
urna).

O outro expediente amplamente utilizado no campo do “voto fisiológico” é
a compra de lotes de votos controlados por certas lideranças
comunitárias, religiosas e afins. O termo utilizado foi “compra”. Embora
criminoso, esse comportamento é realizado sem o menor pudor e em grande
escala, notadamente, mas não só, nos bairros ou regiões que abrigam as
parcelas mais vulneráveis da população. O pastor da Igreja do Evangelho
Multidimensional (referência hipotética) mantém influência sobre um
conjunto de 500 eleitores em Guaporé do Leste (outra referência
inventada). Esse lote de votos pode ser adquirido por 100, 200 ou 300
mil reais pelo candidato que dispuser do numerário. Programa político?
Propostas? Compromissos de atuação parlamentar? Métodos de exercício do
cargo? Tudo isso é irrelevante. Sequer é tratado. O que interessa e é
devidamente acertado: a) o número de votos no lote; b) o valor do lote;
c) a forma de pagamento e d) a lista dos eleitores (sempre com número do
título, zona eleitoral e seção, para conferência da “fidelidade” dos
votos comprados).

Percebeu a onipresente lista de eleitores com os dados “necessários”
(número do título, zona e seção eleitorais)? Veja, a propósito, esse
esclarecedor (e estarrecedor) registro da jornalista Míriam Moraes,
quando foi candidata do Legislativo:

“No meu primeiro dia ganhei dois ‘apoios’. Uma diretora disse que
ajudava os alunos formandos do ensino fundamental e do ensino médio a
conseguir candidatos que bancassem a formatura deles.
‘Não sabe o quanto eles sonham com uma festa de formatura’, suspirava.
A coisa funcionava assim:
1. Ela organizava a reunião com os formandos.
2. O candidato anotava o número do CPF, título de eleitor e zona
eleitoral de cada aluno.
3. Após a eleição, o candidato fazia a conferência nas zonas eleitorais
para checar se teve mesmo o número de votos que constavam nos locais em
que os alunos votavam. É possível conferir pelo boletim do resultado
eleitoral os votos em cada sessão.
4. Se o número mínimo de votos conferisse com os dos alunos, a festa
estava garantida.
Fiquei horrorizada ao ver a naturalidade com a qual a diretora me
explicou o arranjo. Ao chegar em casa, recebi pelo telefone o segundo
apoio, que veio de uma aluna, organizadora das atividades esportivas da
escola. O preço era bem menor, bastava os uniformes dos times de vôlei e
futebol, e ela garantia os votos no mesmo sistema de anotação dos
títulos e zonas eleitorais. Percebi que aquilo era novidade só pra mim,
nas escolas, a prática é corriqueira” (Livro: 10 coisas que descobri
sobre corrupção e política quando fui candidata. Um guia para candidatos
e interessados em entender como funcionam as campanhas eleitorais e os
bastidores da corrupção).

Mesmo essas rápidas observações permitem entender a eleição de ilustres
desconhecidos e pessoas reconhecidas inaptas para o desempenho de um
mandato parlamentar ou qualquer posto de maior responsabilidade e que
requeira um mínimo de conhecimento e raciocínio. Com o volume certo de
recursos e os operadores hábeis é viável eleger, como parlamentar,
qualquer pessoa, rigorosamente qualquer pessoa (João, Pedro, Paulo,
Periquito, Papagaio, etc, etc, etc).

Mas o pior vem depois. A parte mais triste, mais medonha, mais horrorosa
desse filme de terror está reservada para o exercício do mandato
parlamentar. Se o eleito literalmente comprou seus votos, não tem
compromisso ou satisfação a dar a ninguém. Nessas circunstâncias, o
desempenho do mandato parlamentar se transforma numa sucessão de
negociações, boa parte delas claramente ilícitas (negociatas), voltadas
para obtenção de todas as vantagens possíveis e imagináveis. Existe, é
fácil de perceber com o acompanhamento do noticiário, mesmo da grande
imprensa, uma frenética atividade relacionada com emendas ao orçamento,
liberação de verbas, convênios, compras diretas (com e sem contratos) e
licitações (de bens, serviços e obras). Como instrumentos para
viabilizar essas movimentações observamos a “necessária” indicação de
pessoas de confiança para cargos comissionados viabilizadores dos
procedimentos administrativos de interesse (são as “pessoas certas” nos
“lugares certos”).

Outra manifestação profundamente reprovável dos mandatos decorrentes de
“votos fisiológicos” é a adesão, via de regra, aos interesses
socioeconômicos mais elitistas. Esses parlamentares, na maioria dos
casos, dão sustentação política para a construção e manutenção de
trilionários mecanismos de transferência de riqueza do conjunto da
sociedade (mais de 99% da população) para uma minoria de privilegiados
(menos de 1% da população). Esses instrumentos se manifestam de diversas
formas. Entre outros, podem ser destacadas: a) tributação preponderante
do consumo de mercadorias e serviços; b) juros estratosféricos (o
Estado, as famílias e as empresas pagam cerca de 1,5 trilhão de reais de
juros anuais para os bancos no Brasil); c) benefícios fiscais; d)
subsídios; e) sonegação fiscal e f) transferência de recursos para
paraísos fiscais (calcula-se que um punhado de brasileiros possuem
depósitos da ordem de 2,5 trilhões de reais por lá). Nessa linha, são
dados votos para toda sorte de proposições legislativas voltadas para
restringir direitos sociais e viabilizar uma forte concentração de
riqueza com a manutenção e ampliação de iníquas desigualdades
socioeconômicas (Reforma da Previdência, Reforma Administrativa, Reforma
Trabalhista, Teto de Gastos Sociais, etc, etc, etc).

Existem, paralelamente a esse “fisiologismo pesado” (ou hard),
fisiologismos “mais leves” (ou soft), como aqueles relacionados: a) com
a formação de grupos políticos; b) distribuição enviesada de recursos
decorrentes de emendas parlamentares e c) os de inspiração religiosa.
Também existe um modo alternativo de fazer política identificado, em
linhas gerais, como “voto de opinião”. Essas vertentes serão exploradas
nos próximos escritos desta série.